sexta-feira, 26 de junho de 2009

Dom Paio em actividade

DPaio em actividade

Boas Férias!!!


A Equipa da Biblioteca e Centro de Recursos do Agrupamento de Escolas Dom Paio Peres Correia deseja a toda a comunidade escolar e seus familiares, a todas as BECRE's e a todos os utilizadores e colaboradores deste blogue, umas Boas Férias Grandes, e para o ano há mais.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Concerto de Final de Ano Lectivo 2008/2009







O concerto foi organizado pelos professores do grupo de Educação Musical e pelos seus alunos e contou com a colaboração da Biblioteca, que cedeu o espaço, e com o grupo de Educação Física, que abriu um "furinho" nas suas actividades, o que permitiu a realização deste concerto.
Antes do concerto, procedeu-se à entrega dos prémios aos melhores leitores de cada mês e à leitora do ano.

São João Baptista


João Batista nasceu na cidade de Judá, quando os pais, Zacarias e Isabel, já eram idosos. Ele era um filho muito desejado, uma vez que Isabel era estéril e Zacarias, mudo. Ambos eram de estirpe sacerdotal. Isabel haveria de dar à luz um menino, cujo nome significaria "Deus é propício". Assim foi avisado Zacarias pelo Anjo Gabriel que o visitou anunciando a chegada do tão esperado herdeiro.
No ano 27, João apareceu como profeta e quando iniciou sua pregação muitos chegaram a acreditar que ele era o próprio Messias. Vestia-se como os sábios eremitas essênios da época, os quais usavam uma túnica grosseira feita de pele de camelo atada a um cinto de couro (representação da liberdade, da escolha do destino de cada um), e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. Para que se salvassem do pecado, as pessoas recebiam, por intermédio desse profeta, a ablução nas águas do rio Jordão (acto comum entre os essênios), prática chamada de baptismo, razão por que passou ele a ser conhecido como João Batista.
Fazia seus sermões e muitos eram aqueles que o ouviam e acompanhavam. Ele afirmava que o Reino de Deus estava próximo, baptizava a todos e pedia que repartissem seus alimentos e roupas com os mais pobres. Chegou a baptizar o próprio Cristo, embora se achasse indigno até mesmo de lhe desatar as sandálias.
No momento em que Jesus saiu da água, na cerimónia do baptismo, abriu-se sobre Ele uma nuvem e o Espírito Santo se manifestou através de uma pomba, não como uma pomba real, mas uma visão, algo muito pessoal entre Deus e Jesus. Jesus, então o definiu: "Ele é mais do que um profeta. Jamais surgiu entre os nascidos de uma mulher alguém maior que João Batista".Foi depois do baptismo que Jesus entendeu que começava então sua verdadeira missão. Passados de alguns meses, João foi preso mas, mesmo no cárcere, acompanhava os trabalhos de Jesus, fazendo perguntas por intermédio de mensageiros (Lucas 7, 19-29). Morreu degolado sob o governo do rei Herodes, por defender a moralidade e os bons costumes, por isso é reconhecido nos dias de hoje como um dos Santos mais populares em todo o mundo cristão. O dia 24 de Junho foi consagrado a S. João pois crê-se que ele nasceu nesta data.
São João é o santo que mais se festeja na Europa, sendo também o padroeiro de muitas terras em Portugal e no Brasil.
Há inúmeras tradições associadas às festas de S. João que variam de terra para terra, de região para região, havendo mesmo quem considere que a noite de S. João é uma noite mágica, propícia a milagres e adivinhações. Enfim, o imaginário à volta da figura deste santo é riquíssimo e variado.

Fonte
www.infonet.com.br
Wikipedia
O Leme

domingo, 21 de junho de 2009

21 de Junho, O Verão

O Verão é uma das quatro estações do ano. Neste período, as temperaturas permanecem elevadas e os dias são longos. Geralmente, o verão é também o período do ano reservado às férias.
O Verão do hemisfério norte é chamado de "Verão boreal", e o do hemisfério sul é chamado de "Verão austral". O "Verão boreal" tem início com o
solstício de Verão do Hemisfério Norte, que acontece cerca de 21 de Junho, e finda com o equinócio de Outono nesse mesmo hemisfério, por volta de 23 de Setembro. O "Verão austral" tem início com o solstício de Verão do Hemisfério Sul, que acontece cerca de 21 de Dezembro, e finda com o equinócio de Outono, por volta de 20 de Março nesse mesmo hemisfério.
Nos tempos primitivos, era comum dividir o ano em cinco estações, sendo o verão dividido em duas partes: o verão propriamente dito, de tempo quente e chuvoso (geralmente começava no fim da primavera), e o estio, de tempo quente e seco — palavra da qual deriva o termo "estiagem". Actualmente, usa-se a palavra "estio" como sinónimo raro para verão.

