terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Encerramento da BECRE para remodelação - 26 a 30 de Janeiro











A Biblioteca Escolar e Centro de Recursos Educativos - BECRE - vai encerrar temporariamente para remodelações.
As remodelações estão a acontecer. Vai ser só uma semana - de 26 a 30 de Janeiro.
O espaço vai ser ainda mais agradável, com mobiliário novo (sofás, poufs, estantes, etc.) e uma nova disposição.
Esperamos por ti neste espaço renovado.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Foge, Élie

Foge, Élie!
Para a Liane Krochmal, comboio 71.
Para a Liliane,
Para o Pierre,
Para o Philippe,
que nunca cresceram verdadeiramente.
Para todas as crianças escondidas
e aquelas que não tiveram a sorte
de o ser.
Saímos sem fechar a porta à chave.
A mamã chorava.
Era uma manhã de Junho, mesmo antes do fim das aulas.
Eu estava a jogar às damas com bocadinhos de pão, nos quadrados do oleado da cozinha.
O Sr. Perrier, o nosso vizinho que era polícia, veio bater à porta.
Sussurrou qualquer coisa ao meu pai.
Escutei: «Ralph… Yves».
Não conhecia ninguém com esses nomes.
O meu nome é Élie.
A mamã fez-me meter algumas roupas à pressa na pasta. Meti também o livro de Robinson Crusoé que tinham acabado de dar-me quando fiz sete anos.
― Vamos esconder-te no campo e depois vimos buscar-te.
― Depois de quê?
Tive de enfiar o sobretudo por cima da camisa cinzenta. Era quase Verão, estava quente. Percebi que era para que não vissem a estrela amarela que a mamã tinha pregado no dia 9 de Junho, o dia do meu aniversário.
Depois fomos a pé até à estação. Não apanhámos o autocarro. Logo que o comboio saiu de Paris, colei o nariz aos vidros para contar as vacas nos campos.
O papá apertava os dentes. A mamã fungava.
À chegada perguntámos onde era a quinta do Sr. François. No final de um caminho, vimo-lo apoiado num portão ferrugento. Tirou uma beata amarelada da boca.
Não cheirava nada bem.
Eu não queria ficar ali. O papá pôs a mão no meu ombro. A mamã acariciou-me os cabelos:
― Vai ser como nas férias ― disse-me ao ouvido.
Engoli as lágrimas.
Vi uma mulher que empurrava um carrinho de mão ao longo do pântano, e coelhos e patos, como no livro de leitura da escola.
Disfarçadamente, o papá entregou um envelope ao Sr. François.
Antes de partir, a mamã ajoelhou-se diante de mim.
Enquanto falava comigo, estava sempre a levantar a gola do meu sobretudo como se eu tivesse frio.
― Ouve bem, Élie. A partir de agora chamas-te Émile. Émile, estás a ouvir? E o Sr. e a Sra. François vão ser os teus tio e tia. É preciso que te portes bem. Nós voltamos.
Vi-os partir na curva do caminho. Com a pasta às costas, eu já desistira de me mexer.
A Sra. François fez-me entrar em casa. À minha frente, na longa mesa, pousou uma tigela de leite quente. Tinha nata, mas eu não disse nada. A mamã já não estava ali para ma tirar.
Uma mosca esticava as patas na toalha pegajosa. Vi que aqui não ia poder jogar às damas por causa dos horrorosos desenhos de raminhos de flores.
Mais tarde, subi ao sótão para me deitar. Ninguém me deu um beijo de boa-noite. Tinha medo. Chorei durante muito tempo. Por fim, abracei-me ao livro do Robinson e adormeci.
Os cobertores picavam.
Tive um pesadelo. Estava numa ilha deserta. O Sexta-Feira vinha atrás de mim para me matar e eu corria em volta de um pântano lodoso.
De manhã fui acordado por gritos:
― Émile! Émile!
Lembrei-me que era eu. Tinha aulas.
O professor fez logo troça de mim diante dos outros por causa da minha pronúncia parisiense. Depois, fizemos um ditado.
Dei tantos erros que tive de enfiar as orelhas de burro até aos olhos, e a minha folha de ditado foi arrancada e pregada com um alfinete na minha camisa. Quase no mesmo sítio da estrela que a Sra. François tinha descosido a resmungar:
― Este ainda nos vai levar a todos para a prisão!
Nos dias seguintes, fiquei de castigo, sem recreio. Tive de copiar cem vezes:
― Não se escreve "Tens deportar-te bem"; escreve-se "Tens de portar-te bem."
Em Paris, eu era o primeiro da turma e a minha caneta nunca esborratava.
Depois, chegaram as férias grandes. O papá e a mamã não vieram buscar-me. Durante todo o Verão, dei de beber aos animais e aprendi a levar as vacas até ao prado. A Capucine era a minha preferida. Contava-lhe tudo. Ela tinha um focinho branco e cor-de-rosa, quente e doce. Doce como o Totor, o meu urso, que deixei ficar em Paris.
Tinha lido o Robinson todo e já não tinha medo do Sexta-Feira. Mas, quando regressei às aulas, ainda tinha medo do professor.
Mas tinha sobretudo medo de uma coisa: que fizessem mal ao papá e à mamã, que eles nunca mais pudessem vir buscar-me, que se esquecessem do lugar onde me tinham escondido, que não me reconhecessem porque eu tinha crescido muito.
Até tentei deixar de comer para parar de crescer, mas não consegui. Tinha muita fome. Os François diziam-me sempre que eu comia por quatro, que não tinha sido um bom negócio e que veriam o que fazer porque o envelope em breve ficaria vazio. Riam-se.
Um dia, disseram que a França estava cortada em duas. Noutro dia, também falaram de Ralph e de Yves. Eu rodava a manivela do moinho de café a fingir que era o comboio.
E, depois, deixou de haver café.
Voltou o Inverno. Tinha-me habituado a lavar-me na bomba. A água gelada esguichava na banca de pedra. Havia água quente na torneira do fogão a lenha, mas era reservada para o grande banho de domingo, antes da missa.
Para fazer chichi e o resto, era preciso ir lá fora, para cima do esterco, atrás do celeiro.
― E que ninguém te veja! ― avisara-me o Sr. François.― Despachado como tu és, ainda nos levas a todos presos…
