quarta-feira, 10 de outubro de 2012

A aldeia das flores

O professor Miranda
A aldeia das Flores, apesar de não ser grande e de a maior parte das casas serem velhas, feitas em grandes pedras sobrepostas e enegrecidas pelo tempo, era muito conhecida.
Ninguém sabia explicar a razão da aldeia se chamar das Flores.
Talvez fosse por ter muitas árvores, umas velhas e já frondosas, outras novas e ainda pequenas, mas todas floridas na primavera, com flores de várias cores e vários tamanhos. Ou, quem sabe, por a maior parte das casas terem vaso s, às vezes, panelas de ferro já velhas, ao pé das portas e das janelas. Ninguém sabia explicar. Mas uma coisa era certa: desde sempre, do tempo das pessoas mais velhinhas, aquela terra de sol, mas também de muita neve, se chamou a aldeia das Flores.
A escola primária da aldeia ficava na Bouça das Giestas. A toda a volta havia canteiros para as flores. A rapaziada não se cansava de plantar bolbos, semear, mondar, regar. Tinham gosto em fazer aquele trabalho, não fossem habi tantes da terra das Flores! Quem ensinava na escola era a Da Maria, uma senhora um pouco gorda, que de ano para ano foi ficando mais idosa, lentamente, quase sem ninguém notar. Foram muitos os anos, mais de trinta, em que a Da Maria ensinou naquela escola. Uma escola velhinha, onde todas as carteiras eram remendadas.
Mas um dia, a senhora já de cabelos brancos como neve, anunciou com voz fraca:
— No próximo ano, já não serei a professora desta escola... Estou cansada, estou velha... O Estado deu-me a reforma...
E assim foi. Com uma lágrima, com muitas lágrimas, a Da Maria despediu-se daquela casa velha, com pouca luz, onde ensinara meninos durante mais de trinta anos.
Alguns desses meninos cresceram e já estão casados e com filhos. A Da Maria costumava dizer, quando os seus alunos lhe iam mostrar um bebé agarrado à chupeta:
— Ai, estou velha!...
— Não diga isso, Da Maria!
Mas ela bem sabia que lhe diziam aquelas palavras para serem amáveis. Sentia-se envelhecer. Foi a Da Maria para sua casa. Toda a gente dizia que era difícil haver uma professora tão amiga dos alunos e perguntavam:
— Como será a nova professora? Como será ela?...
Mas ninguém sabia explicar.
♥♥♥♥
Foi num domingo à tarde. Era o primeiro dia de setembro.
As pessoas reuniam-se no Largo da aldeia, sentadas nas pedras que por lá havia espalhadas. As mulheres remendavam roupas, os homens fumavam e falavam do tempo e das colheitas. As crianças jogavam à macaca, ao rou-rou:
Rou-rou
galinha choca
já'cordou
quantos ovos ela pôs
como o diabo levou!
um... dois... três...
E contavam até vinte. Enquanto um dizia "rou-rou", os outros meninos escondiam-se. ...dezanove... vinte!... Rou-rou, já VOUUUUUU! Só o senhor Jerónimo, o marido da Da Maria, fumava cachimbo e lia o jornal, muito atento. Quando era notícia importante lia-a em voz alta, vagarosamente, pa ra que todos pudessem perceber.
Naquela tarde de setembro, o senhor Jerónimo disse:
— Ouçam, ouçam! Escutem o que vem aqui, no jornal:
A VILA TEM MAIS UMA FÁBRICA. ABRE BREVEMENTE
— A Vila?
— Sim, respondeu o senhor Jerónimo, ora escutem! — E leu: "A Vila tem mais uma fábrica.
Pouco tempo falta para a Vila acordar com mais uma chaminé a deitar fumo. O senhor Presidente da Câmara da Vila disse ao nosso jornal:
— "Queremos que a Vila seja cada vez mais uma terra de progresso, uma terra civilizada, para o bem de todos nós."
O senhor Presidente pensa que a fábrica abre muito em breve. Afirmou:
— "Só faltam os esgotos. Mas amanhã mesmo começar-se-á a abertura duma rota que levará esses esgotas para o rio das Flores, junto à aldeia das Flores".
—Mas isso é formidável! A Vila fica bem pertinho da nossa aldeia!
— Que engraçado! O jornal fala do nosso rio...
E outros comentários as pessoas fizeram, uns, na esperança de arranjar trabalho, outros, por gostarem de ver o nome da Vila, da aldeia das Flores e do rio, naquele jornal de muitas notícias. Estavam bastante animados quando, no Largo da aldeia, apareceu um carro de aluguer. Dentro do carro, além do senhor Zé— o motorista — vinha um senhor que ninguém conheceu. Tinha barbas compridas e usava óculos.
Evidentemente que a conversa acabou, as pessoas ficaram caladas, tentando reconhecer aquele sujeito que tinha saído do carro e ajudava o senhor Zé a tirar as malas. Viram-no pagar. Certamente deu uma gorjeta, porque o senhor Zé começou a rir, agradeceu muito, meteu-se no carro, acelerou e em breves instantes desapareceu. Com as malas na mão, e eram muitas, o senhor passou as mãos pelas barbas e dirigiu-se ao grupo ali reunido:
— Boa-tarde. É aqui a aldeia das Flores, não é verdade?
— É sim. — Adiantou-se o senhor Jerónimo.
— Bem, é que eu sou o novo professor da escola desta terra...
Todos, mas todos ao mesmo tempo, deram um salto.
— Sou sim. Chamo-me Miranda, professor Miranda.
Depois foi uma grande confusão para arranjar um quarto para o novo professor...