Fonte e mais informação
Wikipedia
Wikiquote
Expresso

quarta-feira, 17 de junho de 2009

O homem que tinha uma árvore na cabeça - 1ª parte

O homem que tinha uma árvore na cabeça
Era uma vez um homem que tinha uma árvore na cabeça. No princípio era apenas um arbusto com folhas esguias e acastanhadas. Depois os ramos começaram a engrossar e as folhas a ganhar largura e uma cor mais viçosa. Era uma verdadeira árvore, alta, pujante e bonita. O homem, quando o arbusto começou a ganhar forma no meio da sua cabeça, ficou assustado. Quem é que não ficava? Depois foi-se habituando. Quando o arbusto se transformou em árvore, passou a senti-la como coisa sua, como uma parte de si mesmo. Apenas o incomodava o peso que tinham o tronco e os ramos, obrigando-o, por vezes, a vergar o pescoço em direcção à terra.
O homem não era alto nem forte. A sua pele era pálida e faltava uma luz que iluminasse os seus olhos e tirasse deles a tristeza que os tornava mortiços e graves. Era um homem de muito poucas falas e, talvez por isso, poucas pessoas sabiam o seu nome. Chamava--se Tenório, mas, como tinha uma árvore na cabeça, passaram a tratá-lo por outro nome, mais engraçado e fácil de decorar: Arbóreo.
O homem não gostava do nome, mas não tinha possibilidade de escolher outro. Fora inventado pela maioria das pessoas que o conheciam, que com ele se cruzavam na rua, que o viam debruçado à janela, que o confundiam com a mancha verde das florestas e dos jardins. Que havia ele de fazer? Chamavam-lhe Arbóreo e era por esse nome, e só por ele, que ia ficar conhecido.
Um dia Arbóreo, quando a Primavera estava à porta, gostou do cheiro adocicado que lhe entrava pelas narinas e pensou: de onde virá este cheiro tão doce, tão bom? Não encontrou resposta. Aquele cheiro abria-lhe o apetite e dava-lhe um grande bem-estar. De onde viria ele?
Levou a mão até aos ramos da árvore que tinha na cabeça e sentiu umas formas macias e arredondadas. Como na terra onde vivia existiam poucos espelhos, correu até ao rio e, esperando que as águas estivessem calmas, viu nelas a sua imagem reflectida. Então exclamou: «São frutos!»
Eram realmente frutos, embora não fossem nem pêssegos, nem peras, nem maçãs. Eram redondos e sumarentos. Eram diferentes de todos os que até então tinha cheirado ou comido. Que frutos seriam?
Enquanto trincava uns e arrancava outros com cuidado para os guardar num pequeno saco de pano que levava na mão, pensou: «É engraçado, têm o mesmo gosto de certas ideias que me passam pela cabeça». E não estava longe da verdade. É que, se os frutos nasciam da árvore que tinha na cabeça, era natural que tivessem um paladar parecido com o de certas ideias.
Uma das coisas que Arbóreo gostava de fazer era dormir a sesta debaixo das árvores de copas largas que havia na cidade onde morava. Agora já não precisava de as procurar. Podia dormir à sua própria sombra. Não era uma sombra grande, mas dava perfeitamente para se refrescar e para ouvir em sossego o chilrear dos pássaros.
Os pássaros. Sim, os pássaros. Gostavam de vir poisar nos seus ramos, buscar o abrigo das suas folhas largas e verdes, encontrar um sítio descansado para passarem a noite.
Arbóreo sabia de cor o canto dos pássaros e percebia neles uma fala que era diferente da que usavam as pessoas, mas que servia para se entenderem.
Eram bonitos os pássaros. Uns eram pintassilgos, outros melros, outros ainda tentilhões ou pardais. Todos tinham as suas rotas, os seus hábitos, os seus modos de aproveitar os embalos do vento.
Arbóreo gostava de ser acordado pelo chilreio da passarada e pelo riso das crianças que atravessavam os grandes terreiros da cidade a brincar a tudo aquilo que lhes dava na cabeça, inventando guerras, perseguições e casamentos, duelos e julgamentos.
– Vamos roubar um dos frutos da cabeça de Arbóreo – gritou um miúdo sardento, enquanto ele dormia debaixo do cogumelo da sua copa larga.
Logo os outros, que com ele andavam em fingimentos de guerra e de paz, se apressaram a fazer coro:
– Vamos deixá-lo careca de frutos!
Foi com o som áspero desta frase que Arbóreo acordou, interrogando os seus visitantes.
– Que vem a ser isso de careca de frutos?
– Se quem não tem cabelos na cabeça é careca – respondeu um deles – quem deixa de ter frutos fica careca de frutos.
Os governantes da cidade não gostavam que Arbóreo tivesse uma árvore na cabeça, porque era o tipo de liberdades que não costumavam conceder aos seus cidadãos. Para se ter uma árvore na cabeça, um castelo no nariz ou um diamante num olho, era preciso ter uma autorização especial. Arbóreo não tinha. Por isso recebeu a visita nocturna de um grupo de soldados que o levaram até ao palácio do governador para ser interrogado.
– Como foi que te apareceu uma árvore na cabeça? – inquiriu o chefe dos guardas.
– Isso gostava eu de saber – respondeu Arbóreo, com a voz entaramelada pela aflição em que estava. É que nunca se tinha visto em apuros daqueles, à frente de homens fardados e carrancudos, a ter de responder a perguntas para as quais não encontrava resposta. E tudo isso porque tinha uma árvore na cabeça.
– Diz-se que à tua sombra – acusou o chefe dos guardas – costumam reunir-se os que conspiram contra os nossos governantes.
– Como – perguntou Arbóreo, espantado – se a sombra que a minha árvore dá é tão pequenina que só chega para mim?
– Os conspiradores – respondeu o inquiridor – também não são muito grandes.
– Mas – insistiu Arbóreo – eu garanto que nunca os vi debaixo da minha sombra e que, mesmo que os tivesse visto, dificilmente teria percebido o que diziam.
Registadas todas estas palavras num grande livro de capa negra, reuniram-se os guardas para decidirem que destino haviam de dar a Arbóreo, acabando por libertá-lo ao fim de algumas horas.
– Acreditamos que não tens grandes culpas – disseram-lhe – mas, ainda assim, ficarás sob vigilância, não vás envolver-te nalguma conspiração.
Quando Arbóreo deixou o palácio do governador, estava contente por se encontrar de novo em liberdade, mas, ao mesmo tempo, sentia tristeza por ter estado preso sem razão. Talvez por isso, o sol que envolvia a cidade, lhe pareceu pálido e envergonhado, num trapézio de nuvens pequeninas, lá em cima no meio do grande azul da tarde.
A cidade onde Arbóreo vivia chamava-se Praga e era uma das cidades mais belas do seu tempo, com monumentos altos e limpos, com pontes arqueadas sobre as águas do rio e com parques e bairros cheios de cor e de alegria. Ali chegou, por esses dias, um estudioso dos astros chamado Kepler, que vinha com a família de uma outra cidade chamada Graz, onde tinha havido grande agitação provocada pela perseguição que o arquiduque católico moveu contra os protestantes. Guerras de religião.
Entre as escolas mandadas encerrar encontrava-se aquela onde Kepler era professor, diga-se, com muitos conhecimentos sobre muitas matérias, mas bastante distraído e pouco organizado na maneira de explicar as suas ideias.
Com o astrónomo viajavam a mulher, pessoa doente e infeliz e uma enteada. Haveres tinham poucos, o que fazia com que não pudessem dispor de criados. De resto, como a saída de Graz tinha sido feita à pressa, transportaram para Praga apenas algumas mudas de roupa e duas ou três peças de mobiliário. Nada mais.
Em Praga, Kepler encontrou boas condições para trabalhar e para fazer os seus estudos e investigações. Era um homem de poucas falas, com ar sonhador e uma maneira estranha de olhar o céu e os corpos celestes. No fundo, era esse o mundo que ele compreendia.
E houve um dia em que o seu caminho se cruzou com o de Arbóreo. Foi assim: Kepler, aborrecido com o mau ambiente que tinha em casa, provocado pela incompreensão da mulher em relação ao seu trabalho de astrónomo, gostava de dar longos passeios pelos jardins da cidade Atravessava a Ponte Carlos, percorria com passo lento a íngreme Rua dos Alquimistas, e depois ia sentar-se à sombra de uma árvore a fazer mentalmente os seus cálculos e difíceis operações matemáticas.
continua…
O Clube de Contadores de Histórias
Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria – Baltar

Concerto de Final de Ano Lectivo

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terça-feira, 16 de junho de 2009

Parabéns, vencedores BLiBiE 2008/09!

Parabéns, vencedores BLiBiE 2008/09!

"Os Prémios BLiBiE (um BLiBiE é um Blogue de Livros/Leitura, de Bibliotecas ou de Educação) pretendem divulgar e incentivar a utilização da importante ferramenta que é um blogue na área da Promoção da Leitura e na Educação.A votação acabou ontem e estes são os vencedores:* Melhor Blogue de Livros (feito por Leitores ou Autores):Estante de Livros (31% dos Votos)* Melhor Blogue de uma ..."



Terminou a votação para a categoria de Melhor Blogue de Biblioteca Escolar, para a qual fomos nomeados, onde atingimos o 2º lugar (consultar caixa de votação).
Agradecemos a todos os que nos visitaram e votaram em nós, esperando que numa próxima oportunidade sejam muitos mais.

sábado, 13 de junho de 2009

Um tostãozinho para o Santo António


Andava um garoto a pedir um tostãozinho para o Santo António. Uns davam, outros não.
Até que passou por ele um senhor de sobretudo comprido, até aos pés, e de sandálias, vejam bem. E se estava frio!
O garoto, cá de baixo, reparou no desconcerto, não deu importância. E vá de pedir:
— Dê-me um tostãozinho para o Santo António...
O senhor do sobretudo castanho todo esfarrapado debruçou-se para o miúdo e, sorrindo, disse-lhe assim:
— Tanto andas tu a pedir como eu. Hoje ainda não me deram nada.
— A mim já — respondeu o garoto. — Quer ver?
E mostrou-lhe, na palma da mão, umas tantas moedas. O mendigo contou-as.
— Davam e sobravam para pagar uma sopa e um pão, ali, na taberna da esquina — observou o mendigo.
— Mas eu não tenho fome — preveniu o garoto. — A minha mãe deu-me de almoçar, ainda agora.
O senhor mendigo suspirou e disse:
— Pois a minha mãe já morreu. Deve ser por isso que ainda não comi nada, hoje...
O mocinho olhou para o homem, a certificar-se se seria verdade o que ele dizia. Os olhos tristes do mendigo garantiram-lhe que sim.
Foi a vez de o garoto suspirar:
— Este dinheiro era para eu comprar berlindes...
O homem de sandálias admirou-se:
— Mas tu, há bocadinho, não pedias para o Santo António?
O garoto riu-se:
— É um costume. Quero eu lá saber do Santo António! É tudo para os berlindes.
O mendigo não estranhou a revelação. Percebia-se, a conversa ia ficar por ali. Despediu-se:
— Ainda tenho hoje muito que andar. Adeus e boa colheita.
O rapazinho viu-o descer a ruela, num passo cansado. Então, num impulso, correu atrás dele e puxou pela ponta da corda, que o homem trazia à roda da cintura:
— Tome lá para um pão e para uma sopa. Mas não vá ali àquela casa da esquina, que são uns mal-encarados. Na outra rua abaixo, há mais onde comer.
O homem de sandálias e sobretudo roto, que lhe davam um ar de frade de antigamente, agradeceu as moedas e o conselho e seguiu caminho.
O garoto voltou ao seu poiso. E quando, pouco depois, porque estava frio, meteu as mãos nos bolsos, encontrou-os atulhados de berlindes...


