quinta-feira, 30 de outubro de 2008

A cidade erguia as suas paredes

Era uma tarde do fim de Novembro, já sem nenhum Outono.
A cidade erguia as suas paredes de pedras escuras. O céu estava alto, desolado, cor de frio. Os homens caminhavam empurrando-se uns aos outros nos passeios. Os carros passavam depressa.
Deviam ser quatro horas da tarde de um dia sem sol nem chuva.
Havia muita gente na rua naquele dia. Eu caminhava no passeio, depressa. A certa altura encontrei-me atrás de um homem muito pobremente vestido que levava ao colo uma criança loira, uma daquelas crianças cuja beleza quase não se pode descrever. É a beleza de uma madrugada de Verão, a beleza de uma rosa, a beleza do orvalho, unidas à incrível beleza de uma inocência humana. Instintivamente o meu olhar ficou um momento preso na cara da criança. Mas o homem caminhava muito devagar e eu, levada pelo movimento da cidade, passei à sua frente. Mas ao passar voltei a cabeça para trás para ver mais uma vez a criança.
Foi então que vi o homem. Imediatamente parei. Era um homem extraordinariamente belo, que devia ter trinta anos e em cujo rosto estavam inscritos a miséria, o abandono, a solidão. O seu fato, que tendo perdido a cor tinha ficado verde, deixava adivinhar um corpo comido pela fome. O cabelo era castanho-claro, apartado ao meio, ligeiramente comprido. A barba por cortar há muitos dias crescia em ponta. Estreitamente esculpida pela pobreza, a cara mostrava o belo desenho dos ossos. Mas mais belos do que tudo eram os olhos, os olhos claros, luminosos de solidão e de doçura. No próprio instante em que eu o vi, o homem levantou a cabeça para o céu.
Como contar o seu gesto?
Era um céu alto, sem resposta, cor de frio. O homem levantou a cabeça no gesto de alguém que, tendo ultrapassado um limite, já nada tem para dar e se volta para fora procurando uma resposta. A sua cara escorria sofrimento. A sua expressão era simultaneamente resignação, espanto e pergunta. Caminhava lentamente, muito lentamente, do lado de dentro do passeio, rente ao muro. Caminhava muito direito, como se todo o corpo estivesse erguido na pergunta. Com a cabeça levantada, olhava o céu. Mas o céu eram planícies e planícies de silêncio.
Tudo isto se passou num momento e, por isso, eu, que me lembro nitidamente do fato do homem, da sua cara, do seu olhar e dos seus gestos, não consigo rever com clareza o que se passou dentro de mim. Foi como se tivesse ficado vazia olhando o homem.
A multidão não parava de passar. Era o centro do centro da cidade. O homem estava sozinho, sozinho. Rios de gente passavam sem o ver.
Só eu tinha parado, mas inutilmente. O homem não me olhava. Quis fazer alguma coisa, mas não sabia o quê. Era como se a sua solidão estivesse para além de todos os meus gestos, como se ela o envolvesse e o separasse de mim e fosse tarde de mais para qualquer palavra e já nada tivesse remédio. Era como se eu tivesse as mãos atadas. Assim às vezes nos sonhos queremos agir e não podemos.
O homem caminhava muito devagar. Eu estava parada no meio do passeio, contra o sentido da multidão.
(…)
Corri, empurrando quase as pessoas. Estava já a dois passos dele. Mas nesse momento, exactamente, o homem caiu no chão. Da sua boca corria um rio de sangue e nos seus olhos havia ainda a mesma expressão de infinita paciência.
A criança caíra com ele e chorava no meio do passeio, escondendo a cara na saia do seu vestido manchado de sangue.
Então a multidão parou e formou um círculo à volta do homem. Ombros mais fortes do que os meus empurraram-me para trás. Eu estava do lado de fora do círculo. Tentei atravessá-lo, mas não consegui. As pessoas apertadas umas contra as outras eram como um único corpo fechado. À minha frente estavam homens mais altos do que eu que me impediam de ver. Quis espreitar, pedi licença, tentei empurrar, mas ninguém me deixou passar. Ouvi lamentações, ordens, apitos. Depois veio uma ambulância. Quando o círculo se abriu, o homem e a criança tinham desaparecido.
A multidão dispersou-se e eu fiquei no meio do passeio, caminhando para a frente, levada pelo movimento da cidade.
Muitos anos passaram. O homem certamente morreu. Mas continua ao nosso lado. Pelas ruas.
Adaptação
Sophia de Mello Breyner Andresen
Excertos do conto: "O Homem"
in Contos Exemplares
Porto, Figueirinhas, 1984

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sábado, 25 de outubro de 2008

Dia das Bibliotecas Escolares - 27 de Outubro


Dia Internacional das Bibliotecas Escolares

O Dia Internacional da Biblioteca Escolar é celebrado todos os anos na 4ª segunda-feira de Outubro. Foi comemorado pela primeira vez a 18 de Outubro de 1999. Este ano, essa data é assinalada a 27 de Outubro, com a dinamização de diversas actividades.
A Biblioteca Escolar actualmente possui uma dinâmica diferente e é muito mais do que mero «depósito de livros». Acima de tudo é uma possibilidade de aprender de forma diferente, é o espaço que conduz à descoberta de um livro que nos transporta para aventuras inesperadas e nunca sonhadas.

