quarta-feira, 28 de abril de 2010

Colares de pérolas


Joanina e Lionídia eram duas jovens que se preparavam para o primeiro baile.
Vestiam vestidos de seda branca com muita goma e roda, todos enfeitados de lacinhos azuis e cor-de-rosa.
Não haverá hoje raparigas que consintam em usar vestidos destes, mas isto passou-se há muito tempo.
Diante do toucador, ajeitaram ao espelho os caracóis e canudos de cabelo, que as faziam parecer bonecas de porcelana. Sentiam-se lindas. E, efectivamente, sinceramente, estavam.
Chegou a altura dos últimos adornos. Brincos, anéis, pulseiras e um diadema no toucado. Até o espelho pestanejou com tanto brilho.
— Falta o colar — lembrou a Lionídia, enquanto procurava, na sua caixinha de guarda-jóias, o ornamento essencial à perfeição do quadro.
Já Joanina tinha tirado do respectivo guarda-jóias e posto com todo o cuidado ao espelho o seu colar de pérolas, sorrindo, feliz, porque era a primeira vez que o punha. Sentia--se uma senhora, uma dama, um modelo para um retrato a óleo.
Lionídia tinha um colar igual. Ou quase.
— O teu colar é de pérolas falsas — disse Lionídia, olhando de esguelha para o colar de Joanina.
— Como é que tu sabes? — indignou-se ela. — Este colar está na nossa família há várias gerações e sempre foi tomado como verdadeiro.
— É falso. Digo e torno a dizer, porque as tuas pérolas não têm a perfeição nem a transparência leitosa, nacarada, aveludada das minhas.
Isto dito por Lionídia era uma afronta para Joanina.
— E se for ao contrário? — ripostou ela. — Está-me a parecer que as tuas pérolas é que são uma perfeita imitação das minhas.
Enervaram-se. Zangaram-se. Descompuseram-se.
Brigaram. Não fosse estarem tão alinhadas para a festa e, quase de certeza, ainda acabariam por se agarrar aos caracóis uma da outra e espatifar os vestidos brancos, engomados e rodados, com lacinhos azuis e cor-de-rosa…
Uma réstia de boa educação e de bom senso conteve-as.
Para decidirem de uma vez para sempre qual tinha razão lembrou-se uma delas.
— Só há uma prova a fazer. O vinagre!
Quem não souber que aprenda que o vinagre desfaz as pérolas naturais, as legítimas, as fabricadas com sossego e demora, dentro da concha paciente das ostras.
Muito exaltadas e avinagradas, foram buscar à cozinha uma tigela de vinagre.
— Queres ver que o teu colar pelintra não se desfaz — disse a Joanina à Lionídia.
— A porcaria do teu colar é que não vai desfazer-se — disse Lionídia à Joanina.
O resto está-se mesmo a ver. Dissolveram-se no banho de vinagre as pérolas de ambos os colares. Só sobraram para amostra fios e fechos, tão valiosos como duas espinhas de peixe.
E as duas jovens, depois de chorarem muitas lágrimas, abraçadas uma à outra, lá tiveram de ir para o baile sem os seus preciosos colares.
Pobres das ostras que tanto trabalharam a acrescentar, a arredondar e a aprimorar as suas maravilhosas pérolas, para que assim se perdesse o labor de tantos anos num bochecho de vinagre. Dá que pensar.

  
Adaptação
António Torrado
A Equipa Coordenadora do Clube das Histórias

PALESTRA com Dr. Mendes Moreira (Prof. de História)


Dia 29 Abril, 10h 30 Auditório


Actividade organizada no âmbito das Comemorações do Centenário da República, pela BE e Depº C. S. e Humanas

terça-feira, 27 de abril de 2010

"Book" É uma revolução tecnológica não tem cabos, circuitos elétricos, baterias e dispensa qualquer forma de conexão.