António Torrado
O mercador de coisa nenhuma
Porto, Livraria Civilização Editora, 1994

Mais em
Clube de Contadores de Histórias
Biblioteca da Escola S/3 Daniel Faria – Baltar

Santo António de Lisboa


Ao assinalar-se mais uma noite de Santo António, aqui vai um brevíssimo resumo da vida desse grande português que é reconhecido e celebrado um pouco por todo o mundo.



Fernando de seu nome de baptismo, Santo António de Lisboa, ou Santo António de Pádua, nasceu por volta de 1195, em Lisboa, e morreu a 13 de Junho de 1231, em Pádua, na Itália. Aos vinte anos professou a vida religiosa entre os Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, no Mosteiro de S. Vicente de Fora. Ordenado sacerdote em 1220, fez-se frade franciscano no eremitério de Santo Antão dos Olivais, partindo depois para Marrocos em missão de apostolado aos muçulmanos. Foi dos mais categorizados representantes da cultura cristã no período de transição da pré-escolástica para a escolástica. Figura notável pela sua erudição, impôs-se também pelo exemplo na pregação solene e doutrinal, na discussão com os hereges e no ensino nas escolas conventuais. Por isso, é ainda hoje considerado uma das personalidades franciscanas mais significativas. Foi canonizado pelo papa Gregório IX, em 30 de Maio de 1233. Em Pádua foi erigida uma conhecida basílica em sua memória, e lá se encontram as suas relíquias.

Fonte:
Santo António de Lisboa. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2008.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

A Criança Misteriosa (cont)