Mas ele não se preocupava nada.
Ao ver o meu espanto, a Sra. François acrescentou:
― É como com a estrela, quando chegaste cá a casa; tem a ver com a guerra…
Não percebia nada. Ainda não tinha feito oito anos.
Foi nessa altura que me apercebi que a velha vizinha dos François me andava a espiar. Aproveitava para o fazer enquanto lavava os bidões de leite antes da ordenha.
Um dia, fez-me sinal com o dedo adunco para que me aproximasse da cancela.
― Então, menino, esqueceram-se de ti na arrecadação? Os teus pais perderam a tua morada? Nem toda a gente a perdeu… Vais ver o que te espera!
Fugi a correr, cheio de medo. Tinha percebido que ela queria cortar-me qualquer coisa, mas não sabia o quê…
À noite, chamei pela mamã e pelo papá no meu colchão de palha. Só o Tommy, um cão da aldeia, me fez uma visita.
Um dia, vi a Mariette, a neta dela, que parecia má como uma bruxa. Tinha um canivete na mão. Pensei que tinha sido mandada pela avó para me matar, mas ela só queria brincar comigo. Achei-a bonita, com o seu laço vermelho nos cabelos.
Talvez estivesse escondida como eu e não pudesse dizê-lo. Talvez pertencesse à família deles e fosse simpática.
Decidimos brincar os dois.
No entanto, na aldeia, nunca nos tínhamos falado.
Construímos uma cabana. As paredes estavam atapetadas com jornais. A mesa era feita com toros de madeira, a cama com ramos.
Brincámos aos casamentos. Eu era o seu rei, ela a minha rainha.
Fizemos coroas. Mariette era um pouco maior do que eu, mas assegurava-me que não fazia mal, que nos casaríamos para sempre quando tivéssemos idade e a guerra acabasse.
Eu disse que sim. Tinha acabado de fazer oito anos.
Depois veio um Verão e um outro Inverno. A Mariette e eu brincávamos sempre juntos.
Em Abril, ela disse-me que tinha um segredo. Mas que não tinha o direito de mo contar por causa da avó.
― Eu também tenho um grande segredo.
Tinha muita vontade de lhe contar tudo: o falso Émile, a estrela amarela cosida e descosida, os François e o envelope, e os meus pais que me tinham abandonado havia já dois anos.
Nessa quarta-feira tínhamos decidido brincar aos casamentos-quase-de-verdade na igreja, depois da escola. Tinha posto à Mariette uma coroa de papoilas. Entrámos dando as mãos. Numa mancha de luz vimos a avó a rezar. Levantou a cabeça e pregou os dois olhos no meio da minha fronte.
Depressa, a Mariette puxou-me para fora. Ria como uma louca e tinha vontade de fazer chichi. ― Também eu ― disse-lhe. Fomos para trás da igreja. Ríamos, eu de pé, ela agachada.
De repente, olhou-me com um ar estranho. Levantou-se, puxou as cuecas e, a tartamudear qualquer coisa, partiu como uma flecha deixando-me sozinho. Apertei a carcela e fui para casa.
Depois do jantar e da louça, voltei a sair, enquanto os François ouviam as notícias na rádio.
Perto da cavalariça, por detrás do trigo, vi a mãe da Mariette a estender a roupa. Pedi para a ver e a mãe pôs-se a gritar:
― Não há mais Mariette! Acabou-se a Mariette! Chispa daqui! E não te chegues a ela, senão…
Fez um gesto com as mãos como se estivesse a degolar um frango.
― Ala! Como os teus pais! Como os da tua laia!
As molas caíram na relva. Corri para bem longe.
A noite caiu. Corri até mais não poder. Não queria voltar à quinta. Queria encontrar o papá e a mamã. Naquele instante.
Perto da estação, passei ao lado da casa grande, aquela onde diziam que havia todo o ano uma espécie de colónia de férias para crianças. O Tommy, o cão deles, apareceu. Tinha-‑me encolhido nos arbustos. Ele lambeu-me os braços e as pernas.
Eu estava todo arranhado.
Fui acordado por dois camiões.
Era de manhã.
No fosso onde me encontrava, vi tudo: os polícias e os soldados alemães com as suas armas.
Não me mexi nem respirei. Era óbvio que me vinham buscar. Alguém de casa da Mariette deveria ter-me denunciado, ou então, tinham sido os François, por causa do envelope que estava vazio.
Os ramos do pilriteiro estavam a arranhar-me.
Mas os polícias apontaram para a casa grande e entraram pelo terraço com os soldados. De espingarda em punho, fizeram sair todas as crianças em pijama, mesmo as mais pequeninas, que choravam. Atiraram-nas para os camiões, amontoaram-nas aos gritos de Schnell! Schnell!
Ouvi gritar:
― Liane, Liane, volta!
Foi então que vi a pequena, esbaforida por ter atravessado o prado. Quando me viu, teve medo. De pé, por detrás do arame farpado, permanecia imóvel.
― Salta! ― disse-lhe. ― Chamo-me Élie.
Nesse momento chegou o Tommy, todo contente, a uivar. Pensava que estávamos a jogar às escondidas. Não queria calar-se.
― Anda, salta, Liane!
― Não consigo. Foge, Élie!
Não tive tempo de a ajudar. O barulho das botas aproximou-se.
― Não, o miúdo não ― disse o polícia. ― É o Émile, o sobrinho dos François. É da aldeia.
Então, o soldado pegou na pequena pelo braço. A Liane gritava, não queria, defendia-se com todas as suas pequenas forças.
― Tu, volta para a quinta. Mexe-te ― mandou o polícia.
Alguns minutos mais tarde, os dois camiões cheios de crianças passaram por mim na descida. Deixaram uma nuvem de pó. Ouviam-se choros e cânticos através das coberturas fechadas dos camiões.
Sei que a Liane desapareceu para sempre no grande ventre da guerra. Partiram todos. Sim, sei-o. Compreendo. Estou quase a fazer nove anos.
Continuo à espera.
Será que a mamã virá coser-me uma estrela nova para o meu aniversário?
Élisabeth Brami; Bernard Jeunet
Sauve-toi Élie !
Paris, Seuil Jeunesse, 2003
O Clube de Contadores de Histórias
Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria – Baltar

