segunda-feira, 20 de julho de 2009

Homem na Lua - 40 anos




Apollo 11 foi a quinta missão tripulada do Programa Apollo e primeira a pousar na Lua, em 20 de Julho de 1969. Tripulada pelos astronautas Neil Armstrong, Edwin 'Buzz' Aldrin e Michael Collins, a missão cumpriu o objectivo final do presidente John F. Kennedy, que, em discurso ao povo norte-americano em 1962, estabeleceu o prazo do fim da década para que o programa espacial dos Estados Unidos realizasse este feito. Neil Armstrong, comandante da missão, foi o primeiro ser humano a pisar na superfície lunar.
Composta pelo
módulo de comando Columbia, do módulo lunar Eagle e do módulo de serviço, a Apollo 11, com seus três tripulantes a bordo, foi lançada de Cabo Canaveral, na Flórida, às 13:32 UTC de 16 de Julho, na ponta de um foguete Saturno V, sob as vistas de centenas de milhares de espectadores que lotavam estradas, praias e campos ao redor do Centro Espacial Kennedy e de milhões de espectadores pela televisão em todo o mundo, para a histórica missão de oito dias de duração, que culminou com as duas horas de caminhada de Armstrong e Aldrin na Lua.

Fonte e mais informação
Wikipedia
AFP
CDCC – Universidade de São Paulo

Teorias sobre a não ida do Homem à Lua
A fraude do século

quarta-feira, 15 de julho de 2009

A lenda da rosa-de-cristo - 1ª parte



A lenda da rosa-de-cristo
Certo dia, a mulher do salteador de estradas, que vivia numa gruta no alto da montanha de Goinger, no meio de uma densa floresta, desceu às terras baixas, acompanhada dos cinco filhos, para pedir esmola pelas aldeias. Quando a mulher do salteador batia às portas das casas, ninguém ousava negar-lhe esmola, porque todos sabiam que, como vingança, o marido viria de noite pegar fogo aos campos e aos pomares.
E foi durante uma dessas visitas pelas aldeias que a mulher do salteador e os filhos chegaram ao convento de Ovede, habitado por uns santos frades. À volta do convento corria um alto muro, e a mulher viu uma porta meio-aberta. Dirigiu-se para lá, seguida dos filhos, e entrou sem pedir licença a ninguém. Era no Verão, e a mulher encontrou-se num lindo jardim, cheio de flores de toda a espécie. Ficou tão embevecida que começou a caminhar pelas alamedas para admirar mais de perto aquela maravilha.
Ao fundo do jardim estava um irmão leigo que trabalhava no convento como jardineiro, e quando viu a mulher do salteador e os cinco filhos avançou para correr com
eles.
— Toca-me, se te atreves! — gritou a mulher do salteador.
— Isto é um convento de frades — disse-lhe o irmão leigo — e deves saber que não é permitida a entrada a mulheres.
Mas a mulher do salteador não fez caso e continuou a passear por entre os canteiros de rosas, hissopos e madressilvas. Então o irmão leigo avançou para ela e quis expulsá-la à força. Mas a mulher do salteador começou aos gritos e arranhou-o e mordeu-o, ajudada pelos filhos. O pobre irmão leigo desatou a correr para o convento, em busca de reforços, mas no caminho esbarrou com o velho abade João, que acudira a ver o que se passava no seu jardim.
O irmão leigo contou-lhe o que se passava, mas o abade censurou-o por ter usado de violência e proibiu-o de ir buscar reforços. E, apesar de velho e fraco, avançou para a mulher do salteador, que continuava a admirar o jardim. O abade João amava mais o seu jardim do que todas as coisas terrenas, e pensou que ela queria admirar as flores por nunca ter visto outras tão bonitas. E perguntou-lhe, com suavidade:
— Gostas do meu jardim?
E a mulher respondeu-lhe com mau modo:
— A princípio pareceu-me um lindo jardim, mas agora vejo que não se compara
com outro que eu conheço. Se vocês o vissem, arrancavam todas estas flores e atiravam--nas fora, como se fossem ervas ruins.
— Deve ser bonito o teu jardim, lá no alto da floresta selvagem, onde nunca entra o Sol — disse o irmão jardineiro, a rir.
— Pois eu juro que estou a dizer a verdade, e vocês, que são homens santos, deviam saber que, na noite de Natal, a floresta de Goinger se transforma num jardim que parece o Paraíso, para festejar o nascimento do Salvador. E aparecem flores tão lindas que nem nos atrevemos a tocar-lhes.
O irmão leigo riu ainda com mais vontade:
— Não percebo por que razão Nosso Senhor Jesus Cristo havia de festejar o seu
nascimento num sítio onde vivem só ladrões, como tu e o teu marido!
— É pena — gritou a mulher — tu não teres coragem para subir lá acima à floresta, na noite de Natal, para saberes que eu falo verdade.
O irmão leigo ia responder, mas o abade fez-lhe sinal para que se calasse. Porque o abade João sempre ouvira contar desde pequeno que a floresta se cobria de maravilhas na noite de Natal. E sempre desejara ver esse prodígio. Então pediu à mulher para o deixar ir visitar a gruta dos salteadores na noite de Natal. E se ela lhe mandasse um dos filhos como guia, jurou que iria só, montado num cavalo, prometendo que nunca os denunciaria e que, pelo contrário, os recompensaria como pudesse.
A princípio a mulher recusou, pensando que se tratava de uma cilada, mas depois, na ânsia de provar que o seu jardim era muito mais bonito do que o do convento, disse:
— Mas só podes ir acompanhado por uma pessoa. Eu ficaria muito desiludida se nos armasses uma cilada, porque te considero um santo homem.
A mulher saiu, seguida pelos filhos, e o abade João ordenou ao irmão leigo que não contasse a ninguém aquela conversa. Mas aconteceu que daí a dias chegou o arcebispo Absalão de Lund, e passou uma noite no convento. E foi o próprio abade que lhe falou no salteador que vivia escondido no alto da floresta, e pediu-lhe uma carta de alforria, para que ele pudesse voltar a viver honradamente entre os homens.
O arcebispo Absalão respondeu que era perigoso deixar um ladrão viver entre pessoas honestas e que era melhor deixá-lo onde estava. Então o abade contou-lhe o que
sucedia todos os anos na floresta em noite de Natal. E terminou:
— Se a graça de Deus se manifesta assim a esses desgraçados, é porque não os acha assim tão maus, e não somos nós quem pode negar-lhes a clemência humana.
Mas o arcebispo encontrou uma boa resposta:
— Prometo-lhe que, no dia em que me trouxer uma flor desse tal jardim de Natal na floresta de Goinger, lhe dou uma carta de alforria para o salteador que vive afastado de Deus.

