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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Poesia Matemática, Millôr Fernandes



Às folhas tantas
do livro matemático
um Quociente apaixonou-se
um dia
doidamente
por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
e viu-a do ápice à base
uma figura ímpar;
olhos rombóides, boca trapezóide,
corpo retangular, seios esferóides.
Fez de sua uma vida
paralela à dela
até que se encontraram
no infinito.
"Quem és tu?", indagou ele
em ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa."
E de falarem descobriram que eram
(o que em aritmética corresponde
a almas irmãs)
primos entre si.
E assim se amaram
ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação
traçando
ao sabor do momento
e da paixão
retas, curvas, círculos e linhas sinoidais
nos jardins da quarta dimensão.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidiana
e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E enfim resolveram se casar
constituir um lar,
mais que um lar,
um perpendicular.
Convidaram para padrinhos
o Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
sonhando com uma felicidade
integral e diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
muito engraçadinhos.
E foram felizes
até aquele dia
em que tudo vira afinal
monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
freqüentador de círculos concêntricos,
viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
uma grandeza absoluta
e reduziu-a a um denominador comum.
Ele, Quociente, percebeu
que com ela não formava mais um todo,
uma unidade.
Era o triângulo,
tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era uma fração,
a mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade
e tudo que era espúrio passou a ser
moralidade
como aliás em qualquer
sociedade.
Tempo e Contratempo", Edições O Cruzeiro - Rio de Janeiro, 1954, pág. sem número, publicado com o pseudônimo de Vão Gogo.  

Texto extraído do livro "

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

A escola do meu tempo


"Na Infância as escolas ainda não tinham fechado.
Ensinavam-nos coisas inúteis como as regras da sintaxe e da ortografia, coisas traumáticas como sujeitos, predicados e complementos directos, coisas imbecis como verbos e tabuadas.
Tinham a infeliz ideia de nos ensinar a pensar e a surpreendente mania de acreditar que isso era bom.
Não batíamos na professora, levávamos-lhe flores."



por Rosa Lobato Faria

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Os Poemas


Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...

Mário Quintana



Enviado pela Professora Lilian Azevedo (Brasil)

O menino que carregava água na peneira

Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.

A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e sair
correndo com ele para mostrar aos irmãos.

A mãe disse que era o mesmo que
catar espinhos na água
O mesmo que criar peixes no bolso.

O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos.
A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio
do que do cheio.
Falava que os vazios são maiores
e até infinitos.

Com o tempo aquele menino
que era cismado e esquisito
porque gostava de carregar água na peneira

Com o tempo descobriu que escrever seria
o mesmo que carregar água na peneira.

No escrever o menino viu
que era capaz de ser
noviça, monge ou mendigo
ao mesmo tempo.

O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.

Foi capaz de interromper o vôo de um pássaro
botando ponto final na frase.

Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.

O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor!
A mãe reparava o menino com ternura.

A mãe falou:
Meu filho você vai ser poeta.
Você vai carregar água na peneira a vida toda.

Você vai encher os
vazios com as suas
peraltagens
e algumas pessoas
vão te amar por seus
despropósitos.

Manoel de Barros

Enviado pela Professora Lilian Azevedo (Brasil)

terça-feira, 12 de maio de 2009

"Nascem Nuteixos", Dra Helena Tapadinhas

No dia 19 de Maio, vamos receber na BECRE da nossa escola a Dra Helena Tapadinhas, que nos vai brindar com o conto Nascem Nuteixos, actividade promovida pela Direcção Regional de Educação do Algarve, no âmbito do PREEA (Programa Regional de Educação Ambiental pela Arte).
Informação complementar aqui.
.
Esta actividade será dividida em duas sessões
14.00 h - 5ºs anos
15.00 h - 6ºs anos
.
As turmas apresentarão ainda, com a colaboração dos respectivos professores, actividades no âmbito da poesia e de exposição de trabalhos.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Então eu seria uma criança feliz

Então eu seria uma criança feliz
Se à segunda-feira se pudesse correr livremente pelos prados
e as flores desabrochassem numa explosão de cor…
Se à terça-feira se contemplasse o céu
no seu mistério de um azul sem fim…
Se à quarta-feira se retirassem as máscaras
e a verdade brotasse…
Se à quinta-feira a alegria entrasse nos corações…
Se à sexta-feira todos se dessem as mãos…
Se ao sábado os pais contassem aos filhos histórias de encantar…
Se ao domingo a beleza do silêncio se renovasse em cada ser…
Então eu seria uma criança feliz,
e a minha canção voaria por sobre as casas,
dançaria entre os ramos das árvores,
e à hora do crepúsculo repousaria sobre os mares do mundo,
tornada canção de embalar,
a encher de paz e de ternura os sonhos das crianças.
Anónimo
.
Mais em

terça-feira, 3 de junho de 2008

Privação de Amor



Maldito tempo perdido,
neste amor estagnado,
por mil tristezas tolhido.
Fiquei, nesta vida, privado
do perfume do teu corpo,
do sabor de te abraçar…
Aqui, o amor está morto,
e eu…carente para te amar!
Loucas saudades sinto,
desses lábios que são teus.
Aqui neste labirinto,
desejo teus lábios meus.
Sou o Inverno mais frio,
neste mundo sem calor
porque a sorte decidiu
privar-me do teu amor!

