quarta-feira, 28 de abril de 2010

Colares de pérolas


Joanina e Lionídia eram duas jovens que se preparavam para o primeiro baile.
Vestiam vestidos de seda branca com muita goma e roda, todos enfeitados de lacinhos azuis e cor-de-rosa.
Não haverá hoje raparigas que consintam em usar vestidos destes, mas isto passou-se há muito tempo.
Diante do toucador, ajeitaram ao espelho os caracóis e canudos de cabelo, que as faziam parecer bonecas de porcelana. Sentiam-se lindas. E, efectivamente, sinceramente, estavam.
Chegou a altura dos últimos adornos. Brincos, anéis, pulseiras e um diadema no toucado. Até o espelho pestanejou com tanto brilho.
— Falta o colar — lembrou a Lionídia, enquanto procurava, na sua caixinha de guarda-jóias, o ornamento essencial à perfeição do quadro.
Já Joanina tinha tirado do respectivo guarda-jóias e posto com todo o cuidado ao espelho o seu colar de pérolas, sorrindo, feliz, porque era a primeira vez que o punha. Sentia--se uma senhora, uma dama, um modelo para um retrato a óleo.
Lionídia tinha um colar igual. Ou quase.
— O teu colar é de pérolas falsas — disse Lionídia, olhando de esguelha para o colar de Joanina.
— Como é que tu sabes? — indignou-se ela. — Este colar está na nossa família há várias gerações e sempre foi tomado como verdadeiro.
— É falso. Digo e torno a dizer, porque as tuas pérolas não têm a perfeição nem a transparência leitosa, nacarada, aveludada das minhas.
Isto dito por Lionídia era uma afronta para Joanina.
— E se for ao contrário? — ripostou ela. — Está-me a parecer que as tuas pérolas é que são uma perfeita imitação das minhas.
Enervaram-se. Zangaram-se. Descompuseram-se.
Brigaram. Não fosse estarem tão alinhadas para a festa e, quase de certeza, ainda acabariam por se agarrar aos caracóis uma da outra e espatifar os vestidos brancos, engomados e rodados, com lacinhos azuis e cor-de-rosa…
Uma réstia de boa educação e de bom senso conteve-as.
Para decidirem de uma vez para sempre qual tinha razão lembrou-se uma delas.
— Só há uma prova a fazer. O vinagre!
Quem não souber que aprenda que o vinagre desfaz as pérolas naturais, as legítimas, as fabricadas com sossego e demora, dentro da concha paciente das ostras.
Muito exaltadas e avinagradas, foram buscar à cozinha uma tigela de vinagre.
— Queres ver que o teu colar pelintra não se desfaz — disse a Joanina à Lionídia.
— A porcaria do teu colar é que não vai desfazer-se — disse Lionídia à Joanina.
O resto está-se mesmo a ver. Dissolveram-se no banho de vinagre as pérolas de ambos os colares. Só sobraram para amostra fios e fechos, tão valiosos como duas espinhas de peixe.
E as duas jovens, depois de chorarem muitas lágrimas, abraçadas uma à outra, lá tiveram de ir para o baile sem os seus preciosos colares.
Pobres das ostras que tanto trabalharam a acrescentar, a arredondar e a aprimorar as suas maravilhosas pérolas, para que assim se perdesse o labor de tantos anos num bochecho de vinagre. Dá que pensar.

  
Adaptação
António Torrado
A Equipa Coordenadora do Clube das Histórias

PALESTRA com Dr. Mendes Moreira (Prof. de História)


Dia 29 Abril, 10h 30 Auditório


Actividade organizada no âmbito das Comemorações do Centenário da República, pela BE e Depº C. S. e Humanas

terça-feira, 27 de abril de 2010

"Book" É uma revolução tecnológica não tem cabos, circuitos elétricos, baterias e dispensa qualquer forma de conexão.