— Sabe, senhor professor, aqui não há quartos. O melhor é ir alugar um na Vila. Consta que lá há. E dos bons!...
— Obrigado. Mas, se fosse possível, eu gostaria de ficar nesta aldeia...
— E quem terá um quarto?
— Eu não! Ainda precisava de mais dois...
— Tenho uma ideia, disse o senhor Jerónimo, vamos falar com a senhora Juliana e o Ti Carvalheira. Talvez aluguem aquela casinha pintada de azul que tem um quarto e uma sala pequena.
— E até tem luz elétrica! lembrou uma velhinha.
A senhora Juliana e o Ti Carvalheira aceitaram a proposta.
— Porque não?! Se o senhor professor quer ficar ao pé de nós, cá o receberemos com muito gosto!
Os rapazes pararam as brincadeiras e ajudaram a levar as malas.
Mais tarde veio uma camioneta de carga com muitos caixotes e embrulhos para o professor Miranda. Alguns eram pesados e foram os homens que pegaram neles às costas. "Que irá aqui dentro, que pesa mais que ferro?!...", perguntaram os homens para os seus botões. Os meninos e as meninas correram a avisar os companheiros que não estavam no Largo. Alguns andavam com as cabras e as ovelhas no pasto.
— Ei, ei! Temos um professor novo!
— Um professor?!... Uma professora!
— Não, um professor, até tem barbas compridas. UM PRO-FE-SSOR!
—É novo?
— Claro que é. E tem uns óculos grandes. Vocês hão de ver!...
♥♥♥♥
No primeiro dia de aulas, muito antes da hora, lá estavam os alunos, curiosos por ouvir o novo professor, que também apareceu bem cedo. Contou uma história com tantas aventuras como nunca tinham ouvido! Foi uma maravilha! A Da Maria era uma boa senhora, ensinava aquelas coisas da escola, mas o professor Miranda sabia contar histórias! A rapaziada ficou contente e, daí em diante, todos os dias vinham em grandes correrias, a ver quem chegava primeiro à escola.
As pessoas da aldeia das Flores comentavam:
— Quem diria que era tão amigo das crianças?!...
— E dizem que sabe contar cada história mais bonita!!!...
— E fazem passeios, recolhem tudo que podem. Até pedras levam para a escola!...
— Pedras?!... Para quê?
— O meu Chico diz que é para fazerem experiências, jogos, eu sei lá!
— No nosso tempo não era assim...
— Os tempos são outros... Você já reparou na sala da escola, já espreitou lá para dentro?
— Eu não!
— Então vá lá, e veja como aquela sala está mudada! Têm desenhos e pinturas a cobrir as paredes, flores por todo o lado eu sei lá quantas coisas mais!...
— Olhe que um dia hei de passar por lá!
—Ó comadre, você já reparou?
— O quê?
— Olhe, uma noite fui com o meu marido, o Joaquim, levar uma saca de milho ao moinho...
— Sim.
— Era quase meia-noite quando saímos de casa, toda a gente dormia...
— Pois. Temos de nos deitar cedo, cansados como andamos. Noutras terras há cinemas e televisão para as pessoas se divertirem. Mas nós aqui, nesta aldeia, nã o temos nada...
— Escute comadre! Só havia uma única luz acesa. E sabe onde?... Em casa do senhor professor Miranda!...
— E então?!
— Então?!... Quando viemos do moinho, ainda a luz estava acesa!
— Lá se esqueceu de apagar a luz...
— Qual quê! Ao outro dia, quando o sino grande da torre da igreja bateu duas horas da manhã, eu disse: "Joaquim, vamos ver se a luz do quarto do senhor professor está acesa?"
Fomos espreitar e lá estava o quarto todo iluminado! E a noite seguinte a mesma coisa. E na outra. E na outra.
— Porque será? Porque será?'
Os meninos que andavam por perto ficaram entusiasmados com aquilo que ouviram.
— Porque será que o professor fica com a luz acesa?
— Sei lá! Se calhar esquece-se de a apagar...
— Não pode ser! Tu nunca reparaste que ele, antes de sair da escola, vai sempre ver se fica tudo arrumado?
— Lá isso é. Então porque será?!...
— E se um de nós lhe perguntasse?
— Boa ideia!
♥♥♥♥
Uma tarde, depois de tudo estar arrumado, o Tónio, antes que o professor desse as aulas por terminadas, perguntou;
— Senhor professor, há um mistério que ainda ninguém conseguiu descobrir!
Tinha o Tónio acabado de falar, quando se fez um grande silêncio. Podia-se ouvir uma mosca a voar.
— Mistério?! -perguntou o professor.
— Sim — respondeu o Tónio — Todas as pessoas da aldeia cismam por que razão o senhor professor fica com a luz acesa até quase ser dia...
O professor passou a mão pelo cabelo branco e sorriu:
— Ai sim!
— Pois é...
— Acho que podes descobrir esse mistério se quiseres visitar o meu quarto. Quando te apetecer aparece por lá!
Já os meninos regressavam a suas casas e o Tónio a matutar: "Que haverá no quarto do professor?!..." E diziam-lhe os colegas:
— Então Tónio, quando é que lá vais?
— Se fosse eu, ia lá hoje mesmo!
— Havia de abrir bem os olhos e descobrir esse mistério!
— Se tu descobrires avisa a gente!
A solução estava no quarto. E o que estaria no quarto?
Nesse dia, quando a noite veio, por sinal uma linda noite, com uma grande lua, o Tónio comeu o caldo à pressa, poisou a malga e disse:
— Mãe, eu vou falar com o senhor professor.
A mãe ficou admirada.
—Ó filho, é noite, amanhã tens tempo...