continua………
O Clube de Contadores de Histórias
Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria – Baltar

A lenda da rosa-de-cristo - 2ª parte

continuação…
O abade João prometeu que lhe traria a flor, e na véspera de Natal pôs-se a caminho da floresta de Goinger, levando como única companhia o irmão leigo que tratava do jardim. Um dos filhos do salteador corria à sua frente para lhes indicar o caminho. E, conforme subiam, iam vendo as aldeias muito atarefadas nos preparativos para a festa do Natal. O abade picava esporas ao cavalo, porque estava certo de que lá em cima, na montanha, ia assistir a uma festa mais bonita do que todas as outras.
O irmão leigo suspirava e pedia ao abade que voltasse para trás, porque estava convencido de que tudo aquilo não passava de uma cilada, mas o abade não lhe dava ouvidos e continuava a cavalgar. Começavam agora a escalar a encosta e entravam na floresta selvagem e solitária. O caminho era cada vez mais difícil, coberto de pedras e de agulhas de pinheiro. Quanto mais subiam, mais o frio apertava, porque o chão da floresta
aparecia coberto por uma espessa camada de neve.
Atravessaram estreitas gargantas e bosques de vegetação espessa. E quando chegou o pôr do sol, o garoto parou numa clareira rodeada de árvores frondosas. Ao fundo da clareira erguia-se uma rocha escarpada, com uma pequena porta feita de tábuas toscas. O rapazinho correu a abrir a porta e viu-se uma profunda gruta desconfortável. A mulher do salteador estava acocorada junto de uma fogueira mesmo no centro da gruta, e junto às paredes nuas viam-se catres feitos de ramos de pinheiro e musgo. E num desses catres estava o salteador a dormir.
— Entrem — disse a mulher do salteador, sem se levantar. O abade João entrou na caverna, e o irmão leigo seguiu-o, preocupado. Os filhos do salteador estavam sentados em volta de um grande caldeirão onde se via uma sopa aguada.
— Chega-te para o pé do lume, abade João — disse a mulher — e se trouxeram farnel é melhor comerem-no, porque a nossa comida não deve agradar-vos. E se estiverem cansados, estendam-se ali sobre aqueles ramos de pinheiro.
Deitaram-se o abade João e o irmão leigo e, cansados como estavam, depressa adormeceram profundamente. Quando o irmão leigo acordou, viu o abade sentado junto do lume, a comer o seu farnel e a conversar com a mulher do salteador, que tinha acordado também. O abade João falava dos preparativos de Natal que vira durante a viagem.
— É uma pena os teus filhos não poderem andar também a brincar nas ruas da aldeia como as outras crianças e não receberem as prendas do Natal — disse o abade. E, de repente, o salteador ergueu o punho e gritou:
— Maldito frade! Vieste cá para me roubares os filhos com essas falinhas mansas?
Não sabes que sou um condenado e não posso sair da floresta?
Mas o abade fitou-o calmamente e disse:
— Já pedi ao arcebispo Absalão uma carta de alforria com o teu perdão.
— Nunca ninguém perdoará a um salteador de estradas! — gritou o bandido.
— Mas, se o arcebispo me conceder uma carta de alforria, prometo nunca mais roubar nem sequer uma galinha!
Nisto, a mulher do salteador pôs-se de pé e disse:
— Estamos para aqui a conversar e esquecemo-nos de ir à floresta ver o que lá se passa. Já ouço os sinos do Natal a tocarem ao longe.
Todos se puseram de pé e saíram da gruta a correr. Mas a floresta continuava mergulhada na escuridão e no silêncio, e o frio era muito intenso. Depois de os sinos terem tocado durante algum tempo, desceu inesperadamente do céu um raio de luar por entre os ramos das altas árvores. E tudo ficou outra vez no escuro. Daí a pouco a luz voltou de novo, como se tentasse romper as trevas. Avançava como uma espécie de nevoeiro luminoso e a pouco e pouco a noite deu lugar a um pálido amanhecer.
Então o abade viu a neve retirar-se de repente, como se fosse um tapete puxado por alguém, e começaram a surgir plantas da terra. Os fetos ergueram os seus ramos encaracolados como báculos; a urze apareceu por entre as rochas, e a giesta surgiu pavoneando as flores amarelas. Por toda a parte surgiam plantas, lucilando ao luar, como que feitas de cobre e prata.
O abade João sentiu o coração bater com mais força ao assistir ao despertar da floresta. De repente, a luz começou a diminuir e o abade receou que tudo voltasse às trevas.
Mas surgiu uma nova onda de luz que se derramava sobre a floresta. E, agora, ouvia-se o murmurar dos riachos e o chalrar das cascatas. E as árvores ficavam revestidas de folhas, como se um bando de borboletas tivesse vindo pousar sobre os ramos nus. Não eram só as flores e as árvores que tinham acordado. Os cruza-bicos começaram a saltitar de ramo em ramo, e os pica-paus martelavam nos troncos duros. Um bando de estorninhos descansou no alto de um abeto e seguiu viagem. Quando outra vaga de luz inundou novamente a floresta, começaram a florir as groselhas e os murtinhos.
Bandos de gansos bravos e de grous atravessaram o céu, os tentilhões construíam os ninhos e os esquilos jogavam às escondidas por entre as ramagens.
Tudo aconteceu tão de repente que o abade João não teve tempo de reflectir acerca do milagre que presenciava. Outra vaga de luz trouxe o cheiro de campos lavrados de fresco. Ouvia-se ao longe o tilintar dos chocalhos das vacas e dos carneiros. Os pinheiros e os abetos cobriram-se de pinhas vermelhas que pareciam forradas de seda. O zimbro encheu-se de bagas que mudavam de cor a cada instante. E flores silvestres atapetavam o chão como uma alcatifa de mil cores. O abade João curvou-se para colher uma flor de morangueiro e, enquanto se endireitou, a flor transformou-se em fruto na sua mão.
A raposa saiu da toca seguida da sua ninhada de raposinhos. O mocho, que havia pouco tinha começado a sua caçada nocturna, surpreendido por tanta luz, regressou ao seu esconderijo no escuro. E foram surgindo novas marés de luz e de ar quente, e agora ouviam-se os patos grasnar para os lados dos pântanos. O pólen das flores pairava no ar como uma poalha dourada e surgiam de toda a parte borboletas, que pareciam lírios a voar. Uma colmeia de abelhas, no buraco de um velho carvalho, estava tão cheia que o mel escorria pelo tronco abaixo. Pelas escarpas, as roseiras trepavam ao desafio com as amoras silvestres e, lá no alto, apareciam flores enormes, como caras a espreitar.
Foi então que o abade João se lembrou da flor que prometera ao arcebispo. Mas cada flor que surgia era mais bela do que a anterior, e ele queria colher a mais bela de todas.
As vagas de luz e de calor seguiam-se umas às outras e a atmosfera estava tão densa que parecia feita de ouro coalhado. «Não sei o que a próxima onda de luz possa trazer de mais belo e deslumbrante», pensou o abade João. Mas a luz continuava a aumentar, e ele apercebeu-se de que qualquer coisa ainda distante se ia aproximando. Sentiu-se rodeado por uma atmosfera sobrenatural e, a tremer, esperou. Desceu sobre a terra um profundo silêncio, os pássaros emudeceram, os raposinhos e os esquilos pararam de brincar e até as flores deixaram de crescer nos cálices. Era tal a sensação de bem-aventurança que o abade João julgou que o coração lhe parava. A sua alma sentia ânsias de entrar na eternidade.
Ouviram-se então, ao longe, uns sons de harpa, acompanhados de coros celestiais. O abade juntou as mãos e ajoelhou com a face banhada por um resplendor de glória. Nunca esperara sentir neste mundo a bem-aventurança do além.
Outro tanto não sentia o irmão leigo, que ficou furioso, porque no seu jardim do convento, por mais cuidados que tivesse, não conseguira nunca ter flores tão lindas. E não percebia como é que Deus desperdiçava tantas maravilhas para as oferecer àquela família de ladrões que nem sequer respeitavam os seus mandamentos. «Isto não pode ser obra de Deus — pensou — pois que se apresenta a pessoas tão ruins. Isto é obra do diabo, que nos faz ver o que não existe. Não sairemos salvos deste bruxedo e cairemos no abismo!»
Agora as hostes dos anjos tinham-se aproximado tanto que o abade sentia o esvoaçar das suas asas e via-lhes as sombras luminosas. O irmão leigo também os via, mas continuava convencido de que tudo aquilo era obra do demónio, para o perder, mais ao abade, em plena noite de Natal. E então gritou tão alto que a voz ecoou no fundo da floresta:
— Arreda, demónio! Volta para o inferno que te enviou!
continua…
O Clube de Contadores de Histórias
Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria – Baltar

