sexta-feira, 26 de março de 2010

Cuidado com estes bicharocos que estão a chegar à nossa costa


   
Quando andarem a passear na praia tenham muita atenção, não toquem em nenum bicharoco destes.  

Aviso à navegação pedestre.

Depois de dois meses de tempestade hoje fui dar uma volta pela praia, e o que vi na rebentação deixou-me a pensar.
Vi uma linha de rebentação constituída por minúsculas patas de caranguejo, o mar a comer a praia, e acima de tudo (o motivo que me faz escrever este pequeno texto )duas caravelas Portuguesas mortas, mas ainda frescas.
Sabem o que é isso? Caravelas Portuguesas? Bem. É apenas uma modesta medusa azul extremamente tóxica. Se virem alguma não lhe toquem. Mesmo morta o seu tecido mole morde como uma serpente, e as marcas que deixa na pele são definitivas - tatuagens indesejáveis. A dôr é indescritível, e se fôr uma criança a manuseálas pode morrer envenenada.
O que me deixou a pensar é que essas criaturas vivem a milhares de quilómetros da nossa costa, portanto: o que é que estas fazem aqui? São medusas de água quente, da Austrália, Califórnia... Quando surgem nas praias estas são fechadas ao público e consideradas mais perigosas que tubarões a deambular na área.
Meus amigos. O tempo está a melhorar e os passeios à beira-mar tornam-se apelativos à descontracção. No entanto se virem criaturas como estas limitem-se a olhar e sigam à vossa vida: conselho de um amigo.
Agora vejam o aspecto que têm." 

Concurso "Pensar os Afectos Viver em Igualdade"




quarta-feira, 24 de março de 2010

Pc do futuro.


Dia do Estudante - 24 de Março



Comemora-se no dia 24 de Março o Dia do Estudante. Este é um dia profundamente ligado à luta da Juventude, pela Democracia em Portugal.
 
No dia 25 de Novembro de 1961 realizou-se uma manifestação contra a guerra colonial, onde participaram milhares de estudantes. O governo fascista confrontava-se, nesta altura, com várias acções de luta por parte de vários sectores da população, entre os quais os estudantes, e a sua resposta era o aumento da repressão. Nesta manifestação vários estudantes foram presos.
Contrariando o governo fascista, em 1962 é realizado em Coimbra o primeiro Encontro de Associações de Estudantes, no qual se aprova que 24 de Março será um dia de luta e comemoração para os Estudantes.
 
Também nesse ano, em Lisboa, os estudantes concentraram-se dentro da cantina da Cidade Universitária, como forma de protesto contra a repressão e exigindo a libertação dos estudantes presos. O governo fascista responde com o envio da polícia para reprimir e impedir aquela, são vários os estudantes espancados e presos. Mas a Luta não pára!
Em resposta a isto declara-se luto académico e greve às aulas.
É neste contexto, que em 1987 a Assembleia da República Portuguesa fixa o Dia 24 de Março como o Dia do Estudante.

Décadas atrás lutava-se, tal como hoje, pela Democracia na Escola, para que todos possam ter acesso à sua frequência, para que haja uma verdadeira autonomia no Ensino Superior, para que a Educação seja Pública, Gratuita e de Qualidade, tal como consagra a Constituição!

segunda-feira, 22 de março de 2010

Lista de e-mails vale milhões de euros

Internet: Mail em cadeia chegou a políticos, bancos e figuras públicas

Lista de e-mails vale milhões de euros

Circula um e-mail fraudulento, que utiliza o nome do Banco Espírito Santo, a prometer o pagamento de 245 euros por cada reenvio da mesma mensagem. A iniciativa, alega o autor desconhecido do texto, parte de Bill Gates, que assim estará a partilhar parte da sua fortuna. Este é apenas um dos milhares de exemplos de mails que são reenviados por falta de conhecimento e que alimentam a publicidade indesejada nas caixas de correio electrónico de cada um.
"Estes mails em cadeia são uma das formas de empresas obterem endereços de e-mail válidos para depois distribuírem publicidade não desejada", explicou ao CM Paulo Veríssimo, professor e investigador em segurança informática da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, sublinhando: "Se a pessoa que reenvia o e-mail não apaga o cabeçalho, onde aparecem os endereços anteriores de outras pessoas, cria-se uma lista quase interminável de endereços, que valem milhões de euros para determinadas empresas."
O exemplo a que o CM acedeu já percorreu correios electrónicos de órgãos de comunicação social, organizações públicas e deputados. António Pires de Lima, José Luís Arnaut, Diogo Vaz Guedes ou Guta Moura Guedes são apenas alguns dos nomes que constam de uma lista de mails que preenche seis folhas de tamanho A4.
No e-mail, que circula, no mínimo, desde 2006, a autora é uma funcionária do BES que nunca existiu. Contactado pelo CM, fonte do banco diz "desconhecer a origem e autoria da mensagem", garantindo terem sido "tomadas todas as medidas para evitar a sua difusão".
Apesar dos sucessivos alertas, os utilizadores de Internet continuam com comportamentos de risco. "É a mesma coisa que ir na rua e um desconhecido pedir-lhe a morada de dez amigos e você dar", comparou Paulo Veríssimo, chamando a atenção para mails de origem desconhecida: "Na dúvida, não responda, não clique e não reenvie."

PORMENORES
PEDIDOS DE AJUDA
Muitos pedidos são fraudulentos e apelam ao sentimento. Não dê dinheiro sem certificar-se de que a origem é fidedigna.

