terça-feira, 29 de abril de 2014

DIA MUNDIAL DA DANÇA - 29 DE ABRIL


O Dia Mundial da Dança celebra-se todos os anos a 29 de Abril.
A data foi criada em 1982 pelo Comité Internacional da Dança (CID) da UNESCO, que escolheu o dia 29 de Abril como o Dia Internacional da Dança.
A comemoração tem por base o dia de nascimento de Jean-Georges Noverre, que nasceu em 1727 e foi um dos grandes nomes mundiais da dança.

A celebração do Dia Mundial da Dança tem como objetivo celebrar esta arte e mostrar a sua universalidade, independentemente das barreiras políticas, culturais e éticas.
Neste dia são várias as atividades desenvolvidas por associações, escolas e outras entidades ligadas à dança, para promover esta arte que é vista como linguagem universal, promotora de ideais como a liberdade de expressão e a igualdade de direitos.
Espetáculos, workshops e palestras são algumas das iniciativas que decorrem no Dia Mundial da Dança.

Fonte: http://www.calendarr.com/portugal/dia-mundial-da-danca/


CONCURSO DE POESIA 2014

No âmbito das comemorações do Dia do Livro, a nossa Biblioteca lançou o "Concurso de Poesia 2014". Participa e entrega o teu poema até 9 de maio.


DIA DO LIVRO - 23 DE ABRIL

No Dia do Livro foi assim...

terça-feira, 1 de abril de 2014

1 DE ABRIL - DIA DAS MENTIRAS

Google mantém tradição do "Dia das Mentiras"

por Lusa, publicado por Ricardo Simões Ferreira

A imprensa portuguesa está a deixar de lado o primeiro de abril e cada vez mais as mentiras escasseiam ou são menos elaboradas, mas gigantes da comunicação como o Google teimam em manter a tradição.
No passado, o "dia das mentiras", que se assinala na terça-feira, chegou a ter honras de primeira página nos jornais mas, nos últimos anos, tem escasseado a imaginação. Ao contrário, o motor de pesquisa mais conhecido, o Google, tem surpreendido.
Nos últimos anos, tem "brindado" o mundo com inovações surpreendentes: começou com o "mental plex" (leitura dos pensamentos, pelo que não é necessário escrever o que se quer pesquisar) e seguiu pelo Google Nose (pesquisa por cheiros), pelo Google Romance (pesquisa da "alma gémea") ou pelo Google Translate For Animals, uma ferramenta de tradução dos pensamentos dos animais domésticos.
Na última década e meia, tem sido a empresa quem mais tem surpreendido pela imaginação: Que usava pombos para aumentar a rapidez das buscas, que ia criar um centro de pesquisa na Lua, que conseguia enviar "emails" para o passado, que ia usar as sanitas para fornecer internet de banda larga, ou que conseguia fazer buscas em páginas antes de elas existirem.
Há quatro anos, também o YouTube dizia comemorar o seu centenário e, no ano seguinte, que estaria à venda todo o conteúdo da página, em DVD.
No passado também a imprensa portuguesa foi imaginativa. Autocarros com três pisos estavam a chegar, o Centro Cultural de Belém estava a afundar ou a Câmara de Lisboa estava a mudar-se para um hotel. Mais recentemente foi noticiado que a "troika" exigia que a velocidade da internet baixasse.

Notícia retirada de: http://www.dn.pt/inicio/tv/interior.aspx?content_id=3788307&seccao=Media


1 DE ABRIL - DIA DAS MENTIRAS

As melhores mentiras do 1 de abril



O Dia das Mentiras é hoje e já toda a gente anda à procura de partidas para pregar. O "Huffington Post" elege algumas das melhores de sempre.
São muitas as explicações para o Dia das Mentiras , mas quase todas remontam ao século XVI. Ao longo dos anos a comunicação social também tem entrado na brincadeira. O "Huffington Post" fez uma seleção das melhores "petas" de sempre.
Thomas Edison entra na História do 1 de abril pela mão do jornal nova-iorquino "Graphic". Em 1878, o jornal noticiou que Edison tinha inventado uma máquina que transformava a água em vinho. Vários jornais acreditaram na história e publicaram-na.

