terça-feira, 12 de maio de 2009

BiblioFilmes


I and I Bob Marley. Escrito por Tony Medina e ilustrado por Jesse Joshua Watson.
O livro é um tributo multifacetado à lenda da música internacional que nos transporta à Jamaica de Bob Marley (dia 11 Maio faz 28 anos que morreu), enquanto os poemas dão vida novamente à sua viagem de rapaz ao verdadeiro ícone em que se tornou.

in Bibliofilmes

domingo, 10 de maio de 2009

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Leitor do Mês (Abril/09)

Livro do Mês (Maio/09) - "A Casa das Bengalas", de António Mota

A conversa com o demónio


O homem olha o entardecer na linda praia, ao lado da sua mulher, durante umas merecidas férias. Tudo parece absolutamente no seu lugar, e de repente, do fundo do seu coração, surge uma voz simpática, companheira, mas com uma pergunta difícil:
"Você está contente?".
"Sim, estou", responde.
'Então olhe com cuidado à sua volta".
"Quem é você?".
"Sou o demónio. E você não pode estar contente, porque sabe que, cedo ou tarde, a tragédia pode aparecer e desequilibrar o seu mundo. Olhe com cuidado à sua volta e entenda que a virtude é apenas uma das faces do terror".
E o demónio começa a mostrar tudo o que está a acontecer na praia.
O excelente pai de família que neste momento arrumava as coisas e ajudava os filhos a colocar um agasalho, que gostaria de ter um caso com a secretária, mas estava aterrorizado com a reacção da mulher.
A mulher, que gostaria de trabalhar e ter a sua independência, mas estava aterrorizada com a reacção do marido.
As crianças que se comportavam bem, com terror dos castigos.
A moça que lia um livro, sozinha numa barraca, fingindo displicência, enquanto a sua alma se aterrorizava com a possibilidade de nunca encontrar o amor da sua vida.
O rapaz com a raquete a exercitar o corpo, aterrorizado pelo fato de precisar de corresponder às expectativas dos seus pais.
O velho que não fumava e não bebia dizendo que tinha mais disposição agindo assim, quando na verdade o terror da morte sussurrava como o vento nos seus ouvidos.
O casal que passou a correr, espalhando com os pés a água da arrebentação, o sorriso nos lábios, e o terror oculto a dizer que iam ficar velhos, desinteressantes, inválidos.
O homem que parou a sua lancha à frente de todos e acenou com a mão, sorrindo, queimado do sol, sentindo terror porque podia perder o seu dinheiro de uma hora para a outra.
O dono do hotel que veio cumprimentar os hóspedes no momento em que o sol se escondeu, tentando deixar todos contentes e animados, exigindo o máximo dos seus contabilistas, com o terror na alma porque sabia que – por mais honesto que fosse – os homens do governo descobriam sempre as falhas que desejassem na contabilidade.
Terror em cada uma daquelas pessoas na linda praia, no entardecer de tirar o fôlego. Terror de ficar sozinho, terror do escuro que povoava a imaginação de demónios, terror de fazer qualquer coisa fora do manual de bom comportamento, terror do julgamento de Deus, terror dos comentários dos homens, terror da justiça que punia qualquer falta, terror da injustiça que deixava os culpados soltos e ameaçadores, terror de arriscar e perder, terror de ganhar e ter que conviver com a inveja, terror de amar e ser rejeitado, terror de pedir aumento, de aceitar um convite, de ir para lugares desconhecidos, de não conseguir falar uma língua estrangeira, de não ter capacidade de impressionar os outros, de ficar velho, de morrer, de ser notado por causa dos seus defeitos, de não ser notado por causa das suas qualidades, de não ser notado nem pelos seus defeitos nem pelas suas qualidades.
"Espero que isso o deixe mais tranquilo". terminou o demónio. "Afinal, você não está sozinho com os seus medos".
"Por favor, não vá embora sem antes ouvir o que tenho a dizer", respondeu o homem. "Temos uma capacidade incrível para detectar dores, remorsos, feridas – ou terror, como você prefere. Mas uma vez, o meu pai contou-me a história de uma macieira que, de tão carregada de maçãs, não conseguia deixar que os galhos cantassem com o vento. Alguém que passava perguntou porque é que ela não procurava chamar a atenção, como todas as outras árvores. 'Os meus frutos são a minha melhor propaganda', respondeu a macieira.
Claro que não sou diferente de ninguém, e o meu coração abriga muitos medos.
Mas, apesar de tudo, os frutos da minha vida falam por mim, e, se algum dia acontecer uma tragédia, eu sei que não passei a minha vida sem arriscar".
E o demónio, decepcionado, partiu para tentar assustar outras pessoas mais fracas.
Paulo Coelho
(adaptação)
Viva, 26 Junho 2007
O Clube de Contadores de Histórias
Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria – Baltar

terça-feira, 5 de maio de 2009

Vasco Granja (1925-2009)

Morreu Vasco Granja, célebre divulgador de BD


Morreu Vasco Granja, célebre divulgador de BD
Responsável pela divulgação de milhares de obras de banda desenhada e de cinema de animação junto de sucessivas gerações de pessoas, Vasco Granja faleceu ontem de madrugada, na sua residência, em Cascais. Contava 83 anos.
A televisão tornou o rosto de Vasco Granja familiar para milhões de pessoas. No entanto, apesar de ter conduzido na RTP mais de um milhar de programas dedicado à animação, o seu interesse por esta arte surgiu muito tempo antes, quando lia as revistas "O Mosquito" e "Tic-Tac" e passava horas nos cineclubes.
A paixão foi alimentada pelo facto de ter acumulado vários empregos ligados à área: trabalhou numa casa de fotografia, numa tabacaria ou Armazéns do Chiado e, finalmente, na livraria Bertrand, onde permaneceu quase trinta anos e dirigiu a revista "Tintin".
Apesar da histórica ligação à RTP, na qual colaborou entre 1974 e 1990, a verdade é que a maioria destes programas, intitulados "Cinema de animação", terá sido apagada dos arquivos da televisão pública.
Parte do sucesso do programa deveu-se ao esforço de Vasco Granja em mostrar a animação que havia para lá das portas do castelo de Walt Disney. Foi desse modo que deu a conhecer personagens como Bugs Bunny e a Pantera Cor-de-Rosa, mas também histórias de bonecos de plasticina, sombras chinesas ou com ursos de peluche animados, a maioria das quais provenientes da então pujante cinematografia de animação do Leste da Europa.
A sua faceta de divulgador foi ainda mais notória na banda desenhada, devendo-se ao seu esforço continuado a publicação de "Corto Maltese", de Hugo Pratt, pela Bertrand.
Cinéfilo apaixonado e militante do Partido Comunista, Vasco Granja foi detido duas vezes pela PIDE por organizar sessões de cinema, muitas delas com filmes que ia buscar por conta própria às embaixadas em Lisboa.
Da sua actividade consta também o papel determinante no arranque do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, que o homenageou com um troféu de honra em 1996, bem como a frequência dos festivais de BD no estrangeiro ou a organização dos ciclos de cinema de animação, dois dos quais para os detidos na Cadeia do Linhó.
O corpo do divulgador de BD estará em câmara-ardente a partir das 18.30 horas de hoje na capela da Damaia, na Amadora. O funeral realiza-se hoje às 15 horas, rumo ao cemitério de Rio de Mouro, Sintra, onde o corpo será cremado.
in Jornal de Notícias