CONTACTOS
Não divulgue os seus contactos telefónicos ou moradas na Internet.
Não mostre aos outros os endereços dos seus amigos; use o "Bcc" ou o "Cco" para reenviar e apague todos os endereços. Evite assim a propagação de vírus, spams e banners.


http://www.cmjornal.xl.pt/noticia.aspx?contentid=46D5A30A-890A-4881-AD35-C0AAB892B5F3&channelid=00000010-0000-0000-0000-000000000010

A mesa dos ricos



Se nos vissem sentados na nossa mesa de cozinha, feita à mão e toda arranhada, saberiam logo que não somos ricos.
Mas o meu pai está a tentar fazer-nos ver que somos.
Será que não vê os meus sapatos gastos? Ou que o meu irmãozinho tem remendos nas calças que leva para a escola?
E como explicará ele aquela carrinha a desfazer-se, estacionada à nossa porta?
─ Não consegues enganar-me ─ digo-lhe. ─ Somos pobres. Será que os ricos se sentariam a uma mesa como esta?
A minha mãe, como que acariciando a mesa, diz:
─ Bem, nós somos ricos e sentamo-nos aqui todos os dias.
Às vezes, penso que sou a única pessoa sensata na família. Diga-se de passagem que os meus pais fizeram esta mesa com madeira que outras pessoas deitaram fora. Até festejaram quando a terminaram.
Não me interpretem mal: eu gosto desta mesa. Só digo que se vê logo que não veio de uma loja de mobílias. Não tem ar de ser uma mesa à qual os ricos se sentariam.
Mas a minha mãe pensa que, se todos os governantes do mundo se sentassem em redor de uma amigável mesa de madeira na cozinha de alguém, resolveriam os seus diferendos em metade do tempo.
E o meu pai diz que não fazia mal se houvesse um lindo prato azul com muitos bolinhos empilhados, que todos pudessem tirar, mesmo sem ter de pedir.
Hoje, porém, trata-se da nossa cozinha, da nossa discussão, da nossa reunião familiar, dos nossos bolinhos de gengibre com especiarias, empilhados no melhor prato de flores azuis da minha mãe, colocado exactamente no centro da mesa.
Fui eu que convoquei a reunião, cujo tema é dinheiro; o meu ponto de vista é que não temos dinheiro que chegue.
Digo aos meus pais que devem ambos arranjar empregos melhores, para podermos comprar muitas coisas novas e boas. Digo-lhes que faço má figura na escola diante dos outros.
─ Não gosto de ter de falar disto, mas era bom que fossem ambos mais ambiciosos.
Ficam surpreendidos. Vê-se bem que nunca pensam nas coisas de que necessitamos.
Devo dizer desde já que os meus pais têm umas ideias estranhas acerca do trabalho.
Pensam que os únicos empregos que interessam são empregos ao ar livre. Querem ter rochedos, desfiladeiros, desertos ou montanhas em redor deles, onde quer que estejam a trabalhar. Até querem ver bem o céu.
Trabalham sempre juntos e a sua ocupação favorita é procurar ouro. Enfiam-nos naquela carripana e lá vamos nós em direcção às montanhas rochosas e desertas ou em direcção a alguma ravina estreita, onde todas as estradas se assemelham a trilhos de coiotes.
Adoram caminhar pelas amplas margens de rios agora secos, onde se podem encontrar pequenos salpicos de ouro. Costumavam dizer-nos que a carrinha sabia exactamente que tipos de estrada bater, e que os coiotes lhes indicavam onde procurar ouro, mas eu nunca acreditei neles.
Depois de passarem lá um mês ou dois, traziam sempre um pouco de minério para vender, mas vê-se bem que nunca enriqueceram. Pelo que me é dado ver, tratava-se apenas de um pretexto para acampar de novo num lugar selvagem e belo.
Não se importam de plantar campos de milho doce ou de alfalfa. Gostam de apanhar pimentão-de-cheiro, abóbora e tomate. Conseguem construir vedações fortes ou domar potros selvagens.
Mas dizem que não aguentam ficar engaiolados em casa.
Por isso, o meu pai pergunta:
─ Quantas pessoas há que sejam tão afortunadas como nós?
Mas como fui eu quem convocou esta reunião, respondo:
─ Aposto que fariam mais dinheiro se trabalhassem num escritório na cidade.
─ Lembra-te da nossa regra número um ─ insiste o meu pai.
─ Temos de poder ver o céu.
─ Podiam vê-lo através de uma janela ─ sugiro.
Mas eles nem querem ouvir falar disso.
Já percebem porque digo que sou o único membro sensato da família?
Finalmente, a minha mãe diz:
─ Está bem, Filha da Montanha. Vamos explicar-te como fazemos contas. Hoje, vais ser a nossa contabilista.
Distribui um lápis e uma folha de papel amarelo por cada um de nós, o meu irmão incluído, embora ele só finja que escreve enquanto nós escrevemos, ou desenhe pessoas a dançar no céu.
Já agora, o meu nome não é Filha da Montanha. Chamam-me assim porque nasci numa cabana na encosta de uma montanha, no Arizona, num Verão em que os meus pais tinham ido em busca de ouro.
Dizem que era um lugar mágico, a mais bela montanha que alguma vez escalaram. Talvez fosse, mas sabemos bem o quanto eles gostam de exagerar.
Como queriam que a primeira coisa que eu visse fosse aquela encosta, quando tinha apenas oito minutos de vida levaram-me a ver o nascer-do-sol.
A verdade é que ainda gosto muito do nascer-do-sol.
Quanto ao meu irmão, chamam-lhe Filho do Oceano. Como eu tinha tido a melhor montanha como primeira paisagem da minha vida, acharam que deviam encontrar o oceano mais belo para quando ele nascesse. Penso que percorreram o México todo para encontrar um lugar onde o oceano e a selva se encontrassem. Queriam que o céu estrelado fosse azul-púrpura e que as ondas do mar fossem da cor verde que eles preferem.
Ergueram-no bem alto, para que aquelas ondas fossem a primeira paisagem da sua vida.
Havemos de voltar um dia àquele oceano verde e à minha montanha alta. Por ora (embora os meus pais digam que são ricos), não há dinheiro para irmos a lado algum.
Por isso, não admira que eu tenha tido de convocar esta reunião.
Acreditam que o meu pai me olha bem nos olhos e me diz:
─ Mas, Filha da Montanha, eu estava persuadido de que sabias o quanto somos ricos.
Respondo-lhe:
─ Esta conversa só vai resultar se admitirmos que somos pobres.
O meu pai continua:
─ Vou provar-te agora mesmo o que disse. Façamos uma lista do dinheiro que ganhamos por ano.
─ Quanto é? ─ pergunto. ─ Preciso de anotar.
─ Calma aí ─ adverte o meu pai. ─ Temos de pensar em montes de coisas antes de somarmos tudo.
─ Que coisas?
A minha mãe contribui:
─ Sabes que não recebemos o nosso salário apenas em papel-moeda. Temos um plano especial que nos permite ser pagos em pôres-do-sol, em tempo para escalar desfiladeiros e procurar ninhos de águia.
Não desarmo:
─ Não podem dar-me uma quantia só para que eu possa anotar?
Começamos com vinte mil dólares.
É quanto o meu pai diz que vale poder trabalhar ao ar livre, ver o sol durante todo o dia, sentir o vento e cheirar a chuva, uma hora antes de ela cair realmente.
Diz que é quanto vale estar num sítio onde pode cantar alto quando lhe apetece, sem incomodar ninguém.
Mal escrevo vinte mil,a minha mãe acrescenta:
─ É melhor escreveres trinta mil, porque poder ouvir coiotes a uivar nas colinas vale, pelo menos, mais dez mil dólares.
Escrevo trinta mil.
A mãe lembra-se de que também gostam de viagens longas e de montanhas distantes que mudam de cor dez vezes ao dia.
─ Para mim, isso vale mais cinco mil dólares.
O que não me surpreende, já que a minha mãe afirma ser uma especialista em sombras de montanha no deserto. Diz que consegue saber as horas pela forma como as cores das sombras variam do nascer ao pôr-do-sol.
Apago o que escrevi antes e escrevo trinta e cinco mil dólares.
O meu pai lembra-se, então, de outra coisa.
─ Quando um cacto floresce, temos de lá estar porque podemos não voltar a ver aquela cor em mais dia algum da nossa vida. Quanto pensas que vale essa cor?
─ Cinquenta cêntimos? ─ pergunta o meu irmão.
Decidem-se por acrescentar cinco mil à lista.
Já vamos em quarenta mil dólares.
Mas eu tinha-me esquecido do quanto o meu pai gosta de imitar os sons dos pássaros. Consegue imitar qualquer um, mas a sua melhor imitação são as pombas de asas brancas, os corvos, os falcões de cauda ruiva e as codornizes. Também é bom a imitar águias e corujas de grandes bicos. Por isso, lá temos nós de acrescentar mais dez mil por termos a sorte de conviver com aves diurnas e nocturnas.
Risco a soma que tinha escrito e assento cinquenta mil dólares.
─ Agora vejamos quanto vale a nossa Filha da Montanha.
Decido entrar no jogo e sugiro que valho dez mil dólares, embora o meu irmão tenha começado a rir-se.
─ Não te subestimes ─ diz o meu pai. ─ Lembra-te daquelas listas fabulosas que nos fazes.
Tem razão. Faço listas dos melhores livros que cada um de nós leu, e dos que cada um de nós quer ler de novo. Também fiz uma lista de todos os animais que cada um de nós viu e daqueles que mais queremos ver ─ ao ar livre, não num jardim zoológico.
O animal que eu mais gostava de ver é o leão da montanha. Já sonhei com ele quatro vezes e também já lhe vi o rasto. O meu pai escolheu o urso-pardo da América. A minha mãe quer ver um lobo e ouvi-lo uivar. O meu irmão hesita entre um golfinho e uma baleia. Lembro-me de todos porque sou eu que faço as listas.
Acabam por achar que valho um milhão de dólares.
Protesto, mas anoto a soma.
Acabamos por decidir que cada um de nós vale um milhão de dólares.
A soma de toda a nossa riqueza totaliza agora quatro milhões e quinhentos mil dólares.
Dou-me conta de que quero adicionar cinco mil dólares pelo prazer que me causa vaguear pelo campo, sozinha, livre com um lagarto, sem ter de seguir trilhos, sem ter um plano, apenas pelo prazer de andar ao sabor do vento.
A minha família acha que isso vale cinco mil.
O que totaliza quatro milhões e cinquenta e cinco mil dólares.
Por fim, o meu irmão quer ainda juntar sete dólares por todas as noites em que adormecemos ao ar livre, sob as estrelas.
Pensamos que sete dólares são insuficientes e convencemo-lo a arredondar para cinco mil.
A minha folha regista agora quatro milhões e sessenta mil dólares ─ e ainda nem sequer começámos a contar o nosso dinheiro em papel-moeda.
Para ser franca, esse tipo de riqueza já não conta muito neste momento.
Sugiro que nem faça parte da nossa lista de riquezas.
E, assim, a reunião chega ao fim.
A família foi até lá fora ver o novo quarto de lua. Mas eu fiquei sentada à nossa querida mesa feita à mão, sobre a qual o prato de flores azuis da minha mãe conserva ainda um bolinho, e escrevo este livro sobre nós. Acaricio a mesa e fico contente por a termos.
Acho que o título deste livro vai ser A Mesa dos Ricos.

