terça-feira, 10 de junho de 2008

A Bandeira Nacional










O Trinca-Fortes

.
.
.

LUÍS VAZ DE CAMÕES
Poeta, c.1524 - c.1580
.
.
QUANDO TUDO ACONTECEU...
1524 ou 1525: Datas prováveis do nascimento de Luís Vaz de Camões, talvez em Lisboa
1548: Desterro no Ribatejo; alista-se no Ultramar
1549: Embarca para Ceuta; perde o olho direito numa escaramuça contra os Mouros
1551: Regressa a Lisboa
1552: Numa briga, fere um funcionário da Cavalariça Real e é preso
1553: É libertado; embarca para o Oriente
1554: Parte de Goa em perseguição a navios mercantes mouros, sob o comando de Fernando de Meneses
1556: É nomeado provedor-mor em Macau; naufraga nas Costas do Camboja
1562: É preso por dívidas não pagas; é libertado pelo vice-rei Conde de Redondo e distinguido seu protegido
1567: Segue para Moçambique
1570: Regressa a Lisboa na nau Santa Clara
1572: Sai a primeira edição d’Os Lusíadas
1579 ou 1580: Morre de peste, em Lisboa.
.
PASSAGEM PARA A ÍNDIA
1552. Corpus Christi. No Largo do Rossio dois mascarados lutam com Gaspar Borges, funcionário da Cavalariça Real. Camões aproxima-se, reconhece os mascarados, são amigos seus. Não hesita, mete a mão no bolso e parte para a rixa. Faca em punho, movimento nervoso, cutilada no pescoço do adversário. A noite acaba em sangue. Camões é preso e levado para a cadeia do Tronco.
A mãe, Dona Ana de Macedo, chora a prisão do filho. Vive em súplica de perdão para Luís: visita ministros reais e o próprio Borges. Passados nove meses a vítima, já restabelecida do ferimento, resolve atender ao pedido.
É dia de alguma liberdade para Camões. O poeta deixa as masmorras sob duas condições: primeiro tem de pagar multa de 4 mil réis ao esmoler d’El-Rei; depois, embarcar para a Índia e servir por três anos na milícia do Oriente.
Em Março de 1553 o poeta parte para Goa na São Bento, nau incorporada à frota comandada pelo capitão Fernão Álvares Cabral. É soldado raso. Chega à capital da Índia portuguesa seis meses depois. Pena e papel sempre à mão, o poeta escreve sobre o que vê:
.
"(...) Cá, onde o mal se afina e o bem se dana,
E pode mais que a honra a tirania;
Cá, onde a errada e cega monarquia
Cuida que um nome vão a Deus engana;
(...) Cá neste escuro caos de confusão,
Cumprindo o curso estou da natureza.
Vê se me esquecerei de ti, Sião!" (1)

.
Camões participa numa expedição punitiva contra o Rei de Chemba, na Costa do Malabar, enviada pelo Vice-Rei D. Afonso de Noronha. Vitória. O poeta regressa a Goa. Em Fevereiro de 1554 parte novamente sob o comando de D. Fernando de Meneses. Desta vez em perseguição a navios mouros que comercializavam entre a índia e o Egipto, prejudicando o monopólio mercantil dos portugueses. A frota só volta à Índia em Novembro do mesmo ano.
Chegam as férias militares, fim do soldo. Para ganhar alguns trocados, Camões escreve versos e autos por encomenda de um poderoso senhor que os apresenta como seus à pretendida. Em troca, restos de comida. O poeta também se torna escriba público. São muitos os soldados analfabetos. Camões escreve cartas para os seus familiares no Reino. Assim vive em Goa até 1556:

"Junto de um seco, duro, estéril monte"(2).
"Numa mão sempre a pena e noutra a espada".(3)



O NAUFRÁGIO
Fim do estágio obrigatório na milícia do Oriente. Camões é nomeado provedor-mor em Macau, entreposto comercial de portugueses na China. É encarregado de arrolar e administrar provisoriamente os bens de pessoas falecidas ou desaparecidas. Lá, descobre uma estreita gruta, refúgio. Passa horas a escrever, Os Lusíadas: a viagem épica de Vasco da Gama e, no extremo sul da África, o gigante Adamastor a tentar impedir o avanço dos nautas portugueses:

«Eu sou aquele oculto e grande Cabo
A quem vós chamais de Tormentório.»


Heróis trágico-marítimos; deuses mitológicos, paixões, intrigas, batalhas, aventuras e cobiças. Histórias de um minúsculo Portugal em expansão, «mais do que prometia a força humana»...
Não tarda e é acusado, por compatriotas, de apropriação de dinheiro alheio. Camões tem de ir a Goa para responder a inquérito judicial.
No regresso, o susto, o naufrágio. Está na Costa de Camboja, próximo do Rio Mecom. Camões salta do barco. Os Lusíadas colados ao corpo. Braçadas. Mais braçadas. Turbilhão de água, escassez de ar. Camões nada, incansavelmente. Terra firme. Ainda não perdeu os sentidos. Sabe que está vivo. Olhar de soslaio, o manuscrito está salvo. Já pode desmaiar. O corpo a transpirar, ardência, febre. A infância, paixões e conflitos, lampejos. Mazelas.


TRISTE VIDA SE ME ORDENA...
Fidalgo pobre, de família arruinada, tem uma infância cheia de privações. O pai, Simão Vaz de Camões, deixa filho e esposa, em busca de riquezas nas Índias. Morre em Goa. A família desamparada. O menino Luís Vaz assiste ao novo casamento da mãe. Um estranho ocupa o lugar do falecido.
É educado em Lisboa por dominicanos e jesuítas. Vive um período em Coimbra, onde faz o curso de Artes no Convento de Santa Cruz. O tio, D. Bento de Camões, é prior do Mosteiro e chanceler da Universidade. Camões frequenta os centros aristocráticos, onde tem acesso às obras de Petrarca - a quem toma por modelo -, Bembo, Garcilaso, Ariosto, Tasso, Bernardim Ribeiro, entre outros. Domina a literatura Clássica da Grécia e Roma; lê latim, sabe italiano e escreve o castelhano.
Conta-se que o poeta é levado a frequentar o Paço por D. António de Noronha, cuja morte é citada num soneto. Ali conhece Dona Caterina de Ataíde, Dama da Rainha, por quem se apaixona perdidamente. O objecto de paixão é imortalizado na sua lírica sob o anagrama de Natércia. Há quem diga ainda que o autor d’Os Lusíadas se enamora da própria Infanta D. Maria, irmã de D. João III, Rei de Portugal.
Talvez boatos, como tantos outros acerca de sua vida. O que se sabe ao certo é que os seus amigos são vadios que se amotinam pelas ruas da cidade; as suas mulheres, meretrizes. O Malcozinhado, bordel de má fama lisboeta, é o lugar preferido para refastelar-se. Gosta de fitar o sexo oposto. Assedia, fala, canta. É jocoso. Convida a dançar, cheiro a cravo. Saiotes a girar, contentamento. Inspiração:

"Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente ;
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer..."(4)

Mas a vida do poeta não é feita só de encontros fortuitos. Alterna pequenos momentos de regozijo com indagações profundas sobre si mesmo. Nos seus pensamentos, os apetites carnais entram em colisão com a visão platónica que tem da mulher e dos sentimentos amorosos. Transfere a contradição para a lírica. Compõe o amor no seu mais alto anseio espiritual, afectivo. O amor transcendente, imaculado:

"Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude do muito imaginar,
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.
Se nela está minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo alcançar?
Em si somente pode descansar,
Pois consigo tal alma está liada." (3)


Mas também evoca o erotismo, os desejos e a arte de tão bem seduzir. Dirá mais tarde, n’Os Lusíadas:

"Oh! Que famintos beijos na floresta,
E que mimoso choro que soava!
Que afagos tam suaves, que ira honesta,
Que em risinhos alegres se tornava!
O que mais passam na manhã e na sesta,
Que Vénus com prazeres inflamava,
Melhor é exprimentá-lo que julgá-lo;
Mas julgue-o quem não pode exprimentá-lo." (5)


Num plano mais terreno, Camões tem outras inquietações. É apontado como sujeito folgado e briguento. Ganha a alcunha de Trinca-Fortes. As suas desavenças dão origem ao desterro, em 1548. Segue para o Ribatejo. No bolso, nem um vintém. Amigos afortunados garantem-lhe cama e comida.
Vive seis meses na província, de favores. Resolve alistar-se na milícia do Ultramar. Embarca para Ceuta no Outono de 1549. Perde o olho direito numa escaramuça contra os mouros inimigos de Cristo. Em 1551, volta a Lisboa. Amargura, desilusão:

"(...) Que castigo tamanho e que justiça.
(...)Que mortes que perigos, que tormentas,
Que crueldades neles experimenta."(6)


O poeta anda muito calado. Reflexões. Confessa aos amigos que sente despedaçados todos os valores em que acredita, ele, homem de princípios cristãos. Aflito com as diferenças entre utopia e realidade, aspiração e recompensa. Já escrevera sobre a contradição entre o que julga ser moral, racional e o que realmente testemunha e vive. É o "desconcerto do Mundo, em que os bons vê sempre passar no mundo graves tormentos, os maus vê sempre nadar em mar de contentamentos" (1). Tais injustiças passam a ser tema constante na sua lírica. Descreve os seus infortúnios, aponta com desprezo a sede cobiçosa, o querer tiranizar (1). Também não lhe escapam as transformações às quais os homens estão sujeitos:

"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Muda-se o Ser, muda-se a confiança;
Todo mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades." (3)


AQUELA CATIVA...
Camões acorda na praia. Tudo embaçado, imagens sem sentido. Sonho e realidade confundem-se. Abandona-se. Chora a perda da mulher amada: Dinamene, a chinesa, "aquela cativa que me tem cativo"... Ela, que viajou em sua companhia, não sobreviveu ao naufrágio.
Luís Vaz levanta-se, caminhar trôpego, desconsolo:

"Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste." (3)


Permanece na região em companhia de monges budistas, até que um dia é levado de volta a Goa num navio português.