Poesia russa (traduzida por Krystyna Vashchsnyn, 9º A)
.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Poesia



Poesia é beleza,
riqueza sem fim.
Faz nascer a ternura
e sentir a doçura
da flor de jasmim.
.
No deserto da vida
e na escuridão,
é paz renascida,
é luz oferecida
em comunhão.
.
No silêncio do mundo,
é firme expressão.
Não busca vaidades
mas busca a verdade
e a rectidão.
.
Poesia é dom,
infância encantada,
alegria sentida
na senda perdida
e reencontrada.
.
Nascem as palavras,
sementes de amor,
que voam nos ares
e vogam nos mares
em ondas de cor.
.
São pobres os homens
que gritam rancor
e vivem na ânsia,
na cega ganância,
semeando dor.
.
Ignoram os homens
que a simplicidade
os abre à beleza,
à grande riqueza
da fraternidade.
.
Poesia é sonho,
é pássaro, luz,
arco-íris de sons.
Mensagem de paz
e voz que nos traz,
do fundo das cinzas,
a esperança perdida
na vida e seus dons.

Anónimo
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Um Pensamento Didáctico - As Emoções



O que são as emoções?
Serão sentimentos que temos ao longo da vida?
Já alguma vez te sentiste perdido,
Como se estivesses numa montanha russa?
Um dia com a moral em cima,
Outro dia com a moral em baixo.
Não te parece que é como andar aos solavancos,
Ou numa estrada de curvas apertadas?
Será que os altos equivalem à boa disposição?
Será que os baixos representam problemas e tristeza?
Serás capaz de lidar com essas dificuldades
Que se vão apresentando na vida
E com as emoções que elas desencadeiam?
Olha em frente, pensa no que está em teu redor,
Descreve as emoções que possas sentir
E tira daí a lição da tua vida.
Será que o Tédio é difícil de passar?
Será a Inveja um sentimento a ter?
Será a Tristeza um dia de melancolia?
Será o Sucesso um acontecimento a explorar?
Será a Dúvida um receio ou incerteza fácil de ultrapassar?
Será a Solidão um sentimento agradável?
Será a Frustração uma qualidade inferior a rever?
Será a Pressão um acto fácil com que se possa viver?
Será a Irritação um agastamento infundado?
Será a Vergonha um sentimento de desonra e pudor a ter?
Será a Rejeição um sentimento com que se saiba viver?
Será a Rebeldia um acto de teimosia e oposição a defender?
Será a Ansiedade uma inquietação de espírito ou uma incerteza aflitiva?
Será a Alegria uma manifestação de contentamento e satisfação para se mostrar?
Será a Paz um sentimento de tranquilidade, sossego e boa harmonia?
Ao leres estas emoções pensa bem nos seus significados.
As emoções não são em si mesmas, boas ou más.
Elas são somente a resposta
A um estímulo poderoso sobre nós,
Porque o bom ou o mau é o modo
Como lidamos com as emoções.
O segredo para as suportar
É a experiência que vamos ganhando na vida,
Porque nem sempre é possível gostar delas.
Mas é aconselhável aprender a viver com elas.Ao leres estas poucas palavras que aqui questiono, escolhe três delas e escreve qual o teu segredo para controlares as emoções nos momentos de dificuldade.
.
Lurdes Leal
(D.Lurdes, papelaria)

quinta-feira, 15 de maio de 2008

A Leitura


Hoje é dia de leitura,
Vamos lá todos escutar.
Vamos ler uma história,
Para a sabermos contar.
Para isso temos primeiro,
O seu código de decifrar.
Vamos ler e compreender,
O que a história quer dizer,
Para podermos julgar.
Ao leres uma história,
Fá-lo com atenção.
Faz uma leitura silenciosa,
E exprime a tua emoção.
Voa, sonha, viaja,
E põe na leitura toda a paixão.
Como tudo na vida,
As histórias são diferentes,
Possuem valor linguístico e artístico,
São leituras interessantes.
Nos livros que encontrares,
Faz uma leitura profunda.
E se não a compreenderes,
Pede ao teu professor ajuda.
Na nossa escola se prepara,
Uma jovem e nova geração.
A cultura nunca pára,
Nem tão pouco a educação.
.
Lurdes Leal
(D.Lurdes, papelaria)

terça-feira, 13 de maio de 2008

As Palavras



As palavras são uma arte,
São cultura e são histórias.
Ao lê-las em qualquer parte,
Algo nos vem à memória.

Palavra é sempre algo,
Que todos devemos louvar.
Aquelas que na verdade,
Se podem decifrar.

O dom que as palavras têm,
Esses tão belos padrões,
Despertam em nós de imediato,
Muitas e maravilhosas lições.

Na cabeça de uma criança,
Uma palavra é um mundo.
Vem da palavra esperança,
O saber mais profundo.
.
Lurdes Leal
(D.Lurdes, papelaria)

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Força...


