segunda-feira, 20 de outubro de 2008

A fábula dos dois escorpiões

Deus criara a terra, o mar, o céu, os animais bons e os animais maus para o homem. Por fim, criou os escorpiões, ignorando se iriam ser bons ou maus. Para o saber, decidiu pô-los à prova.
– De momento, a minha Terra é pobre – disse Deus aos dois escorpiões, um preto e outro amarelo. – Preciso de riqueza para os homens, para eles construírem casas, hospitais, escolas, e tudo aquilo que me pedem para poderem viver e educar os filhos. Vou, portanto, confiar-vos uma missão: ides buscar pedras preciosas que haveis de encontrar no deserto. Estão enterradas muito fundo, mas as vossas tenazes hão-de ajudar-vos a encontrá-las. – E Deus olhou-os nos olhos:
– Estas riquezas são muito úteis aos homens. Por esse trabalho, darei a cada um de vós três pedras preciosas. – E Deus franziu o sobrolho:
– É um trabalho longo e difícil, e certamente sereis tentados a ficar com as pedras para vós. Mas, se mentirdes, sereis severamente castigados.
Partiram então os dois escorpiões, depois de terem jurado que entregariam, para o bem comum, mesmo a mais pequenina pedra encontrada pelo caminho.
Recolher tesouros para dar ao Estado, para o bem de todos os homens, não é o mesmo que juntar riqueza para si próprio. É preciso lutar contra o desejo de guardar tudo para si.
Os escorpiões partiram imediatamente, tendo de enfrentar o calor, o vento, a areia, enterrando o aguilhão bem fundo nas dunas, nas ondas de areia, onde, se se procurar com muita atenção, se encontram rubis, safiras, diamantes facetados.
Sabe-se que os desertos se encontram cheios de riquezas escondidas: pedras preciosas, moedas de ouro, ou outra coisa qualquer. Também se sabe que é durante a noite, quando toda a gente está a dormir e nos sentimos sós, que temos hipótese de as encontrar. É que as riquezas estão muitas vezes enterradas, longe dos olhares, o que torna o trabalho dos pesquisadores de ouro cansativo, esgotante, com 50ºC de dia e 20ºC à noite, sem uma gota de água para mergulhar o aguilhão. Mas, se não fosse cansativo, não se chamaria 'tesouro', não é verdade?
O escorpião negro procurou, procurou e não desistiu de procurar… Como era activo e astuto, já tinha encontrado cem diamantes, seiscentas esmeraldas, trezentas safiras e um número sem-conta de rubis. A meio do caminho, por causa da fadiga, assaltou-o um mau pensamento:
"Tanto trabalho! E para receber o quê? Um simples diamantezito, um quarto de unha de rubi, uma magra esmeralda, uma safira de nada? Mas, se eu guardar as pedras melhores para mim, serei o animal mais rico e poderoso da Terra! E talvez Deus passe a olhar-
-nos, a nós, escorpiões, com tanto respeito como aos homens."
E com o aguilhão, enterrou profundamente na areia, num esconderijo ultra-secreto, as pedras preciosas mais belas.
Entretanto, o escorpião amarelo arrastava entre as patas o seu magro tesouro: três rubis, cinco diamantes, sete safiras, um pouco de ouro raspado de uma pedra. A colheita era escassa porque ele tinha passado muito tempo a bronzear-se ao sol e, principalmente, a conversar com a raposa do deserto e com todos os habitantes do deserto que por lá encontrou, para enganar a solidão.
Chegada a hora de prestar contas, Deus chamou à sua presença os dois escorpiões. O escorpião negro só entregou seis pedras. Eram pequeninas, insignificantes e imperfeitas.
– Não encontrei mais nada, meu Senhor – mentiu o escorpião negro. – O meu irmão amarelo andou demasiado depressa! Apanhou tudo antes de mim!
Ao dizer aquilo, os olhos ficaram vermelhos e flamejantes como rubis, sinal de mentira e de hipocrisia.
Deus respondeu-lhe calmamente:
– Mentes! Guardaste todo o tesouro para ti! O que fizeste está mal. Primeiro, porque mentiste. Depois, e acima de tudo, porque roubaste a riqueza dos homens. E por isso serás amaldiçoado! Quando vires um homem ou um animal, terás uma irresistível vontade de o picar com o teu aguilhão e, se o fizeres, matá-lo-ás.
Deus virou-se em seguida para o escorpião amarelo:
– Quanto a ti, foste preguiçoso, passaste o tempo a enganar a solidão. É preciso ter-se coragem e saber-se suportar a fadiga e o isolamento, para se encontrar tesouros. O teu aguilhão também picará, mas só provocará febre durante três dias e três noites.
A partir daquele dia, quando as pessoas vêem um escorpião negro, esmagam-no por causa do medo que lhes inspira. Mas, quando vêem um escorpião amarelo, sabem que este não faz mal, e não o incomodam. Afastam-se dele, mas deixam-no em paz.
Sophie Carquain
Petites histoires pour devenir grand
Paris, Ed. Albin Michel, 2003
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quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Nobel da Literatura: Jean-Marie Gustave Le Clézio


Jean-Marie Gustave Le Clézio, distinguido este ano com o Prémio Nobel da Literatura, escreveu o seu primeiro livro aos sete anos durante uma travessia marítima rumo à Nigéria.
A sua literatura confunde-se com as viagens, que não cessou de empreender. Ganhou a admiração de filósofos como Michel Foucault e Gilles Deleuze, que apreciaram a sua escrita inovadora e revoltada.
Filho de um cirurgião britânico e de uma francesa da Bretanha, nasceu em Nice, sul da França, em 13 de Abril de 1940.
Formado em Letras, trabalhou na Universidade de Bristol e de Londres, em Inglaterra, dedicando uma tese ao poeta Henri Michaux, também ele um viajante. Com 23 anos ganha o Prémio Renaudot, um importante galardão francês, por um ensaio que ainda hoje é considerado magistral, "Le procès-verbal".
Depois de ensinar nos Estados Unidos, em 1967 cumpre o serviço militar na Tailândia, como cooperante, donde é expulso por denunciar a prostituição infantil. Termina o seu serviço militar no México.
Durante quatro anos, de 1970 a 1974, partilha a vida com índios do Panamá, uma experiência que terá grande influência na sua escrita. Depois, ensina em Albuquerque, nos Estados Unidos.
A sua obra, que compreende contos, romances, ensaios, novelas, traduções de mitologia ameríndia, numerosos prefácios e artigos, é considerada como crítica do Ocidente materialista e uma atenção constante aos mais fracos e aos excluídos.
Numa sondagem, realizada em 1994 pela revista francesa Lire, foi considerado como o "maior escritor vivo da língua francesa".
Casado e pai de duas filhas, Le Clézio vive em Albuquerque, mas desloca-se frequentemente entre Nice e uma casa que possui na Bretanha.
"O Processo de Adão Pollo", "O caçador de tesouros", "Deserto" (considerado a sua obra-prima), "Estrela errante", "Diego e Frida", "Índio branco", são os livros de Le Clézio traduzidos em Portugal, cuja obra ultrapassa os 50 títulos.
CMJ.
Lusa
© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.2008-10-09 13:05:01



quarta-feira, 8 de outubro de 2008

A busca em lugar errado

Um vizinho encontrou Nasruddin ajoelhado a procurar qualquer coisa.
— O que anda a procurar, mullah?
— A chave que perdi.
E puseram-se, então, os dois de joelhos, a procurar a chave; e, depois de algum tempo:
— Onde foi que a perdeu? – disse o vizinho.
— Na minha casa.
— Oh, Santo Deus, então por quê procurá-la aqui?
— Porque há mais luz cá fora.
Anthony de Mello
O canto do pássaro
Lisboa, Ed. Paulinas, 1998

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domingo, 5 de outubro de 2008

Dia Mundial do Professor


No dia 5 de Outubro celebra-se o Dia Mundial do Professor. O tema central da comemoração deste ano é a equidade e a melhoria das condições de trabalho dos professores, sendo o slogan escolhido: “Melhores condições de trabalho para os professores significam melhores condições de aprendizagem para os alunos”. Escolas, instituições e governantes preparam inúmeras formas de assinalar a data.

