Biblioteca da Escola EB 2/3 Dom Paio Peres Correia - Tavira
domingo, 21 de abril de 2013
terça-feira, 6 de novembro de 2012
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Poesia Matemática, Millôr Fernandes
Tempo e Contratempo", Edições O Cruzeiro - Rio de Janeiro, 1954, pág. sem número, publicado com o pseudônimo de Vão Gogo.Às folhas tantas
do livro matemático
um Quociente apaixonou-se
um dia
doidamente
por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
e viu-a do ápice à base
uma figura ímpar;
olhos rombóides, boca trapezóide,
corpo retangular, seios esferóides.
Fez de sua uma vida
paralela à dela
até que se encontraram
no infinito.
"Quem és tu?", indagou ele
em ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa."
E de falarem descobriram que eram
(o que em aritmética corresponde
a almas irmãs)
primos entre si.
E assim se amaram
ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação
traçando
ao sabor do momento
e da paixão
retas, curvas, círculos e linhas sinoidais
nos jardins da quarta dimensão.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidiana
e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E enfim resolveram se casar
constituir um lar,
mais que um lar,
um perpendicular.
Convidaram para padrinhos
o Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
sonhando com uma felicidade
integral e diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
muito engraçadinhos.
E foram felizes
até aquele dia
em que tudo vira afinal
monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
freqüentador de círculos concêntricos,
viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
uma grandeza absoluta
e reduziu-a a um denominador comum.
Ele, Quociente, percebeu
que com ela não formava mais um todo,
uma unidade.
Era o triângulo,
tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era uma fração,
a mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade
e tudo que era espúrio passou a ser
moralidade
como aliás em qualquer
sociedade.
Texto extraído do livro "
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
A escola do meu tempo
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Os Poemas
Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...
Mário Quintana
O menino que carregava água na peneira
Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.
A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e sair
correndo com ele para mostrar aos irmãos.
A mãe disse que era o mesmo que
catar espinhos na água
O mesmo que criar peixes no bolso.
O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos.
A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio
do que do cheio.
Falava que os vazios são maiores
e até infinitos.
Com o tempo aquele menino
que era cismado e esquisito
porque gostava de carregar água na peneira
Com o tempo descobriu que escrever seria
o mesmo que carregar água na peneira.
No escrever o menino viu
que era capaz de ser
noviça, monge ou mendigo
ao mesmo tempo.
O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.
Foi capaz de interromper o vôo de um pássaro
botando ponto final na frase.
Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor!
A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou:
Meu filho você vai ser poeta.
Você vai carregar água na peneira a vida toda.
Você vai encher os
vazios com as suas
peraltagens
e algumas pessoas
vão te amar por seus
despropósitos.
Manoel de Barros
Enviado pela Professora Lilian Azevedo (Brasil)
terça-feira, 12 de maio de 2009
"Nascem Nuteixos", Dra Helena Tapadinhas
No dia 19 de Maio, vamos receber na BECRE da nossa escola a Dra Helena Tapadinhas, que nos vai brindar com o conto Nascem Nuteixos, actividade promovida pela Direcção Regional de Educação do Algarve, no âmbito do PREEA (Programa Regional de Educação Ambiental pela Arte).quarta-feira, 11 de junho de 2008
Então eu seria uma criança feliz
Se à segunda-feira se pudesse correr livremente pelos prados
e as flores desabrochassem numa explosão de cor…
Se à terça-feira se contemplasse o céu
no seu mistério de um azul sem fim…
Se à quarta-feira se retirassem as máscaras
e a verdade brotasse…
Se à quinta-feira a alegria entrasse nos corações…
Se à sexta-feira todos se dessem as mãos…
Se ao sábado os pais contassem aos filhos histórias de encantar…
Se ao domingo a beleza do silêncio se renovasse em cada ser…
Então eu seria uma criança feliz,
e a minha canção voaria por sobre as casas,
dançaria entre os ramos das árvores,
e à hora do crepúsculo repousaria sobre os mares do mundo,
tornada canção de embalar,
a encher de paz e de ternura os sonhos das crianças.
terça-feira, 3 de junho de 2008
Privação de Amor
neste amor estagnado,
por mil tristezas tolhido.