domingo, 18 de janeiro de 2009

Origens das coisas - Aspirina

Aspirina

É da casca do salgueiro que vem o princípio activo da aspirina. A salicina e o salicilato, extraídos dessa árvore, eram usados contra a cefaleia na Mesopotâmia, 3 mil anos a.C. No entanto, a aspirina foi patenteada pela indústria alemã Bayer em 10 de Outubro de 1897.
O químico Felix Hoffmann, com a ajuda do professor Heinrich Dreser, sintetizou o ácido acetilsalicílico para aliviar as dores reumáticas do seu pai.
O nome do remédio mais popular do século foi formado assim: 'a' vem de acetil; 'spir' é a raiz do ácido epírico (substância quimicamente idêntica ao ácido acetilsalicílico); e o 'ina' é um sufixo que se adicionava ao nome de todos os medicamentos no final do século XIX.

Curiosidade?...Foi em 1956...

Curiosidade?...Foi em 1956...

53 ANOS DEPOIS ...


quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

A flor e o sino

Como é que uma flor e um sino podem caber na mesma história?

Há-de ser difícil. A flor tão rasteira e o sino tão alto nada têm a ver um com o outro. Hão-de pertencer a histórias diferentes.
Talvez sim e talvez não…
A flor tinha acordado, na ponta de um caule, quando o sino se pôs a badalar. Abriu-se de espanto, porque nunca tinha ouvido música assim: tlim-dlão-dlim…
Mas tudo tem uma lógica, um começo, um antes do que está para vir. Nós contamos.
A erva donde a flor nascera tinha rompido a terra como um dedo espetado, que quer chamar a atenção:
— Perguntem-me porque nasci — gritava a erva, numa vozinha de erva-fina.
Ninguém lhe perguntava.
E ela, impaciente, sempre na sua:
— Perguntem-me porque nasci. Perguntem-me.
Estávamos bem servidos, se tivéssemos de dar conversa a todas as ervas do caminho…
— Então, não querem saber? Perguntem-me — teimava a erva.
Fartos de ouvi-la, debruçámo-nos, enfim, para a ervinha.
Logo ela, muito direita, na sua importância de erva fresca, nos disse:
— Nasci, sabem porquê? Nasci para dar uma flor.
Olha a admiração! Nisto o sino, tlim-dlão-dlim, tlim-dlão-dlim, e apareceu a flor.
— Quem me chama? Quem me chama? — perguntou a flor, que nasceu a falar.
O sino anunciava um casamento. Era o José mais a Maria que iam casar.
O noivo, antes de entrar na igreja, colheu, à beira da estrada, uma flor com que enfeitou a lapela. Logo por coincidência, a flor que tinha acabado de nascer.
Aí têm como um sino e uma flor podem caber na mesma história. Mas não acaba aqui.
Passado tempo, a flor desprendeu-se da lapela. Já tinha dado um ar da sua graça. Secou, desfez-se, juntou-se à terra. É sempre assim.
Na Primavera seguinte, mais coisa menos coisa, o sino outra vez a badalar: tlim-dlão-dlim, tlim-dlão-dlim. Desta vez, era um baptizado, o do menino José Maria, filho de Maria e do José.
Depois, houve boda. No centro da mesa, um grande ramo de flores campestres, iguais à que viveu nesta história.
Tudo se multiplica. Pelos tempos fora, o sino vai voltar a bater e as flores a crescer. É uma história que não acaba.
António Torrado

