terça-feira, 2 de junho de 2009

Home - O Mundo é a Nossa Casa

No âmbito das comemorações do Dia Mundial do Ambiente, a ZonLusomundo pretende exibir, nas salas de cinema do Tavira Gran Plaza, o filme "Home - O mundo é a nossa casa", que aborda as questões ambientais que procupam o mundo.

Esta iniciativa terá lugar no próximo dia 5 de Junho, estando previstas várias sessões ao longo do dia, dependendo do número de inscrições.

O filme tem a duração de 80 minutos, é dobrado em português, e sem fins lucrativos.

Os interessados deverão contactar a Divisão do Ambiente e Energia, pelo 281 320567, até ao próximo dia 3 de Junho, para procederem à inscrição.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

1 de Junho - Dia Mundial da Criança


ARTIGO 19º (da Convenção, assinada em 1989)
"Ninguém deve exercer sobre a criança qualquer espécie de maus-tratos. Os adultos devem protegê-la contra abusos, violência e negligência. Mesmo os próprios pais não têm o direito de a maltratar."


“a criança, por motivo da sua falta de maturidade física e intelectual, tem necessidade de uma protecção e cuidados especiais...”.



Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o Dia Mundial da Criança não é só uma festa onde as crianças ganham presentes.
É um dia em que se pensa nas centenas de crianças que continuam a sofrer de maus-tratos, doenças, fome e discriminações (discriminação significa ser-se posto de lado por ser diferente).
Sabias que o primeiro Dia Mundial da Criança foi em 1950?
Tudo começou logo depois da 2ª Guerra Mundial, em 1945.
Muitos países da Europa, do Médio Oriente e a China entraram em crise, ou seja, não tinham boas condições de vida.
As crianças desses países viviam muito mal porque não havia comida e os pais estavam mais preocupados em voltar à sua vida normal do que com a educação dos filhos. Alguns nem pais tinham!
Como não tinham dinheiro, muitos pais tiravam os filhos da escola e punham-nos a trabalhar, às vezes durante muitas horas e a fazer coisas muito duras.
Sabias que mais de metade das crianças da Europa não sabia ler nem escrever? E também viviam em péssimas condições para a sua saúde.
Em 1946, um grupo de países da ONU (Organização das Nações Unidas) começou a tentar resolver o problema. Foi assim que nasceu a UNICEF.
Mesmo assim, era difícil trabalhar para as crianças, uma vez que nem todos os países do mundo estavam interessados nos direitos da criança.
Foi então que, em 1950, a Federação Democrática Internacional das Mulheres propôs às Nações Unidas que se criasse um dia dedicado às crianças de todo o mundo.
Este dia foi comemorado pela primeira vez logo a 1 de Junho desse ano!
Com a criação deste dia, os estados-membros das Nações Unidas, reconheceram às crianças, independentemente da raça, cor, sexo, religião e origem nacional ou social o direito a:
- afecto, amor e compreensão;
- alimentação adequada;
- cuidados médicos;
- educação gratuita;
- protecção contra todas as formas de exploração;
- crescer num clima de Paz e Fraternidade universais.
Sabias que em só nove anos depois, em 1959 é que estes direitos das crianças passaram para o papel?
A ONU reconheceu também que “em todos os países do mundo há crianças que vivem em condições particularmente difíceis e a quem importa assegurar uma atenção especial, tendo devidamente em conta a importância das tradições e valores culturais de cada povo para a protecção e o desenvolvimento harmonioso da criança e a importância da cooperação internacional para a melhoria das condições de vida das crianças em todos os países, em particular nos países em desenvolvimento.”
A 20 de Novembro desse ano, várias dezenas de países que fazem parte da ONU aprovaram a "
Declaração dos Direitos da Criança".
Trata-se de uma lista de 10 princípios que, se forem cumpridos em todo o lado, podem fazer com que todas crianças do mundo tenham uma vida digna e feliz.
Claro que os Dia Mundial da Criança foi muito importante para os direitos das crianças, mas mesmo assim nem sempre são cumpridos.
Então, quando a "Declaração" fez 30 anos, em 1989, a ONU também aprovou a "Convenção sobre os Direitos da Criança", que é um documento muito completo (e comprido) com um conjunto de leis para protecção dos mais pequenos (tem 54 artigos!).
Estão escritos de uma forma mais simples para tu os perceberes melhor.

Esta declaração é tão importante que em 1990 se tornou lei internacional!



Fonte
Junior.TE
Unicef
Convenção dos Direitos das Crianças

Os Direitos da Criança

quarta-feira, 27 de maio de 2009

A Criança Misteriosa (cont)

