terça-feira, 20 de março de 2012

Equinócio da Primavera 2012

Em 2012 o Equinócio da Primavera ocorre no dia 20 de Março às 5h14m. Este instante marca o início da Primavera no Hemisfério Norte. Esta estação prolonga-se por 92,75 dias até ao próximo Solstício que ocorre no dia 21 de Junho às 00h09m. Os instantes estão referenciados à hora legal.
"Vai-te ao longo da costa discorrendo,
e outra terra acharás de mais verdade,
lá quase junto donde o Sol ardendo
iguala o dia e noite em quantidade."

Lus.,II,63.
Primeiro dia de Primavera

Na parte norte do mundo, 20 de Março é o primeiro dia da Primavera. Os ventos frios do Inverno já se foram e as flores selvagens estão a começar a florescer. É hora de encontrar os calções da natação e sapatilhas para o futebol e planear viagens de Verão. E ler ao ar livre…

No distante sul, atravessando o equador, o Outono está prestes a chegar. Os dias mais quentes do verão já são passado. Cada dia é mais curto do que o anterior. Será logo hora de juntar as folhas e ir buscar as roupas quentes.

A razão para estas mudanças tem que ver com a viagem anual da Terra em torno do sol.

Durante parte do ano, o Pólo Norte da Terra aponta afastado do sol e parte do tempo em direcção a ele. É isto que dá origem às nossas estações. Quando o Pólo Norte aponta para o sol, os raios do sol batem na metade norte do mundo mais directamente. Isso significa que está mais quente e nós temos o Verão. Mas quando o Pólo Norte está apontado em direcção ao sol, o Pólo Sul aponta afastado do sol. Assim a parte sul do equador da Terra recebe menos calor do sol e é Inverno lá.

O dia mais longo acontece no meio do verão, a 21 ou 22 de Junho, a norte do equador. Isso chama-se o solstício do Verão. O dia mais curto está no meio do Inverno, por volta de 21 ou 22 de Dezembro, a norte do equador. Isso é chamado o solstício do Inverno.
Mas mesmo entre o Inverno e o Verão, este ano a 20 de Março, cada dia e noite
tem a duração de 12 horas. Isto é denominado de equinócio vernal. É o primeiro dia de Primavera a norte do equador e o primeiro dia de Outono na parte sul do mundo.
Entre o Verão e o Inverno há um outro equinócio, chamado equinócio outonal. Tal como o equinócio vernal, o dia e a noite têm a mesma duração. Só que esta mudança é o primeiro dia do Outono a norte do equador e o começo da Primavera para o sul.

Palavras-chave:
Equinócio
O tempo em que a noite e o dia são de duração igual em todas as partes da Terra; instante em que o Sol, no seu movimento anual aparente, corta o equador celeste. A palavra de origem latina significa "noite igual ao dia", pois nestas datas dia e noite têm igual duração.

- Equinócio da Primavera: o começo da Primavera, chamado frequentemente de equinócio vernal. Vernal significa "da primavera." Ocorre a 20 ou 21 de Março
- Equinócio outonal: o começo do Outono. Ocorre a 22 ou 23 de Setembro.
 
Solstício
A época do ano em que o sol alcança o mais distante norte ou o mais distante sul. A palavra solstício significa " sol ainda lá está".
- Solstício do Verão: O dia do solstício do Verão é o dia o mais longo do ano. É o começo do verão, a 21 ou 22 de Junho.
- Solstício do Inverno: O dia do solstício do Inverno é o dia o mais curto do ano. É o começo do Inverno, a 21 ou 22 de Dezembro.

 

Cada estação (primavera, verão, outono e inverno) dura aproximadamente três meses e trazem mudanças na temperatura, no tempo e na duração da luz do dia. As estações mudam constantemente porque a inclinação do eixo terrestre nunca muda enquanto a Terra circunda o sol.

 

 

Fonte

http://www.oal.ul.pt/index.php?link=destaque&id=239

http://pt.wikipedia.org/wiki/Primavera

segunda-feira, 19 de março de 2012

Dia do Pai

O Dia do Pai tem origem na antiga Babilónia, há mais de 4 mil anos.
Um jovem chamado Elmesu Moldou esculpiu em argila o primeiro cartão. Desejava sorte, saúde e longa vida ao seu pai.
Nos Estados Unidos, Sonora Luise resolveu criar o Dia do Pai em 1909, motivada pela admiração que sentia pelo seu pai, John Bruce Dodd. O interesse pela data difundiu-se da cidade de Spokane para todo o Estado de Washington e daí tornou-se uma festa nacional.
Em 1972, o presidente americano Richard Nixon oficializou o Dia do Pai. Neste país é comemorado no terceiro Domingo de Junho.