Trata-se da apresentação do Dispositivo de Conhecimento Bio-óptico Organizado, de nome comercial "Book".
É uma revolução tecnológica:
"Book" não tem cabos, circuitos elétricos, baterias e dispensa qualquer forma de conexão. Compacto e portátil, "Book " pode ser utilizado em qualquer lugar. Assista ao filme e veja as muitas outras vantagens de "Book" na comparação com as tecnologias obsoletas que há por aí.

sábado, 24 de abril de 2010

Aberto o Concurso de fotografia sobre Rios em Bom Estado de Conservação - até 30 de Junho




Concurso de fotografia sobre Rios em Bom Estado de Conservação
Está aberto o concurso dedicado aos jovens que tenham gosto pela fotografia e sensibilidade para realçar
as belezas dos Rios.
Podem participar no concurso jovens residentes em Portugal, com idade inferior ou igual a 18 anos.

O concurso é uma iniciativa do Intervir Mais da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade
Católica do Porto e faz parte das actividades do projecto "Jovens, Ambiente e Cidadania na Região
Norte", co-financiado pela União Europeia/FEDER, no âmbito do QREN.
As candidaturas devem ser enviadas para ope.portugal@gmail.com até ao dia 30 de Junho de 2010.
Para mais informação, consulta o blogue do projecto:
http://jovensambienteecidadania.wordpress.com

Participa ... capta as belezas do teu Rio!

Boas fotografias,

Equipa do projecto Jovens, ambiente e Cidadania na Região Norte
---
Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa
Rua Dr. António Bernardino de Almeida
4200-072 PORTO
T.: +351 225580048  | F: +351 225090351 |Tm.: +351 962 989 557

O campo de girassóis

O campo de girassóis estendia-se pela planície; ali cresciam girassóis grandes, pequenos e muito pequenos, plantas de todos os tamanhos. Logo de manhã, levantavam as cabeças e punham-se a olhar para o Sol; e, durante todo o dia, as cabecinhas pasmadas dos girassóis seguiam o movimento do Sol desde que nascia até que se escondia. Quando deixavam de o ver, as cabeças dos girassóis caíam como se não pudessem com tanta tristeza. Todos os dias era aquele bailado de flores seguindo o Sol.
Um girassol, dos tais muito pequeninos, crescia devagar, escondido, encoberto pelos outros. Esse não olhava o Sol; como era muito pequeno, quando os grandes levantavam a cabeça para ver o Sol, ele não via nada: tudo ficava tapado pelas cabeças grandes dos girassóis grandes; portanto, como ele não via o Sol, não havia razão para virar a cabeça como os outros faziam; ficava a olhar para o chão, a ver as formigas e as ervas rasteiras. Por cima dele era um tecto de flores amarelas por onde não passava um único raio de sol. À noite, quando os outros baixavam a cabeça, o girassol muito pequeno podia então ver o céu. O brilho das estrelas deixava-o encantado e dizia: «Tantos sóis! Tantos sóis!» E ficava toda a noite a seguir as estrelas como os outros seguiam o Sol.
Certa manhã, as nuvens cobriram o céu e os girassóis grandes deixaram de ver o Sol; todos se queixaram e as pesadas cabeças inclinaram-se para o chão, privadas do chamamento dos raios do Sol. Como olhavam para baixo, viram o girassol muito pequeno que nem sabia o que era o Sol e não entendia as queixas dos girassóis grandes.
Mas à noite, as estrelas também não apareceram e o girassol muito pequeno sentiu-se triste. Agora já entendia os queixumes dos girassóis grandes, daqueles que olhavam e seguiam o caminho do Sol. Na manhã seguinte, o céu estava ainda encoberto e os raios do Sol não vinham chamar os girassóis para a dança habitual e as grandes cabeças amarelas sentiam-se perdidas sem saberem para onde se virar. Então o girassol muito pequeno falou aos grandes daqueles muitos sóis que ele seguia de noite; e os grandes falaram do Sol quente que seguiam de dia.
— Nunca o vi — dizia o girassol muito pe­queno. — Nem sei como é! As vossas cabeças tapam o céu e de dia só posso olhar o chão, as ervas e os animais que se movem a nossos pés.
Os grandes girassóis sentiram-se envergonhados; na sua adoração pelo Sol, não deixavam que um irmão mais pequeno conhecesse aquele que comandava os seus movimentos!
— Vamos deixar-te espaço para que vejas o Sol — prometeram eles. — Mas de noite queremos também olhar esses teus sóis pequeninos.
Quando as nuvens se desfizeram e as estrelas voltaram a brilhar, todos viram o céu estrelado. Na manhã seguinte, os girassóis grandes afastaram-se um pouco; então o girassol muito pequeno viu o Sol e o movimento da sua cabeça deslumbrada acompanhou-o todo o dia.
— Que dizes tu do nosso Sol? — quiseram saber os girassóis grandes. — Não te parece que é lindo?
— Sim, é lindo — respondeu o girassol muito pequeno, ainda estonteado pela luz do Sol. — Mas os meus sóis pequeninos também são lindos! Vou olhar o Sol de dia e as estrelas de noite.
É por isso que no tal campo de girassóis há um girassol muito pequeno que olha para o céu de dia, para ver o Sol, e de noite, para admirar as estrelas.

