terça-feira, 9 de junho de 2009

10 de Junho - Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas


Dia de Portugal (feriado nacional)
Oficialmente Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, é o dia em que se assinala a morte de
Luís Vaz de Camões a 10 de Junho de 1580, e é também o Dia Nacional de Portugal (data também utilizada para relembrar os feitos passados).

Durante o regime autoritário do
Estado Novo de 1933 até à Revolução dos Cravos de 25 de Abril de 1974 era celebrado como o Dia da Raça; a raça Portuguesa.


Fonte e mais informação
Wikipédia

Site Junior

Cyberteca

Pititi

Hino Nacional de Portugal "A Portuguesa" (versão completa)

Hino Nacional “A Portugueza”

Partitura "A Portugueza"




A Portuguesa, que hoje é um dos símbolos nacionais de Portugal (o seu hino nacional), nasceu como uma canção de cariz patriótico em resposta ao ultimato britânico para que as tropas portuguesas abandonassem as suas posições em África, no denominado "
Mapa cor-de-rosa".


Em Portugal, a reacção popular contra os ingleses e contra o governo português, que permitiu esse género de humilhação, manifestou-se de várias formas. "A Portuguesa" foi composta em 1890, com letra de Henrique Lopes de Mendonça e música de Alfredo Keil, e foi utilizada desde cedo como símbolo patriótico mas também republicano. Aliás, em 31 de Janeiro de 1891, numa tentativa falhada de golpe de Estado que pretendia implantar a república em Portugal, esta canção já aparecia como a opção dos republicanos para hino nacional, o que aconteceu, efectivamente, quando, após a instauração da República a 5 de Outubro de 1910, a Assembleia Nacional Constituinte a consagrou como símbolo nacional em 19 de Junho de 1911 (na mesma data foi também adoptada a bandeira nacional).
A Portuguesa, proibida pelo regime monárquico, que originalmente tinha uma letra um tanto ou quanto diferente (mesmo a música foi sofrendo algumas alterações) — onde hoje se diz "contra os canhões", dizia-se "contra os bretões", ou seja, os ingleses — veio substituir o
Hymno da Carta, então o hino da monarquia.
Em 1956, existiam no entanto várias versões do hino, não só na linha melódica, mas também nas instrumentações, especialmente para banda, pelo que o governo nomeou uma comissão encarregada de estudar uma versão oficial de A Portuguesa. Essa comissão elaborou uma proposta que seria aprovada em Conselho de Ministros a 16 de Julho de 1957, mantendo-se o hino inalterado deste então.


Nota-se na música uma influência clara do hino nacional francês,
La Marseillaise, também ele um símbolo revolucionário (ver revolução francesa).O hino é composto por três partes, cada uma delas com duas quadras (estrofes de quatro versos), seguidas do refrão, uma quintilha (estrofe de cinco versos). É de salientar que, das três partes do hino, apenas a primeira parte é usada em cerimónias oficiais, sendo as outras duas partes praticamente desconhecidas.
A Portuguesa é executada oficialmente em cerimónias nacionais, civis e militares, onde é prestada homenagem à Pátria, à Bandeira Nacional ou ao Presidente da República. Do mesmo modo, em cerimónias oficiais no território português por recepção de chefes de Estado estrangeiros, a sua execução é obrigatória depois de ouvido o hino do país representado.A Portuguesa foi designada como um dos símbolos nacionais de Portugal na constituição de 1976, constando no artigo 11.°, n.º 2, da
Constituição da República Portuguesa (Símbolos nacionais e língua oficial):
"2. O Hino Nacional é A Portuguesa."


A Portuguesa
Data: 1890 (com alterações de 1957)
Letra: Henrique Lopes de Mendonça
Música: Alfredo Keil


I
Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente e imortal
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria, sente-se a voz
Dos teus egrégios avós
Que há-de guiar-te à vitória!
Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!


II
Desfralda a invicta Bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu
Beija o solo teu, jucundo,
O oceano, a rugir de amor,
E o teu Braço vencedor
Deu mundos novos ao mundo!
Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!


III
Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal de ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.
Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!


Data: 1890 (versão original)
Letra: Henrique Lopes de Mendonça
Música: Alfredo Keil

I
Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente e imortal
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memoria,
Oh pátria, sente-se a voz
Dos teus egrégios avós
Que há-de guiar-te à vitória!
Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela pátria lutar!
Contra os Bretões marchar, marchar!


II
Desfralda a invicta bandeira,
À luz viva do teu céo!
Brade a Europa á terra inteira:
Portugal não pereceu!
Beija o teu sólo jucundo
O Oceano, a rugir de amor;
E o teu braço vencedor
Deu mundos novos ao mundo!
Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela pátria lutar!
Contra os Bretões marchar!


III
Saudai o sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal do ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injurias da sorte.
Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela pátria lutar!
Contra os Bretões marchar!


Fonte

Wikipedia

Biblioteca Nacional Digital

Bandeira Nacional

Bandeira Nacional

Alfredo Keil (1850-1907)


O primeiro elemento da família Keil veio para Portugal em meados do séc. XIX. Chamava-se Johan Christian Keil, alemão de Hanover, exilado político, que em 1839 se estabeleceu em Lisboa, como alfaiate, aí passando a residir. Casado com Maria Josefina Stellpflug, de origem alsaciana, deram origem a uma família de artistas em várias áreas, principalmente na música e pintura. Deste casamento nasceu, no palácio de Barcelinhos, em 1850, aquele que viria a ser filho único do casal, Alfredo Cristiano Keil.

Mestre alfaiate Christian Keil possuía duas alfaiatarias na Rua Nova do Almada e viria a ser o alfaiate do rei D. Luís e de boa parte da aristocracia e burguesia rica lisboeta. Porém a sua clientela estendia-se a outros países. Muitos clientes vinham a Lisboa mandar fazer os seus fatos, visitar a cidade e ficariam amigos deste alemão emigrado e bem relacionado. Johan Keil rapidamente se liga à alta finança internacional, investe em diversas Bolsas e adquire uma fortuna considerável, nomeadamente em títulos e imóveis a render, em Lisboa.

O filho pôde assim ter urna educação de menino rico sem qualquer limitação nos seus estudos e viagens. Desde muito novo que Alfredo Keil mostrou um talento invulgar para a música, tendo, aos 12 anos, escrito a sua primeira peça musical com o título Pensé Musicale, que dedicou à mãe.

Estudou no Colégio de Santo António e, em 1858, já tinha lições de música com António Soller. Em 1860, com apenas 10 anos, frequentava o colégio Britânico na Rua Vale de Pereiro, em Lisboa. Teve lições de piano com o famoso pianista húngaro Oscar de La Cinna. Em 1869 viajou com o pai pela Europa, passando por Madrid, Paris, Genebra, Zurique, visitando museus e monumentos e acabando por ficar em Nuremberga, para frequentar a Academia Real de Belas Artes. A Guerra franco-prussiana, em 1870, força-o a regressar a Portugal, onde frequenta então aulas de pintura com Miguel Luppi. Teve ainda como professores de música, António Soares e Ernesto Vieira, e aulas de desenho com o professor Joaquim Prieto, da Academia Real de Belas Artes.

Em 1878 Keil concorreu à exposição de Paris com a tela “Melancolia”, que lhe valeu uma Menção Honrosa, e em 1879, recebeu a Medalha de Ouro na Exposição no Rio de Janeiro. Expôs também em Madrid com grande sucesso.

Fernando Pamplona, no Dicionário de Pintores e Escultores, refere-se nestes termos à pintura de Alfredo Keil: «o seu romantismo discreto, amável, sem exageros é temperado pelo clima realista da pintura do tempo.» E elogia a «sensibilidade de contemplativo em que se adivinha a influência de Corot». Maria Luísa Bártolo, por sua vez, dirá que Alfredo Keil tem uma «maneira delicada de tratar as figuras femininas, nos pormenores do adorno, na suavidade cálida do interior.»

