sexta-feira, 25 de maio de 2012

25 de Maio: Dia Internacional de Crianças Desaparecidas

Hoje é o Dia Internacional das Crianças Desaparecidas. As formas de cada desaparecimento são diversas, umas são sequestradas por um dos pais (ou familiar), pedófilos, por vingança, violência e até mesmo para tráfico sexual e drogas.

Um dos casos mais famosos de crianças desaparecidas é o de Madeleine McCann, vista pela última vez em uma praia do sul de Portugal, os pais da menina revelam que ainda têm esperança de encontrá-la viva.

A melhor forma de ajudar nesses casos é divulgando e denunciando. Mesmo não tendo parentes ou amigos desaparecidos é muito importante prestar bastante atenção nos pôsteres espalhados pela cidade, pois cada um de nós se pode deparar com aquela criança estampada na esquina do seu bairro.

A iniciativa de criar o Dia Internacional da Criança Desaparecida surgiu na sequência do rapto de uma criança de seis anos – Etan Patz – no dia 25 de Maio de 1979 em NovaIorque, que nunca foi encontrada.

Em 1983 o Presidente dos Estados Unidos declarou o dia 25 de Maio como dedicado às crianças desaparecidas, com o objetivo de encorajar a população e os meios de comunicação social a refletirem acerca de todas as crianças que foram dadas como desaparecidas no Mundo. Em 1986 a data ganhou dimensão internacional.

O SOS-Criança, serviço de prevenção, de âmbito nacional, que pretende, de forma directa e/ou articulada, apoiar, orientar, encaminhar e mediar os casos que lhe são apresentados, dispõe desde 25 de Maio de 2004 de uma Linha gratuita, de âmbito nacional, destinada à participação de situações de Crianças Desaparecidas, a Linha 116 000 SOS Criança Desaparecida, no âmbito de um protocolo com o MAI.

Enviado do Céu

Passei por um período em que achava que toda a gente se aproveitava de mim, e não me sentia nada contente. Parecia que todas as pessoas a quem decidira mostrar amabilidade ultrapassavam os seus limites. Lutava contra a ideia de que estava a praticar o bem só porque Deus dizia que era isso que devíamos fazer, mas, se o meu coração não ficava feliz, estaria realmente a fazer um favor a Deus? Não estaria a minha má atitude a anular o bem?
Tinha passado muitas horas e gasto muitos dólares com crianças desfavorecidas do nosso bairro, mas, a certa altura, a avó dessas crianças, com quem elas viviam, pareceu querer aproveitar-se de mim. Senti-me irritada com ela e com o facto de os netos não parecerem ser uma prioridade na sua vida. Recebera um telefonema seu, quando o Natal se aproximava, em que me falara de uma menina que ela conhecia e que não ia ter um bom Natal, pedindo-me que lhe comprasse alguma coisa.