Natércia Rocha
Castelos de areia
Venda Nova, Bertrand Editora, 1995
A Equipa Coordenadora do Clube das Histórias

Ditados populares da era digital

Como vivemos numa Era Digital, foi feita uma revisão aos antigos ditados populares para adaptá-los à actualidade:
01. A pressa é inimiga da ligação.
02. Amigos, amigos, passwords à parte.
03. Antes só, do que em chats aborrecidos.
04. A ficheiro grátis não se olha o formato.
05. Diz-me que chat frequentas e dir-te-ei quem és.
06. Para bom fornecedor uma password basta.
07. Não adianta chorar sobre ficheiro apagado.
08. Em briga de namorados virtuais não se mete o mouse.
09. Em terra off-line, quem tem um 486 é rei.
10. Hacker que ladra, não morde.
11. Mais vale um ficheiro no HD do que dois a descarregar.
12. Rato sujo limpa-se em casa.
13. Melhor prevenir do que formatar.
14. O barato sai caro. E lento.
15. Quando a esmola é muita, o santo desconfia que tem um vírus anexado.
16. Quando um não quer, dois não teclam.
17. Quem ama um 486, Pentium 5 lhe parece.
18. Quem clica os seus males multiplica.
19. Quem com vírus infecta, com vírus será infectado.
20. Quem envia o que quer, recebe o que não quer.
21. Quem não tem banda larga, caça com modem.
22. Quem nunca errou, que clique na primeira tecla.
23. Quem semeia e-mails, colhe spams.
24. Quem tem dedo vai a Roma.com.
25. Um é pouco, dois é bom, três é chat ou lista virtual.
26. Vão-se os ficheiros, ficam os back-ups.
27. Diz-me que computador tens e dir-te-ei quem és.
28. Há dois tipos de pessoas na informática. Os que perderam o HD e os que ainda vão perder...
29. Uma impressora disse para outra: Essa folha é tua ou é impressão minha?
30. Aluno de informática não cola, faz backup.
31. O problema do computador é o USB (Utilizador Super Burro).
32. Na informática nada se perde, nada se cria. Tudo se copia... e depois se cola.

Projecto MegaHINO


Projecto Megahino

O presente projecto visa a execução vocal, pelo maior número de executantes possível, da versão oficial do Hino Nacional “A Portuguesa”, inserido nas Comemorações do Centenário da República, a realizar na Escola EB23 D.Paio Peres Correia.

Todas as escolas do Agrupamento, seus respectivos alunos, professores, funcionários e encarregados de educação/pais, estarão envolvidas neste projecto.

O evento será noticiado nos meios de comunicação social regionais e/ou nacionais (jornais, rádio, tv, internet, …).

Será solicitado apoio a várias entidades para a promoção e apoio ao projecto (Junta de Freguesia, CMTavira, DREAlg, associações diversas, …).

A assistência e a segurança estarão a cargo da Cruz Vermelha e da PSP, respectivamente.

A concretização/apresentação final do projecto terá lugar no 3º período, no dia 8 de Junho (3ª feira), pelas 10 horas, na Praça da República (frente à Câmara Municipal).

Esta execução conjunta será gravada, em formato áudio/vídeo, para futura exibição, no dia de comemoração do referido centenário.