Alfredo Keil casou, em 1876, com Cleyde Maria Margarida Cinatti, filha de um arquitecto e cenógrafo muito famoso na época, de nome Giuseppe Luigi Cinatti. O casal teve quatro filhos – Joana, Paulo, Guida e Luís. Joana morreu criança; Paulo morreu já adulto, sem filhos, Guida, que cursou Belas Artes e foi autora da obra «Carolina Coronado, poetisa romântica» (1960), tinha uma personalidade forte, para urna menina da sua época. Foi protagonista de uma aventura amorosa que parecia saída da pena de Camilo Castelo Branco, quando decide deixar marido e dois filhos para ir viver com o homem que amava.

Curioso que o seu divórcio foi o primeiro após a implantação de República. Viria depois a casar com o amor da sua vida – Francisco Coelho do Amaral. O primeiro filho, Francisco Keil do Amaral, nasceu em Abril de 1910 e deu origem a uma “dinastia” de arquitectos de renome, que ainda são vivos. Francisco Keil do Amaral (pai) é marido da grande pintora e ilustradora Maria Keil, nascida em 1914.

O quarto filho de Alfredo Keil, Luís, seguiu também na senda das artes tendo sido Conservador do Museu Nacional de Arte Antiga, Director do Museu dos Coches e Vice-Presidente da Academia Nacional de Belas Artes. Morreu tragicamente com a mulher e a única filha num desastre de automóvel, em 1947. E assim Alfredo Keil teve dos dois casamentos como descendente apenas a filha Guida.

Em 1874 já Alfredo Keil recebera duas medalhas por trabalhos de pintura expostos na Sociedade Promotora de Belas Artes, a que se somaram nos anos seguintes mais prémios, nomeadamente com as telas com os temas “Sesta” e “Meditação”. Este quadro viria a ser adquirido pelo Rei D. Luís.

Em 1883 sobe ao palco, no Teatro Trindade, a sua ópera cómica em um acto, “Susana”, escrita em em italiano, e em 1884 escreve a cantata “Pátria”, seguindo-se, em 1885, o poema sinfónico “Uma Caçada na Corte” e, em 1886, “As Orientais”.

Inspirada no poema de Almeida Garrett, em Março de 1888, estreia-se a ópera cm quatro actos, “Dona Branca”, dedicada ao rei D. Luís. Teve trinta representações de enorme sucesso e direito a reposição no ano seguinte. Esta ópera, também em italiano, foi igualmente aplaudida do outro lado do Atlântico, no Teatro Lírico do Rio de Janeiro.

Os quadros de Keil foram expostas em mais de uma dezena de Exposições da Sociedade Promotora de Belas-Artes e é impossível enumerar todos os prémios que recebeu.

Entretanto, na então chamada África Portuguesa, em finais do século XIX, havia graves conflitos com a Grã-Bretanha e o caso do “Mapa cor-de-rosa” que correspondia à perca de uma larga fatia do território português no continente africano, entre Angola e Moçambique, veio a desembocar, em 1890, no chamado “Ultimato inglês”. É então que Alfredo Keil, animado de sentimentos patrióticos, compõe a marcha “A Portuguesa” – ao som da qual, no ano seguinte, os revoltosos de 31 de Janeiro proclamaram a República no Porto.

Porém foi preciso aguardar mais uns anos para que o ciclo do regime monárquico desse lugar à República, a 5 de Outubro de 1910. Até esse dia, “A Portuguesa” esteve proibida de ser tocada em público. Depois, em 1911 é adoptada pela nova Constituição como Hino Nacional da República Portuguesa.

Alfredo Keil, que viajava muito e passava temporadas em Itália, a pátria da ópera, conseguia dividir o seu tempo entre a pintura e a composição musical.

Em 1893, foi cantada, em Turim a sua ópera “Irene”, baseada na lenda de Santa Iria. O sucesso foi enorme e o rei Humberto de Itália condecorou o compositor. Esta ópera foi, três anos mais tarde, levada à cena no Real Teatro de São Carlos de Lisboa.

Alfredo Keil trocava correspondência com compositores consagrados de outros países, nomeadamente Verdi e Massenet. Numa carta enviada a Verdi, o compositor português anexa a sua partitura de “Dona Branca” e Verdi respondeu-lhe, em Dezembro de 1890. O grande compositor escreve «Sei que a sua ópera teve um sucesso excelente no seu país e isso vale mais que uma crítica a frio de um compositor». Já Massenet, mais entusiasmado, tece-lhe rasgados elogios. Como vemos Alfredo Keil é um compositor à altura dos maiores do seu tempo.

A ópera de Alfredo Keil que mais tempo perdurou no tempo foi sem dúvida “Serrana”, a primeira com libreto em português, inspirada num romance de Camilo Castelo Branco, composta entre 1895 e 1899 e estreada com sucesso no Teatro São Carlos, em Março de 1899. É a sua peça musical mais conhecida, exceptuando “A Portuguesa”, e, no século passado, foi levada à cena mais onze vezes.

Diogo de Macedo coloca a obra de Alfredo Keil no período neo-romântico e diz que ele foi um pioneiro do “nacionalismo musical”.

Como pintor, Alfredo Keil deixou mais de 2000 obras, entre telas e desenhos, Como conhecedor de arte foi um grande coleccionador. Adquiriu telas de pintores como Lucca Giordano e diz-se que talvez possuísse um Brueghel. A sua colecção de instrumentos musicais antigos (cerca de 500) encontra-se no Museu da Música, em Lisboa.

Este autor, multifacetado legou-nos também obras escritas, contos e romances dos seus verdes anos e estudos como “Breve História dos Instrumentos de Música Antigos e Modernos” (1904), Colecções e Museus de Arte em Lisboa (1905), “Breve Notícia da Colecção Keil” de 1905 e um livro editado postumamente, “Tojos e Rosmaninhos”.

A 4 de Outubro de 1907, três anos e um dia antes de ser proclamada a República, Alfredo Keil morre, em Hamburgo, vítima de doença. Contava apenas 57 anos e deixou inacabada a ópera “Índia”, que começara a compor para as comemorações da chegada de Vasco da Gama à Índia.


Fonte e mais informação
O Leme

Henrique Lopes de Mendonça (1856-1931)


Henrique Lopes de Mendonça (Lisboa, 12 de Fevereiro de 1856 — 24 de Agosto de 1931) foi um militar, historiador, arqueólogo naval, professor, conferencista, dramaturgo, cronista e romancista português.


Filho de António Raulino Lopes de Mendonça e de Honorata Lopes de Mendonça, casado com Amélia Bordalo Pinheiro, teve três filhos que deixaram também o nome ligado às letras e artes: Virgínia Lopes de Mendonça (1881-1969)
contista e dramaturga, Alda Lopes de Mendonça, rendeira, e Vasco Lopes de Mendonça (1881-1963), engenheiro militar, ceramista e caricaturista.

Ingressou na Armada Portuguesa como Aspirante de Marinha em 27 de Outubro de 1871 sendo promovido a Guarda-Marinha em 1 de Novembro de 1874 e a Capitão de Mar-e-Guerra em 27 de Agosto de 1909, posto em que foi reformado em 25 de Maio de 1912.
Durante a sua carreira naval embarcou em diversos navios da Armada. As suas longas comissões de serviço a bordo tiveram nele efeitos diversos: algumas viagens em portos estrangeiros permitiram-lhe satisfazer alguns dos seus anseios culturais e artísticos, mas algumas das comissões em portos coloniais foram-lhe algo penosas, quer por razões de saúde quer por o manterem afastado do convívio intelectual e cultural.

Foi por diversas vezes professor da Escola Prática de Artilharia Naval, então instalada no rio Tejo a bordo da Fragata D. Fernando II e Glória.


Em Janeiro de 1887 foi nomeado para coadjuvar o conselheiro
João de Andrade Corvo na publicação dos estudos sobre as possessões ultramarinas.
Em Agosto de 1889 foi nomeado para proceder à elaboração de uma obra onde se historiassem metodicamente os feitos da Armada Portuguesa. Como fruto dessas investigações do seu consequente interesse pela arqueologia naval, publicou uma obra que designou Estudos sobre Navios Portugueses dos séculos XV e XVI.
Como escritor e dramaturgo, o Comandante Lopes de Mendonça iniciou a sua carreira em 1884 com a peça A Noiva. A sua obra seguinte, a peça A Morta, foi galardoada com o prémio
D. Luís I da Academia das Ciências de Lisboa.

