terça-feira, 20 de outubro de 2009

Newsletter País Positivo - Edição 10







10/10/2009
Índice de confiança sobe em Setembro
ECONOMIA & FINANÇAS
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E porque nem tudo são más notícias e é de um país mais positivo que queremos falar, destaque para o avanço da notícia de hoje da agência financeira que realça uma subida de 0,4 por cento do índice de confiança dos portugueses relativamente a Julho.
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Estudo revela que emissões mundiais de CO2 poderão cair 3 por cento em 2009
AMBIENTE
As emissões mundiais de CO2, uma das principais causas do aquecimento global, poderão cair 3 por cento em 2009 em consequência da crise económica, segundo um estudo divulgado hoje pela Agência Internacional da Energia (AIE).
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Dupla portuguesa de ilusionismo vence Campeonato em França
ARTE & CULTURA
Imagem vazia padrãoO duo de mágicos portugueses Tá na Manga conquistou o primeiro prémio de Magia Geral no 43º Congresso da Federação Francesa de Artistas Prestidigitadores/Campeonato de Magia de França, informou hoje a Associação Portuguesa de Ilusionismo.
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Palácio do Freixo, no Porto, reabre sexta-feira como Pousada
DESTAQUE

Imagem vazia padrãoO histórico Palácio do Freixo, abre sexta-feira ao público como a primeira Pousada de Portugal na cidade do Porto, após um investimento de 15 milhões de euros.
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Legislativas e Autárquicas 2009 – Quem é Quem?
NÃO PERCA
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Lançamento: Dezembro de 2009;
Veículo de distribuição: Jornal Público (suplemento gratuíto);

Nota:
75.000 exemplares, 3ª Edição – Grande Formato a Cores








Flor de Água




Havia outrora, na região vietnamita de Anam, um belo porto onde as embarcações vinham abrigar-se após as longas travessias do Mar da China.
Numa das ruelas do porto, situava-se a modesta loja de uma família de artesãos, na qual estes confeccionavam lampiões multicolores há já muitas gerações.
Nela viviam o jovem Oceano, a sua mulher, Reflexo da Lua, e a mãe desta, Dona Ameixa. Viviam os três em harmonia e apenas uma nuvem toldava o céu da sua felicidade.
Casados há bastante tempo, o jovem casal sonhava com um bebé de quem cuidar. E Dona Ameixa ansiava por conhecer as alegrias de ser avó. Porém, a criança tardava…
A afeição desta humilde gente recaía, então, num pássaro cor de fuligem, um animal quase mágico. Chamava-se Glu-Glu, porque imitava com perfeição o gorgolejar de Oceano quando este lavava os dentes.
Quando lhe apetecia, Glu-Glu falava. Ou seja, repetia palavras e ruídos que ouvia em seu redor. E diga-se de passagem que conhecia algumas palavras bastante desagradáveis: "Estúpida!", "Palerma!", "Gordo!" e "Cocó!"
Certa manhã, Reflexo de Lua pôs ao ombro uma canga carregada de lampiões que ia vender no mercado da aldeia vizinha. Glu-Glu, que gostava de passear, acompanhou-a, repetindo as suas palavras favoritas sempre que cruzava alguém na estrada. Todos se riam.
Durante a sua caminhada, Reflexo de Lua olhava as jovens mães com pena. À saída do porto, parou diante de um pequeno altar, dedicado a Quan Âm, a Deusa Celeste. Com pauzinhos de incenso entre as mãos unidas, murmurou esta oração: "Suplico-te, Deusa Celeste, concede-nos a alegria de acolher uma criança no nosso lar!" Enquanto murmurava estas palavras, o incenso ascendia ao céu em espirais perfumadas…
No mercado, havia muita gente. Os lampiões de Reflexo de Lua vendiam-se bem. Glu-Glu fazia o seu número e a bolsa da dona enchia-se depressa.
A dois passos de ali, dois malfeitores planeavam um golpe, sentados num banco da vendedeira de chá verde.
— Já viste a massa que ela juntou? E o que podemos ganhar com aquele pássaro esperto? — dizia um.
— Vamos preparar-lhe uma bela surpresa — sugeriu o outro.
Quando Reflexo de Lua empreendeu o caminho de regresso a casa, já a lua estendia o seu leque de lantejoulas sobre o mar.
— Vamos depressa! — disse a Glu-Glu, que repetiu "Vamos depressa, palerma!"
No meio do caminho deserto, duas sombras precipitaram-se sobre a mulher e atiraram-na ao chão. Um dos homens roubou-lhe a bolsa, enquanto o outro enfiava o pássaro num saco de juta. Uma voz metálica ergueu-se do fundo do saco bradando "Seu cocó!"
Os dois ladrões desapareceram na noite. Reflexo de Lua levantou-se e viu a gaiola vazia.
— Esperem! Levem ao menos a gaiola! O pássaro vai sentir-se mal dentro do saco!
Mas os bandidos fizeram ouvidos de mercador e mesmo a voz metálica de Glu-Glu deixou de ouvir-se.
A vida continuou o seu ritmo na loja. Oceano e Dona Ameixa ficaram felizes por ver que Reflexo de Lua não tinha sido ferida, mas a loja estava demasiado calma sem o incessante palrar de Glu-Glu…
Algumas semanas mais tarde, Oceano e Reflexo de Lua viajaram até à velha cidade imperial, Hué. Junto do Rio dos Perfumes, ficava o pagode da Deusa Celeste, que operava grandes milagres. Quem sabe se lhes concederia o desejo de um filho…
Enquanto isto, numa velha casa arruinada, no meio dos arrozais, os dois malfeitores estavam exasperados com o pássaro e gritavam insultos um ao outro, que Glu-Glu se encarregava de repetir, o que aumentava ainda mais a confusão.