Em Portugal é comemorado a 19 de março.

No Brasil, é comemorado no segundo Domingo de agosto. A criação da data é atribuída ao publicitário Sylvio Bhering, em meados da década de 50, festejada pela primeira vez no dia 14 de agosto de 1953, dia de São Joaquim, patriarca da família.

Em Portugal, o Dia do Pai celebra-se a 19 de março porque este é o dia de São José, o pai de Jesus. Assim faz-se uma homenagem especial a todos os pais do mundo.

São José, marido de Maria, era carpinteiro e vivia na cidade de Nazaré, na Galileia. Ao que parece, era um bom homem e aceitou ser o pai de Jesus. A sua história vem contada na Bíblia.
O culto a São José começou no século IX. Não se sabe ao certo em que data José nasceu ou morreu, mas o papa Gregório XV, em 1621, referiu a data de 19 de março como a da sua morte.
E assim ficou a ser o seu dia!
Tornou-se também o santo padroeiro (protector) dos carpinteiros, pela profissão que tinha.
O nome José vem do hebreu, Youssef, e significa "que Deus acrescente".

Países que celebram no terceiro Domingo de junho: África do Sul, Argentina, Canadá, Chile, Eslováquia, Estados Unidos, Filipinas, França, Hong Kong, Holanda, Índia, Irlanda, Japão, Macau, Malásia, Malta, México, Peru, Reino Unido, Turquia e Venezuela.

Países que celebram noutras datas: Áustria, segundo Domingo de Junho; Austrália, primeiro Domingo em Setembro; Bélgica, St Joseph's day (19 de março), e o segundo Domingo em junho ("Secular"); Brasil, segundo Domingo de agosto; Bulgária, 20 de junho; Dinamarca, 5 de junho; República Dominicana, último Domingo de junho; Alemanha, no Dia da Ascensão; Coreia do Sul, 8 de maio; Lituânia, primeiro Domingo de junho; Nova Zelândia, primeiro Domingo de setembro; Noruega, Suécia, Finlândia, Estónia, segundo Domingo de novembro; Polónia, 23 de junho; Portugal, Espanha, Itália, 19 de março; Rússia, 23 de fevereiro (dia do Exército); Tailândia, 5 de dezembro, dia do nascimento do rei Bhumibol Adulyadej; Taiwan, 8 de agosto.

19 de Março - Dia de São José
O culto a São José começou provavelmente no Egipto, passando mais tarde para o Ocidente, onde hoje alcança grande popularidade. Em 1870, o papa Pio IX proclamou-o "O Patrono da Igreja Universal" e, a partir de então, passou a ser cultuado no dia 19 de março.
Em 1955 Pio XII fixou o dia 1º de maio para "São José Operário, o trabalhador".

Apesar de ter grande importância dentro da Igreja Católica, o nome de São José não é muito citado dentro das fontes bibliográficas da Igreja, sendo apenas mencionado nos Evangelhos de S. Lucas e S. Mateus.

Descendente de David, São José era carpinteiro na Galileia e comprometido com Maria. Segundo a tradição popular, a mão de Maria era aspirada por muitos pretendentes, porém, foi a José que ela foi concedida.
Quando Maria recebeu a anunciação do anjo Gabriel de que daria à luz ao Menino Jesus, José ficou bastante confuso porque apesar de não ter tomado parte na gravidez, confiava na fidelidade dela. Resolveu, então, terminar o noivado e deixá-la secretamente, sem comentar nada com ninguém. Porém, num sonho, um anjo apareceu e contou-lhe que o Menino era Filho de Deus e que ele deveria manter o casamento.
José esteve ao lado de Maria em todos os momentos, principalmente na hora do parto, que aconteceu num estábulo, em Belém.

Quando Jesus tinha dois anos, José foi novamente avisado por um anjo que deveria fugir de Belém para o Egipto, porque todas as crianças do sexo masculino seriam exterminadas, por ordem de Herodes.
José, Maria e Jesus fugiram para o Egipto e lá permaneceram até que um anjo os avisasse da morte de Herodes.
Temendo um sucessor do tirano, José levou a família para Nazaré, uma cidade da Galileia.

Outro momento da vida de Cristo, em que José aparece na condição de Seu guardião, foi na celebração da Páscoa Judaica, em Jerusalém, quando Jesus tinha 12 anos.
Na companhia de muitos dos seus vizinhos, José e Maria voltaram para a Galileia com a certeza de que Jesus estava no meio do grupo.
Ao chegar a noite e não terem notícias de seu filho, regressaram para Jerusalém numa busca que durou 3 dias.
Para a surpresa do casal, Jesus foi encontrado no templo, no meio dos doutores da lei mais eruditos, explicando coisas que os deixavam admirados.