NASCE A OBRA
Em Goa, sempre as atribulações: um empréstimo aqui, outro acolá. Finta. Um credor zanga-se. Cadeia. Do cárcere, Camões invoca os bons ofícios do Conde de Redondo, vice-Rei da Índia Portuguesa, nuns versos humorísticos escritos por volta de 1562. O vice-rei concede-lhe a liberdade. O poeta é ainda distinguido com a sua protecção.
Nesta época mantém contactos com outras figuras importantes. Representa o auto do Filodemo ao governador Francisco Barreto. Compõe uma ode a favor do vice-rei D. Constantino de Bragança, defende-o contra críticas. Também é amigo do vice-rei Francisco de Sousa Coutinho. Ganha de um deles a nomeação para a feitoria do Chaul, mas não chega a ocupar o cargo. Convive com Diogo do Couto, o continuador das "Décadas", e com Garcia de Orta. O médico, naturalista e ex-catedrático de Lisboa pede-lhe uma ode para acompanhar a primeira edição dos "Diálogos dos Simples e Drogas".
Apesar das boas relações, Camões queixa-se da vida difícil. Resolve então celebrar as próprias desgraças, é o que diz aos companheiros. Banquete. Mas na mesa, não há iguarias nem bom vinho.



"Heliogábalo zombava das pessoas convidadas,
E de sorte as enganava,
Que as iguarias que dava
Vinham nos pratos pintadas.
Não temais tal travessura,
Pois já não pode ser nova;
Que a ceia está segura
De não vos vir em pintura,
Mas há de vir toda em trova." (3)


Em 1567, Camões conhece Pêro Barreto. Nomeado capitão para Moçambique, Barreto promete-lhe um emprego e adianta-lhe o pagamento da passagem. Dívida prolongada. Os dois brigam. O Capitão manda prendê-lo, rotina.
Fome. Os amigos mais uma vez ajudam-no. Inverno. Camões fecha-se na poesia. Retoca os seus Lusíadas. Deseja muito imprimi-los. Nestes dias de frio, o poeta nunca larga a sua pena: compõe o "Parnaso Lusitano", colectânea de poemas líricos. Obra de muita erudição, consideram os amigos. Um ladino leva-a, fim desconhecido.
Finais de 1569. Nos últimos meses, o poeta fala muito na Pátria, que tanto exalta em seus cantos. Saudades. Diogo do Couto junta uns amigos, compram roupas a Camões, pagam-lhes as dívidas e ajudam-no a deixar Moçambique.
Camões chega a Lisboa na Santa Clara, em 1570. Traz com ele Jau, um escravo javanês comprado em Moçambique, e os dez cantos d’Os Lusíadas. Na capital portuguesa vai viver com a mãe, na Mouraria. A sua penúria é ainda maior. O poeta abatido pousa a cabeça na escrivaninha e queixa-se em voz baixa: "Ah! Fortuna cruel! Ah! Duros Fados! (7)

EDIÇÃO D’ OS LUSIADAS
Apenas uma ambição: editar Os Lusíadas. Macambúzio, roupa apertada e esgarçada, restos de altivez, o poeta pede ajuda ao Conde de Vimioso, D. Manuel de Portugal. Permissão real para levar adiante o seu projecto. Júbilo. O censor, Frei Bartolomeu Ferreira, concede-lhe o imprimatur. Mas antes, lê o poema e faz algumas modificações: limpeza de certos indícios de impiedade.
Na oficina do Mestre António Gonçalves, à Costa do Castelo, a obra de Camões ganha corpo. Desatenção: duzentos exemplares cheios de erros tipográficos. Correm os primeiros meses de 1572.
Após a publicação, D. Sebastião, o jovem monarca, concede ao poeta uma tença trienal de 15 mil réis, ou seja 40 réis por dia, "em respeito aos serviços prestados na Índia e pela suficiência que mostrou no livro sobre as coisas de tal lugar". Vale lembrar que, nesta época, um carpinteiro ganha em média 160 réis por dia. A pensão é renovada em 1575 e novamente em 1578. Conta-se que o poeta sobrevive juntando estes proventos às esmolas recolhidas pelo escravo javanês.
O seu nome começa a fazer eco. Composições líricas e até cartas suas - uma escrita em Ceuta, outra na Índia e mais duas escritas em Lisboa - passam a ser recolhidas em cancioneiros particulares manuscritos.

MORRE O AUTOR
Em 1579 a peste assola Lisboa. Num quarto escuro, Camões estirado na cama. Tem muita febre e já ninguém duvida que é mais uma vítima da doença. Na boca, um gosto, misto de gengibre, canela, cominhos e açafrão: remédio contra a pestilência. Dona Ana de Macedo segue todas as receitas conhecidas: sangria e até sumo de serpilho misturado com leite de mulher. Na casa, o fogo sempre aceso para queimar o ar que tresanda.
O autor d’Os Lusíadas está muito fraco, mas insiste em escrever. Remete uma carta a D. Francisco de Almeida, referindo-se ao desastre de Alcácer-Quibir, à ruína financeira da Coroa portuguesa, à independência nacional ameaçada. "Enfim acabarei a vida e verão todos que fui tão afeiçoado à minha Pátria que não só me contentei de morrer nela, mas com ela".
A mãe deixa o quarto, prato de comida intacto nas mãos. O poeta já não reage. Desvanece.

"Foge-me, pouco a pouco, a curta vida,
Se por acaso é verdade que inda vivo;
(...) Choro pelo passado; e, enquanto falo,
Se me passam os dias passo a passo.
Vai-se-me, enfim, a idade e fica a pena." (3)


OS ERROS E A FORTUNA
O seu corpo é sepultado num canto qualquer da banda de fora do cemitério do Convento de Santana. E ainda assim graças à Companhia dos Cortesãos, que paga as despesas do funeral. Segundo os amigos mais próximos, os últimos anos de Camões são vividos na mais absoluta miséria. À mãe deixa apenas a tença que lhe foi atribuída e a ela transferida.
Depois da sua morte cresce o interesse pelos seus poemas - apenas três deles publicados em vida - e pelos seus autos e comédias: Auto dos Anfitriões, Auto d’El Rei-Seleuco e o Auto de Filodemo.
Em 1548 sai a segunda edição d’Os Lusíadas, chamada "Dos Piscos". Expurgada pela censura, que a mutila, principalmente por motivos religiosos, até à quarta edição em 1609. Em 1670, contam-se 18 edições dos cantos. O tempo passa, estudiosos de vários pontos do mundo debruçam-se sobre a sua vida e obra. É elevado a herói nacional. O poeta ainda vivo, apesar do seu fado. Vivo pelo seu amor à Pátria, pela epopeia, pel’Os Lusíadas. Vivo pela sua angústia existencial, pela sua lírica: a mulher como anjo, porém a carne; a razão, porém o desejo; as ideias, porém o dia-a-dia; o espírito, porém o corpo. Luís Vaz dilacerado, violência, violência:

"Erros meus, má fortuna, amor ardente
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a fortuna sobejaram,
Que para mim bastava amor somente.
Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Que as magoadas iras me ensinaram
A não querer já nunca ser contente.
Errei todo o discurso dos meus anos;
Dei causa a que a fortuna castigasse
As minhas mais fundadas esperanças.
De amor não vi se não breves enganos.
Oh! quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Génio de vinganças!"(1)

(1) "Rimas,1616 - (2) "Os Lusíadas", canto VII - (3) "Rhitmas, 1595 - (4) "Rimas", 1598 - (5) "Os Lusíadas", Canto IX - (6) "Os Lusíadas", canto IV - (7) "Rimas", 1668
.
.
.
Fonte
Wikipédia
Vidas Lusófonas

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas


Dia de Portugal (feriado nacional)
Oficialmente Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, é o dia em que se assinala a morte de Luís Vaz de Camões a 10 de Junho de 1580, e é também o Dia Nacional de Portugal (data também utilizada para relembrar os feitos passados).

Durante o regime autoritário do Estado Novo de 1933 até á Revolução dos Cravos de 25 de Abril de 1974 era celebrado como o Dia da Raça; a raça Portuguesa.
.
Fonte
.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Luís Vaz de Camões

Luís Vaz de Camões
Data de nascimento: provavelmente entre 1517 e 1524
Data de falecimento: 10 de Junho de 1580) é frequentemente considerado como o maior poeta de língua portuguesa e dos maiores da Humanidade. O seu génio é comparável ao de Virgílio, Dante, Cervantes ou Shakespeare. Das suas obras, a epopeia Os Lusíadas é a mais significativa.