O Clube de Contadores de Histórias
Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria – Baltar

Luca Violeiro (isto é para quem tem unhas)

PORTUGUÊS EXACTO – o sítio da Língua Portuguesa

Tira todas as tuas dúvidas sobre Língua Portuguesa no novo sítio PORTUGUÊS EXACTO!
Aqui encontras o sítio da Língua Portuguesa criado pela Porto Editora para esclarecer questões no âmbito da ortografia e da morfologia.
É de destacar a disponibilização, neste sítio, de um Conversor do Acordo Ortográfico, que adapta texto e/ou palavras em conformidade com as regras do Acordo Ortográfico.
Acessível, prático e gratuito, o PORTUGUÊS EXACTO é um serviço de verdadeiro interesse público que constituirá um apoio útil para todos os utilizadores da Língua Portuguesa.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Autarquia tavirense enviou carta ao ministério de Maria de Lurdes Rodrigues


Autarquia enviou carta ao ministério de Maria de Lurdes Rodrigues

Tavira admite rejeitar competências na área da educação por falta de explicações

07.01.2009 - 18h16 Lusa

Macário Correia critica que o pagamento de salários não abranja a gestão dos serviços afectos a esses funcionários

O presidente da Câmara de Tavira, Macário Correia, admitiu hoje renunciar ao protocolo assinado em Setembro com o Ministério de Educação para a transferência de competências na área para as autarquias, caso a tutela não esclareça alguns pontos.

Mais de 90 autarquias aceitaram novas competências na área da Educação - no Algarve foram sete -, medida há muito reclamada pela Associação de Municípios, mas que tem gerado alguma polémica. A transferência engloba a passagem de testemunho para os municípios de tarefas ao nível da gestão do pessoal não docente, da acção social escolar, construção e manutenção e apetrechamento de estabelecimentos de ensino.

Macário Correia explicou que vai enviar uma carta à ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, a solicitar esclarecimentos sobre o processo no prazo de um mês. Segundo o presidente da Câmara de Tavira, o protocolo, que confia às autarquias o pagamento de salários e a gestão do pessoal não docente e edifícios, não abrange a gestão dos serviços afectos a esses funcionários.

Assim, em vez de transferir as verbas inerentes a despesas correntes, refeitórios e papelarias escolares para as autarquias, o Ministério da Educação transfere-as para os conselhos executivos das escolas. "A transferência de competências não passa pelo mero pagamento de vencimentos, como se de uma tesouraria se tratasse", critica Macário Correia, acrescentando que as autarquias pagam aos funcionários mas não gerem o que eles fazem.

Prazo de 30 dias

O também presidente da Área Metropolitana do Algarve (AMAL) admite que a Câmara de Tavira poderá renunciar ao protocolo, caso o assunto não seja resolvido no espaço de 30 dias, como solicitado na missiva que vai enviar a Maria de Lurdes Rodrigues. "Não faz sentido que os professores andem a gerir bebidas ou o pagamento dos contadores da água e luz", afirmou, considerando estranho que os edifícios passem para a gestão das autarquias e os refeitórios, por exemplo, não.

Macário Correia solicitou ainda uma reunião com a Direcção Regional de Educação (DRE) do Algarve, que foi agendada para daqui a cerca de três semanas, disse o próprio.

No Algarve, o protocolo foi assinado por sete autarquias: Faro, Tavira, Portimão, Silves, Albufeira, Olhão e São Brás de Alportel. Os presidentes das câmaras de Lisboa e de Viseu, que acumula o cargo com o de presidente da Associação de Municípios Portugueses (ANMP), negaram a transferência de competências.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