Vasco Granja (Campo de Ourique, 10 de Julho de 1925 - Cascais, 4 de Maio de 2009) foi um apresentador de televisão português, reconhecido pelo seu grande contributo para a divulgação da animação e da banda desenhada em Portugal.
De seu nome completo Vasco de Oliveira Granja, nasceu a 10 de Julho de 1925, no bairro de Campo de Ourique, em Lisboa em Portugal, vindo a falecer em Cascais, na madrugada do dia 4 de Maio de 2009. Estudou na escola 12 do Bairro Alto, em Lisboa, e na Escola Industrial Machado de Castro, a qual abandonou após uma reprovação na disciplina de álgebra, no quarto ano.
Aos 15 anos de idade, encontrou o seu primeiro emprego, nos Armazéns do Chiado. Era responsável pelas amostras de seda que eram oferecidas às clientes. Algum tempo mais tarde, foi transferido para o departamento de publicidade, quando notaram que tinha um grande gosto pela leitura. Pintava cartazes com anúncios para as montras.
Como o ordenado não era suficiente, mudou de emprego, tendo ido trabalhar para a Foto Áurea, na Rua do Ouro, em Lisboa, estabelecimento esse que hoje já não existe. Nessa altura, visitava com frequência a Biblioteca Nacional, que estava aberta aos jovens. Interessava-se já por museus, pintura e pelo desporto, tendo sido sócio do Benfica durante algum tempo.
Durante a sua infância, apaixonou-se pelo cinema. Como na altura não existia classificação etária nos cinemas, percorreu todos os que existiam em Lisboa.
Casou-se com Maria Inácia, uma jovem de família oriunda do Ribatejo, que conheceu num baile em Lisboa. Tiveram uma filha e duas netas.
No decorrer dos anos 50, durante o regime fascista em Portugal, associou-se ao movimento cineclubista. Em Lisboa, participava no aluguer de salas e na projecção de filmes obtidos através das embaixadas, em formato de 16 milímetros. Os filmes tinham sempre que passar pela censura. Apesar disso, conseguiam mostrar filmes do
neo-realismo italiano. Em 1952, foi detido pela PIDE, em consequência do dinheiro dos bilhetes para os filmes se destinar a financiar o movimento de resistência ao regime do Estado Novo. Esteve preso durante seis meses, na prisão do Aljube.
Em 1960, esteve presente no festival de animação de
Annecy, em França, a representar Portugal. Durante essa viagem, a primeira fora do seu país, ganhou uma nova paixão pela animação. O cineasta canadiano de animação Norman McLaren tornou-se o seu maior ídolo. Viria a conhecê-lo pessoalmente.


Vasco Granja esteve ligado ao PCP e participou na festa do jornal do partido, a festa do Avante.
Durante os anos 60, foi novamente detido pela
PIDE, devido à sua ligação na altura ao Partido Comunista Português, mais concretamente à célula comunista dos cineclubes. Esteve preso durante 16 meses, tendo cumprido parte desse tempo em Peniche. Na prisão, foi submetido a várias torturas físicas e psicológicas, como a tortura do sono.
Em 1974, deu início a um novo programa de televisão, denominado "Cinema de Animação", na RTP, que viria a durar 16 anos, com mais de mil programas transmitidos. Nesses programas, dava a conhecer a animação de todo o mundo, desde aquela que era realizada nos países do leste da Europa, até à proveniente da América do Norte. Pretendia, com o seu programa, divulgar, para além da própria animação, uma mensagem de paz, que considerava estar presente em muitos dos filmes da Europa de Leste que transmitia.
Ainda em 1974, foi membro do júri do Festival Internacional de Banda Desenhada de
Angoulême.
Em 1975, criou um curso de cinema de animação, a partir do qual viria a nascer a Associação Portuguesa de Cinema de Animação.
Em 1980, foi membro do júri da quarta edição do Animafest, o Festival Mundial de Animação de Zagreb, realizado na então Jugoslávia. Participara já como observador neste festival na edição de 1974, logo após o 25 de Abril.
Permaneceu na RTP até 1990.
Teve uma breve aparição no programa humorístico de televisão
Herman Enciclopédia, em 1998, durante a qual parodiava os seus próprios programas sobre animação.
A
Festa do Avante de 2006, organizada pelo Partido Comunista Português, contou com a sua participação na selecção de filmes de animação de diversas origens, com particular destaque para películas oriundas da antiga Checoslováquia.
in
Wikipedia

domingo, 3 de maio de 2009

Dia Mundial da Liberdade de Imprensa


Opinião
Editorial: O dia da mãe de todas as liberdades

03.05.2009 - 17h02 Nuno Pacheco
Hoje, data em que se assinala o Dia da Mãe, celebra-se também o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, que é, em sentido lato, a mãe de todas as liberdades. Larry Kilman, num editorial publicado no site da WAN (World Association of Newspapers), recordava ontem essa verdade elementar, que é partilhada por muitos: "Sem o direito a informar e a expressar-se livremente, ninguém poderá reclamar outros direitos.

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"Claro que a data é, quase sempre, usada para acertar contas no relatório sinistro das perdas: de direitos e de vidas. E o que devia ser pretexto para indignação acaba por, infelizmente, como sucede com a repetição mecânica do número de mortos nas guerras, pretexto para amolecer a capacidade de revolta. É diferente saber, num dado momento, que um jornalista foi abatido a sangue-frio quando empunhava uma câmara ou um microfone do que ver tal morte diluída nas estatísticas. E, nestas, sabe-se agora que em 2008, só em matéria de jornalistas assassinados, o Iraque levou a dianteira, com 14 mortos, seguido do Paquistão (sete), da Índia (sete) e das Filipinas (seis).