Byrd Baylor
The Table Where Rich People Sit
New York, Aladdin Paperbacks, 1998
       

Dia Mundial da Água - 22 de Março


O Dia Mundial da Água (DMA) foi observado, a partir de 1993, de acordo com as recomendações da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento contidas no capítulo 18 (Recursos hídricos) da Agenda 21.

Nesse período vários Estados foram convidados, como fosse mais apropriado no contexto nacional, a realizar no Dia, actividades concretas que promovam a consciência pública através de publicações e difusão de documentários e a organização de conferências, mesas redondas, seminários e exposições relacionadas à conservação e desenvolvimento dos recursos hídricos e/ou a implementação das recomendações proposta pela Agenda 21.

A cada ano, uma agência diferente das Nações Unidas produz um kit para imprensa sobre o DMA que é distribuído nas redes de agências contactadas. Este kit tem como objectivos, além de focar a atenção nas necessidades, entre outras, de:

• Tocar assuntos relacionados a problemas de abastecimento de água potável;

• Aumentar a consciência pública sobre a importância de conservação, preservação e protecção da água, fontes e suprimentos de água potável;

• Aumentar a consciência dos governos, de agências internacionais, organizações não-governamentais e sector privado;

• Participação e cooperação na organização nas celebrações do DMA.