A comemoração deste dia é uma iniciativa da UNESCO assumida desde 1994. Pretende-se desta forma chamar a atenção do público para o papel dos professores em todo o mundo, bem como para a importância do papel crucial que desempenham na sociedade. A escolha deste dia prende-se com a data em que foi publicado o Estatuto do Professor (em 1966), um documento que brindou os professores com um instrumento que define as suas responsabilidades e os seus direitos. Ao adoptar esta Recomendação, os governos reconhecem a importância de em cada sociedade existirem professores competentes, qualificados e motivados. A comunidade internacional entende, pois, que o reconhecimento e a apreciação do Professor são não apenas muito positivos como necessários.

Segundo as recomendações das Nações nas celebrações do Dia do Professor 2004, ao comemorar este dia estamos a dizer aos professores “Apreciamo-vos. Valorizamos terem escolhido esta profissão, tão fundamental para a nossa sociedade, e o facto de a continuarem a exercer, mesmo fazendo faces aos novos desafios dos nossos dias; valorizamos as vossas iniciativas quando abrem caminhos de conhecimento e tolerância; temos consciência que a vossa profissão exige muito e vós e acarreta muitas responsabilidades; sabemos que é fundamental que tenham formação apropriada e um ambiente de trabalho decente; consideramos os esforços adicionais que fazem também os professores com alunos que têm necessidades educativas especiais; reconhecemos a vossa capacidade para ouvir os alunos, chamá-los às responsabilidades. Em suma, aconselhamos todos os alunos, encarregados de educação, líderes locais e nacionais, empresas, instituições, governos, a dizer apenas neste próximo dia 5: Nós apreciamos-te, Professor”.

Fonte
http://bica.cnotinfor.pt/noticia.php?edi=34&nt=595


Mais em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_do_professor

5 de Outubro de 1910 - Proclamação da República Portuguesa


A 21 de Setembro de 1910 a imprensa do Rio de Janeiro, publica uma extensa entrevista a Magalhães Lima feita em Paris. Entre outras declarações, o conhecido Republicano afirma que “…a Monarquia está irremediavelmente perdida, a República Portuguesa será em breve um facto, mesmo que os Republicanos a não proclamassem ela seria, apesar de tudo, proclamada pela fatalidade das circunstâncias e pela lógica dos acontecimentos.”

3 de Outubro de 1910 – O Dr. Miguel Bombarda é assassinado por um seu antigo doente, quando se encontrava no seu gabinete, no Hospital de Rilhafoles. O agressor é o tenente do exército Aparício Rebelo.
Perdem assim os Republicanos um dos seus mais prestigiosos dirigentes.
Nesse mesmo dia às 20 horas – o Almirante Cândido dos Reis, Afonso Costa, José Relvas, João Chagas, António José de Almeida, Eusébio Leão entre outros Republicanos reúnem-se em casa da mãe de Inocêncio Camacho, na Rua da Esperança 106, 3º. Fica combinado, de acordo com planos já estabelecidos que a revolução começaria à 1 hora da madrugada com uma salva de 31 tiros disparados de navios de guerra surtos no Tejo.

4 de Outubro de 1910 – 1 Hora e 20 – soam tiros, não eram 31, instala-se o pânico entre os revolucionários. O quartel de marinheiros em Alcântara que estava previsto revoltar-se está cercado por Infantaria1, Cavalaria4 e Caçadores2.

- Estão na rua 3000 homens fiéis à Monarquia com as baterias a cavalo.

- O Comissário Naval, Machado Santos, com praças do Infantaria16 de Campo de Ourique, ataca o Quartel de Artilharia1.

- O Capitão Sá Cardoso, com um pelotão de Infantaria16 parte para atacar o Palácio das Necessidades.

- Machado Santos, com outra força de Infantaria16 ataca a esquadra de polícia no Largo do Rato e arma civis.

Às 5 horas, Machado Santos comanda as forças revoltosas, que descem a Avenida em direcção ao Rossio, são bombardeados, retrocedem para a Rotunda e fecham as entradas para as Avenidas Fontes e Duque de Loulé.
Pelas 9 horas, Machado Santos só dispõe de 8 peças de artilharia. Comanda 9 sargentos e 200 homens, mas civis armados acorrem à Rotunda para os auxiliar.
Às 12:30 horas, as forças leais à Monarquia comandadas pelo capitão Paiva Couceiro, fustigam duramente a Rotunda com as baterias de Queluz.

Às 14 horas, os cruzadores S. Rafael e Adamastor bombardeiam o Palácio das Necessidades. O Governo pede ao Rei que se retire para Mafra. O Rei obedece e parte com o Conde de Sabugosa e o Marquês do Faial.

5 de Outubro de 1910 – 6 horas – Fogo dos revoltosos contra as forças do Rossio. De Queluz, as baterias de Couceiro atacam e começam a desembarcar os marinheiros dos navios de guerra estacionados no Tejo.

Às 11 Horas, José Relvas, acompanhado por outros revolucionários, proclama a República de uma janela da Câmara Municipal de Lisboa.


No Porto, Dr. Nunes da Ponte, lê na varanda central dos Paços do Concelho o texto da proclamação e declara “perpetuamente abolida a Dinastia de Bragança”.

Segundo o suplemento do Diário do Governo nº 222, fica assim constituído o 1º Governo Provisório
Presidente – Dr. Joaquim Theophilo Braga
Interior – Dr. António José Almeida
Justiça – Dr. Affonso Costa
Fazenda – Basílio Teles
Guerra – António Xavier Correia Barreto
Marinha – Amaro Justiniano de Azevedo Gomes
Estrangeiro – Dr. Bernardino Luís Machado Guimarães
Obras Públicas – Dr. António Luís Gomes

A Família Real parte para o exílio, embarca no Iate Amélia com destino a Gibraltar.
O Governo Britânico disponibiliza o Iate Real Victoria And Albert para conduzir o Rei, a Rainha D. Amélia e o Infante D. Afonso para Inglaterra. A Rainha D. Maria Pia será conduzida, de Gibraltar para Itália, a bordo de um navio Italiano.



O movimento revolucionário de 5 de Outubro de 1910 deu-se em natural sequência da acção doutrinária e política que, desde a criação do Partido Republicano, em 1876, vinha sendo desenvolvida.
O rápido sucesso deste movimento que instaurou a República deve-se, em grande parte, à colaboração da Carbonária, sociedade secreta que actuava ligada à Maçonaria.
Machado Santos era membro dirigente da Alta Venda, um dos mais importantes centros da Carbonária, parte dele o aliciamento de muitos revolucionários entre praças, sargentos, marinheiros, operários, estudantes, populares em geral.
Aumentando contraposição entre a República e a Monarquia, a propaganda republicana fora sabendo tirar partido de alguns factos históricos de repercussão popular: as comemorações do terceiro centenário da morte de Camões, em 1880, e o Ultimatum inglês, em 1890, fora aproveitados pelos defensores das doutrinas republicanas que se identificaram com os sentimentos nacionais e aspirações populares.

Após o 5 de Outubro foi substituída a bandeira portuguesa. As cores verde e vermelho significam, respectivamente, a esperança e o sangue dos heróis. A esfera armilar simboliza os Descobrimentos, os sete castelos representam os primeiros castelos conquistados por D. Afonso Henriques, as cinco quinas significam os cinco reis mouros vencidos por este Rei e, finalmente, os cinco pontos em cada uma, as cinco chagas de Cristo. O hino A Portuguesa, composto por Alfredo Keil, com texto de Henrique de Mendonça, tornou-se o Hino Nacional (»ouvir«).