Fiquei a matutar naquele pedido. Não suportava o seu atrevimento de me telefonar e pedir que fizesse alguma coisa por alguém que eu nem sequer conhecia. «Eu já não fazia o bastante pelos netos? Teria ainda de me ocupar de outra pessoa?» E nem sequer tinha muito dinheiro.
Uns dias mais tarde, enquanto fazia compras, vi uma caixa com duas bonecas, uma com cabelo escuro e outra com cabelo claro. Pensei na referida menina. Comprei a caixa porque me pareceu muito barata, mas não me senti contente. Atirei-a para o carrinho, resmungando, mal-humorada, levei-a para casa e embrulhei-a. Um pouco antes do Natal, entreguei-a à avó, e nunca mais ouvi nada acerca das bonecas. Tanto quanto sei, a rapariga nunca as recebeu, ou a avó disse-lhe que era uma oferta sua.
Quando eu era pequena, não me deixavam ver a minha avó paterna, que nunca deixava de nos comprar presentes de Natal e de os entregar à minha avó materna. A minha avó materna mudava os nomes das etiquetas, para dizer que eram dela. Quando atingi a idade adulta, descobri que a minha boneca preferida na infância fora oferecida pela minha outra avó. Tinha a certeza de que se tratava de uma situação semelhante. «Bem», pensei, «vamos ver o que acontece.» E assim fiz.
♥♥♥
Cerca de um ano e meio depois deste episódio, passeava com o meu cão quando vi uma menina com uns sete anos a brincar num pátio.
Quando passei por ela, gritou:
— Eu conheço esse cão!
Disse-lhe que vivia ao virar da esquina e que, às vezes, passava por ali com ele. Ocorreu-me que ela talvez conhecesse as crianças do meu bairro. Diziam-me sempre que tinham uma amiga chamada Joan (não é o seu verdadeiro nome), que vivia no nosso quarteirão. Perguntei à menina se o seu nome era Joan.
— Não, esse é o nome da minha avó — respondeu.
Então fez-se-me luz. Perguntei-lhe se conhecia Aaron, Nick e Melanie, e ela respondeu afirmativamente. Fiquei mais curiosa e interroguei-me se não seria a menina desconhecida para a qual comprara as bonecas. Perguntei-lhe em seguida:
— Não no Natal passado, mas no anterior a esse, recebeste duas bonecas?
— Oh, sim, Lucy tem cabelo claro e Debbie tem cabelo escuro. Agora estão a dormir lá dentro — replicou.
— Foi só isso que recebeste nesse ano? — perguntei.
— Creio que recebi outras coisas, mas não me lembro — disse ela.
— Quem te deu as bonecas? — perguntei.
— A avó do Aaron — respondeu.
Ah, ah! Era isso... a avó ia ficar com os louros. Para provar a mim mesma que estava certa, perguntei:
— Ela disse quem é que tas ofereceu?
E então Deus, de um modo misterioso, mostrou-me que aquilo que dou nunca é demais – mesmo se o fizer com um coração amargurado.
Fiquei com um nó na garganta quando a menina me respondeu:
— Ela disse que tinha sido um anjo.


