sábado, 19 de março de 2011

19 de Março - Dia do Pai

O Dia do Pai tem origem na antiga Babilónia, há mais de 4 mil anos.

Um jovem chamado Elmesu Moldou esculpiu em argila o primeiro cartão. Desejava sorte, saúde e longa vida ao seu pai.

Nos Estados Unidos, Sonora Luise resolveu criar o Dia do Pai em 1909, motivada pela admiração que sentia pelo seu pai, John Bruce Dodd. O interesse pela data difundiu-se da cidade de Spokane para todo o Estado de Washington e daí tornou-se uma festa nacional. Em 1972, o presidente americano Richard Nixon oficializou o Dia do Pai. Neste país é comemorado no terceiro Domingo de Junho.

Em Portugal é comemorado a 19 de Março.

No Brasil, é comemorado no segundo Domingo de Agosto. A criação da data é atribuída ao publicitário Sylvio Bhering, em meados da década de 50, festejada pela primeira vez no dia 14 de Agosto de 1953, dia de São Joaquim, patriarca da família.

Em Portugal, o Dia do Pai celebra-se a 19 de Março porque este é o dia de São José, o pai de Jesus. Assim faz-se uma homenagem especial a todos os pais do mundo.

São José, marido de Maria, era carpinteiro e vivia na cidade de Nazaré, na Galileia. Ao que parece, era um bom homem e aceitou ser o pai de Jesus. A sua história vem contada na Bíblia.
O culto a São José começou no século IX.

Não se sabe ao certo em que data José nasceu ou morreu, mas o papa Gregório XV, em 1621, referiu a data de 19 de Março como a da sua morte.
E assim ficou a ser o seu dia!

Tornou-se também o santo padroeiro (protector) dos carpinteiros, pela profissão que tinha.
O nome José vem do hebreu, Youssef, e significa "que Deus acrescente".



Países que celebram no terceiro Domingo de Junho:

• África do Sul
• Argentina
• Canadá
• Chile
• Eslováquia
• Estados Unidos
• Filipinas
• França
• Hong Kong
• Holanda
• Índia
• Irlanda
• Japão
• Macau
• Malásia
• Malta
• México
• Perú
• Reino Unido
• Turquia
• Venezuela

Países que celebram noutras datas:
• Áustria: segundo Domingo de Junho
• Austrália: o primeiro Domingo em Setembro
• Bélgica: St Joseph's day (19 de Março), e o segundo Domingo em Junho ("Secular")
• Brasil: segundo Domingo de Agosto
• Bulgária: 20 de Junho
• Dinamarca: 5 de Junho
• República Dominicana: último Domingo de Junho
• Alemanha: no Dia da Ascensão
• Coreia do Sul: 8 de Maio, Dia do Pai (ambos).
• Lituânia: o primeiro Domingo de Junho
• Nova Zelândia: o primeiro Domingo de Setembro
• Noruega, Suécia, Finlândia, Estónia: segundo Domingo de Novembro
• Polónia: 23 de Junho
• Portugal, Espanha, Itália: 19 de Março
• Rússia: 23 de Fevereiro (dia do Exército)
• Tailândia: 5 de Dezembro, dia do nascimento do rei Bhumibol Adulyadej
• Taiwan: 8 de Agosto






19 de Março - Dia de São José

O culto a São José começou provavelmente no Egipto, passando mais tarde para o Ocidente, onde hoje alcança grande popularidade. Em 1870, o papa Pio IX proclamou-o "O Patrono da Igreja Universal" e, a partir de então, passou a ser cultuado no dia 19 de Março.

Em 1955 Pio XII fixou o dia 1º de Maio para "São José Operário, o trabalhador".

Apesar de ter grande importância dentro da Igreja Católica, o nome de São José não é muito citado dentro das fontes bibliográficas da Igreja, sendo apenas mencionado nos Evangelhos de S. Lucas e S. Mateus.
Descendente de David, São José era carpinteiro na Galileia e comprometido com Maria. Segundo a tradição popular, a mão de Maria era aspirada por muitos pretendentes, porém, foi a José que ela foi concedida.

Quando Maria recebeu a anunciação do anjo Gabriel de que daria à luz ao Menino Jesus, José ficou bastante confuso porque apesar de não ter tomado parte na gravidez, confiava na fidelidade dela. Resolveu, então, terminar o noivado e deixá-la secretamente, sem comentar nada com ninguém. Porém, num sonho, um anjo apareceu e contou-lhe que o Menino era Filho de Deus e que ele deveria manter o casamento.
José esteve ao lado de Maria em todos os momentos, principalmente na hora do parto, que aconteceu num estábulo, em Belém.
Quando Jesus tinha dois anos, José foi novamente avisado por um anjo que deveria fugir de Belém para o Egipto, porque todas as crianças do sexo masculino seriam exterminadas, por ordem de Herodes.