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Mas não se calam os jornalistas apenas matando-os e, por isso, todos os anos há uma lista de detenções que alastra pelo mundo. É outra frente de combate. Em 2008, foram detidos 673 jornalistas e, em Dezembro, 125 continuavam nas prisões, sujeitos a penas variáveis. A maior parte das detenções deu-se, sem surpresa, em África, mas os países onde os jornalistas mais continuam a cumprir penas de prisão são a China (28), Cuba (21), Birmânia (14) ou a Eritreia (13), isto para não falar de países como a Coreia do Norte, onde a imprensa livre é proibida. Há um dado novo: os blogers passaram a integrar, também, a lista dos perseguidos. O que torna óbvio que os ataques à liberdade de imprensa visam, em primeiro lugar, a liberdade de expressão de todos os cidadãos.

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Mas se os regimes corruptos, ditatoriais ou repressivos são os inimigos crónicos da liberdade de informar, será que ganharam um "aliado" temporário na crise económica? Outro relatório anual, o da Freedom House (ver pág. 16), garantia ontem que sim, afirmando que, "tanto nos países ricos, como nos países pobres, as pressões sobre a liberdade dos media crescem de todos os lados e estão a ameaçar cada vez mais os ganhos consideráveis do último quartel do século XX". Isto num quadro global em que apenas 17 por cento dos habitantes da Terra contam com imprensa livre e em que, pelo sétimo ano consecutivo, a liberdade de imprensa no mundo continuará a regredir.

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Mas há quem defenda que, mais do que a crise ou do que as pressões para garantir a difícil sustentabilidade dos media nestes tempos difíceis, será o mau jornalismo o principal coveiro do jornalismo tout court. O acesso gratuito e irrestrito à informação como ideal veio favorecer a circulação (na Internet, em ecrãs públicos, em folhas que se fazem passar por jornais) de coisas que, a coberto de informar, por vezes não passam de propaganda ou mera difusão de interesses particulares. Se a defesa do jornalismo, apesar da crise, das contenções, das reestruturações mais duras, não passar em simultâneo pela aposta intransigente na qualidade jornalística, então algo falhará no processo. E amanhã, a par dos que não têm liberdade de imprensa, estarão muitos que julgam tê-la sem na verdade a ter. Nessa altura, o mundo estará ainda mais pobre. E mais submisso.

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Dia da Mãe


As mais antigas celebrações do Dia da Mãe remontam às comemorações primaveris da Grécia Antiga, em honra de Rhea, mulher de Cronos e Mãe dos Deuses. Em Roma, as festas comemorativas do Dia da Mãe eram dedicadas a Cybele, a Mãe dos Deuses romanos, e as cerimónias em sua homenagem começaram por volta de 250 anos antes do nascimento de Cristo.
Durante o século XVII, a Inglaterra celebrava no 4º Domingo de Quaresma (40 dias antes da Páscoa) um dia chamado “Domingo da Mãe”, que pretendia homenagear todas as mães inglesas. Neste período, a maior parte da classe baixa inglesa trabalhava longe de casa e vivia com os patrões. No Domingo da Mãe, os servos tinham um dia de folga e eram encorajados a regressar a casa e passar esse dia com a sua mãe.
À medida que o Cristianismo se espalhou pela Europa passou a homenagear-se a “Igreja Mãe” – a força espiritual que lhes dava vida e os protegia do mal. Ao longo dos tempos a festa da Igreja foi-se confundindo com a celebração do Domingo da Mãe. As pessoas começaram a homenagear tanto as suas mães como a Igreja.
Nos Estados Unidos, a comemoração de um dia dedicado às mães foi sugerida pela primeira vez em 1872 por Julia Ward Howe e algumas apoiantes, que se uniram contra a crueldade da guerra e lutavam, principalmente, por um dia dedicado à paz.
A maioria das fontes é unânime acerca da ideia da criação de um Dia da Mãe. A ideia partiu de Anna Jarvis, que em 1904, quando a sua mãe morreu, chamou a atenção na igreja de Grafton para um dia especialmente dedicado a todas as mães. Três anos depois, a 10 de Maio de 1907, foi celebrado o primeiro Dia da Mãe, na igreja de Grafton, reunindo praticamente família e amigos. Nessa ocasião, a sra. Jarvis enviou para a igreja 500 cravos brancos, que deviam ser usados por todos, e que simbolizavam as virtudes da maternidade. Ao longo dos anos enviou mais de 10.000 cravos para a igreja de Grafton – encarnados para as mães ainda vivas e brancos para as já desaparecidas – e que são hoje considerados mundialmente com símbolos de pureza, força e resistência das mães.
Segundo Anna Jarvis seria objectivo deste dia tomarmos novas medidas para um pensamento mais activo sobre as nossas mães. Através de palavras, presentes, actos de afecto e de todas as maneiras possíveis deveríamos proporcionar-lhe prazer e trazer felicidade ao seu coração todos os dias, mantendo sempre na lembrança o Dia da Mãe.
Face à aceitação geral, a sra. Jarvis e os seus apoiantes começaram a escrever a pessoas influentes, como ministros, homens de negócios e políticos com o intuito de estabelecer um Dia da Mãe a nível nacional, o que daria às mães o justo estatuto de suporte da família e da nação.
A campanha foi de tal forma bem sucedida que em 1911 era celebrado em praticamente todos os estados. Em 1914, o Presidente Woodrow Wilson declarou oficialmente e a nível nacional o 2º Domingo de Maio como o Dia da Mãe.
Hoje em dia, muitos de nós celebram o Dia da Mãe com pouco conhecimento de como tudo começou. No entanto, podemos identificar-nos com o respeito, o amor e a honra demonstrados por Anna Jarvis há 96 anos atrás.
Apesar de ter passado quase um século, o amor que foi oficialmente reconhecido em 1907 é o mesmo amor que é celebrado hoje e, à nossa maneira, podemos fazer deste um dia muito especial.
E é o que fazem praticamente todos os países, apesar de cada um escolher diferentes datas ao longo do ano para homenagear aquela que nos põe no mundo.
Em Portugal, até há alguns anos atrás, o dia da mãe era comemorado a 8 de Dezembro, mas actualmente o Dia da Mãe é no 1º Domingo de Maio, em homenagem a Maria, Mãe de Cristo.
No Brasil, o Dia das Mães é celebrado no segundo domingo de Maio, conforme decreto assinado em 1932 pelo presidente Getúlio Vargas.
Em Israel o dia da mãe deixou de ser celebrado, passando a existir o dia da família em Fevereiro.