Concurso Nacional "COMO MANTER PORTUGAL LIMPO - OUTRA QUALIDADE DE VIDA"

E depois de Limpar Portugal? Como Manter Portugal Limpo?
O concurso nacional "COMO MANTER PORTUGAL LIMPO – OUTRA QUALIDADE DE VIDA", patrocinado pela Caixa Geral de Depósitos e  pelas seguradoras Fidelidade Mundial e Império Bonança,  está a ser divulgado por todas as escolas e universidades do país e vai levar jovens à Malásia e à Indonésia!
Este concurso é um apelo às crianças e aos jovens, para que, através da sua criatividade, façam prolongar o espírito do movimento cívico Limpar Portugal, para lá do dia 20 de Março.
A ASPEA – Associação Portuguesa de Educação Ambiental – é parceira nesta causa e associou-se a esta iniciativa pois considera que as crianças e os jovens que irão herdar a Terra podem contribuir para alertar os outros jovens e a comunidade em geral para a necessidade de todos participarem na preservação desta herança comum.
Vamos prolongar o espírito deste movimento - ajudem-nos a divulgá-lo!


PS - Os regulamentos estão disponíveis no site www.aspea.org 

Saudações cordiais


Fátima Matos Almeida
Associação Portuguesa de Educação Ambiental
Caretakers of the Environment International/Portugal
Affiliate of the Earth Charter
Centro Associativo do Calhau – Parque Florestal de Monsanto, 1500-001 Lisboa Apartado 4021  1500-001 Lisboa
Tel.: +351 21 772 48 27 Fax: +351 21 772 48 28

terça-feira, 13 de abril de 2010

A rã solitária

Era uma vez uma rã que vivia num charco. Vivia sozinha. O charco também era pequeno.
Sentia a falta de outras rãs, para lhe fazerem companhia e coaxarem ao despique nas noites de Lua cheia. Sentia que, se outras rãs vivessem com ela, podia nadar de bruços com mais folgança, velocidade, estilo… Sentia que os saltos que dava para dentro de água, à falta de espectadores, nem jeito nem graça tinham.
Enfim, a rã deste pequeno charco sentia-se muito só.
Desamparada. Infeliz.
Perguntem, se fazem favor, porque é que a rã se não mudava para charco mais amplo e povoado?
Porque temia que tão perto não houvesse outro. Ora, como devem saber, as rãs detestam perder tempo a saltar em seco. A água faz-lhes falta. Sem ela, perdem o luzidio da pele e a força de vida. Não sabiam?
Um dia, começou a chover que nunca mais parava. Dia e noite. Noite e dia.
Os campos ficaram alagados. Os rios sobraram do leito.
Pequenos charcos, afastados uns dos outros, juntaram-se num enorme lago.
Foi uma inundação terrível. Veio nos jornais e a televisão deu notícia. Casas de que só o telhado se via.
Animais afogados. Gente a ser salva em barcaças por bombeiros. Uma desgraça.
Mas como esta história pertence à rã, esta história tem um fim feliz. A rã, passada a tempestade, encontrou companhia. Dezenas de rãs coaxam agora, em coro, glorificando a chuva, a abundância das águas, o abraço do lago imenso que as juntou.
Aqui entre nós e em segredo vos peço que nunca contem esta história a pessoas que tenham sofrido os efeitos trágicos de uma inundação. Não iam gostar.
António Torrado
A Equipa Coordenadora do Clube das Histórias

sexta-feira, 26 de março de 2010

Cuidado com estes bicharocos que estão a chegar à nossa costa


   
Quando andarem a passear na praia tenham muita atenção, não toquem em nenum bicharoco destes.  

Aviso à navegação pedestre.