.
Origens e juventude
Desconhece-se a data e o local onde terá nascido Camões. Admite-se que nasceu entre 1517 e 1525. A sua família é de origem galega que se fixou na cidade de Chaves e mais tarde terá ido para Coimbra e para Lisboa, lugares que reivindicam ser o local de seu nascimento. Frequentemente fala-se também em Alenquer, mas isto deve-se a uma má interpretação de um dos seus sonetos, onde Camões escreveu "[…] / Criou-me Portugal na verde e cara / pátria minha Alenquer […]". Esta frase isolada e a escrita do soneto na primeira pessoa levam as pessoas a pensarem que é Camões a falar de si. Mas a leitura atenta e completa do soneto permite concluir que os factos aí presentes não se associam à vida de Camões. Camões escreveu o soneto como se fosse um indivíduo, provavelmente um conhecido seu, que já teria morrido com menos de 25 anos de idade, longe da pátria, tendo como sepultura o mar.
O pai de Camões foi Simão Vaz de Camões e mãe Ana de Sá e Macedo. Por via paterna, Camões seria trineto do trovador galego Vasco Pires de Camões, e por via materna, aparentado com o navegador Vasco da Gama.
Entre 1542 e 1545, viveu em Lisboa, trocando os estudos pelo ambiente da corte de D. João III, conquistando fama de poeta e feitio altivo.
.
Viveu algum tempo em Coimbra onde teria freqüentado o curso de Humanidades, talvez no Mosteiro de Santa Cruz, onde tinha um tio padre, D. Bento de Camões. Não há registos da passagem do poeta por Coimbra. Em todo o caso, a cultura refinada dos seus escritos torna a única universidade de Portugal do tempo como o lugar mais provável de seus estudos. Ligado à casa do Conde de Linhares, D. Francisco de Noronha, e talvez preceptor do filho D. António, segue para Ceuta em 1549 e por lá fica até 1551. Era uma aventura comum na carreira militar dos jovens, recordada na elegia Aquela que de amor descomedido. Num cerco, teve um dos olhos vazados por uma seta pela fúria rara de Marte. Ainda assim, manteve as suas potencialidades de combate.
De regresso a Lisboa, não tarda em retomar a vida boémia. São-lhe atribuídos vários amores, não só por damas da corte mas até pela própria irmã do Rei D. Manuel I. Teria caído em desgraça, a ponto de ser desterrado para Constância. Não há, porém, o menor fundamento documental de que tal fato tenha ocorrido. No dia de Corpus Christi de 1552 entra em rixa, e fere um certo Gonçalo Borges. Preso, é libertado por carta régia de perdão de 7 de Março de 1553, embarcando para a Índia na armada de Fernão Álvares Cabral, a 24 desse mesmo mês.
.
Oriente
Chegado a Goa, Camões toma parte na expedição do vice-rei D. Afonso de Noronha contra o rei de Chembe, conhecido como o «rei da pimenta». A esta primeira expedição refere-se a elegia O Poeta Simónides falando. Depois Camões fixa-se em Goa onde escreveu grande parte da sua obra épica. Considerou a cidade como uma madrasta de todos os homens honestos. Lá estudou os costumes de cristãos e hindus, e a geografia e a história locais. Toma parte em mais expedições militares. Entre Fevereiro e Novembro de 1554 vai na armada de D. Fernando de Meneses constituída por mais de 1000 homens e 30 embarcações, ao Golfo Pérsico, aí sentindo a amargura expressa na canção Junto de um seco, fero e estéril monte. No regresso é nomeado "provedor-mor dos defuntos nas partes da China" pelo Governador Francisco Barreto, para quem escreveria o Auto do Filodemo.
.
Em 1556 parte para Macau, onde continuou os seus escritos. Vive numa célebre gruta com o seu nome e por aí terá escrito boa parte d'Os Lusíadas. Naufragou na foz do rio Mekong, onde conservou de forma heróica o manuscrito de Os Lusíadas então já adiantados (cf. Lus., X, 128). No naufrágio teria morrido a sua companheira chinesa Dinamene, celebrada em série de sonetos. É possível que datem igualmente dessa época ou tenham nascido dessa dolorosa experiência as redondilhas Sôbolos rios.
Regressa a Goa antes de Agosto de 1560 e pede a protecção do Vice-rei D. Constantino de Bragança num longo poema em oitavas. Aprisionado por dívidas, dirige súplicas em verso ao novo Vice-rei, D. Francisco Coutinho, Conde do Redondo, para ser liberto. Em 1568, vem para a ilha de Moçambique, onde, passados dois anos, Diogo do Couto o encontrou, como relata na sua obra, acrescentando que o poeta estava "tão pobre que vivia de amigos". (Década 8.ª da Ásia). Trabalhava então na revisão de Os Lusíadas e na composição de "um Parnaso de Luís de Camões, com poesia, filosofia e outras ciências", obra roubada. Diogo do Couto pagou-lhe o resto da viagem até Lisboa, onde Camões aportou em 1570. Em 1580, de regresso a Lisboa, assistiu à partida do exército português para o norte de África. Morre numa casa de Santana, em Lisboa, sendo enterrado numa campa rasa numa das igrejas das proximidades.
.
Os Lusíadas e a obra lírica
Os Lusíadas é considerada a principal epopeia da época moderna devido à sua grandeza e universalidade. As realizações de Portugal desde o Infante D. Henrique até à união dinástica com Espanha em 1580 são um marco na História, marcando a transição da Idade Média para a Época Moderna. A epopeia narra a história de Vasco da Gama e dos heróis portugueses que navegaram em torno do Cabo da Boa Esperança e abriram uma nova rota para a Índia. É uma epopeia humanista, mesmo nas suas contradições, na associação da mitologia pagã à visão cristã, nos sentimentos opostos sobre a guerra e o império, no gosto do repouso e no desejo de aventura, na apreciação do prazer e nas exigências de uma visão heróica.
A obra lírica de Camões foi publicada como "Rimas", não havendo acordo entre os diferentes editores quanto ao número de sonetos escritos pelo poeta e quanto à autoria de algumas das peças líricas. Alguns dos seus sonetos, como o conhecido Amor é fogo que arde sem se ver, pela ousada utilização dos paradoxos, prenunciam o Barroco.
.
O estilo
É fácil reconhecer na obra poética de Camões dois estilos não só diferentes, mas talvez até opostos: um, o estilo das redondilhas e de alguns sonetos, na tradição do Cancioneiro Geral; outro, o estilo de inspiração latina ou italiana de muitos outros sonetos e das composições (h)endecassílabas maiores. Chamaremos aqui ao primeiro o estilo engenhoso, ao segundo o estilo clássico.
O estilo engenhoso, tal como já aparece no Cancioneiro Geral, manifesta-se sobretudo nas composições constituídas por mote e voltas. O poeta tinha que desenvolver um mote dado, e era na interpretação das palavras desse mote que revelava a sua subtileza e imaginação, exactamente como os pregadores medievais o faziam ao desenvolver a frase bíblica que servia de tema ao sermão. No desenvolvimento do mote havia uma preocupação de pseudo-rigor verbal, de exactidão vocabular, de modo que os engenhosos paradoxos e os entendimentos fantasistas das palavras parecessem sair de uma espécie de operação lógica.
As obras dele foram dividas em líricas e amorosas. Um exemplo das obras líricas foi Os Lusíadas, dividido em 10 cantos, exalta a conquista de Portugal na rota das índias.
.
Obras
· 1572- Os Lusíadas (texto completo)
.
Lírica
· 1595 - Amor é fogo que arde sem se ver
· 1595 - Eu cantarei o amor tão docemente
· 1595 - Verdes são os campos
· 1595 - Que me quereis, perpétuas saudades?
· 1595 - Sobolos rios que vão
· 1595 - Transforma-se o amador na cousa amada
· 1595 - Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
· 1595 - Quem diz que Amor é falso ou enganoso
· 1595 - Sete anos de pastor Jacob servia
· 1595 - Alma minha gentil, que te partiste
.
Teatro
· 1587 - El-Rei Seleuco
· 1587 - Auto de Filodemo
· 1587 - Anfitriões
.
Bibliografia
· "Os Lusíadas". Catálogo da Exposição Bibl., iconogr. e medalhística de Camões. Intr., sel. e notas de José V. de Pina Martins. Lisboa, 1972;
· Col. Camoniana de José do Canto. Lisboa, 1972.
Bibliografia activa
· Anfitriões. Pref. e notas de Vieira de Almeida. Lisboa, 1942;
· El-Rei Seleuco. Id. Ib., 1944;
· Obras completas. Com prefácio e notas de Hernâni Cidade. Lisboa, 1946-1947;
· Obra completa. Org., intr., com. e anotações de A. Salgado Júnior. R. de Janeiro, 1963;
· Os Lusíadas. Leitura, prefácio e notas de Álvaro J. da Costa Pimpão. Lisboa, 1992;
· Rimas. Texto estabelecido e prefaciado por Álvaro J. da Costa Pimpão. Coimbra, 1994
Bibliografia passiva
· Rebelo Gonçalves, Dissertações Camonianas. S. Paulo, 1937;
· António Salgado Júnior, Os Lusíadas e a viagem do Gama. O tratamento mitológico de uma realidade histórica. Porto, 1939;
· B. Xavier Coutinho, Camões e as artes plásticas. Porto, 1946-1948;
· J. Vieira de Almeida, Le théâtre de Camões dans l'histoire du théâtre portugais. Lisboa, 1950;
· H. Cidade, L. de Camões. Os Autos e o teatro do seu tempo. As cartas e o seu conteúdo biográfico. Lisboa, 1956;
· Jorge de Sena, Uma canção de Camões. Lisboa, 1966; id., Os sonetos de Camões e o soneto quinhentista peninsular. Lisboa, 1969;
· Georges le Gentil, Camões. Lisboa, 1969;
· Roger Bismut, La Lyrique de Camões. Paris, 1970;
· Vítor M. de Aguiar e Silva, Maneirismo e Barroco na poesia lírica portuguesa. Coimbra, 1971;
· M.ª Isabel F. da Cruz, Novos subsídios para uma ed. crítica da Lírica de Camões. Porto, 1971;
· Visages de L. de Camões. Paris, 1972;
· António José Saraiva, Camões. Lisboa, 1972;
· XLVIII Curso de Férias da Faculdade de Letras de Coimbra. Ciclo de lições comemorativas do IV Cent. da publ. de "Os Lusíadas". Coimbra, 1972;
· Luciano Pereira da Silva, A Astronomia de "Os Lusíadas". Lisboa, 1972;
· Ocidente (n.º especial). Nov. 1972;
· Garcia de Orta (n.º especial). Lisboa, 1972;
· Cleonice Berardinelli, Estudos Camonianos. R. de Janeiro, 1973; Estudos Camonianos. R. de Janeiro, 1974;
· João Mendes, Lit. Portuguesa I. Lisboa, 1974;
· E. Asensio, Sobre El Rey Seleuco de Camões, em Estudios Portugueses. Paris, 1974;
· Roger Bismut, Les Lusiades de Camões, confession d'un poète. Paris, 1974;
· Vítor M. de Aguiar e Silva, Notas ao cânone da Lírica camoniana. Coimbra, 1968 e 1975;
· Gilberto Mendonça Teles, Camões e a poesia brasileira. R. de Janeiro,1979;
· José Maria Rodrigues, Fontes dos Lusíadas. Lisboa, 1979;
· Quaderni Portoghesi, 6. Pisa, 1979;
· Studi Camoniani. L'Aquila, 1980;
· Homenaje a Camoens. Estudios y ensayos hispano-portugueses. Granada, 1980;
· Brotéria, vols. 110 e 111;
· Luís F. Rebelo, Variações sobre o teatro de Camões. Lisboa, 1980;
· A. Costa Ramalho, Estudos Camonianos. 2Lisboa, 1980;
· A. Pinto de Castro (et al.), Quatro orações camonianas. Lisboa, 1980;
· Eduardo Lourenço, Poesia e Metafísica. Lisboa, 1980;
· Hélder de Macedo, Camões e a viagem iniciática. Lisboa, 1980;
· Jorge de Sena, A estrutura de "Os Lusíadas" e outros estudos camonianos e de poesia peninsular do séc. XVI. Lisboa, 1980; id.,30 Anos de Camões. Lisboa, 1980;
· Cleonice Berardinelli, Os sonetos de Camões. Paris, 1980;
· Jorge Borges de Macedo, "Os Lusíadas e a História. Lisboa, 1980;
· J. G. Herculano de Carvalho, Contribuição de "Os Lusíadas" para a renovação da língua portuguesa. Coimbra, 1980;
· Vasco Graça Moura, L. de Camões: alguns desafios. Lisboa, 1980;
· José Hermano Saraiva, Vida Ignorada de Camões. Lisboa, 1980.
· W. Storck, Vida e obras de L. de Camões. Lisboa, 1980;
· Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa, 1980-1981;
· M.ª Vitalina Leal de Matos, Introdução à poesia de L. de Camões. Lisboa, 1980; id., O canto na poesia épica e lírica de Camões. Paris, 1981;
· M.ª Clara Pereira da Costa, O enquadramento social da Família de Camões na Lisboa do séc. XVI. Lisboa, 1981;
· José Pedro Machado, Notas Camonianas. Lisboa, 1981;
· J. Filgueira Valverde, Camões. Coimbra, 1981; Cuatro lecciones sobre Camoens. Madrid, 1981;
· A. Pinto de Castro, Camões, poeta pelo mundo em pedaços repartido. Lisboa, 1981;
· A Viagem de "Os Lusíadas": símbolo e mito. Lisboa, 1981;
· E. Asensio e J. V. de Pina Martins, L. de Camões. El Humanismo en su obra poética. Los Lusíadas y las Rimas en la poesía española. Paris, 1982;
· M.ª Lucília G. Pires, A crítica camoniana no séc. XVII. Lisboa, 1982;
· J. de Sena, Estudos sobre o vocabulário de "Os Lusíadas". Lisboa, 1982;
· Jacinto do Prado Coelho, Camões e Pessoa, poetas da utopia. Lisboa, 1983;
· H. Cidade, L. de Camões. I. O Lírico. Lisboa, 1985; id., L. de Camões. II. O Épico. Lisboa, 1985;
· Camoniana Californiana. St.ª Bárbara, 1985;
· Vasco Graça Moura, Camões e a divina proporção. Lisboa, 1985; id., Os penhascos e a serpente. Lisboa, 1987;
· Fidelino de Figueiredo, A épica portuguesa do séc. XVI. Lisboa, 1987;
· Martim de Albuquerque, A expressão do Poder em L. de Camões. Lisboa, 1988;
· J. A. Cardoso Bernardes, O Bucolismo português. Coimbra, 1988;
· M.ª Helena Ribeiro da Cunha, A dialéctica do desejo na Lírica de Camões. Lisboa, 1989;
· A. Costa Ramalho, Camões no seu e no nosso tempo. Coimbra, 1992;
· Actas das Reuniões Internacionais de Camonistas: I (Lisboa, 1973); III (Coimbra, 1987); IV (Ponta Delgada, 1984) e V (S. Paulo, 1992);
· Revista Camoniana (S. Paulo, 10 vols publ. desde 1964).
· Grande enciclopédia do conhecimento