Depois de uma viagem de vários dias, o jovem casal, envolto numa nuvem de incenso, pôde enfim suplicar:
— Deusa cheia de bondade, concede-nos a felicidade de acolher uma criança na nossa humilde casa.
E a Deusa pareceu sorrir para eles…
Deixaram o pagode, cheios da esperança que o sorriso da Deusa lhes transmitira. No caminho de regresso a casa, ouviram uma voz familiar que dizia:
— Cabeça de burro! Estúpido! Palerma! Gordo!
As exclamações vinham de dentro de uma loja de pássaros. Um velho barbudo gesticulava e ameaçava a ave:
— Ou te calas ou prego-te o bico!
O casal aproximou-se e Glu-Glu, cheio de alegria porque os reconhecera, saltou no poleiro.
Ao ver que o casal se interessava pelo pássaro, o velho exclamou:
— Como ele parece gostar de vós, levai-o convosco. É um favor que me fazeis…
O vendedor abriu a gaiola e deu o animal a Oceano. Tinha-o comprado a dois meliantes que tinham pressa em desembaraçar-se dele. Como os compreendia agora!
Os esposos agradeceram e libertaram Glu-Glu, que lhes fez uma festa.
Alguns meses após a peregrinação ao santuário, o ventre de Reflexo de Lua ficou redondinho como um lampião. O marido e a mãe cumularam-na de atenções. Até o pássaro se calava sempre que percebia que ela precisava de repousar.
Quando caiu a chuva das primeiras monções, nasceu uma menina na loja dos lampiões. A Dona Ameixa coube a honra de escolher um nome para a criança.
— Esta criança foi-nos dada pelo céu como se fosse uma flor das monções. Chamar-lhe-emos Flor de Água. Louvemos a Deusa Celeste pela sua infinita bondade!
— Flor de Água! Flor de Água! — repetiu Glu-Glu, encantado.
E desde esse dia que todos viveram felizes no meio dos lampiões e das lanternas.


Marcelino Truong
Fleur d'eau
Paris, Gautier-Languereau, 2003
(Tradução e adaptação)




O Clube de Contadores de Histórias
Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria – Baltar


Os saris da minha mãe


— Quando poderei vestir um sari? — perguntei à minha mãe, saltando para cima da sua cama.

A minha mãe pegou numa mala de couro, dentro da qual guarda todos os seus saris, e que está sempre debaixo da cama. A mala contém o sari de cetim amarelo que ela usou na festa do bebé da Uma Didi, o sari cor de pêssego, que é fino como uma teia de aranha, e o meu favorito, o sari vermelho do seu casamento. Só o vi uma vez, porque está cuidadosamente embrulhado num velho lençol de cama.

— Podes vestir saris quando fores mais velha — disse a minha mãe, abrindo a mala.

— Mas hoje faço sete anos e vamos ter uma festa! Por isso é que estás a usar um sari.

A minha mãe só abre esta mala em dias especiais. A mãe dela, a Nanima, usa um sari todos os dias, mesmo quando dorme. As dobras e os recantos dos saris da Nanima estão cheios de segredos. Neles encontro moedas, alfinetes de segurança, e o seu odor permanente a sabonete de sândalo.

A minha mãe corre o fecho da mala e eu tento absorver todas as cores que ela encerra.

— Ajudas-me a escolher um sari? — pede.

Claro que sim — respondo.

Talvez ela me deixe escolher um também.

— Que tal me fica este? — pergunta, segurando um sari cor de púrpura junto do rosto.

