Biblioteca da Escola EB 2/3 Dom Paio Peres Correia - Tavira
quinta-feira, 25 de abril de 2013
Grândola, Vila Morena (Zeca Afonso)
"Grândola, Vila Morena" é uma canção
composta e cantada por Zeca Afonso que foi escolhida pelo Movimento das Forças
Armadas (MFA) para ser a segunda senha de sinalização da Revolução dos Cravos.
A canção refere-se à fraternidade entre o povo de Grândola, vila do Alentejo. À
meia noite e vinte minutos do dia 25 de Abril de 1974, a canção foi transmitida
no Rádio Clube Português como sinal para confirmar o início da revolução.
Também por esse motivo, transformou-se em símbolo da revolução, assim como do
início da democracia em Portugal.
A canção foi incluída no álbum Cantigas do Maio,
gravado em dezembro de 1971, disco que conta com os arranjos e direcção musical
de José Mário Branco. «Grândola, vila morena» é a quinta faixa do álbum,
gravado em Hérouville, França entre 11 de outubro e 4 de novembro de 1971.
Zeca Afonso estreou a canção em Santiago de
Compostela (capital da Galiza) em 10 de Maio de 1972.
No dia 29 de março de 1974, «Grândola, vila morena»
foi cantada no encerramento de um espectáculo no Coliseu de Lisboa. Na
assistência estavam militares do MFA, que viriam a escolher a canção como uma
das senhas para o arranque da Revolução dos Cravos. Curiosamente, para esse
espectáculo a censura havia proibido a interpretação de várias canções de Zeca,
entre as quais «Venham mais cinco», «Menina dos olhos tristes», «A morte saiu à
rua» e «Gastão era perfeito».
À meia-noite e vinte minutos da madrugada do dia 25
de Abril de 1974, a «Grândola, vila morena» foi tocada no programa Limite do
Rádio Clube Português. Era a segunda senha que confirmava o bom andamento das
operações e despoletava o avanço das forças organizadas pelo MFA. A primeira
senha, tocada cerca de hora e meia antes, às 22 horas e 55 minutos do dia 24 de
Abril, foi a música «E depois do adeus», cantada por Paulo de Carvalho.
Pouco antes da sua morte, Zeca Afonso e vários
amigos seus galegos cantaram ao vivo e gravaram uma nova edição da canção na
Homenagem da Galiza a José Afonso.
Ainda na década de 1970, Nara Leão lançou no
Brasil, em compacto simples, a canção.
Em 1987 foi regravada pelo grupo de rock brasileiro
365, no seu LP Mix da Música São Paulo, constando na sétima faixa com o nome de
«Vila Morena».
Em Fevereiro de 2013, o primeiro-ministro Pedro
Passos Coelho falava no debate quinzenal com os deputados quando foi
interrompido pelo movimento "Que se lixe a troika! Queremos as nossas
vidas!" a cantar "Vila Morena" como forma de protesto contra as
políticas económicas de seu governo e da troika. Dias depois esta mesma música
foi cantada em Madrid na Puerta del Sol, pelo Movimiento 15-M aquando de uma
manifestação. No dia 18 de Fevereiro, num encontro promovido pelo Clube dos
Pensadores, o Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, foi
igualmente interrompido por manifestantes ao som do Grândola, tendo chegado a
entoar alguns versos da música.
Revolução dos Cravos - 25 de Abril, O Dia da Liberdade
25 de Abril – O Dia da Liberdade
Revolução dos Cravos
Revolução dos Cravos é o nome dado ao golpe de estado militar que derrubou, num só dia, sem grande resistência das forças leais ao governo - que cederam perante a revolta das forças armadas - o regime político que vigorava em Portugal desde 1926. O levantamento, também conhecido pelos portugueses como 25 de Abril, foi conduzido em 1974 pelos oficiais intermédios da hierarquia militar (o MFA), na sua maior parte capitães que tinham participado na Guerra Colonial. Considera-se, em termos gerais, que esta revolução trouxe a liberdade ao povo português (denominando-se "Dia da Liberdade" o feriado instituído em Portugal para comemorar a revolução).
Antecedentes
Na sequência do golpe militar de 28 de Maio de 1926, foi implementado em Portugal um regime autoritário de inspiração fascista. Com a Constituição de 1933 o regime é remodelado, auto-denominando-se Estado Novo e Oliveira Salazar passou a controlar o país, não mais abandonando o poder até 1968, quando este lhe foi retirado por incapacidade, na sequência de uma queda em que sofreu lesões cerebrais. Foi substituído por Marcelo Caetano que dirigiu o país até ser deposto no 25 de Abril de 1974.