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Gripe A

gripe A

Rede de Bibliotecas Escolares - Newsletter n.º 5


Rede de Bibiotecas Escolares
Portal da Educação


Newsletter 05

Ab Initio

É preciso ter a consciência dos desafios que a sociedade da informação coloca às bibliotecas, destacadamente o ambiente digital que hoje avança inexoravelmente como uma onda que vai progredindo a uma velocidade cada vez maior e que é preciso acompanhar para não soçobrarmos nela.

Editorial

Maria Teresa Calçada - Coordenadora do Programa da Rede de Bibliotecas Escolares

Candidaturas RBE: 13 anos a construir bibliotecas

Apesar das correntes pedagógicas, que desde meados do século XX, propunham novos modelos de aprendizagem, é sobretudo a partir dos anos 80 que, em Portugal, estratégias de ensino assentes na ideia de construção do conhecimento e de promoção de autonomia dos aprendentes ganham nova expressão.

A auto-avaliação da biblioteca escolar

A escola da Sociedade do Conhecimento tem que lidar com os desafios que as tecnologias da informação colocam às atitudes, hábitos e comportamentos informacionais dos jovens. Estes desafios decorrem de renovadas formas de acesso, uso, produção e comunicação do conhecimento, que permeiam diferentes niveis de acção: da aprendizagem formal à informal, ao lazer e à intervenção social.

Documentaliste dans l'Education nationale en France : un statut d'enseignant, des fonctions hybrides et une identité incertaine

Les CDI sont largement intégrés dans le paysage éducatif des établissements du 2° degré en France (collège et lycée), car depuis 1989, il est acquis que chaque établissement scolaire en est doté. Créée en 1974, la structure CDI coïncide avec l'émergence de nouvelles démarches pédagogiques, favorisant le travail autonome sur documents, et avec l'instauration du collège unique et donc l'arrivée d'un public scolaire plus diversifié.

Bibliotecas Escolares numa Plataforma Moodle? Porquê e para quê?

Será que as Bibliotecas escolares podem ser, na escola, algo próximo das "novas praças públicas" de que fala Talscott (2008) - "locais de encontro movimentados onde os consumidores regressam para usufruir de experiências enriquecedoras e envolventes. Afinal as relações são a única coisa que não se pode transformar num produto"

Onde a leitura também se enreda

Temos por vezes a impressão que nos confrontamos com o fim de uma ilusão. Acreditámos que para pôr toda a gente a ler, para resolver os problemas da leitura e da literacia, seria suficiente a alfabetização e a melhoria da oferta de recursos de leitura.

Biblioteca 2.0

O contributo da biblioteca escolar (BE) pode ser estruturado em dois grandes eixos. O primeiro será o ensino da literacia da informação, isto é, o desenvolvimento da capacidade de transformar a informação em conhecimento, pois é reconhecido por todos que a abundância de informação e a facilidade de acesso à mesma não garante indivíduos mais bem informados; o segundo eixo de acção da BE será a promoção da transversalidade dos saberes, gerindo a inovação e a mudança, e contrariando a progressiva segmentação, simplificação e descontextualização dos recursos de informação disponíveis on-line.

Redes locais de bibliotecas: construção de parcerias

No actual contexto de uma sociedade da informação, onde emergem novos paradigmas educacionais, e onde a amplitude das mudanças tecnológicas, a disseminação da informação, o desenvolvimento do digital, das redes físicas e virtuais favorecem a expansão das sociedades em rede, a consolidação de redes locais de bibliotecas afigura-se como imprescindível. Neste sentido, e no âmbito dos pressupostos do programa Rede de bibliotecas Escolares, apresentamos uma reflexão sobre dinâmicas colaborativas subjacentes à criação de Redes Locais de Bibliotecas, fazendo sobressair a importância do envolvimento das entidades locais em benefício de uma efectiva parceria. Motivo pelo qual, o texto que se apresenta, é também o resultado de opiniões escritas de alguns intervenientes nesses processos.