Apesar da grande importância de José na vida de Jesus Cristo não há referências da data de sua morte.
Acredita-se que José tenha morrido antes da crucificação de Cristo, quando este tinha 30 anos.


Fonte

Mais actividades para este dia
Minerva/Universidade de Évora http://www.minerva.uevora.pt/pai/ 

sexta-feira, 16 de março de 2012

Maré de Contos - Semana da Leitura - Tavira 2012

Ana e a galinha pedrês

Esta história passou-se na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial. A comida era escassa.
As pessoas, sobretudo as crianças, alimentavam-se mal e estavam sempre esfomeadas.

Todas as semanas, Ana ia ao campo à procura de alimentos. Levava a bicicleta, mas andava demasiado cansada para pedalar. Caminhava devagar, empurrando-a. Mas até isso fazia com que o seu coração batesse depressa. Ultimamente, sentia-se sempre cansada. E também desanimada. Nem aos agricultores restava qualquer legume. À exceção de algumas beterrabas que um homem lhe tinha dado, mais ninguém lhe dera ou vendera o que quer que fosse.
Naquele instante, Ana apercebeu-se de que não podia continuar. Tinha de parar e descansar. Tombou a bicicleta, assegurando-se primeiro de que as beterrabas não caíam do cesto. Depois estendeu-se na relva fresca. Sonhou com comida. Parecia que, nos últimos tempos, todos os seus sonhos tinham a ver com comida. Desta vez, sonhou com cenouras douradas, cozidas a vapor, com natas e manteiga. Mesmo no sonho, Ana sabia que isto era uma loucura, porque não conseguia recordar-se de alguma vez ter comido manteiga ou natas. Mas a mãe tinha-lhe falado sobre isso e quase podia provar aquela delícia no seu sonho.
Sonhou, em seguida, com tomates, vermelhos e sumarentos. Havia um monte deles e Ana preparava-se para comer um, quando tudo desapareceu. Acordou de repente e sentou-se. Na sua frente estava uma galinha pedrês. Olharam uma para a outra. De repente, Ana apercebeu-se de que a galinha estava a falar. Pelo menos, estava a cacarejar e a falar da maneira que as galinhas falam.
― Por que é que estás a olhar para mim, sua tonta? ― perguntou Ana. ― Fazes tanto barulho que me acordaste.
― Cu-u-u-t… cu-u-u-t… ― disse a galinha, e recuou, assustada com a voz zangada de Ana.
Foi então que Ana viu o ovo! Pegou nele cuidadosamente. Ainda estava quente.
― Oh, minha linda, linda galinha! ― exclamou. ― Desculpa ter sido dura contigo. Obrigada por este ovo maravilhoso!
A galinha pedrês afastou-se e Ana ficou sozinha com o ovo. Agora que descansara, sentia-se melhor. Tinha de ir depressa para casa, dar o ovo à mãe. Talvez pudessem comer uma omeleta pequenina! Ana tirou o lenço que usava na cabeça. Com cuidado, embrulhou o ovo e pô-lo delicadamente no cesto, juntamente com as beterrabas. Montou na bicicleta e começou a subir a estrada. Mas um pensamento triste tomou conta dela. Na verdade, o ovo não lhe pertencia. Pertencia ao dono da galinha pedrês. Ana começou a pedalar cada vez mais devagar. “Não”, disse energicamente para si mesma, “o ovo é meu. A galinha pô-lo mesmo ao meu lado enquanto eu dormia.” Continuou a subir a estrada. “De qualquer forma, não sei de quem é a galinha. E mesmo que soubesse, ninguém ia adivinhar que eu tenho o ovo.”
Havia uma casinha branca perto da estrada. “Não conseguem ver nada”, disse Ana para consigo. “Tenho o ovo todo coberto.” Começou a pedalar mais depressa. Mas parecia que a bicicleta ia cada vez mais devagar. E, quando chegou perto da casa branca, as pernas já não conseguiam pedalar. Muito lentamente, desceu da bicicleta e dirigiu-se à casa.
― Sim? ― perguntou a jovem mulher que veio à porta.
Com muita relutância e o sonho da pequena omeleta a desvanecer-se rapidamente, Ana indagou:
― Tem… tem… uma… uma galinha pedrês?
― Sim, temos ― respondeu a mulher.
Lenta e cuidadosamente, Ana tirou o ovo do lenço e entregou-o à mulher.
― Então isto também lhe pertence ― disse numa voz quase inaudível.
― Oh, muito obrigada. Aquela galinha anda sempre a vaguear e a deixar os ovos nos sítios mais improváveis. É a única que nos resta e precisamos dos ovos dela para o nosso pequeno. É que ele está muito doente.
Ana preparava-se para ir embora. A jovem mulher parecia perturbada.
― Foste tão amorosa ― disse. ― Gostaria de te dar algo para pores no cesto. Mas não temos quase nada. Eu… eu não tenho nada para te dar.
― Não faz mal ― disse Ana.
E montou outra vez na bicicleta. Ansiava por sair de perto daquela casa, da galinha pedrês e do ovo maravilhoso. Quando chegou a casa, Ana contou à mãe o que se tinha passado. Teve medo que a mãe lhe ralhasse por chegar tarde e por só trazer algumas beterrabas. Quem sabe se até se zangaria por Ana não ter ficado com o ovo…Mas a mãe apenas acariciou o cabelo de Ana e olhou-a durante muito tempo, sorrindo.
― Então não ficou zangada comigo, mãe? Não lhe parece que sou nova demais para ir ao campo tentar arranjar legumes?
― Não, Ana. ― disse a mãe. ― Estou aqui a pensar na filha maravilhosa que tenho. Quando se anda sempre com tanta fome, só um verdadeiro adulto poderia ter tomado uma decisão tão difícil.
Ruth Hunt Gefvert