Neste espaço podemos encontrar um amigo, descobrir temas que nos interessam ou encontrar ânimo. É um espaço lúdico onde se pode jogar, ouvir música (com auscultadores), receber prémios, participar nas inúmeras actividades dinamizadas pelas equipas responsáveis.

A Biblioteca é também o espaço de pesquisa, de realização de trabalhos individuais e em grupo, de visionamento daquele DVD!


Na Biblioteca Escolar podemos visitar exposições, ouvir conferências, conversar com escritores, ouvir um conto, declamar um poema...


Vamos ainda comemorar o 1º aniversário do blogue da nossa BECRE.
Vamos ter surpresas. Não faltes.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Verdadeira obra de engenharia musical

Partida…


O mundo é feito de coisas
terríveis…
mas a dor de perder alguém
que amamos,
não dá para descrever…
é muito forte!
NUNCA ninguém deveria partir!
Apesar de impossível,
esse é um dos meus desejos!
Posso não saber o que fazer,
para reencontrar a pessoa amada,
mas sei
que ela estará sempre ligada a mim!

Filipa, 8ºC

Acreditem

ACREDITEM

Era uma vez uma senhora que tinha três cães. Um era já velhote. Outro, assim assim. O terceiro era um cachorro ladino, que nunca estava quieto.
Os três da mesma raça. Não me perguntem qual, porque nisso de marcas de cães e raças de automóveis – perdão! – de raças de cães e marcas de automóveis sou muito ignorante.
O cão velho, deitado no capacho da entrada, vendo o mais novo a correr atrás de uma aranha, de uma borboleta, até da própria sombra, comentava para o cão do meio:
— Também já fui assim.
— Não acredito — latia o cachorrinho, sem deixar de correr. — Tu nunca brincaste.
— Brinquei, podes estar certo. E, às vezes, ainda me apetece. Se não me sentisse tão pesado, ainda te apanhava.
— Não acredito — insistia o cachorrinho, de riso nos dentes muito brancos.
— Mas deves acreditar — aconselhou o cão do meio. — Nós que somos mais velhos, já fomos tão ligeiros como tu.
— Não acredito — teimava o cachorrinho, sempre a correr.
— Como é que havemos de convencê-lo que já passámos pela idade dele e que ele há-de chegar à nossa? — perguntou o cão do meio ao cão mais velho.
— Vai ser difícil — concluiu o cão velhote, sem se despegar do capacho.
A senhora, dona dos três cães, que toda esta conversa ouvira ou adivinhara, trouxe um álbum de fotografias, poisou o cachorrinho no colo e mostrou-lhe:
— Este é o retrato do velho Piloto, quando ainda só comia sopinhas de leite. A fotografia está tremida, porque ele era um vivo demónio. Nunca se cansava de correr.
— Não acredito — protestava o cachorrinho, no colo da dona.
Páginas adiante, a senhora apontou outro cãozinho de grandes olhos brilhantes e orelhas espetadas:
— Este é o Xana, quando veio cá para casa, dentro de um cestinho. Era um brincalhão.
— Não acredito — insistia o cachorrinho, de riso nos dentes muito brancos.
E sem querer saber de mais histórias antigas, o cãozinho soltou-se das mãos da dona e desatou a correr.
Não acreditava, não acreditava, não acreditava que aqueles dois cãozarrões sisudos, muito dignamente sentados nas patas traseiras, já tivessem sido como ele. Era mentira. Era impossível. Era um disparate. Não acreditava, pronto.
Mas, com o tempo, acabou por acreditar...
António Torrado
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Os Escritores mais bem pagos do mundo

Os Escritores mais bem pagos do mundo

É uma lista criada pela revista Forbes.

Reproduzimos aqui o top das 10 estrelas que mais ganharam a escrever livros, entre 1 de Junho de 2007 e 1 de Junho de 2008:
J.K. Rowling (300 milhões de dólares)
James Patterson ($50 milhões)
Stephen King ($45 milhões)
Tom Clancy ($35 milhões)
Danielle Steel ($30 milhões)

Os outros escritores na lista são Nicholas Sparks, Janet Evanovich, John Grisham, Dean Koontz e Ken Follett.
Podes ver as suas fotografias, AQUI.

