sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Proclamação da República Portuguesa – 5 de Outubro de 1910

A 21 de Setembro de 1910 a imprensa do Rio de Janeiro, publica uma extensa entrevista a Magalhães Lima feita em Paris. Entre outras declarações, o conhecido Republicano afirma que “…a Monarquia está irremediavelmente perdida, a República Portuguesa será em breve um facto, mesmo que os Republicanos a não proclamassem ela seria, apesar de tudo, proclamada pela fatalidade das circunstâncias e pela lógica dos acontecimentos.”
 
3 De Outubro de 1910 – O Dr. Miguel Bombarda é assassinado por um seu antigo doente, quando se encontrava no seu gabinete, no Hospital de Rilhafoles. O agressor é o tenente do exército Aparício Rebelo.
Perdem assim os Republicanos um dos seus mais prestigiosos dirigentes.
 
Nesse mesmo dia às 20 horas – o Almirante Cândido dos Reis, Afonso Costa, José Relvas, João Chagas, António José de Almeida, Eusébio Leão entre outros Republicanos reúnem-se em casa da mãe de Inocêncio Camacho, na Rua da Esperança 106,3º. Fica combinado, de acordo com planos já estabelecidos que a revolução começaria à 1 hora da madrugada com uma salva de 31 tiros disparados de navios de guerra surtos no Tejo.
 
4 De Outubro de 1910 – 1 Hora e 20 – soam tiros, não eram 31, instala-se o pânico entre os revolucionários. O quartel de marinheiros em Alcântara que estava previsto revoltar-se está cercado por Infantaria1, Cavalaria4 e Caçadores2.

 
 Estão na rua 3000 homens fiéis à Monarquia com as baterias a cavalo


O Comissário Naval, Machado Santos, com praças do Infantaria16 de Campo de Ourique, ataca o Quartel de Artilharia1
 

O Capitão Sá Cardoso, com um pelotão de Infantaria16 parte para atacar o Palácio das Necessidades


Machado Santos, com outra força de Infantaria16 ataca a esquadra de polícia no Largo do Rato e arma civis
 
Às 5 horas, Machado Santos comanda as forças revoltosas, que descem a Avenida em direcção ao Rossio, são bombardeados, retrocedem para a Rotunda e fecham as entradas para as Avenidas Fontes e Duque de Loulé.
 
Pelas 9 horas, Machado Santos só dispõe de 8 peças de artilharia. Comanda 9 sargentos e 200 homens, mas civis armados acorrem à Rotunda para os auxiliar.
 
Às 12:30 horas, as forças leais à Monarquia comandadas pelo capitão Paiva Couceiro, fustigam duramente a Rotunda com as baterias de Queluz.
 
Às 14 horas, os cruzadores S. Rafael e Adamastor bombardeiam o Palácio das Necessidades. O Governo pede ao Rei que se retire para Mafra. O Rei obedece e parte com o Conde de Sabugosa e o Marquês do Faial.
 
5 De Outubro de 1910 – 6 horas – Fogo dos revoltosos contra as forças do Rossio. De Queluz, as baterias de Couceiro atacam e começam a desembarcar os marinheiros dos navios de guerra estacionados no Tejo.
 
Às 11 Horas, José Relvas, acompanhado por outros revolucionários, proclama a República de uma janela da Câmara Municipal de Lisboa.
 
No Porto, Dr. Nunes da Ponte, lê na varanda central dos Paços do Concelho o texto da proclamação e declara “perpetuamente abolida a Dinastia de Bragança”.
 
Segundo o suplemento do Diário do Governo nº 222, fica assim constituído o 1º Governo Provisório:
Presidente – Dr. Joaquim Theophilo Braga
Ministro do Interior – Dr. António José Almeida
Ministro da Justiça – Dr. Affonso Costa
Ministro da Fazenda – Basílio Teles
Ministro da Guerra – António Xavier Correia Barreto
Ministro da Marinha – Amaro Justiniano de Azevedo Gomes
Ministro do Estrangeiro – Dr. Bernardino Luís Machado Guimarães
Ministro das Obras Públicas – Dr. António Luís Gomes
 
A Família Real parte para o exílio, embarca no Iate Amélia com destino a Gibraltar.
O Governo Britânico disponibiliza o Iate Real Victoria And Albert para conduzir o Rei, a Rainha D. Amélia e o Infante D. Afonso para Inglaterra. A Rainha D. Maria Pia será conduzida, de Gibraltar para Itália, a bordo de um navio Italiano.
 
O movimento revolucionário de 5 de Outubro de 1910 deu-se em natural sequência da acção doutrinária e política que, desde a criação do Partido Republicano, em 1876, vinha sendo desenvolvida.
O rápido sucesso deste movimento que instaurou a República deve-se, em grande parte, à colaboração da Carbonária, sociedade secreta que actuava ligada à Maçonaria.
 
Machado Santos era membro dirigente da Alta Venda, um dos mais importantes centros da Carbonária, parte dele o aliciamento de muitos revolucionários entre praças, sargentos, marinheiros, operários, estudantes, populares em geral.
 
Aumentando contraposição entre a República e a Monarquia, a propaganda republicana fora sabendo tirar partido de alguns factos históricos de repercussão popular: as comemorações do terceiro centenário da morte de Camões, em 1880, e o Ultimatum inglês, em 1890, fora aproveitados pelos defensores das doutrinas republicanas que se identificaram com os sentimentos nacionais e aspirações populares.
 
Após o 5 de Outubro foi substituída a bandeira portuguesa. As cores verde e vermelho significam, respectivamente, a esperança e o sangue dos heróis. A esfera armilar simboliza os Descobrimentos, os sete castelos representam os primeiros castelos conquistados por D. Afonso Henriques, as cinco quinas significam os cinco reis mouros vencidos por este Rei e, finalmente, os cinco pontos em cada uma, as cinco chagas de Cristo. O hino A Portuguesa, composto por Alfredo Keil, com texto de Henrique de Mendonça, tornou-se o hino nacional.
 
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