Por ocasião do
Ultimato Inglês de 1890, escreveu, com música de Alfredo Keil, a marcha A Portuguesa que, em 1910 o Governo da República adoptou como Hino Nacional, trocando no verso a palavra bretões por canhões.
Entre 1897 e 1901 foi Bibliotecário da Escola Naval, o que após passou a professor da cadeira de
História da Escola de Belas-Artes de Lisboa.
Em 1900 foi eleito membro efectivo da
Academia das Ciências de Lisboa e, em 1915, foi nomeado seu presidente.
Em 1916 foi agregado à comissão nomeada pelo governo para propor as versões oficiais e definitivas para piano, canto, orquestra e banda do Hino Nacional.
Em 1922 foi nomeado presidente da comissão destinada a perpetuar a Viagem Aérea Lisboa-Rio de Janeiro.


Em 1925 foi co-fundador da
Sociedade Portuguesa de Autores.

O Comandante Lopes de Mendonça foi ainda membro da
Academia Brasileira de Letras desde 1923, sócio do Instituto de Coimbra, membro Honorário do Clube de Londres, vogal do Conselho de Arte Dramática e membro das Comissões Oficiais dos Centenários de Colombo e de Vasco da Gama.
Deixou escrito quase uma centena de obras teatrais, poesias, romances e estudos históricos.

Fonte e mais informação
Wikipedia
José Lúcio
Lopes Mendonça

Luís Vaz de Camões





Luís Vaz de Camões
Data de nascimento: provavelmente entre 1517 e 1524
Data de falecimento: 10 de Junho de 1580) é frequentemente considerado como o maior poeta de língua portuguesa e dos maiores da Humanidade. O seu génio é comparável ao de Virgílio, Dante, Cervantes ou Shakespeare. Das suas obras, a epopeia Os Lusíadas é a mais significativa.

Origens e juventude
Desconhece-se a data e o local onde terá nascido Camões. Admite-se que nasceu entre 1517 e 1525. A sua família é de origem galega que se fixou na cidade de Chaves e mais tarde terá ido para Coimbra e para Lisboa, lugares que reivindicam ser o local de seu nascimento. Frequentemente fala-se também em Alenquer, mas isto deve-se a uma má interpretação de um dos seus sonetos, onde Camões escreveu "[…] / Criou-me Portugal na verde e cara / pátria minha Alenquer […]". Esta frase isolada e a escrita do soneto na primeira pessoa levam as pessoas a pensarem que é Camões a falar de si. Mas a leitura atenta e completa do soneto permite concluir que os factos aí presentes não se associam à vida de Camões. Camões escreveu o soneto como se fosse um indivíduo, provavelmente um conhecido seu, que já teria morrido com menos de 25 anos de idade, longe da pátria, tendo como sepultura o mar.
O pai de Camões foi Simão Vaz de Camões e mãe Ana de Sá e Macedo. Por via paterna, Camões seria trineto do trovador galego Vasco Pires de Camões, e por via materna, aparentado com o navegador Vasco da Gama.
Entre 1542 e 1545, viveu em Lisboa, trocando os estudos pelo ambiente da corte de D. João III, conquistando fama de poeta e feitio altivo.
Viveu algum tempo em Coimbra onde teria frequentado o curso de Humanidades, talvez no Mosteiro de Santa Cruz, onde tinha um tio padre, D. Bento de Camões. Não há registos da passagem do poeta por Coimbra. Em todo o caso, a cultura refinada dos seus escritos torna a única universidade de Portugal do tempo como o lugar mais provável de seus estudos. Ligado à casa do Conde de Linhares, D. Francisco de Noronha, e talvez preceptor do filho D. António, segue para Ceuta em 1549 e por lá fica até 1551. Era uma aventura comum na carreira militar dos jovens, recordada na elegia Aquela que de amor descomedido. Num cerco, teve um dos olhos vazados por uma seta pela fúria rara de Marte. Ainda assim, manteve as suas potencialidades de combate.
De regresso a Lisboa, não tarda em retomar a vida boémia. São-lhe atribuídos vários amores, não só por damas da corte mas até pela própria irmã do Rei D. Manuel I. Teria caído em desgraça, a ponto de ser desterrado para Constância. Não há, porém, o menor fundamento documental de que tal fato tenha ocorrido. No dia de Corpus Christi de 1552 entra em rixa, e fere um certo Gonçalo Borges. Preso, é libertado por carta régia de perdão de 7 de Março de 1553, embarcando para a Índia na armada de Fernão Álvares Cabral, a 24 desse mesmo mês.

Oriente
Chegado a Goa, Camões toma parte na expedição do vice-rei D. Afonso de Noronha contra o rei de Chembe, conhecido como o «rei da pimenta». A esta primeira expedição refere-se a elegia O Poeta Simónides falando. Depois Camões fixa-se em Goa onde escreveu grande parte da sua obra épica. Considerou a cidade como uma madrasta de todos os homens honestos. Lá estudou os costumes de cristãos e hindus, e a geografia e a história locais. Toma parte em mais expedições militares. Entre Fevereiro e Novembro de 1554 vai na armada de D. Fernando de Meneses constituída por mais de 1000 homens e 30 embarcações, ao Golfo Pérsico, aí sentindo a amargura expressa na canção Junto de um seco, fero e estéril monte. No regresso é nomeado "provedor-mor dos defuntos nas partes da China" pelo Governador Francisco Barreto, para quem escreveria o Auto do Filodemo.
Em 1556 parte para Macau, onde continuou os seus escritos. Vive numa célebre gruta com o seu nome e por aí terá escrito boa parte d'Os Lusíadas. Naufragou na foz do rio Mekong, onde conservou de forma heróica o manuscrito de Os Lusíadas então já adiantados (cf. Lus., X, 128). No naufrágio teria morrido a sua companheira chinesa Dinamene, celebrada em série de sonetos. É possível que datem igualmente dessa época ou tenham nascido dessa dolorosa experiência as redondilhas Sôbolos rios.
Regressa a Goa antes de Agosto de 1560 e pede a protecção do Vice-rei D. Constantino de Bragança num longo poema em oitavas. Aprisionado por dívidas, dirige súplicas em verso ao novo Vice-rei, D. Francisco Coutinho, Conde do Redondo, para ser liberto. Em 1568, vem para a ilha de Moçambique, onde, passados dois anos, Diogo do Couto o encontrou, como relata na sua obra, acrescentando que o poeta estava "tão pobre que vivia de amigos". (Década 8.ª da Ásia). Trabalhava então na revisão de Os Lusíadas e na composição de "um Parnaso de Luís de Camões, com poesia, filosofia e outras ciências", obra roubada. Diogo do Couto pagou-lhe o resto da viagem até Lisboa, onde Camões aportou em 1570. Em 1580, de regresso a Lisboa, assistiu à partida do exército português para o norte de África. Morre numa casa de Santana, em Lisboa, sendo enterrado numa campa rasa numa das igrejas das proximidades.

Os Lusíadas e a obra lírica
Os Lusíadas é considerada a principal epopeia da época moderna devido à sua grandeza e universalidade. As realizações de Portugal desde o Infante D. Henrique até à união dinástica com Espanha em 1580 são um marco na História, marcando a transição da Idade Média para a Época Moderna. A epopeia narra a história de Vasco da Gama e dos heróis portugueses que navegaram em torno do Cabo da Boa Esperança e abriram uma nova rota para a Índia. É uma epopeia humanista, mesmo nas suas contradições, na associação da mitologia pagã à visão cristã, nos sentimentos opostos sobre a guerra e o império, no gosto do repouso e no desejo de aventura, na apreciação do prazer e nas exigências de uma visão heróica.
A obra lírica de Camões foi publicada como "Rimas", não havendo acordo entre os diferentes editores quanto ao número de sonetos escritos pelo poeta e quanto à autoria de algumas das peças líricas. Alguns dos seus sonetos, como o conhecido Amor é fogo que arde sem se ver, pela ousada utilização dos paradoxos, prenunciam o Barroco.