BBC mentirosa


O humor britânico também não tem ficado indiferente ao Dia das Mentiras. Em 1957, um programa de televisão inglês da BBC transmitiu uma reportagem com esparguete a crescer em árvores. Apesar de ter sido anunciado como piada, várias pessoas ligaram para a estação inglesa para saber como poderiam ter uma árvore de esparguete. Em jeito de graça, a BBC aconselhava a plantar molho de tomate e esperar pelo melhor.
No 1 de abril de 1996, a cadeia de fast food Taco Bell comprou anúncios em sete dos principais jornais nos EUA a dizer que tinham comprado o sino Liberty Bell   (um símbolo da indepência dos EUA) e que o iriam chamar de Taco Liberty Bell. A empresa alegava que o objetivo da compra era aliviar a dívida americana, mas milhares de pessoas acreditaram e não acharam piada e protestaram até a Taco Bell dizer que tudo não passava de uma partida.
Em 1981, o jornal londrino "Daily Mail " lembrou-se de dizer aos leitores que um japonês pensava que tinha de correr 26 dias e não 26 milhas para entrar na maratona da capital inglesa. Nos subúrbios de Londres várias pessoas viram um homem asiático que só parava de correr para dizer que era mentira do 1 de abril. 

Nixon candidato em 92 


O programa "Talk of the Nation " anunciou, em 1992, Richard Nixon como candidato à presidência. A acompanhar a mentira, passaram um vídeo com clips de um discurso do ex-Presidente, gravado por um imitador, que incluía o novo slogan de Nixon:"Eu não fiz nada de mal e não o farei de novo".
Três estudantes universitários do Ohio lembraram-se, em 1993, de enviar um comunicado de imprensa para um jornal local em nome de uma suposta associação chamada "Armem a coligação dos sem-abrigo". O comunicado pedia doações para armar e treinar sem-abrigo que tivessem passado no teste de saúde mental e precisassem de uma arma. A ideia passou as fronteiras do Ohio e chamou à atenção da agência de notícias da Associated Press e da CNN .
O "USA Today " de 1998 anunciava, numa página inteira, que a novidade do Burger King era um hamburguer especial para canhotos. A mentira pegou e milhares de pessoas dirigiram-se ao Burguer King para pedir o hamburguer. Calcula-se que a Burger King terá poupado milhões de dólares em publicidade com a partida.
A primeira vez que a Google pregou uma partida de 1 de abril foi em 2000. O motor de busca anunciou o "Mentalplex Tecnology", uma ferramenta que permitia ler a mente dos utilizadores. Para que tal funcionasse, bastava olhar para uma imagem em movimento que... de repente dizia "Dia das Mentiras".


Notícia retirada de: http://expresso.sapo.pt/as-melhores-mentiras-do-1-de-abril=f641002 



TOP LEITORES - MARÇO 2014

Temos um empate no segundo lugar... 
Vamos ler mais para desempatar!



TOP LEITORES - MARÇO 2014

Rapazes... Toca a ler...




TOP LEITORES - FEVEREIRO - 2014

E as meninas lideram a tabela...


TOP LEITORES - FEVEREIRO - 2014

Boa, Joana! Parabéns!




quarta-feira, 19 de março de 2014

19 de março - Dia do Pai

A origem do Dia do Pai

"Ao que tudo indica, o Dia do Pai tem uma origem semelhante ao Dia da Mãe, e em ambas as datas a ideia inicial foi praticamente a mesma: criar datas para fortalecer os laços familiares e o respeito por aqueles que nos deram a vida.