Fonte

http://espreitador.blogspot.com/2005/10/primeira-repblica-5-de-outubro-de-1910.html
http://www.geocities.com/atoleiros/republic.htm
http://momentosydocumentos.wordpress.com/2008/10/05/revolucao-de-5-de-outubro-de-1910-2/


Mais em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Proclamação_da_República_Portuguesa

sábado, 4 de outubro de 2008

Dia Mundial do Animal


Quatro de Outubro é o Dia Mundial do Animal, a mesma data em que se festeja o Dia de São Francisco de Assis, um grande defensor da Natureza e dos animais.
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Franciscus van Assisi nasceu em Assis, velha cidade da Itália, situada na região da Úmbria em 26 de Setembro de 1182.
Francisco, quando ainda não era santo tentou ser comerciante, mas não obteve sucesso. Nas cruzadas, lutou pela fé, mas com objectivos individuais de se destacar e alcançar glórias e vitórias. Passou por um período de doença na sua vida, a partir do qual decidiu passar a ajudar os mais carenciados.
Segundo contam livros com a história de sua vida, Francisco recebeu um chamado de Deus, largou tudo e passou a viver como errante, sem destino e maltrapilho. Desde então, adoptou um estilo de vida baseado na pobreza, na simplicidade de vida e no amor total a todas as criaturas.
Sempre se referia aos animais como irmãos: irmão fera, irmã leoa. Chegou a comprar pássaros engaiolados só para os ver voar de novo em liberdade.
São Francisco de Assis também amava as plantas e toda a natureza: irmão sol, irmã lua... São expressões comuns na fala do santo, um dos mais populares até os nossos dias.
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Morreu a 4 de Outubro de 1226. Dois anos após a sua morte foi santificado.
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Em 1929 no Congresso de Protecção Animal em Viena, Áustria, foi declarado o dia da morte de São Francisco de Assis como o Dia Mundial do Animal, por Francisco de Assis ser tão bondoso para os animais.
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Em Outubro de 1930, foi comemorado pela primeira vez o Dia Mundial do Animal.
A 15 de Outubro de 1978 foram registados os direitos dos animais através da aprovação da Declaração Universal dos Direitos do Animal pela UNESCO. O Dr. Georges Heuse, secretário-geral do Centro Internacional de Experimentação de Biologia Humana e cientista ilustre, foi quem propôs esta declaração.
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Este dia celebra-se em mais de 45 países, como forma de homenagear estes nossos amigos, em especial aqueles que sofrem por serem abandonados, explorados ou maltratados.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Dar um lamiré


Significado: Sinal para começar alguma coisa.

Origem: Trata-se da forma aglutinada da expressão «lá, mi, ré», que designa o diapasão, instrumento usado para a afinação de instrumentos ou vozes; a partir deste significado, a expressão foi-se fixando como palavra autónoma com significação própria, designando qualquer sinal que dê começo a uma actividade.

Historicamente, a expressão «dar um lamiré » está, portanto, ligada à música (cf. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa).

Nota: Escreve-se lamiré , com o r pronunciado como em caro.

Dinis Machado



Dinis Machado (Lisboa, 21 de Março de 1930 - Lisboa, 3 de Outubro de 2008) foi um jornalista e escritor português.
Viveu no Bairro Alto até 1963. Foi jornalista desportivo no Record, Norte Desportivo, Diário Ilustrado e Diário de Lisboa.
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Organizou no princípio da década de 1960 os primeiros ciclos de cinema da Casa da Imprensa e publicou críticas na revista Filme.
Também escreveu poesia, fez entrevistas e publicou três romances policiais sob o pseudónimo Dennis McShade na colecção Rififi, então dirigida por ele: Mão direita do Diabo (1967), Requiem para D. Quixote (1967) e Mulher e arma com guitarra espanhola (1968).
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O seu maior sucesso literário, tanto junto da crítica como do público, foi O que diz Molero, publicado em 1977 e que já foi traduzido para quatro idiomas (alemão, búlgaro, castelhano e romeno). A sua adaptação ao teatro, feita por José Pedro Gomes e António Feio, foi também um sucesso
Também é autor de Discurso de Alfredo Marceneiro a Gabriel Garcia Marquez (1984), de Reduto quase final (1989) e de Gráfico de vendas com orquídea (1999).
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Dinis Machado, em entrevista ao Pessoal e Transmissível da TSF, em 2007, defende que a escrita ensina as pessoas a conhecerem-se.
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Dinis Machado, escritor, jornalista desportivo, crítico de cinema e ainda autor de banda desenhada, faleceu, esta sexta-feira em Lisboa, aos 78 anos.
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Bibliografia
Machado, Dinis - Discurso de Alfredo Marceneiro a Gabriel Garcia Marquez, Bertrand, 1984
Machado, Dinis - Mão Direita do Diabo, Colecção Rififi, D.Quixote, 1968
Machado, Dinis - Mulher e Arma com Guitarra Espanhola, Coleccão Rififi, D.Quixote, 1968
Machado, Dinis- O que diz Molero, Bertrand, 1977
Machado, Dinis- Reduto quase final, Bertrand,1989
Machado, Dinis- Requiem para D.Quixote, Colecção Rififi, D.Quixote 1968

Outubro - Mês Internacional das Bibliotecas Escolares


Celebra-se durante o mês de Outubro o Mês Internacional das Bibliotecas Escolares.
Este ano temos como tema Literacia e Aprendizagem na Biblioteca Escolar (Literacy and Learning at Your School Library).

Na nossa BECRE vamos assinalá-lo no próximo dia 27, com actividades diversas e com a comemoração do primeiro aniversário do blog.

Temos surpresas, não faltes.

Semana de Comemorações do Dia Mundial da Música



quinta-feira, 2 de outubro de 2008

A nossa terra é sagrada

Carta do Chefe índio Seattle ao Grande Chefe de Washington, Franklin Pierce, em 1854, em resposta à proposta do Governo norte-americano de comprar grande parte das terras da sua tribo Duwamish, oferecendo em contrapartida a concessão de uma reserva.
Como podereis comprar ou vender o céu? Como podereis comprar ou vender o calor da terra? A ideia parece-nos estranha. Se a frescura do ar e o murmúrio da água não nos pertencem, como poderemos vendê-los?
Para o meu povo, não há um pedaço desta terra que não seja sagrado. Cada agulha de pinheiro cintilante, cada rio arenoso, cada bruma ligeira no meio dos nossos bosques sombrios são sagrados para os olhos e memória do meu povo.
A seiva que corre na árvore transporta nela a memória dos Peles-Vermelhas, cada clareira e cada insecto que zumbe é sagrado para a memória e para a consciência do meu povo. Fazemos parte da terra e ela faz parte de nós. Esta água cintilante que desce dos ribeiros e dos rios não é apenas água; é o sangue dos nossos antepassados.
Os mortos do homem branco esquecem a sua terra quando começam a viagem através das estrelas. Os nossos mortos, pelo contrário, nunca se afastam da Terra que é Mãe. Fazemos parte dela. E a flor perfumada, o veado, o cavalo e a águia majestosa são nossos irmãos.
As encostas escarpadas, os prados húmidos, o calor do corpo do cavalo e do homem, todos pertencem à mesma família. Se vendermos esta terra, não ireis, decerto, ensinar aos vossos filhos que ela é sagrada. Como poderei dizer-vos que o murmúrio da água é a voz do pai do meu pai...
Também os rios são nossos irmãos porque nos libertam da sede, arrastam as nossas canoas, trazem até nós os peixes… E, além do mais, cada reflexo nas claras águas dos nossos lagos relata histórias e memórias da vida das nossas gentes. Sim, Grande Chefe de Washington, os nossos rios são nossos irmãos e saciam a nossa sede, levam as nossas canoas e alimentam os nossos filhos.
Se vos vendêssemos a nossa terra, teríeis de recordar e de ensinar aos vossos filhos que os rios são nossos irmãos e também seus. E é por isso que devem tratá-los com a mesma doçura com que se trata um irmão. Sabemos que o homem branco não percebe a nossa maneira de ser. Para ele um pedaço de terra é igual a um outro pedaço de terra, pois não a vê como irmã mas como inimiga. Depois de ela ser sua, despreza-a e segue o seu caminho.
Deixa para trás a campa dos seus pais sem se importar. Sequestra a vida dos seus filhos e também não se importa. Não lhe interessa a campa dos seus antepassados nem o património dos seus filhos esquecidos. Trata a sua Mãe Terra e o seu Irmão Firmamento como objectos que se compram, se exploram e se vendem tal como ovelhas ou contas coloridas. O seu apetite devora a terra, deixando atrás de si um completo deserto.
Não consigo entender. As vossas cidades ferem os olhos do homem pele-vermelha. Talvez seja porque somos selvagens e não podemos compreender. Não há um único lugar tranquilo nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desenrolar das folhas ou o rumor das asas de um insecto na Primavera.
O barulho da cidade é um insulto para o ouvido. E eu pergunto-me: que tipo de vida tem o homem que não é capaz de escutar o grito solitário de uma garça ou o diálogo nocturno das rãs em redor de uma lagoa? Sou um pele-vermelha e não consigo entender. Nós preferimos o suave murmúrio do vento sobre a superfície de um lago, e o odor deste mesmo vento purificado pela chuva do meio-dia ou perfumado com o aroma dos pinheiros.
Quando o último pele-vermelha tiver desaparecido desta terra, quando a sua sombra não for mais do que uma lembrança, como a de uma nuvem que passa pela pradaria, mesmo então estes ribeiros e estes bosques estarão povoados pelo espírito do meu povo. Porque nós amamos esta terra como uma criança ama o bater do coração da sua mãe.
Se decidisse aceitar a vossa oferta, teria de vos sujeitar a uma condição: que o homem branco considere os animais desta terra como irmãos.
Sou selvagem e não compreendo outra forma de vida. Tenho visto milhares de búfalos a apodrecer, abandonados nas pradarias, mortos a tiro pelo homem branco que dispara de um comboio que passa. Sou selvagem e não compreendo como uma máquina fumegante pode ser mais importante que o búfalo, que apenas matamos para sobreviver.
Tudo o que acontece aos animais acontecerá também ao homem. Todas as coisas estão ligadas. Se tudo desaparecer, o homem pode morrer numa grande solidão espiritual. Todas as coisas se interligam. Ensinai aos vossos filhos o que nós ensinamos aos nossos sobre a terra: que a Terra é nossa Mãe e que tudo o que lhe acontece a nós acontece aos filhos da terra.
Se o homem cuspir na terra, cospe em si mesmo. Sabemos que a terra não pertence ao homem, mas que é o homem que pertence à terra. Os desígnios terrenos são misteriosos para nós. Não compreendemos por que os bisontes são todos massacrados, por que são domesticados os cavalos selvagens, nem por que os lugares mais secretos dos bosques estão impregnados do cheiro dos homens, nem por que a vista das belas colinas está guardada pelos "filhos que falam".
Talvez um dia sejamos irmãos. Logo veremos. Mas estamos certos de uma coisa que talvez o homem branco descubra um dia: o nosso Deus é um mesmo Deus. Agora podeis pensar que Ele vos pertence, da mesma forma que acreditais que as nossas terras vos pertencem. Mas não é assim. Ele é o Deus de todos os homens e a sua compaixão alcança por igual o pele-vermelha e o homem branco.
Esta terra tem um valor inestimável para Ele e maltratá-la pode provocar a ira do Criador. Que é feito dos bosques profundos? Desapareceram. Que é feito da grande águia? Desapareceu também. Mas o homem não teceu a trama da vida: isto sabemos. Ele é apenas um fio dessa trama. E o que faz a ela fá-lo a si mesmo.
Também os brancos se extinguirão, talvez antes das outras tribos. O homem não teceu a rede da vida. É apenas um fio e está a desafiar a desgraça se ousar destruir essa rede. Tudo está relacionado entre si como o sangue de uma família. E, se sujardes o vosso leito, uma noite morrereis sufocados pelos vossos excrementos. Assim se acaba a vida e só nos restará a possibilidade de tentar sobreviver.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Dia Mundial da Música