O Tónio mentiu:
— Mas o senhor professor disse para eu lá ir hoje mesmo!
— Não te esqueças de limpar as chancas antes de entrares — recomendou a mãe.
Numa grande corrida, as chancas que trazia calçadas a fazerem barulho nas pedras, o Tónio atravessou a rua estreita e daí a momentos parou à porta do professor. A luz estava acesa. Puxou o lenço do bolso e limpou o nariz. Bateu à porta.
Ouviu passos. A porta abriu-se. O professor Miranda apare­ceu.
— Olá, és tu! Entra, entra...
Quando chegaram ao quarto o Tónio arregalou os olhos. Tanta coisa bonita! Nas paredes, pinturas de paisagens, meninos e cavalos. O que ele mais admirou, foi um quadro de um barco de velas brancas a navegar no azul do mar. O Tónio nunca tinha visto o mar. Encostado às paredes, estantes repletas de livros. Livros de muitas formas e feitios. Havia‑os também espalhados pelo chão. Numa mesa que servia de secretária, uma máquina de escrever e muitas folhas dispersas.
Nunca tinha visto tanto livro! E quadros bonitos!
O professor sorria.
— Então, rapaz?!...
Mas o Tónio não disse nada. O professor perguntou:
— Já descobriste?
— O quê, senhor professor!?
— O tal "mistério"...
— Ah! Eu... eu...
— Não?! Então vou tentar ajudar-te! Eu gosto muito de ler e escrever. Ora, como sóà noite é que tenho tempo...
— Põe-se a ler...
— Claro — continuou o professor Miranda — de noite, quando não há praticamente barulho, fico aqui entregue aos meus livros, lendo ou escrevendo...
— E o senhor professor escreve todas as noites?
— Sim, quase todas.
— E porquê?... Tem assim tanta coisa para contar todos os dias?!
— Tenho!
— Escreve cartas?
— Poucas. Não é isso que escrevo.
— Então?!... — Tónio estava intrigado.
— Escrevo!...
— Redações?
Mas o professor disse que escrevia histórias.
— Histórias?! Então aquelas...
— Estás a pensar bem. Aquelas histórias que vos conto na escola, sou eu quem as invento e escrevo.
— Ah! É por isso que fica toda a noite com a luz acesa!...
— Ora vês! Já descobriste o "mistério" da luz acesa no meu quarto!
O Tónio riu-se. Depois o professor Miranda dirigiu-se a uma das estantes.
— Olha, disse o professor, vês aqui estes livros?
— Vejo!
— Os que estão neste cantinho, fui eu que os escrevi.
— A sério?! O senhor... o senhor é um escritor? — perguntou o Tónio embasbacado.
— Porque estás tão espantado? Como imaginavas tu um escritor?
— Sei lá. Eu pensava que um escritor era assim um homem muito alto, muito sério, sempre fechado num quarto, a escrever, a escrever.
Tónio sentia-se viajar sobre as nuvens. Nunca poderia imaginar que o professor Miranda escrevesse livros. Porque ele nem era muito alto e falava com todas as pessoas da aldeia. Também não estava fechado no quarto. Era afinal uma pessoa igual às outras. E ele a pensar que os escritores viviam nas grandes cidades, e afinal, à beira dele, estava um escritor!
Lembrou-se de fazer uma pergunta:
— Senhor professor, um livro custa muito a fazer?
— Claro, tudo demora o seu tempo. Há muito trabalho a fazer. Olha, escrever uma história é quase como pegar num arado. Neste caso é a caneta. Escrever é lavrar um campo que não está cultivado. Lavra-se, grada-se, semeia-se, sacha-se, arrenda-se, rega-se. E lentamente a história vai ficando com forma, vai crescendo, amadurecendo. Num campo, depois do milho estar maduro, é que se corta e se recolhe.
Assim é uma história: ao fim de muito tempo e de muita canseira é que está terminada. Depois, vai para a tipografia, para as máquinas de impressão. E, finalmente, aparece o livro.
— Nunca tinha pensado nisso, senhor professor!
Então o professor perguntou:
— Queres levar um livro para leres?
— Quero.
O professar entregou-lhe um livrinho.
— Lê-o Tónio, fui eu que o escrevi.
O Tónio veio com o livro apertado ao peito, radiante. E só perto de casa é que se lembrou que não tinha agradecido ao professor. Quando entrou na cozinha, a mãe, que estava a fiar lã, ao vê-lo, ficou aflita:
— Que tens filho?
— Não tenho nada, minha mãe!
Mas a mãe conhecia muito bem o filho. Sentia que tinha havido qualquer coisa que o impressionara.
— Que foi? Que te aconteceu?
Então ele disse:
— Ai minha mãe, se visse tantos livros como eu vi no quarto do professor!... E sabe? Foi ele quem escreveu este que trago aqui! Emprestou-mo!
Como a mãe não sabia ler, o Tónio abriu o livrinho na primeira página e começou a ler em voz alta:
— Era uma vez... — O menino deu um salto no banco em que estava sentado: — Mas nós já conhecemos esta história. Não se lembra de eu lha ter contado?
— Sim, sim — disse a mãe, que nunca parava de fiar — mas lê-a, que é muito bonita.
O Tónio leu naquela noite as histórias todas.
A mãe a ouvir, ambos maravilhados.
Mas na casa do Tónio não havia luz elétrica. 
Apenas um candeeiro a petróleo alumiava o pequeno quarto.
A candeia ficou sem petróleo. 
A luz começou a tremelicar.
A mãe disse:
— Filho, vamos dormir. A luz está a acabar...
António Mota
A Aldeia das Flores
Porto, Edições Asa, 1999
 