Conta a história que em 1909, em Washington, Estados Unidos, Sonora Louise Smart Dodd, filha do veterano da guerra civil, John Bruce Dodd, ao ouvir um sermão dedicado às mães, teve a ideia de celebrar o Dia do Pai. Ela queria homenagear o seu próprio pai, que viu a sua esposa falecer em 1898 ao dar à luz o seu sexto filho, e que teve de criar o recém-nascido e seus outros cinco filhos sozinho. Algumas fontes de pesquisa dizem que o nome do pai de Sonora era William Jackson Smart, ao invés de John Bruce Dodd.
Já adulta, Sonora sentia-se orgulhosa do seu pai ao vê-lo superar todas as dificuldades sem a ajuda de ninguém. Então, em 1910, Sonora enviou uma petição à Associação Ministerial de Spokane, cidade localizada em Washigton, Estados Unidos. E também pediu auxílio a uma Entidade de Jovens Cristãos da cidade. O primeiro Dia do Pai norte-americano foi comemorado em 19 de junho daquele ano, aniversário do pai de Sonora. A rosa foi escolhida como símbolo do evento, sendo que as vermelhas eram dedicadas aos pais vivos e as brancas, aos falecidos.
A partir daí a comemoração difundiu-se da cidade de Spokane para todo o estado de Washington. Por fim, em 1924 o presidente Calvin Coolidge, apoiou a ideia de um Dia do Pai nacional e, finalmente, em 1966, o presidente Lyndon Johnson assinou uma proclamação presidencial declarando o terceiro domingo de junho como o Dia dos Pais (alguns dizem que foi oficializada pelo presidente Richard Nixon em 1972).
No Brasil, a ideia de comemorar esta data partiu do publicitário Sylvio Bhering e foi festejada pela primeira vez no dia 14 de agosto de 1953, dia de São Joaquim, patriarca da família.
A data foi alterada para o 2º domingo de agosto por motivos comerciais, ficando diferente da americana e europeia. 

Em outros países:

Pelo menos onze países também comemoram o Dia do Pai à sua maneira e tradição.
Na Itália, Espanha e Portugal, por exemplo, a festividade acontece no mesmo dia de São José, 19 de março. Apesar da ligação católica, essa data ganhou destaque por ser comercialmente interessante.

Reino Unido - No Reino Unido, o Dia do Pai é comemorado no terceiro domingo de junho, sem muita festividade. Os ingleses não costumam reunir-se em família, como no Brasil. É comum os filhos presentearem os pais com cartões e não com presentes.

Argentina - A data na Argentina é festejada no terceiro domingo de junho com reuniões em família e presentes.

Grécia - Na Grécia, essa comemoração é recente e surgiu do embalo do Dia da Mãe. Comemora-se o Dia do Pai a 21 de junho.

Portugal - A data é comemorada no dia 19 de março, o dia de São José. Surgiu porque é comercialmente interessante. Os portugueses não dão muita importância a esta comemoração.

Canadá - O Dia do Pai canadense é comemorado no dia 17 de junho. Não há muitas reuniões familiares, porque ainda é considerada uma data muito comercial.

Alemanha - Na Alemanha não existe um dia oficial do Pai. Os pais alemães comemoram o seu dia no dia da Ascensão de Jesus (data variável conforme a Páscoa). Eles costumam sair à rua para andar de bicicleta e fazer piqueniques.

Paraguai - A data é comemorada no segundo domingo de junho. Lá as festas são como no Brasil, reuniões em família e presentes.

Peru - O Dia do Pai é comemorado no terceiro domingo de junho. Não é uma data muito especial para eles.

Austrália- A data é comemorada no segundo domingo de setembro, com muita publicidade.

África do Sul - A comemoração acontece no mesmo dia do Brasil, mas não é nada tradicional.

Rússia - Na Rússia não existe propriamente o Dia do Pai. Lá os homens comemoram o seu dia em 23 de fevereiro, "o dia do defensor da pátria" (Den Zaschitnika Otetchestva). 