… continuação
Uma luz maravilhosa brilhava na sombra de um escuro arbusto, mesmo em frente das crianças. Brilhava através das folhas trémulas, como uma lua resplandecente e, por entre o sussurrar das árvores, as crianças ouviram um som calmo, parecido com o vento a tocar harpa melodiosamente. As crianças sentiram-se diferentes. A sua mágoa passou e, embora tivessem lágrimas nos olhos, estas eram causadas por uma suave tristeza que nunca tinham sentido. E, à medida que aquela luz brilhava mais e a música maravilhosa se tornava mais perceptível, os corações das crianças batiam com mais força. Observavam atentamente a luz, quando se aperceberam de que era o rosto de uma linda criança, iluminada pelo sol, a sorrir-lhes e a acenar-lhes do arbusto.
– Vem cá! Oh, vem cá! – gritaram Christlieb e Félix, aos saltos, de mãos dadas.
– Já vou! Já vou! – gritou a criança numa voz muito doce, flutuando como a brisa da manhã. E aproximou-se de Félix e Christlieb.
– Ouvi-os a chorar, ao longe – disse a criança – e tive pena de vós. Meus queridos, o que se passa?
– Não estamos bem certos – disse Félix – mas agora penso que estávamos com saudades tuas!
– Sim – disse Christlieb – e agora estamos outra vez contentes! Oh, por que andaste desaparecida tanto tempo?
As crianças sentiam que conheciam desde sempre a misteriosa criança, que já tinham brincado juntos, e que tinha sido simplesmente a perda da sua companheira de folguedos que os tornara tristes.
– Não temos brinquedos – disse Félix – porque eu fui palerma e deitei fora todas aquelas coisas engraçadas que o meu primo me deu; mas ainda podemos brincar juntos com aqueles jogos, não podemos?
– Oh, Félix! – disse a criança misteriosa, a rir. – Os brinquedos que deitaste fora não valiam grande coisa e vocês têm aqui à vossa volta os mais espantosos brinquedos que alguma vez viram!
– Onde? Onde é que estão? – gritaram Christlieb e Félix.
– Olhem em redor – disse a criança. Então Félix e Christlieb viram lindas e luminosas flores de espécies variadas a espreitarem da relva espessa. Havia seixos coloridos e conchas de cristal cintilante, e pequenos escaravelhos a zumbirem suavemente numa dança contínua.
– Vamos construir um palácio! Ajudem-me a apanhar alguns escaravelhos! – disse a criança misteriosa, juntando as pedras coloridas. Christlieb e Félix assim fizeram, e a misteriosa criança trabalhou com tanta destreza que depressa se ergueram altas colunas a brilhar ao sol como metal polido, cobertas por um telhado dourado. A criança misteriosa beijava as flores que despontavam da relva e se erguiam com um suave sussurro e se entrelaçavam formando aromáticas arcadas, por baixo das quais as crianças dançavam alegremente. Depois, bateu palmas e o telhado dourado do palácio voou zumbindo (pois os pequenos escaravelhos dourados tinham-no feito com as suas próprias asas). Os pilares dissolveram-se num claro ribeiro murmurante e as flores descansaram nas suas margens.
Depois, a misteriosa criança apanhou molhos de relva e alguns pequenos galhos das árvores. Os molhos de relva transformaram-se em lindas bonecas e os galhos em pequenos caçadores. As bonecas dançavam à volta de Christlieb e sentaram-se no seu regaço, murmurando:
– Sê gentil para nós, querida Christlieb!
Subitamente, tudo desapareceu.
– Oh! – gritaram Félix e Christlieb. – Onde estão as bonecas? Onde estão os caçadores?
– Ao vosso dispor sempre que queiram! – disse a misteriosa criança.
– Mas não gostariam de ir agora até à floresta?
– Sim, sim! – disseram Félix e Christlieb. Então, a misteriosa criança pegou-lhes nas mãos e disse-lhes:
– Venham, então! – E partiram. Contudo não podemos dizer que eles caminharam! Não, as crianças pareciam flutuar através da floresta e das clareiras, enquanto pássaros de penas brilhantes voavam sobre elas. Depois, a criança misteriosa tirou uma pequena trompa dourada, dizendo:
– Agora vou tocar-vos uma música de despedida, mas amanhã voltarei!
A criança tocou e os rouxinóis cantaram, mas, subitamente, as notas da trompa e o cantar dos pássaros desapareceram, e tudo o que se conseguia ouvir era o murmurar dos arbustos por onde a criança desaparecera.
– Amanhã... amanhã voltarei! – disse uma voz longínqua.
Félix e Christlieb nunca se tinham sentido tão felizes!
– Oh, se fosse já amanhã! – disseram, correndo para casa para contarem aos pais o que tinha acontecido na floresta.
– Acho que as crianças estiveram a sonhar! – disse Sir Thaddeus à mulher, quando Félix e Christlieb contaram a sua história.
– Mas, como pode ter sido o mesmo sonho, ao mesmo tempo? Não sei o que pensar! – disse a mulher.
– Talvez a criança misteriosa seja apenas Gottlieb, o filho do professor da aldeia vizinha, que tenha estado a encher-lhes a cabeça com disparates!
Mas Sir Thaddeus não era da mesma opinião. Perguntou a Félix e Christlieb como era a criança e que roupas vestia. Ambos disseram que tinha a face branca como um lírio, as maçãs do rosto da cor das rosas, os lábios vermelhos como cerejas, os olhos azuis e brilhantes e caracóis dourados. Mas, quanto às roupas, elas não se comparavam com o casaco e calças azuis às riscas e ao boné de couro preto que Gottlieb usava. Enquanto Christlieb dizia que a criança tinha um encantador vestido feito de pétalas cor-de-rosa, Félix dizia que ela usava um fato verde-claro, como folhas tenras ao sol.
Félix achava que a criança misteriosa era um rapaz, e Christlieb dizia que era uma menina, e não conseguiam chegar a uma conclusão.
– Só preciso de seguir os miúdos na floresta para ver que criança é esta – disse Sir Thaddeus à mulher. – Contudo, acho que lhes podia estragar o divertimento, e não é isso que tenciono fazer.
No dia seguinte, a criança misteriosa estava, de novo, à espera deles, para lhes mostrar as coisas mais espantosas. Falou às árvores, aos arbustos, ao ribeiro, às flores, e todos respondiam numa linguagem que as crianças entendiam. Elas próprias entraram alegremente na conversa. Ao entardecer, quando os rouxinóis começaram a cantar, a misteriosa criança levou-os a voar, em direcção às nuvens alaranjadas do pôr-do-sol, que pareciam lindos edifícios.
– Os meus castelos! – disse a criança. – Mas não vamos lá hoje!
Depois, inesperadamente, Félix e Christlieb encontraram-se de regresso a casa, junto dos pais, sem saberem muito bem como é que tinham regressado.
Um dia, Félix e Christlieb estavam sentados num lindo pavilhão que a misteriosa criança tinha construído com grandes lírios, rosas resplandecentes e brilhantes tulipas.
– Mas, de onde vens? – perguntou Félix. – E para onde vais quando desapareces tão depressa que não podemos seguir-te?
– Oh, querida menina! – disse Christlieb. – Sabes que a mãe acha que tu és Gottlieb, o filho do professor?
– Está calada, sua tonta! – exclamou Félix. – Se a mãe tivesse visto este rapaz, jamais diria que era o Gottlieb! Agora diz-me onde moras. No Inverno, poderemos ir visitar-te a casa, quando estiver demasiado frio para podermos passear na floresta.
– Sim, sim! – disse Christlieb. – Conta-nos onde vives, quem são os teus pais e, mais importante ainda, diz-nos o teu nome!
A criança misteriosa olhou-os muito séria, quase triste, e disse a suspirar:
– Queridos meninos, por que querem saber onde moro? Venho brincar convosco todos os dias. Não é suficiente? Poderia dizer que moro detrás daquelas montanhas azuis que parecem nuvens lá longe. Contudo, se vocês caminhassem durante dias e dias até conseguirem alcançá-las, encontrariam outras tão distantes como as primeiras e outras atrás dessas, e assim sucessivamente, e nunca chegariam à minha terra.
– Então tu vives a centenas de quilómetros, e és apenas um visitante? – perguntou Christlieb com tristeza.
– Ouve, querida Christlieb – disse a misteriosa criança. – Quando vocês me querem realmente, eu venho logo, e trago-vos coisas maravilhosas da minha casa! Não é o mesmo que estarmos lá todos juntos a brincar?
– Não é bem – disse Félix. – A tua casa deve ser um sítio lindo e, apesar do que dizes, tenho muita vontade de a conhecer. Hei-de conseguir lá chegar!
– Se assim é, conseguirás! – disse ela, com um sorriso alegre. – Se tens assim tanta vontade, é como se já lá estivesses! A minha terra é muito mais bonita do que aquilo que eu posso contar. A minha mãe é a rainha, e satisfaz todos os desejos.
– Então, és um príncipe! – Então és uma princesa! – gritaram, ao mesmo tempo, Félix e Christlieb, fascinados.
– Sim, na verdade sou! – disse a misteriosa criança.
– E suponho que vives num belo palácio! – continuou Félix.
– Sim – disse ela – o palácio da minha mãe é ainda mais bonito do que aqueles castelos cintilantes que vês no ar. Ergue-se até ao céu azul em delgadas colunas de cristal puro, e o céu cobre- -o como se fosse o telhado. Nuvens brilhantes e douradas navegam por esse telhado, o sol nasce e deita-se com uma luz ténue, e estrelas cintilantes dançam à sua volta. Queridos meninos, já devem ter ouvido falar de fadas e já devem ter adivinhado que a minha mãe é uma fada. A mais poderosa de todas. Gosta de tudo o que vive e cresce na terra, e acima de tudo, gosta de crianças. As festas que organiza para elas no seu reino são melhores do que as que vocês poderão imaginar. O seu cortejo
voa através das nuvens, estendendo um brilhante arco-íris de uma ponta à outra do castelo. Por baixo, fica o trono da minha mãe, de diamantes puros, apesar de parecerem lírios, cravos e rosas, e cheirarem tão bem como eles. Os seus músicos tocam harpas douradas e pratos de cristal. Os cantores acompanham-nos: são lindos pássaros, maiores do que águias, com penas púrpura. E quando a música começa, tudo ganha vida no palácio. Milhares de crianças dançam, brincam e gritam de alegria, atiram flores umas às outras, trepam às árvores, sobem e descem rochedos de vento, apanham deliciosos frutos dourados, brincam com veados dóceis e outros animais que saltam do bosque cerrado ao seu encontro. Elas correm sem medo, subindo e descendo o arco-íris, ou passam, montadas em lindos faisões dourados, através das nuvens.
– Oh, que maravilha! Leva-nos para a tua terra e ficaremos lá para sempre! – gritaram Félix e Christlieb, encantados.
– Não – disse a misteriosa criança – não posso levar-vos. É muito longe, e precisavam de saber voar como eu.
Depois, a criança continuou a contar mais coisas sobre o reino dos duendes, e sobre o inimigo da rainha, um malvado espírito que se tornou ministro e tentava magoar as crianças, os pássaros que cantam e todos os animais dóceis. Ele tentara apoderar-se do trono da sua mãe, aparecendo sob a figura de uma mosca monstruosa, mas todos o reconheceram como sendo o malvado Pepser, o Rei dos duendes.
– Contudo – disse a criança – o Príncipe Faisão teve um duelo com Pepser e destronou-o. Depressa tudo voltou à normalidade no reino da minha mãe… mas Pepser segue-me quando deixo o reino, e tenta fazer-me mal. E é por isso, meus queridos, que às vezes fujo muito depressa. Se vos levasse para minha casa, Pepser via-nos e de certeza que nos matava.
Félix e Christlieb correram para casa, a fim de contarem aos pais a história, mas pararam quando viram Sir Thaddeus de Brakel a vir ao seu encontro com um homem estranho a acompanhá-lo.
… continua na próxima semana