Fórum RBE

Reportagem fotográfica do Fórum RBE - 26 de Junho de 2009

A nossa biblioteca

Os alunos da Escola EB 2,3 de São Pedro do Sul apresentam a sua visão da biblioteca da escola.




domingo, 5 de julho de 2009

O homem que tinha uma árvore na cabeça - 3ª parte

O homem que tinha uma árvore na cabeça
… continuação
Arbóreo viu que se chamava «Somnium», que significa «sonho» em latim, e, passando rapidamente os olhos pelas páginas carregadas de caracteres e de desenhos, percebeu que falava de uma viagem imaginária à Lua, a qual, segundo Kepler já lhe dissera, devia ser habitada por seres capazes de cavar as grandes crateras que se viam na sua superfície rugosa e iluminada.
– Deve ser um livro muito belo – comentou Arbóreo.
– E também perigoso – acrescentou Kepler – porque defende ideias raras que não agradam àqueles que mandam nos reinos desta Terra.
Dizendo isto partiu, misturando-se com as sombras esguias do crepúsculo. De Praga foi para a cidade de Vurtemberga, onde, disfarçando as lágrimas, encontrou a mãe acorrentada numa masmorra, acusada de vender ervas misteriosas que alucinavam e faziam enlouquecer. Ele sabia-a inocente, mas não tinha meios para o provar. Aquele era um tempo de crueldade e de intolerância. Ninguém ouvia ninguém, ninguém lutava para demonstrar a inocência de ninguém.
Quando regressou a Praga, viajando por campos e aldeias saqueados e destruídos pelo fogo, já não encontrou a mulher e o filho vivos. Correu para o parque e, porque esta é uma história triste e desolada, deparou com uma clareira no sítio onde costumava conversar com Arbóreo. Tinham-no levado.
Um velho carvalho, ali mesmo ao lado, segredou-lhe com grossas lágrimas de seiva a escorrerem-lhe pelo tronco:
– Levaram-no a ele e a muitas outras árvores, porque dizem que precisam de lenha para alimentarem as caldeiras e de madeira para construírem torres de assalto e aríetes para arrombarem portas de castelos. Vou sentir a sua falta. Embora fosse mais árvore que homem, gostava muito dele. Entendíamo-nos muito bem. Levou consigo pássaros e borboletas, os seus companheiros de sempre. E também muitas ideias dentro da cabeça.
Kepler não soube o que havia de responder. Era um daqueles momentos em que as palavras não têm qualquer valor, sobretudo se forem trocadas entre um astrónomo e uma árvore.
Cobriu o rosto com a capa negra, para ninguém o ver chorar, e partiu sem bagagem para outra cidade.
Voltou a ter-se notícias dele em Sagan, uma cidade da Silésia, onde fazia horóscopos para o duque Wallenstein. Ele que era astrónomo e não astrólogo, ou seja, cientista e não adivinho, não deve ter passado com alegria os últimos anos da sua vida, pois ninguém fica feliz por ter de fazer, só para comer, aquilo de que não gosta, aquilo que vai contra os seus princípios e desejos.
Todos os dias o duque, sentado no seu trono de veludo e ouro, lhe dizia:
– Que posso esperar hoje dos astros, mestre Kepler? Se não estiverem de feição, nem me arrisco a deixar o castelo.
E o pobre Kepler fazia das tripas coração e lia nos astros coisas que a ciência desmentia.
Quando morreu, triste e solitário, ordenou que escrevessem na pedra da sua sepultura: «Medi os astros, agora meço as sombras. O Espírito volta-se para o céu, o corpo repousa na Terra».
Há quem garanta que, depois de ser sepultado, apareceu junto da campa uma árvore que nunca ninguém ali vira antes. Era uma árvore de fruto, com o tronco largo e ramos que pareciam braços estendidos em direcção ao céu, como se quisessem abraçar as estrelas.
As crianças que faziam rodas à volta da árvore começaram a espalhar a notícia de que ela falava e de que parecia ter, no meio do tronco, dois olhos de onde escorriam abundantes lágrimas. Mas ninguém se atreveu a acreditar nelas. Uma das crianças chegou mesmo a ver, desenhada na casca grossa, a palavra «Arbóreo», mas não sabia o que significava. Ninguém sabia.
Mais de trinta anos passaram sobre o desaparecimento de Kepler e de Arbóreo até que nasceu em Inglaterra um menino muito pequeno e doente, tão pequeno que a mãe dizia que cabia dentro de uma caneca de cerveja. Tinha no rosto tamanhos sinais de doença que parecia nunca ter visto a luz do sol. Chamava-se Isaac Newton, e deve ter lido no grande livro do céu as conversas fantásticas de Kepler com Arbóreo. Da sua cabeça não nasceu nenhuma árvore, mas ideias de luz que transformaram a compreensão do Universo e a vida dos homens.
Diz-se até que foi a uma árvore rara que Newton foi buscar a maçã que usou para demonstrar a Lei de Gravidade. Explicava ele que a mesma força que atrai a maçã para a Terra mantém a Lua na sua órbita. Essa maçã tinha um sabor igual ao dos frutos que cresciam na cabeça de Arbóreo.
* * *
Nota do Autor
«O Homem que Tinha uma Árvore na Cabeça» não é um livro sobre ciência, embora nele se fale de três cientistas: João Kepler, Tycho Brahe e Isaac Newton. Os dois primeiros são contemporâneos, ou seja, viveram na mesma época. O terceiro, dos três o mais célebre, nasceu doze anos depois da morte de Kepler. Que cientistas foram estes? Tycho Brahe nasceu em Knudstrup, na Dinamarca, em 1546, e morreu em Praga em 1601. Rico e dedicado ao estudo da astronomia, ajudou Kepler nos momentos difíceis da sua vida e apontou-lhe o caminho para o que viria a ser a Lei sobre o Movimento dos Planetas.
Johannes (João) Kepler nasceu perto de Weil, Wurttemberg, na Alemanha, em 1571, e morreu em Regenburg, também na Alemanha, em 1630. Teve uma vida que a doença, a pobreza e a guerra tornaram muito dura, mas nunca deixou de estudar e de trabalhar. Sem as conclusões científicas a que chegou, nunca Isaac Newton teria enunciado o Princípio da Atracção Universal, que provocou uma verdadeira revolução na Física e na relação do Homem com a Natureza e com o Universo.
Isaac Newton nasceu em Woolsthorpe, Inglaterra, em 1642, e morreu em Kensington, Inglaterra, em 1727. Alcançou, com o seu trabalho como matemático, físico e astrónomo, popularidade e fortuna, sendo considerado um dos génios do pensamento científico. Formulou a teoria da composição da luz branca, descobriu as Leis da Atracção Universal e, ao mesmo tempo que Leibniz, achou as bases do Cálculo Diferencial.
Quando se fala do episódio da «maçã de Newton», referido também no fim desta história, dá-se como verdadeiro o seguinte: um dia o cientista terá visto cair uma maçã, concluindo que o movimento da Lua se podia explicar por uma força da mesma natureza. Estendeu essa teoria aos planetas do sistema solar e os cálculos que fez permitiram-lhe confirmar as leis anteriormente enunciadas por Kepler.
A pequena história que vos quis contar, se alguma coisa tenta dar a ver, é que os grandes avanços na história da ciência e na vida da humanidade resultaram sempre da soma de esforços, trabalhos, sonhos e lutas de homens e mulheres que, em muitos casos, nem sabiam da existência uns dos outros. Havia somente um fio a uni-los: o da inteligência e o da capacidade de sonhar.
Ao falar de Kepler, Brahe e Newton nada quis ensinar ou explicar. Tentei apenas contar uma história inventada (Arbóreo nunca existiu) em que também há lugar para figuras reais, por sinal três cientistas. O resto é poesia, imaginação, gosto de inventar. Inventem, vocês também, outras histórias a partir desta. As histórias melhores são sempre as que abrem portas para outras histórias. E já agora, espero que a leitura de «O Homem que Tinha uma Árvore na Cabeça» crie em vós o interesse pelas coisas da ciência. E também pelas da literatura.
FIM
José Jorge Letria
O homem que tinha uma árvore na cabeça
Porto, Porto Editora, 1991
Adaptação
O Clube de Contadores de Histórias
Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria – Baltar