Depois de dois meses de tempestade hoje fui dar uma volta pela praia, e o que vi na rebentação deixou-me a pensar.
Vi uma linha de rebentação constituída por minúsculas patas de caranguejo, o mar a comer a praia, e acima de tudo (o motivo que me faz escrever este pequeno texto )duas caravelas Portuguesas mortas, mas ainda frescas.
Sabem o que é isso? Caravelas Portuguesas? Bem. É apenas uma modesta medusa azul extremamente tóxica. Se virem alguma não lhe toquem. Mesmo morta o seu tecido mole morde como uma serpente, e as marcas que deixa na pele são definitivas - tatuagens indesejáveis. A dôr é indescritível, e se fôr uma criança a manuseálas pode morrer envenenada.
O que me deixou a pensar é que essas criaturas vivem a milhares de quilómetros da nossa costa, portanto: o que é que estas fazem aqui? São medusas de água quente, da Austrália, Califórnia... Quando surgem nas praias estas são fechadas ao público e consideradas mais perigosas que tubarões a deambular na área.
Meus amigos. O tempo está a melhorar e os passeios à beira-mar tornam-se apelativos à descontracção. No entanto se virem criaturas como estas limitem-se a olhar e sigam à vossa vida: conselho de um amigo.
Agora vejam o aspecto que têm." 

Concurso "Pensar os Afectos Viver em Igualdade"




quarta-feira, 24 de março de 2010

Pc do futuro.


Dia do Estudante - 24 de Março



Comemora-se no dia 24 de Março o Dia do Estudante. Este é um dia profundamente ligado à luta da Juventude, pela Democracia em Portugal.
 
No dia 25 de Novembro de 1961 realizou-se uma manifestação contra a guerra colonial, onde participaram milhares de estudantes. O governo fascista confrontava-se, nesta altura, com várias acções de luta por parte de vários sectores da população, entre os quais os estudantes, e a sua resposta era o aumento da repressão. Nesta manifestação vários estudantes foram presos.
Contrariando o governo fascista, em 1962 é realizado em Coimbra o primeiro Encontro de Associações de Estudantes, no qual se aprova que 24 de Março será um dia de luta e comemoração para os Estudantes.
 
Também nesse ano, em Lisboa, os estudantes concentraram-se dentro da cantina da Cidade Universitária, como forma de protesto contra a repressão e exigindo a libertação dos estudantes presos. O governo fascista responde com o envio da polícia para reprimir e impedir aquela, são vários os estudantes espancados e presos. Mas a Luta não pára!
Em resposta a isto declara-se luto académico e greve às aulas.
É neste contexto, que em 1987 a Assembleia da República Portuguesa fixa o Dia 24 de Março como o Dia do Estudante.

Décadas atrás lutava-se, tal como hoje, pela Democracia na Escola, para que todos possam ter acesso à sua frequência, para que haja uma verdadeira autonomia no Ensino Superior, para que a Educação seja Pública, Gratuita e de Qualidade, tal como consagra a Constituição!

segunda-feira, 22 de março de 2010

Lista de e-mails vale milhões de euros

Internet: Mail em cadeia chegou a políticos, bancos e figuras públicas

Lista de e-mails vale milhões de euros

Circula um e-mail fraudulento, que utiliza o nome do Banco Espírito Santo, a prometer o pagamento de 245 euros por cada reenvio da mesma mensagem. A iniciativa, alega o autor desconhecido do texto, parte de Bill Gates, que assim estará a partilhar parte da sua fortuna. Este é apenas um dos milhares de exemplos de mails que são reenviados por falta de conhecimento e que alimentam a publicidade indesejada nas caixas de correio electrónico de cada um.
"Estes mails em cadeia são uma das formas de empresas obterem endereços de e-mail válidos para depois distribuírem publicidade não desejada", explicou ao CM Paulo Veríssimo, professor e investigador em segurança informática da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, sublinhando: "Se a pessoa que reenvia o e-mail não apaga o cabeçalho, onde aparecem os endereços anteriores de outras pessoas, cria-se uma lista quase interminável de endereços, que valem milhões de euros para determinadas empresas."
O exemplo a que o CM acedeu já percorreu correios electrónicos de órgãos de comunicação social, organizações públicas e deputados. António Pires de Lima, José Luís Arnaut, Diogo Vaz Guedes ou Guta Moura Guedes são apenas alguns dos nomes que constam de uma lista de mails que preenche seis folhas de tamanho A4.
No e-mail, que circula, no mínimo, desde 2006, a autora é uma funcionária do BES que nunca existiu. Contactado pelo CM, fonte do banco diz "desconhecer a origem e autoria da mensagem", garantindo terem sido "tomadas todas as medidas para evitar a sua difusão".
Apesar dos sucessivos alertas, os utilizadores de Internet continuam com comportamentos de risco. "É a mesma coisa que ir na rua e um desconhecido pedir-lhe a morada de dez amigos e você dar", comparou Paulo Veríssimo, chamando a atenção para mails de origem desconhecida: "Na dúvida, não responda, não clique e não reenvie."