… continuação
– Viva, viva! O Príncipe Faisão deu bicadas em Master Inkspot até morrer!
– Oh, mãe! – choramingou Christlieb. – Oh, Master Inkspot não é na realidade Master Inkspot. Ele é Pepser, o Rei dos Duendes. Ele é uma mosca grande e horrível, usa cabeleira postiça e calça sapatos e meias!
Os pais iam ficando cada vez mais espantados com aquilo que as crianças lhes contavam sobre a história da mãe da criança misteriosa, que era a rainha das fadas, sobre Pepser o Rei dos Duendes, e sobre o Príncipe Faisão.
– Quem vos terá contado tamanho disparate? Ou será que sonharam? – perguntou Sir Thaddeus. Mas depois ficou muito sério e pensativo.
– Félix! Félix! – disse por fim. –Tu és um rapaz sensato e também posso dizer-te que, desde o princípio, achei este tutor uma pessoa esquisita: A tua mãe também não gosta dele. Diz que é muito guloso, sempre à volta de coisas doces, sempre a resmungar e a praguejar de uma forma muito desagradável. Portanto, não ficará por muito mais tempo connosco. Mas, meu rapaz, suponhamos que realmente existem coisas como duendes: mesmo assim, poderia um tutor ser uma mosca?
Félix olhou fixamente para Sir Thaddeus e disse:
– Nunca tinha pensado nisso, pai, e atrevo-me a dizer que eu próprio nunca o suporia se a criança misteriosa não mo tivesse contado – e se eu não o tivesse visto com os meus próprios olhos. Mas agora sei que Pepser é uma mosca nojenta e fingia apenas ser o tutor Inkspot! Acho que uma pessoa não pode mudar a sua natureza! E pensa ainda como ele é guloso. Sempre atrás de coisas doces, tal como diz a mãe! Não é exactamente como uma mosca? E o seu praguejar e zumbir constante?
– Silêncio! – disse Sir Thaddeus de Brakel, quase zangado. – O que quer que seja Master Inkspot, uma coisa é certa: nenhum Príncipe Faisão lhe deu bicadas até à morte, pois aí vem ele, a chegar da floresta!
Nesse mesmo instante, as crianças gritaram e correram para dentro, à procura de segurança. Era mais do que certo que Master Inkspot regressava da floresta. Vinha com um olhar muito zangado, com os olhos a brilharem imenso e a peruca mal posta. Zumbia e praguejava, cambaleando pelo caminho e sempre a bater com a cabeça nas árvores. Chegou à porta de casa e atirou-se avidamente à tigela do leite. Esta entornou-se e ele sugou o leite, fazendo um barulho horrível.
– Santo Deus, Master Inkspot! – disse a mulher de Sir Thaddeus de Brakel. – O que está a fazer?
– Está louco, senhor? – perguntou Sir Thaddeus. – Vem o Diabo atrás de si, ou quê?
Sem lhe dar importância, o tutor bebeu o leite todo e atirou-se ao pão e à manteiga, afastando as abas do casaco das suas magras pernas. Depois, resmungando mais alto do que nunca, atirou-se contra a porta, mas não conseguiu entrar em casa. Cambaleava como se estivesse bêbedo, indo contra os vidros das janelas, fazendo-os estalar.
– Então, então! – exclamou Sir Thaddeus. – Isso não é maneira de se comportar! Arrepender-se-á por isto! Espere e verá!
Tentou apanhar o tutor pelas pontas do casaco, mas ele fugiu. Depois, Félix saiu a correr de casa com um grande mata-moscas e entregou-o ao pai.
– Pega, pai! – gritou. – Pega nisto e mata aquele horrível Pepser!
E foi o que Sir Thaddeus tentou fazer, indo atrás do tutor! Félix, Christlieb e a mãe abanavam panos, fazendo o tutor andar às voltas, enquanto Sir Thaddeus tentava acertar-lhe. Infelizmente todos falharam, uma vez que Master Inkspot, zumbindo de uma forma selvagem, não ficou quieto um único momento.
Finalmente, Sir Thaddeus conseguiu agarrar o tutor pelas abas do seu casaco, e ele caiu resmungando. Quando Sir Thaddeus estava quase a bater-lhe pela segunda vez, ele levantou-se, mais forte do que nunca, e fugiu para a floresta, a zumbir e a resmungar. E nunca mais foi visto.
– Estamos todos livres daquele desagradável Master Inkspot! – disse Sir Thaddeus. – Jamais voltará a nossa casa!
– Estou certa que não! – concordou a mulher. – Um tutor com maneiras tão rudes, tão fanfarrão em relação aos seus conhecimentos, e a saltar para dentro de uma tigela de leite... Que lindo tutor, devo dizer!
Félix e Christlieb gritaram de alegria.
– Hurra! O pai atingiu o Master Inkspot com o mata-moscas e agora ele foi embora de vez! – Hurra, hurra!
Todos pareciam estar bem, mas, apesar das crianças esperarem voltar a ver a criança misteriosa, esta não voltou a aparecer. E, quando iam para a floresta, esta parecia estar assombrada pelos brinquedos estragados que tinham deitado fora. Todos aqueles brinquedos eram criaturas e servos do Duende Pepser (ou Master Inkspot, o tutor), que ainda se ouvia zumbir pela floresta. Félix e Christlieb desistiram de passear, e o pai, Sir Thaddeus, não se sentia bem.
– Não sei o que se passa – disse ele um dia à mulher – mas quase me atrevo a dizer que foi o maldito Master Inkspot a causa de tudo isto. A partir do momento em que o atingi com o mata-moscas e o afugentei, os meus braços ficaram pesados como chumbo.
Na verdade, Sir Thaddeus de Brakel andava cada vez mais pálido e cansado. Já não ia trabalhar para o campo como costumava fazer. Sentava-se durante horas, perdido nos seus pensamentos, e depois pedia a Félix e Christlieb que lhe contassem tudo o que sabiam sobre a criança misteriosa. Eles falavam com entusiasmo, e ele sorria melancólico, enquanto os olhos se lhe enchiam lágrimas.
Félix e Christlieb estavam tristes por nunca mais verem a criança misteriosa, e tinham medo de entrar na floresta por causa dos bonecos sinistros. O pai apercebeu-se disso.
– Venham, vamos todos juntos à floresta, e as criaturas diabólicas de Master Inkspot não lhes farão mal! – disse-lhes, numa bela manhã. Levou as crianças pela mão e entraram na floresta. Estava mais bela do que nunca, com um cheiro doce, o chilrear dos pássaros e um lindo sol. Sentaram-se na relva, por entre flores perfumadas.
– Queridos filhos – disse Sir Thaddeus – devo dizer-vos agora, uma vez que o não posso esconder por muito mais tempo, que eu próprio sabia que uma estranha e maravilhosa criança vos mostrava coisas espantosas aqui na floresta. Quando tinha a vossa idade, essa criança também me apareceu e passámos bons momentos juntos. Não me lembro como foi que ela me deixou, nem tão-pouco como não me lembrei dela quando vocês me contaram a história e eu não acreditei. Contudo, sempre tive a sensação de que falavam a verdade. Mas agora tenho recordado aqueles dias felizes da minha infância e aquela querida e misteriosa criança. Sinto um aperto no peito que, decerto, destruirá o meu coração! Pressinto que é a última vez que me sento debaixo destas árvores. Queridos filhos, em breve vos deixarei. Quando eu morrer, recordem sempre a criança misteriosa!
Félix e Christlieb ficaram assustados. Soluçavam e choravam:
– Oh não, pai, tu não vais morrer! Vais ficar connosco por muito, muito tempo, e também brincarás com a criança misteriosa!
Contudo, no dia seguinte, Sir Thaddeus ficou na cama doente, e um homem alto e magro veio tirar-lhe as pulsações e dizer que tudo iria ficar bem. Mas, ao terceiro dia, Sir Thaddeus estava morto, e a mulher e os filhos choravam-no.
Não muito depois, quando ele foi enterrado, dois homens horríveis, parecidos com Master Inkspot, bateram à porta e disseram à mulher de Sir Thaddeus que iriam tomar posse da propriedade. O Conde Cyprian emprestara ao seu primo afastado mais do que a propriedade valia e queria o seu dinheiro de volta. Assim, a pobre mulher, agora sem nada, teve de deixar a bonita propriedade de Brakelheim. Decidiu ir para casa de uns parentes que não viviam muito longe. Os três embrulharam as poucas roupas com que lhes permitiram ficar, e deixaram a casa, banhados em lágrimas.
Quando caminhavam há algum tempo na floresta, ouviram o murmúrio do ribeiro, que em breve teriam de atravessar. Subitamente, a pobre mãe das crianças caiu sob o peso amargo das suas mágoas. Félix e Christlieb ajoelharam-se, a chorar.
– Oh, que pobres crianças somos! Será que ninguém tem pena de nós?
Ao longe, o murmúrio do rio transformou-se numa agradável melodia, os arbustos abanaram com um misterioso ruído e, em breve, toda a floresta estava banhada por uma luz cintilante. A criança misteriosa saiu das folhas perfumadas, rodeada por uma luz tão brilhante que as crianças tiveram de fechar os olhos. Depois, sentiram um toque suave e ouviram a sua voz dizer:
– Não se aflijam, queridos amigos! Acham que já não gosto de vocês ou que vos deixarei? Podem não me ver com os vossos olhos, mas estarei sempre convosco e farei tudo para vos tornar felizes. Mantenham-me no vosso coração, tal como têm feito até agora, e nem o maquiavélico Pepser nem outro inimigo poderão magoar--vos! Gostem sempre de mim e gostem profundamente!
– Assim faremos, assim faremos! – disseram Félix e Christlieb. – Nós amamos-te do fundo do nosso coração!
Quando puderam voltar a abrir os olhos, a criança misteriosa tinha desaparecido, mas deixara todo o seu aroma e alegria dentro deles. Devagar, a mãe levantou-se.
– Oh, queridos filhos! – disse.– Sonhei convosco! Pareceu-me ver-vos em frente de uma luz dourada e cintilante, o que me reconfortou profundamente!
Havia alegria no olhar das crianças e as suas faces estavam rosadas. Elas disseram à mãe como a criança misteriosa ali aparecera para os reconfortar, e ela disse:
– Não sei porquê, mas hoje acredito na vossa história. Não sei como ela consegue aliviar a minha dor, mas de facto assim é! Vamos ter coragem e continuar.
A sua parente recebeu-os muito amavelmente, e tudo se passou como a criança misteriosa prometera! Tudo o que Félix e Christlieb faziam corria tão bem, que a mãe se enchia de felicidade.
Continuaram a brincar em sonhos com a criança misteriosa, e esta nunca deixou de partilhar com eles as coisas extraordinárias da sua terra.
FIM
E.T.A. Hoffmann
A criança misteriosa
Porto, Edinter, 1991
texto adaptado


O Clube de Contadores de Histórias
Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria – Baltar


terça-feira, 9 de junho de 2009

10 de Junho - Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas


Dia de Portugal (feriado nacional)
Oficialmente Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, é o dia em que se assinala a morte de
Luís Vaz de Camões a 10 de Junho de 1580, e é também o Dia Nacional de Portugal (data também utilizada para relembrar os feitos passados).

Durante o regime autoritário do
Estado Novo de 1933 até à Revolução dos Cravos de 25 de Abril de 1974 era celebrado como o Dia da Raça; a raça Portuguesa.


Fonte e mais informação
Wikipédia

Site Junior

Cyberteca

Pititi

Hino Nacional de Portugal "A Portuguesa" (versão completa)

Hino Nacional “A Portugueza”

Partitura "A Portugueza"




A Portuguesa, que hoje é um dos símbolos nacionais de Portugal (o seu hino nacional), nasceu como uma canção de cariz patriótico em resposta ao ultimato britânico para que as tropas portuguesas abandonassem as suas posições em África, no denominado "
Mapa cor-de-rosa".


Em Portugal, a reacção popular contra os ingleses e contra o governo português, que permitiu esse género de humilhação, manifestou-se de várias formas. "A Portuguesa" foi composta em 1890, com letra de Henrique Lopes de Mendonça e música de Alfredo Keil, e foi utilizada desde cedo como símbolo patriótico mas também republicano. Aliás, em 31 de Janeiro de 1891, numa tentativa falhada de golpe de Estado que pretendia implantar a república em Portugal, esta canção já aparecia como a opção dos republicanos para hino nacional, o que aconteceu, efectivamente, quando, após a instauração da República a 5 de Outubro de 1910, a Assembleia Nacional Constituinte a consagrou como símbolo nacional em 19 de Junho de 1911 (na mesma data foi também adoptada a bandeira nacional).
A Portuguesa, proibida pelo regime monárquico, que originalmente tinha uma letra um tanto ou quanto diferente (mesmo a música foi sofrendo algumas alterações) — onde hoje se diz "contra os canhões", dizia-se "contra os bretões", ou seja, os ingleses — veio substituir o
Hymno da Carta, então o hino da monarquia.
Em 1956, existiam no entanto várias versões do hino, não só na linha melódica, mas também nas instrumentações, especialmente para banda, pelo que o governo nomeou uma comissão encarregada de estudar uma versão oficial de A Portuguesa. Essa comissão elaborou uma proposta que seria aprovada em Conselho de Ministros a 16 de Julho de 1957, mantendo-se o hino inalterado deste então.