A princesa desencantada

Quando alguma vez, em sonho ou viagem, voltar àquela terra, não poderei esquecer a história que certa tarde lá ouvi.
Contou-ma um ancião, de olhar profundo e barba ruiva, à hora em que me deu para subir ao ponto mais alto da cidade e ver de lá as grandes torres espelhadas na água do rio que ali corre – rio de lágrimas que uma princesa, um dia, então chorou.
Em tempos, este reino fora terra de encanto.
Deixou de o ser a partir do momento em que o rei mandou prender a filha, na mais fortificada masmorra da cidade, por ela achar infame a servidão em que viviam os súbditos do reino.
— Esta é a história de Tristália — resmoneou o velho — e como todas as histórias não é uma história perfeita: o fim parece o princípio e quem uma vez a ouvir logo pedirá que ninguém a volte a repetir.
Fitando a mão trémula que apontava na direcção do rio, vi o desconhecido entrever o lugar onde se erguia a fortaleza em que a filha do rei vivera encerrada. Então ele contou:
Desencantada, como a princesa, com a maldade que, às ordens do rei, cumpria lei, Tristália deixou de ser terra de amor.
Dia e noite, a princesa não parava de chorar. Recomendavam-na às cortes, os nobres, convidava-a o clero a arrepender-se, mesmo temendo que sobre o povo desabassem novas iras do rei.
O mais arrasador dos desencantos, porém, devia-se ao modo com que o rei Severo, seu pai, tratava a rainha Edwiges, sua mãe.
Escandalizavam-se os chanceleres, o episcopado, a nação. De banquete em banquete, o rei Severo é que não.
Por desígnio divino iluminada, resolveu a princesa pôr fim à humilhação.
Qual segredo de estado, determinou sem demora escapar-se da prisão, correr mundo, revoltar-se como só o faz quem tem razão.
Como mais vale fuga que espera, assim foi. Em semanas conquistou as boas-graças do guarda-mor Epaminondas, logo obteve a sela dum fogoso cavalo alazão.
Do tesoureiro Sigesmundo, em poucos dias, elevada quantia em peças de oiro.
Do camareiro Malaquias, em horas, uma poderosa espada de dois gumes.
Planeada a evasão, antes fugir que ficar mal.
Não ia ainda longe o cavaleiro embruxado, de armadura e espada em riste, e já um mensageiro, ao serviço do rei, passava aviso por terras de província e lugarejo.
Entraram as tropas em estado de alerta. Povoaram-se de espias os postos de fronteira.
Um capacete de sombra abateu-se sobre o rosto dos soldados entrincheirados nas esquinas.
À saída da cidade, um mendigo, que acorrera ao som de tão ligeiro trote, interrompeu:
— Onde vos leva esta pressa de viver, senhor do cavalo alazão?
Deixou-lhe o cavaleiro idade a menos que outra coisa não tinha ali na ocasião!
Fugia de si mesmo, não do mundo, o cavaleiro, atrás de si deixando um rasto de miséria e escravidão.
De uma casa em ruínas saiu, de filho ao colo, uma mulher a quem a guerra encontrara vazio o coração:
— Quem feliz fará, um dia, Senhor meu, todo o oiro que levais?
Deixou-lhe o cavaleiro o sol e a lua, que mágoas há na vida que não esquecem mais.
Entretanto, podia alguém adivinhar quem, assim disfarçado, segredava às ervas do caminho quantas vezes subidas honras, por muito que se diga, desonras são?
À porta de um albergue, uma criança, fascinada pelo anel de luz que, na corrida, cavalo e cavaleiro lanço a lanço envolvia, fê-‑los estacar:
— Se na tua espada, Rosa Peregrina, a vontade do povo assim confia, por que não voltas de pronto ao Palácio onde o terror da noite, em boa hora se fez dia?
Deu meia volta o cavaleiro que de si tanto fugia. Aclamado nas ruas de Tristália, juntou‑se o foragido aos Pares do Reino que já nas cortes buscavam herdeiro entre os bastardos que, do rei Severo, então havia.
Largado o manto, aos pés, ninguém ousou dizer que aquele misterioso cavaleiro a coroa não merecia.
— Não há outro encanto — comentou o velho, emocionado — senão o que põe fim à reinação que os reis tiranos, quase sempre, espalham por servidão gratuita ou por mania.
Vergílio Alberto Vieira
O Livro dos Enganos
Lisboa, Editorial Caminho, 2002
Adaptação


O Clube de Contadores de Histórias
Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria – Baltar

Livro do Mês (Janeiro) - Um Homem Com Sorte, Nicholas Sparks

Logan Thibault sempre foi um homem que em tudo se pode considerar comum. No entanto a sua vida estava prestes a mudar… A combater no Iraque, Thibault encontra a fotografia de uma mulher nas areias do deserto, e apanha-a pensando que alguém acabará por a reclamar. Mas ninguém aparece e, apesar de rejeitar a ideia, a fotografia passa a ser encarada como um talismã da sorte que faz com que Thibault sobreviva, sem ferimentos graves, a situações de indescritível perigo.
De regresso aos EUA, o militar não consegue esquecer a mulher da fotografia decidindo procurá-la pelo país. Mas assim que a encontra a sua vida toma um rumo inesperado e o segredo que Thibault guarda pode custar-lhe tudo aquilo que lhe é querido. Uma história apaixonante sobre a força avassaladora do destino.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

O autarca do futuro está em Moura



Distinção. Projecto de energia solar considerado como o mais inovador
José Pós-de-Mina eleito como uma das figuras do ano pela One World

No dia de Natal, a Central Fotovoltaica de Amareleja começou a funcionar em pleno, produzindo energia solar suficiente para abastecer 30 mil habitações do Alentejo. José Maria Pós-de-Mina, presidente da Câmara de Moura, é um dos principais responsáveis pelo maior plano de energias renováveis do mundo e a sua fama já atravessou fronteiras. "Sem saber como é que isso aconteceu", conta o autarca, passou a figurar na lista das 10 personalidades de 2008 eleita pela organização internacional One World, que o classificou como o "autarca do futuro" da Europa.

A distinção foi anunciada em finais de Novembro e ainda há quem aborde o presidente da câmara nas ruas do concelho só para o felicitar: "A população de Moura sente-se orgulhosa com esta nomeação que acabou por ser uma honra para todos nós", diz José Maria Pós-de-Mina. O que começou por ser uma iniciativa para minimizar as dificuldades económicas e sociais do município acabou por transformar-se num projecto que fez do autarca um pioneiro no capítulo das energias alternativas: "O nosso objectivo passou sobretudo por reduzir uma das maiores taxas de desemprego do País e que se situa nos 15%."