O Clube de Contadores de Histórias
Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria – Baltar

segunda-feira, 25 de maio de 2009

A origem de @


Os Copistas medievais e o século XXI. Cultura e curiosidades…

Na idade média os livros eram escritos à mão pelos copistas.

Precursores da taquigrafia, os copistas simplificavam o trabalho substituindo letras, palavras e nomes próprios, por símbolos, sinais e abreviaturas. Não era por economia de esforço nem para o trabalho ser mais rápido. O motivo era de ordem económica: a tinta e o papel eram valiosíssimos.


Foi assim que surgiu o til (~), para substituir uma letra (um 'm'ou um 'n') que nasalizava a vogal anterior. Um til é um enezinho sobre a Letra. O nome espanhol Francisco, que também era grafado 'Phrancisco', ficou com a abreviatura 'Phco' e 'Pco'. Daí que foi fácil o nome Francisco ganhar em espanhol o diminutivo Paco.


Os santos, ao serem citados pelos copistas, eram identificados por um feito significativo em suas vidas. Assim, o nome de São José aparecia seguido de 'Jesus Christi Pater Putativus', ou seja, o pai putativo (suposto) de Jesus Cristo. Mais tarde os copistas passaram a adoptar a abreviatura 'JHS PP' e depois 'PP'. A pronúncia dessas letras em sequência explica porque José em espanhol tem o diminutivo de Pepe.


Já para substituir a palavra latina 'et' ('e'), os copistas criaram um símbolo que é o resultado do entrelaçamento dessas duas letras: &. Esse sinal é popularmente conhecido como ' e' comercial e, em inglês, tem o nome de ampersand, que vem do 'and' ('e' em inglês) + 'per se'(do latim 'por si') + 'and'.


Com o mesmo recurso do entrelaçamento de letras, os copistas criaram o símbolo @ para substituir a preposição latina 'ad', que tinha, entre outros, o sentido de 'casa de'.