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segunda-feira, 20 de outubro de 2008

A fábula dos dois escorpiões

Deus criara a terra, o mar, o céu, os animais bons e os animais maus para o homem. Por fim, criou os escorpiões, ignorando se iriam ser bons ou maus. Para o saber, decidiu pô-los à prova.
– De momento, a minha Terra é pobre – disse Deus aos dois escorpiões, um preto e outro amarelo. – Preciso de riqueza para os homens, para eles construírem casas, hospitais, escolas, e tudo aquilo que me pedem para poderem viver e educar os filhos. Vou, portanto, confiar-vos uma missão: ides buscar pedras preciosas que haveis de encontrar no deserto. Estão enterradas muito fundo, mas as vossas tenazes hão-de ajudar-vos a encontrá-las. – E Deus olhou-os nos olhos:
– Estas riquezas são muito úteis aos homens. Por esse trabalho, darei a cada um de vós três pedras preciosas. – E Deus franziu o sobrolho:
– É um trabalho longo e difícil, e certamente sereis tentados a ficar com as pedras para vós. Mas, se mentirdes, sereis severamente castigados.
Partiram então os dois escorpiões, depois de terem jurado que entregariam, para o bem comum, mesmo a mais pequenina pedra encontrada pelo caminho.
Recolher tesouros para dar ao Estado, para o bem de todos os homens, não é o mesmo que juntar riqueza para si próprio. É preciso lutar contra o desejo de guardar tudo para si.
Os escorpiões partiram imediatamente, tendo de enfrentar o calor, o vento, a areia, enterrando o aguilhão bem fundo nas dunas, nas ondas de areia, onde, se se procurar com muita atenção, se encontram rubis, safiras, diamantes facetados.
Sabe-se que os desertos se encontram cheios de riquezas escondidas: pedras preciosas, moedas de ouro, ou outra coisa qualquer. Também se sabe que é durante a noite, quando toda a gente está a dormir e nos sentimos sós, que temos hipótese de as encontrar. É que as riquezas estão muitas vezes enterradas, longe dos olhares, o que torna o trabalho dos pesquisadores de ouro cansativo, esgotante, com 50ºC de dia e 20ºC à noite, sem uma gota de água para mergulhar o aguilhão. Mas, se não fosse cansativo, não se chamaria 'tesouro', não é verdade?
O escorpião negro procurou, procurou e não desistiu de procurar… Como era activo e astuto, já tinha encontrado cem diamantes, seiscentas esmeraldas, trezentas safiras e um número sem-conta de rubis. A meio do caminho, por causa da fadiga, assaltou-o um mau pensamento:
"Tanto trabalho! E para receber o quê? Um simples diamantezito, um quarto de unha de rubi, uma magra esmeralda, uma safira de nada? Mas, se eu guardar as pedras melhores para mim, serei o animal mais rico e poderoso da Terra! E talvez Deus passe a olhar-
-nos, a nós, escorpiões, com tanto respeito como aos homens."
E com o aguilhão, enterrou profundamente na areia, num esconderijo ultra-secreto, as pedras preciosas mais belas.
Entretanto, o escorpião amarelo arrastava entre as patas o seu magro tesouro: três rubis, cinco diamantes, sete safiras, um pouco de ouro raspado de uma pedra. A colheita era escassa porque ele tinha passado muito tempo a bronzear-se ao sol e, principalmente, a conversar com a raposa do deserto e com todos os habitantes do deserto que por lá encontrou, para enganar a solidão.
Chegada a hora de prestar contas, Deus chamou à sua presença os dois escorpiões. O escorpião negro só entregou seis pedras. Eram pequeninas, insignificantes e imperfeitas.
– Não encontrei mais nada, meu Senhor – mentiu o escorpião negro. – O meu irmão amarelo andou demasiado depressa! Apanhou tudo antes de mim!
Ao dizer aquilo, os olhos ficaram vermelhos e flamejantes como rubis, sinal de mentira e de hipocrisia.
Deus respondeu-lhe calmamente:
– Mentes! Guardaste todo o tesouro para ti! O que fizeste está mal. Primeiro, porque mentiste. Depois, e acima de tudo, porque roubaste a riqueza dos homens. E por isso serás amaldiçoado! Quando vires um homem ou um animal, terás uma irresistível vontade de o picar com o teu aguilhão e, se o fizeres, matá-lo-ás.
Deus virou-se em seguida para o escorpião amarelo:
– Quanto a ti, foste preguiçoso, passaste o tempo a enganar a solidão. É preciso ter-se coragem e saber-se suportar a fadiga e o isolamento, para se encontrar tesouros. O teu aguilhão também picará, mas só provocará febre durante três dias e três noites.
A partir daquele dia, quando as pessoas vêem um escorpião negro, esmagam-no por causa do medo que lhes inspira. Mas, quando vêem um escorpião amarelo, sabem que este não faz mal, e não o incomodam. Afastam-se dele, mas deixam-no em paz.
Sophie Carquain
Petites histoires pour devenir grand
Paris, Ed. Albin Michel, 2003
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quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Nobel da Literatura: Jean-Marie Gustave Le Clézio