Fonte

Wikipédia

sexta-feira, 6 de junho de 2008

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Vampiros na escola e Bullying



O BiblioFilmes apresenta o trailer do livro Eighth Grade Bites - The Chronicles of Vladimir Tod, da escritora Heather Brewer.
É um livro para jovens sobre vampiros e passa-se numa escola secundária, também abordando a temática do bullying. O filme foi criado em Flash, o que pode mais uma inspiração para participação nos Prémios Trailer de Livros ou ao Curta BiblioFilmes.
.
Mais coisa interessantes em


.

Uma simples panela velha



Um médico já idoso da Dacota dos Índios Sioux, Lame Deer, tentou explicar a um amigo branco o modo de pensamento dos índios. A palavra sioux Wakan Tanka, que utiliza, significa "força da criação", "grande espírito"

O que vês aqui, amigo? Uma simples panela de fundo já abaulado, e enegrecida pela fuligem. Está em cima do fogo, neste velho fogão de lenha. A água que tem dentro está a ferver e o vapor de água faz saltar a tampa. Dentro há água a ferver, carne com ossos, gordura e batatas.
Esta panela já velha não parece transmitir-nos nada, e de certeza que a única coisa em que pensas quando olhas para ela é em como cheira bem a sopa, o que te faz lembrar que estás com fome.
Mas eu sou um índio e medito em coisas simples e banais do dia-a-dia – como nesta panela. A água que está a ferver vem das nuvens. É um símbolo do céu. O fogo vem do Sol, que nos aquece a todos: homens, animais, árvores. A carne faz-me pensar nas criaturas de quatro patas nossas irmãs, os animais, que nos servem de alimento para podermos viver. O vapor da água é o símbolo do sopro da vida. Foi água, sobe agora para o céu e vai voltar a ser nuvem. Tudo isto é sagrado.
Quando olho para esta panela cheia de sopa, penso em como Wakan Tanka, o Grande Segredo, olha por mim e desta forma tão simples. Nós, os Sioux, pensamos muito e muitas vezes nos objectos do dia-a-dia. Para nós, eles têm uma alma. O mundo à nossa volta está cheio de símbolos que nos ensinam o sentido da vida.
Nós dizemos que vós, os brancos, estais completamente cegos de um olho porque vedes muito pouco. Nós vemos muitas coisas que vocês há muito deixaram de ver.
Também poderíeis ver, se quisésseis, mas já não tendes tempo; estais muito ocupados. Nós, os índios, vivemos num mundo de símbolos e representações, onde o quotidiano e o espiritual são um só. Para vós, os símbolos não passam de palavras faladas, ou escritas num livro. Para nós, elas são uma parte da Natureza, uma parte de nós mesmos: a Terra, o Sol, o Vento, a Chuva. Pedras, árvores, animais, e até pequenos insectos como formigas e gafanhotos. Nós tentamos percebê-los, não com a cabeça mas com o coração, e basta-nos um pequeno indício para apreendermos a sua mensagem.


Lene Mayer-Skumanz (Org.)
Hoffentlich bald
Wien, Herder Verlag, 1986
.
.
.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Privação de Amor



Maldito tempo perdido,
neste amor estagnado,
por mil tristezas tolhido.
Fiquei, nesta vida, privado
do perfume do teu corpo,
do sabor de te abraçar…
Aqui, o amor está morto,
e eu…carente para te amar!
Loucas saudades sinto,
desses lábios que são teus.
Aqui neste labirinto,
desejo teus lábios meus.
Sou o Inverno mais frio,
neste mundo sem calor
porque a sorte decidiu
privar-me do teu amor!

Poesia russa (traduzida por Krystyna Vashchsnyn, 9º A)
.

TPC's


Aluno
- Sra. Professora…, alguém pode ser castigado por uma coisa que não fez?
..
Professora
- Não. Porquê?
.
Aluno
- É que eu não fiz os trabalhos de casa.

...do tempo da Maria Cachucha

Significado
Muito antigo
.
Origem
A cachucha era uma dança espanhola a três tempos, em que o dançarino, ao som das castanholas, começava a dança num movimento moderado, que ia acelerando, até terminar num vivo volteio. Esta dança teve uma certa voga em França, quando uma célebre dançarina, Fanny Elssler, a dançou na Ópera de Paris. Em Portugal, a popular cantiga Maria Cachucha (ao som da qual, no séc. XIX, era usual as pessoas do povo dançarem) era uma adaptação da cachucha espanhola, com uma letra bastante gracejadora, zombeteira.

Passeio de BTT contra a exclusão social



















.
.
.
Passeio de BTT contra a exclusão social
A turma PIEF da Escola EB 2,3 D. Paio Peres Correia de Tavira e a turma do 9ºB realizaram um passeio de BTT no âmbito do programa “Uma mão contra a exclusão”.
O passeio que contou com a colaboração de alguns professores, a Técnica de Intervenção Local e a Equipa móvel do PETI (Programa para a prevenção e eliminação da exploração do trabalho infantil), a PSP, a GNR, a Câmara Municipal de Tavira e as Juntas de Freguesia de Santa Maria e da Conceição de Tavira, decorreu com grande entusiasmo e civismo.
O grupo partiu da escola, percorreu os caminhos da ciclovia e terminou no parque de merendas da Mata da Conceição. Aí realizaram mais uma série de actividades lúdicas (caminhada, petanca) e degustaram um belíssimo churrasco. Finalizadas as actividades o grupo regressou à escola.
É de referir que o PIEF, Programa Integrado de Educação e Formação, surge como última alternativa para jovens e respectivas famílias depois de terem rejeitado outras existentes quer no sistema educativo quer na formação profissional ou de terem sido rejeitados.
Apesar do cansaço os participantes no passeio divertiram-se imenso e ficaram desejosos de repetir a experiência. Um aluno dizia: “Estas actividades no exterior são muito importantes, porque proporcionam-nos experiências diferentes, saímos da rotina da escola e aprofundamos amizades.”