Veio a imprensa, foram-se os copistas, Mas os símbolos @ e & continuaram a ser usados nos livros de contabilidade. O @ aparecia entre o número de unidades da mercadoria e o preço; por exemplo, o registo contabilístico mailto:'10@£3' significava '10 unidades ao preço de 3 libras cada uma'.

Nessa época o símbolo @ já ficou conhecido como, em inglês, 'at' ('a' ou 'em').


No século XIX, nos portos da Catalunha (nordeste da Espanha), o comércio e a indústria procuravam imitar práticas comerciais e contabilísticas dos ingleses.


Como os espanhóis desconheciam o sentido que os ingleses atribuíam ao símbolo @, supuseram, por engano, que o símbolo seria uma unidade de peso.

Para este entendimento contribuíram duas coincidências:

1- A unidade de peso comum para os espanhóis na época era a arroba, cujo 'a' inicial lembra a forma do símbolo.

2- Os carregamentos desembarcados vinham frequentemente em fardos de uma arroba. Dessa forma, os espanhóis interpretavam aquele mesmo registo de '10@£3' como 'dez arrobas a 3 libras cada uma'. Então, o símbolo @ passou a ser usado pelos espanhóis para significar arroba.


Arroba veio do árabe ar-ruba, que significa 'a quarta parte': arroba (15 kg em números redondos) correspondia a 1/4 de outra medida de origem árabe (quintar), o quintal (58,75 kg).


As máquinas de escrever, na sua forma definitiva, começaram a ser comercializadas em 1874, nos Estados Unidos (Mark Twain foi o primeiro autor a apresentar seus originais dactilografados). O teclado tinha o símbolo '@', que sobreviveu nos teclados dos computadores.

Em 1972, ao desenvolver o primeiro programa de correio electrónico (e-mail), Roy Tomlinson aproveitou o sentido '@' ('at' em inglês), disponível no teclado, e utilizou-o entre o nome do usuário e o nome do provedor. Assim Fulano@ProvedorX passou a significar 'Fulano no provedor (ou na casa) X'.


Em diversos idiomas, o símbolo '@' ficou com o nome de alguma coisa parecida com sua forma. Em italiano chiocciola (caracol), em sueco snabel (tromba de elefante), em holandês, apestaart (rabo de macaco).

Noutros idiomas, tem o nome de um doce em forma circular: shtrudel em Israel, strudel na Áustria, pretzel em vários países europeus.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Fado em Si bemol - O Gago Apaixonado

"Guerra ou Paz", pelos alunos do 6ºB, no Dia do Autor Português (fotos)

Nesta peça de teatro, representada pelos alunos do 6ºB, a Guerra e a Paz estiveram presentes no Tribunal. Apesar dos vários argumentos apresentados, a Guerra saíu culpada, mas a Paz também não deve baixar os braços.



Houve ainda tempo para um momento musical.

Uma merecida palavra de apreço a todos os professores que, com o seu trabalho, tornaram possível a realização desta actividade.

Palavras de Baptista-Bastos no Dia do Autor Português: «Autor não é criatura neutra»


O autor “não é uma criatura neutra e muito menos independente ou imparcial”, sustenta o escritor Armando Baptista-Bastos numa mensagem alusiva ao Dia do Autor Português que a Sociedade Portuguesa de Autores comemorou ontem.

“Escrever, criar, sonhar, são sempre lugares de encontro e de procura do outro. Interpelar é tomar partido da compreensão, para se refazer o caminho”, sublinhou o escritor, convidado pela Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) a elaborar a mensagem deste ano.

Criado em 1982 por iniciativa do maestro Nóbrega e Sousa, membro da direcção da entidade, o Dia do Autor Português é comemorado anualmente a 22 de Maio com diversas manifestações culturais promovidas pela SPA, cooperativa que gere os direitos dos autores portugueses de todas as disciplinas literárias e artísticas. “Responsáveis pelas nossas palavras, poderemos vir a ser culpados de as utilizar sem a autoridade moral e a nobreza por elas exigidas. Com o tempo e com a prática, aprendemos que as coisas insignificantes devem ser tratadas com a maior seriedade”, salienta Baptista-Bastos no texto, ao qual deu o título «As palavras, como é hábito».

O escritor questiona-se sobre o poder do autor “num mundo onde as palavras foram substituídas por números que subtraem, omitem ou rasuram as pessoas”. “Apesar do cerco actual - diz - , aprendemos com outros cercos e sobrevivemos a outros perigos e ameaças”. “Escrever, criar, sonhar, não são apenas representações: são projectos e projecções ideológicos e renovadas relações entre História e memória. Não há que fugir a isto: ao compromisso exemplificado na declaração tremenda de que a batalha pela liberdade de criação implica a recusa da mentira e uma permanente resistência à opressão e à tirania”, defende ainda o escritor.

Na opinião de Baptista-Bastos, os autores têm de estar “cada vez mais atentos e cautelosos”, porque os querem fazer “crer na fragilidade da palavra, na fugacidade da arte, na desimportância do acto de pensar”. “Talvez o mundo de outrora fosse mais simplificado, sem deixar de ser menos complexo ou perigoso. Enfrentámo-lo na certeza de que as palavras continham, no seu bojo, a magnitude da esperança, e a crença de que poderiam modificar as coisas e os destinos”, sublinhou ainda, descrevendo os autores como “herdeiros de um legado de insubmissão e de altivez”. “Aqui estamos, para o que der e vier. Com as palavras, como é hábito”, conclui, na mensagem.