Trata-se da apresentação do Dispositivo de Conhecimento Bio-óptico Organizado, de nome comercial "Book".
É uma revolução tecnológica:
"Book" não tem cabos, circuitos elétricos, baterias e dispensa qualquer forma de conexão. Compacto e portátil, "Book " pode ser utilizado em qualquer lugar. Assista ao filme e veja as muitas outras vantagens de "Book" na comparação com as tecnologias obsoletas que há por aí.

sábado, 24 de abril de 2010

Aberto o Concurso de fotografia sobre Rios em Bom Estado de Conservação - até 30 de Junho




Concurso de fotografia sobre Rios em Bom Estado de Conservação
Está aberto o concurso dedicado aos jovens que tenham gosto pela fotografia e sensibilidade para realçar
as belezas dos Rios.
Podem participar no concurso jovens residentes em Portugal, com idade inferior ou igual a 18 anos.

O concurso é uma iniciativa do Intervir Mais da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade
Católica do Porto e faz parte das actividades do projecto "Jovens, Ambiente e Cidadania na Região
Norte", co-financiado pela União Europeia/FEDER, no âmbito do QREN.
As candidaturas devem ser enviadas para ope.portugal@gmail.com até ao dia 30 de Junho de 2010.
Para mais informação, consulta o blogue do projecto:
http://jovensambienteecidadania.wordpress.com

Participa ... capta as belezas do teu Rio!

Boas fotografias,

Equipa do projecto Jovens, ambiente e Cidadania na Região Norte
---
Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa
Rua Dr. António Bernardino de Almeida
4200-072 PORTO
T.: +351 225580048  | F: +351 225090351 |Tm.: +351 962 989 557

O campo de girassóis

O campo de girassóis estendia-se pela planície; ali cresciam girassóis grandes, pequenos e muito pequenos, plantas de todos os tamanhos. Logo de manhã, levantavam as cabeças e punham-se a olhar para o Sol; e, durante todo o dia, as cabecinhas pasmadas dos girassóis seguiam o movimento do Sol desde que nascia até que se escondia. Quando deixavam de o ver, as cabeças dos girassóis caíam como se não pudessem com tanta tristeza. Todos os dias era aquele bailado de flores seguindo o Sol.
Um girassol, dos tais muito pequeninos, crescia devagar, escondido, encoberto pelos outros. Esse não olhava o Sol; como era muito pequeno, quando os grandes levantavam a cabeça para ver o Sol, ele não via nada: tudo ficava tapado pelas cabeças grandes dos girassóis grandes; portanto, como ele não via o Sol, não havia razão para virar a cabeça como os outros faziam; ficava a olhar para o chão, a ver as formigas e as ervas rasteiras. Por cima dele era um tecto de flores amarelas por onde não passava um único raio de sol. À noite, quando os outros baixavam a cabeça, o girassol muito pequeno podia então ver o céu. O brilho das estrelas deixava-o encantado e dizia: «Tantos sóis! Tantos sóis!» E ficava toda a noite a seguir as estrelas como os outros seguiam o Sol.
Certa manhã, as nuvens cobriram o céu e os girassóis grandes deixaram de ver o Sol; todos se queixaram e as pesadas cabeças inclinaram-se para o chão, privadas do chamamento dos raios do Sol. Como olhavam para baixo, viram o girassol muito pequeno que nem sabia o que era o Sol e não entendia as queixas dos girassóis grandes.
Mas à noite, as estrelas também não apareceram e o girassol muito pequeno sentiu-se triste. Agora já entendia os queixumes dos girassóis grandes, daqueles que olhavam e seguiam o caminho do Sol. Na manhã seguinte, o céu estava ainda encoberto e os raios do Sol não vinham chamar os girassóis para a dança habitual e as grandes cabeças amarelas sentiam-se perdidas sem saberem para onde se virar. Então o girassol muito pequeno falou aos grandes daqueles muitos sóis que ele seguia de noite; e os grandes falaram do Sol quente que seguiam de dia.
— Nunca o vi — dizia o girassol muito pe­queno. — Nem sei como é! As vossas cabeças tapam o céu e de dia só posso olhar o chão, as ervas e os animais que se movem a nossos pés.
Os grandes girassóis sentiram-se envergonhados; na sua adoração pelo Sol, não deixavam que um irmão mais pequeno conhecesse aquele que comandava os seus movimentos!
— Vamos deixar-te espaço para que vejas o Sol — prometeram eles. — Mas de noite queremos também olhar esses teus sóis pequeninos.
Quando as nuvens se desfizeram e as estrelas voltaram a brilhar, todos viram o céu estrelado. Na manhã seguinte, os girassóis grandes afastaram-se um pouco; então o girassol muito pequeno viu o Sol e o movimento da sua cabeça deslumbrada acompanhou-o todo o dia.
— Que dizes tu do nosso Sol? — quiseram saber os girassóis grandes. — Não te parece que é lindo?
— Sim, é lindo — respondeu o girassol muito pequeno, ainda estonteado pela luz do Sol. — Mas os meus sóis pequeninos também são lindos! Vou olhar o Sol de dia e as estrelas de noite.
É por isso que no tal campo de girassóis há um girassol muito pequeno que olha para o céu de dia, para ver o Sol, e de noite, para admirar as estrelas.