— Oh mãe, pareces uma beringela — rio.

E este?

A minha mãe desenrola um sari de seda preta que brilha como um céu estrelado.

— Esse não, porque já o usaste na festa de anos da Devi Masi.

— Não acredito que te lembres disso tudo!

Mas é verdade que me lembro de todos os saris que a minha mãe usou. Ainda me lembro do sari cor de lavanda, que ela vestiu na festa do Diwali, e do sari cor de magenta com veados bordados, que ela vestiu no dia em que a Nanima nos fez a primeira visita.

A minha mãe fica lindíssima com saris. São tão diferentes das camisolas cinzentas e das calças castanhas que veste todos os dias para ir trabalhar.

— E este? — pergunto, apontando para um sari que nunca tinha visto.

Parece uma bola de fogo laranja e as pontas vermelhas parecem ter sido mergulhadas em tinta vermelha. A minha mãe sorri:

— Usei esse sari no dia em que te trouxemos do hospital. Todos os teus tios e tias vieram dar-te as boas vindas.

— Veste-o hoje outra vez!

A minha mãe desenrola-o e molda-o ao corpo. O sari brilha como o sol poente.

Olho para as minhas roupas e sinto-me desinteressante em comparação.

— Porque não posso usar um sari?

— Os saris são para mulheres adultas. Mesmo que o dobrasses várias vezes, acabarias por tropeçar nele.

— Nunca me deixas fazer nada. Ontem, disseste-me que não podia ir para a escola com sapatos de festa, embora todos os dias calces tacões para ir trabalhar.

— Porque não usas a tua chanya choli? — sugeriu. — Disseste-me que os espelhos da saia te faziam parecer uma princesa.

— Não quero. Já tenho idade para usar um sari. Já não preciso de luz de presença no quarto e consigo servir-me de leite de manhã sem entornar uma gota.

A minha mãe ficou calada durante algum tempo. Depois disse:

— Lembro-me da primeira vez que usei um dos saris da minha mãe. Senti-me tão crescida!

— Por favor, mamã, deixa-me escolher um — sussurro. — Até sei qual quero usar.

— Bem, estás a ficar mais alta e talvez consigamos segurar as dobras com muitos alfinetes. Mas só vestes o sari hoje, porque fazes anos.

— E posso vestir outro quando fizer oito anos? Nessa altura, já serei tão alta como tu!

A minha mãe ri e começa a mostrar-me os saris, um a um. Quando só resta um no fundo da mala, exclamo:

— É esse mesmo! O azul com flores douradas nas pontas.

— Põe-te de pé em cima da cama — pede a minha mãe.

Depois, começa a enrolar o sari em volta do meu corpo. Quando tento ver-me ao espelho, avisa:

— Espera, ainda não estás pronta!

De uma latinha em forma de coração que tem no armário, tira algumas pulseiras em ouro. Coloca seis no meu braço, que caem no chão a tilintar quando o estico.

— Temos de pedir à Nanima que nos envie pulseiras que condigam com este sari — brinca a minha mãe.

— Já posso ver-me ao espelho? — peço.

— Só mais uma coisa — responde a minha mãe, abrindo uma gaveta da cómoda.

Dela retira uma pequena caixa que contém alguns bindis de cores e feitios diferentes. Pega num prateado e coloca-o bem no meio das minhas sobrancelhas.

— Já podes olhar.

Debruço-me sobre o espelho, pegando no sari com cuidado.

— Que tal?

Sinto-me a flutuar num oceano de azul. O material reluzente faz-me brilhar. É tão bonito que digo, dedilhando a borda do sari:

— Acho que estou parecida contigo, mãe!


Pooja Makhijani; Elena Gomez
Mama's Saris
New York, Hachette Book, 2007
(Tradução e adaptação)


* * * * *

GLOSSÁRIO DE PALAVRAS EM HINDI

Bindi – sinal decorativo que as mulheres hindus usam na testa. Antigamente, era sempre um sinal vermelho e simbolizava o estatuto da mulher casada. Hoje em dia, é considerado um acessório de moda e não conhece restrições de cor ou feitio.

Chanya choli – conjunto de saia larga e blusa justa, tradicionalmente usado pelas mulheres dos estados do Gurajat e do Rajastão.

Didi – termo respeitoso usado para com uma irmã mais velha, uma prima, ou uma amiga.

Diwali – significa "fiadas de luzes acesas". É o festival da renovação da vida, o Festival das Luzes, no qual é comum as pessoas usarem roupas novas. É uma altura em que as famílias acendem lâmpadas de azeite e as colocam em torno das casas, para dar as boas vindas ao novo ano.
 
Masi – a irmã da mãe.