Acordo ortográfico, outra interpretação


Causes.com
Pela Língua Portuguesa contra o "Acordo"!
Posted by Victor Santos Carvalho (cause founder)
note
Um Tribunal diz que o acordo ortográfico não está em vigor!
http://links.causes.com/s/clBziJ «Notifique ainda a agente de execução, esclarecendo-a, que por força da Ordem de Serviço nº 2/2012, no 2º Juízo Cível do Tribunal Judicial de Viana do Castelo, não se aplica a grafia do denominado Acordo Ortográfico de 1990. Por outro lado, e uma vez que... See more

Semana da Leitura 2012

sexta-feira, 9 de março de 2012

Limpar Portugal 2012 - Convite para a iniciativa a decorrer em Tavira

Annapurna, a minha mãe é uma deusa


Veena vive em Bombaim, uma grande cidade da Índia, à beira-mar.
A casa onde Veena vive é apenas um barracão com um corredor comprido e muitos quartos, um para cada família. Cada quarto tem cinco passadas de comprimento e três de largura. Para terem mais espaço, o pai acrescentou uma assoalhada entre o chão e o teto, onde, em cima de esteiras, dormem Veena, os irmãos e irmãs, e os pais. Veena tem dois irmãos, Shivaji e Goga, e três irmãs, Shaya, Najma e Rukminidevi. Rukminidevi ainda é bebé e todos lhe chamam Ruki.
Uma corda estendida ao longo do quarto serve para pôr a roupa a secar. Não há armários, por isso estão penduradas nas paredes muitas panelas, conchas, sertãs e outros utensílios. Por debaixo da janela há dois fogareiros e, ao lado, duas prateleiras de madeira com muitas ervas aromáticas, legumes e peixe secos, onde também estão encostados os sacos com o arroz, as lentilhas e os cereais. Está tudo muito limpo e arrumado, porque a mãe é uma Annapurna. Veena tem orgulho na mãe. Ser uma Annapurna não significa apenas ser cozinheira: significa ser uma deusa. A deusa Annapurna é a deusa da alimentação. Há muitas Annapurnas nos barracões, como a mãe de Veena, que cozinham para os empregados têxteis que trabalham na fábrica do Sr. Madanis.
Como o pai está doente há muito tempo e já não pode ir trabalhar para a fábrica, a mãe é a única que sustenta a família. Embora já tenha nove anos, Veena não pode ir à escola. Ela e Shaya, a irmã, têm de ajudar a mãe. Limpar vegetais, moer especiarias e lavar arroz ou lentilhas são coisas que também elas já sabem fazer.
Todos os dias, pelo meio-dia, Veena e a mãe pegam nos sacos e nos cestos, e vão ao mercado. Normalmente, está muito calor, mas a mãe não pode ir noutra altura. Os comerciantes, indolentes, descansam à sombra das suas lojas, bancas, carrinhos de mão e mesas. Costumam comprar muita coisa: peixe seco, legumes, trigo, azeite, carne e, por vezes, peixe fresco também. Veena não gosta do peixe fresco. Cheira muito mal e, além disso, está sempre envolto numa nuvem de moscas. Quando a mãe levanta um para ver se é mesmo fresco, as moscas fogem e há sempre algumas que tentam poisar na cara de Veena, que as sacode. Mas elas são teimosas e voltam sempre. Ainda bem que a mãe raramente compra peixe fresco. O peixe seco é mais barato e aguenta mais tempo.
A mãe há muito que conhece a maior parte dos vendedores, e cumprimenta-os pelo nome. Também eles a conhecem e são simpáticos com ela, pelo menos enquanto olha e escolhe, mas, mal pergunta o preço, tornam-se sérios. Começam a regatear e, às vezes, demoram muito tempo. A mãe não desiste enquanto não consegue um bom preço. Alguns vendedores fingem que choram de aflição, outros praguejam:
– Deixa estar, Kirrisushi, da próxima vez não me enganas!
Mas, quando a mãe volta a aparecer, são tão simpáticos como dantes. A mãe sabe disso e sorri.