Os temas dos DMA anteriores foram:

• 2009: Água e saúde

• 2008: Saneamento

• 2007: Lidando com a escassez de água

• 2006: Água e cultura

• 2005: Água para a vida

• 2004: Água e desastres

• 2003: Água para o futuro

• 2002: Água para o desenvolvimento

• 2001: Água e saúde

• 2000: Água para o século XXI

• 1999: Todos vivem rio abaixo

• 1998: Água subterrânea: o recurso invisível

• 1997: Águas do Mundo: há suficiente?

• 1996: Água para cidades sedentas

• 1995: Mulheres e Água

• 1994: Cuidar de nossos recursos hídricos é função de cada um.

A partir de 2001 ficou restrito a cada país a adopção da Agenda 21











As Nações Unidas, através da resolução A/RES/47/193, de 22 de Dezembro de 1992, declararam o dia 22 de Março de cada ano como o Dia Mundial da Água. Este dia tem sido marcado, desde 1993, com iniciativas várias, nacionais e internacionais, com o intuito de sensibilizar o público em geral para a necessidade de conservar os recursos hídricos e para algumas questões em particular, também relacionadas com a água.



(…)



No nosso planeta há locais mais vulneráveis que outros a desastres naturais associados ao elemento água, como inundações e secas, deslizamentos de terra, avalanches e tempestades. Os efeitos destes desastres resultam não só das condições geológicas e meteorológicas locais (há solos menos produtivos, mais susceptíveis à erosão e degradação do que outros) como também do nível de desenvolvimento humano local (nomeadamente em termos de actividades económicas), sendo mais severos nos países em desenvolvimento. Tome-se o exemplo do ineficiente ordenamento do território, que permite o crescimento imobiliário irracional e a destruição de florestas e vegetação ripícola em zonas inundáveis, tendo conduzido ao aumento do número de pessoas afectadas pelas inundações.



Em 2001, as graves condições climatéricas que assolaram Portugal (precipitação intensa com consequente subida de águas), especialmente no norte e centro do país e no fim-de-semana de 26 a 28 de Janeiro, provocaram várias inundações e deslizamentos de terras com perdas de vidas humanas e avultados danos materiais avaliados em dezenas de milhões de contos, afectando não só terrenos agrícolas como também parques urbanos, infra-estruturas imobiliárias e monumentais.



Por exemplo, só no distrito de Coimbra, o rio Mondego transbordou em muitos locais, incluindo na própria cidade de Coimbra, com consequente rebentamento de diques, morte de gado cavalar e bovino e isolamento de uma freguesia de Montemor-o-Velho, a Ereira. Vários agentes de autoridades como os fuzileiros da marinha e os bombeiros contribuíram na evacuação da população de várias povoações.



A ONU defende que os efeitos deste tipo de acontecimentos poderá ser minimizado envolvendo cidadãos, principalmente os de zonas sensíveis, em colaboração com a protecção civil e o instituto de meteorologia, entre outras instituições relacionadas, na elaboração de estratégias de gestão de desastres, incluindo os planos de evacuação. Estas estratégias deverão incorporar não só conhecimentos técnicos como também conhecimentos do fórum social e cultural.

(…)



A ONU ainda vai mais longe, apontando como uma das principais causas do fracasso dos programas para abastecimento e saneamento de água potável em países como a Índia, o Quénia ou o Nepal é a falta de participação das populações. "Não é apenas uma questão de meios", admite Jan Pronk, presidente da Wash (agência especializada da ONU para a água) e ex-ministro holandês do Ambiente. É necessário envolver os cidadãos, informá-los para que se deixe ter como resultado a "incompreensão absoluta entre o prestador [do trabalho] e o beneficiário e, finalmente, a recusa por parte da população de utilizar e pagar o serviço".









Faltará água se o Mundo não partilhar

A escassez de água é cenário com probabilidade agravada, se não for feito melhor uso deste recurso, lembram as Nações Unidas, que apelam à redução da poluição pelos países ricos. As alterações do clima podem trazer mais sede.

Perto da nascente ou da foz de um rio, todas as populações do Mundo estão no mesmo barco, afirma um documento da ONU a propósito do Dia Mundial da Água, que hoje é assinalado. Para 2009 a chamada de atenção recai nas águas partilhadas por dois ou mais países, trate-se de rios, lagos ou aquíferos subterrâneos.

Isso acontece em 263 situações e envolve 145 países, numa realidade natural que abrange metade da superfície sólida da Terra. Nos últimos 60 anos, contabiliza a ONU, foram estabelecidos 200 acordos bi ou multilaterais e registaram-se 37 casos de conflitos violentos entre Estados pela posse de água.

O apelo à partilha da água com gestão também partilhada é lançado perante a perspectiva de um agravamento da disponibilidade do recurso: estão em causa, lembram as Nações Unidas, as alterações climáticas (com previsíveis secas em muitas regiões e arrastando também o degelo dos glaciares).

Mas não é só a disponibilidade que poderá fazer com que em 2025 cerca de 1.800 milhões de pessoas vivam em zonas com absoluta escassez e dois terços da humanidade sofram restrições no abastecimento. Os países industrializados estão a poluir os rios ao lançarem neles resíduos que em 70% do volume não foram tratados.

Os rios transfronteiriços foram objecto de uma Convenção adoptada pela ONU em 1997, mas o documento não entrou em vigor, porque apenas 16 dos 35 países necessários a ratificaram.

Do Fórum Mundial da Água, que hoje encerra em Istambul após uma semana de trabalhos, as agências noticiosas dão conta das três grandes forças ali representadas: governos (70 ministros, entre os quais o ministro do Ambiente português), organizações não-governamentais e empresas do sector da água e saneamento.

É esperado que a reunião produza um documento final, mas ontem ainda não havia consenso sobre a proclamação do acesso à água como direito fundamental do ser humano ou necessidade fundamental. Em cada 15 segundos morre uma criança por doenças relacionadas com a falta de água.



Fonte
Jornal de Notícias

Wikipedia
Confagri

domingo, 21 de março de 2010

A Policia Judiciária alerta...


A Polícia Judiciária tem identificado nos últimos dias um volume anormal de participações criminais referentes ao chamado "furto de identidade" de credenciais de acesso de programas de comunicação ponto-a-ponto e também de redes sociais.