A Equipa Coordenadora do Clube das Histórias

Livro do Mês - Outubro 2012 - "Perigo Vegetal" (Ramón Caribe)

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

As mulheres do pátio

         — Esta corda ser minha! — grita a Jugoslava. — Eu há mais tempo na casa!
— Tu a mentir! — grita a Turca. — Senhorio disse corda para todos!
As duas mulheres chegaram ao pátio com os cestos cheios de roupa para estender. Agora discutem sobre quem fica com as cordas de plástico esticadas ao longo do pátio. A Jugoslava não sabe turco, a Turca não sabe falar jugoslavo. Por isso é em alemão que têm de falar uma com a outra, a língua do país onde vivem.
— Tu má! Eu três filhos! Muito sujo!
— Tu rainha aqui? Tu nada rainha! Corda aqui para todos!
— O teu homem prega gancho ali, no outro canto! Tu compra a corda para ti, percebido?
— Não, não! Não tenho dinheiro para nova corda! E tu não dar ordens aqui!
Estão de pé em frente dos cestos gritando uma com a outra. As pessoas das casas vizinhas já há muito que sabem por que motivo as duas mulheres se zangam. Mesmo assim, ainda há quem corra à janela a ver como é que a discussão desta vez vai acabar. Às vezes há quem ainda grite: "Silêncio aí em baixo!" ou "Pendurem a roupa em vossas casas!" De vez em quando, uma janela fecha-se com força, alguém ri do alemão cómico das mulheres do pátio.
— Vocês deixam que isto aconteça? Uma confusão destas num domingo? — pergunta o Sr. Stachel, de visita, com a mulher, em casa de Lotti e Karl Waldmeister.
O Sr. Waldmeister fecha o guarda-sol e encosta-o a um canto da varanda.
— Bom, vamos antes tomar o café dentro de casa, peço desculpa.
A Sr.ª Waldmeister encolhe os ombros.
— Logo vi que isto ia acontecer.
— Muito desagradável! — diz a Sr.ª Stachel.
— Não há forma de se acabar com isto — diz o Sr. Waldmeister.
Mas ele sabe muito bem como pode mudar a situação. Já pensa nisso há muito tempo.
No quarto de banho estão duas máquinas de secar roupa. Só uma é utilizada mas a segunda também podia passar a servir. O Sr. Waldmeister pensa ainda na terceira grande máquina, a ganhar pó no sótão, que lhes fora oferecida pela vizinha, quando se mudara para um lar de idosos. "Sabes que mais, Lotti?" podia dizer à sua mulher. "É muito simples: colocamos a máquina de secar no pátio e acabamos com a discussão de uma vez por todas!"
Não o diz porque talvez Lotti não ache a ideia boa. Se calhar responderia: "Oferecer alguma coisa a quem está sempre a incomodar-nos?"
A Sr.ª Waldmeister corta o bolo e abafa um suspiro. Ela teria uma solução. Já anda com esta ideia há bastante tempo.
"Sabes que mais, Karl?" podia dizer ao marido. "Por que é que não colocamos a terceira máquina de secar roupa lá em baixo, no pátio?" Não o diz, porque Karl não levaria a ideia a sério. Se calhar responderia: "Nem pensar! Elas que tratem de comprar uma máquina de secar roupa o mais rápido possível!"
O Sr. Waldmeister fecha a porta da varanda e liga a ventoinha.
As mulheres continuam a discutir no pátio.
— No vosso lugar, chamava a polícia — diz o Sr. Stachel.
— Bem, se isto continuar assim — diz o Sr. Waldmeister — um dia não vamos ter outra solução.
A Sr.ª Waldmeister tira do frigorífico a taça a transbordar de natas e pousa-a em cima da mesa.
— Sirvam-se à vontade. Há que chegue.
A voz treme-lhe um pouco, mas ninguém nota.
Temos tudo que chegue. Bolo que chegue. Natas que cheguem. E uma máquina de secar a mais.
Os Waldmeister têm tudo o que precisam.
Só coragem é que têm muito pouca.
Vera Ferra-Mikura
Frieden fängt zu Hause an
Jutta Modler (org.)
Munique, DTV, 1989
(Tradução e adaptação)
 