Natércia Rocha
Castelos de areia
Venda Nova, Bertrand Editora, 1995
A Equipa Coordenadora do Clube das Histórias

Ditados populares da era digital

Como vivemos numa Era Digital, foi feita uma revisão aos antigos ditados populares para adaptá-los à actualidade:
01. A pressa é inimiga da ligação.
02. Amigos, amigos, passwords à parte.
03. Antes só, do que em chats aborrecidos.
04. A ficheiro grátis não se olha o formato.
05. Diz-me que chat frequentas e dir-te-ei quem és.
06. Para bom fornecedor uma password basta.
07. Não adianta chorar sobre ficheiro apagado.
08. Em briga de namorados virtuais não se mete o mouse.
09. Em terra off-line, quem tem um 486 é rei.
10. Hacker que ladra, não morde.
11. Mais vale um ficheiro no HD do que dois a descarregar.
12. Rato sujo limpa-se em casa.
13. Melhor prevenir do que formatar.
14. O barato sai caro. E lento.
15. Quando a esmola é muita, o santo desconfia que tem um vírus anexado.
16. Quando um não quer, dois não teclam.
17. Quem ama um 486, Pentium 5 lhe parece.
18. Quem clica os seus males multiplica.
19. Quem com vírus infecta, com vírus será infectado.
20. Quem envia o que quer, recebe o que não quer.
21. Quem não tem banda larga, caça com modem.
22. Quem nunca errou, que clique na primeira tecla.
23. Quem semeia e-mails, colhe spams.
24. Quem tem dedo vai a Roma.com.
25. Um é pouco, dois é bom, três é chat ou lista virtual.
26. Vão-se os ficheiros, ficam os back-ups.
27. Diz-me que computador tens e dir-te-ei quem és.
28. Há dois tipos de pessoas na informática. Os que perderam o HD e os que ainda vão perder...
29. Uma impressora disse para outra: Essa folha é tua ou é impressão minha?
30. Aluno de informática não cola, faz backup.
31. O problema do computador é o USB (Utilizador Super Burro).
32. Na informática nada se perde, nada se cria. Tudo se copia... e depois se cola.

Projecto MegaHINO


Projecto Megahino

O presente projecto visa a execução vocal, pelo maior número de executantes possível, da versão oficial do Hino Nacional “A Portuguesa”, inserido nas Comemorações do Centenário da República, a realizar na Escola EB23 D.Paio Peres Correia.

Todas as escolas do Agrupamento, seus respectivos alunos, professores, funcionários e encarregados de educação/pais, estarão envolvidas neste projecto.

O evento será noticiado nos meios de comunicação social regionais e/ou nacionais (jornais, rádio, tv, internet, …).