Jean-Marie Gustave Le Clézio, distinguido este ano com o Prémio Nobel da Literatura, escreveu o seu primeiro livro aos sete anos durante uma travessia marítima rumo à Nigéria.
A sua literatura confunde-se com as viagens, que não cessou de empreender. Ganhou a admiração de filósofos como Michel Foucault e Gilles Deleuze, que apreciaram a sua escrita inovadora e revoltada.
Filho de um cirurgião britânico e de uma francesa da Bretanha, nasceu em Nice, sul da França, em 13 de Abril de 1940.
Formado em Letras, trabalhou na Universidade de Bristol e de Londres, em Inglaterra, dedicando uma tese ao poeta Henri Michaux, também ele um viajante. Com 23 anos ganha o Prémio Renaudot, um importante galardão francês, por um ensaio que ainda hoje é considerado magistral, "Le procès-verbal".
Depois de ensinar nos Estados Unidos, em 1967 cumpre o serviço militar na Tailândia, como cooperante, donde é expulso por denunciar a prostituição infantil. Termina o seu serviço militar no México.
Durante quatro anos, de 1970 a 1974, partilha a vida com índios do Panamá, uma experiência que terá grande influência na sua escrita. Depois, ensina em Albuquerque, nos Estados Unidos.
A sua obra, que compreende contos, romances, ensaios, novelas, traduções de mitologia ameríndia, numerosos prefácios e artigos, é considerada como crítica do Ocidente materialista e uma atenção constante aos mais fracos e aos excluídos.
Numa sondagem, realizada em 1994 pela revista francesa Lire, foi considerado como o "maior escritor vivo da língua francesa".
Casado e pai de duas filhas, Le Clézio vive em Albuquerque, mas desloca-se frequentemente entre Nice e uma casa que possui na Bretanha.
"O Processo de Adão Pollo", "O caçador de tesouros", "Deserto" (considerado a sua obra-prima), "Estrela errante", "Diego e Frida", "Índio branco", são os livros de Le Clézio traduzidos em Portugal, cuja obra ultrapassa os 50 títulos.
CMJ.
Lusa
© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.2008-10-09 13:05:01



quarta-feira, 8 de outubro de 2008

A busca em lugar errado

Um vizinho encontrou Nasruddin ajoelhado a procurar qualquer coisa.
— O que anda a procurar, mullah?
— A chave que perdi.
E puseram-se, então, os dois de joelhos, a procurar a chave; e, depois de algum tempo:
— Onde foi que a perdeu? – disse o vizinho.
— Na minha casa.
— Oh, Santo Deus, então por quê procurá-la aqui?
— Porque há mais luz cá fora.
Anthony de Mello
O canto do pássaro
Lisboa, Ed. Paulinas, 1998

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domingo, 5 de outubro de 2008

Dia Mundial do Professor


No dia 5 de Outubro celebra-se o Dia Mundial do Professor. O tema central da comemoração deste ano é a equidade e a melhoria das condições de trabalho dos professores, sendo o slogan escolhido: “Melhores condições de trabalho para os professores significam melhores condições de aprendizagem para os alunos”. Escolas, instituições e governantes preparam inúmeras formas de assinalar a data.

A comemoração deste dia é uma iniciativa da UNESCO assumida desde 1994. Pretende-se desta forma chamar a atenção do público para o papel dos professores em todo o mundo, bem como para a importância do papel crucial que desempenham na sociedade. A escolha deste dia prende-se com a data em que foi publicado o Estatuto do Professor (em 1966), um documento que brindou os professores com um instrumento que define as suas responsabilidades e os seus direitos. Ao adoptar esta Recomendação, os governos reconhecem a importância de em cada sociedade existirem professores competentes, qualificados e motivados. A comunidade internacional entende, pois, que o reconhecimento e a apreciação do Professor são não apenas muito positivos como necessários.

Segundo as recomendações das Nações nas celebrações do Dia do Professor 2004, ao comemorar este dia estamos a dizer aos professores “Apreciamo-vos. Valorizamos terem escolhido esta profissão, tão fundamental para a nossa sociedade, e o facto de a continuarem a exercer, mesmo fazendo faces aos novos desafios dos nossos dias; valorizamos as vossas iniciativas quando abrem caminhos de conhecimento e tolerância; temos consciência que a vossa profissão exige muito e vós e acarreta muitas responsabilidades; sabemos que é fundamental que tenham formação apropriada e um ambiente de trabalho decente; consideramos os esforços adicionais que fazem também os professores com alunos que têm necessidades educativas especiais; reconhecemos a vossa capacidade para ouvir os alunos, chamá-los às responsabilidades. Em suma, aconselhamos todos os alunos, encarregados de educação, líderes locais e nacionais, empresas, instituições, governos, a dizer apenas neste próximo dia 5: Nós apreciamos-te, Professor”.

Fonte
http://bica.cnotinfor.pt/noticia.php?edi=34&nt=595


Mais em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_do_professor

5 de Outubro de 1910 - Proclamação da República Portuguesa


A 21 de Setembro de 1910 a imprensa do Rio de Janeiro, publica uma extensa entrevista a Magalhães Lima feita em Paris. Entre outras declarações, o conhecido Republicano afirma que “…a Monarquia está irremediavelmente perdida, a República Portuguesa será em breve um facto, mesmo que os Republicanos a não proclamassem ela seria, apesar de tudo, proclamada pela fatalidade das circunstâncias e pela lógica dos acontecimentos.”