A Equipa Coordenadora do Clube das Histórias

Mensagem conjunta por ocasião do Dia Mundial do Professor (UNESCO, UNICEF)

 

Proclamação da República Portuguesa – 5 de Outubro de 1910

A 21 de Setembro de 1910 a imprensa do Rio de Janeiro, publica uma extensa entrevista a Magalhães Lima feita em Paris. Entre outras declarações, o conhecido Republicano afirma que “…a Monarquia está irremediavelmente perdida, a República Portuguesa será em breve um facto, mesmo que os Republicanos a não proclamassem ela seria, apesar de tudo, proclamada pela fatalidade das circunstâncias e pela lógica dos acontecimentos.”
 
3 De Outubro de 1910 – O Dr. Miguel Bombarda é assassinado por um seu antigo doente, quando se encontrava no seu gabinete, no Hospital de Rilhafoles. O agressor é o tenente do exército Aparício Rebelo.
Perdem assim os Republicanos um dos seus mais prestigiosos dirigentes.
 
Nesse mesmo dia às 20 horas – o Almirante Cândido dos Reis, Afonso Costa, José Relvas, João Chagas, António José de Almeida, Eusébio Leão entre outros Republicanos reúnem-se em casa da mãe de Inocêncio Camacho, na Rua da Esperança 106,3º. Fica combinado, de acordo com planos já estabelecidos que a revolução começaria à 1 hora da madrugada com uma salva de 31 tiros disparados de navios de guerra surtos no Tejo.
 
4 De Outubro de 1910 – 1 Hora e 20 – soam tiros, não eram 31, instala-se o pânico entre os revolucionários. O quartel de marinheiros em Alcântara que estava previsto revoltar-se está cercado por Infantaria1, Cavalaria4 e Caçadores2.

 
 Estão na rua 3000 homens fiéis à Monarquia com as baterias a cavalo


O Comissário Naval, Machado Santos, com praças do Infantaria16 de Campo de Ourique, ataca o Quartel de Artilharia1
 

O Capitão Sá Cardoso, com um pelotão de Infantaria16 parte para atacar o Palácio das Necessidades


Machado Santos, com outra força de Infantaria16 ataca a esquadra de polícia no Largo do Rato e arma civis
 
Às 5 horas, Machado Santos comanda as forças revoltosas, que descem a Avenida em direcção ao Rossio, são bombardeados, retrocedem para a Rotunda e fecham as entradas para as Avenidas Fontes e Duque de Loulé.
 
Pelas 9 horas, Machado Santos só dispõe de 8 peças de artilharia. Comanda 9 sargentos e 200 homens, mas civis armados acorrem à Rotunda para os auxiliar.
 
Às 12:30 horas, as forças leais à Monarquia comandadas pelo capitão Paiva Couceiro, fustigam duramente a Rotunda com as baterias de Queluz.
 
Às 14 horas, os cruzadores S. Rafael e Adamastor bombardeiam o Palácio das Necessidades. O Governo pede ao Rei que se retire para Mafra. O Rei obedece e parte com o Conde de Sabugosa e o Marquês do Faial.
 
5 De Outubro de 1910 – 6 horas – Fogo dos revoltosos contra as forças do Rossio. De Queluz, as baterias de Couceiro atacam e começam a desembarcar os marinheiros dos navios de guerra estacionados no Tejo.
 