Sob o governo do Estado Novo, Portugal foi sempre considerado uma ditadura, quer pela oposição, quer pelos observadores estrangeiros quer mesmo pelos próprios dirigentes do regime. Formalmente, existiam eleições, mas estas foram sempre contestadas pela oposição, que sempre acusaram o governo de fraude eleitoral e de desrespeito pelo dever de imparcialidade.
O Estado Novo possuía uma polícia política, a PIDE (Polícia Internacional de Defesa do Estado), uma evolução da ex-PVDE (Polícia de Vigilância e Defesa do Estado), mais tarde DGS (Direcção-Geral de Segurança), que perseguiria os opositores do regime. De acordo com a visão da história dos ideólogos do regime, o país manteve uma política que considerava a manutenção das colónias do "Ultramar", numa altura em que alguns países europeus iniciavam os seus processos de alienação progressiva das suas colónias. Apesar da contestação nos fóruns mundiais, como na ONU, Portugal manteve uma política de força, tendo sido obrigado, a partir do início dos anos 60, a defender militarmente as colónias contra os grupos independentistas em Angola, Guiné e Moçambique.
Economicamente, o regime manteve uma política de condicionamento industrial que resultava no monopólio do mercado português por parte de alguns grupos industriais e financeiros (a acusação de plutocracia é frequente). O país permaneceu pobre até à década de 1960, o que estimulou a emigração. Notou-se, contudo, um desenvolvimento económico a partir desta década.
O mito do "orgulhosamente sós"
Nos inícios dos anos 1970 o regime autoritário do Estado Novo continuava a pesar sob Portugal. O seu fundador, António Oliveira Salazar, foi destituído em 1968 por incapacidade e veio a falecer em 1970, sendo substituído por Marcelo Caetano na direcção do regime. Qualquer tentativa de reforma política foi impedida pela própria inércia do regime e pelo poder da sua polícia política (PIDE). O regime exilava-se, envelhecido num mundo ocidental em plena efervescência social e intelectual de finais de década de 60, obrigando Portugal a defender pelas forças das armas o Império Português, instalado no imaginário dos ideólogos do regime. Para tal, o país viu-se obrigado a investir grandes esforços numa guerra colonial de pacificação, atitude que contrastava com o resto das potências coloniais que tratavam de se assegurar da saída do continente africano da forma mais conveniente.
O contexto internacional não era favorável ao regime salazarista/marcelista.
Com o auge da Guerra Fria, as nações dos blocos Capitalista e Comunista apoiaram e financiaram as guerrilhas das colónias portuguesas, numa tentativa de as atrair para a influência americana ou soviética. A intransigência do regime e mesmo o desejo de muitos colonos de continuarem sob o domínio português, atrasaram o processo de descolonização por quase 20 anos, no caso de Angola e Moçambique.
Ao contrário de outras Potências Coloniais Europeias, Portugal mantinha laços fortes e duradouros com as suas colónias africanas. Para muitos portugueses um Império Colonial era necessário para um poder e influência contínuos. Contrastando com Inglaterra e França, os colonizadores portugueses casaram e constituíram família entre os colonos nativos.
Apesar das constantes objecções em fóruns nacionais, como a ONU, Portugal manteve as suas colónias como parte integral de Portugal, sentindo-se portanto obrigado a defendê-las militarmente de grupos armados de influência comunista, particularmente após a anexação unilateral e forçada dos enclaves portugueses de Goa, Damão e Diu, em 1961.
Em quase todas as colónias portuguesas africanas – Moçambique, Angola, Guiné, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde – surgiram movimentos independentistas, que acabaram por se manifestar sob a forma de guerrilhas armadas. Excepto no caso da Guiné, estas guerrilhas foram facilmente contidas pelas forças portuguesas, apesar dos diversos embargos ao armamento militar fornecido a Portugal. No entanto, os vários conflitos forçaram Salazar e o seu sucessor Caetano a gastar uma maior parte do orçamento de Estado na administração colonial e despesas militares, sendo que cedo Portugal viu-se um pouco isolado do resto do Mundo.
Após a ascensão de Caetano ao poder, a guerra colonial tornou-se num forte motivo de discussão e num assunto muito focado por parte das forças anti-regime. Muitos estudantes e manifestantes contra a guerra terão sido forçados a abandonar o país para escapar à prisão e tortura.
