sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Um livro, uma caixinha de surpresas


Era uma vez um livro que estava numa casa muito antiga. O livro tinha muito pó, precisava mesmo de ser limpo; tinha teias de aranha e borboletas mortas. Chamava-se Uma história, um segredo.
Um dia, o velho dono do livro foi buscá-lo àquela velha casa e levou-o, pois queria oferecê-lo ao seu neto. Este, quando o teve na mão, leu o título e motivou-se a ler o livro, pois gostava muito de ler. Nos livros, há sempre uma aventura ou um poema fantástico e entusiasmamo-nos, há sempre algo de que não estamos à espera, uma surpresa.
Se um dia leres um livro que te dê vontade de chorar ou de rir, não te admires, porque os livros são mesmo assim; é como se fosse um filme, mas há uma diferença, porque nos filmes nós vemos o que se está a passar e nos livros nós temos que imaginar.
Se querem passar por tudo o que nós escrevemos, é fácil! …
Abram um livro e deixem-se levar por ele!

Actividade realizada por
Alice, Denis, João, Patrick, Sefora, Teresa (texto escrito em grupo – 6º D)
no âmbito do Dia Internacional das Bibliotecas Escolares

13 comentários:

Marta disse...

ainda dizem que os nossos jovens não têm ideias?!!

Anónimo disse...

este texto tá impresionante voces meninos tão de parabens

Prof Mistério disse...

Um livro do século XXI
(1ª parte)

No outro dia conheci um livro que andava triste. Ele não estava nada satisfeito por fazer apenas as pessoas imaginarem as suas histórias. Queria mais. Queria também que os seus leitores pudessem ao mesmo tempo assistir às suas histórias. No fundo, o livro adorava cinema e para ele o ideal era fazer uma junção entre o que há-de melhor num livro e o que há-de melhor na sétima arte.
Este livro sonhava em realizar a sua própria história para que todos os leitores a pudessem apreciar melhor. Este livro era um livro do século XXI. Altas tecnologias, grandes efeitos especiais. O livro em questão queria ser mais arrojado, mais fashion! Ele tinha amigos especialistas em histórias fantás-ticas, em ficção científica, em ambientes mágicos e tenebrosos e que o deixa-vam verdadeiramente fascinado. A informática deixava-o doido!
Havia no entanto algo que o inquietava. Tinha receio que os seus leito-res não gostassem de si. Tinha receio de ser considerado uma aberração e sabia que tudo o que é aberração nunca é muito respeitada nem bem vista pelo público. Ou melhor, achava que sendo uma aberração poderia ir parar a um circo. Este livro não gostava mesmo desta ideia…

(Continua)

prof mistério disse...

Um livro do século XXI
(2ª parte)

Os seus desejos eram contudo, muito mais fortes que os seus receios e por isso decidiu que teria mesmo de ser muito mais do que um “simples” livro. A partir de agora vamos tratar o nosso livro como “O livro”, no fundo a personagem principal desta história. “O livro” sabia que sozinho dificilmente conseguiria atingir o seu desiderato. Precisava de ajuda. Mas quem o poderia ajudar? “O livro” apenas conhecia outros livros, com as suas limitações próprias de serem apenas livros.
“O Livro” um dia foi colocado numa escola. Mais propriamente na biblioteca de uma escola e isso marcaria decididamente a sua vida. No início não gostou nada de ter de ir para a biblioteca de uma escola, pois outros livros com quem tinha trocado algumas ideias, tinham-lhe dito que as crianças que frequentavam as escolas nem sequer gostavam de ler. O que iria para lá fazer se nem serviria para ser lido? Ele que ambicionava alcançar uma outra dimensão…
No seu primeiro dia de escola, transparecendo algum nervosismo, lá estava “O livro” nas estantes da biblioteca à espera dos famigerados alunos.
- Como serão eles? Que irão fazer-me? Vão rasgar-me? Pior!!! Irão pintar-me e fazer-me desenhos ridículos? Nem quero pensar…
A certa altura apareceram os primeiros alunos do dia na biblioteca. “O livro” nem queria olhar, mas lá ganhou coragem e encarou-os com decisão. De repente começou a aperceber-se que afinal os tais “alunos horripilantes” não eram assim tão medonhos. Suspirou de alívio e de um sentimento de medo passou para um sentimento de desejo. Desejava que os alunos pegassem nele também… contudo, ninguém se aproximava.
Passaram horas, dias, semanas e ninguém aparecia. A tristeza inundou-o. Por outro lado, cada vez acreditava mais que tinha de fazer algo para mudar a sua vida. Mas como?
Certo dia uma rapariga bem pequenina e gorducha acercou-se dele com ar bastante interessado…

(Continua)

prof. mistério disse...