PORMENORES
PEDIDOS DE AJUDA
Muitos pedidos são fraudulentos e apelam ao sentimento. Não dê dinheiro sem certificar-se de que a origem é fidedigna.

CONTACTOS
Não divulgue os seus contactos telefónicos ou moradas na Internet.
Não mostre aos outros os endereços dos seus amigos; use o "Bcc" ou o "Cco" para reenviar e apague todos os endereços. Evite assim a propagação de vírus, spams e banners.


http://www.cmjornal.xl.pt/noticia.aspx?contentid=46D5A30A-890A-4881-AD35-C0AAB892B5F3&channelid=00000010-0000-0000-0000-000000000010

A mesa dos ricos



Se nos vissem sentados na nossa mesa de cozinha, feita à mão e toda arranhada, saberiam logo que não somos ricos.
Mas o meu pai está a tentar fazer-nos ver que somos.
Será que não vê os meus sapatos gastos? Ou que o meu irmãozinho tem remendos nas calças que leva para a escola?
E como explicará ele aquela carrinha a desfazer-se, estacionada à nossa porta?
─ Não consegues enganar-me ─ digo-lhe. ─ Somos pobres. Será que os ricos se sentariam a uma mesa como esta?
A minha mãe, como que acariciando a mesa, diz:
─ Bem, nós somos ricos e sentamo-nos aqui todos os dias.
Às vezes, penso que sou a única pessoa sensata na família. Diga-se de passagem que os meus pais fizeram esta mesa com madeira que outras pessoas deitaram fora. Até festejaram quando a terminaram.
Não me interpretem mal: eu gosto desta mesa. Só digo que se vê logo que não veio de uma loja de mobílias. Não tem ar de ser uma mesa à qual os ricos se sentariam.
Mas a minha mãe pensa que, se todos os governantes do mundo se sentassem em redor de uma amigável mesa de madeira na cozinha de alguém, resolveriam os seus diferendos em metade do tempo.
E o meu pai diz que não fazia mal se houvesse um lindo prato azul com muitos bolinhos empilhados, que todos pudessem tirar, mesmo sem ter de pedir.
Hoje, porém, trata-se da nossa cozinha, da nossa discussão, da nossa reunião familiar, dos nossos bolinhos de gengibre com especiarias, empilhados no melhor prato de flores azuis da minha mãe, colocado exactamente no centro da mesa.
Fui eu que convoquei a reunião, cujo tema é dinheiro; o meu ponto de vista é que não temos dinheiro que chegue.
Digo aos meus pais que devem ambos arranjar empregos melhores, para podermos comprar muitas coisas novas e boas. Digo-lhes que faço má figura na escola diante dos outros.
─ Não gosto de ter de falar disto, mas era bom que fossem ambos mais ambiciosos.
Ficam surpreendidos. Vê-se bem que nunca pensam nas coisas de que necessitamos.
Devo dizer desde já que os meus pais têm umas ideias estranhas acerca do trabalho.
Pensam que os únicos empregos que interessam são empregos ao ar livre. Querem ter rochedos, desfiladeiros, desertos ou montanhas em redor deles, onde quer que estejam a trabalhar. Até querem ver bem o céu.
Trabalham sempre juntos e a sua ocupação favorita é procurar ouro. Enfiam-nos naquela carripana e lá vamos nós em direcção às montanhas rochosas e desertas ou em direcção a alguma ravina estreita, onde todas as estradas se assemelham a trilhos de coiotes.
Adoram caminhar pelas amplas margens de rios agora secos, onde se podem encontrar pequenos salpicos de ouro. Costumavam dizer-nos que a carrinha sabia exactamente que tipos de estrada bater, e que os coiotes lhes indicavam onde procurar ouro, mas eu nunca acreditei neles.
Depois de passarem lá um mês ou dois, traziam sempre um pouco de minério para vender, mas vê-se bem que nunca enriqueceram. Pelo que me é dado ver, tratava-se apenas de um pretexto para acampar de novo num lugar selvagem e belo.