– O que seria um comerciante sem os compradores? – disse uma vez a Veena. – Nada. Nós precisamos dele e ele precisa de nós.
No mercado, Veena caminha em silêncio ao lado da mãe. Há tanta gente! As pessoas abrem caminho às cotoveladas, calcam os pés umas das outras e fazem-se de muito importantes. Veena sente-se insignificante. Do barulho, pelo contrário, Veena gosta muito. É completamente diferente do barulho das salas da fábrica. Alguns comerciantes anunciam os seus produtos com ditos muito engraçados, outros juram por todos os deuses que os seus são os mais frescos, embora qualquer pessoa veja que as bananas já estão muito escuras e que as maçãs estão tocadas.
Os pregões são abafados pelo som estridente dos rádios transístores. Cada vendedor sintonizou uma estação diferente e todas se misturam umas com as outras, numa grande confusão de ruídos. Mesmo assim, Veena consegue apanhar uma melodia que lhe agrada e fixa-a. Trauteia-a depois baixinho enquanto está no mercado e depois, quando ela e a mãe regressam a casa, cada uma com um saco à cabeça e um cesto em cada mão. Com uma melodia, Veena esquece até o peso da carga, e é capaz de se sentir feliz uma tarde inteira.
Hoje, ouviu uma melodia particularmente bonita, tocada por um flautista sentado entre duas bancas. À direita e à esquerda havia rádios a tocar, mas ele prosseguia, persistente e alheado, a sua melodia melancólica. Até a mãe gostou e parou algum tempo para ouvir, coisa que nunca faz. E agora trauteia-a juntamente com Veena.
– Eu já tinha ouvido esta música e acho que foi quando era pequena – diz a mãe, ao ver Veena olhar para ela, admirada.
Veena não consegue imaginar que a mãe já tenha sido criança, mas é claro que teve de ser. Será que era parecida com ela? Ou antes com Shaya? No preciso momento em que pensava nisto, Veena ouve muitos gritos atrás dela:
– Ladrão! Pára!
– Ali! Ali vai ele a correr!
Vira-se e assusta-se: Goga! É Goga quem fura por entre a multidão, sem olhar para a direita nem para a esquerda, e desaparece na confusão. Dois ou três vendedores correm atrás dele, mas não conseguem apanhá-lo.
A mãe também ouviu os gritos e viu Goga. Ainda há pouco sorria e cantava baixinho, mas agora, de repente, parece muito cansada. Até chegarem a casa, Veena não se atreve a dizer mais nada. Já não é a primeira vez que Goga rouba. A mãe ralha muitas vezes com ele por causa disso, mas Goga volta sempre a repetir. De volta ao barracão, a mãe pousa primeiro os cestos e depois tira o saco da cabeça. A seguir, chama Shaya.
– Viste o Goga?
Shaya não viu o irmão nem coisa nenhuma. Aproveitou a ausência da mãe para dormir mais um pouco, o que se vê pela cara inchada e pelos olhos mortiços. A mãe pergunta ao pai, mas ele também não o viu. Esteve todo o tempo deitado na esteira, e, em casa, o Goga não esteve. Também não o ouviu. E Najma esteve a tomar conta de Ruki. Isso já é trabalho que chegue. Ruki é tão selvagem que Najma não pode tirar os olhos de cima dela nem por um segundo. A mãe não descansa. Corre para fora e pergunta aos rapazes que estão em frente do barracão. Mas também eles não viram Goga desde manhã cedo. Nem Shivaji sabe onde possa estar o irmão. Veena está ao pé da mãe e ouve-a perguntar por ele, preocupada. Não diz que Goga roubou no mercado. Não quer que se fale por aí, mas fica zangada com Shivaji por ele não saber por onde anda Goga. Shivaji tem dezasseis anos, Goga, catorze. Shivaji devia olhar m ais pelo irmão. Shivaji faz uma careta. Está a jogar com os amigos e não quer ser incomodado.