Fiquei, nesta vida, privado
do perfume do teu corpo,
do sabor de te abraçar…
Aqui, o amor está morto,
e eu…carente para te amar!
Loucas saudades sinto,
desses lábios que são teus.
Aqui neste labirinto,
desejo teus lábios meus.
Sou o Inverno mais frio,
neste mundo sem calor
porque a sorte decidiu
privar-me do teu amor!
Poesia russa (traduzida por Krystyna Vashchsnyn, 9º A)
terça-feira, 20 de maio de 2008
Poesia
riqueza sem fim.
Faz nascer a ternura
e sentir a doçura
da flor de jasmim.
.
No deserto da vida
e na escuridão,
é paz renascida,
é luz oferecida
em comunhão.
.
No silêncio do mundo,
é firme expressão.
Não busca vaidades
mas busca a verdade
e a rectidão.
.
Poesia é dom,
infância encantada,
alegria sentida
na senda perdida
e reencontrada.
.
Nascem as palavras,
sementes de amor,
que voam nos ares
e vogam nos mares
em ondas de cor.
.
São pobres os homens
que gritam rancor
e vivem na ânsia,
na cega ganância,
semeando dor.
.
Ignoram os homens
que a simplicidade
os abre à beleza,
à grande riqueza
da fraternidade.
.
Poesia é sonho,
é pássaro, luz,
arco-íris de sons.
Mensagem de paz
e voz que nos traz,
do fundo das cinzas,
a esperança perdida
na vida e seus dons.
Anónimo
Um Pensamento Didáctico - As Emoções

Serão sentimentos que temos ao longo da vida?
Já alguma vez te sentiste perdido,
Como se estivesses numa montanha russa?
Um dia com a moral em cima,
Outro dia com a moral em baixo.
Não te parece que é como andar aos solavancos,
Ou numa estrada de curvas apertadas?
Será que os altos equivalem à boa disposição?
Será que os baixos representam problemas e tristeza?
Serás capaz de lidar com essas dificuldades
Que se vão apresentando na vida
E com as emoções que elas desencadeiam?
Olha em frente, pensa no que está em teu redor,
Descreve as emoções que possas sentir
E tira daí a lição da tua vida.
Será que o Tédio é difícil de passar?
Será a Inveja um sentimento a ter?
Será a Tristeza um dia de melancolia?
Será o Sucesso um acontecimento a explorar?
Será a Dúvida um receio ou incerteza fácil de ultrapassar?
Será a Solidão um sentimento agradável?
Será a Frustração uma qualidade inferior a rever?
Será a Pressão um acto fácil com que se possa viver?
Será a Irritação um agastamento infundado?
Será a Vergonha um sentimento de desonra e pudor a ter?
Será a Rejeição um sentimento com que se saiba viver?
Será a Rebeldia um acto de teimosia e oposição a defender?
Será a Ansiedade uma inquietação de espírito ou uma incerteza aflitiva?
Será a Alegria uma manifestação de contentamento e satisfação para se mostrar?
Será a Paz um sentimento de tranquilidade, sossego e boa harmonia?
Ao leres estas emoções pensa bem nos seus significados.
As emoções não são em si mesmas, boas ou más.
Elas são somente a resposta
A um estímulo poderoso sobre nós,
Porque o bom ou o mau é o modo
Como lidamos com as emoções.
O segredo para as suportar
É a experiência que vamos ganhando na vida,
Porque nem sempre é possível gostar delas.
Mas é aconselhável aprender a viver com elas.Ao leres estas poucas palavras que aqui questiono, escolhe três delas e escreve qual o teu segredo para controlares as emoções nos momentos de dificuldade.
quinta-feira, 15 de maio de 2008
A Leitura

Vamos lá todos escutar.
Vamos ler uma história,
Para a sabermos contar.
Para isso temos primeiro,
O seu código de decifrar.
Vamos ler e compreender,
O que a história quer dizer,
Para podermos julgar.