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Rock in Rio – Amy Winehouse, estrela decadente na Bela Vista


Uma birra por causa do verniz
Foi uma estrela decadente a que na noite de sexta-feira passou pelo Rock in Rio Lisboa. Aguardada com enorme expectativa, Amy Winehouse não correspondeu, sendo a protagonista de um espectáculo degradante.
Vinda de Londres, chegou ao Parque da BelaVista só meia hora antes da suposta entrada em palco (22h00). E fez exigências extraordinárias: não quis ser vista por ninguém na zona dos bastidores, pelo que todos, desde o staff da produção às comitivas dos outros artistas, tiveram de se recolher para que o carro em que viajava entrasse no recinto. Já nos camarins, não terá tocado no vinho pedido, mas fez birra.

Ao que o CM apurou – a organização escusou-se a comentar o que sucedeu –, a britânica não gostou da cor do verniz das unhas e quis um novo. Uma situação desbloqueada pela brasileira Ivete Sangalo, que actuara minutos antes no Palco Mundo. Esse terá sido o motivo dos 35 minutos de atraso.
Em palco, Amy surgiu com a mão direita envolta em ligaduras e com um ‘chupão’ no pescoço. Decerto uma marca do encontro na prisão com o marido Blake, com quem esteve essa tarde escassas horas antes do concerto, segundo a imprensa britânica. Em Lisboa, Amy anunciou mesmo que ele irá regressar a casa dentro de duas semanas.
Isso terá provocado alguma ansiedade na cantora de 24 anos, que em palco se mostrou sempre perturbada, sem controlo nos movimentos e com falhas na interpretação. Atropelou letras, acrescentou ‘Blake’ em algumas, e o alinhamento foi reduzido para 55 minutos. Pediu desculpas e disse que deveria ter cancelado o espectáculo porque estava sem voz, o que explica as pastilhas que foi tomando ao longo do concerto.

Foi essa sinceridade que apaziguou os mais revoltados, que não regatearam aplausos à intérprete de ‘Rehab’. 'Até eu canto melhor no karaoke', lançou uma fã brasileira. 'É uma pena, estragou a festa', atirou outra, que ainda assim agradecia o facto 'de ela ter vindo a Lisboa'.

Depois do concerto, Amy Winehouse rumou de imediato para Londres, mostrando que não está ainda em condições de voltar aos palcos. Fica uma dor de cabeça para a organização do Rock in Rio, que tem a cantora no cartaz da sua primeira edição em Madrid, marcada para 4 de Julho.

DE COPO NA MÃO
Ao longo dos 55 minutos em que se manteve junto dos 90 mil que compraram bilhete para a ouvir, Amy Winehouse várias vezes recuperou forças com o líquido não identificado, que enchia o copo que trouxe para o palco.