segunda-feira, 29 de junho de 2009

São Pedro (século I a.C., Betsaida, Galileia - cerca de 67 d.C., Roma)



Pedro (século I a.C.,
Betsaida, Galileia — cerca de 67 d.C., Roma) foi um dos doze apóstolos de Jesus Cristo, como está escrito no Novo Testamento e, mais especificamente, nos quatro Evangelhos. São Pedro foi o primeiro Bispo de Roma, sendo por isso, considerado o primeiro Papa pela Igreja Católica.

Nome e importância
Segundo a
Bíblia, seu nome original não era Pedro, mas Simão. Nos livros dos Actos dos Apóstolos e na Segunda Epístola de Pedro, aparece ainda uma variante do seu nome original, Simeão. Cristo mudou seu nome para כיפא, Kepha, que em aramaico significa "pedra", "rocha", nome este que foi traduzido para o grego como Πέτρος, Petros, através da palavra πέτρα, petra, que também significa "pedra" ou "rocha", e posteriormente passou para o latim como Petrus, também através da palavra petra, de mesmo significado.
A mudança de seu nome por Jesus Cristo, bem como seu significado, ganham importância de acordo com Igreja Católica em Mt 16, 18, quando Jesus diz: "E eu te declaro: tu és Kepha e sobre esta kepha edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão nunca contra ela." Jesus comparava Simão à rocha. Pedro foi o fundador, junto com
São Paulo, da Igreja de Roma (a Santa Sé), sendo-lhe concedido o título de Príncipe dos Apóstolos e primeiro Papa (um tanto anacronicamente, visto que tal designação só começaria a ser usada cerca de dois séculos mais tarde – Pedro foi o primeiro Bispo de Roma); essa circunstância é importante, pois daí provém a primazia do Papa sobre toda a Igreja Católica.

Dados biográficos
Antes de se tornar um dos doze discípulos de Cristo, Simão era pescador. Teria nascido em Betsaida e morava em
Cafarnaum. Era filho de um homem chamado João.
Segundo o relato no
Evangelho de São Lucas, Pedro teria conhecido Jesus quando este lhe pediu que utilizasse uma das suas barcas, de forma a poder pregar a uma multidão de gente que o queria ouvir. Pedro, que estava a lavar redes com São Tiago e João, seus sócios, concedeu-lhe o lugar na barca que foi afastada um pouco da margem.
No final da pregação, Jesus disse a Simão que fosse pescar de novo com as redes em águas mais profundas. Pedro disse-lhe que tentara em vão pescar durante toda a noite e nada conseguira mas, em atenção ao seu pedido, fá-lo-ia. O resultado foi uma pescaria de tal monta que as redes iam rebentando, sendo necessária a ajuda da barca dos seus dois sócios, que também quase se afundava puxando os peixes. Numa atitude de humildade e espanto Pedro prostrou-se perante Jesus e disse para que se afastasse dele, já que é um pecador. Jesus encorajou-o, então, a segui-lo, dizendo que o tornará "pescador de homens".
Nos Evangelhos Sinóticos o nome de Pedro sempre encabeça a lista dos discípulos de Jesus, o que na interpretação da Igreja Católica Romana deixa transparecer um lugar de primazia sobre o Colégio Apostólico. Não se descarta que
Pedro, assim como seu irmão André, antes de seguir Jesus, tenha sido discípulo de João Batista.
Outro dado interessante era a estreita amizade entre
Pedro e João Evangelista, fato atestado em todos os evangelhos, como por exemplo, na Última Ceia, quando pergunta ao Mestre, através do Discípulo Amado, quem o haveria de trair ou quando ambos encontram o sepulcro de Cristo vazio no Domingo de Páscoa. Fato é que tal amizade perdurou até mesmo após a Ascensão de Jesus, como podemos constatar na cena da cura de um paralítico posto nas portas do Templo de Jerusalém.
Segundo a tradição defendida pela Igreja Católica Romana, o apóstolo Pedro, depois de ter exercido o episcopado em Antioquia, teria se tornado o primeiro Bispo de Roma. Segundo esta tradição, depois de solto da prisão em Jerusalém, o apóstolo teria viajado até
Roma e aí permanecido até ser expulso com os judeus e cristãos pelo imperador Cláudio, época em que haveria voltado a Jerusalém para participar da reunião de apóstolos sobre os rituais judeus no chamado Concílio de Jerusalém. A Bíblia atesta que após esta reunião, Pedro ficou em Antioquia (como o seu companheiro de ministério, Paulo, afirma em sua carta aos gálatas. A tradição da Igreja Católica Romana afirma que depois de passar por várias cidades, Pedro haveria sido martirizado em Roma entre 64 e 67 d.C. Desde a Reforma, teólogos e historiadores protestantes afirmaram que Pedro não teria ido a Roma, esta tese foi defendida mais proeminentemente por Ferdinand Christian Baur da Escola Tübingen. Outros, como Heinrich Dressel, em 1872, declararam que Pedro teria sido enterrado em Alexandria, no Egipto ou em Antioquia. Hoje, porém os historiadores concordam que Pedro realmente viveu e morreu em Roma. O historiador luterano Adolf Harnack afirmou, que as teses anteriores foram tendenciosas e prejudicaram o estudo sobre a vida de São Pedro em Roma. Sua vida continua sendo objecto de investigação, mas o seu túmulo está localizado na Basílica de São Pedro no Vaticano, o qual foi descoberto em 1950 após anos de meticulosa investigação.