José, Maria e Jesus fugiram para o Egipto e lá permaneceram até que um anjo os avisasse da morte de Herodes.
Temendo um sucessor do tirano, José levou a família para Nazaré, uma cidade da Galileia.

Outro momento da vida de Cristo, em que José aparece na condição de Seu guardião, foi na celebração da Páscoa Judaica, em Jerusalém, quando Jesus tinha 12 anos.
Na companhia de muitos dos seus vizinhos, José e Maria voltaram para a Galileia com a certeza de que Jesus estava no meio do grupo.
Ao chegar a noite e não terem notícias de seu filho, regressaram para Jerusalém numa busca que durou 3 dias.
Para a surpresa do casal, Jesus foi encontrado no templo, no meio dos doutores da lei mais eruditos, explicando coisas que os deixavam admirados.

Apesar da grande importância de José na vida de Jesus Cristo não há referências da data de sua morte.
Acredita-se que José tenha morrido antes da crucificação de Cristo, quando este tinha 30 anos.


Mais actividades para este dia
Minerva/Universidade de Évora http://www.minerva.uevora.pt/pai/ 

Dia do pai: "O Meu Pai" (Anthony Browne)

sexta-feira, 18 de março de 2011

A Nossa Grande Casa

Um Poema Sobre a Terra
Vivemos todos aqui.
Pessoas, formigas, elefantes, árvores,
Lagartos, líquenes, tartarugas, abelhas.
Todos partilhamos a mesma grande casa.
Partilhamos a água.
Salpicamos, chapinhamos e nadamos na água.
E todos bebemos água.
Baleias, golfinhos, manatins,
Pinguins, palmeiras, tu e eu.
Todos partilhamos a água na Terra,
A nossa grande casa azul.
A chuva desliza pelo meu nariz
E escorre pelos dedos do meu pé.
A chuva limpa o mundo todo.
Rega florestas de árvores gigantes
Desperta a vida em sementes minúsculas.
Traz água fresca a ti e a mim.
Todos partilhamos a chuva na Terra,
A nossa casa verde a crescer.
À volta do mundo
O sol a todos aquece.
Girassóis, andorinhas, macieiras,
Raposas, fetos, tu e eu.
Aquece dedos e pés,
Aquece raízes e folhas.
Todos partilhamos o sol na Terra,
A nossa casa grande e quentinha.
Há monturo por todo o lado,
Na Terra, no nosso solo.
Solo onde as sementes aguardam
E as árvores nascem,
Onde as minhocas vivem e os coelhos escavam.
A Terra contém a vida
E o monturo que piso com prazer.
Todos partilhamos o solo na Terra,
A nossa grande casa viva.
E há ar por todo o lado,
Bem longe e bem perto.
Todos respiramos o ar da Terra.
Não é bom respirar?
Pessoas, lagartos, joaninhas,
Carvalhos, ervilhas, ervas daninhas.
Todos partilhamos o ar na Terra,
A nossa grande casa arejada.
O vento sibila e volteia,
Varre e rodopia.
Remexe a erva e abana as árvores.
Transporta chuva, espalha sementes.
Traz ar fresco e revolve cabelos de crianças.
Por todo o mundo.
O vento a todos toca na Terra,
A nossa grande casa rodopiante.
O céu é uma imagem nossa que muda lá em cima.
Gosto do céu. E tu?
Grandes extensões de azul,
Pinceladas de nuvens,
Borrões selvagens ao entardecer.
Onde quer que estejamos
Olhamos e vemos
Céu, céu, céu.
Aqui na Terra, a nossa grande casa
Debaixo do céu.
À noite, quando as estrelas brilham,
Na escuridão funda e profunda,
É o tempo de cair no sono,
Dos animais vaguearem
E das flores nocturnas desabrocharem.
Todos temos um tempo de escuridão
Aqui na Terra, a nossa casa
Debaixo do grande manto da noite.
E a nossa lua viaja pelo céu
Cor de pérola cremosa
Uma vela branca fininha.
Lua cheia, lua nova,
Dão corpo à nossa noite.
Todos partilhamos a lua
Aqui, ali, por todo o lado na Terra,
A nossa grande casa luminosa.
Quando me estico ou danço,
Salto ou rio,
Pulo no ar ou na relva me estendo,
Sinto-me vivo.
Todos sentimos a vida.
Árvores, rãs, abelhas, relva,
Aranhas, serpentes, minhocas, morcegos.
Todos partilhamos a vida na Terra,
A nossa casa grande e vivificante.
Partilhamos o ar, a água, o solo e céu,
O sol, a chuva e a vida.
E todos partilhamos o mesmo lar, aqui na Terra,
A nossa preciosa morada.
Linda Glaser; Elisa Kleven
Our Big Home – An Earth Poem
Minneapolis, Millbrook Press, 2000
(Tradução e adaptação)
 A Equipa Coordenadora do Clube das Histórias