Fontehttp://www.correiomanha.pt/

domingo, 1 de junho de 2008

System of a Down

O fio mágico



Era uma vez uma viúva que tinha um filho chamado Pedro. O menino era forte e saudável, mas não gostava de ir à escola e passava todo o tempo a sonhar acordado.
— Pedro, com o que estás sonhar a uma hora destas? — perguntava-lhe a professora.
— Estava a pensar no que serei quando crescer — respondia ele.
— Sê paciente. Tens muito tempo para pensar nisso. Depois de crescido, nem tudo é divertimento, sabes? — dizia ela.
Mas Pedro tinha dificuldade de apreciar alguma coisa que estivesse a fazer no momento, e ansiava sempre pelo que vinha a seguir. No Inverno, ansiava pelo retorno do Verão; no Verão, sonhava com passeios de esqui e trenó. Na escola, ansiava pelo fim das aulas, para poder voltar para casa; e, nas noites de domingo, suspirava dizendo: "Ah, se as férias chegassem depressa!" O que mais o entretinha era brincar com a amiga Lise. Era uma companheira tão boa como qualquer rapaz, e a ansiedade de Pedro não a afectava nem ofendia. "Quando crescer, vou casar‑me com ela", dizia Pedro consigo mesmo.
Costumava perder-se em caminhadas pela floresta, sonhando com o futuro. Às vezes, deitava-se ao sol sobre o chão macio, com as mãos postas sob a cabeça, e ficava a olhar o céu através das copas altas das árvores. Uma tarde quente, quando estava quase a cair no sono, ouviu alguém a chamar por ele. Abriu os olhos e sentou-se. Viu uma mulher idosa de pé à sua frente. Ela trazia na mão uma bola prateada, da qual pendia um fio de seda dourado.
— Olha o que tenho aqui, Pedro — disse ela, oferecendo-lhe o objecto.
— O que é isso? — perguntou, curioso, tocando o fino fio dourado.
— É o fio da tua vida — retrucou a mulher. — Não toques nele e o tempo passará normalmente. Mas se desejares que o tempo ande mais depressa, basta dares um leve puxão ao fio e uma hora passará como se fosse um segundo. Mas devo avisar-te: uma vez que o fio tenha sido puxado, não poderá ser colocado de volta dentro da bola. Ela desaparecerá como uma nuvem de fumo. A bola é tua. Mas se aceitares o meu presente, não contes a ninguém; se não, morrerás no mesmo dia. Agora diz-me, queres ficar com ela?
Pedro tomou-lhe das mãos o presente, satisfeito. Era exactamente o que queria. Examinou-a. Era leve e sólida, feita de uma única peça. Havia apenas um furo de onde saía o fio brilhante. O menino colocou-a no bolso e foi a correr para casa. Quando chegou, depois de se certificar da ausência da mãe, examinou-a outra vez. O fio parecia sair lentamente de dentro da bola, tão devagar que era difícil perceber o movimento a olho nu. Sentiu vontade de lhe dar um rápido puxão, mas não teve coragem. Ainda não.
No dia seguinte, na escola, Pedro imaginava o que fazer com o seu fio mágico. A professora repreendeu-o por não se concentrar nos deveres. "Se ao menos", pensou ele, "já fossem horas de ir para casa!" Tacteou a bola prateada que se encontrava dentro do bolso. Se desse apenas um pequeno puxão, logo o dia chegaria ao fim. Cuidadosamente, pegou no fio e puxou. De repente, a professora mandou que todos arrumassem as suas coisas e fossem embora, organizadamente. Pedro ficou maravilhado. Correu sem parar até chegar a casa. Como a vida seria fácil agora! Todos os seus problemas haviam terminado. Dali em diante, passou a puxar o fio, só um pouco, todos os dias.
Entretanto, logo se apercebeu que era tolice puxar o fio apenas um pouco todos os dias. Se desse um puxão mais forte, o período escolar estaria concluído de uma vez. Poderia aprender uma profissão e casar-se com Lise. Naquela noite deu, então, um forte puxão ao fio, e acordou na manhã seguinte como aprendiz de um carpinteiro da cidade. Pedro adorou a sua nova vida, subindo aos telhados e andaimes, erguendo e colocando, à força de martelado, enormes vigas que ainda exalavam o perfume da floresta. Mas, às vezes, quando o dia do pagamento demorava a chegar, dava um pequeno puxão ao fio e logo a semana terminava, já era a noite de sexta-feira e ele tinha dinheiro no bolso.
Lise também se mudara para a cidade e morava com a tia, que lhe ensinava os afazeres do lar. Pedro começou a ficar impaciente a respeito do dia em que se casariam. Era difícil viver, ao mesmo tempo, tão perto e tão longe dela. Perguntou-lhe, então, quando se poderiam casar.
— No próximo ano — disse ela. — Eu já terei aprendido a ser uma boa esposa.
Pedro tocou com os dedos a bola prateada dentro do bolso.
— Ora, o tempo vai passar bem depressa — disse, com muita certeza.
Naquela noite, não conseguiu dormir. Passou o tempo todo agitado, virando-se de um lado para o outro na cama. Tirou a bola mágica que estava debaixo do travesseiro. Hesitou um instante, mas logo a impaciência o dominou, e ele puxou o fio dourado. Pela manhã, descobriu que aquele ano já havia passado e que Lise concordara afinal com o casamento. Pedro sentiu-se realmente feliz.
Mas antes que o casamento pudesse realizar-se, recebeu uma carta com aspecto de documento oficial. Abriu-a, trémulo, e leu a notícia de que deveria apresentar-se no quartel do exército na semana seguinte para servir por dois anos. Mostrou-a, desesperado, a Lise.
Ora — disse ela — não há nenhum problema, basta-nos esperar. Mas o tempo passará depressa, vais ver. Há tanto que preparar para nossa vida a dois!
Pedro sorriu com galhardia, mas sabia que dois anos durariam uma eternidade a passar.
Quando já se acostumara à vida no quartel, entretanto, começou a achar que não era tão má assim. Gostava de estar com os outros rapazes, e as tarefas não eram tão árduas como a princípio. Lembrou-se da mulher que aconselhara a usar o fio mágico com sabedoria e evitou usá-lo por algum tempo. Mas depressa voltou a sentir-se inquieto. A vida no exército entediava-o, com as suas tarefas de rotina e a sua rígida disciplina. Começou a puxar o fio para acelerar o decurso da semana, a fim de que chegasse logo o domingo ou o dia da sua folga. E assim se passaram os dois anos, como se fosse um sonho.
Terminado o serviço militar, Pedro decidiu não mais puxar o fio, excepto por uma necessidade absoluta. Afinal, era a melhor época da sua vida, conforme todos lhe diziam. Não queria que acabasse assim tão depressa. Mas deu um ou dois pequenos puxões ao fio, só para antecipar um pouco o dia do casamento. Tinha muita vontade de contar a Lise o seu segredo; mas sabia que, se contasse, morreria.
No dia do casamento, todos estavam felizes, inclusive Pedro. Mal podia esperar para lhe mostrar a casa que construíra para ela. Durante a festa, lançou um rápido olhar na direcção da mãe. Percebeu, pela primeira vez, que o cabelo dela estava a ficar grisalho. Envelhecera rapidamente. Pedro sentiu uma ponta de culpa por ter puxado o fio com tanta frequência. Dali em diante, seria muito mais parcimonioso no seu uso, e só o puxaria se fosse estritamente necessário.
Alguns meses mais tarde, Lise anunciou que estava à espera de um filho. Pedro ficou entusiasmadíssimo, e mal podia esperar. Quando o bebé nasceu, ele achou que não iria querer mais nada na vida. Mas, sempre que o bebé adoecia ou passava uma noite em claro a chorar, ele puxava um pouco do fio para que o bebé tornasse a ficar saudável e alegre.
Os tempos andavam difíceis. Os negócios iam mal e chegara ao poder um governo que mantinha o povo sob forte opressão e pesados impostos, e não tolerava oposição. Quem quer que fosse tido como agitador era preso sem julgamento, e um simples boato bastava para se condenar um homem. Pedro sempre fora conhecido por dizer o que pensava, e logo foi preso e lançado na cadeia. Por sorte, trazia a bola mágica consigo e deu um forte puxão ao fio. As paredes da prisão dissolveram‑se diante dos olhos e os inimigos foram arremessados à distância, numa enorme explosão. Era a guerra que se insinuava, mas que logo acabou, como uma tempestade de Verão, deixando o rasto de uma paz exaurida. Pedro viu-se de volta ao lar com a família. Mas era agora um homem de meia‑idade.
Durante algum tempo, a vida correu sem percalços, e Pedro sentia-se relativamente satisfeito. Um dia, olhou para a bola mágica e surpreendeu-se ao ver que o fio passara da cor dourada para a prateada. Foi olhar-se ao espelho. O cabelo começava a ficar-lhe grisalho e o seu rosto apresentava rugas onde nem se podia imaginá-las. Sentiu um medo súbito e decidiu usar o fio com mais cuidado ainda do que antes. Lise dera-lhe outros filhos e ele parecia feliz como chefe da família que crescia. O seu modo imponente de ser fazia as pessoas pensarem que ele era algum tipo de déspota benevolente. Possuía um ar de autoridade, como se tivesse nas mãos o destino de todos. Mantinha a bola mágica bem escondida, resguardada dos olhos curiosos dos filhos, sabendo que, se alguém a descobrisse, seria fatal.
Cada vez tinha mais filhos, de modo que a casa foi ficando cheia de gente. Precisava de a ampliar, mas não dispunha do dinheiro necessário para a obra. Tinha também preocupações. A mãe estava a ficar idosa, com a passagem dos dias, ia parecendo mais cansada. Não adiantava puxar o fio da bola mágica, pois isto só lhe aceleraria a chegada da morte. De repente, ela faleceu, e Pedro, parado diante do túmulo, pensou no modo como a vida passara tão rapidamente, mesmo sem fazer uso do fio mágico.
Uma noite, deitado na cama, sem conseguir dormir, pensando nas suas preocupações, achou que a vida seria bem melhor se todos os filhos já estivessem crescidos e com carreiras encaminhadas. Deu um fortíssimo puxão ao fio, e acordou no dia seguinte vendo que os filhos já não estavam em casa, pois tinham arranjado empregos em diferentes pontos do país, e que ele e a mulher estavam sós. O cabelo estava quase todo branco e doíam-lhe as costas e as pernas quando subia uma escada, ou os braços quando levantava uma viga mais pesada. Lise também envelhecera, e estava quase sempre doente. Ele não aguentava vê-la sofrer, de tal forma que lançava mão do fio mágico cada vez mais frequentemente. Mas sempre que o problema não se resolvia, já outro surgia em seu lugar. Pensou que talvez a vida corresse melhor se ele se aposentasse. Assim, não teria de continuar a subir aos edifícios em obras, sujeito a lufadas de vento, e poderia cuidar de Lise sempre que ela adoecesse. O problema era a falta de dinheiro suficiente para sobreviver. Pegou na bola mágica, então, e ficou a olhar. Para seu espanto, viu que o fio já não era prateado, mas cinza, e perdera o brilho. Decidiu ir para a floresta dar um passeio e pensar melhor no significado de tudo aquilo.
Já fazia muito tempo que não ia àquela parte da floresta. Os pequenos arbustos haviam crescido, transformando-se em árvores frondosas, e foi difícil encontrar o caminho que costumava percorrer. Acabou por chegar a um banco no meio de uma clareira. Sentou-se para descansar e caiu num sono leve. Foi despertado por uma voz que o chamava pelo nome: — Pedro! Pedro!
Abriu os olhos e viu a mulher que encontrara havia tantos anos e lhe dera a bola prateada com o fio dourado mágico. Aparentava a mesma idade que tinha no dia em questão, exactamente igual. Ela sorriu-lhe.
E então, Pedro, a tua vida foi boa? — perguntou.
Não tenho a certeza — disse ele. — A sua bola mágica é maravilhosa. Nunca na minha vida tive de suportar qualquer sofrimento ou esperar por qualquer coisa na minha vida. Mas tudo foi tão rápido. Sinto como se não tivesse tido tempo de apreender tudo que se passou comigo; nem as coisas boas, nem as más. E agora falta tão pouco tempo! Já não ouso puxar o fio, pois isso só anteciparia a minha morte. Acho que o seu presente não me trouxe sorte.
Mas que falta de gratidão! — disse a mulher — Gostarias que as coisas fossem diferentes?
Talvez se me tivesse dado uma outra bola, em que eu pudesse puxar o fio para fora e para dentro também. Talvez, então, eu pudesse reviver as coisas más.
A mulher riu-se.
Estás a pedir muito! Achas que Deus nos permite viver as nossas vidas mais de uma vez? Mas posso conceder-te um último desejo, seu tolo exigente.
Qual? — perguntou ele.
Escolhe — disse ela.
Pedro pensou bastante.
Ao fim de bastante tempo, disse:
Gostaria de voltar a viver a minha vida, como se fosse a primeira vez, mas sem a sua bola mágica. Assim, poderei experimentar as coisas más da mesma forma que as boas, sem encurtar a sua duração. Pelo menos, a minha vida não passará tão rapidamente e não se parecerá com um devaneio.
Seja — disse a mulher. — Devolve-me a bola.
Ela esticou a mão e Pedro entregou-lhe a bola prateada. Em seguida, ele recostou-se e fechou os olhos, exausto.
Quando acordou, estava na sua cama. A sua jovem mãe debruçava-se sobre ele, tentando acordá-lo carinhosamente.
Acorda, Pedro, não vás chegar atrasado à escola. Estavas a dormir como uma pedra!
Ele olhou para ela, surpreendido e aliviado.
Tive um sonho horrível, mãe. Sonhei que estava velho e doente e que minha vida passara como num piscar de olhos sem que eu sequer tivesse ficado com algo para contar. Nem ao menos algumas lembranças.
A mãe riu-se e fez que não com a cabeça.
Isso nunca vai acontecer — disse ela. — As lembranças são algo que todos temos, mesmo quando velhos. Agora, anda, vai-te vestir. A Lise está a tua espera, não deixes que ela se atrase por tua causa.
A caminho da escola, em companhia da amiga, observou que estavam em pleno Verão e que fazia uma linda manhã, uma daquelas em que era óptimo estar-se vivo. Em poucos minutos, estariam a encontrar os amigos e colegas, e mesmo a perspectiva de enfrentar algumas aulas não parecia tão desagradável assim. Na verdade, ele não cabia em si de contente.



William J. Bennett
O Livro das Virtudes
Editora Nova Fronteira, 1995
Adaptação
.
.
Mais em

Dia Mundial da Criança - 1 de Junho


ARTIGO 19º (da Convenção, assinada em 1989)
"Ninguém deve exercer sobre a criança qualquer espécie de maus-tratos. Os adultos devem protegê-la contra abusos, violência e negligência. Mesmo os próprios pais não têm o direito de a maltratar."

“a criança, por motivo da sua falta de maturidade física e intelectual, tem necessidade de uma protecção e cuidados especiais...”.


Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o Dia Mundial da Criança não é só uma festa onde as crianças ganham presentes.
É um dia em que se pensa nas centenas de crianças que continuam a sofrer de maus-tratos, doenças, fome e discriminações (discriminação significa ser-se posto de lado por ser diferente).
Sabias que o primeiro Dia Mundial da Criança foi em 1950?
Tudo começou logo depois da 2ª Guerra Mundial, em 1945.Muitos países da Europa, do Médio Oriente e a China entraram em crise, ou seja, não tinham boas condições de vida.
As crianças desses países viviam muito mal porque não havia comida e os pais estavam mais preocupados em voltar à sua vida normal do que com a educação dos filhos. Alguns nem pais tinham!
Como não tinham dinheiro, muitos pais tiravam os filhos da escola e punham-nos a trabalhar, às vezes durante muitas horas e a fazer coisas muito duras.
Sabias que mais de metade das crianças da Europa não sabia ler nem escrever? E também viviam em péssimas condições para a sua saúde.
Em 1946, um grupo de países da ONU (Organização das Nações Unidas) começou a tentar resolver o problema. Foi assim que nasceu a UNICEF.
Mesmo assim, era difícil trabalhar para as crianças, uma vez que nem todos os países do mundo estavam interessados nos direitos da criança.
Foi então que, em 1950, a Federação Democrática Internacional das Mulheres propôs às Nações Unidas que se criasse um dia dedicado às crianças de todo o mundo.
Este dia foi comemorado pela primeira vez logo a 1 de Junho desse ano!
Com a criação deste dia, os estados-membros das Nações Unidas, reconheceram às crianças, independentemente da raça, cor, sexo, religião e origem nacional ou social o direito a:
- afecto, amor e compreensão;
- alimentação adequada;
- cuidados médicos;
- educação gratuita;
- protecção contra todas as formas de exploração;
- crescer num clima de Paz e Fraternidade universais.
Sabias que em só nove anos depois, em 1959 é que estes direitos das crianças passaram para o papel?
A ONU reconheceu também que “em todos os países do mundo há crianças que vivem em condições particularmente difíceis e a quem importa assegurar uma atenção especial, tendo devidamente em conta a importância das tradições e valores culturais de cada povo para a protecção e o desenvolvimento harmonioso da criança e a importância da cooperação internacional para a melhoria das condições de vida das crianças em todos os países, em particular nos países em desenvolvimento.”
A 20 de Novembro desse ano, várias dezenas de países que fazem parte da ONU aprovaram a "Declaração dos Direitos da Criança".
Trata-se de uma lista de 10 princípios que, se forem cumpridos em todo o lado, podem fazer com que todas crianças do mundo tenham uma vida digna e feliz.
Claro que os Dia Mundial da Criança foi muito importante para os direitos das crianças, mas mesmo assim nem sempre são cumpridos.
Então, quando a "Declaração" fez 30 anos, em 1989, a ONU também aprovou a Convenção sobre os Direitos da Criança, que é um documento muito completo (e comprido) com um conjunto de leis para protecção dos mais pequenos (tem 54 artigos!).
Estão escritos de uma forma mais simples para tu os perceberes melhor.

Esta declaração é tão importante que em 1990 se tornou lei internacional!



Fonte
http://www.junior.te.pt/servlets/Rua?P=Sabias&ID=201

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Prende & Aprende

É tempo de nos preocuparmos com o nosso futuro.

A menina que se enfeitava demais


Os pais de Aree davam-lhe tudo o que ela queria. Cumulavam-na de presentes.
— Aree, estas argolas de oiro haveriam de ficar tão bem nas tuas orelhas delicadas. Temos de tas comprar!
— Aree, aquela pulseira de prata havia de ficar tão bem no teu braço fino. Temos de ta comprar!
— Aree, aquele anel de rubis havia de ficar tão bem no teu dedo elegante. Temos de to comprar!
Sempre que viam um corte de seda especialmente bonito, exclamavam:
— Oh, Aree, que bem havia de ficar-te aquela cor! Temos de te comprar esta seda!
O quarto de Aree estava cheio de guarda-jóias e de arcas a abarrotar de cortes de seda. Um dia, Aree ouviu falar de um baile na aldeia que ficava para lá das montanhas.
— Eis uma excelente oportunidade para exibir as minhas roupas requintadas! Mas, que cor hei-de usar? Cor-de-rosa, fúcsia, escarlate? Azul celeste ou verde-claro? Talvez violeta… ou púrpura… ou magenta.
Talvez amarelo-torrado… ou verde-esmeralda. Penso que vou usar cor-de-rosa.
Vestiu um vestido cor-de-rosa brilhante. Mas havia um outro vestido, cor de esmeralda.
— Este verde é tão elegante! Talvez possa usar os dois!
Vestiu o verde por cima do rosa.
— Assim, posso exibir dois dos meus vestidos de seda! Só que este fúcsia é o mais alegre de todos. Penso que o vou usar também.
Pôs o fúcsia por cima do verde e começou a voltear.
— Vou ser a rapariga mais bonita do baile!
Mas não se ficou por ali.
— Este amarelo-torrado é especialmente bonito. E vejam só este azul brilhante…Ninguém tem sedas tão caras como as minhas. Já agora, porque não usá-las todas? A azul clara…a violeta…esta púrpura com fios de oiro puro. Se usar todos os meus vestidos, vou ser, de certeza, a rapariga mais bonita do baile.
A vaidosa Aree vestiu tudo o que tinha no armário. Como as roupas eram pesadas, ficou sem conseguir mexer-se.
— São um pouco pesadas, mas vejam só! Sou a rapariga mais bela do baile!
E a escolha continuou:
— E que pulseira usar? A de ouro? Sim. A de prata? Claro. A de jade? É a minha favorita. E os anéis? O de rubis? O de safiras? O de esmeraldas? O de pérolas? O de opalas? Todos eles, sem dúvida alguma!
Aree pôs todas as jóias que possuía. As amigas chegaram pouco tempo depois.
— Aree! Pareces…
Nem sabiam o que dizer. Aree saiu de casa aos tropeções, carregada de sedas, anéis, pulseiras e brincos. Mal podia andar. Mas sentia-se orgulhosa.
— Vejam só as minhas belas roupas. Vejam só o meu oiro e as minhas jóias. Vou de certeza ser… a rapariga mais bela do baile!
Parecia tão pateta que as amigas fizeram um esforço para não se rirem.
Partiram em direcção à aldeia. Mas Aree não conseguia acompanhá-las. Cedo começou a bufar de irritação.
— Esperem por mim! Esperem por mim! Não consigo subir a colina!
As amigas vieram ajudá-la.
— Podíamos empurrar-te pela colina acima.
— Não me empurrem porque podem amarrotar os meus vestidos!
— Podíamos puxar-te pela colina acima.
— Não me puxem porque podem sujar as minhas roupas de seda.
As raparigas decidiram deixar Aree para trás. Esta cambaleou durante algum tempo sozinha até que as chamou de novo.
— Esperem por mim! Esperem por mim! Não consigo subir a colina!
As amigas voltaram para trás.
— O que vocês têm é inveja das minhas roupas requintadas. Se fizer o que me dizem, já não serei a rapariga mais bela do baile.
Aree recusou-se a tirar fosse o que fosse. As amigas deixaram-na ficar ali e foram ao baile sozinhas.
Durante o dia todo, Aree arrastou-se pela colina acima debaixo de um sol escaldante. Chegou ao cume à noitinha. Parou, demasiado exausta para dar mais um passo, enfiada naquelas roupas pesadas.
Quando as amigas regressaram do baile, Aree ainda estava demasiado cansada para se poder mexer. Foram buscar os pais dela e, quando estes chegaram, Aree já não se sentia vaidosa.
— Pai, mãe, vesti coisas a mais! Não preciso destas roupas todas!
— Tira então alguns desses vestidos e algumas dessas jóias pesadas. Ensinámos-te a querer demasiado. Tens de aprender a contentar-te com menos.
Jóia a jóia, vestido a vestido, Aree despojou-se de todas as suas coisas. Da vez seguinte que foi a um baile, estava lindíssima no seu vestido simples.
.
Margaret Read MacDonald
The Girl Who Wore Too Much
Arkansas, August House, 1998
Tradução e adaptação
.
Mais em
Clube de Contadores de Histórias
Biblioteca da Escola S/3 Daniel Faria – Baltar

Outras infâncias, outros brinquedos




As imagens falam por si...

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Metallica

Metallica é talvez a banda de metal mais consagrada do planeta, tendo sido a pioneira a levar o estilo ao topo das paradas, às rádios e à MTV, sem perder toda a sua legião de fãs antigos. Embora seja acusada por alguns de ter se vendido e tornado o seu som comercial a partir de 1991, a sua importância é uma quase unanimidade.
A banda começou em 1980, quando Lars Ulrich e James Hetfield se juntaram para gravar uma demo, "No Life 'til Leather". Desde o princípio procuraram levar aos extremos a agressividade de bandas que os influenciaram, como Venom e Diamond Head, ajudando a consolidar o estilo thrash metal que dava os seus primeiros passos. Também integrou uma das primeiras formações da banda o guitarrista Dave Mustaine, que foi demitido por abuso de álcool e mais tarde fundou a banda Megadeth.
Em 1983 gravaram o primeiro disco, com o sugestivo título de "Kill 'em All". Um verdadeiro clássico, considerado por muitos o melhor da banda. O disco é um divisor de águas na história do rock. Foi o primeiro disco de thrash a ter repercussão nos media especializados. A banda saiu então para a sua primeira grande tournée, com a banda Raven. Em 1984 sai o segundo álbum, "Ride the Lightning", com músicas quase tão agressivas quanto as do primeiro disco.

Em 1986, os Metallica, já uma banda grande, lançam o disco "Master of Puppets", que divide com "Kill 'em All" o melhor título da banda. O som tinha-se tornado muito mais elaborado, as letras muito mais profundas, mas a agressividade continuava a mesma. Os Metallica foram talvez a primeira banda a alcançar uma venda de mais de 500 mil cópias sem a ajuda de rádios ou vídeo clips.
Na tour do disco "Master of Puppets" ocorreu um facto que por pouco não encerrou a carreira da banda. O autocarro que os levava sofreu um acidente e o baixista Cliff Burton morreu. Para substituí-lo foi escolhido Jason Newsted. Embora seja considerado inferior a Cliff Burton por alguns fãs mais conservadores, Jason Newsted veio acrescentar algo ao estilo dos Metallica. A título de apresentação do novo componente a banda gravou o EP "Garage Days Re Revisited" com covers de outras bandas.

Em 1988 é lançado o álbum "...And Justice For All". O som da banda havia ficado tão elaborado, as composições tão longas, que foi preciso lançar um álbum duplo. Obviamente a tentativa de criar um som mais elaborado implicou na perda de peso e, no início, as críticas de que os Metallica se estariam “vendendo” ao grande público. Para incentivar ainda mais as más línguas, os Metallica pela primeira vez gravam um vídeo e são sucesso na MTV. Opiniões radicais à parte, as composições são de excelente qualidade, com destaque para "One", uma das melhores letras da sua carreira. O disco foi indicado para um Grammy.