Mickey Bambrick
Jack Canfield, Mark Victor Hansen
Canja de galinha para a alma – O tesouro do Natal
Mem Martins, Lyon Edições, 2002
(Adaptação)
A Equipa Coordenadora do Clube das Histórias

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Dia Internacional dos Museus - Museu Municipal de Tavira (Concurso de Fotografia)


Informações / Inscrições:
Serviço Educativo do  Museu Municipal de Tavira
telf.: + 351 281 320 500 (ext. 324)
fax.: + 351 281 322 888
Informação geral:
Horário de Verão: 10h00 – 12h30 / 15h00 – 18h30
Encerra à Segunda-feira.
Horário de Inverno: 10h00 – 12h30 / 14h00 – 17h30
De Terça a Sábado.
Horário sujeito a alterações
museu@cm-tavira.pt | www.cm-tavira.pt



"Serafimstória: os contos e os livros", no Dia do Autor

1923: os patins também têm bisavós...!!!

Tomás aprende a ler

Tomás sabia fazer uma vala com troncos de árvore ou cozinhar uma tortilha, mas não sabia ler. Fazia uma mesa de uma árvore e um xarope da sua seiva, mas não sabia ler. Tomás sabia tratar dos tomates, dos pepinos e das maçarocas de milho, mas não sabia ler. Conhecia as pegadas dos animais e os sinais das estações do ano, mas não conhecia as letras nem as palavras. Um dia disse ao seu irmão, José:
— Quero aprender a ler.
— Já estás velho para isso, Tomás — respondeu-lhe José. — Tens filhos e netos e sabes fazer quase tudo.
— Mas não sei ler — insistiu Tomás.
— Já que queres, então aprende! — disse José.
— Quero aprender a ler — disse Tomás a Júlia, sua mulher.
— És um homem maravilhoso, tal como és — respondeu Júlia, fazendo-lhe uma festa.
— Mas ainda posso ser melhor — replicou ele.
— Então aprende! — disse a mulher, a sorrir, enquanto tricotava. — Assim, poderás ler para mim.
— Quero aprender a ler — disse Tomás ao seu velho cão pastor.
O cão fitou-o e depois deitou-se no tapete a seus pés. Tomás começou a pensar: "Como é que vou aprender a ler? O meu irmão não me pode ensinar. A minha mulher não me pode ensinar. Este cão velho também não me pode ensinar. Como é que eu vou aprender?" Pensou durante algum tempo até que, por fim, sorriu.
No dia seguinte, levantou-se ao nascer do sol e fez o trabalho da quinta. Depois do trabalho, lavou a cara e as mãos, penteou o cabelo e a barba, e vestiu a sua camisa preferida. Comeu umas torradas e preparou uma sandes. Depois, despediu-se de Júlia com um beijo e saiu de casa. Pelo caminho encontrou um grupo de meninos e meninas que, à sombra das árvores, se dirigiam para o mesmo local. Quando as crianças entraram na escola, Tomás entrou também. Ao vê-lo, a Professora Garcia sorriu.
— Quero aprender a ler — disse Tomás.
Ela indicou-lhe um lugar vago e ele sentou-se.
— Meninos e meninas — anunciou a professora — hoje temos um novo aluno.
Tomás começou pelas letras e seus sons. Alguns meninos ajudaram-no. No recreio, sentou-se debaixo de uma árvore e ensinou algumas crianças a imitar o canto do melro e o grasnar do ganso. E contou-lhes histórias.
Depressa Tomás aprendeu palavras. Todos os dias copiava os exercícios no caderno, com esmero. Gostava muito que a professora ou as crianças mais velhas lessem em voz alta, na aula. Por vezes, desenhava enquanto ia ouvindo. Tomás ia aprendendo, mas também ensinava. Ensinou os meninos a talhar madeira com uma navalha. E a professora aprendeu com ele a fazer compota de maçã e a assobiar.
Ao fim de algum tempo, Tomás já era capaz de juntar palavras e escrever histórias sobre como salvara um pequeno esquilo, como tomara um banho no rio e como conhecera a sua mulher.
À noite, Júlia ficava a vê-lo fazer os exercícios na mesa depois da ceia.
— Quando é que vais ler para mim? — perguntava-lhe.
— Quando chegar a ocasião — respondia o marido.
Um dia, Tomás trouxe da escola um livro de poemas que falava de árvores, nuvens, rios e gazelas velozes, e guardou-o debaixo da almofada. Nessa noite, quando Júlia e ele foram para a cama, pegou no livro.
— Ora escuta — pediu.
E leu um poema sobre pétalas suaves e o doce perfume das rosas e outro sobre ondas que se esbatiam na orla do mar. Terminou a leitura com um poema de amor.
Júlia olhou o marido nos olhos.
— Oh, Tomás! — disse. — Também quero aprender a ler.
— Amanhã, depois do pequeno-almoço, querida! — respondeu ele a sorrir, apagando a luz.

Jo Ellen Bogart
Tomás aprende a leer
Barcelona, Editorial Juventud, 1998
(Tradução e adaptação)
A Equipa Coordenadora do Clube das Histórias

Que faz um maestro?