Um livro do século XXI
(3ª parte)

Custódia, a aluna em questão, frequentava o 8º ano e tinha ar de ser uma boa aluna. Pelo menos foi a ideia com que ficou “O Livro”, uma vez que a aluna tinha um ar decidido e bastante interessado. Custódia, avançou em direcção ao livro, apanhou-o e começou a folheá-lo. Ela estava a fazer um trabalho sobre cinema e “O Livro” era sobre os acontecimentos mais importantes do século XX. O cinema foi uma das invenções mais notáveis surgidas no nesse século.
Contudo, as informações que o “O Livro” tinha eram muito generalistas e a aluna que já havia iniciado o trabalho há algum tempo e tinha investigado bastante noutros locais, verificou que a s informações ali contidas já ela as sabia. Decidiu então, colocar o livro no “carrinho” destinado para colocar os livros utilizados pelos alunos e ir-se embora.
Foi nesse momento que “O Livro” ganhou coragem e rompendo com todas as normas do código de honra do Ministério dos Livros, dirigiu-se a Custódia:
- Olá! Não me deixes aqui… preciso de ajuda!
Custódia nem queria acreditar no que estava a ouvir. Um livro a falar? Porquê? Como?
- Sim! Estou a falar contigo. Preciso da tua ajuda.
(Continua)

Anónimo disse...

Prof mistério?... COm medo de se identificar?...

Anónimo disse...

Medo não... apenas um desafio para tentarem descobrir a minha verdadeira identificação... vale apostas...

Anónimo disse...

Um livro do século XXI
(4ª parte)
- Um livro a falar comigo? Como é possível? Mas como é que consegues falar? Tu sabes falar? Perguntou Custódia.
- Sei. Claro que sei! Qual é o mal? Respondeu “O Livro”.
- Eu não sabia que os livros falavam…
- Bem, também nunca ninguém me perguntou nada, replicou “O Livro”.
- Pois… respondeu Custódia. É verdade… se calhar ninguém pensou nisso.
- Nós sabemos falar desde que aparecemos, ainda manuscritos pelos monges. O problema é que assistimos a muita violência por parte dos homens. Assistimos a grandes perseguições e muitos de nós também fomos condenados e queimados nas fogueiras! Por isso, resolvemos em reunião, deixar de falar.
- Em reunião? Perguntou Custódia.
- Sim. A célebre reunião dos “Volumes enraivecidos”!
- Volumes enraivecidos? Que história é essa? Questionou a menina.
- Sim, onde estiveram presentes apenas os livros mais importantes do Mundo…
- Há livros mais importantes do que outros?
- Sim. Quer dizer, a minha opinião todos os livros são importantes, mas houve livros que marcaram decisivamente a humanidade, argumentou “O Livro”.
Custódia ouvia com atenção o seu novo amigo, embora ainda com alguma perplexidade.
- Livros como a Bíblia, a República de Platão, os Lusíadas de Luís de Camões, o Capital de Karl Marx, Mein Kampf de Adolf Hitler, entre outros estiveram presentes e tomaram unanimemente a decisão de nos calarmos para sempre.
Custódia era uma miúda bastante informada e conhecia minimamente essas obras.
- Mas aí há livros que causaram grandes desgraças! Exclamou.
- Eu sei. Eu afirmei que foram livros que marcaram decisivamente a humanidade. Não disse que eram bons ou maus, reclamou “O Livro”.
(Continua)

Prof. Mistério disse...

Ups... obviamente que a 4ª parte da história é da autoria do prof. Mistério...

Prof. Mistério disse...

Um livro do século XXI
(5ª parte)

- Ok, disse Custódia. Não precisas de te exaltar.
- Já estamos habituados a que nos culpem dos erros cometidos pelos humanos. Somos sempre os bodes expiatórios dos vossos problemas. Replicou “O Livro”.
- Sim, realmente é verdade. Mas também não é menos verdade que os livros podem exercer mesmo grandes influências sobre a mentalidade e comportamentos das pessoas. Disse Custódia.
- Somos fonte de sabedoria! Mas é preciso que nos compreendam correctamente. Penso que muitas vezes os humanos pervertem os nossos ensinamentos em função de interesses individuais… Há humanos muito ambiciosos e que só querem é adquirir cada vez mais poder!
- Epá… és capaz de ter razão. Disse a criança.
- Pois. E a única forma de resolver esta situação é ensinando as crianças a ler. A ler muito e a saber interpretar as mensagens transmitidas. É preciso informar as crianças. Quanto mais informadas forem as pessoas melhor preparadas estarão para a vida e para poderem compreender realmente aquilo que os livros transmitem.
- Então é por isso que vocês estão revoltados e deixaram de falar…
- Exactamente!
- Mas, então porque é que tu resolveste quebrar esse juramento e voltaste a falar? E porquê comigo?