Independente do seu lado comercial, é uma data para ser muito comemorada, nem que seja para dizer um simples:

 "Obrigado Pai, amo-te muito!" 

Retirado de: http://www.portaldafamilia.org/artigos/texto034.shtml (adaptado)
. 

SEMANA DA LEITURA - GALERIA DE AUTORES - ESCOLA EB 2/3 DOM PAIO PERES CORREIA

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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

A caminho do Natal



O inverno tinha chegado e com ele a neve que caía em grandes flocos. A água deixara de correr nos ribeiros gelados, e as aves, empoleiradas nas árvores, já não cantavam, de cabeça recolhida debaixo das asas. Um vento glaciar obrigava as pessoas a manter-se em casa ao canto da lareira.
Naquela terra corria o rumor de que o senhor de um reino longínquo andava à procura de alojamento para o seu filho.
 
Simão, um mercador rico da cidade, que vivia sozinho com a mulher numa grande mansão, tinha ouvido falar disso. Esse tal rei vem de certeza bater-me à porta, pensava ele, pois a minha casa é a mais linda da região!
 
E ficou no limiar da porta, à espreita, esperando o coche real.
Mas a rua permanecia escura e deserta.
 
A mulher de Simão entrou na sala. Caminhava com dificuldade, de costas curvadas, apoiada numa bengala. Tinha imensas dores de pernas. Trazia um castiçal que pousou em cima da mesa.
— Uma vela só é muito pouco! — disse o marido em tom de crítica — Acende todas as lanternas da casa e põe uma em cada janela.
— Tanta luz para quê? — admirou-se a mulher.
— Vai vir um rei a nossa casa! — explicou Simão. — A casa tem de se ver ao longe, de noite. Se ficar cá, receberemos uma bela recompensa. É por isso que deves iluminar as janelas. Despacha-te! E prepara uma boa refeição, digna de um rei. Anda, despacha-te!
A muito custo a mulher deu volta à casa a iluminar todas as janelas. Tinha chegado à última divisão quando alguém bateu à porta. Foi abrir muito devagar.
O recém-chegado trazia um casaco já muito puído e, nos pés, uns sapatos rotos.
 
— Boa noite, minha senhora — disse ele — Será que poderia alojar o meu filho só por esta noite? Está tanto frio cá fora!
 
O homem tinha ar de mendigo, mas o seu rosto resplandecia. E os olhos emitiam um brilho estranho que parecia vir do mais profundo da alma.
Mas Simão não deu por nada. Só via os farrapos do pobre.
 
— Vai-te embora! — disse ele. — Esta casa não é para mendigos!
— A minha recompensa será grande — disse o forasteiro. — E vale mais do que todo o ouro e todas as riquezas deste mundo.
Simão desatou a rir, trocista:
— E onde escondes tu os tesouros? Debaixo desses farrapos ou no teu saco roto?
Entretanto a mulher de Simão tirara o xaile e entregara-o ao mendigo. Também lhe deu uma fatia de pão e uma chávena de leite.
— É tudo o que lhe posso dar! — murmurou.
— Muito obrigado! — disse o forasteiro.
 
E pegando na bengala em que ela se apoiava, arrumou-a junto do armário.
— Daqui em diante não vai precisar mais dela! — acrescentou, antes de desaparecer na noite. Envolvia-o um halo de luz.
A mulher sentiu-se de imediato livre dos seus sofrimentos. As pernas já não lhe doíam. Endireitou-se e deu alguns passos.
— Estás a andar como dantes! — exclamou Simão maravilhado. — E a bengala?
— Já não preciso dela! — disse a mulher com voz trémula. — Foi um milagre. O forasteiro curou-me…
— Um mendigo que faz milagres? Deixa-te de tolices! — resmungou Simão.
— Aquele desconhecido irradiava uma luz especial… — prosseguiu ela — O Rei é ele, tenho a certeza, um Rei vindo de longe…
 
Simão ficou pensativo. O desconhecido tinha falado numa recompensa que valia mais do que todo o ouro e todas as riquezas deste mundo. E acabava de realizar um milagre. Então Simão compreendeu…
 
— O que eu fui fazer! Que miserável sou! — exclamou ele — Depressa, tenho de o encontrar!
Enfiou as botas e o casaco e saiu a correr.
 