O estilo
É fácil reconhecer na obra poética de Camões dois estilos não só diferentes, mas talvez até opostos: um, o estilo das redondilhas e de alguns sonetos, na tradição do Cancioneiro Geral; outro, o estilo de inspiração latina ou italiana de muitos outros sonetos e das composições (h)endecassílabas maiores. Chamaremos aqui ao primeiro o estilo engenhoso, ao segundo o estilo clássico.
O estilo engenhoso, tal como já aparece no Cancioneiro Geral, manifesta-se sobretudo nas composições constituídas por mote e voltas. O poeta tinha que desenvolver um mote dado, e era na interpretação das palavras desse mote que revelava a sua subtileza e imaginação, exactamente como os pregadores medievais o faziam ao desenvolver a frase bíblica que servia de tema ao sermão. No desenvolvimento do mote havia uma preocupação de pseudo-rigor verbal, de exactidão vocabular, de modo que os engenhosos paradoxos e os entendimentos fantasistas das palavras parecessem sair de uma espécie de operação lógica.
As obras dele foram dividas em líricas e amorosas. Um exemplo das obras líricas foi Os Lusíadas, dividido em 10 cantos, exalta a conquista de Portugal na rota das índias.

Obras
• 1572- Os Lusíadas (texto completo)

Lírica
• 1595 - Amor é fogo que arde sem se ver
• 1595 - Eu cantarei o amor tão docemente
• 1595 - Verdes são os campos
• 1595 - Que me quereis, perpétuas saudades?
• 1595 - Sobolos rios que vão
• 1595 - Transforma-se o amador na cousa amada
• 1595 - Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
• 1595 - Quem diz que Amor é falso ou enganoso
• 1595 - Sete anos de pastor Jacob servia
• 1595 - Alma minha gentil, que te partiste

Teatro
• 1587 - El-Rei Seleuco
• 1587 - Auto de Filodemo
• 1587 - Anfitriões

Bibliografia
• "Os Lusíadas". Catálogo da Exposição Bibl., iconogr. e medalhística de Camões. Intr., sel. e notas de José V. de Pina Martins. Lisboa, 1972;
• Col. Camoniana de José do Canto. Lisboa, 1972.

Bibliografia activa
• Anfitriões. Pref. e notas de Vieira de Almeida. Lisboa, 1942;
• El-Rei Seleuco. Id. Ib., 1944;
• Obras completas. Com prefácio e notas de Hernâni Cidade. Lisboa, 1946-1947;
• Obra completa. Org., intr., com. e anotações de A. Salgado Júnior. R. de Janeiro, 1963;
• Os Lusíadas. Leitura, prefácio e notas de Álvaro J. da Costa Pimpão. Lisboa, 1992;
• Rimas. Texto estabelecido e prefaciado por Álvaro J. da Costa Pimpão. Coimbra, 1994

Bibliografia passiva
• Rebelo Gonçalves, Dissertações Camonianas. S. Paulo, 1937;
• António Salgado Júnior, Os Lusíadas e a viagem do Gama. O tratamento mitológico de uma realidade histórica. Porto, 1939;
• B. Xavier Coutinho, Camões e as artes plásticas. Porto, 1946-1948;
• J. Vieira de Almeida, Le théâtre de Camões dans l'histoire du théâtre portugais. Lisboa, 1950;
• H. Cidade, L. de Camões. Os Autos e o teatro do seu tempo. As cartas e o seu conteúdo biográfico. Lisboa, 1956;
• Jorge de Sena, Uma canção de Camões. Lisboa, 1966; id., Os sonetos de Camões e o soneto quinhentista peninsular. Lisboa, 1969;
• Georges le Gentil, Camões. Lisboa, 1969;
• Roger Bismut, La Lyrique de Camões. Paris, 1970;
• Vítor M. de Aguiar e Silva, Maneirismo e Barroco na poesia lírica portuguesa. Coimbra, 1971;
• M.ª Isabel F. da Cruz, Novos subsídios para uma ed. crítica da Lírica de Camões. Porto, 1971;
• Visages de L. de Camões. Paris, 1972;
• António José Saraiva, Camões. Lisboa, 1972;
• XLVIII Curso de Férias da Faculdade de Letras de Coimbra. Ciclo de lições comemorativas do IV Cent. da publ. de "Os Lusíadas". Coimbra, 1972;
• Luciano Pereira da Silva, A Astronomia de "Os Lusíadas". Lisboa, 1972;
• Ocidente (n.º especial). Nov. 1972;
• Garcia de Orta (n.º especial). Lisboa, 1972;
• Cleonice Berardinelli, Estudos Camonianos. R. de Janeiro, 1973; Estudos Camonianos. R. de Janeiro, 1974;
• João Mendes, Lit. Portuguesa I. Lisboa, 1974;
• E. Asensio, Sobre El Rey Seleuco de Camões, em Estudios Portugueses. Paris, 1974;
• Roger Bismut, Les Lusiades de Camões, confession d'un poète. Paris, 1974;
• Vítor M. de Aguiar e Silva, Notas ao cânone da Lírica camoniana. Coimbra, 1968 e 1975;
• Gilberto Mendonça Teles, Camões e a poesia brasileira. R. de Janeiro,1979;
• José Maria Rodrigues, Fontes dos Lusíadas. Lisboa, 1979;
• Quaderni Portoghesi, 6. Pisa, 1979;
• Studi Camoniani. L'Aquila, 1980;
• Homenaje a Camoens. Estudios y ensayos hispano-portugueses. Granada, 1980;
• Brotéria, vols. 110 e 111;
• Luís F. Rebelo, Variações sobre o teatro de Camões. Lisboa, 1980;
• A. Costa Ramalho, Estudos Camonianos. 2Lisboa, 1980;
• A. Pinto de Castro (et al.), Quatro orações camonianas. Lisboa, 1980;
• Eduardo Lourenço, Poesia e Metafísica. Lisboa, 1980;
• Hélder de Macedo, Camões e a viagem iniciática. Lisboa, 1980;
• Jorge de Sena, A estrutura de "Os Lusíadas" e outros estudos camonianos e de poesia peninsular do séc. XVI. Lisboa, 1980; id.,30 Anos de Camões. Lisboa, 1980;
• Cleonice Berardinelli, Os sonetos de Camões. Paris, 1980;
• Jorge Borges de Macedo, "Os Lusíadas e a História. Lisboa, 1980;
• J. G. Herculano de Carvalho, Contribuição de "Os Lusíadas" para a renovação da língua portuguesa. Coimbra, 1980;
• Vasco Graça Moura, L. de Camões: alguns desafios. Lisboa, 1980;
• José Hermano Saraiva, Vida Ignorada de Camões. Lisboa, 1980.
• W. Storck, Vida e obras de L. de Camões. Lisboa, 1980;
• Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa, 1980-1981;
• M.ª Vitalina Leal de Matos, Introdução à poesia de L. de Camões. Lisboa, 1980; id., O canto na poesia épica e lírica de Camões. Paris, 1981;
• M.ª Clara Pereira da Costa, O enquadramento social da Família de Camões na Lisboa do séc. XVI. Lisboa, 1981;
• José Pedro Machado, Notas Camonianas. Lisboa, 1981;
• J. Filgueira Valverde, Camões. Coimbra, 1981; Cuatro lecciones sobre Camoens. Madrid, 1981;
• A. Pinto de Castro, Camões, poeta pelo mundo em pedaços repartido. Lisboa, 1981;
• A Viagem de "Os Lusíadas": símbolo e mito. Lisboa, 1981;
• E. Asensio e J. V. de Pina Martins, L. de Camões. El Humanismo en su obra poética. Los Lusíadas y las Rimas en la poesía española. Paris, 1982;
• M.ª Lucília G. Pires, A crítica camoniana no séc. XVII. Lisboa, 1982;
• J. de Sena, Estudos sobre o vocabulário de "Os Lusíadas". Lisboa, 1982;
• Jacinto do Prado Coelho, Camões e Pessoa, poetas da utopia. Lisboa, 1983;
• H. Cidade, L. de Camões. I. O Lírico. Lisboa, 1985; id., L. de Camões. II. O Épico. Lisboa, 1985;
• Camoniana Californiana. St.ª Bárbara, 1985;
• Vasco Graça Moura, Camões e a divina proporção. Lisboa, 1985; id., Os penhascos e a serpente. Lisboa, 1987;
• Fidelino de Figueiredo, A épica portuguesa do séc. XVI. Lisboa, 1987;
• Martim de Albuquerque, A expressão do Poder em L. de Camões. Lisboa, 1988;
• J. A. Cardoso Bernardes, O Bucolismo português. Coimbra, 1988;
• M.ª Helena Ribeiro da Cunha, A dialéctica do desejo na Lírica de Camões. Lisboa, 1989;
• A. Costa Ramalho, Camões no seu e no nosso tempo. Coimbra, 1992;
• Actas das Reuniões Internacionais de Camonistas: I (Lisboa, 1973); III (Coimbra, 1987); IV (Ponta Delgada, 1984) e V (S. Paulo, 1992);
• Revista Camoniana (S. Paulo, 10 vols publ. desde 1964).
• Grande enciclopédia do conhecimento