Nota-se na música uma influência clara do hino nacional francês,
La Marseillaise, também ele um símbolo revolucionário (ver revolução francesa).O hino é composto por três partes, cada uma delas com duas quadras (estrofes de quatro versos), seguidas do refrão, uma quintilha (estrofe de cinco versos). É de salientar que, das três partes do hino, apenas a primeira parte é usada em cerimónias oficiais, sendo as outras duas partes praticamente desconhecidas.
A Portuguesa é executada oficialmente em cerimónias nacionais, civis e militares, onde é prestada homenagem à Pátria, à Bandeira Nacional ou ao Presidente da República. Do mesmo modo, em cerimónias oficiais no território português por recepção de chefes de Estado estrangeiros, a sua execução é obrigatória depois de ouvido o hino do país representado.A Portuguesa foi designada como um dos símbolos nacionais de Portugal na constituição de 1976, constando no artigo 11.°, n.º 2, da
Constituição da República Portuguesa (Símbolos nacionais e língua oficial):
"2. O Hino Nacional é A Portuguesa."


A Portuguesa
Data: 1890 (com alterações de 1957)
Letra: Henrique Lopes de Mendonça
Música: Alfredo Keil


I
Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente e imortal
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria, sente-se a voz
Dos teus egrégios avós
Que há-de guiar-te à vitória!
Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!


II
Desfralda a invicta Bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu
Beija o solo teu, jucundo,
O oceano, a rugir de amor,
E o teu Braço vencedor
Deu mundos novos ao mundo!
Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!


III
Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal de ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.
Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!


Data: 1890 (versão original)
Letra: Henrique Lopes de Mendonça
Música: Alfredo Keil

I
Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente e imortal
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memoria,
Oh pátria, sente-se a voz
Dos teus egrégios avós
Que há-de guiar-te à vitória!
Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela pátria lutar!
Contra os Bretões marchar, marchar!


II
Desfralda a invicta bandeira,
À luz viva do teu céo!
Brade a Europa á terra inteira:
Portugal não pereceu!
Beija o teu sólo jucundo
O Oceano, a rugir de amor;
E o teu braço vencedor
Deu mundos novos ao mundo!
Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela pátria lutar!
Contra os Bretões marchar!


III
Saudai o sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal do ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injurias da sorte.
Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela pátria lutar!
Contra os Bretões marchar!


Fonte

Wikipedia

Biblioteca Nacional Digital

Bandeira Nacional

Bandeira Nacional

Alfredo Keil (1850-1907)


O primeiro elemento da família Keil veio para Portugal em meados do séc. XIX. Chamava-se Johan Christian Keil, alemão de Hanover, exilado político, que em 1839 se estabeleceu em Lisboa, como alfaiate, aí passando a residir. Casado com Maria Josefina Stellpflug, de origem alsaciana, deram origem a uma família de artistas em várias áreas, principalmente na música e pintura. Deste casamento nasceu, no palácio de Barcelinhos, em 1850, aquele que viria a ser filho único do casal, Alfredo Cristiano Keil.

Mestre alfaiate Christian Keil possuía duas alfaiatarias na Rua Nova do Almada e viria a ser o alfaiate do rei D. Luís e de boa parte da aristocracia e burguesia rica lisboeta. Porém a sua clientela estendia-se a outros países. Muitos clientes vinham a Lisboa mandar fazer os seus fatos, visitar a cidade e ficariam amigos deste alemão emigrado e bem relacionado. Johan Keil rapidamente se liga à alta finança internacional, investe em diversas Bolsas e adquire uma fortuna considerável, nomeadamente em títulos e imóveis a render, em Lisboa.

O filho pôde assim ter urna educação de menino rico sem qualquer limitação nos seus estudos e viagens. Desde muito novo que Alfredo Keil mostrou um talento invulgar para a música, tendo, aos 12 anos, escrito a sua primeira peça musical com o título Pensé Musicale, que dedicou à mãe.

Estudou no Colégio de Santo António e, em 1858, já tinha lições de música com António Soller. Em 1860, com apenas 10 anos, frequentava o colégio Britânico na Rua Vale de Pereiro, em Lisboa. Teve lições de piano com o famoso pianista húngaro Oscar de La Cinna. Em 1869 viajou com o pai pela Europa, passando por Madrid, Paris, Genebra, Zurique, visitando museus e monumentos e acabando por ficar em Nuremberga, para frequentar a Academia Real de Belas Artes. A Guerra franco-prussiana, em 1870, força-o a regressar a Portugal, onde frequenta então aulas de pintura com Miguel Luppi. Teve ainda como professores de música, António Soares e Ernesto Vieira, e aulas de desenho com o professor Joaquim Prieto, da Academia Real de Belas Artes.

Em 1878 Keil concorreu à exposição de Paris com a tela “Melancolia”, que lhe valeu uma Menção Honrosa, e em 1879, recebeu a Medalha de Ouro na Exposição no Rio de Janeiro. Expôs também em Madrid com grande sucesso.

Fernando Pamplona, no Dicionário de Pintores e Escultores, refere-se nestes termos à pintura de Alfredo Keil: «o seu romantismo discreto, amável, sem exageros é temperado pelo clima realista da pintura do tempo.» E elogia a «sensibilidade de contemplativo em que se adivinha a influência de Corot». Maria Luísa Bártolo, por sua vez, dirá que Alfredo Keil tem uma «maneira delicada de tratar as figuras femininas, nos pormenores do adorno, na suavidade cálida do interior.»

Alfredo Keil casou, em 1876, com Cleyde Maria Margarida Cinatti, filha de um arquitecto e cenógrafo muito famoso na época, de nome Giuseppe Luigi Cinatti. O casal teve quatro filhos – Joana, Paulo, Guida e Luís. Joana morreu criança; Paulo morreu já adulto, sem filhos, Guida, que cursou Belas Artes e foi autora da obra «Carolina Coronado, poetisa romântica» (1960), tinha uma personalidade forte, para urna menina da sua época. Foi protagonista de uma aventura amorosa que parecia saída da pena de Camilo Castelo Branco, quando decide deixar marido e dois filhos para ir viver com o homem que amava.

Curioso que o seu divórcio foi o primeiro após a implantação de República. Viria depois a casar com o amor da sua vida – Francisco Coelho do Amaral. O primeiro filho, Francisco Keil do Amaral, nasceu em Abril de 1910 e deu origem a uma “dinastia” de arquitectos de renome, que ainda são vivos. Francisco Keil do Amaral (pai) é marido da grande pintora e ilustradora Maria Keil, nascida em 1914.

O quarto filho de Alfredo Keil, Luís, seguiu também na senda das artes tendo sido Conservador do Museu Nacional de Arte Antiga, Director do Museu dos Coches e Vice-Presidente da Academia Nacional de Belas Artes. Morreu tragicamente com a mulher e a única filha num desastre de automóvel, em 1947. E assim Alfredo Keil teve dos dois casamentos como descendente apenas a filha Guida.

Em 1874 já Alfredo Keil recebera duas medalhas por trabalhos de pintura expostos na Sociedade Promotora de Belas Artes, a que se somaram nos anos seguintes mais prémios, nomeadamente com as telas com os temas “Sesta” e “Meditação”. Este quadro viria a ser adquirido pelo Rei D. Luís.

Em 1883 sobe ao palco, no Teatro Trindade, a sua ópera cómica em um acto, “Susana”, escrita em em italiano, e em 1884 escreve a cantata “Pátria”, seguindo-se, em 1885, o poema sinfónico “Uma Caçada na Corte” e, em 1886, “As Orientais”.