O primado de Pedro segundo a Igreja Católica
Toda a primeira parte do Evangelho gira em torno da pergunta: quem é Jesus? Simão foi o primeiro dos discípulos a responder essa pergunta: Jesus é o filho de Deus. É esse acontecimento que leva Jesus a chamá-lo de Pedro.
Encontramos o relato do evento no
Evangelho de São Mateus, 16:13-19: Jesus pergunta aos seus discípulos (depois de se informar do que sobre ele corria entre o povo): "E vós, quem pensais que sou eu?".
Simão Pedro, respondendo, disse: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. Jesus respondeu-lhe: “Bem-aventurado és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi carne ou sangue que te revelaram isso, e sim Meu Pai que está nos céus. Também Eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei Minha Igreja, e as portas de Hades nunca prevalecerão contra ela. Eu te darei as
chaves do Reino dos Céus e o que ligares na terra será ligado nos céus. E o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16, 16:19).
O
Evangelho de João, bem como o de Lucas, também falam a respeito do primado de Pedro dever ser exercido particularmente na ordem da Fé, e que Cristo o torna chefe: Jesus disse a Simão (Pedro): "Simão, filho de João, tu Me amas mais do que estes? "Ele lhe respondeu: "Sim, Senhor, tu sabes que te amo". Jesus lhe disse: "Apascenta Meus cordeiros". Segunda vez disse-lhe: "Simão filho de João, tu Me amas? - "Sim, Senhor”, disse ele, “tu sabes que te amo". Disse-lhe Jesus: "Apascenta Minhas ovelhas". Pela terceira vez lhe disse: "Simão filho de João, tu Me amas? Entristeceu-se Pedro porque pela terceira vez lhe perguntara “Tu Me amas?” e lhe disse: "Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo". Jesus lhe disse: "Apascenta Minhas ovelhas.
Simão, Simão, eis que Satanás pediu insistentemente para vos peneirar como trigo; Eu, porém, orei por ti, a fim de que tua fé não desfaleça. Quando, porém, te converteres, confirma teus irmãos.
Mais do que em Mt 16, 17:19 esse texto é mais claro no que se refere ao primado que Cristo confere a Pedro no próprio seio dos apóstolos; um papel de direcção na Fé.

O apóstolo Pedro, o primeiro Bispo de Roma
A comunidade de Roma foi fundada e evangelizada pelos apóstolos Pedro e Paulo e é considerada a única comunidade cristã do mundo fundada por mais de um apóstolo e a única do Ocidente instituída por um deles. Por esta razão desde a antiguidade a comunidade de Roma (chamada actualmente de
Santa Sé pelos católicos) teve o primado sobre todas as outras comunidades locais (dioceses); nessa visão o ministério de Pedro continua sendo exercido até hoje pelo Bispo de Roma, assim como o ministério dos outros apóstolos é cumprido pelos outros Bispos unidos a ele, que é a cabeça do colégio apostólico, do colégio episcopal. A sucessão de Pedro começou com São Lino (67) e, actualmente é exercida pelo papa Bento XVI.
Segundo essa visão, o próprio apóstolo Pedro atestou que exerceu o seu ministério em Roma ao concluir a sua primeira epístola: "A [Igreja] que está em Babilónia, eleita como vós, vos saúda, como também Marcos, meu filho.” Trata-se da
Igreja de Roma. Assim também o interpretaram todos os autores desde a Antiguidade, como abaixo, como sendo a Roma Imperial (decadente). O termo não pode referir-se à Babilónia sobre o Eufrates, que jazia em ruínas ou à Nova Babilónia (Selêucia) sobre o rio Tigre, ou à Babilónia Egípcia cerca de Mênfis, tampouco a Jerusalém; deve, portanto referir-se a Roma, a única cidade que é chamada Babilónia pela antiga literatura Cristã.
Os historiadores actualmente acreditam que a tradição católica está correcta, igualmente muitas tradições antigas corroboram com a versão de que Pedro esteve em Roma e que ali teria sido martirizado:
· Assim nos refere o bispo Dionísio de Corinto, em extracto de uma de suas cartas aos romanos (
170):
"Tendo vindo ambos a
Corinto, os dois apóstolos Pedro e Paulo nos formaram na doutrina evangélica. A seguir, indo para a Itália, eles vos transmitiram os mesmos ensinamentos e, por fim, sofreram o martírio simultaneamente."
· Gaio, presbítero romano, em 199:
"Nós aqui em Roma temos algo melhor do que o túmulo de Filipe. Possuímos os troféus dos apóstolos fundadores desta Igreja local. Vai à Via Óstia e lá encontrareis o troféu de Paulo; vai ao
Vaticano e lá vereis o troféu de Pedro."
Gaio dirigiu-se nos seguintes termos a um grupo de hereges: "Posso mostrar-vos os troféus (túmulos) dos Apóstolos. Caso queirais ir ao Vaticano ou à Via Ostiense, lá encontrareis os troféus daqueles que fundaram esta Igreja."
·
Orígenes (185-253) responsável pela Escola catequética em Alexandria afirmou:
"Pedro, ao ser martirizado em Roma, pediu e obteve fosse crucificado de cabeça para baixo"
"Pedro, finalmente tendo ido para Roma, lá foi crucificado de cabeça para baixo."
·
Ireneu (130 - 202), Bispo de Lião (actual Turquia) referiu:
"Para a maior e mais antiga a mais famosa Igreja, fundada pelos dois mais gloriosos Apóstolos, Pedro e Paulo." e ainda "Os bem-aventurados Apóstolos portanto, fundando e instituindo a Igreja, entregaram a
Lino o cargo de administrá-la como bispo; a este sucedeu Anacleto; depois dele, em terceiro lugar a partir dos Apóstolos, Clemente recebeu o episcopado."
"
Mateus, achando-se entre os hebreus, escreveu o Evangelho na língua deles, enquanto Pedro e Paulo evangelizavam em Roma e aí fundavam a Igreja."
· Formado como jurista
Tertuliano (155-222 d.C.) falou da morte de Pedro em Roma:
"A Igreja também dos romanos publica - isto é, demonstra por instrumentos públicos e provas - que Clemente foi ordenado por Pedro."
"Feliz Igreja, na qual os Apóstolos verteram seu sangue por sua doutrina integral!" - e falando da Igreja Romana, "onde a paixão de Pedro se fez como a paixão do Senhor."
"Nero foi o primeiro a banhar no sangue o berço da fé. Pedro então, segundo a promessa de Cristo, foi por outrem cingido quando o suspenderam na Cruz."
·
Eusébio (263-340 d.C.) Bispo de Cesáreia, escreveu muitas obras de teologia, exegese, apologética, mas a sua obra mais importante foi a História Eclesiástica, onde ele narra a história da Igreja das origens até 303. Refere-se ao ministério exercido por Pedro:
"Pedro, de nacionalidade
galileia, o primeiro pontífice dos cristãos, tendo inicialmente fundado a Igreja de Antioquia, se dirige a Roma, onde, pregando o Evangelho, continua vinte e cinco anos Bispo da mesma cidade."
·
Epifânio (315-403 d.C.), Bispo de Constância (também foi Bispo de Salamina e Metropolita do Chipre) fala da sucessão dos Bispos de Roma:
"A sucessão de Bispos em Roma é nesta ordem: Pedro e Paulo, Lino,
Cleto, Clemente etc..."
· Doroteu:
"Lino foi Bispo de Roma após o seu primeiro guia, Pedro."
·
Optato de Milevo:
"Você não pode negar que sabe que na cidade de Roma a cadeira episcopal foi primeiro investida por Pedro, na qual Pedro, cabeça dos Apóstolos, a ocupou."
·
Cipriano (martirizado em 258), Bispo de Cartago (norte da África), escreveu a obra "A Unidade da Igreja" (De Ecclesiae Unitate), onde diz:
"A cátedra de Roma é a cátedra de Pedro, a Igreja principal, de onde se origina a unidade sacerdotal."
·
Santo Agostinho (354-430):
"A Pedro sucedeu Lino."