"Porque a Música penetra mais fundo na alma humana."
PLATÃO

2 Milhões de história humana desenvolveram olhos com pálpebras, mas ouvidos sempre abertos. É o primeiro dos sentidos que desenvolvemos, pois ao 3.º mês de concepção já o bebé tem o seu aparelho auditivo acabado. É pelos ouvidos que tomamos o primeiro contacto com o mundo exterior, e é pelos ouvidos que se conhecem pai e mãe com as vozes que inundam o caldo do ventre materno. A poesia dos sons embala-nos desde o berço, amniótico ou de palhinha, seja por caixas de música electrónicas, ou pela voz emocionada de mães e avós.

Não importa procurar definir o que é, porque para cada um de nós a Música é sempre alguma coisa. Diferente dum esquimó para um filarmónico português, é certo, mas permitindo a comunicação entre cristãos e muçulmanos, africanos e americanos, profissionais e amadores, crianças e avós. Mesmo em povos para os quais não existe a palavra Música, e são muitos, tal é o lugar indissociável que tem nas funções que lhes dão o nome, estrutura muitos dos rituais comunitários e atravessa todo o sistema educativo. Porquê educar pela e com a Música? Platão, muito antes de qualquer técnica de marketing ou investigação musicoterapeutica, responde de forma simples: Porque a Música penetra mais fundo na alma humana.

Porque muito antes de os homens organizarem os sons, os sons organizaram os homens.
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Hoje, não deixe de ouvir um tema musical que lhe seja particularmente querido. Mas não o faça colocando o CD e lendo o jornal ou fazendo o jantar ou uma outra coisa qualquer. Sente-se só para ouvir. E se tiver coragem, o melhor mesmo é cantar uma canção. Para si ou para quem lhe estiver mais próximo.

O Sétimo Selo - José Rodrigues dos Santos



LIVRO DO MÊS
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Sinopse:
Um cientista é assassinado na Antárctica e a Interpol contacta Tomás Noronha para decifrar um enigma com mais de mil anos, um segredo bíblico que o criminoso rabiscou numa folha e deixou ao lado do cadáver: 666.
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O mistério em torno do número da Besta lança Tomás numa aventura de tirar o fôlego, uma busca que o levará a confrontar-se com o momento mais temido por toda a humanidade: o apocalipse. De Portugal à Sibéria, da Antárctica à Austrália, O Sétimo Selo transporta-nos numa empolgante viagem às maiores ameaças que se erguem à sobrevivência da Humanidade.
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Baseando-se em informação científica actualizada, José Rodrigues dos Santos volta com este emocionante romance aos grandes temas contemporâneos, numa descoberta que poderá abalar a forma como cada um de nós encara o futuro da humanidade e do nosso planeta.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

A gaivota que não queria ser

Era uma vez uma gaivota que gostava de ser pomba.
Dizia ela que as gaivotas não servem para nada, ao passo que as pombas sempre servem para alguma coisa.
Levam cartas, mensagens, avisos de um lado para o outro — explicava ela às outras gaivotas. — São as pombas ou os pombos-correios.
— Também há quem as cozinhe com ervilhas
— interrompeu-a uma gaivota trocista.
Essa serventia a nós não nos interessa — arrepiaram-se as outras gaivotas, que voaram, alarmadas.
Ficou sozinha a gaivota que queria ser pomba. Servir de cozinhado também não estava nas suas ambições, mas à falta de outro préstimo… E pensou: "Gaivota estufada", "Gaivota de cabidela", "Gaivota guisada com batatas"…
Realmente, não lhe soava bem. E menos bem devia saber, porque nunca lhe constara que os humanos, de boca aberta para todos os gostos, tivessem incluído tais receitas nos seus livros de cozinha.
A gaivota que queria ser pomba ficou a olhar o mar. Ia abrir as suas asas para as lançar sobre as ondas, à cata de peixinho para o almoço, quando um estranho torpor lhe tomou o corpo. Deteve-se. Encolheu-se. Tapou a cabeça com uma asa. Aquilo havia de passar.
As outras gaivotas, que há pouco tinham debandado, regressavam à praia, apanhadas pelo mesmo entorpecimento que atingira a gaivota desta história.
Formaram um bando tiritante, rente ao mar. Umas, levantadas numa só pata, outras escondidas numa cova da areia, olhavam as águas esverdinhadas, espumosas, como turistas descontentes com a paisagem.
Estão as gaivotas em terra — disse uma voz humana, abrindo uma janela, junto à praia. — Vai haver tempestade. Sendo assim, já não me arrisco a ir para o mar.
De facto, quando as gaivotas ficam em terra, os pescadores sabem que o tempo vai mudar. Elas é que dão o sinal. Elas é que sabem. Elas é que pressentem quando a tempestade se aproxima.
"Afinal, sempre tenho alguma utilidade", pensou a gaivota que queria ser pomba, toda enrolada numa bola de penas, e, daí em diante, preferiu continuar a ser gaivota.

António Torrado
http://www.historiadodia.pt/

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terça-feira, 23 de setembro de 2008

Blog da BECRE Dom Paio Peres Correia - 1º Aniversário


Hoje fazemos um ano. O primeiro de muitos mais.
Contamos sempre com a colaboração de todos, claro, para fazermos sempre melhor.
No dia 27 de Outubro, em simultâneo com as actividades do Mês das Bibliotecas, iremos assinalar este primeiro aniversário.
Haverá surpresas. Não faltes.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Morreu Richard Wright, teclista dos Pink Floyd


O teclista Richard Wright, um dos membros fundadores dos Pink Floyd, faleceu, no passado dia 15, de cancro, aos 65 anos, informou o seu porta-voz.

