segunda-feira, 19 de maio de 2008

Valor, contexto e arte

Aquela poderia ser mais uma manhã como outra qualquer. Um sujeito entra na estação do metro, de calças de ganga, t-shirt e boné, encosta-se próximo à entrada, tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali, na hora de ponta matinal.
Durante os 45 minutos em que tocou, foi praticamente ignorado pelos passantes.
Ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas, num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares.
Alguns dias antes, Bell tinha tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam a bagatela de 1000 dólares.
A experiência, gravada em vídeo, mostra homens e mulheres de andar ligeiro, copo de café na mão, telemóvel no ouvido, indiferentes ao som do violino. A iniciativa realizada pelo jornal The Washington Post era a de lançar um debate sobre valor, contexto e arte.
A conclusão: estamos acostumados a dar valor às coisas quando estão num contexto.
Bell era uma obra de arte sem moldura. Um artefacto de luxo sem etiqueta de marca.

Manuel Cabanas


Manuel dos Santos Cabanas
(11 de Fevereiro de 1902 – 25 de Maio de 1995)



Manuel dos Santos Cabanas nasceu no concelho de Vila Real de Santo António no início do século XX e faleceu já no crepúsculo desse mesmo século. Durante a sua vida, passada a maior parte na cidade do Barreiro, na margem Sul do rio Tejo, assistiu e participou a grandes episódios da nossa história.
De origens muito humildes, próprias de famílias rurais, o Mestre, como ficaria conhecido, demonstrou sempre grande preocupação pelas injustiças sociais, pela defesa das liberdades e pelo auxílio aos mais desfavorecidos. Embora tivesse grande respeito pela profissão dos seus progenitores, a agricultura, Manuel Cabanas quis dar um outro rumo à sua vida, empregando-se nos Caminhos de Ferro, onde iria exercer funções durante largo tempo da sua vida.
O jovem Manuel decidiu mudar o rumo da sua vida e foi viver para o Barreiro, onde passaria a maior parte da sua existência.
Toda a sua vida foi norteada pelos princípios da Revolução Francesa, “Liberdade, igualdade e fraternidade”. Repúblicano convicto, Manuel Cabanas “viveu” o fim da monarquia e a implantação da República em 1910. Foi um lutador, um combatente contra qualquer forma de repressão. Foi torturado, preso, penalizado na sua profissão. Foi desterrado para a Estação de Caminhos de Ferro da Moita, onde trabalhava apenas de noite. Toda a noite! Como o trabalho não era muito, Manuel Cabanas aproveitou o tempo para aprender. A aprendizagem foi feita através da leitura de livros e revistas, algumas delas proibidas na época pelo regime salazarista. A esse período da sua vida, denominamos de “Universidade da Moita”. De uma forma autodidacta aprendeu sobre os mais variados temas: política, história, direito, arte, religião, filosofia entre outras áreas. É um exemplo que deveria ser seguido ainda hoje. Sem os recursos que dispomos actualmente, como a internet, a televisão ou o telefone, Manuel Cabanas preparou-se para a vida, adquirido um saber enciclopédico.
Manuel Cabanas foi um defensor das liberdades! Todo o tipo de liberdade: de pensamento, de expressão, de escolha. Por isso lutou sempre contra o regime Salazarista, contra a utilização da força pela PIDE, contra a censura. E foi muitas vezes penalizado por isso.
Esteve ao lado de Arlindo Vicente e mais tarde do General “Sem medo” Humberto Delgado, que acabaria por ser morto pela PIDE. Esteve ao lado dos capitães de Abril e dos grandes activistas políticos que estiveram na origem do 25 de Abril de 1974. Foi um dos elementos fundadores do Partido Socialista, na altura ainda clandestino.
Manuel Cabanas teve sempre grande apetência pelas tertúlias, organizando pequenos grupos onde debatia os mais variados assuntos. Tinha o dom da palavra e facilmente cativava a atenção daqueles que o ouviam.
Tinha também muito jeito para os ofícios, dedicando-se à encadernação de livros, actividade que ensinou a Aquilino Ribeiro. Mais tarde dedicou-se à Xilogravura, arte que o viria a notabilizar no mundo artístico. Em Vila Real de Santo António existe uma galeria com o seu nome que alberga grande parte da sua obra artística.
O Mestre estabeleceu relações de amizade com as elites culturais da época. Criou até uma relação de grande amizade com Cândido Portinari, notável pintor brasileiro do século XX. Já para não falar da sua relação com Aquilino Ribeiro ou com o antigo Presidente da República, natural de Portimão, Manuel Teixeira Gomes.
A vida de Manel Cabanas foi riquíssima. Pode-se dizer que não houve apenas um Manuel Cabanas, mas vários. Foi jornalista, historiador e até professor. Fez parte da Maçonaria. A sua dimensão é enorme e a sua história confunde-se com a própria história do século XX português.
Como muitos artistas, Manuel Cabanas nunca teve grande apreço pelos bens materiais. Acabou com algumas dificuldades económicas, mas nunca perdeu a dignidade e foi sempre fiel aos seus princípios.
Manuel Cabanas dizia:
“Tudo sacrifiquei a minha modesta mensagem espiritual no intuito de realizar alguma coisa que se prolongasse para além da minha vida.”

Manuel dos Santos Cabanas é um exemplo a seguir.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

O problema

Era uma vez um lavrador. Embora trabalhasse noite e dia, nunca conseguia deixar de ser pobre. De cada vez que começava a sentir que estava a tirar o melhor partido de uma situação, tudo acabava sempre por falhar. Se num ano havia seca, no outro havia cheia. Se num ano os rebanhos adoeciam, no ano seguinte os lobos dizimavam-nos. Se num ano o preço do cereal descia, no ano seguinte o rei subia os impostos.
Certo dia, o lavrador estava sentado num tronco, cabisbaixo e desesperado. De repente, apareceu uma estranha e grotesca criatura a dançar, a cantar e a rir à volta do lavrador. Os pêlos que lhe cobriam o corpo estavam emaranhados, os olhos selvagens faiscavam e tinha os dentes pretos. O cheiro que exalava quase fez o lavrador chorar.
— Quem és tu?
— Eu, bom homem, sou o teu problema. Só passei por aqui para ter a certeza de que eras o mais infeliz possível!
— Monstro! Então é por tua causa que nunca coisa alguma me corre bem?
— Pois é! Eu sou o teu azar, a tua desgraça. Sem mim, serias um homem com sorte.

Rápido como o vento, o pobre homem agarrou o seu problema pelo pescoço e amarrou-o com cordas fortes. Em seguida, abriu uma cova bem funda e atirou a sua desgraça lá para dentro. Tapou-a com pedras e regressou a casa.
No dia seguinte, a sorte começou a mudar. As ovelhas deram à luz gémeos, as vacas começaram a dar duas vezes mais leite, as culturas cresciam mais depressa e mais alto do que nunca, e as árvores estavam carregadas de frutos. Todos os comerciantes queriam comprar os seus produtos e toda a gente vinha adquirir os seus legumes, frutos e animais. Em poucas semanas, o homem, que fora tão pobre, estava rico.
O lavrador tinha um vizinho que habitualmente era bem sucedido. Este homem rico sempre olhara com desdém para o lavrador e ridicularizara o seu trabalho. Agora via que o lavrador estava quase tão rico como ele e, ainda por cima, em tão pouco tempo. Um dia, não conseguiu aguentar mais a curiosidade e foi visitá-lo.
— Parabéns, vizinho pela sua recente boa sorte. Devo dizer que estou admirado com a rapidez com que conseguiu fazer prosperar esta quinta. Qual é o segredo?
— É simples. Encontrei a raiz do meu infortúnio. O meu problema veio vangloriar-se da minha má-sorte e eu apanhei-o. Enfiei-o num buraco fundo, que cobri com pedras, um buraco que fica na minha pastagem. Essa é, sem dúvida, a razão pela qual finalmente tive sorte, depois destes anos todos de trabalho e fracasso.
O lavrador rico não gostou que o vizinho tivesse finalmente triunfado na vida. Naquela mesma noite, rastejou até ao buraco onde o problema do vizinho estava enterrado. Durante toda a noite levantou as pesadas pedras e cavou a terra até encontrar o problema. Desamarrou-o e pô-lo em liberdade.
— Muitíssimo obrigado — gritou o problema. — O senhor é um verdadeiro amigo.
— Agora
— disse o homem rico — podes voltar a atormentar o teu antigo dono outra vez.
— Não, não, não!
— gritou o problema. — Aquele homem tratou-me muito mal e atirou-me para dentro deste buraco. Mas o senhor foi tão amável em libertar-me! Vai ser um amo muito melhor. Vou ficar consigo para sempre.
Assim foi e assim devia ser.

Dan Keding
Stories of Hope and Spirit
Little Rock, August House Publishers, 2004
.