Mais informação e actividades
Wikipedia
Minerva
Dia da Mãe
Educom
Vários sites

quarta-feira, 29 de abril de 2009

A ovelha generosa

Era uma ovelha muito generosa. Sabem o que é ser generoso? É gostar de dar, dar por prazer. Pois esta ovelha era mesmo muito generosa. Dava lã.
Dava lã, quando lhe pediam.
Vinha uma velhinha e pedia-lhe um xailinho de lã para o Inverno. A ovelha dava.
Vinha uma menina e pedia-lhe um carapuço de lã para ir para à escola. A ovelha dava.
Vinha um rapaz e pedia-lhe um cachecol de lã para ir à bola. A ovelha dava.
Vinha uma senhora e pedia-lhe umas meias de lã para trazer por casa. A ovelha dava.
— Ó ovelha, não achas demais? Xailes, carapuços, cachecóis, meias... É só dar, dar...
— Não se ralem — respondia a ovelha. — Vocês não aprenderam na escola que a vaca dá leite e a ovelha dá lã? É o que eu estou a fazer.
Apareceu a Dona Carlota, muito afadigada:
— Eu só queria um novelozinho para fazer um saco para a botija. Ainda chega?
Pois claro que chegava. A ovelha, a dar nunca se cansava.
Veio a Dona Firmina, muito preocupada:
— Eu só queria um novelozinho para uma pega para a cozinha. Ainda chega?
Pois claro que chegava. A ovelha a dar nunca se cansava.
Veio a Dona Alda, muito atarantada:
— Eu só queria um novelozinho para acabar uma manta. Ainda chega?
Pois claro que chegava. A ovelha, a dar nunca se cansava.
E eram coletes, camisolas, golas, golinhas, luvas... que a gente até estranhava que a lã se lhe não acabasse. A ovelha sorria e tranquilizava:
— Não acaba. Nunca acaba. Conhecem aquele ditado: "Quem dá por bem, muito lhe cresce também"? Pois é o que eu faço.
E a ovelha generosa lá foi atender uma avó, que precisava de um novelo para um casaquinho de bebé, o seu primeiro neto que estava para nascer...
António Torrado
O Clube de Contadores de Histórias
Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria – Baltar

BiblioFilmes: Vencedores


Grande Vencedor do BiblioFilmes: Livros, Bibliotecas, Acção!

Posted: 26 Apr 2009 01:18 AM PDT

Nesta edição 2009, a Votação Popular e a Votação do Júri coincidiram na escolha do Vencedor do concurso de vídeos no YouTube "BiblioFilmes – Livros, Bibliotecas, Acção!" para a comunidade da Língua Portuguesa do BiblioFilmes Festival (um novo conceito de promoção do livro, da biblioteca e da leitura através do cinema e das novas tecnologias).Veja por que é que Histórias que acontecem,

Menção Honrosa do BiblioFilmes: Livros, Bibliotecas, Acção!

Posted: 26 Apr 2009 09:29 AM PDT

Na edição 2009 do concurso de vídeos no YouTube "BiblioFilmes – Livros, Bibliotecas, Acção!" para a comunidade da Língua Portuguesa do BiblioFilmes Festival (um novo conceito de promoção do livro, da biblioteca e da leitura através do cinema e das novas tecnologias), o Júri decidiu atribuir uma Menção Honrosa.Veja por que é que Ler dá Cor à tua Vida, a participação do aluno Tiago Oliveira com um

Vencedor no Vídeo de aula/actividade escolar para promover a leitura do BiblioFilmes: Livros, Bibliotecas, Acção!

Posted: 26 Apr 2009 09:03 AM PDT

Na edição 2009 do concurso de vídeos no YouTube "BiblioFilmes – Livros, Bibliotecas, Acção!" para a comunidade da Língua Portuguesa do BiblioFilmes Festival (um novo conceito de promoção do livro, da biblioteca e da leitura através do cinema e das novas tecnologias), o Júri escolheu como vencedor no melhor Vídeo de aula/actividade escolar para promover a leitura:Os livros têm boca, a participação

Vencedor no Vídeo de Biblioteca Escolar do BiblioFilmes: Livros, Bibliotecas, Acção!

Posted: 26 Apr 2009 12:56 AM PDT

Na edição 2009 do concurso de vídeos no YouTube "BiblioFilmes – Livros, Bibliotecas, Acção!" para a comunidade da Língua Portuguesa do BiblioFilmes Festival (um novo conceito de promoção do livro, da biblioteca e da leitura através do cinema e das novas tecnologias), o Júri escolheu como vencedor no melhor Vídeo de Biblioteca Escolar:Laika e os seus amigos, a participação da professora Manuela

Vencedor no Vídeo de Comédia do BiblioFilmes: Livros, Bibliotecas, Acção!

Posted: 26 Apr 2009 12:49 AM PDT

Na edição 2009 do concurso de vídeos no YouTube "BiblioFilmes – Livros, Bibliotecas, Acção!" para a comunidade da Língua Portuguesa do BiblioFilmes Festival (um novo conceito de promoção do livro, da biblioteca e da leitura através do cinema e das novas tecnologias), o Júri escolheu como vencedor no melhor Vídeo de Comédia:A Escolha, participação dos Professores Jacqueline Duarte e Artur Coelho,

Vencedor no Vídeo feito com telemóvel do BiblioFilmes: Livros, Bibliotecas, Acção!

Posted: 26 Apr 2009 12:34 AM PDT

Na edição 2009 do concurso de vídeos no YouTube "BiblioFilmes – Livros, Bibliotecas, Acção!" para a comunidade da Língua Portuguesa do BiblioFilmes Festival (um novo conceito de promoção do livro, da biblioteca e da leitura através do cinema e das novas tecnologias), o Júri escolheu como vencedor no melhor Vídeo feito com telemóvel:Os Ovos Misteriosos, a participação de Jorge Costa, aluno do 9º

Vencedor no Vídeo de uma Crítica/Recomendação a um livro do BiblioFilmes: Livros, Bibliotecas, Acção!

Posted: 26 Apr 2009 09:17 AM PDT

Na edição 2009 do concurso de vídeos no YouTube "BiblioFilmes – Livros, Bibliotecas, Acção!" para a comunidade da Língua Portuguesa do BiblioFilmes Festival (um novo conceito de promoção do livro, da biblioteca e da leitura através do cinema e das novas tecnologias), o Júri escolheu como vencedor no melhor Vídeo de uma Crítica/Recomendação a um livro:Além das massas, a participação de Darlene

Vencedor no Parabéns ao Escritor do BiblioFilmes: Livros, Bibliotecas, Acção!

Posted: 26 Apr 2009 12:01 AM PDT

Na edição 2009 do concurso de vídeos no YouTube "BiblioFilmes – Livros, Bibliotecas, Acção!" para a comunidade da Língua Portuguesa do BiblioFilmes Festival (um novo conceito de promoção do livro, da biblioteca e da leitura através do cinema e das novas tecnologias), o Júri escolheu como vencedor no melhor Parabéns ao Escritor:Parabéns José Saramago!, a participação da Professora Maria Serafina


in Bibliofilmes

Votação Popular BiblioFilmes 2009: Livros, Bibliotecas, Acção!



Votação Popular BiblioFilmes 2009: Livros, Bibliotecas, Acção!