Tinha parado de nevar. O vento glaciar deixara o céu a descoberto, agora semeado de estrelas. No silêncio da noite, Simão ouviu uma voz que o chamava ao longe. Mas não via ninguém. Descobriu pegadas na estrada, e pôs-se a segui-las, descendo em direção à igreja. Ali, encontrou uma mulher a chorar.
 
— Que te aconteceu? — perguntou ele.
— Tenho muito frio! — gemeu a idosa.
Então, cheio de remorsos, Simão deu-lhe o casaco.
Depois continuou a caminhar, seguindo as pegadas na neve. Um pouco mais à frente, viu um rapaz a soluçar. Também ele tinha frio, descalço na terra gelada, com os pés gretados. Simão descalçou as botas forradas e deixou-as ao miúdo.
— Simão! — chamou de novo a voz. Parecia mais próxima do que da primeira vez, mas Simão continuou a não ver ninguém.
 
Descalço, pôs-se a andar, guiando-se sempre pelas pegadas da neve.
Mais longe, passou junto de um idoso que tremia, sentado junto de uma árvore. Vestia apenas uma camisa. Simão despiu o casaco e pô-lo sobre os ombros do mendigo. Também ele sentia agora o vento a morder-lhe a pele nua. Então, pela terceira vez, alguém o chamou:
 
— Simão — disse o Rei, — passaste todas as provas que semeei no teu caminho. Continua a seguir o trilho e chegarás diante de uma pobre cabana. Aí encontrarás o meu filho deitado nas palhas de uma manjedoura. Está à tua espera.
Simão obedeceu.
E as pegadas na neve conduziram-no a um estábulo.
 
Tal como o Rei dissera, um Menino estava deitado nas palhas de uma manjedoura.
Uma grande luz iluminava aquele lugar e um calor suave aqueceu Simão até ao fundo da alma.
Sentiu-se invadido por uma enorme felicidade e uma grande paz encheu-lhe o coração.
Então, ajoelhou e pôs-se a rezar.
E o Menino sorriu-lhe.
 
 
Anneliese Lussert ; Loek Koopmans
Sur le chemin de Noël
Namur, NordSud, 1995
(Tradução e adaptação)
 
A Equipa Coordenadora do Clube das Histórias
 
 
 

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Uma cidade, dois irmãos

 
Em tempos que já lá vão, Salomão reinava na cidade de Jerusalém. Durante o seu reinado, mandou edificar um templo magnífico para o povo. Era um edifício único, um lugar santo. Todos os dias, o monarca recebia no palácio a visita dos seus súbditos, a quem dava conselhos, quando lhos pediam, ou julgava aqueles que tinham infringido as suas leis.
Um dia, apresentaram-se diante do rei dois irmãos. O pai falecera há pouco e ambos disputavam a herança das suas terras. Pediram a Salomão que os aconselhasse.
— Segundo a lei, deveria ser eu a herdá-las! — disse um dos irmãos.
— Mas é de justiça que eu receba a minha parte! — exclamou o outro.
O rei, que era sábio, escutou-os primeiro. Mas, ao ver que cada vez gritavam e se encolerizavam mais, levantou a mão, ordenando que se calassem, e disse:
— Vou contar-vos uma história que ocorreu há muito tempo, muito antes de aqui haver uma cidade, muito antes de esta terra ter um templo.
Eis a história que contou o Rei Salomão:
 