Erro crasso



Significado
Erro grosseiro

Origem
Na Roma antiga havia o Triunvirato: o poder dos generais era dividido por três pessoas. No primeiro destes Triunviratos, tínhamos Caio Júlio, Pompeu e Crasso. Este último foi incumbido de atacar um pequeno povo chamado Partos. Confiante na vitória, resolveu abandonar todas as formações e técnicas romanas e simplesmente atacar. Ainda por cima, escolheu um caminho estreito e de pouca visibilidade. Os partos, mesmo em menor número, conseguiram vencer os romanos, sendo o general que liderava as tropas um dos primeiros a cair.
Desde então, sempre que alguém tem tudo para acertar, mas comete um erro estúpido, dizemos tratar-se de um "erro crasso ".

Batatas



Professor:
- O que devo fazer para repartir 11 batatas por 7 pessoas ?
Aluno:
- Puré de batata, senhor professor!

quinta-feira, 15 de maio de 2008

A Leitura


Hoje é dia de leitura,
Vamos lá todos escutar.
Vamos ler uma história,
Para a sabermos contar.
Para isso temos primeiro,
O seu código de decifrar.
Vamos ler e compreender,
O que a história quer dizer,
Para podermos julgar.
Ao leres uma história,
Fá-lo com atenção.
Faz uma leitura silenciosa,
E exprime a tua emoção.
Voa, sonha, viaja,
E põe na leitura toda a paixão.
Como tudo na vida,
As histórias são diferentes,
Possuem valor linguístico e artístico,
São leituras interessantes.
Nos livros que encontrares,
Faz uma leitura profunda.
E se não a compreenderes,
Pede ao teu professor ajuda.
Na nossa escola se prepara,
Uma jovem e nova geração.
A cultura nunca pára,
Nem tão pouco a educação.
.
Lurdes Leal
(D.Lurdes, papelaria)

Até sempre!



Se o País parou para ouvir as escolhas de Luiz Felipe Scolari para o Campeonato da Europa, poucos ligaram ao desaparecimento do olímpico Bruno Neves...
É pena!...

Mais assuntos interessantes em Terra do Sol

Concurso Literário "Amigo Leal, Castillo Real"



La Amistad
Un amigo ideal

La amistad es una reliquia de verdad
A tu lado yo quiero estar… sin nada contestar
Tú eres mi amiga y yo tu amiga soy
Fui tu amiga ayer, tu amiga hoy

Los amigos son lo más importante en mi vida
Sin ellos me siento perdida

Sin tu amistad no voy a vivir
Sin tu amistad voy a morir
Y si algún día nos enfadamos
No olvides que siempre te voy a querer

Tú eres muy importante para mí
Yo te quiero
Te quiero justo aquí

Contigo yo hablé
Y con una sonrisa pensé…
Que eres más que una Amiga… Eres una hermana
Aquella que yo veo toda la semana

No sé qué más decir…
Solo tú me haces sonreír
Gracias por toda la AMISTAD
Eres una amiga de verdad.

NC15



La Amistad

Hay cosas bellas en el Mundo
Y entre ellas la verdad
Es la más bella entre las bellas
Y se llama amistad

Es muy bueno tener amigos
En las horas buenas y malas
Y las amistades verdaderas
Hay que saber preservarlas

Una amistad es una fortuna
Un tan noble sentimiento
Que nos hace más felices
En todo y cualquier momento

Flor-de-Liz




La Amistad

La amistad es como un tesoro… es muy antigua y muy deseada. Pero son pocos los que la encuentran. Ella es la cosa más preciosa que nosotros podemos tener, porque hoy en día hay pocas personas que saben cómo pueden ser verdaderos amigos.
La amistad para ser perfecta tiene que ser cultivada como un jardín… primero tiene que ponerse la semilla. Después, todos los días, tiene que ser regada para que el resultado final sea la cosa más importante que se hace en su vida.
Muchas personas tienen pocos amigos… pueden tener tan sólo uno… pero a veces ese amigo vale por cinco o seis… porque la amistad es…
cuando alguien necesita de nosotros y nosotros estamos allí…
cuando en los momentos más felices de nuestra vida no estamos solos… nuestro amigo está allí…
cuando tenemos un secreto y podemos confiar en su silencio…
cuando él nos defiende de todos…
Eso sí es un verdadero amigo! Pero tengo mucha pena de que no haya muchos amigos así…
Hoy tenemos muchas personas que dicen que son nuestras amigas, pero que después… cuando las necesitamos sólo nos dicen que están muy ocupadas para ayudarnos… ¿Qué hacen estas personas en nuestras vida? Tenemos que cambiar de amigos…buscar nuevos amigos de verdad, porque amigos… son personas que nos estiman y nosotros los estimamos a ellos. En todo el mundo hay falsos amigos y amigos de verdad… ¡sólo tenemos que buscarlos como si fuesen un tesoro y estimarlos como un jardín…!

Papoila

terça-feira, 13 de maio de 2008

Alice Vieira



Alice Vieira nasceu em Lisboa em 1943. Licenciou-se em Filologia Germânica. Dedicou-se ao jornalismo, tendo dirigido no Diário de Notícias os suplementos Juvenil e Catraio (1984-1989). Colaborou em vários programas de televisão para crianças e escreveu recensões críticas de livros infanto-juvenis para diversas publicações. Considerada uma das mais importantes autoras portuguesas de literatura infanto-juvenil, os seus livros foram premiados diversas vezes. Em 1996 foi candidata pelo conjunto da sua obra ao Prémio Hans Christian Andersen. As suas obras foram traduzidas para várias línguas, destacando-se o alemão, o búlgaro, o basco, o castelhano, o galego, o francês, o húngaro, o neerlandês, o russo e o servo-croata.

Obras
1979 - Rosa, Minha Irmã Rosa
1979 - Paulina ao Piano
1980 - Lote 12 - 2º Frente
1982 - Chocolate à Chuva
1981 - A Espada do Rei Afonso
1983 - Este Rei que eu Escolhi
1984 - Graças e Desgraças na Corte de El Rei Tadinho
1985 - Águas de Verão
1986 - Flor de Mel
1987 - Viagem à Roda do meu Nome
1988 - Às Dez a Porta Fecha
1990 - Úrsula, a Maior
1990 - Os Olhos de Ana Marta
1991 - Promontório da Lua
1995 - Caderno de Agosto
1997 - Se Perguntarem por mim, Digam que Voei

Outros
1986 - De que são Feitos os Sonhos
1988 - As Mãos de Lam Seng
1988 - O que Sabem os Pássaros
1988 - As Árvores que Ninguém Separa
1988 - Um Estranho Baralho de Asas
1988 - O Tempo da Promessa
1990 - Macau: da Lenda à História
1991 - Corre, Corre, Cabacinha
1991 - Um Ladrão debaixo da Cama
1991 - Fita, Pente e Espelho
1991 - A Adivinha do Rei
1992 - Rato do Campo, Rato da Cidade
1992 - Periquinho e Periquinha
1992 - Maria das Silvas
1993 - As Três Fiandeiras
1993 - A Bela Moura
1994 - O Pássaro Verde
1994 - O Coelho Branquinho
1994 - Eu Bem Vi Nascer o Sol
1997 - Praias de Portugal

Prémios
1979 - Prémio de Literatura Infantil Ano Internacional da Criança com "Rosa, Minha Irmã Rosa".
1983 - Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura Infantil com "Este Rei que Eu Escolhi".
1994 - O Grande Prémio Gulbenkian, pelo conjunto da sua obra.


Trabalho realizado por:
João Garcias, nº16, 7ºC
Neilson Júnior, nº19, 7ºC

Concurso de Poesia "A Natureza" - Resultados


1º Prémio
Ana Cristina Pereira, nº2, 9ºC

2º Prémio
Luís Marques, nº13, 9ºA

3º Prémio
Tiago Afonso, nº19, 7ºD
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Certificados de Participação
Bruna Leal, nº3, 5ºC
Marina Kovatchki, nº12, 5ºC
Ângela Kurakova, nº4, 7ºD
Patrícia Estêvão, nº17, 8ºB
Diogo Domingos, nº9, 8ºC
Inês Guilherme, nº10, 8ºC
Soraia Lázaro, nº18, 9ºA
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Parabéns a todos e não deixem de participar!

As Palavras



As palavras são uma arte,
São cultura e são histórias.
Ao lê-las em qualquer parte,
Algo nos vem à memória.

Palavra é sempre algo,
Que todos devemos louvar.
Aquelas que na verdade,
Se podem decifrar.

O dom que as palavras têm,
Esses tão belos padrões,
Despertam em nós de imediato,
Muitas e maravilhosas lições.