Não se importam de plantar campos de milho doce ou de alfalfa. Gostam de apanhar pimentão-de-cheiro, abóbora e tomate. Conseguem construir vedações fortes ou domar potros selvagens.
Mas dizem que não aguentam ficar engaiolados em casa.
Por isso, o meu pai pergunta:
─ Quantas pessoas há que sejam tão afortunadas como nós?
Mas como fui eu quem convocou esta reunião, respondo:
─ Aposto que fariam mais dinheiro se trabalhassem num escritório na cidade.
─ Lembra-te da nossa regra número um ─ insiste o meu pai.
─ Temos de poder ver o céu.
─ Podiam vê-lo através de uma janela ─ sugiro.
Mas eles nem querem ouvir falar disso.
Já percebem porque digo que sou o único membro sensato da família?
Finalmente, a minha mãe diz:
─ Está bem, Filha da Montanha. Vamos explicar-te como fazemos contas. Hoje, vais ser a nossa contabilista.
Distribui um lápis e uma folha de papel amarelo por cada um de nós, o meu irmão incluído, embora ele só finja que escreve enquanto nós escrevemos, ou desenhe pessoas a dançar no céu.
Já agora, o meu nome não é Filha da Montanha. Chamam-me assim porque nasci numa cabana na encosta de uma montanha, no Arizona, num Verão em que os meus pais tinham ido em busca de ouro.
Dizem que era um lugar mágico, a mais bela montanha que alguma vez escalaram. Talvez fosse, mas sabemos bem o quanto eles gostam de exagerar.
Como queriam que a primeira coisa que eu visse fosse aquela encosta, quando tinha apenas oito minutos de vida levaram-me a ver o nascer-do-sol.
A verdade é que ainda gosto muito do nascer-do-sol.
Quanto ao meu irmão, chamam-lhe Filho do Oceano. Como eu tinha tido a melhor montanha como primeira paisagem da minha vida, acharam que deviam encontrar o oceano mais belo para quando ele nascesse. Penso que percorreram o México todo para encontrar um lugar onde o oceano e a selva se encontrassem. Queriam que o céu estrelado fosse azul-púrpura e que as ondas do mar fossem da cor verde que eles preferem.
Ergueram-no bem alto, para que aquelas ondas fossem a primeira paisagem da sua vida.
Havemos de voltar um dia àquele oceano verde e à minha montanha alta. Por ora (embora os meus pais digam que são ricos), não há dinheiro para irmos a lado algum.
Por isso, não admira que eu tenha tido de convocar esta reunião.
Acreditam que o meu pai me olha bem nos olhos e me diz:
─ Mas, Filha da Montanha, eu estava persuadido de que sabias o quanto somos ricos.
Respondo-lhe:
─ Esta conversa só vai resultar se admitirmos que somos pobres.
O meu pai continua:
─ Vou provar-te agora mesmo o que disse. Façamos uma lista do dinheiro que ganhamos por ano.
─ Quanto é? ─ pergunto. ─ Preciso de anotar.
─ Calma aí ─ adverte o meu pai. ─ Temos de pensar em montes de coisas antes de somarmos tudo.
─ Que coisas?
A minha mãe contribui:
─ Sabes que não recebemos o nosso salário apenas em papel-moeda. Temos um plano especial que nos permite ser pagos em pôres-do-sol, em tempo para escalar desfiladeiros e procurar ninhos de águia.
Não desarmo:
─ Não podem dar-me uma quantia só para que eu possa anotar?
Começamos com vinte mil dólares.
É quanto o meu pai diz que vale poder trabalhar ao ar livre, ver o sol durante todo o dia, sentir o vento e cheirar a chuva, uma hora antes de ela cair realmente.
Diz que é quanto vale estar num sítio onde pode cantar alto quando lhe apetece, sem incomodar ninguém.
Mal escrevo vinte mil,a minha mãe acrescenta:
─ É melhor escreveres trinta mil, porque poder ouvir coiotes a uivar nas colinas vale, pelo menos, mais dez mil dólares.