terça-feira, 15 de março de 2011

Concurso Pedalar XXI

Audição de Piano e Acordeão - Academia de Música de Tavira

Academia de Música de Tavira
Entidade de Utilidade Pública


Audição de Piano e Acordeão


15 de Março  - Audição de Piano e Acordeão - Ermida de São Sebastião - 18 horas 
Alunos do Prof. Luis Conceição e Silvino Campos
Entrada Livre

Organização: Academia de Música de Tavira
Apoios: Câmara Municipal de Tavira/Ministério da Educação

O que muda com o novo acordo ortográfico

Os homens não batem

Xavier apaga a luz e ouve a respiração de Alex, a seu lado, já adormecido. Ele, todavia, não consegue deixar de pensar em tudo o que sucedeu. Ouve a voz do pai, como se ainda estivesse presente, a repetir uma e outra vez: "Os homens não batem, Xavier, os homens não batem". Olha para o amigo que, embora a sonhar, parece chorar e, sem querer, a pouco e pouco vai recordando…
Tudo começara uns meses atrás, quando Alex e os pais se mudaram para o prédio de Xavier. Como frequentavam a mesma escola e a mesma turma, os rapazes depressa se tornaram amigos e começaram a conversar, a jogar, e a trocar confidências. Alex era fixe, divertido e, sobretudo, muito boa pessoa.
Em casa falou-se dos novos vizinhos. A mãe referiu que a senhora lhe parecia muito tímida e calada, limitando-se a cumprimentar as vizinhas. De cada vez que o fazia, baixava a cabeça, como se temesse que lhe vissem a cara. O pai de Xavier disse que via o vizinho sempre rodeado de gente no bar ou no parque, e a jogar a petanca com um grupo de homens.
Num domingo em que Xavier andava a passear com os pais, o pai de Alex abeirou-se deles. Saudou-os, disse que se chamava Pedro e insistiu em convidá-los para um aperitivo. Ao perguntarem-lhe pela esposa, limitou-se a responder:
— Oh, essa! Está em casa. É melhor que não saia.
De seguida acrescentou que Helena, a mãe de Alex, não gostava de andar na rua.
Esta informação, e o tom depreciativo em que foi dita, não agradou aos pais de Xavier pelo que, amavelmente, declinaram o convite.
Cada dia Xavier simpatizava mais com Alex. Muitas vezes faziam os deveres juntos em casa de Xavier e divertiam-se a jogar PlayStation ou a ver um DVD, que mais tarde comentavam com os colegas. A única coisa que Xavier estranhava era que Alex nunca convidasse ninguém para ir a sua casa.
Desde há algum tempo que Xavier tinha começado a notar coisas muito estranhas: Alex quase não falava e andava como que assustado. Às vezes, parecia até meio atordoado, tinha equimoses nos braços e nas pernas, e dizia sempre não se lembrar de como tinham aparecido.
Uma tarde em que combinaram brincar juntos, Alex atrasou-se e Xavier foi ter a casa dele. Quando Alex atendeu, Xavier teve uma surpresa desagradável. O amigo tinha os olhos vermelhos e um hematoma ainda recente na cara. Quando Xavier lhe perguntou o que tinha sucedido, o amigo, muito nervoso, só respondeu:
— Nada. Vamos embora, anda.
Xavier achou que era a marca duma bofetada, mas não insistiu mais. Ao fundo do corredor, sentada num sofá, Helena chorava e apertava o nariz com um lenço ensanguentado. Foi tal a angústia que notou na cara de Alex que Xavier não contou nada disto aos pais. Procurou distrair o amigo e fazer com que se divertissem juntos.
Já tinha esquecido este incidente quando, num sábado, ouviram umas pancadas tremendas vindas do andar de Alex. A princípio julgaram que estavam a mudar móveis e qualquer coisa pesada tivesse caído ao chão. Contudo, os berros de Pedro ressoavam por toda a casa. Quando ouviram um bater de porta, os ruídos cessaram. Xavier foi à janela e viu o pai de Alex a ir-se embora.
Alguns vizinhos saíram para o patamar a fim de se inteirarem da causa do escândalo. Os pais de Xavier trocaram olhares muito preocupados e perguntaram ao filho se tinha notado alguma coisa estranha no amigo. Xavier, um tanto assustado, contou-lhes então o que vira naquela tarde. Quando o filho acabou o relato, o pai virou-se para a mãe e disse simplesmente:
— Este homem não me agrada nada.
Um dia, Xavier e os amigos começaram a falar dos problemas que tinham em casa e, a rir, iam comentando o que os pais diziam. Alex permanecia calado a olhar para uns e outros, até que Jorge, que era muito atrevido, o inquiriu directamente:
— E em tua casa, Alex, quem manda mais, o teu pai ou a tua mãe? Com quem te dás melhor?
Após um curto silêncio, os rapazes continuaram a falar e a rir, mas Xavier viu como Alex ficara muito corado e incomodado.
Então, Xavier disse não saber quem é que mandava mais em sua casa, pois tanto o pai como a mãe portavam-se da mesma maneira e não via nenhum deles a querer ser mais importante do que o outro.
— "Tem de haver igualdade" é o que o meu pai diz. "Tem de haver igualdade entre o homem e a mulher".
— Mas isso está mal. Um homem tem de vestir as calças. O meu pai diz que se não o fizeres, não és homem nem és nada — respondeu-lhe Alex, enfrentando-o com o olhar.
Xavier não replicou, mas a verdade é que não sabia o que Alex queria dizer. Nessa noite, ao jantar, narrou aos pais o que tinha sucedido e perguntou-lhes o que Alex queria dizer com aquilo. Achava graça à frase, porque os homens usam sempre calças, mas as mulheres também o fazem muitas vezes. Os pais riram-se, mas logo se calaram e olharam para ele com ar sério.
O pai disse, então:
— Olha, Xavier, a nossa sociedade não educa os homens como devia. Fazem-nos acreditar que somos superiores às mulheres apenas pelo facto de termos nascido homens, entendes? E isso é mentira. Além de que nos enganam ao dizer que somos mais fortes do que elas, mais inteligentes e melhores em tudo. E também se diz que somos menos homens, mais fracos, se formos afectuosos com a nossa mulher, se lhe contarmos os nossos problemas, lhe pedirmos conselhos e ajuda, e se mudamos a nossa opinião depois de falarmos com ela.
— Mas eu não entendo isso de ter de vestir as calças.
— Isso — interveio a mãe — é uma maneira de dizer que os homens devem mandar nas mulheres para se afirmarem como homens, serem másculos…
— É uma tolice, Xavier — esclareceu o pai. — Não é uma parte do corpo que te faz homem, como também não o é gritar, dar murros, nem dizer palavrões ou bater. Os homens, os que são verdadeiramente homens, não batem — disse-lhe o pai muito sério. — Só batem os cobardes que se aproveitam da força, ou até do carinho com que os tratam. Lembra-te sempre disto, Xavier: os homens não batem…
— Mas o pai do Alex diz que um homem… que o que um homem deve fazer…
Não chegou a acabar a frase. O pai sorriu:
— Xavier, o pai do Alex não sabe o que diz. Desconfio que não deve ser muito boa pessoa. E, se não for uma pessoa boa, muito menos poderá ser um bom homem, nem simplesmente um homem, entendes, filho? Mesmo que tenha… já sabes.
Ambos olharam para a cara de desagrado que a mãe fazia e os três desataram a rir.
Xavier não percebeu bem tudo, mas não quis fazer mais perguntas. Como também não as fez no dia em que a mãe comentou que Helena parecia ter tido um acidente, já que estava toda magoada e com um olho negro, tendo acrescentado:
— É pena que não tenha cá família, nem ninguém que a ajude.
O pai de Xavier nada disse e continuou a comer, embora, de vez em quando, movesse a cabeça em sinal de preocupação.
As coisas entre os dois amigos continuaram no mesmo pé, até que um dia Xavier confidenciou a Alex que gostaria de conhecer o quarto dele, de ver os seus livros e brinquedos. Alex olhou-o devagar, tardando muito a responder, até que por fim lhe disse que perguntaria aos pais se podia convidá-lo a ir lá a casa. Três dias depois, muito contente, disse-lhe que a mãe os esperava aos dois para lanchar e comentou que o pai estava de viagem.
O lanche foi óptimo e Xavier achou a mãe de Alex muito simpática. Helena brincou com eles a jogos e adivinhas, contou-lhes histórias, e falou-lhes de livros com tanta graça que os três riram como bons amigos.