Aproveitar um recurso que existe em abundância no concelho pareceu-lhe, portanto, "o caminho mais óbvio". E por isso não hesitou quando há oito anos uma empresa propôs a instalação de uma central solar na freguesia mais quente da Europa - a Amareleja. O projecto permitiu a criação de 120 postos de trabalho em Moura e foi apenas o princípio para pôr em prática outras ambições do autarca.
Em projecto estão também iniciativas como a rede Sunflower - que envolve autarquias de oito países europeus para criar comunidades livres de carbono - e a Rede Ecos, que aguarda financiamento da União Europeia para usar energias alternativas na construção civil: "Esperemos que esta distinção contribua para acelerar a realização destes sonhos", remata o autarca.
in DN

Central Solar de Amareleja custou 261 ME e já começou a produzir electricidade

Lisboa, 29 Dez (Lusa)

A maior central fotovoltaica do mundo, situada na Amareleja, entrou hoje em funcionamento após um investimento total de 261 milhões de euros, anunciou a Acciona Energia em comunicado.
A central fotovoltaica, com uma capacidade instalada de 46 megawatts (MW), vai produzir 93 milhões de kilowatts/hora (kWh) por ano, o equivalente ao consumo de mais de 30 mil famílias, evitando a emissão de 89.383 toneladas anuais de dióxido de carbono (CO2).
A central, que levou 13 meses a construir, ocupa uma área de 250 hectares e é composta por 2.520 seguidores solares, com 262.080 módulos fotovoltaicos.
Os primeiros três MW foram instalados em finais de 2007, com ligação provisória em Março de 2008. Durante o ano de 2008 foi feita a instalação do restante campo solar e, paralelamente, a construção da linha de evacuação de electricidade, concluída a semana passada com a ligação da central à rede.
Com este projecto, a Acciona, que detém a central a 100 por cento, reforça a sua liderança internacional em energia solar, refere o comunicado da empresa.
A empresa espanhola comprou a central solar da Amareleja, em Janeiro de 2007, à Câmara Municipal de Moura (88 por cento), à Comoiprel (dois por cento) e à consultora Renatura Networks (10 por cento).

ACF.
© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

in RTP

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Concerto de Fim-de-Ano por «Domingos & Amigos»

Concerto de Fim-de-Ano por «Domingos & Amigos», 27 de Dezembro (Sábado), 22:00, Espaço Polivalente da Casa do Povo de Santo Estêvão de Tavira
Nada melhor para encerrar este intenso ano de actividades na Casa do Povo de Santo Estêvão de Tavira (CPSE) do que o projecto «Domingos & Amigos», uma das grandes apostas desta casa e, também, um dos seus maiores sucessos de adesão.
Pela terceira vez, e certamente não a última, Domingos Caetano trará até à CPSE o seu conhecido repertório (lembramos que se trata do líder da conhecida banda «Íris») bem como a interpretação de sucessos de outras bandas nacionais e internacionais, dentro do Rock, género musical em que se movimenta.
A facilidade de comunicação de Domingos, associada à sua capacidade de unir gerações e à apresentação de novos artistas/valores (os seus amigos), são as mais-valias para uma despedida em grande de 2008.


Casa do Povo de Santo Estêvão de Tavira (CPSE)
Rua do Pinheiro S/N
8800-506 Santo Estêvão, Tavira
Algarve, Portugal

Telefone: +351 281 963 184

E-Mail:
geral@cpse.pt ou cpsantoestevao@gmail.com

Páginas:
http://www.cpse.pt/
http://cpsetavira.blogspot.com/
http://myspace.com/cpsetavira


quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Saudações Bibliotecárias



A Equipa da Biblioteca Escolar e Centro de Recursos Educativos do Agrupamento Vertical de Escolas Dom Paio Peres Correia deseja a toda a comunidade escolar e seus familiares, a todas as BECRE's e a todos os utilizadores deste blogue, um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo.

Este ano...Natal? Já era!!!...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Feliz Natal em várias Línguas

Saudações de Natal
Aqui estão, em várias línguas, para desejar Feliz Natal!

Alemão - Frohe Weihnachten
Árabe - Mboni Chrismen
Bielo-russo - Winshuyu sa Svyatkami
Búlgaro - Vessela Koleda
Castelhano - Feliz Navidad
Checo - Vesele Vanoce
Chinês - Sheng Tan Kuai Loh
Chinês (Taiwan) - Kung His Hsin Nien bing Chu Shen Tan
Cingalês (Sri-Lanka) - Subha nath thalak Vewa, Nathar Puthu Varuda
Coreano - Sung Tan Chuk Ha ou Sungtan Chukha
Dinamarquês - Glaedelig Jul
Eslovaco - Vesele Vianoce
Esloveno - Srecen Bozic
Filipino - Maligayang Pasko
Finlandês - Hauskaa Joulua
Francês - Joyeux Noël
Gaélico (Irlanda) - Nollaig Shona dhuit
Georgiano - Gilotsavt Krist'es Shobas
Grego - Eftihismena Christougenna
Groenlandês - Glædelig Jul, Juullimi Ukiortaassamilu Pilluarit
Húngaro - Boldog Karácsonyt
Hebreu (Israel) - Mo'adim Lesimkha
Hindu (Índia) - Shub Christu Jayanti
Islandês - Gleðileg Jól
Italiano - Buon Natale
Japonês - Merii Kurisumasu (é Merry Christmas, à japonesa)
Letão - Priecigus ziemassvetkus ou Laimigu Jauno gadu
Lituano - Laimingu Kaledu
Macedónio - Streken Bozhik
Moldavo - Craciun fericit si un An Nou fericit
Neerlandês - Zalig Kerstfeest ou Prettige Kerstdagen
Nepalês - Krist Yesu Ko Shuva Janma Utsav Ko Upalaxhma Hardik Valthukkal Shuva
Norueguês - Gledelig Jul
Polaco - Boze Narodzenie
Português - Feliz Natal
Romeno - Sarbatori vesele
Russo - Hristos Razdajetsja ou Rozdjestvom Hristovim
Samoês - Manuia Le Kirisimasi
Servo-croata - Sretan Bozic
Sueco - God Jul
Tailandês - Ewadee Pe-e Mai
Turco - Yeni yiliniz kutlu olsun
Ucraniano - Veseloho Vam Rizdva
Ugandês - Webale Krismasi
Vietnamita - Chuc mung Giang Sinh