Economicamente, o regime mantinha a sua política de Corporativismo, o que resultou na concentração da economia portuguesa nas mãos de uma elite de industriais.
No entanto, a economia crescia fortemente, especialmente após 1950 e Portugal foi mesmo co-fundador da EFTA, OCDE e NATO. A Administração das colónias custava a Portugal um aumento percentual anual no seu orçamento e tal contribuiu para o empobrecimento da Economia Portuguesa, pois o dinheiro era desviado de investimentos infra-estruturais na metrópole. Até 1960 o país continuou relativamente frágil em termos económicos, o que estimulou a emigração para países em rápido crescimento e de escassa mão-de-obra da Europa Ocidental, como França ou Alemanha principalmente após a Segunda Guerra Mundial.
Para muitos o Governo português estava envelhecido, sem resposta aparente para um mundo em grande mudança cultural e intelectual.
A guerra colonial gerou conflitos entre a sociedade civil e militar, tudo isto ao mesmo tempo que a fraca economia portuguesa gerava uma forte emigração.
Em Fevereiro de 1974, Marcelo Caetano é forçado pela velha guarda do regime a destituir o general António Spínola e os seus apoiantes, quando tentava modificar o curso da política colonial portuguesa, que se revelava demasiado dispendiosa para o país.
Nesse momento, em que são reveladas as divisões existentes no seio da elite do regime, o MFA, movimento secreto, decide levar adiante um golpe de estado.
O movimento nasce secretamente em 1973 da conspiração de alguns oficiais do exército, numa primeira fase unicamente preocupados com questões de carreira militar.
Preparação
A primeira reunião clandestina de capitães foi realizada em Bissau, em 21 de Agosto de 1973. Uma nova reunião, em 9 de Setembro de 1973 no Monte Sobral (Alcáçovas) dá origem ao Movimento das Forças Armadas. No dia 5 de Março de 1974 é aprovado o primeiro documento do movimento: "Os Militares, as Forças Armadas e a Nação". Este documento é posto a circular clandestinamente. No dia 14 de Março o Governo demite os generais Spínola e Costa Gomes dos cargos de Vice-Chefe e Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, alegadamente, por estes se terem recusado a participar numa cerimónia de apoio ao regime. No entanto, a verdadeira causa da expulsão dos dois Generais foi o facto do primeiro ter escrito, com a cobertura do segundo, um livro, "Portugal e o Futuro", no qual, pela primeira vez uma alta patente advogava a necessidade de uma solução política para as revoltas separatistas nas colónias e não uma solução militar. No dia 24 de Março a última reunião clandestina decide o derrube do regime pela força.
Ver também:
Oposição à ditadura portuguesa: ditadura militar (1926-1933) e Estado Novo (1933-1974)
Movimentações militares durante a Revolução
Ver cronologia completa de eventos em Cronologia da Revolução dos Cravos.
No dia 24 de Abril de 1974, um grupo de militares comandados por Otelo Saraiva de Carvalho instalou secretamente o posto de comando do movimento golpista no quartel da Pontinha, em Lisboa.
Às 22h 55m é transmitida a canção ”E depois do Adeus”, de Paulo de Carvalho, pelos Emissores Associados de Lisboa, emitida por Luís Filipe Costa. Este foi um dos sinais previamente combinados pelos golpistas e que desencadeou a tomada de posições da primeira fase do golpe de estado.
O segundo sinal foi dado às 0h20 m, quando foi transmitida a canção ”Grândola Vila Morena“, de José Afonso, pelo programa Limite, da Rádio Renascença, que confirmava o golpe e marcava o início das operações. O locutor de serviço nessa emissão foi Leite de Vasconcelos, jornalista e poeta moçambicano.
O golpe militar do dia 25 de Abril teve a colaboração de vários regimentos militares que desenvolveram uma acção concertada.
No Norte, uma força do CICA 1 liderada pelo Tenente-Coronel Carlos de Azeredo toma o Quartel-General da Região Militar do Porto. Estas forças são reforçadas por forças vindas de Lamego. Forças do BC9 de Viana do Castelo tomam o Aeroporto de Pedras Rubras. Forças do CIOE tomam a RTP e o RCP no Porto. O regime reagiu, e o ministro da Defesa ordenou a forças sedeadas em Braga para avançarem sobre o Porto, no que não foi obedecido, já que estas já tinham aderido ao golpe.