sexta-feira, 11 de maio de 2012

"Vamos jogar às adivinhas" - Sessão pedagógica

I Festival de chás e ervas do mundo, Beja e Mértola

Os doze irmãos


Em tempos idos, pensava-se que cada um dos Doze Dias de Natal, de 26 de Dezembro a 6 de Janeiro, funcionava como um prenúncio do que os doze meses do ano seguinte viriam a ser. As pessoas analisavam o tempo meteorológico desses doze dias e faziam previsões, jogos, trocavam histórias, e divertiam-se, com o intuito de que o novo ano fosse benéfico.
Esta história da República Checa recorda-nos que cada mês do ano é especial, e que o conjunto dos doze meses formam o círculo, ou ano. A mudança das estações reflete o ciclo da existência humana, começando pelo início da vida (solstício de inverno), e passando pela infância (primavera), a idade adulta (verão), a maturidade (outono), a velhice e a morte (de novo o inverno).
O destino das duas irmãs da história recorda-nos também que uma vida que respeita a Natureza contém as suas próprias recompensas, enquanto uma vida que a desrespeita pode acarretar consequências desastrosas.
* * *
Numa floresta longínqua, viviam uma viúva e duas raparigas. Uma era a sua filha, Holena, e a outra era a sua enteada, Marusha.
Holena era feia e mimada, enquanto Marusha era bonita e tinha de desempenhar as tarefas todas. Era ela quem ia ao poço, todas as madrugadas, buscar água, quem esfregava e cozinhava, e quem fiava e tecia até ao anoitecer.
À medida que as raparigas iam ficando mais velhas, a reputação de Marusha como jovem bela e trabalhadora ia crescendo, enquanto a reputação de Holena como moça indolente aumentava. Em breve a viúva deu-se conta de que, a não ser que a enteada saísse de casa, ninguém iria casar com a preguiçosa Holena. Num dia de inverno rigoroso, a madrasta chamou Marusha e disse-lhe:
— A tua irmã quer violetas. Vai buscar-lhe algumas.
Era sua intenção que a enteada fosse devorada pelos lobos esfaimados que costumavam errar pela floresta.
— Mas onde vou eu encontrar violetas em pleno inverno? — exclamou Marusha, enquanto a empurravam para fora de casa, envergando ela apenas um fino vestido.
A tremer, devido ao vento agreste do norte, Marusha caminhou até ao cair da noite, cheia de medo do uivar dos lobos, que pareciam aproximar-se cada vez mais. Estava quase a desistir da busca, a deitar-se na neve e a adormecer para sempre, quando se apercebeu do cintilar de uma luz no cimo da colina. Então, cambaleou até à luz acolhedora na esperança de encontrar abrigo.
Contudo, quando Marusha atingiu o cume da encosta, recuou, espantada. A cena com que deparou era diferente de tudo o que presenciara até então, e parecia uma história dos tempos antigos.
Diante dela ardia uma enorme fogueira. À volta, sentados em silêncio num círculo de doze pedras, doze homens fitavam-na. Também eles não se pareciam com nenhum homem que Marusha vira antes. Três eram idosos, com longas barbas brancas, e vestiam de azul-‑escuro. Os três vestidos de púrpura eram de meia-idade e outros três vestiam de escarlate. Os três mais jovens vestiam de branco e verde. Na pedra maior de todas, estava sentado o mais velho de todos, com um bordão na mão.
Marusha fez-lhe uma vénia respeitosa e pediu:
— Por favor, senhor, será que posso aquecer-me junto da fogueira?
O velho respondeu numa voz grave:
— Quem és tu, minha filha, e porque caminhas pela floresta à hora a que os lobos vagueiam?
Marusha falou-lhe das violetas e o velho disse:
— Vieste ter ao lugar certo, pois somos os Doze Irmãos do ano. Eu sou Janeiro, chefe de todos os outros. Não posso dar-te violetas, mas o meu irmão Março pode.
O velho Janeiro levantou-se e cedeu o lugar a um dos jovens de branco e verde. Mal este se sentou no lugar do chefe, a neve em torno deles derreteu. Despontaram, então, árvores e violetas.
— Depressa, leva-as contigo! — ordenou o jovem Março, com uma voz tão penetrante como o vento.
A rapariga colheu as violetas e, depois de lhe agradecer, correu de volta para casa.
A viúva olhou, incrédula, para as flores de cor púrpura que a enteada trazia nas mãos.
— Onde encontraste violetas em Janeiro? — quis saber.
— Acolá, na colina — respondeu a rapariga.
Uns dias mais tarde, a viúva tentou um novo estratagema. Desta vez disse:
— A tua meia-irmã precisa de morangos. Vai e não voltes sem eles!