Nanima – a mãe da mãe.

Sari – o traje tradicional das mulheres indianas. Um sari é um pano de 6,30m de comprimento e 1,20m de largura, cujos estilo, cor e textura variam muito. Pode também ser dobrado de forma diferente, conforme o estatuto, a idade, a profissão, a religião e a região da mulher.











O Clube de Contadores de Histórias

eb23s@contadoresdehistorias.com

http://www.prof2000.pt/users/historias/

Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria – Baltar




quinta-feira, 1 de outubro de 2009

As sextas-feiras de Nana




As noites de sexta-feira em casa da avó Nana começam logo de manhã cedo na
cozinha. Nós comemos pão com doce de pêssego, que é o nosso preferido.
Nana bebe chá, que está muito quente, e sopra para dentro da taça antiga de porcelana chinesa, fazendo pequenas ondas.
— Hoje não tenho escola! — digo a cantar. — Que sorte que eu tenho!
— Hoje não tens escola! — responde. — Que sorte que EU tenho!
— Agora fala-me da noite de hoje – peço.
— Vem a família toda! Vem para o Sabbath e nós temos muito que fazer!
Nana apressa-se a fazer a cama e a limpar os quartos. Eu estou encarregada de alisar as almofadas.
Nana lava as porcelanas chinesas e passa a ferro os vincos da renda da toalha de mesa.
Eu dobro guardanapos com bordos de renda.
Nana inspecciona se faltam botões no seu vestido de Sabbath, azul marinho, de gola branca e punhos brancos também.
— É altura de fazer a tarte? — pergunto.
— Daqui a pouco, Jennie.
Eu puxo e volto a puxar o lustro a dois candelabros.
— Já é altura agora?
— É – diz Nana, estendendo a massa, e eu deito açúcar nas maçãs para a tarte. Em seguida, ela entrança os challah (Challah – Pão tradicional para o Sabbath e outras festas judaicas.) e mete-os no forno.
Ao meio-dia comemos sandes no parque, perto do rio. Bebemos também uma chávena de cacau.
O céu está cinzento e o vento sopra do rio, levantando-nos o cabelo, e nós dançamos para nos mantermos quentes, com os ponchos vestidos e as luvas calçadas.
Depois, andamos pela cidade de mãos dadas, à procura de flores roxas, que são as nossas preferidas.
— Oh, obrigada! — diz Nana.
— Obrigada — repito, saltitando pelo passeio com as flores.
Quando regressamos a casa de Nana, pomo-las numa jarra alta com água.
— É altura de nos vestirmos? — pergunto.
— Daqui a pouco, Jennie.
Mais para o fim da tarde, a casa está toda esfregada, a sopa de cevada já ferve e os challah estão a arrefecer. O frango aloura no forno e as batatas também.
— Agora já é altura?
— É — diz Nana.
Nós vestimos os nossos vestidos, ambos azul-marinho. Os sapatos também são azuis. Nana põe batom nos lábios, olhando-se ao espelho.
Pomos a mesa, contamos os talheres de prata e as taças da sopa, os copos que cintilam.
Nana pica o frango para ver se está tenro.
Lá fora escurece.
— Nana, olha! Neve!
A campainha da porta toca e a família precipita-se para dentro, abraçando Nana.
Também me abraçam a mim, pincipalmente os meus pais, e eu faço cócegas ao meu irmão bebé, o Lewis, metido no fatinho de bebé.
A campainha toca de novo e entra mais família de rompante. Os tios, as tias e os primos. Toda a gente fala ao mesmo tempo, tiram os sapatos aos pontapés, atiram os
sobretudos para cima das cadeiras.
No forno, a minha tarte já começa a cheirar.
— Já é altura? — pergunto.
— Agora é — diz Nana, e finalmente chega o melhor momento da noite.
Nana acende as velas e os nossos vestidos tocam um no outro; ela murmura orações de Sabbath e todos ficam em silêncio. Até o Lewis.
Daí a pouco, estamos a mastigar os challah e a passar taças de sopa, e todos falam ao mesmo tempo sentados à comprida mesa de jantar.
Lá fora, o vento uiva. A neve levanta-se em lindos rodopios brancos.
Mas aqui dentro as velas tremulam. Um cântico de Sabbath está no ar. É altura da tarte, e nós estamos todos juntos na sexta-feira de Nana.