À Escola Prática de Cavalaria, que partiu de Santarém, coube o papel mais importante: a ocupação do Terreiro do Paço. As forças da Escola Prática de Cavalaria eram comandadas pelo então Capitão Salgueiro Maia. O Terreiro do Paço foi ocupado às primeiras horas da manhã. Salgueiro Maia moveu, mais tarde, parte das suas forças para o Quartel do Carmo onde se encontrava o chefe do governo, Marcello Caetano, que ao final do dia se rendeu, fazendo, contudo, a exigência de entregar o poder ao General António de Spínola, que não fazia parte do MFA, para que o "poder não caísse na rua". Marcello Caetano partiu, depois, para a Madeira, rumo ao exílio no Brasil.
A revolução resultou na morte de 4 pessoas, quando elementos da polícia política (PIDE) dispararam sobre um grupo que se manifestava à porta das suas instalações na Rua António Maria Cardoso, em Lisboa.
Cravo
O cravo vermelho tornou-se o símbolo da Revolução de Abril de 1974; Com o amanhecer as pessoas começaram a juntar-se nas ruas, solidários com os soldados revoltosos; alguém (existem várias versões, sobre quem terá sido, mas uma delas é que uma florista contratada para levar cravos para a abertura de um hotel, foi vista por um soldado que pôs um cravo na espingarda, e em seguida todos o fizeram), começou a distribuir cravos vermelhos para os soldados, que depressa os colocaram nos canos das espingardas.
Consequências
No dia seguinte, forma-se a Junta de Salvação Nacional, constituída por militares, e que procederá a um governo de transição. O essencial do programa do MFA é, amiúde, resumido no programa dos três D: Democratizar, Descolonizar, Desenvolver.
Entre as medidas imediatas da revolução contam-se a extinção da polícia política (PIDE/DGS) e da Censura. Os sindicatos livres e os partidos foram legalizados. Só a 26 foram libertados os presos políticos, da Prisão de Caxias e de Peniche. Os líderes políticos da oposição no exílio voltaram ao país nos dias seguintes. Passada uma semana, o 1º de Maio foi celebrado legalmente nas ruas pela primeira vez em muitos anos. Em Lisboa reuniram-se cerca de um milhão de pessoas.
Portugal passou por um período conturbado que durou cerca de 2 anos, comummente referido como PREC (Processo Revolucionário Em Curso), marcado pela luta e perseguição política entre as facções de esquerda e direita. Foram nacionalizadas as grandes empresas. Foram igualmente "saneadas" e muitas vezes forçadas ao exílio personalidades que se identificavam com o Estado Novo ou não partilhavam da mesma visão política que então se estabelecia para o país. No dia 25 de Abril de 1975 realizaram-se as primeiras eleições livres, para a Assembleia Constituinte, que foram ganhas pelo PS. Na sequência dos trabalhos desta assembleia foi elaborada uma nova Constituição, de forte pendor socialista, e estabelecida uma democracia parlamentar de tipo ocidental. A constituição foi aprovada em 1976 pela maioria dos deputados, abstendo-se apenas o CDS.
A guerra colonial acabou e, durante o PREC, as colónias africanas e Timor-Leste tornaram-se independentes.
O 25 de Abril visto tempo depois
O 25 de Abril de 1974 continua a dividir a sociedade portuguesa, sobretudo nos estratos mais velhos da população que viveram os acontecimentos, nas facções extremas do espectro político e nas pessoas politicamente mais empenhadas. A análise que se segue refere-se apenas às divisões entre estes estratos sociais.
Existem actualmente dois pontos de vista dominantes na sociedade portuguesa em relação ao 25 de Abril.
Quase todos reconhecem, de uma forma ou de outra, que o 25 de Abril representou um grande salto no desenvolvimento político-social do país. Mas as pessoas mais à esquerda do espectro político tendem a pensar que o espírito inicial da revolução se perdeu. O PCP lamenta que a revolução não tenha ido mais longe e que muitas das conquistas da revolução se foram perdendo.
De uma forma geral, ambos os lados lamentam a forma como a descolonização foi feita, enquanto que as pessoas mais à direita lamentam as nacionalizações feitas no período imediato ao 25 de Abril de 1974 que condicionaram sobremaneira o crescimento de uma economia já então fraca.