Posted: 25 Apr 2009 05:18 PM PDT

Durante os 5 dias da votação, foram efectuados 2891 votos no total, que decidiram o vencedor da Votação Popular na edição 2009 do capítulo BiblioFilmes: Livros, Bibliotecas, Acção! do BiblioFilmes Festival!Obrigado a todos os que votaram e aqui ficam os resultados totais e finais para a História:) Histórias que acontecem 1096 38% Um Livro na Biblioteca escreve aos seus futuros Utilizadores

Curta BiblioFilmes: Veja Grande Vencedor + 3 Menções Honrosas

Posted: 25 Apr 2009 09:44 AM PDT

Não esteve presente no dia 22 ou 23 de Abril no BiblioFilmes Festival? Não se preocupe (mas em 2010, P.F., não faça isso!:) Já pode ver/apreciar as escolhas que o nosso Júri fez para os primeiros vencedores do capítulo Curta BiblioFilmes.Sente-se, pouse o livro que estava a ler, pode comer pipocas se desejar e comece a assistir ao(s) Grande(s) Vencedores nesta sessão especial, só para si, que


in Bibliofilmes

sábado, 25 de abril de 2009

"E depois do Adeus", Paulo de Carvalho, Festival RTP 1974

"Grândola Vila Morena", Zeca Afonso, no Coliseu

Revolução dos Cravos - 25 de Abril, O Dia da Liberdade




25 de Abril – O Dia da Liberdade

Revolução dos Cravos


Revolução dos Cravos é o nome dado ao
golpe de estado militar que derrubou, num só dia, sem grande resistência das forças leais ao governo - que cederam perante a revolta das forças armadas - o regime político que vigorava em Portugal desde 1926. O levantamento, também conhecido pelos portugueses como 25 de Abril, foi conduzido em 1974 pelos oficiais intermédios da hierarquia militar (o MFA), na sua maior parte capitães que tinham participado na Guerra Colonial. Considera-se, em termos gerais, que esta revolução trouxe a liberdade ao povo português (denominando-se "Dia da Liberdade" o feriado instituído em Portugal para comemorar a revolução).


Antecedentes
Na sequência do
golpe militar de 28 de Maio de 1926, foi implementado em Portugal um regime autoritário de inspiração fascista. Com a Constituição de 1933 o regime é remodelado, auto-denominando-se Estado Novo e Oliveira Salazar passou a controlar o país, não mais abandonando o poder até 1968, quando este lhe foi retirado por incapacidade, na sequência de uma queda em que sofreu lesões cerebrais. Foi substituído por Marcelo Caetano que dirigiu o país até ser deposto no 25 de Abril de 1974.

Sob o governo do Estado Novo, Portugal foi sempre considerado uma ditadura, quer pela oposição, quer pelos observadores estrangeiros quer mesmo pelos próprios dirigentes do regime. Formalmente, existiam eleições, mas estas foram sempre contestadas pela oposição, que sempre acusaram o governo de fraude eleitoral e de desrespeito pelo dever de imparcialidade.

O Estado Novo possuía uma polícia política, a
PIDE (Polícia Internacional de Defesa do Estado), uma evolução da ex-PVDE (Polícia de Vigilância e Defesa do Estado), mais tarde DGS (Direcção-Geral de Segurança), que perseguiria os opositores do regime. De acordo com a visão da história dos ideólogos do regime, o país manteve uma política que considerava a manutenção das colónias do "Ultramar", numa altura em que alguns países europeus iniciavam os seus processos de alienação progressiva das suas colónias. Apesar da contestação nos fóruns mundiais, como na ONU, Portugal manteve uma política de força, tendo sido obrigado, a partir do início dos anos 60, a defender militarmente as colónias contra os grupos independentistas em Angola, Guiné e Moçambique.

Economicamente, o regime manteve uma política de condicionamento industrial que resultava no monopólio do mercado português por parte de alguns grupos industriais e financeiros (a acusação de plutocracia é frequente). O país permaneceu pobre até à década de 1960, o que estimulou a emigração. Notou-se, contudo, um desenvolvimento económico a partir desta década.


O mito do "orgulhosamente sós"
Nos inícios dos anos 1970 o regime autoritário do Estado Novo continuava a pesar sob Portugal. O seu fundador,
António Oliveira Salazar, foi destituído em 1968 por incapacidade e veio a falecer em 1970, sendo substituído por Marcelo Caetano na direcção do regime. Qualquer tentativa de reforma política foi impedida pela própria inércia do regime e pelo poder da sua polícia política (PIDE). O regime exilava-se, envelhecido num mundo ocidental em plena efervescência social e intelectual de finais de década de 60, obrigando Portugal a defender pelas forças das armas o Império Português, instalado no imaginário dos ideólogos do regime. Para tal, o país viu-se obrigado a investir grandes esforços numa guerra colonial de pacificação, atitude que contrastava com o resto das potências coloniais que tratavam de se assegurar da saída do continente africano da forma mais conveniente.

O contexto internacional não era favorável ao regime salazarista/marcelista.
Com o auge da
Guerra Fria, as nações dos blocos Capitalista e Comunista apoiaram e financiaram as guerrilhas das colónias portuguesas, numa tentativa de as atrair para a influência americana ou soviética. A intransigência do regime e mesmo o desejo de muitos colonos de continuarem sob o domínio português, atrasaram o processo de descolonização por quase 20 anos, no caso de Angola e Moçambique.

Ao contrário de outras Potências Coloniais Europeias, Portugal mantinha laços fortes e duradouros com as suas colónias africanas. Para muitos portugueses um Império Colonial era necessário para um poder e influência contínuos. Contrastando com Inglaterra e França, os colonizadores portugueses casaram e constituíram família entre os colonos nativos.

Apesar das constantes objecções em fóruns nacionais, como a ONU, Portugal manteve as suas colónias como parte integral de Portugal, sentindo-se portanto obrigado a defendê-las militarmente de grupos armados de influência comunista, particularmente após a anexação unilateral e forçada dos enclaves portugueses de Goa, Damão e Diu, em 1961.

Em quase todas as colónias portuguesas africanas – Moçambique, Angola, Guiné, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde – surgiram movimentos independentistas, que acabaram por se manifestar sob a forma de guerrilhas armadas. Excepto no caso da Guiné, estas guerrilhas foram facilmente contidas pelas forças portuguesas, apesar dos diversos embargos ao armamento militar fornecido a Portugal. No entanto, os vários conflitos forçaram Salazar e o seu sucessor Caetano a gastar uma maior parte do orçamento de Estado na administração colonial e despesas militares, sendo que cedo Portugal viu-se um pouco isolado do resto do Mundo.

Após a ascensão de Caetano ao poder, a guerra colonial tornou-se num forte motivo de discussão e num assunto muito focado por parte das forças anti-regime. Muitos estudantes e manifestantes contra a guerra terão sido forçados a abandonar o país para escapar à prisão e tortura.