A mãe volta para o barracão, mas Veena ainda fica sentada por algum tempo a ver os rapazes. Colocaram uma lata à frente deles e tentam cuspir lá para dentro. Quem falhar fica de fora. Todos os que acertaram dão um passo atrás e voltam a cuspir para ver quem vence a aposta. Ao fim de bastante tempo, ficam só dois. Um deles é Shivaji. Inclina-se para a frente, porque a distância à lata é já muito grande, mas, mesmo assim, acerta. O outro não. Shivaji ganhou. Dá a volta por todos os rapazes e recebe de cada um deles uma moeda. Depois, o jogo recomeça.
Veena procura Goga, mas não o vê em lado nenhum. Tem dois irmãos tão diferentes! Goga é um vadio, sempre metido em sarilhos. Shivaji prefere ficar por casa e ganhar algum dinheiro aos outros. Será que é por ter o nome do deus Shivaji que ele é assim tão hábil? Veena suspira. Por vezes, gostaria de dizer aos irmãos que não deviam dar tantas preocupações à mãe. Mas claro que não pode dizer nada. Ela é só uma rapariga, e um dia vai casar e partir. Shivaji e Goga ficarão com os pais e, um dia, vão alimentá-los.
– Veeeeena!
A mãe! Veena levanta-se depressa e corre para junto da mãe. Tem de cortar ervas aromáticas, lavar arroz e moer especiarias. Não há muito tempo para pensar.
Goga só aparece à noite. Não sabe que Veena e a mãe o viram. Tem um cigarro enfiado no canto da boca, um sorriso irónico espalhado pela cara, e parece muito satisfeito. A mãe não contou nada ao pai sobre o roubo. Só Veena sabe. A mãe não lhe faz qualquer reparo, porque continua a não querer que o pai saiba, e dá-lhe a porção de arroz. Só o olhar é que deixa adivinhar alguma coisa. Goga repara nisso, e o sorriso desaparece-lhe.
– Aconteceu alguma coisa? – pergunta em voz baixa.
A mãe continua calada. Só quando Goga acaba de comer é que lhe faz sinal para ir até à frente da barraca. Veena segue-os. Se viu o que Goga fez, também quer saber o que a mãe vai dizer-lhe. Está escuro, em frente da barraca. Veena agacha-se junto ao caixote do lixo e olha para os dois. Só distingue as sombras, mas consegue ouvir tudo.
– Goga! – exclama a mãe em voz baixa. – Goga! Goga! Goga!
E depois pergunta:
– O que é que roubaste?
– Eu? – Goga faz-se de admirado. – Absolutamente nada!
– Não mintas! – ralha a mãe. – Eu vi-te. Tu tornaste a roubar, embora me tivesses prometido que não tornavas!
Goga fica calado.
– Então, o que é que roubaste?
– Uma galinha.
– E o que fizeste com ela?
Goga baixa ainda mais a cabeça e volta a calar-se. A mãe fica furiosa. Agarra Goga pelos ombros e sacode-o.
– Nós somos pessoas honestas, ouviste? Nós não roubamos. Temos comida e um teto, estamos bem. Não temos razão nenhuma para roubar.
Veena não consegue ver, mas sabe que Goga está a fazer cara de amuado. Goga quer um dia ser rico a sério. Foi ele que lhe disse. Ter a barriga cheia e um teto sobre a cabeça não lhe chega.
– O que fizeste com a galinha? – insiste a mãe. – Fala, de uma vez por todas!
– Eu… eu vendi-a – diz Goga por fim.
– E o que fizeste com o dinheiro?
Goga volta a calar-se. A mãe perde a paciência.
– Se não mo queres dizer a mim, di-lo ao pai.
Isso Goga não quer.
– Eu… eu comprei um bilhete para ir ao cinema.
– Tu foste ao cinema?
Goga acena com a cabeça e depois desata a chorar.
– Há tantos rapazes que vão ao cinema. Eu também queria…
Não diz mais nada. A mãe tapa-lhe a boca. Ninguém deve saber da conversa que tiveram um com o outro.
– Ainda tens dinheiro? – pergunta em voz baixa.
– Sim – confessa Goga.
– Leva-o ao templo. Oferece-o a Shiva. Talvez ele te perdoe.