in Clube de Leituras


Mais informação
PUBLICO.PT
Portal da Cultura

quarta-feira, 20 de maio de 2009

A Criança Misteriosa

Era uma vez um senhor do campo chamado Thaddeus de Brakel. Tinha herdado do pai a pequena propriedade de Brakelheim e aí vivia muito sossegado, amado por todos, numa casa pequena mas confortável, com a mulher, o filho Félix e a filha Christlieb.
Uma certa manhã, a família levantou-se muito cedo. A mulher de Sir Thaddeus fez um grande bolo cheio de amêndoas e uvas. Sir Thaddeus vestiu o seu melhor casaco verde, e Félix e Christlieb vestiram as suas melhores roupas, pois iam chegar uns nobres visitantes: o Conde Cyprian de Brakel, primo de Sir Thaddeus, mais a sua mulher e filhos.
Estava um dia lindo, e Félix e Christlieb tinham pena de não poderem ir brincar para a floresta. Em vez disso, tinham de ficar em casa à espera dos visitantes.
Chegaram por fim, numa carruagem luxuosa. O Conde e a sua família tinham maneiras polidas e vestiam roupas caras: o pequeno Hermann usava calças compridas, um chapéu com uma pena e trazia consigo uma curta e cintilante espada, e a saia da irmã Adelgunde tinha muitos laços e fitas.
Infelizmente, os quatro primos não se entendiam muito bem. Os filhos do Conde eram atrevidos e arrogantes. Sabiam tudo sobre história, geografia, zoologia e até sobre astronomia, e gostavam de exibir os seus conhecimentos, enquanto Félix e Christlieb, que tinham crescido livres na floresta, sentiam-se desajeitados e constrangidos diante deles. A Condessa ficou espantada com tal ignorância, e o Conde prometeu a Sir Thaddeus e à mulher enviar um tutor para transmitir um pouco de saber aos seus filhos, dizendo-lhes que tal não lhes custaria absolutamente nada.
Em seguida, o cocheiro entrou com duas grandes caixas. Adelgunde e Hermann entregaram-nas a Christlieb e Félix.
– Aqui tens alguns brinquedos, meu querido primo! – disse Hermann ao primo, fazendo-lhe uma vénia.
Félix ficou atrapalhado, sem saber o que dizer, assim como a irmã, que estava mais perto do choro do que do riso. Apesar disso, a caixa que Adelgunde lhe oferecera cheirava tão bem, que parecia estar cheia de guloseimas. Sultão, o fiel cão de Félix, começou a ladrar e a saltar, e Hermann, que estava muito amedrontado, correu até à outra ponta da sala e começou a soluçar.
– Ele não te faz mal! – disse Félix ao primo. – Não é preciso gritares dessa maneira. – É só um cão e, mesmo que ele te atacasse, tens uma espada, não tens?
Mas Hermann continuou a soluçar até à chegada do cocheiro, que pegou nele ao colo e o levou para a carruagem. Adelgunde também começou a chorar sem razão aparente. Depois, o mesmo fez a pobre Christlieb, e foi ao som de três crianças a chorar que os nobres visitantes partiram.
Mal a carruagem partiu, Sir Thaddeus despiu o seu belo casaco verde e vestiu o de todos os dias. Passou um pente sobre o cabelo e deu um grande suspiro.
– Meu Deus, obrigado por tudo! – disse.
As crianças também despiram os seus belos fatos, sentindo-se libertas e felizes.
– Vamos até à floresta! – gritou Félix.
– Não querem ver os presentes? – perguntou a mãe. Christlieb, que estivera a observar curiosamente as caixas, achou boa ideia, mas Félix não estava assim tão certo.
– Huh! – disse. – Como é que o primo pode ter trazido alguma coisa engraçada? Ele só fala de leões, ursos, elefantes, e depois tem medo do Sultão! A chorar e a soluçar escondido debaixo da mesa, e com uma espada!
– Oh, Félix, meu querido, vamos dar uma espreitadela às caixas! – disse Christlieb.
Félix, que fazia tudo para lhe agradar, concordou. A mãe abriu as caixas e – bem, queridos leitores, só desejo que todos tenham a sorte de ter tantos presentes maravilhosos da vossa família e amigos, no Natal ou no vosso aniversário! Lembram-se de como gritaram de alegria ao verem uns lindos soldadinhos ou os divertidos bonecos mecânicos com um realejo? As bonecas bem vestidas e os coloridos livros de desenho? Pois foi como Félix e Christlieb se sentiram diante daquelas caixas a abarrotar de brinquedos maravilhosos e de guloseimas.
– Oh, que maravilha! – gritavam eles, batendo palmas.
O brinquedo de que Félix mais gostou foi de um forte caçador que levantava a espingarda e apontava para um alvo, quando se lhe tocava nas costas do casaco. A seguir, o melhor foi um pequeno boneco que se inclinava e tocava uma linda melodia numa harpa. Havia uma pistola, uma faca de caça, ambas feitas de madeira e pintadas de prateado, assim como um boné de hussardo e um cartucho de uma pequena espingarda. Quanto a Christlieb, estava fascinada com uma linda boneca e um conjunto de panelas e sertãs. As duas crianças esqueceram-se completamente da ida à floresta e brincaram com os brinquedos novos até serem horas de deitar.
No dia seguinte, tiraram novamente os brinquedos das caixas para brincarem. Lá fora, na floresta, o sol brilhava, os pássaros cantavam e, de repente, Félix gritou:
– Oh, Christlieb, lá fora é mais divertido! Podemos levar os brinquedos!
No entanto, os brinquedos, comparados com as belezas da Natureza, não eram tão interessantes, e as crianças ficaram impacientes e brincaram tão desajeitadamente com eles, que alguns se partiram, incluindo o caçador e o tocador de harpa.
– Vamos fazer uma corrida! – disse Félix.
– Oh sim! – exclamou Christlieb. – E a minha boneca também vai!
E assim, cada um agarrou num braço da boneca e desataram a correr pelo meio dos arbustos, descendo a colina até chegarem a um lago rodeado por altos juncos, onde Sir Thaddeus por vezes caçava patos bravos.
– Porque não paramos um pouco? – perguntou Félix. – Talvez eu mate um pato, como o pai. Afinal até tenho uma pistola!
Mas Christlieb gritou:
– Oh, a minha boneca! O que aconteceu à minha boneca?
Claro que a boneca estava em mau estado. Durante a corrida, as crianças tinham-se descuidado. As roupas estavam espalhadas pelos arbustos e a boneca tinha as pernas partidas. A sua bonita cara de cera estava feita em pedaços.
– A minha boneca! – gemeu Christlieb. – A minha boneca!
– Bem, já vês as coisas estúpidas que os primos nos deram! – disse Félix.
– A tua boneca nem serve para fazer uma corrida connosco. Vá lá, dá cá a boneca!
Triste, Christlieb entregou-lhe a boneca toda estragada, e não conseguia parar de chorar.
– Oh, não! – disse, quando ele a atirou para o lago.
– Anima-te! – consolou-a Félix. – Não chores por causa de uma boneca tão estúpida! Se eu apanhar um pato, dou-te as penas mais bonitas das asas!
Nesse momento surgiu um ruído vindo dos juncos e Félix apontou a sua pistola de madeira, mas baixou-a quase de imediato.
– Sou maluco – disse. – É preciso pólvora e balas para carregar uma pistola e eu não tenho nem uma coisa nem outra, e mesmo que tivesse, como é que ia carregar uma pistola de madeira? A faca de caça também não serve. Não corta! Digo-te uma coisa – o Primo Baggy Breeches está a gozar comigo! Os brinquedos parecem muito bons mas não prestam para nada!
E dizendo isto, Félix atirou ao lago a pistola, a faca e os cartuchos. Quando regressaram a casa, a pobre Christlieb ainda chorava pela boneca e Félix estava de muito mau humor. Quando a mãe lhes perguntou:
– Mas onde estão os vossos brinquedos, meninos?
Félix contou como ele e Christlieb tinham sido enganados pelo caçador, pelo tocador de harpa, pela pistola, a faca e a boneca.
– Meu Deus! – disse a mãe pausadamente. – Vocês não sabem brincar com coisas tão bonitas e frágeis como aquelas!
Contudo, Sir Thaddeus disse:
– Deixa as crianças. Fico contente por vê-las livres daqueles brinquedos que só as baralhavam!
E nem a mãe nem as crianças perceberam o que é que Sir Thaddeus pretendeu dizer!
No dia seguinte, Félix e Christlieb foram bem cedo para a floresta. A mãe disse-lhes que não regressassem muito tarde, pois tinham de estudar alguma coisa, para não se sentirem tão envergonhados quando o tutor chegasse.
– Vamos brincar enquanto podemos! – disse Félix e, começaram a brincar às caçadinhas. Pouco tempo depois, estavam cansados e mudaram de brincadeira. Nada corria bem. O boné de Félix voou e ele apanhou-o com agilidade e endireitou-o. Christlieb tirou alguns espinhos da saia e deu um pontapé num tronco.
– É melhor irmos para casa – disse Félix, de mau humor. Mas, em vez disso, sentou-se à sombra de uma grande árvore e a irmã fez o mesmo. Aí ficaram ambos a olhar tristemente para o chão.
– Oh, mano – suspirou Christlieb – se ao menos ainda tivéssemos aqueles brinquedos tão bonitos!
– Não serviriam para nada – murmurou Félix. – Íamos partir os bonecos outra vez! A mãe tinha razão, Christlieb. Não havia nada de errado com aqueles brinquedos. Nós é que somos tão ignorantes que nem soubemos brincar com eles!
– Sim – concordou Christlieb. – Se fôssemos espertos como os nossos primos, tu ainda tinhas o caçador, o tocador, e aquela linda boneca não estaria agora no fundo do lago! Oh, por que é que somos tão desajeitados e ignorantes?
Começou a soluçar e Félix juntou-se a ela. Choraram ambos bem alto, lamentando-se:
– Se não fôssemos tão ignorantes!
De súbito, pararam de chorar e entreolharam-se espantados.
– Estás a ver aquilo, Christlieb? – perguntou Félix.
– Estás a ouvir aquilo, Félix? – perguntou Christlieb.
continua na próxima semana
O Clube de Contadores de Histórias
Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria – Baltar