De posse destes elementos, os burlões que se têm feito passar por terceiros, induzem familiares e amigos em erro, com base numa história que faz referência a um caso de necessidade.
Em regra, são estes os passos:
  1. Um endereço electrónico de uma pessoa conhecida entra em comunicação por um "chat" ou por uma "rede social";
  2. O interlocutor afirma ter perdido os contactos telefónicos, ou o telemóvel, e informa que tem uma necessidade imediata de um empréstimo de um determinado montante, que, em regra, não é muito alto (entre 30 a 80 euros);
  3. Se a pessoa, no pressuposto de estar a falar com essa pessoa amiga, afirma poder ajudar, é-lhe comunicado pelo burlão um NIB, ou um código de pagamento de serviços com indicação do código da respectiva entidade;
Assim, a Polícia Judiciária ALERTA mais uma vez os utilizadores da INTERNET que devem usar senhas de acesso complexas, instalar e manter actualizados antí-vírus e a não ceder a este tipo de pedidos de ajuda sem confirmação pessoal com o pretenso visado.

Fonte: Polícia Judiciária


Flamingos


Estes 12 flamingos são parte de um grande número de espécies de aves que podemos observar tranquilamente a pouca distância da nossa escola.
sites a visitar: www.avesdeportugal.info
Divirtam-se

21 de Março - Dia Mundial da Poesia



Com o objectivo de defesa da diversidade linguística, a UNESCO decidiu, em 1999, proclamar o dia 21 de Março, Dia Mundial da Poesia.

Instituído na 30ª Conferência Geral da UNESCO, em 1999, o Dia Mundial da Poesia, assinalado hoje, coincide com o início da Primavera e, em Portugal, com o Dia da Árvore, numa lógica que parece simbolizar o renascimento ou a renovação e com o objectivo de defender a diversidade linguística.

O Dia Mundial da Poesia resultou da constatação de que existiam no mundo necessidades estéticas por satisfazer e de que a poesia podia preenchê-las se o seu papel social de comunicação interpessoal fosse reconhecido e continuasse a ser um meio de estimular e expressar o conhecimento.

A existência da efeméride tem, na perspectiva do poeta José Miguel Silva, «uma importância relativa», porque é «só um dia», o que «não dará grandes resultados no sentido de angariar leitores», mas «tudo o que se fizer para divulgar a poesia é positivo», salientou.

Em Portugal, a data é assinalada no dia 21 de Março, um pouco por todo o país, com vários eventos, em que se incluem sessões de leitura de poesia, concertos, feiras do livro, exposições e debates.



Consultar também
 
Plano Nacional de Leitura
http://www.planonacionaldeleitura.gov.pt/  

21 de Março - Dia Mundial da Floresta e Dia da Árvore



A comemoração oficial do Dia da Árvore teve lugar pela primeira vez no estado norte-americano do Nebraska, em 1872. John Stirling Morton conseguiu induzir toda a população a consagrar um dia no ano à plantação ordenada de diversas árvores para resolver o problema da escassez de material lenhoso.



A Festa da Árvore rapidamente se expandiu a quase todos os países do mundo, e em Portugal comemorou-se pala primeira vez a 9 de Março de 1913.



Em 1971 e na sequência de uma proposta da Confederação Europeia de Agricultores, que mereceu o melhor acolhimento da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura), foi estabelecido o Dia Florestal Mundial com o objectivo de sensibilizar as populações para a importância da floresta na manutenção da vida na Terra.



Em 21 de Março de 1972 – muitas vezes estabelecido também como o início da Primavera no Hemisfério Norte - foi comemorado o primeiro DIA MUNDIAL DA FLORESTA em vários países, entre os quais Portugal.


ICN http://www.icn.pt/

sábado, 20 de março de 2010

Workshop - Temas de História da Arte do séc XX, com Delfim Sardo

20 de Março - Primeiro dia de Primavera


 
A primavera (português brasileiro) ou Primavera (português europeu) é a estação do ano que se segue ao Inverno e precede o Verão. É tipicamente associada ao reflorescimento da flora e da fauna terrestres.

A Primavera do hemisfério norte é chamada de "Primavera boreal", e a do hemisfério sul é chamada de "Primavera austral". A "Primavera boreal" tem início, no Hemisfério Norte, a 20 de Março e termina a 21 de Junho. A "Primavera austral" tem início, no Hemisfério Sul, a 23 de Setembro e termina a 21 de Dezembro.

Do ponto de vista da Astronomia, a primavera do hemisfério sul inicia-se no equinócio de Setembro e termina no solstício de Dezembro, no caso do hemisfério norte inicia-se no equinócio de Março e termina no solstício de Junho.

Como se constata, no dia do equinócio o dia e a noite têm a mesma duração. A cada dia que passa, o dia aumenta e a noite vai encurtando um pouco, aumentando, assim, a insolação do hemisfério respectivo.

Estas divisões das estações por equinócios e solstícios poderão ser fonte de equívocos, mas deve-se levar em conta a influência dos oceanos na temperatura média das estações. Na Primavera do hemisfério sul, os oceanos meridionais ainda estão frios e vão aos poucos aquecendo, fazendo a Primavera ter temperaturas amenas ao longo da estação.



PRIMEIRO DIA DA PRIMAVERA

Na parte norte do mundo, 20 de Março é o primeiro dia da Primavera. Os ventos frios do Inverno já se foram e as flores selvagens estão a começar a florescer. É hora de encontrar os calções da natação e sapatilhas para o futebol e planear viagens de Verão. E ler ao ar livre…

No distante sul, atravessando o equador, o Outono está prestes a chegar. Os dias mais quentes do verão já são passado. Cada dia é mais curto do que o anterior. Será logo hora de juntar as folhas e ir buscar as roupas quentes.

A razão para estas mudanças tem que ver com a viagem anual da Terra em torno do sol.

Durante parte do ano, o Pólo Norte da Terra aponta afastado do sol e parte do tempo em direcção a ele. É isto que dá origem às nossas estações. Quando o Pólo Norte aponta para o sol, os raios do sol batem na metade norte do mundo mais directamente. Isso significa que está mais quente e nós temos o Verão. Mas quando o Pólo Norte está apontado em direcção ao sol, o Pólo Sul aponta afastado do sol. Assim a parte sul do equador da Terra recebe menos calor do sol e é Inverno lá.