Goga acena com a cabeça e depois sai imediatamente para seguir o conselho da mãe. Pelo menos, faz como se fosse segui-lo. Ainda por um momento, Veena segue o irmão com o olhar, e depois vai atrás da mãe para continuar a ajudá-la. Mas agora o trabalho já não é importante. O que Goga acabou de dizer é simplesmente extraordinário. Foi ao cinema e viu um filme a sério? Ela nunca foi ao cinema, só conhece os cartazes coloridos, onde se veem mulheres bonitas, homens a lutar, ou um casal de apaixonados.
Mira, a vizinha, também já foi ao cinema. Isso foi há bastante tempo, mas ela conta o filme muitas vezes. À mãe já contou duas, e, de ambas as vezes, Veena pôde ouvir. Desde então, também ela deseja poder ir ver um filme. O filme de Mira tinha sido muito bonito. Aparecia uma flor mágica, mas depois um demónio roubava-a, e um jovem deus tinha de voltar a encontrá-la. Deve ser maravilhoso viver uma história daquelas. Mira diz que nunca tinha chorado nem rido tanto como no cinema. E que todas as outras pessoas também tinham rido e chorado.
De noite, Veena está acordada e olha para Goga. Está muito escuro e não consegue vê-‑lo bem, mas sabe exatamente onde ele está deitado. Cautelosamente, chega-se a ele às apalpadelas. Shivaji acorda e agarra na bolsa com as moedinhas que escondeu debaixo da esteira. É o seu ganho. Hoje teve muita sorte no jogo.
– Sou eu – sussurra Veena, chegando-se para mais perto de Goga.
Shivaji resmunga em voz baixa, mas não se atreve a falar mais alto. Se o pai apanha a bolsa, fica com ela. Goga ainda está acordado, deitado de costas, a olhar para a escuridão. Veena toca-lhe ligeiramente.
– Sou eu.
– O que é que queres?
Goga não quer ser incomodado. Talvez esteja a pensar no filme.
– Foi bonito no cinema?
– Foi.
– O filme foi interessante?
– O que é que achas? Claro que sim.
– Conta-mo!
– Agora?
– Sim, por favor! Eu nunca fui ao cinema.
Goga conta-lhe então o filme, e fá-lo de boa vontade. Estava mesmo a pensar nele. Veena vê tudo à sua frente: a bela princesa, que foi assaltada por um bandido, o príncipe, que ama a princesa e que tem de lutar contra o bandido, a grande festa em honra do príncipe, por ele ter vencido o bandido. Quando Goga acaba, Veena chora.
– O que foi? – sussurra Goga. – Por que estás agora a chorar?
– Também gostava de ir uma vez ao cinema.
Primeiro, Goga fica em silêncio. Depois diz, com um ar duro:
– Quem quer ir ao cinema tem de roubar.
Roubar? Não! Disso, ela nunca será capaz! Sem barulho, Veena volta para a sua esteira e torna a pensar na princesa do filme de Goga. Depois, no bandido e no príncipe… De repente, no meio das imagens, vê a bolsa de Shivaji. Será que o dinheiro que está lá dentro chegaria para um bilhete de cinema? Veena começa a sentir-se muito quente. Não pode pensar aquilo em que está a pensar. Ela não é nenhuma ladra. Mas Shivaji é seu irmão… E ele ganhou o dinheiro no jogo… Se o pai o apanha, também lho vai tirar. Com cuidado, Veena chega-se mais perto de Shivaji. Encolhe a mão e fá-la deslizar por baixo da esteira de Shivaji. Ah, ali está a bolsa. Só precisa de a puxar e… – Veena!
A mãe procura-a na esteira dela! Veena volta depressa para o seu lugar.
– Sim?
– Levanta-te, já são horas! Hoje tens de me ajudar mais cedo. Vou fazer um pulao.
Um pulao é um prato especial que dá muito trabalho. A mãe não sabe que ela não dormiu nada durante a noite. Veena levanta-se e segue-a pelas escadas abaixo.
– Eu sozinha não consigo, sabes? – diz a mãe, quando acabaram de descer.
Veena apenas acena com a cabeça. Está agradecida à mãe por tê-la salvo, se não, os deuses de certeza que a teriam castigado. E, além disso, ela nem sequer teria tempo para ir ao cinema…
Klaus Korkon
Annapurna, a minha mãe é uma deusa
Munique, DTV Junior, 1989
(Tradução e adaptação)
A Equipa Coordenadora do Clube das Histórias