Os textos escritos pelo apóstolo
O
Novo Testamento inclui duas epístolas cuja autoria é atribuída a Pedro: A "Primeira epístola de São Pedro e a Segunda epístola de São Pedro.

Indícios arqueológicos
A partir da década de 1950 intensificaram-se as escavações no subsolo da
Basílica de São Pedro, lugar tradicionalmente reconhecido como provável túmulo do apóstolo e próximo de seu martírio no muro central do Circo de Nero. Após extenuantes e cuidadosos trabalhos, inclusive com remoção de toneladas de terra que datava do corte da Colina Vaticana para a terraplanagem da construção da primeira basílica na época de Constantino, a equipe chefiada pela arqueóloga italiana Margherita Guarducci encontrou o que seria uma necrópole atribuída a São Pedro, inclusive uma parede repleta de grafitos com a expressão Petrós Ení, que, em grego, significa "Pedro está aqui".
Também foram encontrados, em um nicho, fragmentos de ossos de um homem robusto e idoso, entre 60-70 anos, envoltos em restos de tecido púrpura com fios de ouro que se acredita, com muita probabilidade, serem de São Pedro. A data real do martírio, de acordo com um cruzamento de datas feito pela arqueóloga, seria 13 de Outubro de 64 d.C. e não 29 de Junho, data em que se comemorava o traslado dos restos mortais de São Pedro e
São Paulo para a estada dos mesmos nas Catacumbas de São Sebastião durante a perseguição do imperador romano Valeriano em 257.


Fonte e mais informação
Wikipedia
Centro Virtual Camões
Portal de Turismo do Algarve
Júnior.TE