O dia mais longo acontece no meio do verão, a 21 ou 22 de Junho, a norte do equador. Isso chama-se o solstício do Verão.

O dia mais curto está no meio do Inverno, por volta de 21 ou 22 de Dezembro, a norte do equador.

Isso é chamado o solstício do Inverno.

Mas mesmo entre o Inverno e o Verão, este ano a 20 de Março, cada dia e noite

tem a duração de 12 horas. Isto é denominado de equinócio vernal.

É o primeiro dia de Primavera a norte do equador e o primeiro dia de Outono na parte sul do mundo.

Entre o Verão e o Inverno há um outro equinócio, chamado equinócio outonal. Tal como o equinócio vernal, o dia e a noite têm a mesma duração. Só que esta mudança é o primeiro dia do Outono a norte do equador e o começo da Primavera para o sul.



Palavras-chave:

EQUINÓCIO

O tempo em que a noite e o dia são de duração igual em todas as partes da Terra. A palavra equinócio vem do Latim que significa "noite igual."

- Equinócio da Primavera: o começo da Primavera, chamado frequentemente de equinócio vernal. Vernal significa "da primavera." Ocorre a 20 ou 21 de Março

- Equinócio outonal: o começo do Outono. Ocorre a 22 ou 23 de Setembro.



SOLSTÍCIO

A época do ano em que o sol alcança o mais distante norte ou o mais distante sul. A palavra solstício significa " sol ainda lá está".

- Solstício do Verão: O dia do solstício do Verão é o dia o mais longo do ano. É o começo do verão, a 21 ou 22 de Junho.

- Solstício do Inverno: O dia do solstício do Inverno é o dia o mais curto do ano. É o começo do Inverno, a 21 ou 22 de Dezembro.

ESTAÇÕES

Cada estação -- primavera, verão, outono e inverno -- dura aproximadamente três meses e trazem mudanças na temperatura, no tempo e na duração da luz do dia. As estações mudam constantemente porque a inclinação do eixo terrestre nunca muda enquanto a Terra circunda o sol.