"Dê. Vai ver que não dói nada" (AMI)

Convite Ação Champimóvel

segunda-feira, 5 de março de 2012

A jarra partida


Partiu-se a jarrinha, aquela jarrinha de flores pintadas à mão, tão elegante, tão graciosa que era o enlevo de todas as pessoas que passavam por nossa casa.
— Está na nossa família há séculos. Dizem que foi oferecida por uma rainha de antigamente a uma antepassada nossa — explicava a minha mãe, enternecida, a olhar para a jarrinha de flores pintadas.
Pois, mas partiu-se. Partiu-se em cacos inumeráveis que não há conserto nem cola que lhe valham. Quem foi o desastrado?
— Eu não — safou-se o Tiago. — Quando eu cheguei a casa, já a mãe estava a chorar.
O meu irmão Tiago ficou livre de qualquer suspeita.
— Eu também não fui — apressou-se a dizer o meu pai. — Quando eu cheguei a casa, já a vossa mãe estava a ser consolada pelo Tiago.
— Eu é que não fui — choramingou a minha mãe. — Tinha tanta estimação na jarrinha. Quando eu cheguei a casa, não havia cá ninguém e já a jarra estava partida em mil bocados. Por pouco que não desmaiava de desgosto.
— Só se foi o Bolinhas... — lembrou o Tiago.
O nosso gato Bolinhas desenrolou-se com muita dignidade e disse:
— Eu não fui nem tenho nada a ver com o assunto.
E voltou a enrolar-se e a adormecer. Ai, quem me dera ter podido fazer o mesmo!
— Fui eu — balbuciei.
Todos se viraram para mim.
— Tu, Marcos? E estavas calado?
Suspirei fundo e comecei a contar o que acontecera. À medida que contava, ia ficando mais tranquilo, sem aquela insuportável queimadura nem sei onde – no estômago? No coração? na barriga? – que me fizera correr de casa para a escada, da escada para a rua, como se tivesse lançado fogo ao prédio. Ou a mim próprio.
Tinha sido um azar. É sempre um azar. Para meter a ficha do gravador de vídeo na tomada da parede, tive de arredar um bocadinho a estante. Não contava que fosse tão pesada. Com a inclinação da estante, os livros escorregaram. Precipitei-me sobre eles, para evitar o desmoronamento. Não medindo os gestos, dei um encontrão numa mesinha que abalou o expositor onde estava a jarrinha. Estremeceram as bonecas de Saxe e saltaram as chávenas de café nos respetivos pires... A jarrinha, como a casca de um ovo, partiu-se. Acho que ela estava, há muito tempo, à espera de partir-se. Qualquer estremecimento lhe daria o pretexto. Dei eu. A culpa foi minha.
Disse isto com um ar tão enfiado, tão de lamentar, que o círculo acusador à minha volta se desanuviou e desfez por si. A minha mãe, suspirando, foi varrer os vidros da jarra para uma caixa, na ilusão de que talvez ainda pudesse ser restaurada, o Tiago lançou-me uma piscadela de olhos de “fixe, meu”, e o meu pai, antes de mergulhar no jornal, confidenciou-me:
— Sabes: a jarra realmente já estava partida. Há tempos, na balbúrdia de uma brincadeira com o Bolinhas, que ainda era gatinho, a jarra rachou-‑se. Isto é, rachei-a... Como estava sozinho em casa, tive tempo de consertá-‑la o melhor que pude, para não dar um desgosto à tua mãe. Mas, de facto, a jarra já estava partida.
Por aquela não esperava eu.
— Tu tiveste muita coragem em confessar — continuou o meu pai. — De aqui a bocado, ao jantar, quando estivermos todos juntos, vou ser eu a precisar de coragem. E desculpa...
O meu pai abriu à sua frente as longas páginas do jornal, não sei se para lê-las, se para esconder a cara do embaraço. Também é preciso coragem para pedir desculpa.
António Torrado

sexta-feira, 2 de março de 2012

Novidades na BECRE - março 2012 (1)

Mostra a História do rei George VI, o pai da atual rainha da Inglaterra, Elizabeth II. Após ver seu irmão Edward (Guy Pearce) abdicar o trono inglês, o jovem George (Colin Firth) se vê obrigado a assumir a coroa. Dono de uma gagueira que lhe deixa em maos bocados com os súditos, o rei busca a ajuda do terapeuta da fala Lionel Logue (Geoffrey Rush). Em meio a tudo isso, precisa juntar forças para comandar o país na Segunda Guerra Mundial.










Um divertido e interessante percurso por Portugal. Põe à prova os teus conhecimentos e aprende sobre monumentos, personagens, história, curiosidades e muito mais. Desloca-te pelo tabuleiro / mapa de Portugal e responde às perguntas para conseguir a bandeira de cada distrito. O primeiro a completar a sua rota, será o vencedor. 2 Níveis de dificuldade, para que pequenos e adultos possam jogar juntos.








Poesia para a infância (sessão de lançamento na nossa BECRE em 5 de março, 15.25h)



Sessão de Lançamento "Eu sei um segredo" (José Manuel Guedes/Carla Mourão)

Oficina - O livro Escuro e Claro

 
Oficina  - O livro Escuro e Claro
de Madalena Victorino

7 de Março das 14h30 às 16h00
Biblioteca Municipal Álvaro de Campos
Tavira
Oficina para preparar / estimular públicos para a arte cénica.

"…É um livro sobre o teatro e sobre o que nele acontece.
O teatro é uma casa onde os artistas vivem, onde preparam histórias, músicas e danças e que fazem o público viajar para um mundo diferente…..
Os espetáculos que vais ver no teatro servem para crescer, para fazer o tempo parar, para iluminar e aquecer, servem para te encontrar com muitas pessoas e ideias – que conheces e que não conheces…."

Exposição de Máscaras de Carnaval (Educação Visual)

Leitor do Mês - fevereiro 2012