Economicamente, o regime mantinha a sua política de Corporativismo, o que resultou na concentração da economia portuguesa nas mãos de uma elite de industriais.

No entanto, a economia crescia fortemente, especialmente após 1950 e Portugal foi mesmo co-fundador da
EFTA, OCDE e NATO. A Administração das colónias custava a Portugal um aumento percentual anual no seu orçamento e tal contribuiu para o empobrecimento da Economia Portuguesa, pois o dinheiro era desviado de investimentos infra-estruturais na metrópole. Até 1960 o país continuou relativamente frágil em termos económicos, o que estimulou a emigração para países em rápido crescimento e de escassa mão-de-obra da Europa Ocidental, como França ou Alemanha principalmente após a Segunda Guerra Mundial.
Para muitos o Governo português estava envelhecido, sem resposta aparente para um mundo em grande mudança cultural e intelectual.

A guerra colonial gerou conflitos entre a sociedade civil e militar, tudo isto ao mesmo tempo que a fraca economia portuguesa gerava uma forte emigração.
Em Fevereiro de 1974, Marcelo Caetano é forçado pela velha guarda do regime a destituir o general António Spínola e os seus apoiantes, quando tentava modificar o curso da política colonial portuguesa, que se revelava demasiado dispendiosa para o país.
Nesse momento, em que são reveladas as divisões existentes no seio da elite do regime, o MFA, movimento secreto, decide levar adiante um golpe de estado.
O movimento nasce secretamente em 1973 da conspiração de alguns oficiais do exército, numa primeira fase unicamente preocupados com questões de carreira militar.


Preparação
A primeira reunião clandestina de capitães foi realizada em Bissau, em 21 de Agosto de 1973. Uma nova reunião, em 9 de Setembro de 1973 no Monte Sobral (
Alcáçovas) dá origem ao Movimento das Forças Armadas. No dia 5 de Março de 1974 é aprovado o primeiro documento do movimento: "Os Militares, as Forças Armadas e a Nação". Este documento é posto a circular clandestinamente. No dia 14 de Março o Governo demite os generais Spínola e Costa Gomes dos cargos de Vice-Chefe e Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, alegadamente, por estes se terem recusado a participar numa cerimónia de apoio ao regime. No entanto, a verdadeira causa da expulsão dos dois Generais foi o facto do primeiro ter escrito, com a cobertura do segundo, um livro, "Portugal e o Futuro", no qual, pela primeira vez uma alta patente advogava a necessidade de uma solução política para as revoltas separatistas nas colónias e não uma solução militar. No dia 24 de Março a última reunião clandestina decide o derrube do regime pela força.
Ver também:
Oposição à ditadura portuguesa: ditadura militar (1926-1933) e Estado Novo (1933-1974)


Movimentações militares durante a Revolução
Ver cronologia completa de eventos em
Cronologia da Revolução dos Cravos.
No dia
24 de Abril de 1974, um grupo de militares comandados por Otelo Saraiva de Carvalho instalou secretamente o posto de comando do movimento golpista no quartel da Pontinha, em Lisboa.
Às 22h 55m é transmitida a canção ”
E depois do Adeus”, de Paulo de Carvalho, pelos Emissores Associados de Lisboa, emitida por Luís Filipe Costa. Este foi um dos sinais previamente combinados pelos golpistas e que desencadeou a tomada de posições da primeira fase do golpe de estado.
O segundo sinal foi dado às 0h20 m, quando foi transmitida a canção ”
Grândola Vila Morena“, de José Afonso, pelo programa Limite, da Rádio Renascença, que confirmava o golpe e marcava o início das operações. O locutor de serviço nessa emissão foi Leite de Vasconcelos, jornalista e poeta moçambicano.

O golpe militar do dia 25 de Abril teve a colaboração de vários regimentos militares que desenvolveram uma acção concertada.
No Norte, uma força do CICA 1 liderada pelo Tenente-Coronel
Carlos de Azeredo toma o Quartel-General da Região Militar do Porto. Estas forças são reforçadas por forças vindas de Lamego. Forças do BC9 de Viana do Castelo tomam o Aeroporto de Pedras Rubras. Forças do CIOE tomam a RTP e o RCP no Porto. O regime reagiu, e o ministro da Defesa ordenou a forças sedeadas em Braga para avançarem sobre o Porto, no que não foi obedecido, já que estas já tinham aderido ao golpe.

À Escola Prática de Cavalaria, que partiu de Santarém, coube o papel mais importante: a ocupação do Terreiro do Paço. As forças da Escola Prática de Cavalaria eram comandadas pelo então Capitão
Salgueiro Maia. O Terreiro do Paço foi ocupado às primeiras horas da manhã. Salgueiro Maia moveu, mais tarde, parte das suas forças para o Quartel do Carmo onde se encontrava o chefe do governo, Marcello Caetano, que ao final do dia se rendeu, fazendo, contudo, a exigência de entregar o poder ao General António de Spínola, que não fazia parte do MFA, para que o "poder não caísse na rua". Marcello Caetano partiu, depois, para a Madeira, rumo ao exílio no Brasil.
A revolução resultou na morte de 4 pessoas, quando elementos da polícia política (PIDE) dispararam sobre um grupo que se manifestava à porta das suas instalações na Rua António Maria Cardoso, em Lisboa.


Cravo
O cravo vermelho tornou-se o símbolo da Revolução de Abril de 1974; Com o amanhecer as pessoas começaram a juntar-se nas ruas, solidários com os soldados revoltosos; alguém (existem várias versões, sobre quem terá sido, mas uma delas é que uma florista contratada para levar cravos para a abertura de um hotel, foi vista por um soldado que pôs um cravo na espingarda, e em seguida todos o fizeram), começou a distribuir cravos vermelhos para os soldados, que depressa os colocaram nos canos das espingardas.


Consequências
No dia seguinte, forma-se a
Junta de Salvação Nacional, constituída por militares, e que procederá a um governo de transição. O essencial do programa do MFA é, amiúde, resumido no programa dos três D: Democratizar, Descolonizar, Desenvolver.
Entre as medidas imediatas da revolução contam-se a extinção da polícia política (PIDE/DGS) e da Censura. Os sindicatos livres e os partidos foram legalizados. Só a 26 foram libertados os presos políticos, da Prisão de Caxias e de Peniche. Os líderes políticos da oposição no exílio voltaram ao país nos dias seguintes. Passada uma semana, o
1º de Maio foi celebrado legalmente nas ruas pela primeira vez em muitos anos. Em Lisboa reuniram-se cerca de um milhão de pessoas.