sexta-feira, 19 de março de 2010

Dia da Poesia

"O Ambiente é de todos - vamos usar bem a energia" - Concurso EDP





How many times... I

O flautista de Hamelin


Certamente nunca ouviram falar de Hamelin. Não admira. Este nome, de facto, só é conhecido por aqueles que já sabem a lenda do flautista mágico. E como ainda agora deste início à leitura desta história suponho que o nome «Hamelin» não te diga nada. Por isso, escuta com atenção.
Hamelin é uma cidade. Não tão grande como a vizinha Hanôver. No entanto, é um pouco maior do que uma aldeia. Possui uma bela muralha sobre a qual trepa a hera viçosa, uma catedral com altos pináculos de pedra trabalhada com grande detalhe, e um magnífico palácio municipal, também chamado «o palácio do relógio», porque, bem no centro da sua fachada, se pode admirar um enorme relógio redondo, cujos ponteiros e números são de ouro puro.
A sul da cidade passa um rio com uma corrente serena e majestosa: o Veser, nas margens do qual os cidadãos costumam passear nos dias de festa, entre altíssimos choupos.
Querem um sítio mais agradável do que este para viver?
No entanto, quando esta história começa – há mais de seis séculos – os habitantes de Hamelin estavam desesperados. E porquê? A resposta é esta: porque a cidade tinha sido invadida pelos ratos.
Os ratos desde sempre lá tinham estado e sempre lá haviam de estar. Enchiam as caves, os esgotos e os subterrâneos. Mas, como tinham o bom gosto de se manterem escondidos, não se dava pela sua presença. E que diriam vocês se, de repente, os ratos – ratos grandes, ratos de esgoto e ratos do campo, ratos cinzentos e ratos de água, em suma, todos os ratos possíveis e imaginários – se fartassem de estar escondidos e viessem, esfomeados, ao ataque? Foi o que aconteceu em Hamelin.  Os ratos encheram--se de ousadia, saíram dos seus escuros esconderijos e invadiram tudo. Assaltavam os cães e matavam os gatos, entravam nos berços e mordiam as crianças, comiam o queijo dos caldeirões onde estava o coalho, lambiam a sopa nas conchas das cozinhas, abriam os barris dos arenques salgados e faziam ninhos nos chapéus. A cidade fora inv adida por um estranho ruído que cobria qualquer outro som. As paredes das casas vibravam desde os alicerces e em toda a sua área tremiam. Era uma mistura de apitos agudos, de guinchos, de chamamentos. Um roçar, um espernear, um ranger contínuo que fazia dores de cabeça.
Ao fim de uma semana as pessoas já não podiam mais. Os valentes habitantes de Hamelin, impacientes, começaram a dizer:
– Mas afinal por que é que a Câmara Municipal não intervém? Eh! Bonito serviço! Temos um presidente da Câmara preguiçoso, uma assembleia que dá vontade de rir. E pensar que viajam com fatos forrados de arminho, que comem e bebem à nossa conta. Agora basta!
E dirigiram-se em conjunto ao palácio do município. Sim, aquele mesmo, o do relógio.
Era dia de sessão. Na sala do Conselho não faltava ninguém: nem o presidente da Câmara – um tipo pequeno mas gordíssimo, com a pele de tal forma esticada que parecia poder rebentar de um momento para o outro, e com uns grandes olhos de carneiro mal morto, sobre os quais as pálpebras caíam como os estores de uma loja à hora de fechar – nem os membros da assembleia. Estes últimos tinham o mesmo aspecto bem alimentado do presidente, o mesmo ar meio adormecido de quem engana, de quem vê as moscas a voar, de quem coça as barrigas das pernas, de quem faz desenhos na acta da assembleia. Em suma, um triste espectáculo.
– Parece que estou a ouvir qualquer coisa... um ruído... barulho na praça... – disse o presidente.
Levantou-se pesadamente do seu cadeirão e abriu um das janelas da sala. Melhor seria que o não tivesse feito. Mal assomou à janela, vieram da multidão, não apenas assobios, vaias, ofensas e pragas, como também uma intensa chuvada de frutos, de ovos estragados, de hortaliças. Um verdadeiro dilúvio!
– Basta, velhos gordalhaços! – ouvia-se gritar. – Têm de encontrar uma solução. Pensam que os elegemos para mandriarem de manhã à noite? Arranjem uma solução ou, então, expulsá-los-emos daí!
Aterrado com aquela espécie de revolução, o presidente fechou a porta o mais rápido que lhe foi possível, mas não o suficiente para evitar que um chorrilho de maçãs podres se fosse esborrachar nos bancos dos conselheiros.
– Ai de mim, senhores! – exclamou, então, o gordo homenzinho. – Era capaz de vender este uniforme por dez tostões, acreditem! Ah! Se eu pudesse estar a milhas daqui! «Digam, façam...» É fácil ordenar a uma pessoa que puxe pela cabeça. Mas que havemos de inventar agora? Tenho uma enorme dor de cabeça... E depois... E depois é quase meio-dia, já estou a sentir um bocadinho de fome. E agora, senhores?
Naquele preciso instante ouviu-se um estranho rumor, proveniente da porta da entrada. Parecia um esfregar contínuo e abafado.
Quem é? Serão os ratos? Quem quer que seja, entre!
A porta entreabriu-se e, na sala do Conselho, entrou a personagem mais extraordinária que já se viu em Hamelin desde o ano da sua fundação. Vestia um manto longuíssimo, dividido em dois, metade amarelo e metade encarnado. A sua estatura era alta, magra e seca. Tinha os olhos azuis e penetrantes como alfinetes, a cabeleira longa e fina, encarnado-escura. No seu rosto, sem barba nem bigode, exibia um estranho sorriso.
Por Deus! – exclamou um conselheiro. – Mas quem é este? Um bobo que escapou da feira de Hanôver?
A mim – acrescentou um outro – lembra-me a figura que fará o meu bisavô João Joaquim quando, no dia do juízo, ressuscitar do seu túmulo frio.
O homem dirigiu-se lentamente para as cadeiras do Conselho e disse:
Que vossas Excelências se dignem escutar-me. O acaso quis que eu fosse dotado de um poder mágico. Por esse meio posso atrair todas as criaturas que existem na terra. E quando digo «todas», são mesmo todas: todos os seres que rastejam, que voam, que nadam e que correm, das toupeiras aos sapos, dos leitões às víboras. As pessoas chamam-me «o Flautista Mágico»...
Chegado a este ponto, o estranho indivíduo deteve-se por um instante, virando o seu olhar para os conselheiros. Sentindo mal-estar sob aquele olhar penetrante, que parecia atravessar-lhes os corpos maciços, os conselheiros baixaram as cabeças para verem o que o flautista trazia pendurado numa faixa amarela e encarnada, tal como o manto: uma flauta, longa e fina. As mãos do dono, também elas longas e finas, acariciavam-na com gestos ágeis e nervosos. Enquanto percorriam os furos do instrumento, os dedos pareciam impacientes, por lhe arrebatarem, quem sabe, uma melodia extraordinária...
O flautista continuou:
Neste mês de Junho, na Tartária, libertei o Grande Khan do enorme enxame de moscas que incomodava a população. Libertei a região de Nizam, na Índia, de um terrível bando de vampiros. E no ano passado, o califa de Bagdade, vendo o seu reino devastado por uma praga de gafanhotos, mandou-me chamar. Agora, se quiserem, vão até lá e vejam se encontram um gafanhoto, num raio de cem milhas! Naturalmente – recomeçou depois de uma breve pausa – cada coisa tem o seu preço. Se eu libertar a vossa cidade dos ratos dão-me, digamos, mil florins de ouro?
– Só mil? Mas cinquenta mil é quanto te daremos, sim, cinquenta mil! – exclamou o presidente com entusiasmo.
– Cinquenta mil, cinquenta mil! – disseram também os conselheiros.
Sem acrescentar palavra, o flautista deu meia volta e saiu para a praça. Erguendo a flauta, franziu os lábios, como fazem os músicos virtuosos. No seu olhar penetrante brilhava uma chama, ora esverdeada, ora azulada, da cor do fogo quando se lhe deita um punhado de sal. E, antes que o instrumento tivesse entoado três notas, ao longe começou a ouvir-se um murmúrio, como se um exército marchasse a grande distância. Depois, o ribombar transformou-se num estrondo poderoso, que sacudia as casas e as estradas.
Os ratos! Os ratos saíam! Ratos grandes, ratinhos minúsculos, ratos magros como anchovas, ratos robustos como porcos, ratos castanhos, ratos pretos, ratos cinzentos, ratos ruivos, ratos pomposos marchando compassadamente… ratos jovens e vivos, pais, mães, tios, primos… abanavam os rabos, endireitavam os bigodes e marchavam. Vinham em famílias, em grupos, em pelotões, em multidões, em exércitos.
E todos seguiam o flautista.
O homem avançava de rua em rua sem se voltar para trás, absorto na sua música. E os ratos, atrás, correndo, dançando, arrastando-se uns aos outros. Quando, enfim, o flautista saiu pela porta sul, estava a poucos passos do rio Veser, e aí ficou parado, mas a enorme multidão que o seguia não. Era um espectáculo extraordinário ver aquela quantidade enorme de ratos a precipitar-se, de mergulho, no rio. A corrente do Veser fervilhava de patas, de rabos, de bigodes, de dorsos. Em poucos minutos, em Hamelin, não havia nem um daqueles invasores!
Que é que tinha acontecido exactamente? Parecia que o único a escapar daquela matança, um gordo rato de água, contou, mais tarde, a alguns amigos seus de Hanôver, onde se tinha refugiado:
– As primeiras notas da flauta pareciam o rumor de um saboroso osso de porco a ser raspado. Logo de seguida, o de maçãs maduras, postas sobre a prensa para se fazer sidra; depois, um chio como o das tinas de picles a abrirem-se, como um armário cheio de marmelada a entreabrir-se ou como o de rolhas de garrafões de óleo quando são destampados. Parecia que uma voz celestial me dizia: «Regozijem-se, bravos ratos! Ruminem, trinquem, roam, devorem! Eis tudo junto e de uma vez: pequeno-almoço, almoço, lanche e jantar!» E quando me estava a ver diante de um barril de açúcar branco, cujo conteúdo brilhava como a lua cheia, dei comigo, de repente, nas profundas águas do Veser a fazer tudo para não me afogar.
Mas voltemos a Hamelin. Os habitantes da cidade pareciam loucos: riam, dançavam, saltavam. Alguns precipitaram-se para o campanário e começaram a tocar o sino para a festa, outros abriram pipas da melhor cerveja e brindaram com canecas que, de tão grandes, pareciam baldes. Enfim, uma alegria nunca antes vista! E o presidente? Ora, o gordalhão preguiçoso comandava e fazia alarido:
Vamos! – gritava. – Ponham tábuas a tapar os ninhos! Fechem até o buraco mais pequeno. Que dos ratos não fique nem o rasto!
De repente, eis que aparece na praça do mercado o flautista. Aproximou-se do presidente e dos seus conselheiros e disse:
Sim, sim, está tudo bem, mas primeiro, por favor, eu queria os meus mil florins...
Mil florins?
O presidente perdeu as boas cores que tinha, empalideceu, e os conselheiros, de repente silenciosos, olhavam fixamente para ele, como se o flautista não existisse. Haviam de pagar mil florins àquele vagabundo do manto encarnado e amarelo, quando o vinho do Reno custava esse dinheiro? Que restaria para os senhores da assembleia poderem festejar condignamente o acontecimento?
Bom homem – disse, por fim, o presidente – a praga dos ratos é agora só uma recordação. Os ratos nunca mais hão-de voltar. Claro que queremos recompensar-te. Mas, mil florins! Repara que era uma brincadeira. Portanto, toma estes cinquenta florins, bebe à nossa saúde e vai com Deus!
A cara do flautista ficou negra como o carvão. E disse:

– Não foi brincadeira nenhuma, caros senhores! À hora das refeições sou hóspede do califa de Bagdade, ele sim, é uma pessoa reconhecida, e não tenho um minuto a perder. Avarentos e ingratos como são, não se iludam que eu lhes faça um desconto. E lembrem-
-se: quem se comporta comigo deste modo, arrisca-se a que eu comece a tocar a flauta com intenções bem diferentes.
– Como!? – gritou o presidente. – Como te atreves, seu vadio horroroso? Quem és tu? Pensas que impressionas alguém, com essa flauta inútil e esse fato de bobo? Vá, vá, toca a tua bela flauta até ela se partir.
Sem acrescentar uma palavra, o flautista voltou-se, colocando, de novo, a sua flauta nos lábios. Começou a caminhar e, antes que tivesse entoado três notas, três notas apenas, um alegre murmúrio percorreu a cidade de Hamelin. Eram pezinhos que avançavam velozes, tamancos que ressoavam no empedrado, mãos que aplaudiam, vozes de crianças que falavam alegremente. Todos os meninos e meninas da cidade, de faces rosadas, os olhos cintilantes e os dentes brancos como pérolas, seguiam em bando, rindo alegremente, a música do flautista.
Ao ver isto, o presidente emudeceu e os membros da assembleia ficaram quietos, imóveis como pedras, de espanto. Entretanto, o flautista percorreu a rua principal e encaminhou-se para o Weser, levando atrás de si todas as crianças de Hamelin. E já as pessoas choravam e arrancavam os cabelos, acreditando que os filhos teriam o mesmo fim que os ratos encantados, quando o homem vestido de amarelo e encarnado mudou de rumo, para oeste, em direcção à colina de Koppelberg, que domina a cidade.
Então, todos soltaram um suspiro de alívio:
Vai parar, vão ver! – diziam. – Não pode escalar o Koppelberg...
Mas eis que, chegado ao sopé do monte, o alegre cortejo parou um instante. Um enorme portal se abriu de par em par, na base da colina, engolindo o flautista e o seu séquito e fechando-se quando a ultima criança o atravessou.
Dissemos «a última»? Não, desculpem, enganámo-nos. Uma daquelas crianças ficou para trás. Regressou à cidade a chorar e disse à mãe que a abraçava:
Ah! O que eu perdi! Olha, o flautista estava a levar-nos para o País da Felicidade. Lá as águas jorram límpidas, as flores têm cores maravilhosas, os pardais são mais sarapintados que os pavões, as abelhas não têm ferrão, os cavalos têm asas. Ai de mim! Como sou infeliz!
Ouvindo aquelas palavras, muitos se lembraram das palavras de Jesus: «É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha, do que um rico entrar no reino dos Céus». Todos se arrependeram da avareza que tinham mostrado. O presidente enviou mensageiros para Norte e para Sul, para Oriente e para Ocidente, mas em vão. Nunca mais se  encontrou o rasto, nem do flautista, nem das crianças de Hamelin. E, em memória do terrível acontecimento, a partir daquele dia, nos documentos oficiais de Hamelin, depois da data, podia ler-se: «Mas recordamos tudo o que aconteceu no dia vinte e dois de Julho de 1376». E não só. Em frente ao local onde se abrira o portal mágico, o município mandou erigir uma coluna e quem hoje visita a catedral de Hamelin pode ver nos seus vitrais a história do flautista mágico.
Mas, afinal, que é que aconteceu às crianças encantadas? Não se sabe. Porém, não podemos deixar de dizer que, nos montes da Transilvânia, existe uma aldeia de estrangeiros. São altos, louros e corados. Os seus vizinhos contam que os seus antepassados eram provenientes de uma cidade longínqua chamada Hamelin, perto de Hanôver. Mas não sabem explicar como e porque é que chegaram ali, à remota Transilvânia...
Talvez nesta história haja qualquer coisa para aprender. A minha opinião é que devemos pagar as nossas dívidas a todos, especialmente ao flautista. E, se alguém tocar flauta para nos libertar dos ratos, depois de lhe termos prometido alguma coisa, é conveniente mantermos a palavra dada.
                                                                             
Robert Browning
Os mais belos contos do mundo
Porto, Civilização Editora, 1994

Loading...