E empurrou Marusha para fora de casa, sem que esta tivesse os sapatos calçados. A madrasta achava que, apesar de ter sido possível encontrar algumas violetas por entre a neve, não haveria decerto morangos nenhuns.
E a rapariga regressou para junto das figuras silenciosas que circundavam a fogueira na colina. Os Doze Irmãos escutaram em silêncio o seu pedido e, de novo, o velho Janeiro pediu a um irmão mais jovem que tomasse o seu lugar. Mal Junho, vestido de escarlate, se sentou no lugar do chefe, espalhou-se pela colina um Verão glorioso. As abelhas começaram a zumbir em torno das flores brancas dos morangueiros, que logo desabrocharam e originaram frutos maduros.
— Leva os que quiseres — disse Junho, soltando uma gargalhada alegre.
Marusha colheu os frutos e agradeceu a Junho a sua bondade. Quando regressou a casa, deu os morangos a Holena, que os comeu avidamente.
— E, já agora, onde encontraste estes? — perguntou a viúva, com o olhar desconfiado.
— Sob as árvores do abrigo da montanha — foi tudo o que Marusha lhe respondeu.
Alguns dias mais tarde, Holena pediu maçãs à mãe, que enviou a enteada em busca delas, sem sequer um lenço para proteger-lhe a cabeça. O vento soprava ainda mais fortemente e a neve estava cheia de cristais de gelo. À medida que caminhava com custo, Marusha tentava não prestar atenção aos olhos brilhantes dos lobos por entre as árvores escuras. Quando chegou ao topo da colina, pela terceira vez, pediu de novo ajuda aos Doze Irmãos. E, de novo, Janeiro cedeu o seu lugar, desta vez ao magnífico Setembro, vestido de púrpura. De repente, ei-los rodeados pelo Outono. As folhas ficaram de cor laranja, amarela e vermelha, e uma macieira carregou-se de frutos.
— Abana-a, minha filha — encorajou-a Setembro, com um sorriso doce e uma voz madura.
Marusha abanou a árvore e caíram duas maçãs perfeitas. Depois de agradecer a Setembro a sua amabilidade, a rapariga levou as maçãs para casa. Holena engoliu as maçãs num ápice e pediu mais, pois tinha-as achado ainda mais deliciosas do que os morangos. Enquanto a viúva congeminava novas formas de se livrar da enteada, Holena pediu à mãe:
— Mãe, empresta-me o teu melhor casaco de pele e as tuas luvas. Tenho a certeza de que a Marusha guarda a maior parte da fruta para ela e quero ir procurar o seu esconderijo.
Depois de muito protestar, a viúva acabou por aceder ao desejo da filha. Holena embrulhou-se no casaco de pele com carapuço e saiu de casa. A arfar, e com o nariz vermelho do frio, atingiu, por fim, o topo da colina. Sem sequer cumprimentar os Doze Irmãos, ou pedir-lhes permissão, aproximou-se da fogueira para se aquecer.
O velho Janeiro perguntou:
— Quem és tu, minha filha, e o que queres de nós?
Holena sacudiu a cabeça e respondeu:
— O que eu quero não é da tua conta, velho tonto!
Janeiro, com a barba branca cheia de gelo, levantou-se, zangado, e lançou um grito que mais parecia o prolongamento dos ventos sibilantes do inverno. Holena caiu de costas, aterrorizada. Mal o velho volteou o seu bordão em torno da cabeça da rapariga, começaram a cair enormes flocos de neve. Holena fugiu do círculo de pedras e foi em busca do lugar de onde viera. Mas os flocos tinham coberto as suas pegadas e ela não conseguia encontrar o caminho. Enquanto fugia da raiva do velho, a neve ia-se acumulando em seu redor. Acabou por cair num buraco fundo, que a soterrou.
Em casa, a viúva aguardava, cada vez mais ansiosa, o regresso da filha. Vestiu o seu segundo melhor casaco de pele, calçou as segundas melhores luvas, e foi em busca de Holena. Como a fúria de Janeiro ainda não tinha abrandado, a tempestade de neve durou a noite inteira e nunca mais ninguém viu a viúva ou a filha.
Marusha continuou a ser diligente: fez o jantar, deu de comer à vaca e encheu o fuso de linha. Quando a madrasta e a meia-irmã não voltaram à noite, foi à janela ver o tempo: a neve tinha cessado e as estrelas cintilavam no céu limpo, no silêncio da noite. Curiosamente, não sentia medo ou solidão, porque sabia que os Doze Irmãos tomavam conta do ano.
Viveu sempre com as bênçãos deles no seu coração e, quando se casou e foi mãe, ensinou os filhos a ver cada mês como um tio, com diferentes prendas para oferecer, e a agradecer sempre as graças próprias de cada estação do ano.
Caitlín Matthews; Helen Cann
Fireside Stories
Bath, Barefoot Books, 2007
(Tradução e adaptação)
A Equipa Coordenadora do Clube das Histórias