Na cabeça de uma criança,
Uma palavra é um mundo.
Vem da palavra esperança,
O saber mais profundo.
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Lurdes Leal
(D.Lurdes, papelaria)

Zorro, o Começo da Lenda - Isabel Allende

Sinopse
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Nascido no sul da Califórnia no século XVIII, Diego de la Vega é um rapaz preso entre dois mundos. O pai, um militar aristocrata espanhol, é um importante latifundiário. A mãe, é uma guerreira da tribo indígena Shoshone. Da avó materna, Coruja Branca, aprende os costumes da sua gente, enquanto que do pai aprende a arte da esgrima e como marcar o gado.
Durante a infância, cheia de traquinices e aventuras, Diego é testemunha das brutais injustiças que os indígenas norte-americanos enfrentam pela parte dos colonos europeus, e sente pela primeira vez um conflito interior em relação à sua herança.
Aos 16 anos, Diego é enviado a Barcelona para receber uma educação europeia. Num país oprimido pela corrupção do domínio Napoleónico, o jovem decide seguir o exemplo do seu célebre professor de esgrima, e adere "À Justiça", um movimento clandestino de resistência, que se dedica a ajudar os pobres e indefesos. Imerso num mundo de um ambiente de revolta e desordem, enfrenta pela primeira vez um grande rival que vem de um mundo de privilégio. Entre a Califórnia e Barcelona, o novo mundo e o velho continente, forma-se a personagem do Zorro, nasce um grande herói e começa a lenda.
Depois de muitas aventuras - duelos ao amanhecer, violentas batalhas marítimas com piratas e resgates impossíveis - Diego de la Vega, conhecido também como Zorro, regressa à América para reclamar a propriedade onde cresceu, em busca de justiça para todos aqueles que não podem lutar por si próprios.
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Opinião da Imprensa
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"Um romance indispensável. Entre a fantasia e a realidade, Allende recria Zorro como uma mistura de Peter Pan, Robin Hood e Che Guevara."
Diário de Notícias

"Com uma escrita ágil e fluente, Isabel Allende criou um dos melhores romances de aventuras da literatura moderna."
Expresso

"Como um amante, lento e sedutor, Allende provoca, incita, excita com os seus cantos encantadores."
Washington Post

"Genial."
New York Times Book Review

"Allende é um génio."
Los Angeles Times Book Review

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Dom Paio na Lua


Pois é, o nosso blog vai andar na Lua.
Segundo Cathy Peddie, Gestora de Projecto para o LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) na Nasa, “a missão LRO é o 1º passo nos planos da Nasa para fazer regressar os humanos à Lua em 2020”.

A Nasa convida as pessoas de todas as idades a juntarem-se à viagem da exploração lunar com esta fantástica oportunidade de podermos enviar os nossos nomes a bordo da nave Lunar Reconnaissance Orbiter (Reconhecimento da Órbitra Lunar) ou LRO.

Podes colocar a tua informação em http://lro.jhuapl.edu/NameToMoon, imprimir um certificado e ter o teu nome numa base de dados que irá para um microchip que será integrado na nave. A data limite para submeteres o nome termina a 27 de Junho de 2008.

Embora não tenhamos conhecimento de mouros na Lua, o nosso patrono, D.Paio Peres Correia, já está preparado para ser lançado na Lua e fazer parte da nova onda de exploradores lunares (Date: May 07, 2008 Certificate No: 651841).

Mais informação e Biblioteca Lunar em Biliofilmes.


Cidade dos Poços


Esta história representa para mim o símbolo da corrente que une as pessoas através da sabedoria dos contos. Contou-ma uma paciente que a tinha ouvido, por sua vez, da boca de um ser maravilhoso, o padre crioulo Mamerto Menapace. Assim como a reproduzo agora, ofereci-a uma noite a Marce e a Paula.

Aquela cidade não era habitada por pessoas, como todas as outras cidades do planeta.
Aquela cidade era habitada por poços. Poços vivos... mas afinal poços.
Os poços distinguiam-se entre si não somente pelo lugar onde estavam escavados, mas também pelo parapeito (a abertura que os ligava ao exterior).
Havia poços ricos e ostensivos com parapeitos de mármore e metais preciosos; poços humildes de tijolo e madeira, e outros mais pobres, simples buracos rasos que se abriam na terra.
A comunicação entre os habitantes da cidade fazia-se de parapeito em parapeito, e as notícias corriam rapidamente de ponta a ponta do povoado.
Um dia, chegou à cidade uma «moda» que certamente tinha nascido nalgum pequeno povoado humano.
A nova ideia assinalava que qualquer ser vivo que se prezasse deveria cuidar muito mais do interior do que do exterior. O importante não era o superficial, mas o conteúdo.
Foi assim que os poços começaram a encher-se de coisas.
Alguns enchiam-se de jóias, moedas de ouro e pedras preciosas. Outros, mais práticos, encheram-se de electrodomésticos e aparelhos mecânicos. Outros ainda optaram pela arte, e foram-se enchendo de pinturas, pianos de cauda e sofisticadas esculturas pós-modernas. Finalmente, os intelectuais encheram-se de livros, de manifestos ideológicos e de revistas especializadas.
O tempo passou.
A maioria dos poços encheu-se a tal ponto que já não podia conter mais nada.
Os poços não eram todos iguais, por isso, embora alguns se tenham conformado, outros pensaram no que teriam de fazer para continuar a meter coisas no seu interior...
Um deles foi o primeiro. Em vez de apertar o conteúdo, lembrou-se de aumentar a sua capacidade alargando-se.
Não passou muito tempo até que a ideia começasse a ser imitada. Todos os poços utilizavam grande parte das suas energias a alargar-se para criarem mais espaço no seu interior. Um poço, pequeno e afastado do centro da cidade, começou a ver os seus colegas que se alargavam desmedidamente. Ele pensou que se continuassem a alargar-se daquela maneira, dentro em pouco confundir-se-iam os parapeitos dos vários poços e cada um perderia a sua identidade...
Talvez a partir dessa ideia, ocorreu-lhe que outra maneira de aumentar a sua capacidade seria crescer, mas não em largura, antes em profundidade. Fazer-se mais fundo em vez de mais largo. Depressa se deu conta de que tudo o que tinha dentro dele lhe impedia a tarefa de aprofundar. Se quisesse ser mais profundo, seria necessário esvaziar-se de todo o conteúdo...
A princípio teve medo do vazio. Mas, quando viu que não havia outra possibilidade, depressa meteu mãos à obra.
Vazio de posses, o poço começou a tornar-se profundo, enquanto os outros se apoderavam das coisas das quais ele se tinha despojado…
Um dia, algo surpreendeu o poço que crescia para dentro. Dentro, muito no interior e muito no fundo... encontrou água!
Nunca antes nenhum outro poço tinha encontrado água.
O poço venceu a sua surpresa e começou a brincar com a água do fundo, humedecendo as suas paredes, salpicando o seu parapeito e, por último, atirando a água para fora.
A cidade nunca tinha sido regada a não ser pela chuva, que na verdade era bastante escassa. Por isso, a terra que estava à volta do poço, revitalizada pela água, começou a despertar.
As sementes das suas entranhas brotaram em forma de erva, de trevos, de flores e de hastezinhas delicadas que depois se transformaram em árvores...
A vida explodiu em cores à volta do poço afastado, ao qual começaram a chamar «o Vergel».
Todos lhe perguntavam como tinha conseguido aquele milagre.
Não é nenhum milagre — respondeu o Vergel. — Deve procurar-se no interior, até ao fundo.
Muitos quiseram seguir o exemplo do Vergel, mas aborreceram-se da ideia quando se deram conta de que para serem mais profundos, se tinham de esvaziar. Continuaram a encher-se cada vez mais de coisas...
No outro extremo da cidade, outro poço decidiu correr também o risco de se esvaziar...
E também começou a escavar...
E também chegou à água...
E também salpicou até ao exterior criando um segundo oásis verde no povoado...
Que vais fazer quando a água acabar? — perguntavam-lhe.
Não sei o que se passará — respondia ele. — Mas, por agora, quanto mais água tiro, mais água há.
Passaram-se uns meses antes da grande descoberta.
Um dia, quase por acaso, os dois poços deram-se conta de que a água que tinham encontrado no fundo de si próprios era a mesma...
Que o mesmo rio subterrâneo que passava por um inundava a profundidade do outro.
Deram-se conta de que se abria para eles uma vida nova.
Não somente podiam comunicar um com o outro de parapeito em parapeito, superficialmente, como todos os outros, mas a busca também os tinha feito descobrir um novo e secreto ponto de contacto.
Tinham descoberto a comunicação profunda que somente conseguem aqueles que têm a coragem de se esvaziar de conteúdos e procurar no fundo do seu ser o que têm para dar...

Jorge Bucay
Contos para pensar
Cascais, Editora Pergaminho, 2004
.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Força...