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Celestina e o pinheirinho de Natal

Na clareira da floresta, Celestina viu um pinheiro pequenino:
— Oh, Ernesto, olha que pinheirinho tão bonito!
— Está todo torto, Celestina. Aqui foi uma plantação de pinheiros de Natal e deixaram ficar esse porque não era bonito.
— Mas é por isso mesmo que eu gosto dele, Ernesto!
Ernesto e Celestina fazem projectos para a festa de Natal.
— Celestina — diz — este ano podes escolher tudo o que quiseres para o Natal. Tudo. Uma festa a sério com todos os teus amigos.
— Posso mesmo escolher, Ernesto?... O que quiser? Acho que já sei…
— Sim? Então?
— Gostava de ter um Natal na neve, junto do meu pinheirinho.
*
Na manhã seguinte, Ernesto tenta convencer Celestina.
— Mas… este ano tu podes escolher tudo o que quiseres, Celestina. Tudo!
— Eu sei!
— Celestina… Nós vamos outra vez dar aquele passeio, vamos ver outra vez o pinheirinho… Uma festa a sério, Celestina, uma festa com todos os teus amigos, com prendas, íamos comprar daqueles chapeuzinhos…
Mas Celestina não muda de ideias.
— Com bolas de Natal, com bolachas e tudo… Música. Mas... o que é que tens? Celestina! Celestina?
— Estás decepcionado comigo, Ernesto? Ernesto, eu queria ter um Natal na neve a sério, contigo. Tu e eu, sozinhos, só nós dois. Acendíamos velinhas, tínhamos estrelas a sério no céu… Diz que sim, Ernesto, diz que sim!
— Pronto, está bem. Vais ter o teu Natal na neve. Até podíamos comer lá fora! E fazer uma fogueira!
— Oh, obrigada, Ernesto! E que mais? Diz lá!
— Eu também sonhei com um Natal na neve, quando era pequeno.
— Conta, Ernesto, conta!
*
À noite, Ernesto está a escrever umas cartas quando Celestina abre a porta da sala.
— Estava a chamar por ti, Ernesto. O que é que estás a fazer?
— Estou a escrever umas cartas.
— Cartas? Cheira tão bem! Estás a fazer bolos?
— Tens de ir dormir, Celestina…
Caro Vladimir:
Encontro no dia 24 pelas 10 horas. Eu e a Celestina estaremos no sítio onde cortaram os pinheiros de Natal.
Bebemos qualquer coisa e, em seguida, festejamos o Natal em nossa casa com bolos, café e com os amigos todos.
Ernesto
Caros amigos:
Venham com as crianças no dia 24 às 10 horas à clareira onde estavam os pinheirinhos de Natal.
Em seguida comemos bolos em casa.
Não digam nada à Celestina. É uma surpresa.
Ernesto
Caro Clemente
Vem com a tua mulher e com as crianças ao convívio no dia 24, pelas 10 horas na clareira do bosque. Depois aquecemo- -nos em minha casa.
Haverá bolos e café.
Não dizer nada à Celestina.
Ernesto
E foi a correr deitá-las no correio.
"Depressa! A Celestina não pode suspeitar de nada!"
— Ernesto! Onde é que estavas? Vamos fazer tudo o que disseste?
— Está prometido.
— Só nós?
— Só nós. Agora vai para a cama, Celestina.
No dia seguinte, Ernesto e Celestina vão ao bosque enfeitar o pinheirinho. Celestina põe-lhe fitas coloridas e brilhantes e muitas bolinhas. Enquanto isso, Ernesto junta lenha para a fogueira na floresta. Quando está tudo pronto, acendem o lume, duas velas e sentam--se no chão a comer e a olhar para o pinheiro. E nesse momento, começam a chegar mais pessoas.
— Oh! Ernesto, olha! Olha tanta gente que está a chegar! Não estamos sozinhos! Porque será?
Todos se cumprimentam, falam, cantam e dançam em volta do pinheirinho.
Quando chega a altura de ir embora, Celestina despede-se do seu pinheiro.
— Amanhã voltamos cá, mas só nós os dois, Celestina. Prometo.
— Então até amanhã, pinheirinho! O Ernesto prometeu-me!
O convívio com os amigos continua em casa. Ri-se, contam-se histórias…
— Agora é a tua vez, Ernesto. Conta-nos os natais da tua infância!
— Quando eu era pequeno… na minha família, no dia de Natal…
*
— Celestina, as minhas mais belas recordações de Natal são aqueles Natais que passei contigo depois que chegaste. Amanhã voltaremos ao teu pinheirinho… nós os dois.
— Só nós dois?
— Só nós dois…
Bom Natal!
Gabrielle Vincent
Ernest et Célestine – Le sapin de Noël
Paris, Casterman, 2003
Texto adaptado
O Clube de Contadores de Histórias
Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria – Baltar

O Homem Buzina

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Recital de Natal 2008

Feira do Livro 2008 na BECRE

Cá está! Mais uma edição desta nossa feira.
Este ano irá decorrer na última semana de aulas do 1º período, entre 15 e 18 de Dezembro.
Como sempre, haverá novidades, apreços simpáticos.
O Grupo de Educação Musical também participará neste evento com o seu Recital de Natal.
Não faltes!