Em 1991, com o lançamento do álbum "Metallica", viria a confirmar-se a tendência da banda se tornar popular. O "álbum preto" já estreiou em primeiro lugar nas paradas, vendeu mais de 10 milhões de cópias e tocou até à exaustão nas rádios e na MTV. A tournée que se seguiu ao disco foi imensa, durando quase quatro anos. Embora não seja de forma alguma um disco mau, realmente é impossível deixar de notar a falta de agressividade quando se compara este disco aos três primeiros da carreira da banda. As músicas "Enter Sandman", "The Unforgiven" e "Nothing Else Matters" foram os destaques.
Em 1996 saiu "Load", com uma sonoridade completamente diferente de todas as gravações anteriores dos Metallica. Se havia dúvidas quanto ao facto da banda estar abandonado o seu estilo mais agressivo dos primeiros álbuns, foram todas desfeitas. A meio de declarações constrangedoras, como as de que "o heavy metal morreu", os Metallica viveram sua fase de maiores vendas por um lado, mas por outro lado perderam boa parte dos seus fãs mais antigos. Com os boatos da gravação de um acústico para a MTV americana a banda prometeu para o próximo ano um álbum pesado como nos velhos tempos. "Reload" saiu em 1997, novamente com um som diferente dos Metallica originais, embora, realmente, mais pesado.

Em 1998 a banda lançou "Garage Inc", um álbum só de covers e com músicas de inúmeras bandas, como Motörhead, Budgie, Bob Seger, Black Sabbath, Mercyfull Fate, Misfits, Diamond Head, entre outras. O álbum reunia alguns covers antigos da época do "Garage Days Revisited" a novas versões. Em 1999 seguiu-se "S&M", gravação ao vivo da banda, tocando junto com uma orquestra.

Como se não bastasse a má repercussão de sua mudança de direção musical, em 2000 a banda envolveu-se numa polémica acção judicial contra a empresa Napster, responsável pelo programa com o mesmo nome, destinado à troca de músicas pela internet. Embora tenha dado início a processos que culminaram com o encerramento dos servidores do Napster, os resultados para a banda foram apenas negativos: tão rápido quando o Napster saiu de cena, uma dezena de novos mecanismos mais eficientes foi lançado; já a imagem da banda, agora acusada de se preocupar mais com o dinheiro e menos com os seus fãs, estaria maculada para sempre.

Em 2001 Jason Newsted anuncia a sua saída dos Metallica, que se mostrariam pouco amigáveis à medida que o baixista soltava entrevistas com críticas aos outros membros, principalmente Hetfield, na imprensa musical. As composições e gravações de um novo álbum foram iniciadas, ora com Hetfield assumindo o baixo, ora com a participação de Bob Rock no instrumento. As gravações foram interrompidas durante alguns meses pelo internamento de Hetfield, para tratamento de alcoolismo e outros vícios.

Em 2003 o cargo de baixista foi assumido definitivamente por Robert Trujillo (que tinha tocado com Ozzy Osbourne e Suicidal Tendencies entre outros).
Ainda em 2003 sai o controverso “Saint Anger”, com as linhas de baixo gravadas por Bob Rock. Uma tentativa desastrada de reaproximação com o peso resultou numa produção tosca, com um timbre de bateria estranho e, pior, praticamente sem solos de guitarra. O disco foi novamente um sucesso comercial, apesar da péssima recepção pelos fãs.

Os Metallica vão estar presentes na edição deste ano do Roch in Rio, em Lisboa.
.
.
Trabalho realizado por:
Luís Fernandes, nº14, 7ºB

O presente da águia



Há muito tempo atrás, um caçador esquimó morava no Pólo Norte com a mulher e os filhos. A vida era difícil. Para matarem a fome, tinham de caçar.
Caçavam o dia inteiro. Arrastavam as presas para o seu acampamento, comiam a carne, e da pele faziam roupas. Depois de comer sentavam-se, cansados e em silêncio, ao lado uns dos outros, e começavam a bocejar.
Só o filho mais novo perguntava, de vez em quando:
— O que é que podemos ainda fazer hoje?
— Dormir! O que mais?
— respondia o pai.
— Podíamos ir ter com os homens que moram no acampamento vizinho.
Mas o pai abanava a cabeça.
— As pessoas lá também estão a dormir.
Então deitavam-se, chegavam-se uns aos outros, cobriam-se com as mantas de pele e adormeciam. Assim se passavam os dias, assim se passavam as noites, umas iguais às outras.
Certo dia, o filho mais novo foi sozinho à caça. Viu uma águia a voar em círculos por cima dele e esticou o arco. A águia aproximava-se cada vez mais. Por fim pousou no chão e aninhou-se na neve em frente ao rapazinho, a olhar muito calmamente para o caçador. A águia ainda era nova mas era grande e tinha umas penas bonitas. O jovem caçador sentiu-se estranhamente sem coragem e baixou o arco.
— Vai-te embora — disse para a águia. — És tão bonita! Não quero matar-te.
— Jovem caçador
— disse a águia — vem comigo ao meu acampamento. Tenho um presente para ti. Quero dar-te a dádiva da festa.
— Festa? O que é isso? — perguntou o rapaz.
— Uma festa alegra o coração — disse a águia. — Os amigos reúnem-se e comem todos juntos. Depois tocam nos tambores, cantam e dançam. Quem dá uma festa não está sozinho.
Então o rapaz foi com a águia, porque queria receber a dádiva que ajudava a afastar a solidão. Subiram a um grande monte. No cimo estava o acampamento da águia.
— Mãe! — gritou a jovem águia ainda de longe. — Trago um homem jovem que nunca esteve numa festa. Não sabe tocar tambor, nem cantar, nem dançar.
O rapaz teve medo, pois a mãe-águia era assustadoramente grande. A família inteira do rapaz podia dormir debaixo das suas asas. A mãe-águia abriu os olhos milenares e olhou para o jovem.
— Construí uma tenda para a festa, meninos! — disse.
A águia mostrou ao rapaz como se esticava pele de rena sobre uma armação de madeira, como se faziam baquetas de osso e como se batia com elas na pele esticada para começarem a soar.
— Inventai uma canção, meninos — disse a mãe águia.
— Uma canção? — perguntou o rapaz.
— Procura numa recordação boa e arranja palavras para ela — disse a mãe-águia.
O rapaz ficou a pensar. Depois, começou a bater no tambor e disse:
.
Vi uma águia a voar
Lá no alto, sobre mim.
Desceu à terra e olhou-me.
O meu coração aqueceu e saltou de alegria.
A águia tornou-se minha amiga.
.
— Está bem
— disse a mãe-águia. — Agora escuta as tuas palavras. Há nelas uma melodia que tens de aprender a ouvir. O rapaz escutou e começou a cantar, primeiro em voz baixa, depois mais alto.
— Agora dançai, meninos! — gritou a mãe-águia. — Jovem, o teu coração está a saltar de alegria. Deixa as tuas pernas imitarem-no!
O rapaz saltava e batia no tambor, ria de alegria e cantava a sua canção.
— Agora já sabes tudo — disse a mãe-águia — mas não recebeste a dádiva só para ti. Tens de a partilhar com todos os Homens.
O rapaz assim prometeu. Ainda tinha no saco de caça um pouco de gordura de foca. Pegou nela e pô-la em frente da mãe-águia.
Era uma oferenda pequenina, mas a mãe ficou contente.
— Ele aprendeu mesmo tudo o que é preciso saber para a festa – disse para o filho. — Leva-o de volta à terra dele.
O rapaz pôs os braços à volta do pescoço da águia, que levou o seu amigo para a planície, onde se despediram um do outro.
O jovem correu para casa e contou aos pais e aos irmãos a deliciosa prenda que tinha recebido.
Juntos prepararam uma festa, construíram uma casa, fizeram tambores, inventaram canções. Conversaram e riram uns com os outros, tentaram dançar, e os seus pensamentos tornaram-se alegres.
Ao fazerem qualquer coisa, perguntavam-se se não podiam inventar dali uma canção. E assim começaram a olhar as coisas à sua volta de uma nova forma.
Convidaram as pessoas do acampamento vizinho e vieram convidados de todos os lados. Fizeram um banquete, cantaram, dançaram e tocaram.
E vieram os lobos e os ursos polares, as raposas vermelhas e cinzentas, os linces e as galinhas da neve, e todos festejaram com os homens a primeira festa.

Tradução e adaptação
Lene Mayer-Skumanz (org.)
Hoffentlich bald
Wien, Herder Verlag, 1986


terça-feira, 27 de maio de 2008

Ter para os alfinetes


Significado
Ter dinheiro para viver.


Origem
Em outros tempos, os alfinetes eram objecto de adorno das mulheres e daí que, então, a frase significasse o dinheiro poupado para a sua compra porque os alfinetes eram um produto caro. Os anos passaram e eles tornaram-se utensílios, já não apenas de enfeite, mas utilitários e acessíveis. Todavia, a expressão chegou a ser acolhida em textos legais. Por exemplo, o Código Civil Português, aprovado por Carta de Lei de Julho de 1867, por D.Luís, dito da autoria do Visconde de Seabra, vigente em grande parte até ao Código Civil actual, incluía um artigo, o 1104, que dizia "A mulher não pode privar o marido, por convenção antenupcial, da administração dos bens do casal; mas pode reservar para si o direito de receber, a título de alfinetes, uma parte do rendimento dos seus bens, e dispor dela livremente, contanto que não exceda a terça dos ditos rendimentos líquidos."

sábado, 24 de maio de 2008

Menino inteligente


O miúdo corre para a mãe e diz:
- Mãe, preferias que eu partisse a perna ou o jarro da sala?
- Que pergunta, filho! Claro que preferia que partisses o jarro da sala!
- Então podes ficar feliz porque não parti a perna.