Às 11 Horas, José Relvas, acompanhado por outros revolucionários, proclama a República de uma janela da Câmara Municipal de Lisboa.
 
No Porto, Dr. Nunes da Ponte, lê na varanda central dos Paços do Concelho o texto da proclamação e declara “perpetuamente abolida a Dinastia de Bragança”.
 
Segundo o suplemento do Diário do Governo nº 222, fica assim constituído o 1º Governo Provisório:
Presidente – Dr. Joaquim Theophilo Braga
Ministro do Interior – Dr. António José Almeida
Ministro da Justiça – Dr. Affonso Costa
Ministro da Fazenda – Basílio Teles
Ministro da Guerra – António Xavier Correia Barreto
Ministro da Marinha – Amaro Justiniano de Azevedo Gomes
Ministro do Estrangeiro – Dr. Bernardino Luís Machado Guimarães
Ministro das Obras Públicas – Dr. António Luís Gomes
 
A Família Real parte para o exílio, embarca no Iate Amélia com destino a Gibraltar.
O Governo Britânico disponibiliza o Iate Real Victoria And Albert para conduzir o Rei, a Rainha D. Amélia e o Infante D. Afonso para Inglaterra. A Rainha D. Maria Pia será conduzida, de Gibraltar para Itália, a bordo de um navio Italiano.
 
O movimento revolucionário de 5 de Outubro de 1910 deu-se em natural sequência da acção doutrinária e política que, desde a criação do Partido Republicano, em 1876, vinha sendo desenvolvida.
O rápido sucesso deste movimento que instaurou a República deve-se, em grande parte, à colaboração da Carbonária, sociedade secreta que actuava ligada à Maçonaria.
 
Machado Santos era membro dirigente da Alta Venda, um dos mais importantes centros da Carbonária, parte dele o aliciamento de muitos revolucionários entre praças, sargentos, marinheiros, operários, estudantes, populares em geral.
 
Aumentando contraposição entre a República e a Monarquia, a propaganda republicana fora sabendo tirar partido de alguns factos históricos de repercussão popular: as comemorações do terceiro centenário da morte de Camões, em 1880, e o Ultimatum inglês, em 1890, fora aproveitados pelos defensores das doutrinas republicanas que se identificaram com os sentimentos nacionais e aspirações populares.
 
Após o 5 de Outubro foi substituída a bandeira portuguesa. As cores verde e vermelho significam, respectivamente, a esperança e o sangue dos heróis. A esfera armilar simboliza os Descobrimentos, os sete castelos representam os primeiros castelos conquistados por D. Afonso Henriques, as cinco quinas significam os cinco reis mouros vencidos por este Rei e, finalmente, os cinco pontos em cada uma, as cinco chagas de Cristo. O hino A Portuguesa, composto por Alfredo Keil, com texto de Henrique de Mendonça, tornou-se o hino nacional.
 
Fonte
 
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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Quem sabe é o jardineiro


A propósito do Dia Mundial do Animal, dia 4 de Outubro
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Era uma vez um rei que tinha, à roda do palácio, onde vivia, um enorme pomar muito bem tratado. Imensos jardineiros cuidavam desse pomar, que era a vaidade do rei.
Árvores de fruto de todas as espécies, algumas vindas de terras distantes, transformavam, na Primavera, o pomar num jardim magnífico, onde sobressaíam o cor-de-rosa, o azul, o branco e o amarelo das flores, sobre o verde fresco das folhas.
E, quando os frutos começavam a ganhar forma, o perfume que inundava o pomar quase entontecia.
Estava, um dia, o rei a mostrar o pomar a uns primos, príncipes de reinos vizinhos, quando viu, caídos de um pessegueiro uns tantos frutos meio apodrecidos.
Mandou logo chamar o chefe dos jardineiros e perguntou-lhe, muito irritado:
— Explique-me este desleixo. Quem é o responsável?
— Foram os pássaros, Majestade, que bicaram os frutos mais apetitosos — explicou o jardineiro.
— Pássaros? — exclamou o rei. — Como se atrevem a entrar nos meus domínios e a bicar as minhas riquezas?
— Os pássaros têm asas e não conhecem muros — respondeu o jardineiro.
— Pois vou eu ensiná-los — indignou-se o rei.
— Que podem os pássaros contra mim?
E o rei foi para o palácio, onde ditou um decreto para ser espalhado pelo reino, em que mandava matar todos os pássaros, passarinhos e passarocos, sem escapar um. As ordens do rei tinham de se cumprir. Foi uma mortandade.
No ano seguinte, realmente, já não havia pássaros atrevidos a bicar nos frutos do pomar real. Mas, em contrapartida, uma praga aflitiva de lagartas e insectos destruiu as colheitas, minou os frutos, empobreceu o reino.
— Como se explica isto? — perguntou o rei ao jardineiro. — Depois de guerrearmos os pássaros, temos agora de guerrear os mosquitos e as lagartas. Como se dá batalha às lagartas?
Sorrindo, o velho jardineiro respondeu:
— Para guerrear as lagartas, temos de nos aliar aos pássaros. São eles que as comem, mais às larvas e a todos os bichinhos miúdos da natureza.
— Podias ter explicado isso mais cedo — comentou o rei, fazendo-se esquecido.
Logo ali mandou anular o decreto, que tinha apagado as asas dos céus do reino. Os pássaros já podiam, de novo, voar livremente. E poisar onde lhes apetecesse.
Assim é que estava certo.
António Torrado
 