Há muito, muito tempo, havia um vale sulcado por um rio, que abria caminho por entre as montanhas, a nascente, e desaguava no mar, a poente. O vale era rodeado por encostas cobertas de oliveiras e amendoeiras. No lugar onde o rio acompanhava a curva de uma montanha rochosa, havia duas povoações, cada uma delas com um punhado de casas de pedra, algumas lojas, e currais para os animais.
Nelas viviam dois irmãos que cultivavam campos no solo fértil do vale, a meio caminho entre as duas povoações. O irmão mais velho vivia na povoação acima dos campos que partilhavam. O mais novo vivia na povoação abaixo dos campos que cultivavam. Duas estradas ligavam os dois povoados: uma ficava no cume da montanha que os separava, a outra atravessava o vale e passava junto aos campos.
Todos os outonos, depois das primeiras chuvas, os dois irmãos pegavam nos seus burros e juntos aravam a terra e faziam a sementeira. E, todos os invernos, as sementes germinavam e cresciam até à primavera. Depois, as cabecinhas dos caules engrossavam e amadureciam e, no verão, já apresentavam uma cor dourada. Os dois irmãos ceifavam o trigo, debulhavam-no, e guardavam o grão em sacos.
Uma vez terminadas estas tarefas, os irmãos contavam os sacos e repartiam-nos de forma igual, ficando cada um com metade. Tocava a cada um a mesma quantidade de palha para os animais e a mesma quantidade de trigo para moer, converter em farinha, e fazer pão. Quando chegava o outono, começavam a lavrar a terra de novo. E assim se iam passando os anos.
O irmão mais velho casou e não tardou a ter a casa cheia de filhos para alimentar. Felizmente que a parte da colheita que lhe tocava durava sempre até ao fim do inverno, o que o deixava contente. O irmão mais novo nunca casou. Alguns diziam que não tinha encontrado a mulher que lhe convinha, outros diziam que gostava de levar uma vida tranquila. De qualquer forma, também ele se sentia contente.
 
Certo verão, a colheita foi excelente, melhor do que alguma vez fora. Os dois irmãos empilharam os sacos pesados e viram que havia vinte para cada um. Quando o irmão mais velho acabou de os amontoar, pensou no mais novo. "Tenho muita sorte em ter uma família", disse para consigo, "porque, quando for velho, cuidarão de mim. Mas o meu irmão não tem ninguém. Como tem de poupar para a velhice, vai precisar deste trigo mais do que eu."
Então, o irmão mais velho decidiu dar um presente ao irmão mais novo. Quando a noite se pôs, carregou três sacos de grão no burro e subiu a montanha por detrás da sua casa. Depois, desceu a encosta e foi até ao povoado onde vivia o irmão. Era uma noite sem estrelas nem luar. Contudo, ele conhecia tão bem o caminho que poderia fazê-lo de olhos vendados. Sem fazer barulho, dirigiu-se, pé ante pé, até ao alpendre onde o irmão guardava o grão e deixou três sacos junto dos que já lá estavam. Depois, regressou a casa, sorrindo, a pensar na cara do irmão quando visse os sacos na manhã seguinte.
No dia seguinte, depois de tomar o pequeno-almoço, a mulher perguntou-lhe como tinha corrido a colheita.
— Este ano só tivemos dezassete sacos — disse o marido. — Se não os gastarmos mal gastos, serão suficientes.
A mulher fitou-o, surpreendida.
— Só dezassete sacos? Parecia uma colheita tão boa...
O marido encolheu os ombros e sorriu. Enquanto a família acabava de comer, a mulher foi até ao lugar onde guardavam os sacos de trigo. Regressou a casa passado pouco tempo.
— Ó homem, estás tão cansado que nem sequer sabes contar os sacos.
— O que queres dizer com isso? — perguntou o marido.
— Fui ao armazém e contei vinte sacos, não dezassete.
— Não pode ser! — exclamou ele.
Foi ver com os seus próprios olhos e deparou com vinte sacos.
— Como é isto possível? Devo ter sonhado!
Naquela noite, depois de o sol se pôr, voltou a carregar três sacos no burro e levou-os até casa do irmão. Desta vez, para que o burro não se cansasse, tomou o caminho do vale. Na manhã seguinte, disse à mulher que só tinham dezassete sacos porque tinha oferecido três. Pôs um dedo nos lábios e disse, sussurrando:
— É um segredo.
A mulher olhou para ele, desconfiada:
— Tens a certeza do número de sacos? — perguntou.
— Claro que tenho. Vem comigo e já te mostro.
Mas, quando foram contá-los, eram novamente vinte. A mulher não achou graça ao sucedido.
— Porque troças de mim? Devias dizer-me a verdade.
— Será um milagre? — interrogou-se o homem. — Ou será que estou a ficar velho e já não me lembro do que faço?
Na terceira noite, depois do entardecer, saiu de novo com três sacos, decidido a dar o presente ao irmão, custasse o que custasse.
 