Amy Hest
The Friday nights of Nana
Cambridge, Candlewick Press, 2001
Tradução e adaptação




O Clube de Contadores de Histórias
Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria – Baltar

Newsletter Qualidade Online - Edição 16





30/09/2009
Portugal recebe evento europeu contra discriminação
DESTAQUE
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Portugal vai receber, de 15 a 18 de Outubro, o evento "Dias da Diversidade", uma iniciativa desenvolvida no âmbito da campanha europeia "Pela Diversidade. Contra a Discriminação" e que decorrerá no centro Comercial Colombo, em Lisboa. Os "Dias da Diversidade" englobam várias iniciativas dirigidas ao público em geral e organizadas em parceria com ONG's, Parceiros Sociais e Organismos Públicos nacionais que trabalham nas áreas da diversidade e discriminação. Para além de Portugal, os "Dias da Diversidade" vão passar por Chipre, Luxemburgo, Hungria e Suécia.
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Teatro Municipal de Faro com Qualidade Certificada por Organismo Internacional
CERTIFICAÇÃO
Imagem vazia padrãoO Teatro Municipal de Faro recebeu a certificação do seu Sistema de Gestão da Qualidade segundo os princípios da norma ISO 9001, conferido pela SGS ICS, organismo líder mundial em certificação. A Entrega do Certificado da Qualidade decorreu recentemente, durante a Sessão Solene do Dia da Cidade de Faro. O Certificado foi entregue por Patrícia Monteiro, do Departamento de Comunicação do Grupo SGS Portugal, a José Apolinário, Presidente da Câmara Municipal de Faro.
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Vinhos de Portugal conquistam mercado Norte-Americano
DESTAQUE
ViniPortugal organiza grandes provas para profissionais


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Reforçar a promoção dos vinhos portugueses no mercado norte-americano. É este o compromisso da ViniPortugal para o programa que arranca nos EUA amanhã. Trata-se de um mercado prioritário para Portugal, constituindo o 4º maior país ao nível das exportações. Uma posição que importa capitalizar, não fosse os EUA o importador líder no mundo dos vinhos.
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I Jornadas Nacionais Água e Juventude
RESPONSABILIDADE AMBIENTAL
Nos dias 3 e 4 de Outubro, na Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa (Campus Asprela)




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Porque a água é um bem considerado "ouro azul do século XXI", porque tem mobilizado cada vez mais pessoas para a sua defesa e porque cada um tem uma palavra a dizer sobre os recursos de todos realizam-se no Porto, nos dias 3 e 4 de Outubro, as I Jornadas Nacionais Água e Juventude. O encontro acontecerá na Escola Superior de Biotecnologia, como marco comemorativo do Dia Nacional da Água que se assinala no dia 1 de Outubro.
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SPV anuncia termo do projecto experimental de retoma de plásticos mistos
RESPONSABILIDADE AMBIENTAL
Imagem vazia padrãoA Sociedade Ponto Verde (SPV), entidade responsável pela gestão de resíduos de embalagens em Portugal, decidiu pôr termo à experiência de retoma de plásticos mistos. A decisão de suspensão da retoma deste tipo de plásticos, que se realizava em Portugal desde finais de 2007 a título experimental, decorre da necessidade normal de reavaliação do projecto.
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OSLO VOLTA A CONTRATAR TECNOLOGIA "E-COUNTING" DA INDRA PARA AS ELEIÇÕES PARLAMENTARES DE 2009
DESTAQUE
•    Trata-se do quarto processo eleitoral que a Indra implementa na Noruega com a sua solução de contagem electrónica
•     A solução utiliza scanners de alta velocidade com capacidade para ler 120 boletins por minuto

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O Município de Oslo voltou a seleccionar a Indra para a gestão do processo de escrutínio dos votos das eleições para o Parlamento da Noruega, que decorreram no dia 14 de Setembro, recorrendo novamente ao sistema de contagem electrónica "e-counting", desenvolvido pela Indra.
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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Eu, sozinho, no fim do mundo - 2ª parte