Moto movida a ... NADA!!!

Basta derrotar os lobbies do petróleo.
SÓ!...

domingo, 6 de maio de 2012

Dia da Mãe

As mais antigas celebrações do Dia da Mãe remontam às comemorações primaveris da Grécia Antiga, em honra de Rhea, mulher de Cronos e Mãe dos Deuses. Em Roma, as festas comemorativas do Dia da Mãe eram dedicadas a Cybele, a Mãe dos Deuses romanos, e as cerimónias em sua homenagem começaram por volta de 250 anos antes do nascimento de Cristo.
Durante o século XVII, a Inglaterra celebrava no 4º Domingo de Quaresma (40 dias antes da Páscoa) um dia chamado “Domingo da Mãe”, que pretendia homenagear todas as mães inglesas. Neste período, a maior parte da classe baixa inglesa trabalhava longe de casa e vivia com os patrões. No Domingo da Mãe, os servos tinham um dia de folga e eram encorajados a regressar a casa e passar esse dia com a sua mãe.

À medida que o Cristianismo se espalhou pela Europa passou a homenagear-se a “Igreja Mãe” – a força espiritual que lhes dava vida e os protegia do mal. Ao longo dos tempos a festa da Igreja foi-se confundindo com a celebração do Domingo da Mãe. As pessoas começaram a homenagear tanto as suas mães como a Igreja.

Nos Estados Unidos, a comemoração de um dia dedicado às mães foi sugerida pela primeira vez em 1872 por Julia Ward Howe e algumas apoiantes, que se uniram contra a crueldade da guerra e lutavam, principalmente, por um dia dedicado à paz.

A maioria das fontes é unânime acerca da ideia da criação de um Dia da Mãe. A ideia partiu de Anna Jarvis, que em 1904, quando a sua mãe morreu, chamou a atenção na igreja de Grafton para um dia especialmente dedicado a todas as mães. Três anos depois, a 10 de Maio de 1907, foi celebrado o primeiro Dia da Mãe, na igreja de Grafton, reunindo praticamente família e amigos. Nessa ocasião, a sra. Jarvis enviou para a igreja 500 cravos brancos, que deviam ser usados por todos, e que simbolizavam as virtudes da maternidade. Ao longo dos anos enviou mais de 10.000 cravos para a igreja de Grafton – encarnados para as mães ainda vivas e brancos para as já desaparecidas – e que são hoje considerados mundialmente com símbolos de pureza, força e resistência das mães.

Segundo Anna Jarvis seria objectivo deste dia tomarmos novas medidas para um pensamento mais activo sobre as nossas mães. Através de palavras, presentes, actos de afecto e de todas as maneiras possíveis deveríamos proporcionar-lhe prazer e trazer felicidade ao seu coração todos os dias, mantendo sempre na lembrança o Dia da Mãe.

Face à aceitação geral, a sra. Jarvis e os seus apoiantes começaram a escrever a pessoas influentes, como ministros, homens de negócios e políticos com o intuito de estabelecer um Dia da Mãe a nível nacional, o que daria às mães o justo estatuto de suporte da família e da nação.

A campanha foi de tal forma bem sucedida que em 1911 era celebrado em praticamente todos os estados. Em 1914, o Presidente Woodrow Wilson declarou oficialmente e a nível nacional o 2º Domingo de Maio como o Dia da Mãe.

Hoje em dia, muitos de nós celebram o Dia da Mãe com pouco conhecimento de como tudo começou. No entanto, podemos identificar-nos com o respeito, o amor e a honra demonstrados por Anna Jarvis há 96 anos atrás.
Apesar de ter passado quase um século, o amor que foi oficialmente reconhecido em 1907 é o mesmo amor que é celebrado hoje e, à nossa maneira, podemos fazer deste um dia muito especial.

E é o que fazem praticamente todos os países, apesar de cada um escolher diferentes datas ao longo do ano para homenagear aquela que nos põe no mundo.
Em Portugal, até há alguns anos atrás, o dia da mãe era comemorado a 8 de Dezembro, mas actualmente o Dia da Mãe é no 1º Domingo de Maio, em homenagem a Maria, Mãe de Cristo.
No Brasil, o Dia das Mães é celebrado no segundo domingo de Maio, conforme decreto assinado em 1932 pelo presidente Getúlio Vargas.
Em Israel o dia da mãe deixou de ser celebrado, passando a existir o dia da família em Fevereiro.

Dia da Mãe nos próximos anos
Dia da Mãe 2012
Domingo, 06 de Maio de 2012
Dia da Mãe 2013
Domingo, 05 de Maio de 2013
Dia da Mãe 2014
Domingo, 04 de Maio de 2014
Dia da Mãe 2015
Domingo, 03 de Maio de 2015