Inspirada no poema de Almeida Garrett, em Março de 1888, estreia-se a ópera cm quatro actos, “Dona Branca”, dedicada ao rei D. Luís. Teve trinta representações de enorme sucesso e direito a reposição no ano seguinte. Esta ópera, também em italiano, foi igualmente aplaudida do outro lado do Atlântico, no Teatro Lírico do Rio de Janeiro.

Os quadros de Keil foram expostas em mais de uma dezena de Exposições da Sociedade Promotora de Belas-Artes e é impossível enumerar todos os prémios que recebeu.

Entretanto, na então chamada África Portuguesa, em finais do século XIX, havia graves conflitos com a Grã-Bretanha e o caso do “Mapa cor-de-rosa” que correspondia à perca de uma larga fatia do território português no continente africano, entre Angola e Moçambique, veio a desembocar, em 1890, no chamado “Ultimato inglês”. É então que Alfredo Keil, animado de sentimentos patrióticos, compõe a marcha “A Portuguesa” – ao som da qual, no ano seguinte, os revoltosos de 31 de Janeiro proclamaram a República no Porto.

Porém foi preciso aguardar mais uns anos para que o ciclo do regime monárquico desse lugar à República, a 5 de Outubro de 1910. Até esse dia, “A Portuguesa” esteve proibida de ser tocada em público. Depois, em 1911 é adoptada pela nova Constituição como Hino Nacional da República Portuguesa.

Alfredo Keil, que viajava muito e passava temporadas em Itália, a pátria da ópera, conseguia dividir o seu tempo entre a pintura e a composição musical.

Em 1893, foi cantada, em Turim a sua ópera “Irene”, baseada na lenda de Santa Iria. O sucesso foi enorme e o rei Humberto de Itália condecorou o compositor. Esta ópera foi, três anos mais tarde, levada à cena no Real Teatro de São Carlos de Lisboa.

Alfredo Keil trocava correspondência com compositores consagrados de outros países, nomeadamente Verdi e Massenet. Numa carta enviada a Verdi, o compositor português anexa a sua partitura de “Dona Branca” e Verdi respondeu-lhe, em Dezembro de 1890. O grande compositor escreve «Sei que a sua ópera teve um sucesso excelente no seu país e isso vale mais que uma crítica a frio de um compositor». Já Massenet, mais entusiasmado, tece-lhe rasgados elogios. Como vemos Alfredo Keil é um compositor à altura dos maiores do seu tempo.

A ópera de Alfredo Keil que mais tempo perdurou no tempo foi sem dúvida “Serrana”, a primeira com libreto em português, inspirada num romance de Camilo Castelo Branco, composta entre 1895 e 1899 e estreada com sucesso no Teatro São Carlos, em Março de 1899. É a sua peça musical mais conhecida, exceptuando “A Portuguesa”, e, no século passado, foi levada à cena mais onze vezes.

Diogo de Macedo coloca a obra de Alfredo Keil no período neo-romântico e diz que ele foi um pioneiro do “nacionalismo musical”.

Como pintor, Alfredo Keil deixou mais de 2000 obras, entre telas e desenhos, Como conhecedor de arte foi um grande coleccionador. Adquiriu telas de pintores como Lucca Giordano e diz-se que talvez possuísse um Brueghel. A sua colecção de instrumentos musicais antigos (cerca de 500) encontra-se no Museu da Música, em Lisboa.

Este autor, multifacetado legou-nos também obras escritas, contos e romances dos seus verdes anos e estudos como “Breve História dos Instrumentos de Música Antigos e Modernos” (1904), Colecções e Museus de Arte em Lisboa (1905), “Breve Notícia da Colecção Keil” de 1905 e um livro editado postumamente, “Tojos e Rosmaninhos”.

A 4 de Outubro de 1907, três anos e um dia antes de ser proclamada a República, Alfredo Keil morre, em Hamburgo, vítima de doença. Contava apenas 57 anos e deixou inacabada a ópera “Índia”, que começara a compor para as comemorações da chegada de Vasco da Gama à Índia.


Fonte e mais informação
O Leme

Henrique Lopes de Mendonça (1856-1931)


Henrique Lopes de Mendonça (Lisboa, 12 de Fevereiro de 1856 — 24 de Agosto de 1931) foi um militar, historiador, arqueólogo naval, professor, conferencista, dramaturgo, cronista e romancista português.


Filho de António Raulino Lopes de Mendonça e de Honorata Lopes de Mendonça, casado com Amélia Bordalo Pinheiro, teve três filhos que deixaram também o nome ligado às letras e artes: Virgínia Lopes de Mendonça (1881-1969)
contista e dramaturga, Alda Lopes de Mendonça, rendeira, e Vasco Lopes de Mendonça (1881-1963), engenheiro militar, ceramista e caricaturista.

Ingressou na Armada Portuguesa como Aspirante de Marinha em 27 de Outubro de 1871 sendo promovido a Guarda-Marinha em 1 de Novembro de 1874 e a Capitão de Mar-e-Guerra em 27 de Agosto de 1909, posto em que foi reformado em 25 de Maio de 1912.
Durante a sua carreira naval embarcou em diversos navios da Armada. As suas longas comissões de serviço a bordo tiveram nele efeitos diversos: algumas viagens em portos estrangeiros permitiram-lhe satisfazer alguns dos seus anseios culturais e artísticos, mas algumas das comissões em portos coloniais foram-lhe algo penosas, quer por razões de saúde quer por o manterem afastado do convívio intelectual e cultural.

Foi por diversas vezes professor da Escola Prática de Artilharia Naval, então instalada no rio Tejo a bordo da Fragata D. Fernando II e Glória.


Em Janeiro de 1887 foi nomeado para coadjuvar o conselheiro
João de Andrade Corvo na publicação dos estudos sobre as possessões ultramarinas.
Em Agosto de 1889 foi nomeado para proceder à elaboração de uma obra onde se historiassem metodicamente os feitos da Armada Portuguesa. Como fruto dessas investigações do seu consequente interesse pela arqueologia naval, publicou uma obra que designou Estudos sobre Navios Portugueses dos séculos XV e XVI.
Como escritor e dramaturgo, o Comandante Lopes de Mendonça iniciou a sua carreira em 1884 com a peça A Noiva. A sua obra seguinte, a peça A Morta, foi galardoada com o prémio
D. Luís I da Academia das Ciências de Lisboa.

Por ocasião do
Ultimato Inglês de 1890, escreveu, com música de Alfredo Keil, a marcha A Portuguesa que, em 1910 o Governo da República adoptou como Hino Nacional, trocando no verso a palavra bretões por canhões.
Entre 1897 e 1901 foi Bibliotecário da Escola Naval, o que após passou a professor da cadeira de
História da Escola de Belas-Artes de Lisboa.
Em 1900 foi eleito membro efectivo da
Academia das Ciências de Lisboa e, em 1915, foi nomeado seu presidente.
Em 1916 foi agregado à comissão nomeada pelo governo para propor as versões oficiais e definitivas para piano, canto, orquestra e banda do Hino Nacional.
Em 1922 foi nomeado presidente da comissão destinada a perpetuar a Viagem Aérea Lisboa-Rio de Janeiro.


Em 1925 foi co-fundador da
Sociedade Portuguesa de Autores.

O Comandante Lopes de Mendonça foi ainda membro da
Academia Brasileira de Letras desde 1923, sócio do Instituto de Coimbra, membro Honorário do Clube de Londres, vogal do Conselho de Arte Dramática e membro das Comissões Oficiais dos Centenários de Colombo e de Vasco da Gama.
Deixou escrito quase uma centena de obras teatrais, poesias, romances e estudos históricos.