… continuação
Quando chegou o Outono, Constantino Brilho tinha terminado a sua estalagem, que ostentava pórticos, torres e espigões. Uma a uma, as folhas caíram das árvores e despenharam-se pela borda do mundo. Gostava de as ver, a rodopiar. Caíam aos meus pés, vindas do céu.
Quando as cores estavam mesmo brilhantes, o Alberto, o Júlio e a Margarida chegaram da cidade. Corremos a estalagem de uma ponta à outra, brincámos com os elevadores, e eles pediram que lhes servissem peru e pastilha elástica no quarto.
Alugámos quatro planadores e atirámo-nos dos rochedos no Fim do Mundo. Gritámos quando sentimos o sangue afluir todo aos nossos pés.
— Nada de lágrimas! — avisou o Sr. Brilho, que estava em terra firme. — Nada de lamúrias! É tempo de divertimento! Senhores e Senhoras, coloquem-se em fila. Saltem hoje e esqueçam o amanhã!
No Inverno, a neve caiu nas árvores, nos rochedos e nos túmulos. Observei os flocos a caírem em silêncio sobre a terra. Um dia, apareceu um trenó, com o Alberto, o Júlio e a Margarida. Cuspimos nas mãos, apertámo-las e piscámos o olho.
Divertimo-nos imenso. Vimos espectáculos de sombras de marionetas à noite, enquanto o vento soprava. Alugámos patins e fizemos figuras de oito nas Cataratas Pataratas e figuras de nove no Lago Conta-Gotas. As pessoas gritavam, enquanto se balançavam nos pinheiros. Os hóspedes patinavam e esquiavam em massa, descendo as encostas aos saltos e deslizando por longas rampas.
— Isto é ou não divertido? — perguntava o Sr. Brilho. — Divertimento a sério. Sentem-se sozinhos, Senhores e Senhoras? Na Estalagem do Brilho, nunca!
O Júlio, o Alberto, e a Margarida voltaram na Primavera. Não se ouvia o vento soprar através dos pinheiros eriçados. O barulho das festas era demasiado alto na floresta. Homens de bigode ensinavam o fox-trot a duquesas e a herdeiras de lavandarias vestidas de seda. Os monstros já não se mostravam quando os relâmpagos surgiam com as chuvas da Primavera. Tinham medo do barulho e das máquinas. O Júlio, o Alberto, a Margarida e eu corríamos pelos caminhos através das florestas, caminhos agora cheios de lixo. Também jogávamos às escondidas.
A cabana onde eu vivia estava rodeada de carrinhos. Já não conseguia encontrar ossos de dinossauros ou moedas de oiro antigas. Os pavilhões e as escadas rolantes tinham-nos coberto.
No Verão, as multidões eram imensas e a estalagem estava aberta para casais em lua-de-mel que vinham em busca do sossego e dos pores do sol de quatro horas. Só que estes mal se viam devido à bruma que cobria o paredão e provinha das luzes artificiais das arcadas.
— Quero ver mais divertimentos! — gritava o Sr. Brilho ao megafone, pendurado num prego que parecia vindo do céu. — Nada de silêncios solenes no Fim do Mundo! Só gargalhadas! E saltos! Senhoras e senhores, recomendo-lhes vivamente as vertigens!
Não dormia há sete dias. Havia sempre alguma coisa para me distrair. Tentei falar com os meus amigos:
— Sabem, estive a pensar…
— Não há tempo para pensar! — interrompeu o Sr. Brilho. — É tempo para se divertirem! Vejam, minha gente, o Fim do Mundo! Que vista magnífica, sublime e resplandecente! Vou construir tudo aquilo que quiserem! Deixem tudo o que estão a fazer! Não há tempo para tristezas ou ideias! Vamos DIVERTIR-NOS! DIVERTIR-NOS sem PARAR!
A Margarida estava toda suada.
— Anda lá! — insistiu comigo.
— Aqui vimos nós! — gritava o Júlio.
— Aqui vamos nós! — ria-se o Alberto, rangendo os dentes e rasgando a camisa nas tropelias.
— Penso que é tempo de ir também — disse para comigo.
Tirei o chapéu de papel da cabeça e as luvas das mãos. Enrolei-as e dei-as ao Júlio.
Depois disse-lhe:
— Tenho de ir embora. Sinto falta do vento.
E fui embora.
Agora vivo sozinho no Topo do Mundo. É uma montanha muito alta. Consigo ver a borda da montanha. Os dias passam-se devagar e bem. Como biscoitos salgados e cartilagens. Limpo as rochas e encontro fósseis. Procuro tesouros em velhos mapas de impérios decadentes. Sento-me no alpendre da minha cabana e escrevo cartas aos meus amigos na cidade, Alberto, Júlio e Margarida. Um dia destes vou visitá-los.
Às tardes, escuto o rumor do vento por entre os ramos dos pinheiros eriçados.
Sinto a suavidade da solidão a cair.
Por ora, sinto-me bem, sozinho, aqui no Topo do Mundo.
FIM
M. T. Anderson; Kevin Hawkes
Me, All Alone, at the End of the World
London, Walker Books, 2007
(Tradução e adaptação)
O Clube de Contadores de Histórias
Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria – Baltar

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Eu, sozinho, no fim do mundo - 1ª parte

Eu vivia sozinho no Fim do Mundo.