Portugal passou por um período conturbado que durou cerca de 2 anos, comummente referido como
PREC (Processo Revolucionário Em Curso), marcado pela luta e perseguição política entre as facções de esquerda e direita. Foram nacionalizadas as grandes empresas. Foram igualmente "saneadas" e muitas vezes forçadas ao exílio personalidades que se identificavam com o Estado Novo ou não partilhavam da mesma visão política que então se estabelecia para o país. No dia 25 de Abril de 1975 realizaram-se as primeiras eleições livres, para a Assembleia Constituinte, que foram ganhas pelo PS. Na sequência dos trabalhos desta assembleia foi elaborada uma nova Constituição, de forte pendor socialista, e estabelecida uma democracia parlamentar de tipo ocidental. A constituição foi aprovada em 1976 pela maioria dos deputados, abstendo-se apenas o CDS.
A guerra colonial acabou e, durante o
PREC, as colónias africanas e Timor-Leste tornaram-se independentes.


O 25 de Abril visto tempo depois
O 25 de Abril de 1974 continua a dividir a sociedade portuguesa, sobretudo nos estratos mais velhos da população que viveram os acontecimentos, nas facções extremas do espectro político e nas pessoas politicamente mais empenhadas. A análise que se segue refere-se apenas às divisões entre estes estratos sociais.

Existem actualmente dois pontos de vista dominantes na sociedade portuguesa em relação ao 25 de Abril.
Quase todos reconhecem, de uma forma ou de outra, que o 25 de Abril representou um grande salto no desenvolvimento político-social do país. Mas as pessoas mais à esquerda do espectro político tendem a pensar que o espírito inicial da revolução se perdeu. O
PCP lamenta que a revolução não tenha ido mais longe e que muitas das conquistas da revolução se foram perdendo.

De uma forma geral, ambos os lados lamentam a forma como a
descolonização foi feita, enquanto que as pessoas mais à direita lamentam as nacionalizações feitas no período imediato ao 25 de Abril de 1974 que condicionaram sobremaneira o crescimento de uma economia já então fraca.


Mais informação
Wikipedia
Centro de Documentação do 25 Abril da Universidade de Coimbra
Site da Associação 25 de Abril
Júnior.TE

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Miguel de Cervantes Saavedra (1547-1616)


Romancista, dramaturgo e poeta espanhol. Foi o criador de D. Quixote (1605) e é considerado uma das figuras mais importantes da literatura espanhola. Nasceu em 1547, em Alcalá de Henares, Espanha, e morreu em 1616, em Madrid, no dia 23 de Abril. Depois de ter estudado em Madrid, Cervantes partiu para a Itália e tornou-se soldado. Participou na batalha marítima de Lepanto, em 1571, na qual perdeu o uso da mão direita. Passadas muitas aventuras, incluindo cinco anos de captura nas mãos dos turcos, regressou a Espanha, em 1580.
Em 1585 escreveu La Galatea, o seu primeiro livro de ficção, no novo estilo elegante da novela pastoral. Com a ajuda de um pequeno círculo de amigos, que incluía Luis Gálvez de Montalvo, o livro deu a conhecer Cervantes a um público sofisticado. As últimas edições em espanhol surgiram em Lisboa, em 1590, e em Paris, em 1611. Na mesma altura, durante a "idade de ouro" do teatro espanhol, também se dedicou ao drama. Em 1585 foi contratado para escrever peças para Gaspar de Porras. A que mais se destacou foi La Confusa, considerada por Cervantes a melhor que alguma vez criou. Escreveu cerca de vinte ou trinta peças teatrais, mas apenas duas sobreviveram: El Trato de Argel e La Numancia. Seguiu-se uma pausa na sua carreira literária. Depois de falhar como dramaturgo e de verificar que não conseguiria viver apenas da literatura, tornou-se comissário de aprovisionamento da Armada Invencível, em 1587.
Em 1604, Cervantes vendeu os direitos da primeira parte da novela El ingenioso hidalgo Don Quixote de la Mancha. Em Janeiro do ano seguinte, a obra foi publicada e tornou-se um sucesso imediato. Em Agosto do mesmo ano, foram realizadas várias edições: duas em Madrid, duas em Lisboa e uma em Valência. Num curto espaço de tempo, o nome de Miguel de Cervantes passou a ser tão conhecido em Inglaterra, em França e em Itália, como em Espanha.
Em 1613 foram publicadas doze pequenas histórias, à maneira italiana, as Novelas Ejemplares, cujo prólogo continha a única imagem autêntica do autor. No mesmo prólogo, Cervantes reivindica-se como o primeiro a escrever novelas originais em castelhano. Em 1614 foi publicado a Viage del Parnaso, com o objectivo de glorificar um grande número de poetas contemporâneos e satirizar outros. É um longo poema alegórico, de escárnio mitológico e escrito em forma satírica, com um pós-escrito em prosa. Em 1615, depois de perder todas as esperanças de ver as suas peças em palco, oito delas foram publicadas em conjunto com oito interlúdios cómicos, com o título de Ocho Comedias y Ocho Entremeses Nuevos. Posteriormente, esta obra foi reconhecida como uma das melhores do género. Em 1615 Alonso Fernández de Avellaneda, admirador de Lope de Vega, publicou, em Tarragona, a Segunda parte del ingenioso Cavallero Don Quixote de la Mancha. No prólogo, Avellaneda insultou Cervantes que, como era esperado, lhe respondeu de uma forma mais comedida. Em 1616 a obra foi publicada em Bruxelas e em Veneza e, um ano depois, em Lisboa. A grande maioria das pessoas consideram esta segunda parte mais rica e mais profunda do que a primeira. Nos últimos anos de vida, Cervantes trabalhou em várias obras, tais como Bernardo, o nome lendário de um herói épico espanhol; Semanas del Jardín, uma colecção de fábulas; e a continuação de La Galatea. A única publicada postumamente foi Los Trabajos de Pérsiles y Segismunda, história setentrional, em 1617. Nessa obra, Cervantes procurou renovar os romances heróicos de aventura e de amor, à maneira de Aethiopica de Heliodorus. Explorou, assim, o potencial mítico e simbólico do romance. Na dedicatória, escrita três dias antes de morrer, Cervantes despediu-se comovidamente, dizendo-se "com um pé já no estribo". Miguel de Cervantes morreu em 1616, possivelmente vítima de hidropisia, de arteriosclerose ou de diabetes, parecendo ter alcançado uma serenidade final de espírito.
© 2003 Porto Editora, Lda.