3 de Outubro de 1910 – O Dr. Miguel Bombarda é assassinado por um seu antigo doente, quando se encontrava no seu gabinete, no Hospital de Rilhafoles. O agressor é o tenente do exército Aparício Rebelo.
Perdem assim os Republicanos um dos seus mais prestigiosos dirigentes.
Nesse mesmo dia às 20 horas – o Almirante Cândido dos Reis, Afonso Costa, José Relvas, João Chagas, António José de Almeida, Eusébio Leão entre outros Republicanos reúnem-se em casa da mãe de Inocêncio Camacho, na Rua da Esperança 106, 3º. Fica combinado, de acordo com planos já estabelecidos que a revolução começaria à 1 hora da madrugada com uma salva de 31 tiros disparados de navios de guerra surtos no Tejo.

4 de Outubro de 1910 – 1 Hora e 20 – soam tiros, não eram 31, instala-se o pânico entre os revolucionários. O quartel de marinheiros em Alcântara que estava previsto revoltar-se está cercado por Infantaria1, Cavalaria4 e Caçadores2.

- Estão na rua 3000 homens fiéis à Monarquia com as baterias a cavalo.

- O Comissário Naval, Machado Santos, com praças do Infantaria16 de Campo de Ourique, ataca o Quartel de Artilharia1.

- O Capitão Sá Cardoso, com um pelotão de Infantaria16 parte para atacar o Palácio das Necessidades.

- Machado Santos, com outra força de Infantaria16 ataca a esquadra de polícia no Largo do Rato e arma civis.

Às 5 horas, Machado Santos comanda as forças revoltosas, que descem a Avenida em direcção ao Rossio, são bombardeados, retrocedem para a Rotunda e fecham as entradas para as Avenidas Fontes e Duque de Loulé.
Pelas 9 horas, Machado Santos só dispõe de 8 peças de artilharia. Comanda 9 sargentos e 200 homens, mas civis armados acorrem à Rotunda para os auxiliar.
Às 12:30 horas, as forças leais à Monarquia comandadas pelo capitão Paiva Couceiro, fustigam duramente a Rotunda com as baterias de Queluz.

Às 14 horas, os cruzadores S. Rafael e Adamastor bombardeiam o Palácio das Necessidades. O Governo pede ao Rei que se retire para Mafra. O Rei obedece e parte com o Conde de Sabugosa e o Marquês do Faial.

5 de Outubro de 1910 – 6 horas – Fogo dos revoltosos contra as forças do Rossio. De Queluz, as baterias de Couceiro atacam e começam a desembarcar os marinheiros dos navios de guerra estacionados no Tejo.

Às 11 Horas, José Relvas, acompanhado por outros revolucionários, proclama a República de uma janela da Câmara Municipal de Lisboa.


No Porto, Dr. Nunes da Ponte, lê na varanda central dos Paços do Concelho o texto da proclamação e declara “perpetuamente abolida a Dinastia de Bragança”.

Segundo o suplemento do Diário do Governo nº 222, fica assim constituído o 1º Governo Provisório
Presidente – Dr. Joaquim Theophilo Braga
Interior – Dr. António José Almeida
Justiça – Dr. Affonso Costa
Fazenda – Basílio Teles
Guerra – António Xavier Correia Barreto
Marinha – Amaro Justiniano de Azevedo Gomes
Estrangeiro – Dr. Bernardino Luís Machado Guimarães
Obras Públicas – Dr. António Luís Gomes

A Família Real parte para o exílio, embarca no Iate Amélia com destino a Gibraltar.
O Governo Britânico disponibiliza o Iate Real Victoria And Albert para conduzir o Rei, a Rainha D. Amélia e o Infante D. Afonso para Inglaterra. A Rainha D. Maria Pia será conduzida, de Gibraltar para Itália, a bordo de um navio Italiano.



O movimento revolucionário de 5 de Outubro de 1910 deu-se em natural sequência da acção doutrinária e política que, desde a criação do Partido Republicano, em 1876, vinha sendo desenvolvida.
O rápido sucesso deste movimento que instaurou a República deve-se, em grande parte, à colaboração da Carbonária, sociedade secreta que actuava ligada à Maçonaria.
Machado Santos era membro dirigente da Alta Venda, um dos mais importantes centros da Carbonária, parte dele o aliciamento de muitos revolucionários entre praças, sargentos, marinheiros, operários, estudantes, populares em geral.
Aumentando contraposição entre a República e a Monarquia, a propaganda republicana fora sabendo tirar partido de alguns factos históricos de repercussão popular: as comemorações do terceiro centenário da morte de Camões, em 1880, e o Ultimatum inglês, em 1890, fora aproveitados pelos defensores das doutrinas republicanas que se identificaram com os sentimentos nacionais e aspirações populares.

Após o 5 de Outubro foi substituída a bandeira portuguesa. As cores verde e vermelho significam, respectivamente, a esperança e o sangue dos heróis. A esfera armilar simboliza os Descobrimentos, os sete castelos representam os primeiros castelos conquistados por D. Afonso Henriques, as cinco quinas significam os cinco reis mouros vencidos por este Rei e, finalmente, os cinco pontos em cada uma, as cinco chagas de Cristo. O hino A Portuguesa, composto por Alfredo Keil, com texto de Henrique de Mendonça, tornou-se o Hino Nacional (»ouvir«).