A Equipa Coordenadora do Clube das Histórias

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Dia Mundial do Professor - 5 de Outubro



No dia 5 de outubro comemora-se o Dia Mundial do Professor.
A comemoração deste dia é uma iniciativa da UNESCO assumida desde 1994. Pretende-se desta forma chamar a atenção do público para o papel dos professores em todo o mundo, bem como para a importância do papel crucial que desempenham na sociedade. A escolha deste dia prende-se com a data em que foi publicado o Estatuto do Professor (em 1966), um documento que brindou os professores com um instrumento que define as suas responsabilidades e os seus direitos. Ao adoptar esta Recomendação, os governos reconhecem a importância de em cada sociedade existirem professores competentes, qualificados e motivados. A comunidade internacional entende, pois, que o reconhecimento e a apreciação do Professor são não apenas muito positivos como necessários.
 
Os professores são o pilar de boas escolas e boas escolas são a base do futuro. Os professores são a chave para alcançar as metas da Educação para todos. As mais recentes estimativas dizem-nos que são precisos mais de 1,7 milhões de professores para alcançar os objetivos da educação primária universal até 2015, em todo o mundo. Há ainda muito trabalho a fazer no sentido de continuar a melhorar a qualidade do ensino e da aprendizagem. Aos professores cabe a enorme responsabilidade de dotar todos os alunos das competências adequadas aos desafios do futuro. Mas, cabe também à sociedade, em geral, dar um importante contributo valorizando e dignificando o trabalho docente.
 
Segundo as recomendações das Nações nas celebrações do Dia do Professor 2004, ao comemorar este dia estamos a dizer aos professores “Apreciamo-vos. Valorizamos terem escolhido esta profissão, tão fundamental para a nossa sociedade, e o facto de a continuarem a exercer, mesmo fazendo faces aos novos desafios dos nossos dias; valorizamos as vossas iniciativas quando abrem caminhos de conhecimento e tolerância; temos consciência que a vossa profissão exige muito e vós e acarreta muitas responsabilidades; sabemos que é fundamental que tenham formação apropriada e um ambiente de trabalho decente; consideramos os esforços adicionais que fazem também os professores com alunos que têm necessidades educativas especiais; reconhecemos a vossa capacidade para ouvir os alunos, chamá-los às responsabilidades. Em suma, aconselhamos todos os alunos, encarregados de educação, líderes locais e nacionais, empresas, instituições, governos, a dizer apenas neste próximo dia 5: Nós apreciamos-te, Professor”.
 
Este ano, a celebração do Dia Mundial do Professor assumiu o lema “ Apoia os teus professores”.
Para o feito, vão ser distribuídos milhares de balões acompanhados de um cartão com a mensagem “Apoia o teu professor”. As ações distribuem-se por várias escolas do país e, em alguns casos, serão acompanhadas de pequenas palestras com os alunos.
 
Para celebrar Dia Mundial do Professor, UNESCO lança no Youtube campanha de vídeos. Os três melhores vídeos enviados para a campanha “Professor, você tem uma nova mensagem!”, promovida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), serão publicados no dia 15 de outubro no site da agência, em homenagem ao Dia Mundial do Professor (05/10) e ao Dia do Professor no Brasil (15/10). Para participar, basta gravar um vídeo de até 30 segundos, publicar no Youtube e enviar o link até 8 de outubro.
 
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Leitor do Mês - Setembro 2012

Uma nota de sabedoria


Ninguém sabe dizer o que aconteceu com Kákua, depois que ele deixou o Palácio Imperial.
Diz a história que Kákua foi o primeiro japonês que estudou Budismo Zen na China.
Nunca viajou; meditava apenas.
Sempre que o encontravam, pediam-lhe que saísse a pregar.
Mas ele dizia meia dúzia de palavras e desaparecia para outro ponto da floresta, tornando-se mais difícil encontrá-lo.
Um dia, tendo voltado ao Japão, o Imperador pediu-lhe que pregasse o Budismo Zen a ele próprio e a toda a sua corte.
Kákua ficou de pé, muito calado, diante do Imperador, depois de ouvi-lo; tirou das dobras do seu manto uma flauta que ali tinha escondida e soprou nela apenas uma nota.
Inclinou-se, depois, profundamente, em saudação ao Imperador e foi-se embora.
 