sábado, 27 de junho de 2009

O homem que tinha uma árvore na cabeça - 2ª parte

O homem que tinha uma árvore na cabeça
… continuação
Distraído como era, não reparou certa vez que o tronco da árvore que tinha escolhido era um corpo de homem e que esse homem era Arbóreo. Por isso, foi com enorme surpresa que ouviu sair do meio dos ramos e das folhas largas uma voz que dizia:
– Não se assuste que eu não sou uma árvore igual às outras. Sou um homem-árvore.
Kepler imaginou que alguém lhe estava a pregar uma partida. Mas quem seria, se em Praga praticamente não conhecia ninguém?
– Vamos deixar-nos de brincadeiras – sugeriu ele – que eu estou com pouca disposição para entrar nelas.
– Não se trata de uma brincadeira – esclareceu Arbóreo. – Eu tenho uma árvore na cabeça e talvez o senhor, que tem ar de ser pessoa de ciência, me possa ajudar a decifrar este mistério.
Kepler olhou com atenção e verificou que não se tratava, na realidade, de uma partida. Era mesmo um homem com uma árvore na cabeça. E era uma árvore de ramos grossos e compridos, com bonitas folhas de um verde acastanhado. Como se poderia explicar um fenómeno tão estranho?
– Gostava de o ajudar – respondeu Kepler – mas confesso que nunca os meus olhos observaram um caso assim. Nem disponho de meios nem de conhecimentos para encontrar uma resposta que o satisfaça, até porque sou um homem de ciência e aos homens de ciência só as respostas bem fundamentadas podem servir.
– Mas eu – lamentou-se Arbóreo – vivo numa grande infelicidade. Quando a árvore começou a crescer não dei grande importância ao caso. Pensei até que ser diferente, numa cidade como esta, me podia trazer vantagens de vária ordem. Mas depois vi que me tinha enganado. Comecei a dar nas vistas e a tornar-me suspeito. Hoje não tenho casa onde possa morar e os meus únicos amigos são os pássaros, algumas crianças e as estrelas que iluminam a noite imensa.
Ao ouvir da boca de Arbóreo a palavra "estrelas", Kepler sentiu que o coração lhe batia mais depressa dentro do peito. Era para ele uma palavra mágica, carregada de sentidos. Sendo ele astrónomo, ou seja um cientista dos astros e dos grandes mistérios do Universo, um homem deslumbrado com o brilho pálido das galáxias perdidas na noite, não podia ficar indiferente àquela palavra.
– És amigo das estrelas? – perguntou.
– Claro que sou – respondeu Arbóreo com convicção – e tanto assim é que, quando me sinto mais sozinho e desconsolado, são elas que vêm dar-me novo ânimo e apontar-me novos caminhos.
– Isso quer dizer – concluiu Kepler – que temos em comum a paixão pelas estrelas e, se calhar, também pelos planetas.
– Também pelos planetas – confirmou Arbóreo.
– Sendo assim – adiantou o astrónomo – talvez eu possa ajudar-te, ou pelo menos, tentar ajudar-te com o pouco que sei.
O diálogo tornara-se de tal maneira cordial que, sem darem por isso, tinham começado a tratar-se por tu, que é o tratamento familiar que os amigos dão uns aos outros. Tinham-se, portanto, tornado amigos.
Nessa noite, num recanto abrigado do jardim, Arbóreo dormiu descansado e sonhou com estrelas, com muitas estrelas, e com um amigo que cavalgava pelo meio delas à garupa de um cometa extraordinariamente veloz. O amigo era Kepler.
Por sua vez, Kepler tinha um outro amigo. Era um homem rico, solitário e estranho. Era dinamarquês e vivia exilado na corte do imperado católico Rudolfo II. Chamava-se Tycho Brahe e estava mais avançando que Kepler no estudo dos segredos mais secretos do Universo.
Quando voltou a encontrar-se com Arbóreo, Kepler contou-lhe:
– Escrevi ao meu amigo Tycho e expliquei-lhe o teu caso. Se somos capazes de decifrar mistérios dos planetas e das estrelas, também havemos de descobrir por que razão pode um homem viver com uma árvore na cabeça.
Arbóreo, que não estava interessado em que a fama do seu estranho caso desse a volta ao mundo, perguntou-lhe quem era esse tal Tycho. E Kepler explicou-lhe:
– É um cientista. Um cientista como eu… bem, como eu não, porque tem um nariz de ouro.
– Um nariz de ouro! – exclamou o homem-árvore.
– Sim, um nariz de ouro. Explico-te porquê. Ele, quando era jovem, era brigão e atrevido e, num duelo que travou, o adversário, com um golpe certeiro, arrancou-lhe o nariz. Imaginas o que é viver sem nariz? Aí ele, como era muito rico, decidiu arranjar um nariz postiço e mandou que o fizessem em ouro. É um sinal da sua grande fortuna e da sua diferença em relação aos outros homens.
– Que duelo mais estúpido! – comentou Arbóreo, indignado.
– E queres saber qual a causa do duelo? É que disputavam ambos o título de melhor matemático do reino.
– Mas então ele é astrónomo ou matemático?
– É matemático, como eu, porque o estudo dos astros ainda não é considerado como uma ciência e sim como a soma de conhecimentos de uns adivinhos que lêem no céu o destino dos outros. E não há nada mais errado do que isso. A astronomia é uma ciência e é assim que a queremos ver tratada.
Kepler não chegou a receber de Tycho Brahe uma resposta satisfatória sobre o caso de Arbóreo porque, entretanto, Tycho adoeceu gravemente, morrendo ao fim de poucas semanas. Sofria de uma infecção grave e não seguiu os conselhos dos médicos.
Kepler sentiu muito a sua perda, que só foi aliviada por ter recebido em herança os cadernos com as notas das suas invenções de mais de trinta anos e os instrumentos ópticos com que observava os planetas e os astros.
Foi com base nessas notas, conforme explicou a Arbóreo, que Kepler, à custa de muito estudo e de muitas noites sem dormir, estabeleceu as leis do movimento planetário, que viriam a tornar o seu nome famoso na história da ciência.
Ao mesmo tempo que os ramos lhe cresciam na cabeça, arqueando-se e caindo em volta do seu corpo, vergados ao peso dos frutos, das folhas e dos pássaros que neles procuravam abrigo, Arbóreo percebia que as ideias de Kepler também não paravam de crescer e de se iluminar, como se tivessem luz própria.
O astrónomo fez dele seu confidente, porque, sabendo-o amigo das estrelas, podia confiar nele e revelar-lhe muitos dos seus projectos e segredos.
Foi assim que ficou a saber que Kepler se preparava para publicar um livro chamado «As Harmonias do Mundo», no qual dava explicações novas para muitas das coisas que aconteciam no Universo. Tinha uma especial predilecção pela palavra «harmonia», porque era dela que dependiam, segundo dizia, a beleza e a ordem de todo o movimento planetário. E pensava outras coisas bonitas.
– O Universo – disse um dia a Arbóreo – é uma sinfonia de vozes e a cada planeta corresponde uma nota de música. Para a Terra há duas notas, o Fá e o Mi, que se repetem eternamente, até ao fim dos tempos.
Ao escutar estas palavras, Arbóreo murmurou baixinho:
– Quem diz coisas assim tão belas só pode ser um poeta.
E nunca chegou verdadeiramente a perceber que, afinal, os astrónomos também são poetas, poetas da luz e da sombra, do brilho e da noite.
*
Quando Kepler concluiu a investigação que o conduziu à descoberta da terceira lei do movimento planetário, quase não teve tempo para festejar o acontecimento, porque, passados poucos dias, deu-se em Praga o incidente que originou a terrível Guerra dos Trinta Anos.
Tanto Kepler como Arbóreo odiavam a guerra, porque sabiam que ela não costuma poupar nem vidas nem ideias, que semeia o terror e a destruição, que só espalha fome, doença e desamparo. Ambos viriam a morrer em consequência desse conflito e estavam condenados a sofrer bastante antes que o fim chegasse.
O rei que protegia Kepler e apoiava o seu trabalho científico foi deposto e assim o astrónomo teve de se exilar, como já acontecera a muitos outros cientistas do seu tempo. Aqueles que passaram a governar Praga nesses dias exigiram-lhe que aceitasse a sua doutrina e, como Kepler tivesse recusado, ordenaram-lhe que partisse.
Ele hesitou bastante antes de o fazer. Tinha a mulher e o filho doentes, atingidos por uma epidemia espalhada pelos soldados, que já matara muitos milhares de pessoas, e recebera a notícia de que sua mãe, Catarina Kepler, fora presa sob a acusação de praticar bruxaria. «A minha mãe não é bruxa, não pode ser verdade», pensou, mordendo os lábios de revolta.
Foi nesse estado de desânimo que procurou Arbóreo para desabafar.
– Que hei-de eu fazer, meu amigo? Tudo escurece à minha volta como se tivesse chegado a noite do mundo e nunca mais voltasse a haver dia.
– É preciso que tenhas confiança e não percas a calma. Melhores dias hão-de chegar, podes estar certo.
– Onde descobriste tu isso? – perguntou Kepler com uma ironia amarga. – Não me digas que o leste nos astros!
– Não – respondeu Arbóreo, com firmeza – aprendi-o contigo.
– A epidemia está prestes a roubar-me aqueles que mais amo, minha mãe pode ser levada à fogueira. É terrível quando os homens usam o ferro e o fogo para imporem as suas razões. Que vai ser de mim?
– Que vai ser de nós? Também a mim já me procuraram, ameaçando-me com a prisão se não explicar o mistério da árvore que tenho na cabeça. Por isso, como vês, também eu não vivo melhores dias.
Olhando em toda a volta para ver se estava em segurança, Kepler tirou um livro que trazia escondido debaixo da roupa e entregou-o a Arbóreo.
– Guarda-o, por favor, no meio dos teus ramos, e não o dês a ninguém. Se te perguntarem como foi aí parar, diz-lhes que foi uma estrela quem to ofereceu.
continua…
O Clube de Contadores de Histórias
Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria – Baltar