Mais informação
Centro de Documentação do 25 Abril da Universidade de Coimbra
Site da Associação 25 de Abril
Júnior.TE
Mais informação
Centro de Documentação do 25 Abril da Universidade de Coimbra
Site da Associação 25 de Abril
Júnior.TE
quarta-feira, 24 de abril de 2013
E Depois do Adeus (José Niza, José Calvário, Paulo de Carvalho)
"E Depois do Adeus" foi a canção que
serviu de primeira senha à revolução de 25 de Abril de 1974. Com letra de José
Niza e música de José Calvário, a canção foi escrita para ser interpretada por
Paulo de Carvalho na 12.ª edição do Festival RTP da Canção, do qual sairia
vencedora. Nessa qualidade, representaria Portugal em Brighton, a 6 de Abril,
no Festival Eurovisão da Canção 1974, terminando em último lugar, com apenas 3
pontos, ex aequo com as canções da Alemanha, Suíça e Noruega.
A questão das duas senhas do 25 de abril
Com a transmissão de "E Depois do Adeus",
pelos Emissores Associados de Lisboa às 22h55m do dia 24 de Abril de 1974, era
dada a ordem para as tropas se prepararem e estarem a postos. O efectivo sinal
de saída dos quartéis, posterior a este, seria a emissão, pela Rádio
Renascença, de "Grândola, Vila Morena" de Zeca Afonso.
A razão da escolha de "E Depois do Adeus"
é clara: não tendo conteúdo político e sendo uma música em voga na altura, não
levantaria suspeitas, podendo a revolução ser cancelada se os líderes do MFA
concluíssem que não havia condições efectivas para a sua realização. A
posterior radiodifusão, na emissora católica, de uma música claramente política
de um autor proscrito daria a certeza aos revoltosos de que já não havia volta
atrás, que a revolução era mesmo para arrancar.
O tema
Embora o título, em retrospectiva, pareça remeter
para o adeus ao regime do Estado Novo, a canção em si é uma balada sem conteúdo
político (ao contrário da vencedora do ano anterior). Nela, Paulo de Carvalho
põe-se no papel de um homem que se vê perante o fim de um relacionamento
amoroso. Ele diz à pessoa amada e compara-a a "uma flor que desfolhei",
implicando que a relação foi de curta duração. Ele também se refere ao amor,
cantando que "é ganhar ou perder".
terça-feira, 23 de abril de 2013
domingo, 21 de abril de 2013
sábado, 20 de abril de 2013
sexta-feira, 19 de abril de 2013
quinta-feira, 18 de abril de 2013
quarta-feira, 10 de abril de 2013
terça-feira, 9 de abril de 2013
Semana da Leitura 2013
Organizada pela Rede de Bibliotecas de Tavira que decorrerá de 15 a 20 de Abril.
A destacar a atuação da banda júnior ArtClub D.Paio, da EB2/3 Dom Paio Peres Correia (consultar programa detalhado).
Não faltes! Participa no evento! Vem apoiar a banda da tua escola.
A destacar a atuação da banda júnior ArtClub D.Paio, da EB2/3 Dom Paio Peres Correia (consultar programa detalhado).
Não faltes! Participa no evento! Vem apoiar a banda da tua escola.
segunda-feira, 8 de abril de 2013
quarta-feira, 20 de março de 2013
Equinócio da primavera 2013
Em 2013 o equinócio da primavera ocorre no dia 20 de março às 11h02m. Este
instante marca o início da primavera no hemisfério norte. Esta estação
prolonga-se por 92,79 dias até ao próximo solstício que ocorre no dia 21 de
junho às 06h04m. Os instantes estão referenciados à hora legal.
"Vai-te ao longo da costa
discorrendo,
e outra terra acharás de mais verdade,
lá quase junto
donde o Sol ardendo
iguala o dia e noite em
quantidade."
Lus.,II,63.
Primeiro dia de primavera
Na parte norte do mundo, 20 de março é o primeiro dia da primavera. Os ventos frios do inverno já se foram e as flores selvagens estão a começar a florescer. É hora de encontrar os calções da natação e sapatilhas para o futebol e planear viagens de verão. E ler ao ar livre…
No distante sul, atravessando o equador, o outono está prestes a chegar. Os dias mais quentes do verão já são passado. Cada dia é mais curto do que o anterior. Será logo hora de juntar as folhas e ir buscar as roupas quentes.
A razão para estas mudanças tem que ver com a viagem anual da Terra em torno do sol.
Durante parte do ano, o pólo norte da Terra aponta afastado do sol e parte do tempo em direcção a ele. É isto que dá origem às nossas estações. Quando o pólo norte aponta para o sol, os raios do sol batem na metade norte do mundo mais directamente. Isso significa que está mais quente e nós temos o verão. Mas quando o pólo norte está apontado em direcção ao sol, o pólo sul aponta afastado do sol. Assim a parte sul do equador da Terra recebe menos calor do sol e é inverno lá.