Os dias decorriam devagar e bem. Procurava tesouros em velhos mapas de impérios decadentes. Limpava rochas e encontrava fósseis. Reconstituía o esqueleto de monstros enormes com cordel. Jogava à bola até cair de cansaço. Sentava-me e lia. Gostava de ouvir o vento soprar através dos pinheiros eriçados, cujos ramos ondulavam no azul do céu. Comia biscoitos salgados e cartilagens. Ao sol-pôr, tocava melodias para a minha mula ouvir.
Em noites de tempestade, gostava de ficar na minha cabana. Aconchegava-me junto ao fogão e ouvia a chuva e a trovoada. Via os animais de longas caudas, cinco patas, ou bocas beijoqueiras, enfrentarem o trovão. Também nunca tive medo. Adormecia ao som dos seus grunhidos, que mais pareciam barulhos de canalização. Sabia que, de manhã, não haveria vestígios da chuva, excepto um pequeno orvalho nas árvores que ficavam junto dos rochedos desolados. Sentia-me feliz, sozinho, no Fim do Mundo.
Até um dia. Nesse dia, estava eu sentado de cabeça para baixo para que o meu cabelo ficasse completamente de pé, quando vi um homem estranho. Tinha pernas altas, um chapéu de aba larga e uma barba circular. Os seus óculos reflectiam as nuvens.
Montou um cavalete. Tirou um pincel da bota. Pintou o céu e o pinheiro mais solitário. E disse, numa voz que parecia a lã de um carneiro:
— Chamo-me Constantino Brilho e sou visionário profissional.
Olhou-me de alto a baixo e continuou:
— Rapaz, o que fazes o dia inteiro no Fim do Mundo?
— Muitas coisas — respondi.
E contei-lhe dos assobios, do vento e dos pinheiros.
— Só isso? — perguntou, com um ar aborrecido. — Não te divertes? Não tens amigos?
Olhei para os meus pés. Dantes achava que o que fazia era divertido. Agora já não tinha a certeza.
— Penso que as coisas vão mudar bastante por estes lados — disse o Sr. Brilho.
Por cima da pintura do rochedo e do pinheiro solitário, escreveu as palavras: CONSTANTINO BRILHO, VIAGENS MÁGICAS AO FIM DO MUNDO. DIVERTIMENTO GARANTIDO!
Uma semana mais tarde, estava eu a pescar peixes que voavam sobre as cataratas, quando ouvi o ruído de máquinas grandes e homens a darem ordens. Estavam a pavimentar uma clareira. Estavam a abrir valas. E o Sr. Brilho guiava uma visita.
— Aqui — anunciava ele — é o Fim do Mundo. Este é o rochedo. Este é um rapaz local com a sua mula. Vejam como nos olham com um olhar sonhador. E aqui está o local da futura Estalagem do Fim do Mundo.
Fiquei em estado de choque. Tinha-se juntado uma pequena multidão composta por pais e filhos, que me olhavam com curiosidade e fitavam o rochedo embasbacados.
Nem queria acreditar que ele tinha aplanado o terreno.
— Sr. Brilho! — chamei. — Sr. Constantino Brilho!
Apontei para as lajes.
— O que está a fazer? O que fez?
— Trouxe-te uns amigos. Se lhes mostrares a paisagem, dou-te uma moeda de ouro.
— A paisagem? Mas eu vivo numa cabana sozinho. Não quero amigos e não preciso de…
Foi então que olhei para os miúdos que o rodeavam. Sorriam e eram simpáticos. Estenderam as mãos. Um chamava-se Alberto, outro Júlio, e a rapariga chamava-se Margarida. Queriam gostar de mim. E eu queria gostar deles. Sorri.
— Bem — comecei — na realidade…
O Sr. Brilho acenou, encorajador. Perguntei aos miúdos:
— O que querem que vos mostre?
— O que fazes por estas bandas?
Pensei no que fazia: entretinha-me com fósseis, pores do sol, assobios, ouvia os ramos, observava os pinheiros.
Tentei pensar em algo que fosse excitante.
— Bem, se cuspirem no topo da terra, a cuspidela nunca mais pára de dar voltas.
— Isso é o máximo! — exclamaram os miúdos.
Passámos o dia na floresta junto aos rochedos. Cuspimos e batemos palmas. Mostrei-lhes os fósseis. Mostrei-lhes os caminhos. Mostrei-lhes as árvores e as pegadas dos animais rastejantes.
Quando chegou a altura de regressarem à cidade, disseram:
— Não queremos ir embora. Voltaremos no Outono à Estalagem do Fim do Mundo.
continua…
O Clube de Contadores de Histórias
Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria – Baltar

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Bom Ano Lectivo 2009/2010


A Equipa da Biblioteca Escolar e Centro de Recursos do Agrupamento de Escolas Dom Paio Peres Correia deseja a toda a comunidade escolar e seus familiares, a todas as BECRE's e a todos os utilizadores e colaboradores deste blogue, um Bom Início de Ano Lectivo 2009/2010.
Não deixem de visitar a BECRE e o blogue. Temos novidades.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