Fonte

http://espreitador.blogspot.com/2005/10/primeira-repblica-5-de-outubro-de-1910.html
http://www.geocities.com/atoleiros/republic.htm
http://momentosydocumentos.wordpress.com/2008/10/05/revolucao-de-5-de-outubro-de-1910-2/


Mais em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Proclamação_da_República_Portuguesa

sábado, 4 de outubro de 2008

Dia Mundial do Animal


Quatro de Outubro é o Dia Mundial do Animal, a mesma data em que se festeja o Dia de São Francisco de Assis, um grande defensor da Natureza e dos animais.
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Franciscus van Assisi nasceu em Assis, velha cidade da Itália, situada na região da Úmbria em 26 de Setembro de 1182.
Francisco, quando ainda não era santo tentou ser comerciante, mas não obteve sucesso. Nas cruzadas, lutou pela fé, mas com objectivos individuais de se destacar e alcançar glórias e vitórias. Passou por um período de doença na sua vida, a partir do qual decidiu passar a ajudar os mais carenciados.
Segundo contam livros com a história de sua vida, Francisco recebeu um chamado de Deus, largou tudo e passou a viver como errante, sem destino e maltrapilho. Desde então, adoptou um estilo de vida baseado na pobreza, na simplicidade de vida e no amor total a todas as criaturas.
Sempre se referia aos animais como irmãos: irmão fera, irmã leoa. Chegou a comprar pássaros engaiolados só para os ver voar de novo em liberdade.
São Francisco de Assis também amava as plantas e toda a natureza: irmão sol, irmã lua... São expressões comuns na fala do santo, um dos mais populares até os nossos dias.
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Morreu a 4 de Outubro de 1226. Dois anos após a sua morte foi santificado.
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Em 1929 no Congresso de Protecção Animal em Viena, Áustria, foi declarado o dia da morte de São Francisco de Assis como o Dia Mundial do Animal, por Francisco de Assis ser tão bondoso para os animais.
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Em Outubro de 1930, foi comemorado pela primeira vez o Dia Mundial do Animal.
A 15 de Outubro de 1978 foram registados os direitos dos animais através da aprovação da Declaração Universal dos Direitos do Animal pela UNESCO. O Dr. Georges Heuse, secretário-geral do Centro Internacional de Experimentação de Biologia Humana e cientista ilustre, foi quem propôs esta declaração.
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Este dia celebra-se em mais de 45 países, como forma de homenagear estes nossos amigos, em especial aqueles que sofrem por serem abandonados, explorados ou maltratados.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Dar um lamiré


Significado: Sinal para começar alguma coisa.

Origem: Trata-se da forma aglutinada da expressão «lá, mi, ré», que designa o diapasão, instrumento usado para a afinação de instrumentos ou vozes; a partir deste significado, a expressão foi-se fixando como palavra autónoma com significação própria, designando qualquer sinal que dê começo a uma actividade.

Historicamente, a expressão «dar um lamiré » está, portanto, ligada à música (cf. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa).

Nota: Escreve-se lamiré , com o r pronunciado como em caro.

Dinis Machado



Dinis Machado (Lisboa, 21 de Março de 1930 - Lisboa, 3 de Outubro de 2008) foi um jornalista e escritor português.
Viveu no Bairro Alto até 1963. Foi jornalista desportivo no Record, Norte Desportivo, Diário Ilustrado e Diário de Lisboa.
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Organizou no princípio da década de 1960 os primeiros ciclos de cinema da Casa da Imprensa e publicou críticas na revista Filme.
Também escreveu poesia, fez entrevistas e publicou três romances policiais sob o pseudónimo Dennis McShade na colecção Rififi, então dirigida por ele: Mão direita do Diabo (1967), Requiem para D. Quixote (1967) e Mulher e arma com guitarra espanhola (1968).
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O seu maior sucesso literário, tanto junto da crítica como do público, foi O que diz Molero, publicado em 1977 e que já foi traduzido para quatro idiomas (alemão, búlgaro, castelhano e romeno). A sua adaptação ao teatro, feita por José Pedro Gomes e António Feio, foi também um sucesso
Também é autor de Discurso de Alfredo Marceneiro a Gabriel Garcia Marquez (1984), de Reduto quase final (1989) e de Gráfico de vendas com orquídea (1999).
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Dinis Machado, em entrevista ao Pessoal e Transmissível da TSF, em 2007, defende que a escrita ensina as pessoas a conhecerem-se.
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Dinis Machado, escritor, jornalista desportivo, crítico de cinema e ainda autor de banda desenhada, faleceu, esta sexta-feira em Lisboa, aos 78 anos.
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Bibliografia
Machado, Dinis - Discurso de Alfredo Marceneiro a Gabriel Garcia Marquez, Bertrand, 1984
Machado, Dinis - Mão Direita do Diabo, Colecção Rififi, D.Quixote, 1968
Machado, Dinis - Mulher e Arma com Guitarra Espanhola, Coleccão Rififi, D.Quixote, 1968
Machado, Dinis- O que diz Molero, Bertrand, 1977
Machado, Dinis- Reduto quase final, Bertrand,1989
Machado, Dinis- Requiem para D.Quixote, Colecção Rififi, D.Quixote 1968

Outubro - Mês Internacional das Bibliotecas Escolares


Celebra-se durante o mês de Outubro o Mês Internacional das Bibliotecas Escolares.
Este ano temos como tema Literacia e Aprendizagem na Biblioteca Escolar (Literacy and Learning at Your School Library).