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William Shakespeare (1564-1616)


Poeta e dramaturgo inglês nascido em 1564, em Stratford-Upon-Avon, e falecido em 1616. O seu aniversário é comemorado a 23 de Abril e sabe-se que foi baptizado a 26 de Abril de 1564. Stratford-Upon-Avon era então uma próspera cidade mercantil, uma das mais importantes do condado de Warwickshire. O seu pai, John Shakespeare, era um comerciante bem sucedido e membro do conselho municipal. A mãe, Mary Arden, pertencia a uma das mais notáveis famílias de Warwickshire. Shakespeare frequentou o liceu de Stratford, onde os filhos dos comerciantes da região aprendiam Grego e Latim e recebiam uma educação apropriada à classe média a que pertenciam. São conhecidos poucos factos da vida de Shakespeare entre a altura em que deixou o liceu e o seu aparecimento em Londres como actor e dramaturgo por volta de 1599. Em 1582 casou com Anne Hathaway, oito anos mais velha do que ele, e o casal teve três filhos: Suzanna (nascida em 1583), e os gémeos Hamnet e Judith (nascidos em 1585). A primeira referência a Shakespeare como actor e dramaturgo encontra-se em A Groatsworth of Wit (1592), um folheto autobiográfico da autoria do dramaturgo londrino Robert Greene, onde o escritor é acusado de plágio. Nesta altura Shakespeare era já conhecido em Londres, embora não se saiba com exactidão a data do seu aparecimento na capital. Em virtude do encerramento dos teatros londrinos entre 1592-94, Shakespeare compôs nessa época dois poemas narrativos: Venus and Adonis (publicado em 1593) e The Rape of Lucrece (publicado em 1594). No Inverno de 1594 integrou a mais importante companhia de teatro isabelina, The Lord Chamberlain's Men, onde permaneceu até ao final da sua carreira. A companhia deveu à popularidade de Shakespeare o seu lugar privilegiado entre as restantes companhias de teatro até ao encerramento dos teatros pelo Parlamento inglês em 1642. Em 1598 foi inaugurado o Globe Theatre, o teatro da companhia a que Shakespeare se associara, construído pelo actor e empresário Richard Burbage no bairro de Southwark, na margem sul do Tamisa. Depois da ascensão ao trono de Jaime I (em 1603) a companhia The Lord Chamberlain's Men passou para a tutela real, e o seu nome foi alterado para The King's Men. A passagem de Shakespeare pelos palcos associa-se a breves desempenhos: Adam na peça As You Like It e o fantasma (Ghost) em Hamlet. Depois de ter comprado algumas propriedades em Strattford, Shakespeare retirou-se para a sua terra natal em 1610, mantendo todavia o contacto com Londres. O Globe Theatre foi destruído pelo fogo no dia 23 de Junho de 1613, durante uma representação da peça Henry VIII. Além de uma colecção de sonetos e de alguns poemas épicos, Shakespeare escreveu exclusivamente para o teatro. As suas 37 peças dividem-se geralmente em três categorias: comédias, dramas históricos e tragédias. Entre os dramas históricos, género que primeiro cultivou, destacam-se Richard III (Ricardo III), Richard II (Ricardo II) e Henry IV (Henrique IV). Entre as suas comédias contam-se Love's Labour's Lost, The Comedy of Errors, The Taming of the Shrew, a comédia de intenção séria The Merchant of Venice (O Mercador de Veneza), As You Like It (Como Quiserem) e A Midsummer Night's Dream (Um Sonho de Uma Noite de Verão). A tragédia não é uma forma que pertença exclusivamente a um determinado período na evolução da obra de Shakespeare. Sob influência de Marlowe, a forma de tragédia já se encontrava nas peças que dramatizavam episódios da História inglesa. Em Romeo and Juliet (Romeu e Julieta) e Julius Caesar (Júlio César) Shakespeare combinou a perspectiva histórica com uma interpretação trágica dos conflitos humanos. O período em que Shakespeare escreveu as suas grandes tragédias iniciou-se com Hamlet, escrita entre 1600-1602, a que se seguiram Othelo, Macbeth, King Lear, Anthony and Cleopatra e Coriolanus, todas elas compostas entre 1601 e 1608. Na última fase da carreira de Shakespeare situam-se as peças de tom mais ligeiro: Cymbeline, The Winter's Tale e The Thempest. Parte das obras de Shakespeare foram publicadas durante a vida do autor, por vezes em edições pirateadas, mas só em 1623 apareceu a edição "Fólio", compilada por John Heminges e Henry Condell, dois actores que tinham trabalhado com Shakespeare. No século XVIII as peças foram publicadas por Alexander Pope (em 1725 e 1728) e Samuel Johnson (em 1765), mas só com o Romantismo se compreendeu a profundidade e extensão do génio de Shakespeare. No século XX reforçou-se a tendência para considerar a obra de Shakespeare integrada nos contextos dramáticos que a suscitaram.
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Actividades do Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor

Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor - 23 de Abril


O Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor comemora-se desde 1996, por decisão da UNESCO.
Associa milhões de pessoas, em mais de uma centena de países tanto do Sul como do Norte, na celebração solene das múltiplas funções do livro na vida das sociedades humanas e incitando-as a reflectir sobre o papel do direito de autor que lhe está associado.
A esta data está também ligado um costume Catalão de os homens oferecerem rosas às mulheres e receberem em troca livros.
Shakespeare e Cervantes, faleceram a 23 de Abril de 1616.
Dizem as estatísticas que os inquiridos que afirmam ler livros eram em 1983 de 41,7%. O número subiu em 1995 para 53,9%. Mas infelizmente em 2000 os que se afirmam leitores já são menos de metade dos portugueses (44,3%).
Ou as estatísticas mudaram de método ou o esforço que andamos a fazer para promover a leitura não anda a resultar.
E dessa população que diz ler, só pouco mais de metade (58%) estava a ler no momento em que foi inquirida.
Em números redondos só cerca de um em cada cinco portugueses é que anda a ler.
Esta é a pura e dura realidade.
Mas o tempo dedicado à leitura também tem vindo a baixar.
Deste já tão reduzido número de leitores, os que dedicam à leitura 3 ou menos horas por semana, eram 62% no ano de 2004 e baixaram para 60,9 no ano de 2005.
O número médio de livros lidos no ano de 2004 foi de 8,5 livros. Comparando com a média de livros comprados que também é de 8, ficamos com um problema a resolver.
Será possível que as bibliotecas só tenham sido responsáveis por 0,5% da leitura?
Sabemos das margens de erro das sondagens e até se compreende alguma incorrecção nas respostas que tenderão a valorizar a leitura e até a afirmação de compra.
Nesta suposição também deve estar alguma parte da explicação.
Mas mesmo assim a quota-parte das bibliotecas na leitura é muito pequena.
Temos que assumir que há mais algo a fazer para além do muito que já vem sendo feito.
O nosso blogue associa-se a esta data, evidenciando o prazer do livro e da leitura.


Fonte
Biblioteca Virtual
Manuscritos Digitais

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Direcção Geral do Livro e das Bibliotecas