Três dias antes, o irmão mais novo, ao acabar de empilhar o último saco, pensara no irmão mais velho e nas bocas que este tinha de alimentar. "Ele precisa mais do trigo do que eu", pensou, "e já sei o que vou fazer. Sem ele saber, vou deixar três sacos dos meus junto dos dele, e terá uma bela surpresa pela manhã".
Quando já era noite, carregou três sacos no burro e, sob um céu sem estrelas, tomou o caminho do vale, rumo à casa do irmão mais velho. Uma vez lá, deixou os sacos no celeiro. No dia seguinte, o irmão mais novo reparou, com estranheza, que havia demasiados sacos de trigo no seu alpendre. Contou-os e estavam vinte. Mas, se tinha oferecido três, só devia haver dezassete. Como era possível que houvesse vinte? Teria sonhado?
Passou o dia a dar voltas à cabeça. Quando anoiteceu, voltou a carregar três sacos no burro, decidido que estava a ajudar o irmão. Desta vez, tomou o caminho mais curto, o que subia a montanha, para deixar os sacos ao irmão. Regressou a casa, sem que ninguém o visse. Na manhã seguinte, voltou a contar os sacos e viu que tinha vinte. "Isto deve ser imaginação minha", pensou. "Esta noite, levo-os sem falta". Naquela noite, pela terceira, vez, voltou a percorrer o caminho da montanha para ir ao povoado do irmão. Desta vez, havia lua cheia. Quando atingiu o cume da montanha, viu o irmão a dirigir-se para ele e pareceu-lhe estar diante do seu próprio reflexo.
Sem dizer palavra, ambos compreenderam porque se tinham encontrado ali. Os seus corações encheram-se de alegria, ao darem-se conta do amor fraternal que os unia. Foi naquela montanha, entre as duas povoações, que Jerusalém foi erguida. E, no mesmo sítio onde se encontraram os irmãos, construiu-se o templo sagrado.
 
Com estas palavras, Salomão deu por finda a história.
Os dois homens ficaram em silêncio e todos na sala de audiências ficaram suspensos da sua reacção. Ao fim de algum tempo, o irmão mais velho ergueu os olhos.
— Irmão — disse — o que outrora foi do nosso pai é agora nosso. Nem teu nem meu, mas nosso. Devemos partilhá-lo.
Abraçaram-se os dois e abandonaram a sala, de braço dado. Desde esse dia, tanto eles como as suas famílias viveram sempre juntos e felizes. E não havia história que os filhos ouvissem com mais atenção e interesse do que a dos dois irmãos, a história que Salomão, o rei sábio, tinha contado aos seus pais.
 
 
Chris Smith
Una ciudad, dos hermanos
Barcelona, Intermón Oxfam, 2007
(Tradução e adaptação)