Ao leres uma história,
Fá-lo com atenção.
Faz uma leitura silenciosa,
E exprime a tua emoção.
Voa, sonha, viaja,
E põe na leitura toda a paixão.
Como tudo na vida,
As histórias são diferentes,
Possuem valor linguístico e artístico,
São leituras interessantes.
Nos livros que encontrares,
Faz uma leitura profunda.
E se não a compreenderes,
Pede ao teu professor ajuda.
Na nossa escola se prepara,
Uma jovem e nova geração.
A cultura nunca pára,
terça-feira, 13 de maio de 2008
As Palavras

São cultura e são histórias.
Ao lê-las em qualquer parte,
Algo nos vem à memória.
Palavra é sempre algo,
Que todos devemos louvar.
Aquelas que na verdade,
Se podem decifrar.
O dom que as palavras têm,
Esses tão belos padrões,
Despertam em nós de imediato,
Muitas e maravilhosas lições.
Na cabeça de uma criança,
Uma palavra é um mundo.
Vem da palavra esperança,
segunda-feira, 5 de maio de 2008
Força...

desafiar as árvores.
O sol, ainda meio adormecido, tenta, com toda a sua força,
levantar-se para um novo dia.
A lua, já cansada, tenta, com toda a sua força,
abandonar aos poucos o céu.
As estrelas, já deixando de brilhar, tentam, com toda a sua força,
limpar o céu.
O mar, cansado, tenta, com toda a sua força,
agitar o seu imenso corpo.
A Terra, quase sem vida, tenta, com toda a sua força,
manter-se.
A chuva, exausta, tenta, com toda a sua força
continuar sem cessar.
O Sorriso tenta, com toda a sua FORÇA,
não se perder.
Os crentes tentam, com toda a força,
Manter a Fé.
Os peregrinos tentam, com toda a sua força,
não quebrar a promessa.
As nuvens tentam, com toda a sua força,
libertar-se de cada gota que nelas se acumula.
As flores tentam, com toda a sua força,
não perder a vivacidade.
O arco-íris tenta, com toda a sua força,
não perder as suas preciosas cores.
As palavras tentam, com toda a sua força
não se perder.
O Amor tenta, com toda a sua força,
lutar pela sua Alma Gémea.
A luz tenta, com toda a sua força,
iluminar o caminho de quem se perdeu.
O universo tenta, com toda a sua força,
manter-se bem firme.
Os soldados tentam, com toda a sua força,
sobreviver.
Os pincéis tentam, com toda a sua força,
pintar mais uma tela.
O gelo tenta, com toda a sua força,
não derreter.
A água tenta, com toda a sua força,
não se esgotar.
Os corações tentam, com toda a sua força
continuar a bater.
O fogo tenta, com toda a sua
não se apagar.
Os doentes tentam, com toda a sua força,
curar-se.
O SIM tenta, com toda a sua força,
não se tornar num Talvez.
A saudade tenta, tenta com toda a sua força,
fazer-se sentir.
A beleza tenta, com toda a sua força,
não desaparecer.
As recordações tentam, com toda a sua força,
não cair no esquecimento.
Os perfumes tentam, com toda a sua força,
não perder o seu aroma.
A tristeza tenta, com toda a sua força
tornar-se intensa.
A coragem tenta, com toda a sua força,
lutar para poder voltar.
A alegria tenta, com toda a sua força
fazer-se sentir.
A solidão tenta, com toda a sua força,
ficar só.
As pegadas tentam, com toda a sua força,
ficar marcadas na areia.
A Esperança tenta, com toda a sua força,
não se perder.
Soraia Lázaro (9ºA)
sábado, 26 de abril de 2008
Poesia Palaciana
Obtido em "http://pt.wikisource.org/wiki/Cantiga_Sua_Partindo-se"
domingo, 24 de fevereiro de 2008
domingo, 28 de outubro de 2007
Poesia - Miguel Torga
A largada Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Mas nesse novo encanto
Mauro Viegas, 9ºA, nº 22