Mais informação e actividades

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Mãos de mãe

Noite após noite, a minha mãe vinha aconchegar-me, mesmo quando eu já deixara há muito de ser criança. Tal como outrora, inclinava-se sobre mim, afastava o meu cabelo comprido e beijava-me a testa.
Não me lembro de quando o gesto das suas mãos a afastar o meu cabelo começou a irritar-me. Mas aborrecia-me deveras que ela passasse as mãos ásperas e gastas pelo trabalho sobre a minha pele macia. Uma noite gritei, zangada:
Não faças mais isso! As tuas mãos são muito ásperas!
A minha mãe não disse nada, mas nunca mais aquele gesto de amor rematou os meus dias. Continuei acordada muito tempo depois de ter proferido aquelas palavras, que agora me perseguiam. Contudo, o orgulho abafou a consciência e não consegui dizer-lhe o quanto lamentava tê-las proferido.
Os anos foram passando, sem que a memória daquela noite se apagasse. O incidente, que ora parecia recente ora se afigurava longínquo, nunca me saiu da mente e eu comecei a ter saudades daquele gesto que reprimira.
Hoje a minha mãe já ultrapassou os setenta anos e as mãos que outrora achei tão ásperas ainda trabalham para mim e para os meus. É ela que tem sido a nossa médica, ao procurar no armário o remédio para aliviar uma dor de estômago ou de um joelho ferido dos mais novos. É ela que faz o melhor frango frito do mundo, que tira as nódoas das calças de ganga como eu nunca consegui, que ainda insiste em servir gelado a qualquer hora do dia ou da noite. Ao longo dos anos, as mãos da minha mãe trabalharam durante horas incontáveis, muito antes de haver máquinas de lavar e tecidos resistentes que não engelham.
Agora, os meus filhos já são crescidos e independentes e o meu pai já faleceu. Em ocasiões especiais, vou passar a noite com ela.
E foi assim que, numa véspera do Dia de Ação de Graças, quando eu começava a adormecer no quarto da minha infância, senti uma mão conhecida, que passava, hesitante, pelo meu rosto, para afastar o cabelo da minha testa. Quando um beijo, sempre igualmente gentil, pousou no meu sobrolho, recordei, pela milésima vez, a noite em que a minha voz jovem e ríspida soara indignada:
Não faças mais isso. As tuas mãos são muito ásperas!
Então, segurando a mão da minha mãe, disse-lhe o quanto lamentava aquela noite. Pensei que, como eu, ela se lembrasse... Mas a minha mãe não sabia do que eu estava a falar, pois há muito que tinha esquecido e perdoado.
Naquela noite, adormeci profundamente grata pela presença da minha mãe e pelo carinho das suas mãos.
E a culpa que eu tinha carregado durante tantos anos desvaneceu-se.
Louisa Godissart McQuillen
Jack Canfield, Mark Victor Hansen
A Second Chicken Soup for the Woman's Soul
HCIbooks, Deerfield Beach, 1998
(Tradução e adaptação)
A Equipa Coordenadora do Clube das Histórias

Leitor do Mês - Abril 2012 (Márcia Contreiras - 5ºC)

Livro do Mês - Maio 2012 - "Recados da Mãe" (Maria Teresa Maia González)

terça-feira, 1 de maio de 2012

1º de Maio, Dia Internacional do Trabalhador

O Dia Internacional do Trabalhador é celebrado anualmente no dia 1 de Maio em numerosos países do mundo, sendo feriado no Brasil, Portugal assim como em muitos outros países. No Brasil também chamado Dia do Trabalho, para que ironize-se que no Dia do Trabalho não se trabalha. O correcto é Dia do Trabalhador.

História
Em 1886 realizou-se uma manifestação de trabalhadores nas ruas de Chicago nos Estados Unidos da América. Essa manifestação tinha como finalidade reivindicar a redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias e teve a participação de milhares de pessoas. Nesse dia teve início uma greve geral nos EUA. No dia 3 de Maio houve um pequeno levantamento que acabou com uma escaramuça com a polícia e com a morte de alguns manifestantes. No dia seguinte, 4 de Maio, uma nova manifestação foi organizada como protesto pelos acontecimentos dos dias anteriores, tendo terminado com o lançamento de uma bomba por desconhecidos para o meio dos policiais que começavam a dispersar os manifestantes, matando sete agentes. A polícia abriu então fogo sobre a multidão, matando doze pessoas e ferindo dezenas. Estes acontecimentos passaram a ser conhecidos como a Revolta de Haymarket.

Três anos mais tarde, a 20 de Junho de 1889, a segunda Internacional Socialista reunida em Paris decidiu por proposta de Raymond Lavigne convocar anualmente uma manifestação com o objectivo de lutar pelas 8 horas de trabalho diário. A data escolhida foi o 1º de Maio, como homenagem às lutas sindicais de Chicago. Em 1 de Maio de 1891 uma manifestação no norte de França é dispersada pela polícia resultando na morte de dez manifestantes. Esse novo drama serve para reforçar o dia como um dia de luta dos trabalhadores e meses depois a Internacional Socialista de Bruxelas proclama esse dia como dia internacional de reivindicação de condições laborais.