O vento, lá fora, tenta, com toda a sua força,
desafiar as árvores.
O sol, ainda meio adormecido, tenta, com toda a sua força,
levantar-se para um novo dia.
A lua, já cansada, tenta, com toda a sua força,
abandonar aos poucos o céu.
As estrelas, já deixando de brilhar, tentam, com toda a sua força,
limpar o céu.
O mar, cansado, tenta, com toda a sua força,
agitar o seu imenso corpo.
A Terra, quase sem vida, tenta, com toda a sua força,
manter-se.
A chuva, exausta, tenta, com toda a sua força
continuar sem cessar.
O Sorriso tenta, com toda a sua FORÇA,
não se perder.
Os crentes tentam, com toda a força,
Manter a Fé.
Os peregrinos tentam, com toda a sua força,
não quebrar a promessa.
As nuvens tentam, com toda a sua força,
libertar-se de cada gota que nelas se acumula.
As flores tentam, com toda a sua força,
não perder a vivacidade.
O arco-íris tenta, com toda a sua força,
não perder as suas preciosas cores.
As palavras tentam, com toda a sua força
não se perder.
O Amor tenta, com toda a sua força,
lutar pela sua Alma Gémea.
A luz tenta, com toda a sua força,
iluminar o caminho de quem se perdeu.
O universo tenta, com toda a sua força,
manter-se bem firme.
Os soldados tentam, com toda a sua força,
sobreviver.
Os pincéis tentam, com toda a sua força,
pintar mais uma tela.
O gelo tenta, com toda a sua força,
não derreter.
A água tenta, com toda a sua força,
não se esgotar.
Os corações tentam, com toda a sua força
continuar a bater.
O fogo tenta, com toda a sua
não se apagar.
Os doentes tentam, com toda a sua força,
curar-se.
O SIM tenta, com toda a sua força,
não se tornar num Talvez.
A saudade tenta, tenta com toda a sua força,
fazer-se sentir.
A beleza tenta, com toda a sua força,
não desaparecer.
As recordações tentam, com toda a sua força,
não cair no esquecimento.
Os perfumes tentam, com toda a sua força,
não perder o seu aroma.
A tristeza tenta, com toda a sua força
tornar-se intensa.
A coragem tenta, com toda a sua força,
lutar para poder voltar.
A alegria tenta, com toda a sua força
fazer-se sentir.
A solidão tenta, com toda a sua força,
ficar só.
As pegadas tentam, com toda a sua força,
ficar marcadas na areia.
A Esperança tenta, com toda a sua força,
não se perder.
O vento, o sol, a lua, as estrelas, o mar, a Terra, a chuva, o Sorriso, os crentes, os peregrinos, as nuvens, as flores, o arco-íris, as palavras, o Amor, a luz, o universo, os pincéis, o gelo, a água, os corações, o fogo, os doentes, o SIM, a saudade, a beleza, as recordações, os perfumes, a tristeza, a coragem, a alegria, a solidão, as pegadas, a Esperança, todos eles têm um objectivo em comum: Salvar-se. E para isso, reúnem TODA A SUA FORÇA, esperando que um dia, a própria Vida os saiba recompensar de todo este esforço.

Soraia Lázaro (9ºA)

domingo, 4 de maio de 2008

Dia da Mãe

As mais antigas celebrações do Dia da Mãe remontam às comemorações primaveris da Grécia Antiga, em honra de Rhea, mulher de Cronos e Mãe dos Deuses. Em Roma, as festas comemorativas do Dia da Mãe eram dedicadas a Cybele, a Mãe dos Deuses romanos, e as cerimónias em sua homenagem começaram por volta de 250 anos antes do nascimento de Cristo.

Durante o século XVII, a Inglaterra celebrava no 4º Domingo de Quaresma (40 dias antes da Páscoa) um dia chamado “Domingo da Mãe”, que pretendia homenagear todas as mães inglesas. Neste período, a maior parte da classe baixa inglesa trabalhava longe de casa e vivia com os patrões. No Domingo da Mãe, os servos tinham um dia de folga e eram encorajados a regressar a casa e passar esse dia com a sua mãe.

À medida que o Cristianismo se espalhou pela Europa passou a homenagear-se a “Igreja Mãe” – a força espiritual que lhes dava vida e os protegia do mal. Ao longo dos tempos a festa da Igreja foi-se confundindo com a celebração do Domingo da Mãe. As pessoas começaram a homenagear tanto as suas mães como a Igreja.

Nos Estados Unidos, a comemoração de um dia dedicado às mães foi sugerida pela primeira vez em 1872 por Julia Ward Howe e algumas apoiantes, que se uniram contra a crueldade da guerra e lutavam, principalmente, por um dia dedicado à paz.

A maioria das fontes é unânime acerca da ideia da criação de um Dia da Mãe. A ideia partiu de Anna Jarvis, que em 1904, quando a sua mãe morreu, chamou a atenção na igreja de Grafton para um dia especialmente dedicado a todas as mães. Três anos depois, a 10 de Maio de 1907, foi celebrado o primeiro Dia da Mãe, na igreja de Grafton, reunindo praticamente família e amigos. Nessa ocasião, a sra. Jarvis enviou para a igreja 500 cravos brancos, que deviam ser usados por todos, e que simbolizavam as virtudes da maternidade. Ao longo dos anos enviou mais de 10.000 cravos para a igreja de Grafton – encarnados para as mães ainda vivas e brancos para as já desaparecidas – e que são hoje considerados mundialmente com símbolos de pureza, força e resistência das mães.

Segundo Anna Jarvis seria objectivo deste dia tomarmos novas medidas para um pensamento mais activo sobre as nossas mães. Através de palavras, presentes, actos de afecto e de todas as maneiras possíveis deveríamos proporcionar-lhe prazer e trazer felicidade ao seu coração todos os dias, mantendo sempre na lembrança o Dia da Mãe.

Face à aceitação geral, a sra. Jarvis e os seus apoiantes começaram a escrever a pessoas influentes, como ministros, homens de negócios e políticos com o intuito de estabelecer um Dia da Mãe a nível nacional, o que daria às mães o justo estatuto de suporte da família e da nação.
A campanha foi de tal forma bem sucedida que em 1911 era celebrado em praticamente todos os estados. Em 1914, o Presidente Woodrow Wilson declarou oficialmente e a nível nacional o 2º Domingo de Maio como o Dia da Mãe.

Hoje em dia, muitos de nós celebram o Dia da Mãe com pouco conhecimento de como tudo começou. No entanto, podemos identificar-nos com o respeito, o amor e a honra demonstrados por Anna Jarvis há 96 anos atrás.
Apesar de ter passado quase um século, o amor que foi oficialmente reconhecido em 1907 é o mesmo amor que é celebrado hoje e, à nossa maneira, podemos fazer deste um dia muito especial.

E é o que fazem praticamente todos os países, apesar de cada um escolher diferentes datas ao longo do ano para homenagear aquela que nos põe no mundo.
Em Portugal, até há alguns anos atrás, o dia da mãe era comemorado a 8 de Dezembro, mas actualmente o Dia da Mãe é no 1º Domingo de Maio, em homenagem a Maria, Mãe de Cristo.
No Brasil, o Dia das Mães é celebrado no segundo domingo de Maio, conforme decreto assinado em 1932 pelo presidente Getúlio Vargas.
Em Israel o dia da mãe deixou de ser celebrado, passando a existir o dia da família em Fevereiro.

Concurso de "Filmes com Energia" feitos por telemóvel


"O BiblioFilmes recomenda este novo concurso de vídeos que também poderá ter excelentes participações e ser muito importante para todos nós: O concurso é realizado através do YouTube e é intitulado Filmes com Energia: Luzes, Câmara, Telemóveis em Acção! O portal infanto-juvenil e "canal oficial" da energia ABCDaEnergia.com (uma verdadeira e virtual biblioteca da energia) criou um concurso de..."


Também podes ver o filme norte-americano Comédia passada na Biblioteca

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sexta-feira, 2 de maio de 2008

Vídeo da Biblioteca Municipal de Murça também venceu


..."O podium virtual vai para o vídeo nº 11, da Biblioteca Municipal de Murça, que acabou também num honroso 2º lugar na votação popular (apesar de durante vários períodos da votação ter estado no 1º lugar, no que foi uma emocionante troca de lugares com o vídeo n.º6 “Aprendendo com a leitura”, que acabou vitorioso)."...

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Laura Flor



– Laura Flor, vem cá!
A Laura veio e era como uma flor. Delicada e suave flor igual ao nome.
Depois, foi a Maria Clara de tranças belas, castanhas, nariz arrebitado, sorriso claro – e Clara se chamava. A apertar a bata, na cintura, um cinto feito de papéis de lustro de cor, arco-íris naquela cintura de menina.
Depois, a Maria Odete, figurinha que parece ter saído de uma jarra, sempre com muitos cuidados a andar, a falar, jeito que lhe ficou de estar dentro da jarrinha. Uns olhos orientais, um sorriso que é quase choro, franjinha negra sobre os olhos à flor da pele.
– Maria Odete, se eu fosse ao Oriente e encontrasse uma flor, lembrava-me logo de ti!
– Pois é! Ela tem os olhos em bico!
– diz uma companheira, pronta a tirar conclusões.
Maria Odete começa a chorar. A caírem-lhe as lágrimas devagarinho, brilhantes, também com cuidado, lentas, luminosas.
Eu não sei o que vou dizer, mas digo. Não sei o que disse, mas Maria Odete sorri. Devagarinho, também as lágrimas acabam de cair.
A que disse que a Maria Odete tinha os olhos em bico é tal e qual uma maçã dourada, redonda, toda muito por igual: maçã suspensa, nítida, decidida.
As meninas todas olharam com admiração a flor do Oriente.
Eu é que não devia dizer estas coisas, eu é que tenho a culpa – pensar alto. Mas havia reparado ontem na Maria Odete a dizer-me que não tinha livro nenhum.
– Foi tudo na cheia de ontem, minha senhora...
– E nunca mais os viste?
– Nunca mais! A minha bata, apanhei-a hoje na valeta... Até o dinheiro que ficou está a secar, preso por molas.
Diz isto com uma vozinha de quem canta dentro da tal jarra.
- Sabe a senhora? As minhas vizinhas dizem que vão reclamar ao Ministro...
–...?
– Porque não arranjaram aquele cano... É por isso que eu hoje não trago bata nem tenho livro...
– …
– ... nem tenho dinheiro para comprar outro...