terça-feira, 19 de maio de 2009

"Nascem Nuteixos", na BECRE, com Helena Tapadinhas




"A Poesia está na Escola ...e em toda a parte" - Declamação de Poesia e debate


No próximo dia 25 de Maio, pelas 10.30, vamos ter na nossa BECRE o artista Afonso Dias, que nos trará uns belos momentos de poesia.
O tema será "A Poesia está na Escola ...e em toda a parte" e inclui duas sessões, de uma hora cada. Depois da sessão de declamação, seguir-se-á a sessão de debate.
Esta actividade, que conta com o apoio da Direcção Regional de Educação do Algarve, pretende dar a conhecer a poesia portuguesa, desenvolver o gosto pela leitura e sublinhar o carácter lúdico e estético da literatura.
Mais informação em DREAlg

Newsletter n.º 4 - Rede de Bibliotecas Escolares



Rede de Bibiotecas Escolares
Portal da Educação


Newsletter 04

Editorial

O número 4, agora publicado, está sistematizado em três áreas diferentes: uma dedicada aos Artigos de fundo, outra reservada às boas práticas que devem ser destacadas e que designámos por Dossier e uma terceira que veiculará as Notícias e os eventos da actualidade.

Miguel Real - Escritor e professor na biblioteca da escola

A biblioteca na escola é para alguns, mais do que um espaço de trabalho, um lugar natural para "estar". Luís Martins, Miguel Real (1) na actividade de escritor, associa o seu gosto pelo ensino e pela relação com os jovens, com a paixão pela leitura, pelos livros e pela escrita. Mais razões para sentir a BE como o local primeiro do seu "prazer" na escola? Oiçamos, então, este professor escritor, amante da arte de ensinar e dos livros.

Professor bibliotecário: uma função especializada - um cargo

Vai cumprir-se este ano um dos objectivos consignados, desde o início, no Programa da Rede de Bibliotecas Escolares - a criação da figura de professor bibliotecário.

Competências do Professor-bibliotecário no processo de auto-avaliação da biblioteca escolar

No âmbito da acção de formação Modelo de Auto-avaliação das Bibliotecas Escolares (Setembro - Dezembro 2008) foi desenvolvida uma actividade de auto-avaliação de competências dos participantes aplicada à área da avaliação organizacional. Pretendia-se que a reflexão fosse acompanhada de evidências que ilustrassem a existência das competências. Alguns dos relatos apresentados constituíram excelentes narrativas das várias fases de adaptação a novas competências ligadas ao desempenho em contexto biblioteconómico...

Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil - O caminho faz-se caminhando!

Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil nasceu em 1996 com a inauguração da Biblioteca Municipal e foi-se construindo com as 11 Bibliotecas Escolares do 1º, 2º e 3º Ciclos e Secundária que hoje existem, completando-se com a abertura da Biblioteca Pública Alberto Martins de Carvalho. A Formação de todos os intervenientes, a Organização das Bibliotecas e a Promoção da Leitura têm sido as preocupações dominantes ao longo do percurso, que deu, recentemente, mais um passo com a publicação do Portal da RBCA e o Catálogo Concelhio.

Moche à leitura - um projecto aLer+

O projecto aLer+/ Escolas Leitoras, lançado em Junho de 2008 pelo Plano Nacional de Leitura (PNL) e Rede de Bibliotecas Escolares (RBE), resulta da parceria com o National Reading Trust do Reino Unido, em especial com o programa Reading Connects e conta, ainda, com o apoio Direcção Geral do Livro e das Bibliotecas, da Direcção Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular e da Fundação Calouste Gulbenkian.Neste artigo é feito um breve roteiro do projecto "Moche à Leitura" do Agrupamento de Escolas de Vila Nova de Poiares (Escola EB 2,3/S Dr. Daniel de Matos).

Aprender com a Biblioteca

Reflexão sobre o papel da biblioteca escolar e do professor bibliotecário no processo de ensino aprendizagem.

Catálogos em linha das bibliotecas escolares

O catálogo de uma biblioteca é um instrumento essencial na perspectiva da constituição e da gestão do fundo documental e na óptica dos utilizadores. Sem ele, os utilizadores, mesmo numa biblioteca de acesso livre, organizada tematicamente, correm o risco de ignorarem uma parte considerável dos títulos que ela dispõe, ficarem sujeitos à bibliografia sumária indicada pelos professores ou à opinião dos elementos da equipa da biblioteca (professores e funcionários).

Bibliotecas Escolares: estado da arte

Dados preliminares referentes à base de dados das escolas integradas na Rede de Bibliotecas Escolares e que se encontravam em funcionamento no ano lectivo 2007/08


recebido por http://www.rbe.min-edu.pt/

quarta-feira, 13 de maio de 2009

De que estiveram a falar?