Eis o que diz Confúcio: "Não ensinar um homem já maduro é desperdiçar o homem. Ensinar um homem ainda não maduro é desperdiçar palavras."
Anthony de Mello
O canto do pássaro
Lisboa, Ed. Paulinas, 1998
 
A Equipa Coordenadora do Clube das Histórias
 

Concerto Comentado


 


Música nas Igrejas
Ermida de Santa Ana
6 de Outubro 2012, às 18:00 h
 
Josué Nunes - Guitarra
 
Heitor Villa Lobos(1887-1959)
Cinco Prelúdios
Prelúdio nº 1 in E Minor                
Prelúdio nº 2 in E Major               
Prelúdio nº 3 in A Minor                
Prelúdio nº 4 in E Minor                
Prelúdio nº 5 in D Major     
 
Choro Gavotte          
Choro nº 1
Estudo nº 11                                         
 
Enrique Granados(1867-1916)
Vals Poetics
              
Roland Dyens(1955-  )
Três Saudades
Saudade nº 1                     
Saudade nº 2                     
Saudade nº 3                       
 
Isaac Albéniz(1860- 1909)
Astúrias
 
Josué Nunes nasceu em Tavira a 2 de Setembro de 1974, realizou os seus primeiros estudos musicais no Conservatório Regional do Algarve Maria Campina e concluiu a licenciatura na Escola Superior de Música de Lisboa sob orientação de Piñero Nagy.
 
Actualmente frequenta o 2º ano do mestrado no Instituto Piaget.Participou em diversas Master-Classes (cursos de aperfeiçoamento) com guitarristas como Dejan Ivanovik, António Jorge Gonçalves, Darko Pedrinjak, Robert Brightmore e Hubert Kappel.
 
Tem-se apresentado a solo e em variadas formações de música de câmara nas mais diversas salas por todo o país, tais como o Conservatório de Tomar Canto Firme, o 1º Festival de Música Erudita de Tavira e ainda no conservatório de Viena de Áustria, entre outros.
 
Foi solista convidado em Festivais Internacionais de Guitarra como o 1º Festival de Música Erúdita de Tavira, 6º Festival Internacional de Guitarra S. Filipe Néri, Bolonha – Itália e o Festival Med (edição 2011).
 
É-lhe dedicado em 2009 a obra "Ponte dos Lamentos" pelo compositor André Santos.
 
Organização - Academia de Música de Tavira
Rua João Vaz Corte Real nº 20 8800-441 Tavira
Tele: 281322436

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Dia Mundial da Música – 1 de Outubro



"Porque a Música penetra mais fundo na alma humana."
Platão (Atenas, 428/427 – Atenas, 348/347 a.C.)

2 Milhões de história humana desenvolveram olhos com pálpebras, mas ouvidos sempre abertos. É o primeiro dos sentidos que desenvolvemos, pois ao 3.º mês de concepção já o bebé tem o seu aparelho auditivo acabado. É pelos ouvidos que tomamos o primeiro contacto com o mundo exterior, e é pelos ouvidos que se conhecem pai e mãe com as vozes que inundam o caldo do ventre materno. A poesia dos sons embala-nos desde o berço, amniótico ou de palhinha, seja por caixas de música electrónicas, ou pela voz emocionada de mães e avós.

Não importa procurar definir o que é, porque para cada um de nós a Música é sempre alguma coisa. Diferente dum esquimó para um filarmónico português, é certo, mas permitindo a comunicação entre cristãos e muçulmanos, africanos e americanos, profissionais e amadores, crianças e avós. Mesmo em povos para os quais não existe a palavra Música, e são muitos, tal é o lugar indissociável que tem nas funções que lhes dão o nome, estrutura muitos dos rituais comunitários e atravessa todo o sistema educativo. Porquê educar pela e com a Música? Platão, muito antes de qualquer técnica de marketing ou investigação musicoterapeutica, responde de forma simples: Porque a Música penetra mais fundo na alma humana.

Porque muito antes de os homens organizarem os sons, os sons organizaram os homens.

Hoje, não deixe de ouvir um tema musical que lhe seja particularmente querido. Mas não o faça colocando o CD e lendo o jornal ou fazendo o jantar. Sente-se só para ouvir. E se tiver coragem, o melhor mesmo é cantar uma canção. Para si ou para quem lhe estiver mais próximo.

O Dia Mundial da Música foi instituído em 1975 pelo grande músico e violinista Yehudi Menuhin (1916-1999), na altura Presidente do Conselho Internacional da Música, uma organização não-governamental fundada em 1948 sob o patrocínio da UNESCO. Pretendia-se, assim, promover os valores da paz e da amizade por intermédio da música. Hoje, e passadas mais de três décadas, a data continua a ser assinalada em todo o planeta, visando a promoção da arte musical em todas as suas vertentes. Nesta data, são levadas a cabo diversas iniciativas, a nível mundial, que visam divulgar, fomentar e homenagear esta arte tão nobre que é a música.

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