Consulta os programas definitivos.
Recital de Natal 2008
Feira do Livro

A outra face do Natal

Ceia de Natal, Confraternização. Troca de presentes. Festa de Ano Novo. Brinde. Beijos e abraços. Repleto de ritos sociais, o encerramento do ano é uma época que reforça o sentimento de solidão em muitos de nós. Até mesmo quem gosta de viver só durante o ano inteiro está sujeito a ser invadido por um desconforto inesperado ao perceber que não sabe com quem partilhar o peru de dia 24 ou o champanhe de dia 31. O golpe de solidão que chega com a última página do calendário não é exclusivo de quem está, literalmente, sozinho durante as datas festivas. Há aqueles que, no meio de ruidosos encontros familiares ou empresariais, mal conseguem disfarçar o mal-estar e a sensação de inadequação.
O Natal é um período consensualmente considerado de alegria e esperanças optimistas. Por norma é assim mas, para muitas pessoas, pode ser uma época muito triste e fazer-se acompanhar por sentimentos de solidão, desamparo e desânimo. A alegria, imposta pela sociedade, torna-se desconfortável para quem não consegue pôr de lado a angústia. O desgaste provocado pelo esforço em contemplar tudo e agradar a todos faz disparar os níveis de ansiedade numa escalada ascendente assim que surgem as primeiras propagandas de Natal e Ano Novo.
A "tristeza do Natal" é comum durante o frenesim de Dezembro ao fazermos balanços e projectos. Aquela que para muitos de nós é a época mais feliz do ano, para outros é precisamente o contrário. O Natal e os encontros de família podem transformar--se em momentos tristes e difíceis de suportar, especialmente se a pessoa já está deprimida. Paralelamente, nos meios de comunicação social é vendida urna mensagem que difere da realidade que a maioria das pessoas vive e sente, sobretudo num período de crise económica, desemprego, violência e incertezas em relação ao futuro. Não é raro ouvirmos comentários negativos em relação aos preparativos do Natal, traduzidas pelas célebres frases "Detesto o Natal" ou "Odeio quadras festivas".
Muitas vezes, o sentimento de desamparo e desânimo é provocado por datas que nos trazem lembranças tristes, seja por perdas, como a de entes queridos, separações, desemprego ou doenças. Todos esses factos provocam o que podemos chamar de tristeza natural. Entristecer não é deprimir. É a consciencialização da situação ou condição que não aquela que gostaríamos que fosse, independentemente de ser ou não fantasiosa. Afinal, todo o ser humano tem momentos de tristeza, faz parte da vida.
Mas, na generalidade, a "tristeza do Natal" é sazonal, de duração breve, decorre durante alguns dias ou semanas e, em muitos casos, termina quando as férias acabam e quando se retorna à rotina quotidiana. O mais importante é permitir a si próprio estar triste ou saudoso. Esses são os sentimentos normais, particularmente na época do Natal.
Porém, mesmo para quem é difícil contornar esta quadra, é importante tomar consciência de que esse sentimento é mais comum do que se imagina e de que há formas de superar a tristeza e angústia, e readquirir, pelo menos em parte, o espírito natalício. Deixar de lado projectos "extraordinários", propor-se objectivos realísticos, organizar o próprio tempo, elaborar listas de prioridades, fazer um plano e segui-lo, exercitar o pensamento positivo, são truques ao alcance de qualquer um.
Enfim, o segredo reside na capacidade de sair da ritualidade muito "litúrgica" das festas e procurar inventar novas maneiras de celebrar o Natal e o Ano Novo.
E porque não?… Ser solidário e desejar a paz ao resto do mundo!
Cláudia Fernandes

O Clube de Contadores de Histórias
Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria – Baltar

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Livro do Mês (Dezembro) - O Rapaz do Pijama às Riscas, John Boyne


Ao regressar da escola um dia, Bruno constata que as suas coisas estão a ser empacotadas. O seu pai tinha sido promovido no trabalho e toda a família tem de deixar a luxuosa casa onde vivia e mudar-se para outra cidade, onde Bruno não encontra ninguém com quem brincar nem nada para fazer. Pior do que isso, a nova casa é delimitada por uma vedação de arame que se estende a perder de vista e que o isola das pessoas que ele consegue ver, através da janela, do outro lado da vedação, as quais, curiosamente, usam todas um pijama às riscas.Como Bruno adora fazer explorações, certo dia, desobedecendo às ordens expressas do pai, resolve investigar até onde vai a vedação. É então que encontra um rapazinho mais ou menos da sua idade, vestido com o pijama às riscas que ele já tinha observado, e que em breve se torna o seu melhor amigo…