Fonte
Wikipédia

O Trinca-Fortes










LUÍS VAZ DE CAMÕES
Poeta, c.1524 - c.1580











QUANDO TUDO ACONTECEU...
1524 ou 1525: Datas prováveis do nascimento de Luís Vaz de Camões, talvez em Lisboa
1548: Desterro no Ribatejo; alista-se no Ultramar
1549: Embarca para Ceuta; perde o olho direito numa escaramuça contra os Mouros
1551: Regressa a Lisboa
1552: Numa briga, fere um funcionário da Cavalariça Real e é preso
1553: É libertado; embarca para o Oriente
1554: Parte de Goa em perseguição a navios mercantes mouros, sob o comando de Fernando de Meneses
1556: É nomeado provedor-mor em Macau; naufraga nas Costas do Camboja
1562: É preso por dívidas não pagas; é libertado pelo vice-rei Conde de Redondo e distinguido seu protegido
1567: Segue para Moçambique1570: Regressa a Lisboa na nau Santa Clara
1572: Sai a primeira edição d’Os Lusíadas
1579 ou 1580: Morre de peste, em Lisboa.

PASSAGEM PARA A ÍNDIA
1552. Corpus Christi. No Largo do Rossio dois mascarados lutam com Gaspar Borges, funcionário da Cavalariça Real. Camões aproxima-se, reconhece os mascarados, são amigos seus. Não hesita, mete a mão no bolso e parte para a rixa. Faca em punho, movimento nervoso, cutilada no pescoço do adversário. A noite acaba em sangue. Camões é preso e levado para a cadeia do Tronco.A mãe, Dona Ana de Macedo, chora a prisão do filho. Vive em súplica de perdão para Luís: visita ministros reais e o próprio Borges. Passados nove meses a vítima, já restabelecida do ferimento, resolve atender ao pedido.
É dia de alguma liberdade para Camões. O poeta deixa as masmorras sob duas condições: primeiro tem de pagar multa de 4 mil réis ao esmoler d’El-Rei; depois, embarcar para a Índia e servir por três anos na milícia do Oriente.Em Março de 1553 o poeta parte para Goa na São Bento, nau incorporada à frota comandada pelo capitão Fernão Álvares Cabral. É soldado raso. Chega à capital da Índia portuguesa seis meses depois. Pena e papel sempre à mão, o poeta escreve sobre o que vê:

"(...) Cá, onde o mal se afina e o bem se dana,
E pode mais que a honra a tirania;
Cá, onde a errada e cega monarquia
Cuida que um nome vão a Deus engana;
(...) Cá neste escuro caos de confusão,
Cumprindo o curso estou da natureza.
Vê se me esquecerei de ti, Sião!" (1)

Camões participa numa expedição punitiva contra o Rei de Chemba, na Costa do Malabar, enviada pelo Vice-Rei D. Afonso de Noronha. Vitória. O poeta regressa a Goa. Em Fevereiro de 1554 parte novamente sob o comando de D. Fernando de Meneses. Desta vez em perseguição a navios mouros que comercializavam entre a índia e o Egipto, prejudicando o monopólio mercantil dos portugueses. A frota só volta à Índia em Novembro do mesmo ano.
Chegam as férias militares, fim do soldo. Para ganhar alguns trocados, Camões escreve versos e autos por encomenda de um poderoso senhor que os apresenta como seus à pretendida. Em troca, restos de comida. O poeta também se torna escriba público. São muitos os soldados analfabetos. Camões escreve cartas para os seus familiares no Reino. Assim vive em Goa até 1556:

"Junto de um seco, duro, estéril monte"(2).
"Numa mão sempre a pena e noutra a espada".(3)


O NAUFRÁGIO
Fim do estágio obrigatório na milícia do Oriente. Camões é nomeado provedor-mor em Macau, entreposto comercial de portugueses na China. É encarregado de arrolar e administrar provisoriamente os bens de pessoas falecidas ou desaparecidas. Lá, descobre uma estreita gruta, refúgio. Passa horas a escrever, Os Lusíadas: a viagem épica de Vasco da Gama e, no extremo sul da África, o gigante Adamastor a tentar impedir o avanço dos nautas portugueses:

«Eu sou aquele oculto e grande Cabo
A quem vós chamais de Tormentório.»


Heróis trágico-marítimos; deuses mitológicos, paixões, intrigas, batalhas, aventuras e cobiças. Histórias de um minúsculo Portugal em expansão, «mais do que prometia a força humana»...
Não tarda e é acusado, por compatriotas, de apropriação de dinheiro alheio. Camões tem de ir a Goa para responder a inquérito judicial.No regresso, o susto, o naufrágio. Está na Costa de Camboja, próximo do Rio Mecom. Camões salta do barco. Os Lusíadas colados ao corpo. Braçadas. Mais braçadas. Turbilhão de água, escassez de ar. Camões nada, incansavelmente. Terra firme. Ainda não perdeu os sentidos. Sabe que está vivo. Olhar de soslaio, o manuscrito está salvo. Já pode desmaiar. O corpo a transpirar, ardência, febre. A infância, paixões e conflitos, lampejos. Mazelas.

TRISTE VIDA SE ME ORDENA...
Fidalgo pobre, de família arruinada, tem uma infância cheia de privações. O pai, Simão Vaz de Camões, deixa filho e esposa, em busca de riquezas nas Índias. Morre em Goa. A família desamparada. O menino Luís Vaz assiste ao novo casamento da mãe. Um estranho ocupa o lugar do falecido.
É educado em Lisboa por dominicanos e jesuítas. Vive um período em Coimbra, onde faz o curso de Artes no Convento de Santa Cruz. O tio, D. Bento de Camões, é prior do Mosteiro e chanceler da Universidade. Camões frequenta os centros aristocráticos, onde tem acesso às obras de Petrarca - a quem toma por modelo -, Bembo, Garcilaso, Ariosto, Tasso, Bernardim Ribeiro, entre outros. Domina a literatura Clássica da Grécia e Roma; lê latim, sabe italiano e escreve o castelhano.
Conta-se que o poeta é levado a frequentar o Paço por D. António de Noronha, cuja morte é citada num soneto. Ali conhece Dona Caterina de Ataíde, Dama da Rainha, por quem se apaixona perdidamente. O objecto de paixão é imortalizado na sua lírica sob o anagrama de Natércia. Há quem diga ainda que o autor d’Os Lusíadas se enamora da própria Infanta D. Maria, irmã de D. João III, Rei de Portugal.
Talvez boatos, como tantos outros acerca de sua vida. O que se sabe ao certo é que os seus amigos são vadios que se amotinam pelas ruas da cidade; as suas mulheres, meretrizes. O Malcozinhado, bordel de má fama lisboeta, é o lugar preferido para refastelar-se. Gosta de fitar o sexo oposto. Assedia, fala, canta. É jocoso. Convida a dançar, cheiro a cravo. Saiotes a girar, contentamento.
Inspiração:

"Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente ;
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer..."(4)


Mas a vida do poeta não é feita só de encontros fortuitos. Alterna pequenos momentos de regozijo com indagações profundas sobre si mesmo. Nos seus pensamentos, os apetites carnais entram em colisão com a visão platónica que tem da mulher e dos sentimentos amorosos. Transfere a contradição para a lírica. Compõe o amor no seu mais alto anseio espiritual, afectivo. O amor transcendente, imaculado:

"Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude do muito imaginar,
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.
Se nela está minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo alcançar?
Em si somente pode descansar,
Pois consigo tal alma está liada." (3)

Mas também evoca o erotismo, os desejos e a arte de tão bem seduzir. Dirá mais tarde, n’Os Lusíadas:

"Oh! Que famintos beijos na floresta,
E que mimoso choro que soava!
Que afagos tam suaves, que ira honesta,
Que em risinhos alegres se tornava!
O que mais passam na manhã e na sesta,
Que Vénus com prazeres inflamava,
Melhor é exprimentá-lo que julgá-lo;
Mas julgue-o quem não pode exprimentá-lo." (5)


Num plano mais terreno, Camões tem outras inquietações. É apontado como sujeito folgado e briguento. Ganha a alcunha de Trinca-Fortes. As suas desavenças dão origem ao desterro, em 1548. Segue para o Ribatejo. No bolso, nem um vintém. Amigos afortunados garantem-lhe cama e comida.Vive seis meses na província, de favores. Resolve alistar-se na milícia do Ultramar. Embarca para Ceuta no Outono de 1549. Perde o olho direito numa escaramuça contra os mouros inimigos de Cristo. Em 1551, volta a Lisboa. Amargura, desilusão:

"(...) Que castigo tamanho e que justiça.
(...)Que mortes que perigos, que tormentas,
Que crueldades neles experimenta."(6)


O poeta anda muito calado. Reflexões. Confessa aos amigos que sente despedaçados todos os valores em que acredita, ele, homem de princípios cristãos. Aflito com as diferenças entre utopia e realidade, aspiração e recompensa. Já escrevera sobre a contradição entre o que julga ser moral, racional e o que realmente testemunha e vive. É o "desconcerto do Mundo, em que os bons vê sempre passar no mundo graves tormentos, os maus vê sempre nadar em mar de contentamentos" (1). Tais injustiças passam a ser tema constante na sua lírica. Descreve os seus infortúnios, aponta com desprezo a sede cobiçosa, o querer tiranizar (1). Também não lhe escapam as transformações às quais os homens estão sujeitos:

"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Muda-se o Ser, muda-se a confiança;
Todo mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades." (3)


AQUELA CATIVA...
Camões acorda na praia. Tudo embaçado, imagens sem sentido. Sonho e realidade confundem-se. Abandona-se. Chora a perda da mulher amada: Dinamene, a chinesa, "aquela cativa que me tem cativo"... Ela, que viajou em sua companhia, não sobreviveu ao naufrágio.
Luís Vaz levanta-se, caminhar trôpego, desconsolo:

"Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste." (3)


Permanece na região em companhia de monges budistas, até que um dia é levado de volta a Goa num navio português.

NASCE A OBRA
Em Goa, sempre as atribulações: um empréstimo aqui, outro acolá. Finta. Um credor zanga-se. Cadeia. Do cárcere, Camões invoca os bons ofícios do Conde de Redondo, vice-Rei da Índia Portuguesa, nuns versos humorísticos escritos por volta de 1562. O vice-rei concede-lhe a liberdade. O poeta é ainda distinguido com a sua protecção.
Nesta época mantém contactos com outras figuras importantes. Representa o auto do Filodemo ao governador Francisco Barreto. Compõe uma ode a favor do vice-rei D. Constantino de Bragança, defende-o contra críticas. Também é amigo do vice-rei Francisco de Sousa Coutinho. Ganha de um deles a nomeação para a feitoria do Chaul, mas não chega a ocupar o cargo. Convive com Diogo do Couto, o continuador das "Décadas", e com Garcia de Orta. O médico, naturalista e ex-catedrático de Lisboa pede-lhe uma ode para acompanhar a primeira edição dos "Diálogos dos Simples e Drogas".
Apesar das boas relações, Camões queixa-se da vida difícil. Resolve então celebrar as próprias desgraças, é o que diz aos companheiros. Banquete. Mas na mesa, não há iguarias nem bom vinho.

"Heliogábalo zombava das pessoas convidadas,
E de sorte as enganava,
Que as iguarias que dava
Vinham nos pratos pintadas.
Não temais tal travessura,
Pois já não pode ser nova;
Que a ceia está segura
De não vos vir em pintura,
Mas há de vir toda em trova." (3)


Em 1567, Camões conhece Pêro Barreto. Nomeado capitão para Moçambique, Barreto promete-lhe um emprego e adianta-lhe o pagamento da passagem. Dívida prolongada. Os dois brigam. O Capitão manda prendê-lo, rotina.
Fome. Os amigos mais uma vez ajudam-no. Inverno. Camões fecha-se na poesia. Retoca os seus Lusíadas. Deseja muito imprimi-los. Nestes dias de frio, o poeta nunca larga a sua pena: compõe o "Parnaso Lusitano", colectânea de poemas líricos. Obra de muita erudição, consideram os amigos. Um ladino leva-a, fim desconhecido.
Finais de 1569. Nos últimos meses, o poeta fala muito na Pátria, que tanto exalta em seus cantos. Saudades. Diogo do Couto junta uns amigos, compram roupas a Camões, pagam-lhes as dívidas e ajudam-no a deixar Moçambique.Camões chega a Lisboa na Santa Clara, em 1570. Traz com ele Jau, um escravo javanês comprado em Moçambique, e os dez cantos d’Os Lusíadas. Na capital portuguesa vai viver com a mãe, na Mouraria. A sua penúria é ainda maior. O poeta abatido pousa a cabeça na escrivaninha e queixa-se em voz baixa: "Ah! Fortuna cruel! Ah! Duros Fados! (7)

EDIÇÃO D’ OS LUSIADAS
Apenas uma ambição: editar Os Lusíadas. Macambúzio, roupa apertada e esgarçada, restos de altivez, o poeta pede ajuda ao Conde de Vimioso, D. Manuel de Portugal. Permissão real para levar adiante o seu projecto. Júbilo. O censor, Frei Bartolomeu Ferreira, concede-lhe o imprimatur. Mas antes, lê o poema e faz algumas modificações: limpeza de certos indícios de impiedade.Na oficina do Mestre António Gonçalves, à Costa do Castelo, a obra de Camões ganha corpo. Desatenção: duzentos exemplares cheios de erros tipográficos. Correm os primeiros meses de 1572.
Após a publicação, D. Sebastião, o jovem monarca, concede ao poeta uma tença trienal de 15 mil réis, ou seja 40 réis por dia, "em respeito aos serviços prestados na Índia e pela suficiência que mostrou no livro sobre as coisas de tal lugar". Vale lembrar que, nesta época, um carpinteiro ganha em média 160 réis por dia. A pensão é renovada em 1575 e novamente em 1578. Conta-se que o poeta sobrevive juntando estes proventos às esmolas recolhidas pelo escravo javanês.O seu nome começa a fazer eco. Composições líricas e até cartas suas - uma escrita em Ceuta, outra na Índia e mais duas escritas em Lisboa - passam a ser recolhidas em cancioneiros particulares manuscritos.

MORRE O AUTOR
Em 1579 a peste assola Lisboa. Num quarto escuro, Camões estirado na cama. Tem muita febre e já ninguém duvida que é mais uma vítima da doença. Na boca, um gosto, misto de gengibre, canela, cominhos e açafrão: remédio contra a pestilência. Dona Ana de Macedo segue todas as receitas conhecidas: sangria e até sumo de serpilho misturado com leite de mulher. Na casa, o fogo sempre aceso para queimar o ar que tresanda.
O autor d’Os Lusíadas está muito fraco, mas insiste em escrever. Remete uma carta a D. Francisco de Almeida, referindo-se ao desastre de Alcácer-Quibir, à ruína financeira da Coroa portuguesa, à independência nacional ameaçada. "Enfim acabarei a vida e verão todos que fui tão afeiçoado à minha Pátria que não só me contentei de morrer nela, mas com ela".
A mãe deixa o quarto, prato de comida intacto nas mãos. O poeta já não reage. Desvanece.