Wright, também conhecido por Rick Wright, nasceu em Londres em 1943 e entrou para os Pink Floyd em finais dos anos 60, participando no primeiro álbum do grupo, "The Piper at the Gates of Dawn", em 1967, com Syd Barrett, Roger Waters e Nick Mason.

David Gilmour juntou-se à banda em 1968 e Barrett saiu pouco tempo depois.
Com esta nova formação, os Pink Floyd atingiram um dos pontos mais altos da sua carreira em 1973, ao lançarem o álbum "The Dark Side Of The Moon", no qual Rick Wright teve uma importante prestação e que se manteve na lista dos mais vendidos nos Estados Unidos durante mais de um decénio.

Com a "impressão digital" de Roger Waters bem evidente, "The Wall", de 1979, foi outro dos grandes êxitos do grupo.

Rick Wright afastou-se, por essa altura, Waters sairia também, algum tempo depois, mas o teclista regressou em 1987, participando a partir de então noutros álbuns, nomeadamente em "The Division Bell", e em tournées do grupo.

Os Pink Floyd voltaram a reunir-se em 2005, pela primeira vez em 24 anos, no concerto Live 8 em Hyde Park em Londres.

Fonte
LUSA

terça-feira, 16 de setembro de 2008

A Ferradura

Era uma vez uma velha ferradura.
Um senhor encontrou-a, levantou-a do chão e meteu-a no bolso do sobretudo.
É para dar sorte — disse o senhor de si para si, muito convencido do que dizia.
Quando chegou a casa e a mulher foi pendurar o sobretudo no cabide é que foram elas.
Tens o sobretudo tão pesado, homem — intrigou-se ela.
O senhor explicou o porquê:
É para dar sorte.
Se dá sorte, não sei — repontou a ela. — O que sei é que o peso da ferradura rompeu o bolso do sobretudo. Tirá-la de dentro do forro vai ser o cabo dos trabalhos.
O senhor, pacientemente, recuperou a ferradura do sobretudo, que foi para coser, e pendurou-a num prego atrás da porta.
É para dar sorte.
No dia seguinte, ia ele a entrar em casa com a mulher, e a porta não se abriu. Porque seria, porque não seria…
Tiveram de entrar em casa, a muito custo, por uma janela.
A ferradura tinha caído e entalara-se em cunha na porta, impedindo-a de abrir-se.
Estou a ver que a ferradura só dá trabalhos — comentou a mulher.
O senhor não ligou e foi meter a ferradura numa gaveta:
É para dar sorte.
Passado tempo, a mulher veio mostrar-lhe umas camisas todas manchadas:
Puseste a maldita da ferradura na gaveta, encheu-se de ferrugem e deu cabo destas camisas. As melhores que tinhas…
Então o senhor aborreceu-se. Estava desiludido com a ferradura, que só o metera em trabalhos.
Vou desfazer-me do raio da ferradura. Para dar sorte… — e atirou-a pela janela.
Por pouca sorte, a ferradura foi bater no capot de um automóvel que ia a passar. Pior seria se tivesse acertado em alguma cabeça. Mesmo assim amolgou o automóvel.
Veio o automobilista pedir explicações:
Quem é o animal que anda a atirar os sapatos para o meio da rua?
O senhor que achara a ferradura teve de pedir muitas desculpas e pagar uma indemnização, para que o caso ficasse por ali. E para que a história acabasse aqui.
António Torrado

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Bom Ano Lectivo 2008/2009

A Equipa da Biblioteca e Centro de Recursos do Agrupamento de Escolas Dom Paio Peres Correia deseja a toda a comunidade escolar e seus familiares, a todas as BECRE's e a todos os utilizadores e colaboradores deste blogue, um Bom Início de Ano Lectivo 2008/2009.
Não deixem de visitar a BECRE e o blogue. Temos novidades.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

"Harry Potter e o Príncipe Misterioso" (trailer do novo filme)



O filme baseado no livro Harry Potter and the Half-Blood Prince, ("Harry Potter e o Príncipe Misterioso" em Portugal, "Harry Potter e o Enigma do Príncipe" no Brasil), vai estrear em Portugal no dia 20 de Novembro.


O BiblioFilmes Festival apresenta, principalmente aos fãs dos filmes de Harry Potter, o primeiro trailer oficial do novo filme da saga.




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quarta-feira, 23 de julho de 2008

A ponte

Max e Pedro eram alunos da terceira classe. Moravam em frente um do outro, na mesma rua de uma pequena cidade. Já tinham sido grandes amigos, mas, por um motivo qualquer, tiveram um dia uma discussão e passaram a odiar-se.
Quando Max saía da porta do pátio, gritava para o outro lado da rua:
Ó palerma! — E mostrava o punho ao ex-amigo.
Pedro respondia:
— Quantos escaravelhos como tu são precisos para fazer um quilo? — E ameaçava-o também com o punho.
Os colegas da turma tinham já tentado reconciliá-los por várias vezes, mas todos os esforços haviam sido vãos. Eram mesmo dois teimosos! Da última vez, acabaram a atirar bolas de lama, um ao outro.
Um dia, tinha chovido muito. Depois, as nuvens afastaram-se e o sol voltou a brilhar, mas a rua ficara inundada. Quem queria atravessar tentava, a medo, medir a profundidade da água com a ponta do pé, e recuava.
Max saiu de casa, parou na frente do pátio e olhou satisfeito à sua volta. Tudo fresco e lavado pela chuva, brilhava agora ao sol. De repente, o seu rosto tornou-se sombrio. Do outro lado da rua, estava Pedro parado à porta de casa. E Max reparou que ele tinha na mão uma grande pedra.
"Ah!", pensou Max. "Então queres atirar-me com uma pedra! Isso também eu sei fazer!"
Correu novamente em direcção ao pátio, procurou um tijolo e voltou para a rua, pronto para se defender.
Mas Pedro não lhe atirou a pedra. Baixou-se na beira do passeio e depô-la na água com cuidado. Depois, experimentou com o pé para ver se oscilava, e desapareceu.
A pedra parecia uma pequena ilha.
"Ah!", pensou Max. "Isso também eu sei fazer!" E colocou o seu tijolo na água.
Pedro voltou a aparecer, carregando uma segunda pedra. Pôs o pé com cuidado em cima da primeira e colocou a segunda pedra na água, alinhada com o tijolo do seu inimigo. Max trouxe então três tijolos de uma só vez.
E assim foram construindo uma passagem sobre a água.
Nos dois lados da rua, as pessoas observavam-nos e esperavam. Por fim, ficou apenas a distância de um passo entre o último tijolo e a última pedra. Max e Pedro estavam em frente um do outro. Era a primeira vez, desde há muito tempo, que se olhavam novamente nos olhos.
Tenho uma tartaruga no meu pátio — diz Max. — Queres vir vê-la?

N. Oettli

Jutta Modler (org.)
Brücken Bauen
Wien, Herder, 1987

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Delfins acabam ao fim de 25 anos!


Delfins acabam ao fim de 25 anos!


No ano em que celebram 25 anos de carreira, os Delfins decidiram colocar um ponto final com um concerto marcado para 31 de Dezembro de 2009, em local a anunciar...

Outros assuntos interessantes em…

http://www.terradosol.blogspot.com

domingo, 6 de julho de 2008

A criança mais carinhosa









O amor é tudo.
É a chave da vida, e são as suas influências
que movem o mundo.