O João espera pela mãe à porta de casa sentado no banco azul. Uma hora e dez. Quando ainda há meia hora olhara para o relógio, eram uma hora e cinco. A mãe nunca chega a casa antes das duas e cinco, isso quando vem cedo. Esquecera-se das chaves.
Passa a D. Joana:
— Então, João, ficaste fechado cá fora?
João faz um aceno de cabeça, delicadamente.
Passa o Dr. Gerardo:
— Então, não te deixam entrar?
João sorri delicadamente.
Passa a D. Gertrudes:
— Oh! Não me digas que a mãe ainda não chegou!
Quando vê o casal Meireles aparecer ao longe, João levanta-se, pega na pasta e muda--se para o banco do parque de estacionamento, do outro lado.
Talvez seja mesmo isso que em breve vai acontecer: ele fechado cá fora e eles, dentro casa, não deixam entrar. Logo se verá na próxima semana… A mãe tem um namorado. Há três anos que o pai morreu, tinha o João treze anos na altura; e agora a mãe arranjou um namorado.
Falara-lhe dele. Não é de cá, conhecera-o na casa de repouso depois da operação, na Primavera. Vem visitá-los na próxima semana e vai ficar instalado no escritório. Como quase não é usado desde que o pai morreu, põe-se lá uma cama.
— É só por dez dias — dissera a mãe.
Chega um carro de mobílias e estaciona com dificuldade num dos lugares vagos. Dois homens fortes saem a abanar os talões de entrega. Um deles vem direito a João:
— Há por aqui algum restaurante? É que nos enganámos no caminho e perdemos o almoço.
— Lá em cima, na povoação. Aqui, não.
— Ah, então vamos ter de comer aqui mesmo. Podemos? — pergunta o segundo. Sentam-se e começam a tirar umas sandes do saco da merenda.
A D. Julieta sai do carro com os dois filhos pequenos. Depois, é a enfermeira do 1º andar que regressa na sua motorizada. Em seguida, um carro que João não conhece estaciona no lugar do Engº Florismundo.
"Espero que o engenheiro não venha", pensa João. "Ele faz sempre um pé-de-vento... Até já chegou a chamar a polícia por invasão de propriedade. Oh, e que venha!" pensa João logo a seguir. "Ao menos havia alguma animação para ajudar a passar o tempo…"
Não é que o escritório seja um lugar sagrado, não é disso que se trata. João tem medo das mudanças, de… mas de que é que ele tem medo afinal?
— Não vou mentir-te — dissera a mãe — por isso quero dizer-te que gosto dele, do Bernardo. Gostava que tudo corresse bem, que tu gostasses dele. E acho que ele vai agradar-te — acrescentou.
"Espero bem que não", pensara João. "Espero que não dê certo. Espero que seja um mau tipo sobre quem não seja difícil decidir se gosto ou não."
A pequenita da D. Julieta aproxima-se dele. A bola saiu fora do parque infantil e João devolve-lha.
A menina agradece e vai embora a correr.
Os dois homens também vão. Chega agora um homem com uma pasta, senta-se no banco — Bom dia! — e começa a escrevinhar num bloco de papel. Talvez seja algum empregado de caixa.
João falara neste assunto a Geraldo. Em sigilo absoluto! Geraldo é um bom amigo e não é nada infantil quando o assunto são coisas sérias.
— Que idade tem a tua mãe? — perguntara o Geraldo.
— Trinta e seis ou trinta e sete.
— É óbvio — dissera o Geraldo. — Tens de entender. Com essa idade uma mulher ainda…
Fizera uma pausa e dera a entender o resto da frase com um sinal de cabeça cauteloso e aí João compreendera. Sem qualquer pré-aviso, pregou-lhe uma bofetada. Geraldo ficara terrivelmente assustado mas por pouco tempo… e reagira logo.
O empregado de caixa também foi embora e o dono do carro desconhecido atravessou o parque de estacionamento. "Ah", pensa o João. "O Engº Florismundo já não vai ter de se aborrecer. O senhor já vai sair."
Mas o homem não se vai embora. Veio só deixar uma coisa no carro e pegar outra. Um livro de bolso, pelos vistos. Olha em volta e encaminha-se para o banco de João. Senta-se na outra ponta sem uma palavra, de costas voltadas para ele. Tem um casaco de ganga e umas calças de veludo.
Pela maneira como se sentou e começou a ler sem fazer caso nenhum de João nem do que está à sua volta, não parece ser lá muito simpático.
Passa-lhe um pensamento maldoso pela cabeça. "Talvez se zangue", pensa João e maldosamente diz-lhe:
— Peço desculpa, mas estacionou num lugar reservado.
— E o que é que tem? — responde o outro sem se voltar.
— Só estou a dizer isto porque o dono do lugar pode fazer uma cena desagradável… Já chegou até a chamar a polícia…
Nesse momento o outro volta-se completamente e olha para João. Tem um bigode esquisito, olhos escuros com rugas à direita e à esquerda. Em vez de responder, aponta para o olho esquerdo de João e pergunta:
— O outro também?
João não percebe imediatamente mas depois acena com a cabeça.
— Sim, um pouco — a estalada de João não tivera o mesmo resultado que o soco de retaliação de Geraldo.
— E qual foi o motivo?
— Foi… foi por assuntos particulares.
— Ah, estou a perceber.
"Não percebes nada", pensa João.
— Para dizer a verdade, não estou a perceber nada — disse o homem. — Mas também não tem importância. — Depois sorriu e continuou:
— Andamos nós para aqui a fazer manifestações em favor da paz e, nos miúdos, as brigas continuam à larga. O que é que achas? O que pensas?
João encolhe os ombros.
— Não, a sério! O que é que pensas disto? Um — e encolhe os ombros — é muito pouco.
— Não sei — responde João. — Acho que um simples olho negro ainda não é sinónimo de guerra.
— Um olho negro não é sinónimo de guerra — repete o outro pensativamente. — Mas talvez comece por aí. Tenho certas dúvidas sobre a relação entre as brigas de escola e os movimentos pacifistas. Ainda não pensei bem no assunto mas acho que se devia reflectir a sério sobre isso, devia sim.
Reclina-se para trás e estica as pernas.
— Estou a falar a sério — acrescenta. — Claro que não só as brigas de escola mas as disputas das crianças no dia-a-dia, não achas?
João quer voltar a encolher os ombros, mas não o faz.
— Podes encolher os ombros à vontade — disse o homem. — Eu também não sei. Devia começar-se já em criança.
"Mais um maluco", pensa João.
Calam-se por um momento e o homem continua:
— Quanto ao lugar de estacionamento, claro que o dono ou inquilino, ou o que for, está no seu direito. Eu sou é demasiado preguiçoso para o ir tirar agora. Quando o dono vier ainda estou a tempo. Ou achas que ele também faz queixa por se desgastar o lugar?
— É bem capaz disso! — diz João a rir.
— Bem, ainda tenho de esperar mais um pouco. Não está ninguém na casa para onde quero ir.
João faz um aceno de cabeça.
O homem torna a virar-se para ele e olha mais de perto o olho negro com interesse.
— Doeu?
— Mais ou menos.
— Levaste pontos?
— Uhm.
— Uma vez, também fiz uma rachadela aqui — e apontou para a sobrancelha do olho direito.
— Mas não se vê nada — observa João.
— E na altura até cheguei a levar pontos.
— O outro também? — pergunta João atrevidamente.
O homem ri e bate com a mão no joelho.
— Não vais acreditar. Não havia mais ninguém! Eu vou pela sala às escuras à procura da porta da sala, às apalpadelas de braços esticados.
Estende os braços e fecha os olhos, provavelmente para mostrar como estava escuro como breu.
— E avanço, pé ante pé, a porta deve ser já aqui… E era, mas estava aberta. Eu passei-
-lhe com os braços de um lado e do outro e bati com a cabeça directamente na esquina da porta.
— Que mau! — disse João a rir-se.
— E tu ainda te ris? — disse o outro. — Que rapaz tão sem coração!
Nesse momento, a mãe entra no parque de estacionamento, passa pelo banco e olha. João levanta-se e diz:
— Adeus!
O desconhecido levanta-se e diz:
— Adeus!
A mãe sai do carro e sorri incrédula:
— Porque é que…
— Acabámos uma hora mais cedo… — responde João.
— Eu vim três dias mais cedo… — responde o desconhecido.
Mais tarde, num almoço feito à pressa a mãe pergunta:
— Sobre o que é que estiveram a conversar?
— Sobre o movimento de paz e cabeças rachadas — responde Bernardo.
A mãe está muito admirada.
— Uma coisa é esquisita — diz ela. — Vocês viram fotografias um do outro. Deviam ter-se reconhecido.
— O olho negro dele mudou-o muito — disse Bernardo.
— E o senhor… E na fotografia tu não tens bigode! — disse João.
Mais tarde, cada um vai tratar das suas coisas. Bernardo põe as camisas dentro do armário e pensa "Espero que ele perceba que gosto dele."
A mãe telefona à amiga para desmarcar o jantar e, enquanto espera que ela atenda, pensa "Parece que eles afinal… espero que dê certo. Esperemos."
João procura um lugar na sua colecção de minerais para o cristal que Bernardo lhe trouxe (Encontrei-o eu mesmo. Um dia mostro-te o lugar!). Claro que ele tinha de lhe oferecer alguma coisa. Precisava de se pôr nas minhas boas-graças.
Precisava mesmo?
João não se sente feliz. Não se sente feliz porque é tudo muito pouco claro, novo, diferente, ameaçador ou pelo menos emocionante, e tão rápido. No meio de todos estes pensamentos obscuros lembra-se – só por um instante – da história da porta aberta.
"Uma coisa ele não é", pensa João. "Um mau tipo!"
Em baixo, no parque estacionamento, o Engenheiro Florismundo, de pé em frente do carro desconhecido, escreve, por esta vez, uma carta muito pouco delicada, que prende no limpa pára-brisas.
Hans Domenego
Lene Mayer-Skumanz (org.)
Hoffentlich bald
Wien, Herder Verlag, 1986
Tradução e adaptação
O Clube de Contadores de Histórias
Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria – Baltar