Na nossa BECRE vamos assinalá-lo no próximo dia 27, com actividades diversas e com a comemoração do primeiro aniversário do blog.

Temos surpresas, não faltes.

Semana de Comemorações do Dia Mundial da Música



quinta-feira, 2 de outubro de 2008

A nossa terra é sagrada

Carta do Chefe índio Seattle ao Grande Chefe de Washington, Franklin Pierce, em 1854, em resposta à proposta do Governo norte-americano de comprar grande parte das terras da sua tribo Duwamish, oferecendo em contrapartida a concessão de uma reserva.
Como podereis comprar ou vender o céu? Como podereis comprar ou vender o calor da terra? A ideia parece-nos estranha. Se a frescura do ar e o murmúrio da água não nos pertencem, como poderemos vendê-los?
Para o meu povo, não há um pedaço desta terra que não seja sagrado. Cada agulha de pinheiro cintilante, cada rio arenoso, cada bruma ligeira no meio dos nossos bosques sombrios são sagrados para os olhos e memória do meu povo.
A seiva que corre na árvore transporta nela a memória dos Peles-Vermelhas, cada clareira e cada insecto que zumbe é sagrado para a memória e para a consciência do meu povo. Fazemos parte da terra e ela faz parte de nós. Esta água cintilante que desce dos ribeiros e dos rios não é apenas água; é o sangue dos nossos antepassados.
Os mortos do homem branco esquecem a sua terra quando começam a viagem através das estrelas. Os nossos mortos, pelo contrário, nunca se afastam da Terra que é Mãe. Fazemos parte dela. E a flor perfumada, o veado, o cavalo e a águia majestosa são nossos irmãos.
As encostas escarpadas, os prados húmidos, o calor do corpo do cavalo e do homem, todos pertencem à mesma família. Se vendermos esta terra, não ireis, decerto, ensinar aos vossos filhos que ela é sagrada. Como poderei dizer-vos que o murmúrio da água é a voz do pai do meu pai...
Também os rios são nossos irmãos porque nos libertam da sede, arrastam as nossas canoas, trazem até nós os peixes… E, além do mais, cada reflexo nas claras águas dos nossos lagos relata histórias e memórias da vida das nossas gentes. Sim, Grande Chefe de Washington, os nossos rios são nossos irmãos e saciam a nossa sede, levam as nossas canoas e alimentam os nossos filhos.
Se vos vendêssemos a nossa terra, teríeis de recordar e de ensinar aos vossos filhos que os rios são nossos irmãos e também seus. E é por isso que devem tratá-los com a mesma doçura com que se trata um irmão. Sabemos que o homem branco não percebe a nossa maneira de ser. Para ele um pedaço de terra é igual a um outro pedaço de terra, pois não a vê como irmã mas como inimiga. Depois de ela ser sua, despreza-a e segue o seu caminho.
Deixa para trás a campa dos seus pais sem se importar. Sequestra a vida dos seus filhos e também não se importa. Não lhe interessa a campa dos seus antepassados nem o património dos seus filhos esquecidos. Trata a sua Mãe Terra e o seu Irmão Firmamento como objectos que se compram, se exploram e se vendem tal como ovelhas ou contas coloridas. O seu apetite devora a terra, deixando atrás de si um completo deserto.
Não consigo entender. As vossas cidades ferem os olhos do homem pele-vermelha. Talvez seja porque somos selvagens e não podemos compreender. Não há um único lugar tranquilo nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desenrolar das folhas ou o rumor das asas de um insecto na Primavera.
O barulho da cidade é um insulto para o ouvido. E eu pergunto-me: que tipo de vida tem o homem que não é capaz de escutar o grito solitário de uma garça ou o diálogo nocturno das rãs em redor de uma lagoa? Sou um pele-vermelha e não consigo entender. Nós preferimos o suave murmúrio do vento sobre a superfície de um lago, e o odor deste mesmo vento purificado pela chuva do meio-dia ou perfumado com o aroma dos pinheiros.
Quando o último pele-vermelha tiver desaparecido desta terra, quando a sua sombra não for mais do que uma lembrança, como a de uma nuvem que passa pela pradaria, mesmo então estes ribeiros e estes bosques estarão povoados pelo espírito do meu povo. Porque nós amamos esta terra como uma criança ama o bater do coração da sua mãe.
Se decidisse aceitar a vossa oferta, teria de vos sujeitar a uma condição: que o homem branco considere os animais desta terra como irmãos.
Sou selvagem e não compreendo outra forma de vida. Tenho visto milhares de búfalos a apodrecer, abandonados nas pradarias, mortos a tiro pelo homem branco que dispara de um comboio que passa. Sou selvagem e não compreendo como uma máquina fumegante pode ser mais importante que o búfalo, que apenas matamos para sobreviver.
Tudo o que acontece aos animais acontecerá também ao homem. Todas as coisas estão ligadas. Se tudo desaparecer, o homem pode morrer numa grande solidão espiritual. Todas as coisas se interligam. Ensinai aos vossos filhos o que nós ensinamos aos nossos sobre a terra: que a Terra é nossa Mãe e que tudo o que lhe acontece a nós acontece aos filhos da terra.
Se o homem cuspir na terra, cospe em si mesmo. Sabemos que a terra não pertence ao homem, mas que é o homem que pertence à terra. Os desígnios terrenos são misteriosos para nós. Não compreendemos por que os bisontes são todos massacrados, por que são domesticados os cavalos selvagens, nem por que os lugares mais secretos dos bosques estão impregnados do cheiro dos homens, nem por que a vista das belas colinas está guardada pelos "filhos que falam".
Talvez um dia sejamos irmãos. Logo veremos. Mas estamos certos de uma coisa que talvez o homem branco descubra um dia: o nosso Deus é um mesmo Deus. Agora podeis pensar que Ele vos pertence, da mesma forma que acreditais que as nossas terras vos pertencem. Mas não é assim. Ele é o Deus de todos os homens e a sua compaixão alcança por igual o pele-vermelha e o homem branco.
Esta terra tem um valor inestimável para Ele e maltratá-la pode provocar a ira do Criador. Que é feito dos bosques profundos? Desapareceram. Que é feito da grande águia? Desapareceu também. Mas o homem não teceu a trama da vida: isto sabemos. Ele é apenas um fio dessa trama. E o que faz a ela fá-lo a si mesmo.
Também os brancos se extinguirão, talvez antes das outras tribos. O homem não teceu a rede da vida. É apenas um fio e está a desafiar a desgraça se ousar destruir essa rede. Tudo está relacionado entre si como o sangue de uma família. E, se sujardes o vosso leito, uma noite morrereis sufocados pelos vossos excrementos. Assim se acaba a vida e só nos restará a possibilidade de tentar sobreviver.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Dia Mundial da Música