O dia mais longo acontece no meio do verão, a 21 ou 22 de junho, a norte do equador. Isso chama-se o solstício do verão. O dia mais curto está no meio do inverno, por volta de 21 ou 22 de dezembro, a norte do equador. Isso é chamado o solstício do inverno.
Mas mesmo entre o inverno e o verão, este ano a 20 de março, cada dia e noite
tem a duração de 12 horas. Isto é denominado de equinócio vernal. É o primeiro dia de primavera a norte do equador e o primeiro dia de outono na parte sul do mundo.
Entre o verão e o inverno há um outro equinócio, chamado equinócio outonal. Tal como o equinócio vernal, o dia e a noite têm a mesma duração. Só que esta mudança é o primeiro dia do outono a norte do equador e o começo da primavera para o sul.
Mas mesmo entre o inverno e o verão, este ano a 20 de março, cada dia e noite
tem a duração de 12 horas. Isto é denominado de equinócio vernal. É o primeiro dia de primavera a norte do equador e o primeiro dia de outono na parte sul do mundo.
Entre o verão e o inverno há um outro equinócio, chamado equinócio outonal. Tal como o equinócio vernal, o dia e a noite têm a mesma duração. Só que esta mudança é o primeiro dia do outono a norte do equador e o começo da primavera para o sul.
Palavras-chave:
Equinócio
O tempo em que a noite e o dia são de duração igual em todas as partes da Terra; instante em que o Sol, no seu movimento anual aparente, corta o equador celeste. A palavra de origem latina significa "noite igual ao dia", pois nestas datas dia e noite têm igual duração.
- Equinócio da primavera: o começo da primavera, chamado frequentemente de equinócio vernal. Vernal significa "da primavera." Ocorre a 20 ou 21 de março
- Equinócio outonal: o começo do outono. Ocorre a 22 ou 23 de setembro.
Solstício
A época do ano em que o sol alcança o mais distante norte ou o mais distante sul. A palavra solstício significa " sol ainda lá está".
- Solstício do verão: O dia do solstício do verão é o dia o mais longo do ano. É o começo do verão, a 21 ou 22 de junho.
- Solstício do inverno: O dia do solstício do Inverno é o dia o mais curto do ano. É o começo do Inverno, a 21 ou 22 de dezembro.
http://www.oal.ul.pt/index.php?link=destaque&id=239
http://becredompaiotavira.blogspot.pt/2012/03/equinocio-da-primavera-2012.html
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
À conquista do Pacífico
Apenas sei que me deparei com a sensação de um feliz despertar.
Edna St. Vincent Millay
Uma manhã, na Califórnia, raptei a minha sogra e escapei-me de Los Angeles pela autoestrada nº1 da Costa do Pacífico. Não sabia exatamente onde é que iríamos, mas sabia que ia levá-la até à praia. Tinha decidido que o que ela precisava era de mergulhar os dedos dos pés nas águas curativas do poderoso Pacífico.
A minha sogra estava disposta a colaborar no rapto. A sua disposição andava desesperadamente abatida com a perspetiva de ter que ser injetada com uma mistura tóxica de químicos, logo após aquele dia tão soalheiro. Uma vez que não sabíamos falar a língua uma da outra, tínhamos ambas conspirado para iludir a sua filha, com ajuda de Jamie, o meu sobrinho de onze anos, que fala farsi e inglês.
Escolhi um lugar solitário. A minha sogra precisava da paz e da tranquilidade da natureza, dos gritos das gaivotas, e do bater das ondas rebentando em azul e branco, não do barulho do trânsito, dos lamentos humanos e dos sons estéreis e metálicos do hospital.
Jamie consultou o mapa. Se nos mantivéssemos na autoestrada Nº1 da Costa do Pacífico, era certo que iríamos acabar por encontrar o tal lugar. E, assim que fizemos a curva depois da praia de Newport, lá estava ele! Subitamente, perante nós, o vasto oceano brilhava como uma forma metálica que esculpia a terra em forma de um crescente perfeito.
“Bah, bah,” murmurou a minha sogra, “Meu Deus, meu Deus.” A baía cintilante e deserta estendia-se mesmo a nossos pés. Dirigi-me ao estacionamento. “Crystal Cove State Park” dizia a tabuleta. Como que a abençoar o nosso dia de gazeta, uma borboleta esvoaçou para o tejadilho branco do carro e fez uma pausa para tomar fôlego, com as asas amarelas e azuis a ondularem na luz quente e intensa.