(continua)

Prof. Mistério disse...

Um livro do século XXI
(6ª parte)

- Eu resolvi falar contigo, porque estou farto de não poder dialogar com ninguém. Para além disso tenho um sonho.
- Um sonho? Perguntou Custódia. Mas os livros também têm sonhos?
- Claro. Sabes miúda? As novas tecnologias fascinam-me. Adoro ver as imagens interactivas nos computadores e os efeitos especiais realizados nos filmes. Eu gostaria também de poder mostrar cenas fantásticas que cativassem mais os leitores, especialmente as crianças.
Custódia não percebeu bem a ideia.
- Quando uma pessoa lê um livro, ela limita-se a imaginar aquilo que está a ler. Não pode ver as imagens reais. Elas existem só que não são visíveis aos olhos dos humanos. É uma espécie de mundo paralelo que vocês não têm acesso.
Custódia continuava um pouco desorientada com a conversa.
- Aquilo que eu gostava era de ter um mecanismo qualquer que possibilitasse a quem quisesse ler-me, de poder visualizar realmente o que está a ler.
Custódia aos poucos começava a compreender o dilema do livro.
- Mas assim não perderias a piada? Perguntou Custódia. O encanto de um livro não é precisamente o facto de despertar nos leitores a imaginação? Pelo menos para mim os livros funcionam dessa maneira. Um livro de nos envolver num mundo fantasioso.
- Achas? Perguntou “O livro”. A sério? Quando vocês lêem um livro essas sensações existem? Um livro não é demasiado limitador? Vocês ficam mesmo satisfeitos ao ler um livro?
- Claro que sim! Estás a subestimar-te. A riqueza dos livros é imensa. No fundo os livros funcionam como um ponto de equilíbrio entre a velocidade desenfreada a que as coisas acontecem nos dias que correm e o equilíbrio que nós precisamos de ter para pensar.
- Mas sempre ouvi dizer que uma imagem vale mais do que mil palavras… argumentou “o livro”.
- Por vezes sim, mas para mim as coisas não funcionam assim. Respondeu Custódia.

(continua)

Prof. Mistério disse...

Um livro do século XXI
(7ª parte)

A afirmação de Custódia mexeu com “O Livro” que incomodado atirou:
- Para ti as imagens não valem mais do que mil palavras?
- Não, respondeu a pequena. Para mim, como já te disse, os livros fazem soltar a nossa imaginação, a nossa criatividade. Sem imagens, temos de recrear nas nossas mentes ideias, personagens, paisagens, entre muitas outras coisas. Com os livros aprendemos a ler e a escrever. Aprendemos a argumentar. Exercitamos a mente. Quando surgem palavras difíceis recorremos ao dicionário e ele ensina-nos o que elas querem realmente dizer.
- O dicionário? Esse peneirento? Reagiu “O Livro”.
- Peneirento porquê? Questionou a miúda.
- Esse tem a mania que sabe tudo…
- Não sei se ele sabe tudo. Mas sei que é ele quem me dá uma “mãozinha” quando estou “à rasca” sem saber o significado de uma palavra. Disse Custódia.
- Pois… é bem capaz de ser verdade, respondeu “O Livro”.
- Vocês nem sabem a importância que têm tido para a formação da humanidade. Desde os grandes génios às pessoas mais humildes os livros têm tido um papel fundamental, quer para a sua formação, quer para o seu entretenimento e mesmo para tornar as pessoas menos sós. Os livros podem ser grandes companheiros dos humanos! E assim como são. Sem grandes tecnologias. Se há coisas de que eu gosto é do cheiro das vossas folhas… hum! Fantástico! Exclamou Custódia, com os olhos a brilhar.
- Ok. Começo a perceber que não faz muito sentido continuar com esta pretensão de ser algo mais do que um simples livro.
- Exactamente. Tu assim és perfeito. Na tua simplicidade é completíssimo! Exclamou Custódia.
“O Livro” ficou encantado com a ideia e convencido que realmente assim é que ele está bem e que deve ser valorizado por ser como é. Todos somos diferentes, todos temos defeitos e virtudes. Não há ninguém no mundo dos humanos, nem no mundo dos livros que seja igual. O que temos de fazer é respeitarmo-nos, tal e qual como somos. A diferença não deve ser motivo de chacota ou de desprezo. A diferença deve ser respeitada e devemos perceber que só unidos é que conseguiremos levar os nossos mundos para a frente…

Prof. Mistério disse...

Prof. Mistério irá regressar em breve com outras histórias...