Diz isto tudo muito serena, com um ar de quem está a contar a história mais natural deste mundo. História tão cinzenta que na voz dela até parece um conto de fadas ao contrário.
A menina linda com os olhos à flor da pele, transparentes e escuros ao mesmo tempo. Puros. A infância desarmada.
– Senhor Ministro, devia ter mandado arranjar o cano. Não tenho livro, não tenho bata, o pouco dinheiro está a secar, preso por molas...
Tão serena. As lágrimas vagarosas de hoje – como meninas que saíram a passear para uma ilha imaginária.
Senhor Ministro, desça abaixo ao seu jardim...
Mas o Senhor Ministro não ouviu. Não desceu. Sabe lá o que é ter o pouco dinheiro preso por molas e os livros a irem na cheia.
E deve ter aprendido na escola, no liceu, que Camões salvou os Lusíadas a nado. E que deixou o fim do poema para Laura Flor escrever. Com uma peninha de rouxinol.

Matilde Rosa Araújo
As botas de meu pai
Lisboa, Livros Horizonte, 1977

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Biblioteca da Escola S/3 Daniel Faria – Baltar

Alunos vão estudar Harry Potter



Alunos vão estudar Harry Potter


..."Os alunos serão assim obrigados a saber a história de ‘Harry Potter e a Pedra Filosofal’, de discorrer sobre a intriga, as personagens e o estilo da linguagem usada por Rowling – recentemente descrito por um juiz como uma algaraviada! Terão ainda de escrever uma história de 800 palavras inspirada na aventura do jovem feiticeiro."...


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quinta-feira, 1 de maio de 2008

Dia da Espiga


“Da Páscoa à Ascensão, quarenta dias vão”

O fenómeno de revitalização vegetativa, em que a natureza após a longa letargia invernal acorda, desabrochando numa sinfonia de vida, constituiu sempre para as populações arcaicas, um momento mágico e determinante da visão cósmica da existência. Momento aguardado com a ansiedade das perspectivas de novas colheitas mas, igualmente despoletador de dúvidas acerca da sua efectiva realização, este é o tempo em que chega a Primavera. Tempo sagrado, como todos os tempos de transição, nele se efectuavam, em épocas passadas, diversos cerimoniais cujas funções exprimiam a comemoração festiva do eclodir primaveril e, algumas vezes até, rituais de expulsão simbólica do Inverno que terminava. Neste sentido, realizaram-se durante séculos, por todo o mundo mediterrâneo, grandiosos festivais florais em que jovens nubentes se espalhavam pelos campos e, em alegre convívio cantavam e dançavam, e se enfeitavam com verduras e flores, num ritual ancestral de que o nosso “dia da espiga” constitui herdeiro directo, embora minorado.

Poder-se-á dizer, então, que fazendo parte deste ciclo festivo da Primavera, a Quinta-Feira da Ascensão, ou “da espiga”, corresponde à cristianização de um complexo de festividades pagãs ligadas à celebração e consagração da natureza. De facto para as sociedades primitivas, a regeneração vegetal, de que a agricultura é função, está dependente, em grande parte, das boas ou más vontades divinas e, em última instância, da maior ou menor fertilidade da terra-mãe. Não é portanto de admirar que este tempo vital, expresso no renascer das plantas, no desabrochar das árvores e na proliferação das flores e frutos, desencadeasse grandes manifestações de alegria, em que jovens se dirigiam para os campos, para aí, em comunhão com a natureza, festejarem e, naturalmente, adquirirem também eles as energias fecundantes que nesta altura fluíam em profusão. Denomina-se ainda "Quinta-feira de Espiga" ou "Dia da Espiga", a quinta-feira assinalada no calendário cristão como da Ascensão, em que a Igreja comemora a ascensão de Jesus Cristo ao Céu.

Mas o “dia da espiga” era também o “dia da hora”. Herdeiro de simbolismos primevos, este era um tempo particularmente sagrado. Um tempo por muitos considerado “o dia mais santo do ano”, em que se não devia trabalhar e em que “nada bulia”, em que as transgressões referentes ao trabalho se revelam estranhamente ineficazes, quando não se manifesta até outro tipo de sanção mais radical.
Avultava, aí, uma hora em que as coisas possuíam especiais valências e singulares transcendências... o meio-dia! Essa é a hora em que os “as águas dos ribeiros não correm, o leite não coalha, o pão não leveda e até as folhas se cruzam” configurando assim, devotadamente, o sinal da cruz”! De sacralismo tão intenso que, como se cré, na zona do Vale do Tejo, nem os “passarinhos vão ao ninho”!
Ao meio-dia se deviam, então, colher as ervas que iam ser utilizadas na farmacopeia popular durante todo o ano. Ao meio-dia se deviam preferencialmente colher os diversos raminhos que no seu conjunto constituíam a “espiga”, temporalidade que por razões funcionais foi, em muitas zonas, caindo em desuso.
É um tempo prodigioso, eivado de proibições e obrigações. Nalgumas aldeias acreditava-se que não se podia, nesse dia, cozer pão. Noutras, pelo contrário, o pão cozido era sagrado, mantendo-se incorrupto até ao ano seguinte. Em Alenquer, por exemplo, o leite ordenhado nesse dia não se vendia, dava-se, já que a realização de negócios, mesmo os mais simples, constituía mau presságio.

Em casa “a espiga” era, e é, guardada atrás da porta ou junto da imagem de particular devoção. A mera existência numa habitação desse simples raminho, constitui poderoso e multifacetado amuleto. Para dar saúde, alegria e abundância e, especialmente, para que nessa casa nunca faltem os indispensáveis azeite e pão!
Aliás, o seu sentido propiciatório era, em tempos idos, evidente e diversificado. Quando das trovoadas, um bocado posto a arder à lareira afastava os raios e oferecia protecção eficaz contra a tormenta. A este tempo estavam ainda ligadas as oferendas das “primícias” e as “benções dos campos”, nos nossos dias, por razões funcionais, de contornos institucionais mais ou menos litúrgicos e de temporalidade mais variada. Em muitas zonas do país, costumavam-se soltar, durante a missa, grupos de andorinhas que, paciente e delicadamente, se tinham apanhado nos dias anteriores, adornadas as mesmas com coloridas fitinhas e lacinhos vermelhos.

Enfim, sejam ou não vistos, hoje, numa perspectiva canónica, fazendo ou não parte do imaginário popular, estas tradições que comemoram o desabrochar da Primavera são sempre tempos especiais na temporalidade mística das populações rurais mediterrâneas e, na sua coexistência com o sacralismo da terra-mãe, hierofania exemplar da sua relação com a esfera do sagrado.É o milagre da vida, que se renova periódica e inexoravelmente todos os anos. Da terra prenhe eclodem os frutos naturais. Semente divina, condição de sobrevivência, dádiva da fertilidade que as massas urbanas apenas, hoje, apreciam à distância!

Tradicionalmente, neste dia, em várias localidades, colhe-se a espiga de trigo, o elemento mais simbólico.
Compõem igualmente o ramo, um malmequer, uma papoila, um ramo de oliveira, um ramo de parreira e um pé de alecrim.
Simbologia associada a cada elemento:
Espiga – Pão
Malmequer – Ouro e prata
Papoila – Amor e vida
Oliveira – Azeite e paz
Videira – Vinho e alegria
Alecrim – Saúde e força
Nalgumas regiões fazem-se também ramos com espigas de trigo, rosmaninho, malmequeres brancos e amarelos, papoilas e folhagem de oliveira.

1º de Maio – Dia do Trabalhador

O Dia do Trabalhador é celebrado anualmente no dia 1 de Maio em numerosos países do mundo, sendo feriado em Portugal, no Brasil, assim como em muitos outros países. No Brasil também chamado Dia do Trabalho, para que ironize-se que no Dia do Trabalho não se trabalha. O correcto é Dia do Trabalhador.