Fonte e mais informação
Wikipedia
José Lúcio
Lopes Mendonça

Luís Vaz de Camões





Luís Vaz de Camões
Data de nascimento: provavelmente entre 1517 e 1524
Data de falecimento: 10 de Junho de 1580) é frequentemente considerado como o maior poeta de língua portuguesa e dos maiores da Humanidade. O seu génio é comparável ao de Virgílio, Dante, Cervantes ou Shakespeare. Das suas obras, a epopeia Os Lusíadas é a mais significativa.

Origens e juventude
Desconhece-se a data e o local onde terá nascido Camões. Admite-se que nasceu entre 1517 e 1525. A sua família é de origem galega que se fixou na cidade de Chaves e mais tarde terá ido para Coimbra e para Lisboa, lugares que reivindicam ser o local de seu nascimento. Frequentemente fala-se também em Alenquer, mas isto deve-se a uma má interpretação de um dos seus sonetos, onde Camões escreveu "[…] / Criou-me Portugal na verde e cara / pátria minha Alenquer […]". Esta frase isolada e a escrita do soneto na primeira pessoa levam as pessoas a pensarem que é Camões a falar de si. Mas a leitura atenta e completa do soneto permite concluir que os factos aí presentes não se associam à vida de Camões. Camões escreveu o soneto como se fosse um indivíduo, provavelmente um conhecido seu, que já teria morrido com menos de 25 anos de idade, longe da pátria, tendo como sepultura o mar.
O pai de Camões foi Simão Vaz de Camões e mãe Ana de Sá e Macedo. Por via paterna, Camões seria trineto do trovador galego Vasco Pires de Camões, e por via materna, aparentado com o navegador Vasco da Gama.
Entre 1542 e 1545, viveu em Lisboa, trocando os estudos pelo ambiente da corte de D. João III, conquistando fama de poeta e feitio altivo.
Viveu algum tempo em Coimbra onde teria frequentado o curso de Humanidades, talvez no Mosteiro de Santa Cruz, onde tinha um tio padre, D. Bento de Camões. Não há registos da passagem do poeta por Coimbra. Em todo o caso, a cultura refinada dos seus escritos torna a única universidade de Portugal do tempo como o lugar mais provável de seus estudos. Ligado à casa do Conde de Linhares, D. Francisco de Noronha, e talvez preceptor do filho D. António, segue para Ceuta em 1549 e por lá fica até 1551. Era uma aventura comum na carreira militar dos jovens, recordada na elegia Aquela que de amor descomedido. Num cerco, teve um dos olhos vazados por uma seta pela fúria rara de Marte. Ainda assim, manteve as suas potencialidades de combate.
De regresso a Lisboa, não tarda em retomar a vida boémia. São-lhe atribuídos vários amores, não só por damas da corte mas até pela própria irmã do Rei D. Manuel I. Teria caído em desgraça, a ponto de ser desterrado para Constância. Não há, porém, o menor fundamento documental de que tal fato tenha ocorrido. No dia de Corpus Christi de 1552 entra em rixa, e fere um certo Gonçalo Borges. Preso, é libertado por carta régia de perdão de 7 de Março de 1553, embarcando para a Índia na armada de Fernão Álvares Cabral, a 24 desse mesmo mês.

Oriente
Chegado a Goa, Camões toma parte na expedição do vice-rei D. Afonso de Noronha contra o rei de Chembe, conhecido como o «rei da pimenta». A esta primeira expedição refere-se a elegia O Poeta Simónides falando. Depois Camões fixa-se em Goa onde escreveu grande parte da sua obra épica. Considerou a cidade como uma madrasta de todos os homens honestos. Lá estudou os costumes de cristãos e hindus, e a geografia e a história locais. Toma parte em mais expedições militares. Entre Fevereiro e Novembro de 1554 vai na armada de D. Fernando de Meneses constituída por mais de 1000 homens e 30 embarcações, ao Golfo Pérsico, aí sentindo a amargura expressa na canção Junto de um seco, fero e estéril monte. No regresso é nomeado "provedor-mor dos defuntos nas partes da China" pelo Governador Francisco Barreto, para quem escreveria o Auto do Filodemo.
Em 1556 parte para Macau, onde continuou os seus escritos. Vive numa célebre gruta com o seu nome e por aí terá escrito boa parte d'Os Lusíadas. Naufragou na foz do rio Mekong, onde conservou de forma heróica o manuscrito de Os Lusíadas então já adiantados (cf. Lus., X, 128). No naufrágio teria morrido a sua companheira chinesa Dinamene, celebrada em série de sonetos. É possível que datem igualmente dessa época ou tenham nascido dessa dolorosa experiência as redondilhas Sôbolos rios.
Regressa a Goa antes de Agosto de 1560 e pede a protecção do Vice-rei D. Constantino de Bragança num longo poema em oitavas. Aprisionado por dívidas, dirige súplicas em verso ao novo Vice-rei, D. Francisco Coutinho, Conde do Redondo, para ser liberto. Em 1568, vem para a ilha de Moçambique, onde, passados dois anos, Diogo do Couto o encontrou, como relata na sua obra, acrescentando que o poeta estava "tão pobre que vivia de amigos". (Década 8.ª da Ásia). Trabalhava então na revisão de Os Lusíadas e na composição de "um Parnaso de Luís de Camões, com poesia, filosofia e outras ciências", obra roubada. Diogo do Couto pagou-lhe o resto da viagem até Lisboa, onde Camões aportou em 1570. Em 1580, de regresso a Lisboa, assistiu à partida do exército português para o norte de África. Morre numa casa de Santana, em Lisboa, sendo enterrado numa campa rasa numa das igrejas das proximidades.

Os Lusíadas e a obra lírica
Os Lusíadas é considerada a principal epopeia da época moderna devido à sua grandeza e universalidade. As realizações de Portugal desde o Infante D. Henrique até à união dinástica com Espanha em 1580 são um marco na História, marcando a transição da Idade Média para a Época Moderna. A epopeia narra a história de Vasco da Gama e dos heróis portugueses que navegaram em torno do Cabo da Boa Esperança e abriram uma nova rota para a Índia. É uma epopeia humanista, mesmo nas suas contradições, na associação da mitologia pagã à visão cristã, nos sentimentos opostos sobre a guerra e o império, no gosto do repouso e no desejo de aventura, na apreciação do prazer e nas exigências de uma visão heróica.
A obra lírica de Camões foi publicada como "Rimas", não havendo acordo entre os diferentes editores quanto ao número de sonetos escritos pelo poeta e quanto à autoria de algumas das peças líricas. Alguns dos seus sonetos, como o conhecido Amor é fogo que arde sem se ver, pela ousada utilização dos paradoxos, prenunciam o Barroco.

O estilo
É fácil reconhecer na obra poética de Camões dois estilos não só diferentes, mas talvez até opostos: um, o estilo das redondilhas e de alguns sonetos, na tradição do Cancioneiro Geral; outro, o estilo de inspiração latina ou italiana de muitos outros sonetos e das composições (h)endecassílabas maiores. Chamaremos aqui ao primeiro o estilo engenhoso, ao segundo o estilo clássico.
O estilo engenhoso, tal como já aparece no Cancioneiro Geral, manifesta-se sobretudo nas composições constituídas por mote e voltas. O poeta tinha que desenvolver um mote dado, e era na interpretação das palavras desse mote que revelava a sua subtileza e imaginação, exactamente como os pregadores medievais o faziam ao desenvolver a frase bíblica que servia de tema ao sermão. No desenvolvimento do mote havia uma preocupação de pseudo-rigor verbal, de exactidão vocabular, de modo que os engenhosos paradoxos e os entendimentos fantasistas das palavras parecessem sair de uma espécie de operação lógica.
As obras dele foram dividas em líricas e amorosas. Um exemplo das obras líricas foi Os Lusíadas, dividido em 10 cantos, exalta a conquista de Portugal na rota das índias.