Ralph Waldo Trine







Escritor e conferencista, Leo Buscaglia contou que uma vez lhe pediram que fosse júri de um concurso. O objectivo do concurso era encontrar a criança mais carinhosa. Quem ganhou foi um menino de quatro anos, cujo vizinho do lado era um homem idoso que perdera recentemente a mulher. Ao ver o homem a chorar, o rapazinho entrou no quintal dele, subiu-lhe para o colo e ficou ali sentado. Quando a mãe lhe perguntou o que dissera ao vizinho, o rapazinho respondeu:
— Nada, só o ajudei a chorar.
Ellen Kreidman




Canja de galinha para a alma
Mem Martins, Lyon Edições, 2002



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Leitora do Ano - Tatiana Machado 8ºA

sábado, 28 de junho de 2008

A raposa


Era uma vez um pescador que ia apanhar lenha pela costa do mar, e encontrou um tubarão metido numa rede. O tubarão, mal o viu, disse-lhe:
— Ó bicho-homem, tiras-me desta rede?
O homem teve pena do tubarão e tirou-o da rede. Mas o tubarão, que havia uns poucos de dias que estava preso na rede, tinha fome e botou-se ao homem para o comer. O homem disse-lhe, muito aflito:
— Ó tubarão, então eu tirei-te da rede e tu agora queres comer-me?
O tubarão respondeu-lhe:
— Como, porque tenho fome.
O homem disse-lhe:
— Pois não me comas sem primeiro tomarmos três conselhos, dos três primeiros fôlegos vivos que encontrarmos. Se todos tiverem a mesma opinião, está o juramento aprovado. E se um disser uma coisa e dois outra, a maioria é que vence.
Mas o tubarão não queria largar o homem, e não largou, mas sempre com ele agarrado.
Chegaram à areia de terra e avistaram um burro velho, e perguntaram-lhe:
— Ó burro, por bem fazer, mal haver?
Responde o burro:
— Sempre foi e há-de ser.
Perguntou o homem:
— Porque dizes tu isso?
— Porque eu quando era burro novo, meu amo até numa rede me trazia por via das moscas; quando ele ia a cavalo, eu ia todo contente a saltar. Hoje que me acho burro velho, botou-me à margem. Pagou-me o bem com o mal.
Diz o tubarão:
— Vês, homem, o primeiro já está a meu favor.
Daí a bocado, passa um galgo também velho. Diz o homem:
— Ó galgo, por bem fazer, mal haver?
O galgo respondeu:
— Sempre foi e há-de ser.
Diz o homem:
— Porque dizes tu isso?
— Porque quando eu era galgo novo, meu amo ia para o monte à caça, e eu corria aquela toda sobre a caça. Tinha-me o meu amo tanto amor, que não me dava por dinheiro nenhum. Agora estou cansado e velho, e meu amo, para me não matar, botou-me para o monte, cheio de pancada, e aqui está como ele me pagou o bem com o mal.

O tubarão abriu a boca para comer o homem. O homem disse:
— Alto lá, que ainda falta um.
Nisto, aparece uma raposa. Diz o homem:
— Ó comadre raposa, por bem fazer, mal haver?
Diz a raposa:
— Não, que eu não posso lavrar a sentença sem ver o crime.
Responde o homem:
— Então como é que se há-de agora formar o crime?
Responde a raposa:
— Torne o tubarão para a rede.
O tubarão, isso não queria, mas não teve remédio e sempre foi. O homem, mal o viu lá, ainda o segurou mais do que ele estava.
A raposa então disse:
— Agora salte o homem cá para terra.
A raposa voltou-se para o tubarão e disse-lhe:
Por bem fazer, mal haver,
Sempre foi e há-de ser;
Quem quiser fugir que fuja,
Que eu assim vou fazer.
Depois, o homem fugiu para um lado, a raposa para outro, e o tubarão ficou preso dentro da rede.
Depois a raposa foi pôr-se adiante num caminho a fingir-se morta.
O pobre homem, que andava apanhando a lenha, encontrou a raposa e disse:
— Ah! coitadinha, pobre raposa, ainda agora me valeste, quem te mataria?
Nisto pegou nela e tirou-a do caminho, não viesse algum carro que a traçasse.
A raposa levantou-se, sem o homem ver, e foi pôr-se outra vez mais adiante, fingindo-se morta outra vez.
O homem ainda teve pena dela e tornou-a a arredar do caminho. Mas ela tornou a ir deitar-se outra vez no caminho mais adiante.
O homem à terceira vez disse:
— Que diabo, tanta raposa! — E pegou num cipó e pegou a dar na raposa. Diz a raposa:
— Vês, homem, em que instante pagas o bem com o mal? Por bem fazer, mal haver.


O Mar na cultura popular portuguesa
Lisboa, Terramar, 1998

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segunda-feira, 23 de junho de 2008

Boas Férias!!!


A Equipa da Biblioteca e Centro de Recursos do Agrupamento de Escolas Dom Paio Peres Correia deseja a toda a comunidade escolar e seus familiares, a todas as BECRE's e a todos os utilizadores e colaboradores deste blogue, umas Boas Férias Grandes, e para o ano há mais.
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Premiados da Biblioteca

S. João



João Batista nasceu na cidade de Judá, quando os pais, Zacarias e Isabel, já eram idosos. Ele era um filho muito desejado, uma vez que Isabel era estéril e Zacarias, mudo. Ambos eram de estirpe sacerdotal. Isabel haveria de dar à luz um menino, cujo nome significaria "Deus é propício". Assim foi avisado Zacarias pelo Anjo Gabriel que o visitou anunciando a chegada do tão esperado herdeiro.
No ano 27, João apareceu como profeta e quando iniciou sua pregação muitos chegaram a acreditar que ele era o próprio Messias. Vestia-se como os sábios eremitas essênios da época, os quais usavam uma túnica grosseira feita de pele de camelo atada a um cinto de couro (representação da liberdade, da escolha do destino de cada um), e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. Para que se salvassem do pecado, as pessoas recebiam, por intermédio desse profeta, a ablução nas águas do rio Jordão (acto comum entre os essênios), prática chamada de baptismo, razão por que passou ele a ser conhecido como João Batista.
Fazia seus sermões e muitos eram aqueles que o ouviam e acompanhavam. Ele afirmava que o Reino de Deus estava próximo, baptizava a todos e pedia que repartissem seus alimentos e roupas com os mais pobres. Chegou a baptizar o próprio Cristo, embora se achasse indigno até mesmo de lhe desatar as sandálias.
No momento em que Jesus saiu da água, na cerimónia do baptismo, abriu-se sobre Ele uma nuvem e o Espírito Santo se manifestou através de uma pomba, não como uma pomba real, mas uma visão, algo muito pessoal entre Deus e Jesus. Jesus, então o definiu: "Ele é mais do que um profeta. Jamais surgiu entre os nascidos de uma mulher alguém maior que João Batista".
Foi depois do baptismo que Jesus entendeu que começava então sua verdadeira missão. Passados de alguns meses, João foi preso mas, mesmo no cárcere, acompanhava os trabalhos de Jesus, fazendo perguntas por intermédio de mensageiros (Lucas 7, 19-29). Morreu degolado sob o governo do rei Herodes, por defender a moralidade e os bons costumes, por isso é reconhecido nos dias de hoje como um dos Santos mais populares em todo o mundo cristão. O dia 24 de Junho foi consagrado a S. João pois crê-se que ele nasceu nesta data.
São João é o santo que mais se festeja na Europa, sendo também o padroeiro de muitas terras em Portugal e no Brasil.
Há inúmeras tradições associadas às festas de S. João que variam de terra para terra, de região para região, havendo mesmo quem considere que a noite de S. João é uma noite mágica, propícia a milagres e adivinhações. Enfim, o imaginário à volta da figura deste santo é riquíssimo e variado.

Fonte: www.infonet.com.br

domingo, 22 de junho de 2008

Coisas do Arco-da-Velha



Significado
Coisas inacreditáveis, absurdas, espantosas, inverosímeis.

Origem
A expressão tem origem no Antigo Testamento; arco-da-velha é o arco-íris, ou arco-celeste, e foi o sinal do pacto que Deus fez com Noé: "Estando o arco nas nuvens, Eu ao vê-lo recordar-Me-ei da aliança eterna concluída entre Deus e todos os seres vivos de toda a espécie que há na terra." (Génesis 9:16)
Arco-da-velha é uma simplificação de Arco da Lei Velha, uma referência à Lei Divina. Há também diversas histórias populares que defendem outra origem da expressão, como a da existência de uma velha no arco-íris, sendo a curvatura do arco a curvatura das costas provocada pela velhice, ou devido a uma das propriedades mágicas do arco-íris - beber a água num lugar e enviá-la para outro, pelo que velha poderá ter vindo do italiano bere (beber).

Porreiro, pá!...