O vento, lá fora, tenta, com toda a sua força,
desafiar as árvores.
O sol, ainda meio adormecido, tenta, com toda a sua força,
levantar-se para um novo dia.
A lua, já cansada, tenta, com toda a sua força,
abandonar aos poucos o céu.
As estrelas, já deixando de brilhar, tentam, com toda a sua força,
limpar o céu.
O mar, cansado, tenta, com toda a sua força,
agitar o seu imenso corpo.
A Terra, quase sem vida, tenta, com toda a sua força,
manter-se.
A chuva, exausta, tenta, com toda a sua força
continuar sem cessar.
O Sorriso tenta, com toda a sua FORÇA,
não se perder.
Os crentes tentam, com toda a força,
Manter a Fé.
Os peregrinos tentam, com toda a sua força,
não quebrar a promessa.
As nuvens tentam, com toda a sua força,
libertar-se de cada gota que nelas se acumula.
As flores tentam, com toda a sua força,
não perder a vivacidade.
O arco-íris tenta, com toda a sua força,
não perder as suas preciosas cores.
As palavras tentam, com toda a sua força
não se perder.
O Amor tenta, com toda a sua força,
lutar pela sua Alma Gémea.
A luz tenta, com toda a sua força,
iluminar o caminho de quem se perdeu.
O universo tenta, com toda a sua força,
manter-se bem firme.
Os soldados tentam, com toda a sua força,
sobreviver.
Os pincéis tentam, com toda a sua força,
pintar mais uma tela.
O gelo tenta, com toda a sua força,
não derreter.
A água tenta, com toda a sua força,
não se esgotar.
Os corações tentam, com toda a sua força
continuar a bater.
O fogo tenta, com toda a sua
não se apagar.
Os doentes tentam, com toda a sua força,
curar-se.
O SIM tenta, com toda a sua força,
não se tornar num Talvez.
A saudade tenta, tenta com toda a sua força,
fazer-se sentir.
A beleza tenta, com toda a sua força,
não desaparecer.
As recordações tentam, com toda a sua força,
não cair no esquecimento.
Os perfumes tentam, com toda a sua força,
não perder o seu aroma.
A tristeza tenta, com toda a sua força
tornar-se intensa.
A coragem tenta, com toda a sua força,
lutar para poder voltar.
A alegria tenta, com toda a sua força
fazer-se sentir.
A solidão tenta, com toda a sua força,
ficar só.
As pegadas tentam, com toda a sua força,
ficar marcadas na areia.
A Esperança tenta, com toda a sua força,
não se perder.
O vento, o sol, a lua, as estrelas, o mar, a Terra, a chuva, o Sorriso, os crentes, os peregrinos, as nuvens, as flores, o arco-íris, as palavras, o Amor, a luz, o universo, os pincéis, o gelo, a água, os corações, o fogo, os doentes, o SIM, a saudade, a beleza, as recordações, os perfumes, a tristeza, a coragem, a alegria, a solidão, as pegadas, a Esperança, todos eles têm um objectivo em comum: Salvar-se. E para isso, reúnem TODA A SUA FORÇA, esperando que um dia, a própria Vida os saiba recompensar de todo este esforço.

Soraia Lázaro (9ºA)

sábado, 26 de abril de 2008

Poesia Palaciana

Senhora, partem tão tristes
meus olhos por vós, meu bem,
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.
.
Tão tristes, tão saudosos,
tão doentes da partida,
tão cansados, tão chorosos,
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida.
.
Partem tão tristes os tristes,
tão fora d' esperar bem,
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.
.

Obtido em "http://pt.wikisource.org/wiki/Cantiga_Sua_Partindo-se"

domingo, 28 de outubro de 2007

Poesia - Miguel Torga

A largada

Foram então as ânsias e os pinhais
Transformados em frágeis caravelas
Que partiam guiadas por sinais
Duma agulha inquieta como elas...
Foram então abraços repetidos
À Pátria-Mãe-Viúva que ficava
Na areia fria aos gritos e aos gemidos
Pela morte dos filhos que beijava.
Foram então as velas enfunadas
Por um sopro viril de reacção
Às palavras cansadas
Que se ouviam no cais dessa ilusão
Foram então as horas no convés
Do grande sonho que mandava ser
Cada homem tão firme nos seus pés
Que a nau tremesse sem ninguém tremer



Súplica
Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

Transfiguração
Tens agora
outro rosto, outra beleza:
Um rosto que é preciso imaginar,
E uma beleza mais furtiva ainda...
Assim te modelaram caprichosas,
Mãos irreais que tornam irreal
O barro que nos foge da retina.
Barro que em ti passou de luz carnal
A bruma feminina...

Mas nesse novo encanto
Te conjuro
Que permaneças.
Distante e preservada na distância.
Olímpica recusa, disfarçada
De terrena promessa
Feita aos olhos tentados e descrentes.
Nenhum Mito regressa....
Todas as deusas são mulheres ausentes

Recolha realizada por:
João Palma, 9ºA, nº 15
Mauro Viegas, 9ºA, nº 22