História
Em 1886 realizou-se uma manifestação de trabalhadores nas ruas de Chicago nos Estados Unidos da América. Essa manifestação tinha como finalidade reivindicar a redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias e teve a participação de milhares de pessoas. Nesse dia teve início uma greve geral nos EUA. No dia 3 de Maio houve um pequeno levantamento que acabou com uma escaramuça com a polícia e com a morte de alguns manifestantes. No dia seguinte, 4 de Maio, uma nova manifestação foi organizada como protesto pelos acontecimentos dos dias anteriores, tendo terminado com o lançamento de uma bomba por desconhecidos para o meio da polícia que começava a dispersar os manifestantes, matando sete agentes. A polícia abriu então fogo sobre a multidão, matando doze pessoas e ferindo dezenas. Estes acontecimentos passaram a ser conhecidos como a Revolta de Haymarket.

Três anos mais tarde, a 20 de Junho de 1889, a segunda Internacional Socialista, reunida em Paris, decidiu por proposta de Raymond Lavigne convocar anualmente uma manifestação com o objectivo de lutar pelas 8 horas de trabalho diário. A data escolhida foi o 1º de Maio, como homenagem às lutas sindicais de Chicago. Em 1 de Maio de 1891 uma manifestação no norte de França é dispersada pela polícia resultando na morte de dez manifestantes. Esse novo drama serve para reforçar o dia como um dia de luta dos trabalhadores e meses depois a Internacional Socialista de Bruxelas proclama esse dia como dia internacional de reivindicação de condições laborais.

A 23 de Abril de 1919 o senado francês ratifica o dia de 8 horas e proclama o dia 1 de Maio desse ano dia feriado. Em 1920 a Rússia adopta o 1º de Maio como feriado nacional, e este exemplo é seguido por muitos outros países. Apesar de até hoje os estadunidenses se negarem a reconhecer essa data como sendo o Dia do Trabalhador, em 1890 a luta dos trabalhadores estadunidenses conseguiram que o Congresso aprovasse que a jornada de trabalho fosse reduzida de 16 para 8 horas diárias.

Dia do Trabalhador em Portugal
Em Portugal, só a partir de Maio de 1974 (o ano da revolução do 25 de Abril) é que se voltou a comemorar livremente o Primeiro de Maio e este passou a ser feriado. Durante a ditadura do Estado Novo, a comemoração deste dia era reprimida pelas polícias. O Dia Mundial dos Trabalhadores é comemorado por todo o país, sobretudo com manifestações, comícios e festas de carácter reivindicativo, promovidas pela central sindical CGTP-Intersindical (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses - Intersindical) nas principais cidades de Lisboa e Porto, assim como pela central sindical UGT (União Geral das Trabalhadores). No Algarve, é costume a população fazer pic-nics e são organizadas algumas festas na região.

Dia do Trabalhador no Brasil
Até o início da Era Vargas (1930-1945) certos tipos de agremiação dos trabalhadores fabris eram bastante comuns, embora não constituíssem um grupo político muito forte, dada a pouca industrialização do país. Esta movimentação operária tinha se caracterizado em um primeiro momento por possuir influências do anarquismo e mais tarde do comunismo, mas com a chegada de Getúlio Vargas ao poder, ela foi gradativamente dissolvida e os trabalhadores urbanos passaram a ser influenciados pelo que ficou conhecido como trabalhismo.
Até então, o Dia do Trabalhador era considerado por aqueles movimentos anteriores (anarquistas e comunistas) como um momento de protesto e crítica às estruturas sócio-económicas do país. A propaganda trabalhista de Vargas, subtilmente, transforma um dia destinado a celebrar o trabalhador no Dia do Trabalhador. Tal mudança, aparentemente superficial, alterou profundamente as actividades realizadas pelos trabalhadores a cada ano, neste dia. Até então marcado por piquetes e passeatas, o Dia do Trabalhador passou a ser comemorado com festas populares, desfiles e celebrações similares. Actualmente, esta característica foi assimilada até mesmo pelo movimento sindical: tradicionalmente a Força Sindical (uma organização que congrega sindicatos de diversas áreas, ligada a partidos como o PTB) realiza grandes shows com nomes da música popular e sorteios de casas próprias e similares.
Aponta-se que o carácter massificador do Dia do Trabalhador, no Brasil, se expressa especialmente pelo costume que os governos têm de anunciar neste dia o aumento anual do salário mínimo.

Dia do Trabalhador em Moçambique
Durante o período colonial (até 1975), os Moçambicanos estavam isentos de celebrar o 1º de Maio em virtude do regime colonial Português. No entanto, houve manifestações de trabalhadores Moçambicanos, em Particular em Lourenço Marques (actual Maputo), contra o modo de relações laborais existente naquele período.
Após a Independência Nacional, o Dia do Trabalhador é celebrado anualmente em Moçambique, e com o passar dos anos, com as reformas políticas, económicas e sociais que o País sofreu a partir de finais da década de 80, registou-se um crescimento do Movimento sindical em Moçambique. A Primeira instituição sindical no País foi a Organização dos Trabalhadores Moçambicanos (OTM), que veio depois a impulsionar o surgimento de novos movimentos sindicais, cada vez mais específicos de acordo com os sectores de actividade.

O Dia do Trabalhador no mundo
Alguns países celebram o Dia do Trabalhador em datas diferentes de 1 de Maio:
Austrália: A data de celebração varia de acordo com a região: 4 de Março na Austrália Ocidental, 11 de Março no estado de Vitória, 6 de Maio em Queensland e Território do Norte e 7 de Outubro em Canberra, Nova Gales do Sul (Sydney) e na Austrália Meridional.
Estados Unidos da América: Celebram o Labor Day na primeira segunda-feira de Setembro.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

sábado, 26 de abril de 2008

Poesia Palaciana

Senhora, partem tão tristes
meus olhos por vós, meu bem,
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.
.
Tão tristes, tão saudosos,
tão doentes da partida,
tão cansados, tão chorosos,
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida.
.
Partem tão tristes os tristes,
tão fora d' esperar bem,
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.
.

Obtido em "http://pt.wikisource.org/wiki/Cantiga_Sua_Partindo-se"

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Um amigo verdadeiro

Sempre que Rogério sai de casa, esquece-se de alguma coisa. Quando se lembra, já é tarde demais.
E o que é que Rogério faz? Absolutamente nada. Só pensa: "Ainda bem que tenho o João".
O João é o seu melhor amigo, um amigo a sério, um amigo com quem se pode contar.
O Rogério sabe muito bem o que é um amigo com quem se pode contar. Sempre que ele se esquece de alguma coisa, é o João que o livra de apuros. O Rogério vai para a escola sem sapatilhas.
– Logo vi que ias esquecer-te! – diz o João, tirando um par de meias grossas do saco de ginástica, que entrega ao Rogério.
O Rogério chega ao parque sem bola.
– Logo vi que ias esquecer-te!
O João tem escondida atrás das costas a sua própria bola, que lhe estende.
O Rogério vai com o João à feira popular e não leva dinheiro na carteira.
– Logo vi que ias esquecer-te! – E como não se pode andar no carrocel sem pagar, o João tira uma moeda do bolso.
E é assim dia após dia: o Rogério esquece-se sempre de alguma coisa, o João, nunca… ou será que não?
Não. O João esquece-se sempre dos lápis de cera. Não adianta esforçar-se por fazer a pasta a tempo e horas. Quando chega a aula de desenho, o João não tem os lápis de cera na pasta.
O Rogério sabe que o João se esquece sempre deles, e por isso ele, Rogério, pode esquecer-se de tudo o que há no mundo, só não se esquece dos lápis de cera.
Estão na aula de desenho. O Rogério tira os seus lápis da pasta e põe-nos em cima da carteira. O João volta a ficar corado de vergonha porque deixou os lápis em casa, no quarto.
Então, o Rogério sorri e tira da pasta outra caixinha de lápis de cera, que pousa em cima da carteira do João.
– Logo vi que ias esquecer-te! – diz ele a sorrir.

Lene Mayer-Skumanz (org.)
Hoffentlich bald
Wien, Herder Verlag, 1986
Texto adaptado

.

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Dia Mundial Mundial do Livro - 23 de Abril

Tal como prometido para assinalar o Dia Mundial do Livro, o escritor João Aguiar veio fazer-nos uma agradável visita (o senhor que está ao lado do escritor não é o seu guarda-costas, é o senhor da ASA Editores).



A nossa BECRE estava cheia e, com muita pena nossa, tiveram de ficar alguns de fora. Não desanimem, para a próxima serão os primeiros. Havemos de ter mais actividades destas.

Esperou atenta e pacientemente pelas perguntas de todos.


E foi esclarecedor e alegre nas suas respostas. Merece um abraço!



Para devolvermos a atenção, oferecemos ao escritor um livro que nos conta a história de uma outra importante cidade costeira, que já existiu por aqui, antes de Tavira, no séc I d.c., "Balsa".



Autografou-nos livros, marcadores, folhas de papel, e até um guião que um grupo de alunas do 8º A escreveu a partir de um dos seus livros.





No final, e como não podia deixar de ser, os alunos do 9ºE brindaram-nos com o seu profissionalismo e com um delicioso lanche volante.