A História da Rosa


Sabes, meu filho, não há rosas sem espinhos. Pois é, concordei eu. Mas nem sempre foi assim. Sabias? Isso já não, confessei. É verdade meu filho, tempos havidos, as rosas não tinham espinhos, como qualquer outra flor. A velhota despertara-me a curiosidade. Queres saber o que se passou entretanto? Claro, queria mesmo. Então escuta com atenção.
Como te disse, tempos houve em que as rosas não tinham espinhos. Aqui na Serra, também não havia tanta flor, tudo estava coberto de matagal e os lobos eram mais do que os espinheiros. A Natureza tem muita força, ela rege a vida do Universo, predestina tudo, a vida dos animais, das plantas e dos homens. Um dia, por desígnios seus, apareceu uma bela rosa, uma rosa mais bela do que qualquer outra, crescendo sozinha no meio do mato. As abelhas e as mariposas logo levaram a notícia em todas as direcções e nunca mais a rosa deixou de ser visitada por verdadeiros enxames desses simpáticos insectos. Talvez por isso, quem sabe, mas não lhe podemos levar muito a mal, tornou-se um poucochinho vaidosa. Fechando os olhos à beleza que a rodeava – a Serra é muito bela, não achas? – fechando os olhos à beleza que a rodeava, ia eu dizendo, a rosa nem sequer se apercebeu de que quase junto ao caule, nascera e crescia um gordo cacto. Esta planta é muito humilde, talvez por se considerar feia e horrível, com os seus picos sempre espetados contra inimigos, uns verdadeiros e outros imaginários. O cacto desta história sentia-se ainda mais humilde e triste por ter uma vizinha que não lhe ligava. Viveram assim durante muito tempo as duas plantas: uma lá no alto, vistosa, a outra rente ao chão, modesta. Mas, um dia, ah!, aconteceu uma coisa de pasmar. Sofria-se nesse momento uma pavorosa seca. A nossa rosa, porém, mantinha o viço como se todos os dias fosse regada. As raízes continuavam a sentir o subsolo húmido e a criar seiva para a flor permanecer de pé e não desmaiar de cor. Como era possível tal coisa? Apenas porque o cacto tinha no interior um reservatório de água e, de quando em vez, libertava alguma dessa água para a terra. Mas, como era modesto e tímido, nada confessava desse seu gesto. Por essa ocasião, conta-se, um homem perdeu-se na serra e, vagueando, vagueando, quase morto de sede, abeirou-se do sítio onde viviam a rosa e o cacto. Ao ver este, como era viajado e conhecedor, recordou sabedorias antigas, e pegando numa faca de mato arrancou-o, abriu-o ao meio e bebeu a água muito fresquinha. Desta forma, o homem ganhou novas forças e salvou-se de uma morte certa. O pobre cacto, esse, coitado, morreu. Mas a rosa aprendeu a lição; se aprendeu! Desde logo suspeitou se ainda estava viva, ao cacto o devia. Fora dele, sem dúvida, a água que impedira que ela murchasse e secasse. Teve por isso de reconhecer: nem só a beleza é coisa importante. Afinal, o cacto, a cuja presença nunca ligara, salvara a vida de um homem. E então chorou, arrependida, por não ter tido tempo, ocupada com a sua beleza como sempre estivera, de reconhecer e dar valor ao vizinho. Debruçou-se a seguir sobre os seus restos, num abraço de despedida. Disse-te há pouco, a natureza é cheia de desígnios e só ela os entende. Nós não podemos nada contra ela. Pois sucedeu uma coisa inesperada: ao dar-se aquele abraço, os picos do cacto espetaram-se no caule da rosa. Não, não, ela não sentiu dor nenhuma. A flor até ficou reconhecida por isso ter sucedido. Era a última homenagem prestada à valente planta. E aqui tens: a partir desse dia as rosas passaram a nascer com espinhos.

Gorjão Duarte
A Minha Amiga Serra
Lisboa, Livros Horizonte, 1990

sábado, 21 de junho de 2008

Entrega de Certificados de Frequência aos alunos do 9º ano

A entrega dos certificados esteve a cargos das professoras Fátima Veríssimo (Coordenadora da Biblioteca Escolar) e Anunciação Simões (Presidente do Conselho Executivo).

Ninguém quis deixar de receber o seu.


Aqui o 9ºB e o professor David Barbosa numa pose "para mais tarde recordar".

21 de Junho - Início do Verão


O Verão é uma das quatro estações do ano. Neste período, as temperaturas permanecem elevadas e os dias são longos. Geralmente, o verão é também o período do ano reservado às férias.
O Verão do hemisfério norte é chamado de "Verão boreal", e o do hemisfério sul é chamado de "Verão austral". O "Verão boreal" tem início com o solstício de Verão do Hemisfério Norte, que acontece cerca de 21 de Junho, e finda com o equinócio de Outono nesse mesmo hemisfério, por volta de 23 de Setembro. O "Verão austral" tem início com o solstício de Verão do Hemisfério Sul, que acontece cerca de 21 de Dezembro, e finda com o equinócio de Outono, por volta de 20 de Março nesse mesmo hemisfério.
Nos tempos primitivos, era comum dividir o ano em cinco estações, sendo o verão dividido em duas partes: o verão propriamente dito, de tempo quente e chuvoso (geralmente começava no fim da primavera), e o estio, de tempo quente e seco — palavra da qual deriva o termo "estiagem". Actualmente, usa-se a palavra "estio" como sinónimo raro para verão.
Fonte
Wikipedia
.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Exposição

a ponte - grupo de artistas...http://art-in-tavira.com/

exposição

exposição inaugural dos artistas que constituem o grupo 'A Ponte'

junho 20 - julho 11

mercado da ribeira tavira

Junte-se a nós para a inauguração -

6ª - feira 20 de junho às 19.00H

sábado, 14 de junho de 2008

Comemoração dos 120 Anos do Nascimento de Fernando Pessoa



Tudo o que faço ou medito

Fica sempre na metade.

Querendo, quero o infinito.

Fazendo, nada é verdade.