"Porque a Música penetra mais fundo na alma humana."
PLATÃO

2 Milhões de história humana desenvolveram olhos com pálpebras, mas ouvidos sempre abertos. É o primeiro dos sentidos que desenvolvemos, pois ao 3.º mês de concepção já o bebé tem o seu aparelho auditivo acabado. É pelos ouvidos que tomamos o primeiro contacto com o mundo exterior, e é pelos ouvidos que se conhecem pai e mãe com as vozes que inundam o caldo do ventre materno. A poesia dos sons embala-nos desde o berço, amniótico ou de palhinha, seja por caixas de música electrónicas, ou pela voz emocionada de mães e avós.

Não importa procurar definir o que é, porque para cada um de nós a Música é sempre alguma coisa. Diferente dum esquimó para um filarmónico português, é certo, mas permitindo a comunicação entre cristãos e muçulmanos, africanos e americanos, profissionais e amadores, crianças e avós. Mesmo em povos para os quais não existe a palavra Música, e são muitos, tal é o lugar indissociável que tem nas funções que lhes dão o nome, estrutura muitos dos rituais comunitários e atravessa todo o sistema educativo. Porquê educar pela e com a Música? Platão, muito antes de qualquer técnica de marketing ou investigação musicoterapeutica, responde de forma simples: Porque a Música penetra mais fundo na alma humana.

Porque muito antes de os homens organizarem os sons, os sons organizaram os homens.
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Hoje, não deixe de ouvir um tema musical que lhe seja particularmente querido. Mas não o faça colocando o CD e lendo o jornal ou fazendo o jantar ou uma outra coisa qualquer. Sente-se só para ouvir. E se tiver coragem, o melhor mesmo é cantar uma canção. Para si ou para quem lhe estiver mais próximo.

O Sétimo Selo - José Rodrigues dos Santos



LIVRO DO MÊS
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Sinopse:
Um cientista é assassinado na Antárctica e a Interpol contacta Tomás Noronha para decifrar um enigma com mais de mil anos, um segredo bíblico que o criminoso rabiscou numa folha e deixou ao lado do cadáver: 666.
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O mistério em torno do número da Besta lança Tomás numa aventura de tirar o fôlego, uma busca que o levará a confrontar-se com o momento mais temido por toda a humanidade: o apocalipse. De Portugal à Sibéria, da Antárctica à Austrália, O Sétimo Selo transporta-nos numa empolgante viagem às maiores ameaças que se erguem à sobrevivência da Humanidade.
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Baseando-se em informação científica actualizada, José Rodrigues dos Santos volta com este emocionante romance aos grandes temas contemporâneos, numa descoberta que poderá abalar a forma como cada um de nós encara o futuro da humanidade e do nosso planeta.
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