Liberdade


"A liberdade é um dos dons mais preciosos que o céu deu aos homens. Nada a iguala, nem os tesouros que a terra encerra no seu seio, nem os que o mar guarda nos seus abismos. Pela liberdade, tanto quanto pela honra, pode e deve aventurar-se a nossa vida."
Miguel Cervantes



"Desejo tanto que respeitem a minha liberdade que sou incapaz de não respeitar a dos outros."
Françoise Sagan

25 de Abril de 1974 - 34º aniversário


O 25 de Abril de 1974, o princípio de uma nova era


Em 2008 comemora-se o trigésimo quarto aniversário do 25 de Abril de 1974, data que marcou o início de uma nova era, de um novo Portugal. Pelo menos foi essa a intenção de quem esteve na base do Movimento dos Capitães de Abril que lideraram a “Revolução dos Cravos”. Hoje em dia discute-se muito, duvidando-se até, acerca do sucesso da revolução. Trouxe-nos liberdade? Trouxe liberdade a mais? Democracia? Autoritarismo? Desobediência? Desrespeito?
Em termos históricos 34 anos constituem pouco tempo para fazer-se uma avaliação profunda sobre as consequências da revolução, mas há de facto aspectos inquestionáveis.
O 25 de Abril de 1974 terminou com um regime ditatorial. O Estado Novo, personificado por António de Oliveira Salazar e continuado por Marcello Caetano, foi um regime castrador das liberdades fundamentais de todos os portugueses. Um regime extremamente autoritário, absolutista, violento e que defendeu o “isolamento” cultural de Portugal.
O crime mais punido era o de ter ideias livres e contrárias ao governo. O direito à contestação e à diferença eram severamente punidos. A guerra colonial, que cerceou a vida a milhares de jovens, era obsoleta e sem fim à vista. Os jovens tinham de fugir do país para não serem castigados.
Irrita-me profundamente ouvir a frase que muitas vezes se repete, principalmente quando o povo está descontente com a governação do país: “No tempo de Salazar é que era!”. O direito à indignação é legítimo e até necessário. Só com o confronto de ideias e opiniões é possível melhorar os nossos governantes e consequentemente as suas políticas. Para além disso cada país apenas tem aquilo que merece ou escolhe. Somos nós quem votamos naqueles que “supostamente” nos representam. Por isso mesmo a única forma de dar a volta é utilizar o nosso direito ao voto livre. Porque é isso que se pretende: o voto livre.
Para votarmos em consciência e para podermos filtrar tudo aquilo que nos é “impingido” nas campanhas políticas, é absolutamente necessário investirmos na nossa formação, aprofundando os nossos conhecimentos e insistindo na nossa capacidade crítica. Por isso mesmo é fundamental que nós, professores, trabalhemos com os alunos essas competências. Fazer-lhes compreender que é necessário investir na aquisição de informação, mas também fazer com que percebam que é fundamental saber utilizar essa mesma informação. O futuro do país não se resolve com o “empinanço” de matéria, mas sim com a criação de futuros adultos com capacidade crítica e argumentativa, que não tenham receio de intervir, que saibam intervir e que não tenham medo de assumir as suas opções.
Deixo-vos um texto de Daniel Sampaio que elucida bem um sentimento com o qual me identifico.


Farto de Salazar


Estou mesmo farto de Salazar. Durante toda a minha juventude ansiei pelo seu fim. Tudo começou há muito tempo. Talvez quando eu tinha doze anos e o meu irmão me explicou Humberto Delgado, numa inesquecível conversa sobre a democracia. Ingénuo, eu acreditava na vitória do General Sem Medo: com tanta gente a seu lado, como poderia perder as eleições? Foi aí que comecei a detestar Salazar.
Com quinze anos aderi à ilegal Comissão Pró-Associação dos Liceus, participei em muitas reuniões clandestinas e vi ser proibido um jornal escolar chamado “Perspectiva”, que elaborei com o Ruben de Carvalho e mais alguns amigos. Com dezasseis anos, a minha conferência no Pedro Nunes sobre Albert Camus foi autorizada à última hora, graças ao pedido da mãe de um colega: parece que o orador não era de confiança e o romancista não agradava ao regime.
Com dezoito anos entrei na Faculdade de Medicina de Lisboa. Participei, ao longo do curso, em todas as greves e manifestações contra Salazar e não me deixei seduzir pela “primavera marcelista”. Adiado do serviço militar para fazer a especialidade de Psiquiatria, o dia 25 de Abril de 1974 salvou-me da guerra colonial e foi dos mais felizes da minha vida.
Por tudo isto, estou farto. Depois de livros sobre Salazar que ocultaram com intenção o lado mais terrível do regime, após um concurso televisivo onde se esconderam as atrocidades da ditadura, chegámos ao embelezamento físico da personagem: a imagem “modernizada” de Salazar aparece-nos em cada esquina. Agora surge de cabelo colorido e aspecto tranquilo em cartazes por toda a cidade, numa propaganda de um concurso qualquer. Competição e cartazes legítimos e oportunos, a aproveitar a “onda salazarista”, mas que a mim causam más recordações e vontade de retratar o homem de outro modo: vestido de cinzento, de chapéu negro enterrado na cabeça e botas-de-elástico, afinal a face visível do que ele sempre foi.
O problema será só meu, que protesto contra o embelezamento de tão desagradável pessoa? Julgo que não: é tempo de aproveitarmos a oportunidade e explicar aos mais novos quem foi Salazar. O livro “Vítimas de Salazar”, de João Madeira, Irene Pimentel e Luís Farinha (Esfera dos Livros) deveria ser ensinado em todas as escolas e publicitado por todo o lado: mostra bem como foi o regime de Salazar, um dos períodos mais negros da nossa história. Precisamos demonstrar aos nossos filhos e netos como o medo dominava e a liberdade não existia, uma guerra incompreensível matava muita gente e o país estava triste e atrasado. Sigo o livro citado e leio: a censura, as escutas telefónicas e as violações do correio, os informadores da PIDE/DGS, a tortura (”meia dúzia de safanões dados a tempo a essas criaturas sinistras”, dizia Salazar, a querer esconder a “estátua”, a privação do sono e o isolamento dos presos políticos), a farsa dos julgamentos e as medidas de segurança, a darem cobertura legal a prisões prolongadas dos opositores do regime; os saneamentos na função pública e os campos de concentração como o Tarrafal; a guerra de África e os seus massacres; a repressão sobre os estudantes (eu aluno do liceu a espreitar o meu irmão nos plenários de 1962, depois a fugir das cargas policiais…); acima de tudo, as mortes de que Salazar foi o grande responsável: Catarina Eufémia, Alfredo Dinis, José Dias Coelho, Manuel Fiúza, Humberto Delgado, Ribeiro dos Santos, só para citar alguns mais conhecidos.
Por isso eu digo: mostrem o Salazar que pretendem branquear, a democracia em que vivemos dá essa possibilidade e por isso aproveitem bem. Para quem estiver, como eu, farto de tanta propaganda, uma frente de esclarecimento deve ser posta em marcha: com respeito pelas opiniões alheias (o que faltava ao homem de Santa Comba), é imperioso que informemos toda a gente - distraída ou inebriada pela atraente publicidade - de quem foi Salazar na realidade.
Pela verdade. Pela memória das suas vítimas. Pelo direito à informação dos mais novos, que a continuar assim deixarão de perceber por que motivo se fez o 25 de Abril.


Crónica do Daniel Sampaio na “Pública”

terça-feira, 15 de abril de 2008

Um simples caderno?