"Foge-me, pouco a pouco, a curta vida,
Se por acaso é verdade que inda vivo;
(...) Choro pelo passado; e, enquanto falo,
Se me passam os dias passo a passo.
Vai-se-me, enfim, a idade e fica a pena." (3)


OS ERROS E A FORTUNA
O seu corpo é sepultado num canto qualquer da banda de fora do cemitério do Convento de Santana. E ainda assim graças à Companhia dos Cortesãos, que paga as despesas do funeral. Segundo os amigos mais próximos, os últimos anos de Camões são vividos na mais absoluta miséria. À mãe deixa apenas a tença que lhe foi atribuída e a ela transferida.
Depois da sua morte cresce o interesse pelos seus poemas - apenas três deles publicados em vida - e pelos seus autos e comédias: Auto dos Anfitriões, Auto d’El Rei-Seleuco e o Auto de Filodemo.
Em 1548 sai a segunda edição d’Os Lusíadas, chamada "Dos Piscos". Expurgada pela censura, que a mutila, principalmente por motivos religiosos, até à quarta edição em 1609. Em 1670, contam-se 18 edições dos cantos. O tempo passa, estudiosos de vários pontos do mundo debruçam-se sobre a sua vida e obra. É elevado a herói nacional. O poeta ainda vivo, apesar do seu fado. Vivo pelo seu amor à Pátria, pela epopeia, pel’Os Lusíadas. Vivo pela sua angústia existencial, pela sua lírica: a mulher como anjo, porém a carne; a razão, porém o desejo; as ideias, porém o dia-a-dia; o espírito, porém o corpo. Luís Vaz dilacerado, violência, violência:

"Erros meus, má fortuna, amor ardente
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a fortuna sobejaram,
Que para mim bastava amor somente.
Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Que as magoadas iras me ensinaram
A não querer já nunca ser contente.
Errei todo o discurso dos meus anos;
Dei causa a que a fortuna castigasse
As minhas mais fundadas esperanças.
De amor não vi se não breves enganos.
Oh! quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Génio de vinganças!"


(1)"Rimas,1616 - (2) "Os Lusíadas", canto VII - (3) "Rhitmas, 1595 - (4) "Rimas", 1598 - (5) "Os Lusíadas", Canto IX - (6) "Os Lusíadas", canto IV - (7) "Rimas", 1668

Fonte

Wikipédia

Vidas Lusófonas

sábado, 6 de junho de 2009

Water - 1st steps - WWF

Desembarque na Normandia ("Dia D") - 6 de Junho de 1944


Considerado por alguns estudiosos o "o mais longo dos dias" a Batalha da Normandia em 1944, com o nome de código de "Operação Overlord", foi a invasão das forças dos Estados Unidos, Reino Unido e aliados na França ocupada pelos alemães na Segunda Guerra Mundial. Foi uma grande jogada política para manter a hegemonia ocidental na Europa, tendo em vista a eminente derrota alemã para o Exército Vermelho, que vinha derrotando os nazis sucessivamente desde a famosa Batalha de Stalingrado. Sessenta e cinco anos mais tarde, a invasão da Normandia continua sendo a maior invasão marítima da história, com quase três milhões de soldados a terem cruzado o canal inglês, partindo de vários portos e campos de aviação na Inglaterra, com destino a Normandia, na França ocupada.



Os primeiros planos da invasão aliada a França começaram a ser discutidos num encontro de
Winston Churchill com o presidente norte-americano Franklin D. Roosevelt em Casablanca, em Janeiro de 1943. Neste encontro chegaram a conclusão que ainda não havia condições para um desembarque na França, mas ficou decidido que o tenente-general inglês Frederick Morgan seria encarregado da elaboração de um plano de assalto detalhado. Em Agosto de 1943, numa nova conferência de líderes aliados no Quebec, Morgan apresentou o plano de invasão da Normandia, um documento com o nome de código de Operação Overlord, que previa um desembarque em Maio de 1944.



Em Dezembro de 1943 o general norte-americano
Dwight Eisenhower é nomeado comandante supremo da Força Expedicionária Aliada. Fica também definido que a frente de desembarque teria mais de 80 quilómetros e o ataque seria feito entre Cherbourg e a baía do Sena. Os múltiplos contratempos da operação ditaram que fosse adiada para Junho, uma vez que os aliados precisavam de mais tempo para construir mais lanchas de desembarque.


A invasão da Normandia começa com a chegada de
pára-quedistas na noite anterior, maciços bombardeios aéreos e navais, e um assalto anfíbio bem cedo, de manhã. Os exércitos, divididos com suas tarefas, tinham como objetivo as praias de nome de código Omaha, Utah, para os americanos; Juno, Gold, Sword para os anglo-canadianos. Do mar, 1240 navios de guerra abriram as baterias contra as linhas de defesa. Do alto, despenhavam toneladas de bombas dos 10 mil aviões que participavam da operação.


Naquela data, 155 mil homens dos exércitos dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Canadá, lançaram-se nas praias da Normandia, região da França atlântica, dando início à libertação europeia do domínio do
nazismo.


As
forças Aliadas que desembarcaram na Normandia eram compostas por restos de divisões dos Estados Unidos da América, da Grã-Bretanha e do Canadá. Transportados por uma frota de 14.200 barcos, protegida por 600 navios e milhares de aviões, asseguraram uma sólida cabeça-de-praia no litoral francês e dali partiram para expulsar os nazis de Paris e, em seguida, marchar em direcção à fronteira da Alemanha. De facto, o desembarque na Normandia foi crucial para os Aliados, uma vez que estes por meio de diversos e insistentes pedidos de Josef Stalin já esboçavam um desembarque maciço de tropas na Europa afim de acabar definitivamente com as forças de Adolf Hitler. A Normandia permanece uma das batalhas mais conhecidas da Segunda Guerra Mundial. Na língua comum, a expressão 'Dia D' continua a ser usada para a data de começo da invasão, e o dia de começo da batalha: 6 de Junho de 1944.



A Alemanha, por iniciativa de
Rommel, esperando o desembarque aliado, procurou defender-se através da chamada muralha do Atlântico. Rommel, com toda sua experiência militar prevera que o desembarque aliado ocorreria nas praias do noroeste francês e conseguiu, assim, tornar a batalha da Normandia verdadeiro inferno para os Aliados, causando pesadas baixas.


Reforço de homens e equipamentos na praia de Omaha
O ataque das praias foi com certeza mais sangrento na praia de Omaha, entre as praias de Utah e Gold, onde os soldados tiveram que enfrentar minas, arames farpados, canhões de 155mm franceses capturados pelos alemães, os famosos obstáculos chamados "porcos-espinhos", tiros de metralhadoras mg42 alemãs, para eles já era um milagre não ser morto quando a rampa dos lcvp (barcos) abriam. Sem contar o sofrimento dos soldados, com quilos e quilos de equipamentos para carregar, e o vento e as ondas afundaram muitas embarcações americanas, e também os tanques, sem mesmo terem chegado a terra.



Vários factores colocaram os comandos militares alemães em desvantagem: a ausência de Rommel, a incapacidade de prever a data da operação, a divergência de opiniões ao mais alto nível (Rommel opinava que a Normandia seria o local ideal para a operação, Hitler estava convicto de que ela iria ter lugar mais a norte em
Calais). Consumado o desembarque e a ruptura das defesas, os aliados ficaram com o caminho aberto para o coração da Europa ocupada e criaram a Segunda Frente.

No entanto, a batalha da Normandia continuou por mais de dois meses, com as campanhas a estabelecer e expandir as posições dos aliados. Concluiu-se com a rendição de Paris e a queda do bolso de
Chambois.


Resumindo, na frente ocidental, a vitória definitiva começou no famoso episódio da invasão no dia 6 de Junho de 1944, data que ficou conhecida como a Batalha de Normandia (ou Dia D).

De lembrar de que a França estava ocupada pelos nazis desde 1940 e a invasão à Normandia visava à libertação do território francês do domínio alemão, feito que somente foi alcançado definitivamente no dia 25 de Agosto daquele ano.


Fonte e mais ingormação
The Blogger
Wikipedia

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Os Poemas


Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...

Mário Quintana



Enviado pela Professora Lilian Azevedo (Brasil)

O menino que carregava água na peneira

Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.

A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e sair
correndo com ele para mostrar aos irmãos.

A mãe disse que era o mesmo que
catar espinhos na água
O mesmo que criar peixes no bolso.