Será solicitado apoio a várias entidades para a promoção e apoio ao projecto (Junta de Freguesia, CMTavira, DREAlg, associações diversas, …).

A assistência e a segurança estarão a cargo da Cruz Vermelha e da PSP, respectivamente.

A concretização/apresentação final do projecto terá lugar no 3º período, no dia 8 de Junho (3ª feira), pelas 10 horas, na Praça da República (frente à Câmara Municipal).

Esta execução conjunta será gravada, em formato áudio/vídeo, para futura exibição, no dia de comemoração do referido centenário.

Concurso Nacional "COMO MANTER PORTUGAL LIMPO - OUTRA QUALIDADE DE VIDA"

E depois de Limpar Portugal? Como Manter Portugal Limpo?
O concurso nacional "COMO MANTER PORTUGAL LIMPO – OUTRA QUALIDADE DE VIDA", patrocinado pela Caixa Geral de Depósitos e  pelas seguradoras Fidelidade Mundial e Império Bonança,  está a ser divulgado por todas as escolas e universidades do país e vai levar jovens à Malásia e à Indonésia!
Este concurso é um apelo às crianças e aos jovens, para que, através da sua criatividade, façam prolongar o espírito do movimento cívico Limpar Portugal, para lá do dia 20 de Março.
A ASPEA – Associação Portuguesa de Educação Ambiental – é parceira nesta causa e associou-se a esta iniciativa pois considera que as crianças e os jovens que irão herdar a Terra podem contribuir para alertar os outros jovens e a comunidade em geral para a necessidade de todos participarem na preservação desta herança comum.
Vamos prolongar o espírito deste movimento - ajudem-nos a divulgá-lo!


PS - Os regulamentos estão disponíveis no site www.aspea.org 

Saudações cordiais


Fátima Matos Almeida
Associação Portuguesa de Educação Ambiental
Caretakers of the Environment International/Portugal
Affiliate of the Earth Charter
Centro Associativo do Calhau – Parque Florestal de Monsanto, 1500-001 Lisboa Apartado 4021  1500-001 Lisboa
Tel.: +351 21 772 48 27 Fax: +351 21 772 48 28

terça-feira, 13 de abril de 2010

A rã solitária

Era uma vez uma rã que vivia num charco. Vivia sozinha. O charco também era pequeno.
Sentia a falta de outras rãs, para lhe fazerem companhia e coaxarem ao despique nas noites de Lua cheia. Sentia que, se outras rãs vivessem com ela, podia nadar de bruços com mais folgança, velocidade, estilo… Sentia que os saltos que dava para dentro de água, à falta de espectadores, nem jeito nem graça tinham.
Enfim, a rã deste pequeno charco sentia-se muito só.
Desamparada. Infeliz.
Perguntem, se fazem favor, porque é que a rã se não mudava para charco mais amplo e povoado?
Porque temia que tão perto não houvesse outro. Ora, como devem saber, as rãs detestam perder tempo a saltar em seco. A água faz-lhes falta. Sem ela, perdem o luzidio da pele e a força de vida. Não sabiam?
Um dia, começou a chover que nunca mais parava. Dia e noite. Noite e dia.
Os campos ficaram alagados. Os rios sobraram do leito.
Pequenos charcos, afastados uns dos outros, juntaram-se num enorme lago.
Foi uma inundação terrível. Veio nos jornais e a televisão deu notícia. Casas de que só o telhado se via.
Animais afogados. Gente a ser salva em barcaças por bombeiros. Uma desgraça.
Mas como esta história pertence à rã, esta história tem um fim feliz. A rã, passada a tempestade, encontrou companhia. Dezenas de rãs coaxam agora, em coro, glorificando a chuva, a abundância das águas, o abraço do lago imenso que as juntou.
Aqui entre nós e em segredo vos peço que nunca contem esta história a pessoas que tenham sofrido os efeitos trágicos de uma inundação. Não iam gostar.
António Torrado
A Equipa Coordenadora do Clube das Histórias
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