As rodas giravam mas enterravam-se cada vez mais fundo na areia, e o carro não saía do sítio. O motor acelerou e acabou por parar de vez.
A pele muito escura de Mumo brilhava com o suor. Saímos do carro. Os pés enterraram-se até aos tornozelos na areia escaldante. Todas as tentativas para empurrar o carro eram inúteis.
— A que distância estamos do Centro das Missões? — perguntou Willi.
— Dois quilómetros, talvez três — respondeu Mumo.
— Foi sorte o carro não se ter avariado há duas horas atrás — pensou Willi em voz alta. — Eu vou buscar ajuda. Em que direcção fica o Centro?
Mumo estendeu o braço numa direcção qualquer.
Eu só via areia até perder de vista, e alguns espinheiros.
— É melhor irem os dois — disse eu. Tinha muito medo que Willi se perdesse naquela imensidão de areia.
— Queres ficar a guardar o carro sozinha? — perguntou Mumo num tom duvidoso.
— Guardar de quem? — perguntei-lhe a rir. Quem iria assaltar um carro em pleno deserto do Koroli?
— Há muitas pessoas, muitas tribos diferentes, todas muito pobres aqui, em North Horr — disse Mumo com ar sério.
Sentei-me na areia e encostei-me contra a porta do carro. Pelo menos assim estava um pouco mais protegida do vento quente que me fustigava o braço com minúsculos grãos de areia cortantes. Com os olhos, seguia os dois, que, afundados na areia e curvados para se protegerem do vento, se iam afastando, cada vez mais pequenos, até acabarem por se diluir no calor tremeluzente.
Antes que tivesse tempo de me assustar com a solidão daquele ermo, os dois pontos distantes tornaram a aumentar de tamanho. Os homens já estariam de volta? Mas afinal não eram dois, não! Três, quatro, cinco pontos foram crescendo na minha direcção. A ajuda que procurávamos estaria afinal tão perto?
Levantei-me. Os olhos ardiam-me por causa da areia, do vento e do sol incandescente. Seria alguma assombração?
Os pontos transformaram-se em formas, e as formas, em crianças a correr. Crianças que corriam na minha direcção e cada vez em maior número!
Em pouco tempo vi-me rodeada por um bando de crianças nuas, semi-nuas, embrulhadas em trapos, crianças grandes e pequenas. Algumas traziam bebés às costas, outras arrastavam crianças mais pequenas pela mão. Todas de olhos encovados e corpos famintos. Nenhuma se acercou mais de cinco metros.
Fixavam-me, espantadas e de boca aberta, sem um único sorriso para a curiosa aparição que eu devia ser para elas.
Mulheres adultas, com os panos das suas vestimentas ondulando ao vento, aproximavam-se, mais lentas do que as crianças. Também elas eram magras, algumas velhas, outras novas, mulheres grávidas, mulheres com bebés ao peito e de todos os tons de pele, desde castanho "café com leite" até preto escuro. Ficaram em silêncio atrás das crianças e olhavam-me também fixamente.
"Mas que rico encontro!", pensei eu.
Encostei-me ao jipe. A chapa quente do carro queimava-me a pele através da camisa. E assim ficámos a olhar fixamente uns para os outros, calados e imóveis: mulher branca olha para pretos e pretos olham para mulher branca.
— Olá! — disse eu, quando não aguentei mais.
Ninguém respondeu. Ninguém se mexeu um milímetro sequer, ou mostrou uma cara simpática.
A ideia de que os dois homens poderiam demorar horas até regressarem com ajuda encheu-me de medo. Será que tinha de ficar horas a olhar para os nativos e a ser observada fixamente por eles? Não ia aguentar.
Fiz uma nova tentativa. Com cuidado, acocorei-me, como os africanos fazem. Os meus olhos estavam agora ao nível dos das crianças que se encontravam mais perto de mim. Comecei a cantar: "Todos os patinhos sabem bem nadar…" procurando olhá-las nos olhos.
De repente, as mulheres recuaram. Ocorreu-me a ideia absurda de que teriam pensado que eu queria enfeitiçar as crianças. Mas um dos meninos aproximou-se e estendeu o bracinho magro na minha direcção. Eu segurei-o, com cuidado, e comecei a contar os dedos: "Este é o mindinho…" A criança recolheu o braço, assustada.
Da última fila, alguém empurrava e furava para passar. Uma menina com cerca de doze anos conseguiu por fim chegar à frente e perguntou-me timidamente, em inglês, se estava a cantar canções infantis. Eu acenei que sim, aliviada, e perguntei se podíamos conversar um pouco em inglês. Ela acenou igualmente. Em seguida virou-se para as mulheres e disse-lhes algo em Suahili[1] que, aos meus ouvidos, soou como se estivesse a acalmá-las.
Isto encorajou-me a fazer-lhe mais perguntas. Se ia à escola das Missões? Acenou que sim, com orgulho. Depois, perguntou-me de onde vinha e pareceu traduzir a minha resposta às mulheres.
O gelo estava quebrado. As mulheres murmuraram alguma coisa e, de repente, vi-me cercada por elas.
— Há muita água no teu país? — quis saber a menina. — E árvores verdes?
Acenei que sim e comecei a falar. Falei das nossas montanhas e dos lagos, das nossas crianças, e de como todas eram obrigadas a ir à escola. A menina traduzia, palavra a palavra, e as crianças e as mães estavam espantadas e incrédulas.
Com os dedos, desenhei na areia montanhas, vacas, árvores, e a forma das nossas casas, mas o vento forte depressa apagava os meus desenhos.
Levantei-me e meti o braço pela janela do carro. Sabia que tinha um caderno e um marcador na minha carteira. Tirei as duas coisas mas tive de as segurar no ar, acima da cabeça. Os africanos, grandes e pequenos tinham-se, entretanto, acercado de tal forma contra mim, que mal me podia mexer.
Depois de ter pedido um pouco de espaço, abri o caderno em cima do capot escaldante do carro. Mais uma vez, desenhei montanhas, lagos, árvores, vacas e casas.
As crianças treparam para cima do carro, empurravam-me, penduravam-se em mim. Todas queriam ver e tocar no papel branco e macio.
Deitada de barriga para baixo no tejadilho do carro, a minha intérprete via tudo do alto, fazia-me perguntas e pedia-me para desenhar as respostas e levantar o caderno, para todos poderem ver aquelas coisas maravilhosas e inacreditáveis.
— És professora? Vens para aqui? Vais ficar aqui, connosco? Trouxeste um caderno desses para cada um de nós?
As perguntas choviam de todos os lados. Envergonhada, tive de responder não a todas.
Um barulho ao longe fez-me erguer a cabeça. Da direcção em que Mumo e Willi haviam desaparecido aproximava-se um jipe. A nossa ajuda estava a chegar.
Dei o caderno à menina, que me olhou radiante com os seus grandes olhos, mas ainda antes de ter podido dizer thank you, cerca de trinta ou quarenta pares de mãos estenderam-se e tentavam apanhá-lo. A preciosidade acabou por ser conquistada por um rapazinho.
Protestei com veemência mas ele não ligou às minhas palavras. Subiu para um monte de areia, chamou as crianças com o braço e com os dedos ágeis tirou os agrafos do caderno.
Como rei que distribuía as riquezas do seu reino, distribuiu ele as folhas brancas e lisas.
Não estava à espera disto. Emudecida, compreendi. Estava a zelar para que todos tivessem uma parte do tesouro. Sorria, orgulhoso, com o marcador enfiado no cabelo encarapinhado.
Como o caderno era grosso, quando o jipe chegou, já quase todas as crianças tinham uma folha na mão.
— Estás bem? — perguntou Willi, preocupado, ao ver-me no meio daquela multidão. Limitei-me a acenar com a cabeça.
Enquanto os homens prendiam o cabo no nosso carro, atei rapidamente o meu lenço à volta da cabeça da minha pequena intérprete.
— Vais voltar? — perguntou-me, no momento em que eu entrava para o carro.
— Vamos tentar — prometi-lhe.
Durante a viagem até North Horr — eram mesmo só dois quilómetros — contei a Willi a minha aventura.
— Nem quero pensar no meu cesto de papéis lá de casa — terminei.
— Vais ver que havemos de arranjar forma de lhes enviar cadernos e lápis. — disse Willi para me consolar.
E assim fizemos.


Brigitte Meissel
Jutta Modler (org.)
Brücken Bauen
Wien, Herder, 1987

[1] Língua oficial da Tanzânia

João Aguiar na nossa BECRE

O escritor João Aguiar vem visitar-nos no Dia Mundial do Livro, dia 23 de Abril, brindar-nos com uma palestra e responder às tuas perguntas (e talvez até assine um livrito ou outro que tenhas lá na estante).

João Aguiar

João Aguiar nasceu em Lisboa em 1943. Licenciou-se em jornalismo pela Universidade Livre de Bruxelas, após ter frequentado os dois primeiros anos do curso de Filosofia da Universidade Clássica de Lisboa. Em 1976 regressou a Lisboa trabalhando na rádio, na imprensa escrita e em televisão. Foi coordenador da equipa do programa infantil da RTP, Rua Sésamo.
Iniciou a sua carreira literária aos quarenta anos e o seu primeiro romance foi A Voz dos Deuses (1984), um dos livros mais vendidos em Portugal nos últimos anos. Tem escrito, sobretudo, romances históricos.
Na sua vasta obra contam-se também vários guiões para programas de televisão e argumentos cinematográficos. É também autor da colecção juvenil O Bando dos Quatro.
Em 1995 recebeu o Prémio Eça de Queirós.
Da sua obra literária destacam-se os seguintes títulos:
A Voz dos Deuses (1984; 20 edições, além de uma edição do Círculo de Leitores)
O Homem sem Nome (1986; 10 edições)
O Trono do Altíssimo (1988; 5 edições)
Os Comedores de Pérolas (1992; 11 edições)
A Hora do Sertório (1994; 4 edições)
A Encomendação das Almas (1995; 4 edições)
Navegador Solitário (1996; 4 edições)
Inês de Portugal (1997; 5 edições)
O Dragão de Fumo (1998; 2 edições)
A Catedral Verde (2000)
Diálogo das Compensadas (2001)
Uma Deusa na Bruma (2003)
O Sétimo Herói (2004)
Em televisão participou em diversas actividades, donde se destacam:
A Marquesa de Vila Rica (Guião e diálogos), 1990 RTP
Os Melhores Anos I e II (Guião e diálogos), 1990 RTP
Rua Sésamo (Coordenação) RTP
O Rosto da Europa (Texto, diálogos e co-autoria) 1994 RTP
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23 de Abril, Dia Mundial do Livro, na nossa BECRE (ver aqui)