O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos.
A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio
do que do cheio.
Falava que os vazios são maiores
e até infinitos.

Com o tempo aquele menino
que era cismado e esquisito
porque gostava de carregar água na peneira

Com o tempo descobriu que escrever seria
o mesmo que carregar água na peneira.

No escrever o menino viu
que era capaz de ser
noviça, monge ou mendigo
ao mesmo tempo.

O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.

Foi capaz de interromper o vôo de um pássaro
botando ponto final na frase.

Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.

O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor!
A mãe reparava o menino com ternura.

A mãe falou:
Meu filho você vai ser poeta.
Você vai carregar água na peneira a vida toda.

Você vai encher os
vazios com as suas
peraltagens
e algumas pessoas
vão te amar por seus
despropósitos.

Manoel de Barros

Enviado pela Professora Lilian Azevedo (Brasil)

A Criança Misteriosa (cont)

… continuação
– Este é o tutor que o vosso amável tio enviou – disse Sir Thaddeus.
– Cumprimentem-no, como meninos-bem educados!
Mas as crianças não conseguiram mover-se. Nunca tinham visto uma pessoa tão esquisita! Não era muito mais alta do que Félix, mas era corcovado, com pernas magras e pequenas como uma aranha, uma cabeça disforme e uma cara feia: o nariz era enorme, tinha umas bochechas gordas e vermelhas, a boca larga e os olhos pequenos, mas salientes e brilhantes. Usava uma cabeleira postiça, preta, e estava vestido de negro da cabeça aos pés. O seu nome era Master Inkspot.
– Meninos, o que é que se passa convosco? – perguntou a mãe. – Master Inkspot vai pensar que são rudes e ignorantes! Venham já cumprimentá-lo!
E foi o que eles fizeram. Mas, quando o tutor os cumprimentou, eles encolheram-se e soltaram um grito. Ele ria-se muito alto e mostrou-lhes uma agulha escondida na palma da mão, com a qual os picara.
– Mas porquê, caro Master Inkspot? – perguntou Sir Thaddeus um pouco aborrecido.
– Oh, é a minha maneira de ser e não me parece que vá mudar! – disse o tutor. Pôs as mãos nas ancas e riu-se, riu-se sem parar. Era um som desagradável, como chocalhos a baterem.
– Bem, tem sentido de humor, Master Inkspot – disse Sir Thaddeus, mas nem ele nem a família ficaram muito contentes com isto.
– E vocês são duas crianças espertas? – perguntou o tutor. – Vamos lá ver!
Então, começou a perguntar a Félix e Christlieb toda a espécie de questões às quais os seus primos sabiam responder. Quando eles lhe disseram que não sabiam as respostas, ele gritou furioso:
– Aqui está um belo serviço! Então não sabem nada! Estou a ver que há aqui muito trabalho para fazer!
Félix e Christlieb escreviam primorosamente, liam muito bem e sabiam contar histórias maravilhosas dos velhos livros que Sir Thaddeus lhes dera, mas Master Inkspot disse que tudo aquilo eram disparates. Assim, agora não ia haver mais brincadeiras na floresta! As crianças tinham de ficar sentadas em casa quase toda o dia, a estudar as lições. Sentiam como se a voz da misteriosa criança os chamasse. "Venham cá para fora, oh, venham cá para fora brincar! Já não querem brincar comigo?" Eles já não conseguiam prestar atenção ao tutor, não puderam evitá-lo, e saltaram e correram para o bosque. O tutor correu atrás deles e houve uma grande batalha lá fora, com Sultão, o cão, a tomar o partido das crianças. Sir Thaddeus apareceu para os separar, e disse que o tutor devia ir à floresta com as crianças, uma vez por dia.
Master Inkspot não ficou contente com a ideia.
– Mas, se têm um jardim, e tão bonito! – disse. – O que havemos de ir fazer para o meio da floresta?
– Sim – disseram as crianças. – Por que é que Master Inkspot tem de ir connosco para a floresta?
Os três partiram, contudo, e Félix perguntou ao tutor:
– Não gosta da nossa floresta, dos pássaros e das flores?
Master Inkspot mudou de expressão.
– Que lugar estúpido! – disse. – Não há caminhos em condições, podeis rasgar as vossas meias, e, sobre o barulho daqueles pássaros estúpidos, é melhor nem falar! Não desgosto de flores, desde que estejam em jarras dentro de casa, mas essas flores silvestres nem sequer cheiram bem! E, dizendo isto, inclinou-se e apanhou um molho de lírios, com raiz e tudo, e atirou-o para os arbustos.
As crianças sentiram como que um grito de dor a ecoar na floresta, e Christlieb não conseguiu evitar algumas lágrimas, enquanto Félix cerrava os dentes. Depois, um pequeno tentilhão verde passou mesmo em frente do nariz do tutor, pousou num ramo e cantou uma alegre melodia.
– Acho que é um pássaro a troçar! – disse o tutor. Pegou numa pedra e atirou-a ao tentilhão com tanta força que ele caiu morto.
Foi demais para Félix.
– O que é que este pássaro lhe fez de mal, Master Inkspot? – gritou furioso. – Agora matou-o! Oh, querida criança misteriosa, por favor, aparece e deixa-nos voar contigo!
Christlieb juntou-se a ele, a soluçar.
– Por favor, querida criança, aparece e salva-nos, ou Master Inkspot mata-nos como às flores e ao pássaro!
– Criança? De que criança estão a falar? – perguntou o tutor. Houve um murmúrio nos arbustos e as crianças ouviram um som triste, dirigido ao coração, tal como o desmaiar dos sinos lá longe. Uma nuvem brilhante flutuava baixo e eles conseguiram ver a encantadora face da criança misteriosa. Mas esta torcia as mãos, e lágrimas brilhantes como pérolas rolavam pela sua face rosada.
– Oh queridos amigos! – gemeu a misteriosa criança. – Não posso aparecer, e nunca mais ireis ver-me! Adeus, adeus! Pobres crianças! Pepser, o duende, tem-vos nas suas mãos! Adeus, adeus!
E desapareceu no ar.
Então, as crianças ouviram um terrífico zumbido atrás de si. Master Inkspot transformara-
-se numa mosca horrorosa e enorme. Era horrível olhar para ele, pois tinha uma face humana e vestia as mesmas roupas. Levantou voo lentamente e com dificuldade. Estava, obviamente, a tentar seguir a misteriosa criança. Félix e Christlieb, aterrados e em pânico, correram pela floresta e nem olharam para cima até chegarem a uma clareira. Depois, viram uma brilhante mancha por entre as nuvens, cintilando como as estrelas. Estava a aproximar-se e crescia cada vez mais. Ouviram um barulho parecido com o sopro de trompetes. Em breve se aperceberam de que a estrela era um magnífico pássaro de plumagem brilhante. Descia, gritando e batendo as suas poderosas asas.
– Olha! – gritou Félix. – É o Príncipe Faisão. Ele vai dar bicadas em Master Inkspot até o matar. A misteriosa criança está salva e nós também! Anda, Christlieb, vamos para casa contar tudo ao pai.
Sir Thaddeus e a mulher estavam sentados à porta da sua linda casa, tendo o almoço numa mesa à sua frente. Era uma tigela de leite delicioso e um prato com pão e manteiga.
– Onde poderá estar Master Inkspot com as crianças, a esta hora? – perguntou Sir Thaddeus. – Primeiro, fechou-as dentro de casa e não as deixava ir para a floresta, e agora não sai de lá! É um homem muito estranho, e começo a pensar que seria muito melhor que ele nunca tivesse vindo para cá.
– Querido marido – disse a mulher – eu sinto o mesmo! Fiquei contente por o teu primo querer fazer algo de bom pelas crianças, mas não gosto de Master Inkspot. Pode ser muito culto, mas também é muito antipático! Se a caixa do açúcar está aberta, corre para ela, para o lamber, até que eu a feche debaixo do seu nariz! Depois, vai-se embora tão zangado, zumbindo, barafustando e gaguejando de uma maneira esquisita!
Nesse momento, Félix e Christlieb entraram, vindos da floresta. Félix não parava de gritar:
… continua na próxima semana
O Clube de Contadores de Histórias
Biblioteca da Escola Secundária Daniel Faria – Baltar