Escrevo trinta mil.
A mãe lembra-se de que também gostam de viagens longas e de montanhas distantes que mudam de cor dez vezes ao dia.
─ Para mim, isso vale mais cinco mil dólares.
O que não me surpreende, já que a minha mãe afirma ser uma especialista em sombras de montanha no deserto. Diz que consegue saber as horas pela forma como as cores das sombras variam do nascer ao pôr-do-sol.
Apago o que escrevi antes e escrevo trinta e cinco mil dólares.
O meu pai lembra-se, então, de outra coisa.
─ Quando um cacto floresce, temos de lá estar porque podemos não voltar a ver aquela cor em mais dia algum da nossa vida. Quanto pensas que vale essa cor?
─ Cinquenta cêntimos? ─ pergunta o meu irmão.
Decidem-se por acrescentar cinco mil à lista.
Já vamos em quarenta mil dólares.
Mas eu tinha-me esquecido do quanto o meu pai gosta de imitar os sons dos pássaros. Consegue imitar qualquer um, mas a sua melhor imitação são as pombas de asas brancas, os corvos, os falcões de cauda ruiva e as codornizes. Também é bom a imitar águias e corujas de grandes bicos. Por isso, lá temos nós de acrescentar mais dez mil por termos a sorte de conviver com aves diurnas e nocturnas.
Risco a soma que tinha escrito e assento cinquenta mil dólares.
─ Agora vejamos quanto vale a nossa Filha da Montanha.
Decido entrar no jogo e sugiro que valho dez mil dólares, embora o meu irmão tenha começado a rir-se.
─ Não te subestimes ─ diz o meu pai. ─ Lembra-te daquelas listas fabulosas que nos fazes.
Tem razão. Faço listas dos melhores livros que cada um de nós leu, e dos que cada um de nós quer ler de novo. Também fiz uma lista de todos os animais que cada um de nós viu e daqueles que mais queremos ver ─ ao ar livre, não num jardim zoológico.
O animal que eu mais gostava de ver é o leão da montanha. Já sonhei com ele quatro vezes e também já lhe vi o rasto. O meu pai escolheu o urso-pardo da América. A minha mãe quer ver um lobo e ouvi-lo uivar. O meu irmão hesita entre um golfinho e uma baleia. Lembro-me de todos porque sou eu que faço as listas.
Acabam por achar que valho um milhão de dólares.
Protesto, mas anoto a soma.
Acabamos por decidir que cada um de nós vale um milhão de dólares.
A soma de toda a nossa riqueza totaliza agora quatro milhões e quinhentos mil dólares.
Dou-me conta de que quero adicionar cinco mil dólares pelo prazer que me causa vaguear pelo campo, sozinha, livre com um lagarto, sem ter de seguir trilhos, sem ter um plano, apenas pelo prazer de andar ao sabor do vento.
A minha família acha que isso vale cinco mil.
O que totaliza quatro milhões e cinquenta e cinco mil dólares.
Por fim, o meu irmão quer ainda juntar sete dólares por todas as noites em que adormecemos ao ar livre, sob as estrelas.
Pensamos que sete dólares são insuficientes e convencemo-lo a arredondar para cinco mil.
A minha folha regista agora quatro milhões e sessenta mil dólares ─ e ainda nem sequer começámos a contar o nosso dinheiro em papel-moeda.
Para ser franca, esse tipo de riqueza já não conta muito neste momento.
Sugiro que nem faça parte da nossa lista de riquezas.
E, assim, a reunião chega ao fim.
A família foi até lá fora ver o novo quarto de lua. Mas eu fiquei sentada à nossa querida mesa feita à mão, sobre a qual o prato de flores azuis da minha mãe conserva ainda um bolinho, e escrevo este livro sobre nós. Acaricio a mesa e fico contente por a termos.
Acho que o título deste livro vai ser A Mesa dos Ricos.

Byrd Baylor
The Table Where Rich People Sit
New York, Aladdin Paperbacks, 1998