A lenda da rosa-de-cristo - 3ª parte

continuação…
Os anjos interromperam imediatamente os seus cânticos e fugiram espavoridos. A luz intensíssima desapareceu de repente, a pesada atmosfera de ouro diluiu-se e a escuridão voltou a descer sobre a floresta. Sentiu-se um frio glacial, as flores começaram a murchar e os animais correram a refugiar-se nas suas tocas. O murmúrio das cascatas suspendeu-se e as folhas tombaram das árvores como uma chuva de cobre.
O coração do abade apertou-se de dor ao pensar: «Os anjos do céu visitaram-me cantando, e um terrível brado afugentou-os». E nesse momento lembrou-se da flor que prometera ao arcebispo. Meteu a mão por entre os musgos para apanhar ainda a última, mas sentiu os dedos gelados, porque a neve voltara a cobrir tudo. Tentou erguer-se, mas não conseguiu, e ficou estendido no chão, hirto. Sobre ele caía a neve, soterrando-o.
O irmão leigo chorou, acusando-se por ter sido o causador da morte do abade, quando ele ia entrar na bem-aventurança. E depois de transportarem o abade para o convento de Ovede, os frades repararam que ele segurava qualquer coisa na mão fechada. E, quando conseguiram abrir-lha, viram que ele apertava com força os bolbos que arrancara dos musgos antes de morrer.
O irmão leigo foi enterrar os bolbos num canteiro do jardim, cuidou muito bem deles e esperou durante o ano inteiro que dessem flor. Passou a Primavera, o Verão e o Outono, e no Inverno, quando todas as outras flores estavam mortas, já tinha perdido a esperança de os ver florir. Mas, quando chegou o Natal, o irmão leigo viu com espanto que os bolbos vindos da floresta estavam cheios de flores brancas e delicadas. E verificou que aquelas flores eram iguais às que o abade João trouxera da floresta de Goinger.
Reunidos os frades em capítulo, todos concordaram que aquelas flores deviam ser mandadas ao arcebispo Absalão para comemorar o milagre.
E quando o irmão leigo foi à presença do arcebispo, estendeu-lhe as flores e disse:
— Estas são as flores que te envia o nosso abade João. São as que ele prometeu colher na noite de Natal, na floresta de Goinger.
E o arcebispo, ao contemplar as flores que em pleno Inverno tinham conseguido brotar da terra gelada e ao ouvir o que o leigo lhe contou, ficou uns segundos em silêncio e depois disse pausadamente:
— O abade João cumpriu a palavra dada, e eu vou cumprir a minha.
E mandou redigir a carta de alforria que libertava o salteador.
O irmão leigo partiu para a floresta e procurou a gruta dos salteadores. Ao encontrá-la, era outra vez noite de Natal e o ladrão veio ao seu encontro e gritou:
— Malditos sejam todos os frades! Por vossa culpa, a floresta este ano não se tornou num Paraíso como era costume em noite de Natal!
— Trago uma mensagem do abade João! — E tirando do bolso a carta de alforria disse-lhe que ele podia ir viver em sociedade com a outra gente. E mostrou-lhe o selo lacrado do arcebispo Absalão.
— De hoje em diante podes passar o Natal com os teus filhos e festejar com eles o nascimento do Menino Jesus, na companhia dos homens de bem, como era desejo do nosso abade João.
E a mulher do salteador disse:
— O abade João cumpriu a promessa. O salteador da floresta cumprirá a sua.
E quando o salteador, a mulher e os filhos abandonaram para sempre a gruta, o irmão leigo ficou a viver nela para o resto da vida, entregue às suas orações, pedindo a Deus que lhe perdoasse a sua pouca fé e dureza de coração.
O irmão leigo arrependera-se de ter pronunciado aquelas palavras malditas na noite dos prodígios a que assistira, mas o certo é que desde essa noite a floresta de Goinger nunca mais festejou o nascimento do Salvador, e de todas as maravilhas que ali se operavam só restou a flor que o abade colhera no último segundo de vida.
Puseram-lhe o nome de rosa-de-cristo, e todos os anos essa planta brota da terra gelada e cobre-se de flores brancas, como se quisesse lembrar o tempo em que floria na floresta de Goinger, em noite de Natal.
FIM
Selma Lagerlöf
Ricardo Alberty;
Maria Isabel Mendonça Soares (org.)
O livro de ouro do Natal
Lisboa, Editorial Verbo, 1978
O Clube de Contadores de Histórias
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