Obras
• 1572- Os Lusíadas (texto completo)

Lírica
• 1595 - Amor é fogo que arde sem se ver
• 1595 - Eu cantarei o amor tão docemente
• 1595 - Verdes são os campos
• 1595 - Que me quereis, perpétuas saudades?
• 1595 - Sobolos rios que vão
• 1595 - Transforma-se o amador na cousa amada
• 1595 - Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
• 1595 - Quem diz que Amor é falso ou enganoso
• 1595 - Sete anos de pastor Jacob servia
• 1595 - Alma minha gentil, que te partiste

Teatro
• 1587 - El-Rei Seleuco
• 1587 - Auto de Filodemo
• 1587 - Anfitriões

Bibliografia
• "Os Lusíadas". Catálogo da Exposição Bibl., iconogr. e medalhística de Camões. Intr., sel. e notas de José V. de Pina Martins. Lisboa, 1972;
• Col. Camoniana de José do Canto. Lisboa, 1972.

Bibliografia activa
• Anfitriões. Pref. e notas de Vieira de Almeida. Lisboa, 1942;
• El-Rei Seleuco. Id. Ib., 1944;
• Obras completas. Com prefácio e notas de Hernâni Cidade. Lisboa, 1946-1947;
• Obra completa. Org., intr., com. e anotações de A. Salgado Júnior. R. de Janeiro, 1963;
• Os Lusíadas. Leitura, prefácio e notas de Álvaro J. da Costa Pimpão. Lisboa, 1992;
• Rimas. Texto estabelecido e prefaciado por Álvaro J. da Costa Pimpão. Coimbra, 1994

Bibliografia passiva
• Rebelo Gonçalves, Dissertações Camonianas. S. Paulo, 1937;
• António Salgado Júnior, Os Lusíadas e a viagem do Gama. O tratamento mitológico de uma realidade histórica. Porto, 1939;
• B. Xavier Coutinho, Camões e as artes plásticas. Porto, 1946-1948;
• J. Vieira de Almeida, Le théâtre de Camões dans l'histoire du théâtre portugais. Lisboa, 1950;
• H. Cidade, L. de Camões. Os Autos e o teatro do seu tempo. As cartas e o seu conteúdo biográfico. Lisboa, 1956;
• Jorge de Sena, Uma canção de Camões. Lisboa, 1966; id., Os sonetos de Camões e o soneto quinhentista peninsular. Lisboa, 1969;
• Georges le Gentil, Camões. Lisboa, 1969;
• Roger Bismut, La Lyrique de Camões. Paris, 1970;
• Vítor M. de Aguiar e Silva, Maneirismo e Barroco na poesia lírica portuguesa. Coimbra, 1971;
• M.ª Isabel F. da Cruz, Novos subsídios para uma ed. crítica da Lírica de Camões. Porto, 1971;
• Visages de L. de Camões. Paris, 1972;
• António José Saraiva, Camões. Lisboa, 1972;
• XLVIII Curso de Férias da Faculdade de Letras de Coimbra. Ciclo de lições comemorativas do IV Cent. da publ. de "Os Lusíadas". Coimbra, 1972;
• Luciano Pereira da Silva, A Astronomia de "Os Lusíadas". Lisboa, 1972;
• Ocidente (n.º especial). Nov. 1972;
• Garcia de Orta (n.º especial). Lisboa, 1972;
• Cleonice Berardinelli, Estudos Camonianos. R. de Janeiro, 1973; Estudos Camonianos. R. de Janeiro, 1974;
• João Mendes, Lit. Portuguesa I. Lisboa, 1974;
• E. Asensio, Sobre El Rey Seleuco de Camões, em Estudios Portugueses. Paris, 1974;
• Roger Bismut, Les Lusiades de Camões, confession d'un poète. Paris, 1974;
• Vítor M. de Aguiar e Silva, Notas ao cânone da Lírica camoniana. Coimbra, 1968 e 1975;
• Gilberto Mendonça Teles, Camões e a poesia brasileira. R. de Janeiro,1979;
• José Maria Rodrigues, Fontes dos Lusíadas. Lisboa, 1979;
• Quaderni Portoghesi, 6. Pisa, 1979;
• Studi Camoniani. L'Aquila, 1980;
• Homenaje a Camoens. Estudios y ensayos hispano-portugueses. Granada, 1980;
• Brotéria, vols. 110 e 111;
• Luís F. Rebelo, Variações sobre o teatro de Camões. Lisboa, 1980;
• A. Costa Ramalho, Estudos Camonianos. 2Lisboa, 1980;
• A. Pinto de Castro (et al.), Quatro orações camonianas. Lisboa, 1980;
• Eduardo Lourenço, Poesia e Metafísica. Lisboa, 1980;
• Hélder de Macedo, Camões e a viagem iniciática. Lisboa, 1980;
• Jorge de Sena, A estrutura de "Os Lusíadas" e outros estudos camonianos e de poesia peninsular do séc. XVI. Lisboa, 1980; id.,30 Anos de Camões. Lisboa, 1980;
• Cleonice Berardinelli, Os sonetos de Camões. Paris, 1980;
• Jorge Borges de Macedo, "Os Lusíadas e a História. Lisboa, 1980;
• J. G. Herculano de Carvalho, Contribuição de "Os Lusíadas" para a renovação da língua portuguesa. Coimbra, 1980;
• Vasco Graça Moura, L. de Camões: alguns desafios. Lisboa, 1980;
• José Hermano Saraiva, Vida Ignorada de Camões. Lisboa, 1980.
• W. Storck, Vida e obras de L. de Camões. Lisboa, 1980;
• Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa, 1980-1981;
• M.ª Vitalina Leal de Matos, Introdução à poesia de L. de Camões. Lisboa, 1980; id., O canto na poesia épica e lírica de Camões. Paris, 1981;
• M.ª Clara Pereira da Costa, O enquadramento social da Família de Camões na Lisboa do séc. XVI. Lisboa, 1981;
• José Pedro Machado, Notas Camonianas. Lisboa, 1981;
• J. Filgueira Valverde, Camões. Coimbra, 1981; Cuatro lecciones sobre Camoens. Madrid, 1981;
• A. Pinto de Castro, Camões, poeta pelo mundo em pedaços repartido. Lisboa, 1981;
• A Viagem de "Os Lusíadas": símbolo e mito. Lisboa, 1981;
• E. Asensio e J. V. de Pina Martins, L. de Camões. El Humanismo en su obra poética. Los Lusíadas y las Rimas en la poesía española. Paris, 1982;
• M.ª Lucília G. Pires, A crítica camoniana no séc. XVII. Lisboa, 1982;
• J. de Sena, Estudos sobre o vocabulário de "Os Lusíadas". Lisboa, 1982;
• Jacinto do Prado Coelho, Camões e Pessoa, poetas da utopia. Lisboa, 1983;
• H. Cidade, L. de Camões. I. O Lírico. Lisboa, 1985; id., L. de Camões. II. O Épico. Lisboa, 1985;
• Camoniana Californiana. St.ª Bárbara, 1985;
• Vasco Graça Moura, Camões e a divina proporção. Lisboa, 1985; id., Os penhascos e a serpente. Lisboa, 1987;
• Fidelino de Figueiredo, A épica portuguesa do séc. XVI. Lisboa, 1987;
• Martim de Albuquerque, A expressão do Poder em L. de Camões. Lisboa, 1988;
• J. A. Cardoso Bernardes, O Bucolismo português. Coimbra, 1988;
• M.ª Helena Ribeiro da Cunha, A dialéctica do desejo na Lírica de Camões. Lisboa, 1989;
• A. Costa Ramalho, Camões no seu e no nosso tempo. Coimbra, 1992;
• Actas das Reuniões Internacionais de Camonistas: I (Lisboa, 1973); III (Coimbra, 1987); IV (Ponta Delgada, 1984) e V (S. Paulo, 1992);
• Revista Camoniana (S. Paulo, 10 vols publ. desde 1964).
• Grande enciclopédia do conhecimento

Fonte
Wikipédia