A 23 de Abril de 1919 o senado francês ratifica o dia de 8 horas e proclama o dia 1 de Maio desse ano dia feriado. Em 1920 a Rússia adopta o 1º de Maio como feriado nacional, e este exemplo é seguido por muitos outros países. Apesar de até hoje os estadunidenses se negarem a reconhecer essa data como sendo o Dia do Trabalhador, em 1890 a luta dos trabalhadores estadunidenses conseguiram que o Congresso aprovasse que a jornada de trabalho fosse reduzida de 16 para 8 horas diárias.

Dia do Trabalhador em Portugal
Em Portugal, só a partir de Maio de 1974 (o ano da revolução do 25 de Abril) é que se voltou a comemorar livremente o Primeiro de Maio e este passou a ser feriado. Durante a ditadura do Estado Novo, a comemoração deste dia era reprimida pelas polícias. O Dia Mundial dos Trabalhadores é comemorado por todo o país, sobretudo com manifestações, comícios e festas de carácter reivindicativo, promovidas pela central sindical CGTP-Intersindical (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses - Intersindical) nas principais cidades de Lisboa e Porto, assim como pela central sindical UGT (União Geral dos Trabalhadores). No Algarve, é costume a população fazer pic-nics e são organizadas algumas festas na região.

Dia do Trabalhador no Brasil
Até o início da Era Vargas (1930-1945) certos tipos de agremiação dos trabalhadores fabris eram bastante comuns, embora não constituíssem um grupo político muito forte, dada a pouca industrialização do país. Esta movimentação operária tinha se caracterizado em um primeiro momento por possuir influências do anarquismo e mais tarde do comunismo, mas com a chegada de Getúlio Vargas ao poder, ela foi gradativamente dissolvida e os trabalhadores urbanos passaram a ser influenciados pelo que ficou conhecido como trabalhismo.

Até então, o Dia do Trabalhador era considerado por aqueles movimentos anteriores (anarquistas e comunistas) como um momento de protesto e crítica às estruturas socio-económicas do país. A propaganda trabalhista de Vargas, subtilmente, transforma um dia destinado a celebrar o trabalhador no Dia do Trabalhador. Tal mudança, aparentemente superficial, alterou profundamente as actividades realizadas pelos trabalhadores a cada ano, neste dia. Até então marcado por piquetes e passeatas, o Dia do Trabalhador passou a ser comemorado com festas populares, desfiles e celebrações similares. Actualmente, esta característica foi assimilada até mesmo pelo movimento sindical: tradicionalmente a Força Sindical (uma organização que congrega sindicatos de diversas áreas, ligada a partidos como o PTB) realiza grandes shows com nomes da música popular e sorteios de casas próprias e similares.

Aponta-se que o carácter massificador do Dia do Trabalhador, no Brasil, se expressa especialmente pelo costume que os governos têm de anunciar neste dia o aumento anual do salário mínimo.

Dia do Trabalhador em Moçambique
Durante o período colonial (até 1975), os Moçambicanos estavam isentos de celebrar o 1º de Maio em virtude do regime colonial Português. No entanto, houve manifestações de trabalhadores Moçambicanos, em Particular em Lourenço Marques (actual Maputo), contra o modo de relações laborais existente naquele período.

Após a Independência Nacional, o Dia do Trabalhador é celebrado anualmente em Moçambique, e com o passar dos anos, com as reformas políticas, económicas e sociais que o País sofreu a partir de finais da década de 80, registou-se um crescimento do Movimento sindical em Moçambique. A Primeira instituição sindical no País foi a Organização dos Trabalhadores Moçambicanos (OTM), que veio depois a impulsionar o surgimento de novos movimentos sindicais, cada vez mais específicos de acordo com os sectores de actividade.

O Dia do Trabalhador no mundo
Alguns países celebram o Dia do Trabalhador em datas diferentes de 1 de Maio:
Austrália: A data de celebração varia de acordo com a região: 4 de Março na Austrália Ocidental, 11 de Março no estado de Vitória, 6 de Maio em Queensland e Território do Norte e 7 de Outubro em Canberra, Nova Gales do Sul (Sydney) e na Austrália Meridional.

Estados Unidos da América: Celebram o Labor Day na primeira segunda-feira de Setembro.

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