A face da minha sogra brilhava como a de uma menininha na manhã de Natal. Sorri com cumplicidade para Jamie, que soltou uma pequena gargalha. Há meses que não a víamos tão animada! Esperámos que a borboleta continuasse viagem, e depois tirámos a cadeira de rodas da mala do carro e ajudámos a minha sogra a sentar-se.
Afundando-nos em florinhas selvagens cor-de-rosa e lavanda, dirigimo-nos por um caminho íngreme e sinuoso escarpa abaixo para um sol intenso e retemperador. Uma vez chegados à praia, a cadeira de rodas começou a causar problemas, mas a minha sogra desatou a rir enquanto nós a sacudíamos por cima dos seixos cinzentos, tentando chegar à orla da água onde se viam algas secas e uma areia mais plana e húmida, recém-banhada pelas marés. Parámos junto a um monte de seixinhos, e Jamie deixou-se cair de costas em cima deles.
“Estas pedras estão tão quentinhas!” suspirou, relaxado que nem um gato. A minha sogra olhava fixamente o mar, e o meu coração sentia-se bem quente ao ver os reflexos dourados das ondas prateadas estampados no enorme sorriso da sua cara. “Bah, bah,” exclamou elapegando-me na mão. Sentámo-nos de mãos dadas durante bastante tempo, a olhar o oceano. E, embora eu tivesse sido criada em Inglaterra nas costas do gélido e belo Mar do Norte, o indomável Pacífico arrebatou-‑me totalmente o coração.
Quando a maré vazou, descobri algumas pocinhas. “Ei, Jamie!”
Tudo o que Jamie conseguiu proferir em resposta foi um grunhido.
“Alguma vez viste pocinhas de água?” perguntei.
Ele levantou-se num relâmpago. As criaturas marinhas fascinavam o meu sobrinho todo citadino. Apontei para as ilhas de algas castanho-esverdeadas.
“Ua-a-u-u!” gritou ele, saltando das pedras.
“Diz à tua avó que vamos apenas dar uma volta por aí.”
Jamie baixou-se ao lado da avó e explicou-lhe. Em resposta, ela afagou-lhe o cabelo encaracolado e negro.Caminhei pela praia, com a espuma das ondas a beijar-me os pés, até chegar junto às rochas.
“Espera,” gritou Jamie, saltitando num pé só, enquanto arrancava dos pés as enormes sapatilhas.
Voltei-me para dizer adeus à minha sogra, que me acenou também. Foi-me doloroso ver quanto esforço aquele simples movimento lhe tinha custado.
“Achas que a tua avó ia gostar de molhar os pés?” perguntei a Jamie.
“De quê?”
Estava dobrado como um gancho de cabelo sobre um amontoado de minúsculos caranguejos que fugiam da sua sombra para se esconderem debaixo de uma barreira de algas de cheiro intenso. Espreitou por cima do seu ombro bronzeado para a avó, uma pequenina senhora idosa embrulhada num xaile preto. Parecia tão débil! Com os olhos a brilhar, Jamie sorriu para mim.
Chapinhámos nas ondas, e depois subimos diretos à orla da praia. Antes ainda de Jamie ter acabado de lhe explicar, a minha sogra tinha desenrolado o xaile com impaciência e estava já a levantar os pés dos descansos da cadeira de rodas.Ajoelhei-me para lhe retirar os chinelos de tecido aveludado, e ela assentiu, radiante.
Jamie e eu amparámo-la até ela se sentir segura. Inspirou profundamente, fixou o horizonte distante, e logo mexeu um dos pés. O declive não tinha quaisquer consequências para Jamie e para mim, mas os dedos dos pés da minha sogra tateavam antes que se atrevesse a dar qualquer passo. Quase caiu por duas vezes, e eu arrependi-me da minha ideia quando vi o seu esforço em respirar. No entanto cerrou bem os dentes. Não conseguia vencer o cancro, mas podia e havia de fazer isto.
Assim que a espuma gelada inundou os seus pés, toda ela se emocionou. Jamie e eu conseguimos afastar-nos ligeiramente enquanto ela se mantinha ali, em pé, sozinha. De olhos fechados, virou a cabeça para o sol e inspirou profundamente. Quando os seus pulmões libertaram aquele ar purificado, soltou um suspiro de tanta satisfação que os meus olhos encheram-se de lágrimas.