Fernando Pessoa


Escritor português, nasceu a 13 de Junho, numa casa do Largo de São Carlos, em Lisboa. Aos cinco anos morreu-lhe o pai, vitimado pela tuberculose, e, no ano seguinte, o irmão, Jorge. Devido ao segundo casamento da mãe, em 1896, com o cônsul português em Durban, na África do Sul, viveu nesse país entre 1895 e 1905, aí seguindo, no Liceu de Durban, os estudos secundários. Frequentou, durante um ano, uma escola comercial e a Durban High School e concluiu, ainda, o «Intermediate Examination in Arts», na Universidade do Cabo (onde obteve o «Queen Victoria Memorial Prize», pelo melhor ensaio de estilo inglês), com que terminou os seus estudos na África do Sul. No tempo em que viveu neste país, passou um ano de férias (entre 1901 e 1902), em Portugal, tendo residido em Lisboa e viajado para Tavira, para contactar com a família paterna, e para a Ilha Terceira, onde vivia a família materna. Já nesse tempo redigiu, sozinho, vários jornais, assinados com diferentes nomes. De regresso definitivo a Lisboa, em 1905, frequentou, por um período breve (1906-1907), o Curso Superior de Letras. Após uma tentativa falhada de montar uma tipografia e editora, «Empresa Íbis — Tipográfica e Editora», dedicou-se, a partir de 1908, e a tempo parcial, à tradução de correspondência estrangeira de várias casas comerciais, sendo o restante tempo dedicado à escrita e ao estudo de filosofia (grega e alemã), ciências humanas e políticas, teosofia e literatura moderna, que assim acrescentava à sua formação cultural anglo-saxónica, determinante na sua personalidade. Em 1920, ano em que a mãe, viúva, regressou a Portugal com os irmãos e em que Fernando Pessoa foi viver de novo com a família, iniciou uma relação sentimental com Ophélia Queiroz (interrompida nesse mesmo ano e retomada, para rápida e definitivamente terminar, em 1929) testemunhada pelas Cartas de Amor de Pessoa, organizadas e anotadas por David Mourão-Ferreira, e editadas em 1978. Em 1925, ocorreria a morte da mãe. Fernando Pessoa viria a morrer uma década depois, a 30 de Novembro de 1935 no Hospital de S. Luís dos Franceses, onde foi internado com uma cólica hepática, causada provavelmente pelo consumo excessivo de álcool. Levando uma vida relativamente apagada, movimentando-se num círculo restrito de amigos que frequentavam as tertúlias intelectuais dos cafés da capital, envolveu-se nas discussões literárias e até políticas da época. Colaborou na revista A Águia, da Renascença Portuguesa, com artigos de crítica literária sobre a nova poesia portuguesa, imbuídos de um sebastianismo animado pela crença no surgimento de um grande poeta nacional, o «super-Camões» (ele próprio?). Data de 1913 a publicação de «Impressões do Crepúsculo» (poema tomado como exemplo de uma nova corrente, o paúlismo, designação advinda da primeira palavra do poema) e de 1914 o aparecimento dos seus três principais heterónimos, segundo indicação do próprio Fernando Pessoa, em carta dirigida a Adolfo Casais Monteiro, sobre a origem destes. Em 1915, com Mário de Sá-Carneiro (seu dilecto amigo, com o qual trocou intensa correspondência e cujas crises acompanhou de perto), Luís de Montalvor e outros poetas e artistas plásticos com os quais formou o grupo «Orpheu», lançou a revista Orpheu, marco do modernismo português, onde publicou, no primeiro número, Opiário e Ode Triunfal, de Campos, e O Marinheiro, de Pessoa ortónimo, e, no segundo, Chuva Oblíqua, de Fernando Pessoa ortónimo, e a Ode Marítima, de Campos. Publicou, ainda em vida, Antinous (1918), 35 Sonnets (1918), e três séries de English Poems (publicados, em 1921, na editora Olisipo, fundada por si). Em 1934, concorreu com Mensagem a um prémio da Secretaria de Propaganda Nacional, que conquistou na categoria B, devido à reduzida extensão do livro. Colaborou ainda nas revistas Exílio (1916), Portugal Futurista (1917), Contemporânea (1922-1926, de que foi co-director e onde publicou O Banqueiro Anarquista, conto de raciocínio e dedução, e o poema Mar Português), Athena (1924-1925, igualmente como co-director e onde foram publicadas algumas odes de Ricardo Reis e excertos de poemas de Alberto Caeiro) e Presença. A sua obra, que permaneceu maioritariamente inédita, foi difundida e valorizada pelo grupo da Presença. A partir de 1943, Luís de Montalvor deu início à edição das obras completas de Fernando Pessoa, abrangendo os textos em poesia dos heterónimos e de Pessoa ortónimo. Foram ainda sucessivamente editados escritos seus sobre temas de doutrina e crítica literárias, filosofia, política e páginas íntimas. Entre estes, contam-se a organização dos volumes poéticos de Poesias (de Fernando Pessoa), Poemas Dramáticos (de Fernando Pessoa), Poemas (de Alberto Caeiro), Poesias (de Álvaro de Campos), Odes (de Ricardo Reis), Poesias Inéditas (de Fernando Pessoa, dois volumes), Quadras ao Gosto Popular (de Fernando Pessoa), e os textos de prosa de Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, Textos Filosóficos, Sobre Portugal — Introdução ao Problema Nacional, Da República (1910-1935) e Ultimatum e Páginas de Sociologia Política. Do seu vasto espólio foram também retirados o Livro do Desassossego por Bernardo Soares e uma série de outros textos. A questão humana dos heterónimos, tanto ou mais que a questão puramente literária, tem atraído as atenções gerais. Concebidos como individualidades distintas da do autor, este criou-lhes uma biografia e até um horóscopo próprios. Encontram-se ligados a alguns dos problemas centrais da sua obra: a unidade ou a pluralidade do eu, a sinceridade, a noção de realidade e a estranheza da existência. Traduzem, por assim dizer, a consciência da fragmentação do eu, reduzindo o eu «real» de Pessoa a um papel que não é maior que o de qualquer um dos seus heterónimos na existência literária do poeta. Assim questiona Pessoa o conceito metafísico de tradição romântica da unidade do sujeito e da sinceridade da expressão da sua emotividade através da linguagem. Enveredando por vários fingimentos, que aprofundam uma teia de polémicas entre si, opondo-se e completando-se, os heterónimos são a mentalização de certas emoções e perspectivas, a sua representação irónica pela inteligência. Deles se destacam três: Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Segundo a carta de Fernando Pessoa sobre a génese dos seus heterónimos, Caeiro (1885-1915) é o Mestre, inclusive do próprio Pessoa ortónimo. Nasceu em Lisboa e aí morreu, tuberculoso, em 1915, embora a maior parte da sua vida tenha decorrido numa quinta no Ribatejo, onde foram escritos quase todos os seus poemas, os do livro O Guardador de Rebanhos, os de O Pastor Amoroso e os Poemas Inconjuntos, sendo os do último período da sua vida escritos em Lisboa, quando se encontrava já gravemente doente (daí, segundo Pessoa, a «novidade um pouco estranha ao carácter geral da obra»). Sem profissão e pouco instruído (teria apenas a instrução primária), e, por isso, «escrevendo mal o português», órfão desde muito cedo, vivia de pequenos rendimentos, com uma tia-avó. Caeiro era, segundo ele próprio, «o único poeta da natureza», procurando viver a exterioridade das sensações e recusando a metafísica, caracterizando-se pelo seu panteísmo e sensacionismo que, de modo diferente, Álvaro de Campos e Ricardo Reis iriam assimilar. Ricardo Reis nasceu no Porto, em 1887. Foi educado num colégio de jesuítas, recebeu uma educação clássica (latina) e estudou, por vontade própria, o helenismo (sendo Horácio o seu modelo literário). Essa formação clássica reflecte-se, quer a nível formal (odes à maneira clássica), quer a nível dos temas por si tratados e da própria linguagem utilizada, com um purismo que Pessoa considerava exagerado. Médico, não exercia, no entanto, a profissão. De convicções monárquicas, emigrou para o Brasil após a implantação da República. Pagão intelectual, lúcido e consciente, reflectia uma moral estoico-epicurista, misto de altivez resignada e gozo dos prazeres que o não comprometessem na sua liberdade interior, e que é a resposta possível do homem à dureza ou ao desprezo dos deuses e à efemeridade da vida. Álvaro de Campos, nascido em Tavira em 1890, era um homem viajado. Depois de uma educação vulgar de liceu formou-se em engenharia mecânica e naval na Escócia e, numas férias, fez uma viagem ao Oriente, de que resultou o poema Opiário. Viveu depois em Lisboa, sem exercer a sua profissão. Dedicou-se à literatura, intervindo em polémicas literárias e políticas. É da sua autoria o Ultimatum, publicado no Portugal Futurista, manifesto contra os literatos instalados da época. Apesar dos pontos de contacto entre ambos, travou com Pessoa ortónimo uma polémica aberta. Protótipo do vanguardismo modernista, é o cantor da energia bruta e da velocidade, da vertigem agressiva do progresso, de que a Ode Triunfal é um dos melhores exemplos, evoluindo depois no sentido de um tédio, de um desencanto e de um cansaço da vida, progressivos e auto-irónicos. De entre outros, de menor expressão, destaca-se ainda o semi-heterónimo Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros que sempre viveu sozinho em Lisboa e revela, no seu Livro do Desassossego, uma lucidez extrema na análise e na capacidade de exploração da alma humana. Quanto a Fernando Pessoa ortónimo, segue, formalmente, os modelos da poesia tradicional portuguesa, em textos de grande suavidade rítmica e musical. Poeta introvertido e meditativo, anti-sentimental, reflecte inquietações e estranhezas que questionam os limites da realidade da sua existência e do mundo. O poema Mensagem, exaltação sebastiânica que se cruza com um certo desalento, numa expectativa ansiosa de ressurgimento nacional, revela uma faceta esotérica e mística do poeta, manifestada também nas suas incursões pelas ciências ocultas e pelo rosa-crucianismo. Figura cimeira da literatura portuguesa e da poesia europeia do século XX, se o seu virtuosismo é, sobretudo inicialmente, uma forma de abalar a sociedade e a literatura burguesas decrépitas (nomeadamente através dos seus «ismos»: paúlismo, interseccionismo, sensacionismo), ele fundamenta a resposta revolucionária à concepção romântica, sentimentalmente metafísica, da literatura. O apagamento da sua vida pessoal não obviou ao exercício activo da crítica e da polémica em vida, e sobretudo a uma grande influência na literatura portuguesa do século XX. Existe presentemente, em Lisboa, a Casa Fernando Pessoa, instalada na última morada.

Fonte:
www.astormentas.com