De súbito, ouviu-se o barulho da chave na fechadura. Apagou-se o sorriso da cara da mãe do Alex e as mãos começaram a tremer-lhe como se estivesse doente. Levantou-se logo e, como doida, começou a andar de um lado para o outro. Alex foi para a beira dela, acariciou-lhe as mãos suavemente e ambos ficaram muito quietos quando o pai entrou na sala. Pedro olhou para os três e, dirigindo-se à mulher, ordenou-lhe:
— Faz-me o jantar.
Depois acercou-se de Alex e fez-lhe uma festa na cabeça. Xavier achou curioso ver como o seu amigo se derretia todo com a carícia do pai, como se fosse um cão sedento de carinho. Mas Alex tinha os olhos humedecidos, como que assustados.
Com o tempo, as coisas foram de mal a pior. No apartamento de Alex havia pancadas e berros cada vez mais frequentemente, até que um dia os vizinhos, alarmados, reuniram-se para decidir o que fazer. Então, Xavier soube o que se passava: o pai de Alex era uma pessoa violenta e batia na mulher. Xavier depreendeu que ele também maltratava o filho: essa era a causa dos hematomas de Alex, do medo que vira no seu olhar e que lhe causava tremuras no corpo.
Quando regressaram a casa, Xavier contou aos pais o que vira naquela tarde. Eles falaram com ele mais abertamente.
— Há cobardes que batem na mulher e nos filhos para esquecer os seus problemas e julgarem-se mais homens — disse-lhe o pai. — O que não sabem, Xavier, é que com cada pancada mostram a sua fraqueza e cobardia, porque, sabes, só batem em quem acham que é mais fraco do que eles.
— São como animais, Xavier — acrescentou a mãe — porque não raciocinam, não pensam, e não amam ninguém. Só querem controlar a vida dos outros por acharem que assim controlam a sua, nem que para isso tenham de usar a violência: berros, insultos, pancadas, bofetadas, pontapés, e até armas. Como diz o teu pai, os homens, aqueles que são na verdade homens, não batem. Só os cobardes é que o fazem.
— Mas eu não entendo, mãe. Porque é que a Helena continua a viver com esse bruto? Gosta que lhe batam? Porque não se separa dele como outras pessoas fazem? É por não gostar do Alex?
— Ninguém gosta de ser insultado e agredido, filho — respondeu-lhe a mãe. — A Helena continua com ele porque está só e não sabe o que fazer, nem para onde ir; porque tem medo por causa do filho de quem gosta mais do que si mesma; porque tem vergonha de reconhecer, diante dos pais dela, que o homem que escolheu para companheiro é um canalha violento que a maltrata. Nem sequer sabe se eles a iriam compreender… Enfim, há muitas razões e bem complicadas. Às vezes, a vida, Xavier, é muito difícil para as mulheres. E mais ainda se estão sós e têm filhos para sustentar.
Enquanto recordava tudo isto, Xavier virou-se para a cama de Alex, agora a dormir descansado, e pensou no horror por que passara o amigo nessa mesma manhã. Voltavam ambos do parque quando, ao chegar a casa, viram uma ambulância, um carro da polícia e um grupo de pessoas a olhar para a entrada do prédio. Nesse momento, Pedro saía escoltado por dois agentes e, instantes depois, vinha Helena numa maca. Alex, branco de angústia, correu para a mãe, que, toda magoada, a chorar, e com um olho negro, sorriu para ele e sussurrou-lhe:
— Alex, meu filho, agora tudo se vai arranjar, prometo-te.
Não o pôde abraçar, porque o marido tinha-lhe partido também um braço.
Antes de adormecer, Xavier pensou em Helena, em Pedro e no amigo Alex que, ao que parecia, iria agora viver com a mãe para a terra dos avós. Pensou também em si e nos seus pais. Queria ser um homem, mas um verdadeiro homem. Os seus olhos foram-se fechando enquanto lhe parecia ouvir ainda a voz do pai: "Xavier, os homens não batem".
Beatriz Moncó
Los hombres no pegan
Barcelona, Bellaterra, 2005
(Tradução e adaptação)
A Equipa Coordenadora do Clube das Histórias