Regressámos a LA. depois de escurecer, esgueirando-nos para o apartamento como três ratinhos atrevidos… A minha cunhada estava nervosíssima. Mas o que é que nos tinha passado pela cabeça?
A minha sogra, o Jamie e eu trocámos olhares cúmplices.
Sabíamos muito bem o que nos tinha passado pela cabeça.
Christine Watt
A Equipa Coordenadora do Clube das Histórias
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Concerto por Josué Nunes (Academia de Música de Tavira)
Academia de Música de Tavira
Música nas Igrejas
Ermida de Santa Ana
23 de Fevereiro - 18.00 h
Josué Nunes
Programa
Heitor Villa Lobos (1887-1959)
Prelúdio I
Prelúdio II
Choro nº1
Estudo nº 11
Isaac Albéniz (1860-1909)
Asturias
Rumores de La Calheta
Roland Dyens(1955- )
Saudade nº 1
Saudade nº 2
Saudade nº 3
Tango in Skai
Libra Sonatine
India
Largo
Fuoco
Heitor Villa Lobos (1887-1959)
Prelúdio I
Prelúdio II
Choro nº1
Estudo nº 11
Isaac Albéniz (1860-1909)
Asturias
Rumores de La Calheta
Roland Dyens(1955- )
Saudade nº 1
Saudade nº 2
Saudade nº 3
Tango in Skai
Libra Sonatine
India
Largo
Fuoco
Organização - Academia de Música de Tavira
Rua João Vaz Corte Real nº 20 8800-441 Tavira
Tele: 281322436
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Ensemble Portigaler (Academia de Música de Tavira - Música nas Igrejas)
Ermida de São Sebastião
16 de fevereiro de 2013
Ensemble Portigaler
O ensemble é constituído por um núcleo duro de
2 elementos: cravo e flautas. Conta neste programa com um convidado no canto.
Os elementos de Portigaler obtiveram formação
na Área de Música Antiga nos principais Conservatórios de Portugal e dos Países
Baixos e a todos une uma imensa energia e paixão pela práctica da música
historicamente informada ou dita Música Antiga, particularmente em todo o
trabalho de descoberta de ambientes de outros tempos.
Porquê "Portigaler"? Este nome
aparece como título de uma peça que pertence a uma das primeiras fontes de
música para tecla, o Buxheimer Orgelbuch. Este manuscrito do século XV foi
encontrado na cidade alemã Buxheim no século XIX. Sabe-se hoje que Conrad
Paumann (1410-1473), compositor famoso e autor de Fundamentum organisandi
incluído no Buxheimer Orgelbuch, tocou para Frederico III, imperador alemão
casado com D. Leonor, filha do rei D. Duarte I…
Seria então a peça "Portigaler", o
resultado desta inter-influência luso-alemã?
Programa
Jacopo de Bologna (1339-1386)
Fenice fu (madrigal)
in: Codex Squarcialupi
Anónimo
‘Puestos estan frente a frente’, 1629
In "Miscellanea do sitio de N. Sª. da Luz
(...)" by Miguel Leitão Andrade (1553-1630)
"Não Tragais Borzeguis Pretos", séc.
XVII
in: Bibliothèque de l’Ecole Supérieure des
Beaux-Arts em Paris
John Dowland
(1563-1626)
Come again, Sleep,
wayward thoughts, Fine knacks for ladies
John Dowland / Jan Pieterszoon Sweelinck (1562- 1621)
Flow my tears / Pavana
Lachrimae
William Byrd
(1543-1623)
The Seconde Pavian
& The Galliarde to the Seconde Pavian
In : My Ladye Nevells
Booke
Christoph Pepusch (1667 - 1752)
Recitativo - Aria - Recitativo – Aria
in: Cantata V,
Corydon, ‘Six English Cantatas’, 1710 for
flauto, voice and continuo
G.F. Handel (1685 – 1759)
Adagio-Andante-A tempo di menuet
in: Sonata em re minor, HWV 367a
Recitativo "He
was cut off out of the land of the living"
Aria "But thou didst
not leave His soul in Hell"
in: Messiah, HWV 56
Recitativo "Armida, dispietata"
Aria: "Lascia ch'Io pianga"
in: Rinaldo, HWV 7u
Organização - Academia de Música de Tavira
Rua João Vaz Corte Real nº 20 8800-441 Tavira
Telef: 281322436
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