quarta-feira, 23 de abril de 2008

Dia Mundial Mundial do Livro - 23 de Abril

Tal como prometido para assinalar o Dia Mundial do Livro, o escritor João Aguiar veio fazer-nos uma agradável visita (o senhor que está ao lado do escritor não é o seu guarda-costas, é o senhor da ASA Editores).



A nossa BECRE estava cheia e, com muita pena nossa, tiveram de ficar alguns de fora. Não desanimem, para a próxima serão os primeiros. Havemos de ter mais actividades destas.

Esperou atenta e pacientemente pelas perguntas de todos.


E foi esclarecedor e alegre nas suas respostas. Merece um abraço!



Para devolvermos a atenção, oferecemos ao escritor um livro que nos conta a história de uma outra importante cidade costeira, que já existiu por aqui, antes de Tavira, no séc I d.c., "Balsa".



Autografou-nos livros, marcadores, folhas de papel, e até um guião que um grupo de alunas do 8º A escreveu a partir de um dos seus livros.





No final, e como não podia deixar de ser, os alunos do 9ºE brindaram-nos com o seu profissionalismo e com um delicioso lanche volante.


Liberdade


"A liberdade é um dos dons mais preciosos que o céu deu aos homens. Nada a iguala, nem os tesouros que a terra encerra no seu seio, nem os que o mar guarda nos seus abismos. Pela liberdade, tanto quanto pela honra, pode e deve aventurar-se a nossa vida."
Miguel Cervantes



"Desejo tanto que respeitem a minha liberdade que sou incapaz de não respeitar a dos outros."
Françoise Sagan

25 de Abril de 1974 - 34º aniversário


O 25 de Abril de 1974, o princípio de uma nova era


Em 2008 comemora-se o trigésimo quarto aniversário do 25 de Abril de 1974, data que marcou o início de uma nova era, de um novo Portugal. Pelo menos foi essa a intenção de quem esteve na base do Movimento dos Capitães de Abril que lideraram a “Revolução dos Cravos”. Hoje em dia discute-se muito, duvidando-se até, acerca do sucesso da revolução. Trouxe-nos liberdade? Trouxe liberdade a mais? Democracia? Autoritarismo? Desobediência? Desrespeito?
Em termos históricos 34 anos constituem pouco tempo para fazer-se uma avaliação profunda sobre as consequências da revolução, mas há de facto aspectos inquestionáveis.
O 25 de Abril de 1974 terminou com um regime ditatorial. O Estado Novo, personificado por António de Oliveira Salazar e continuado por Marcello Caetano, foi um regime castrador das liberdades fundamentais de todos os portugueses. Um regime extremamente autoritário, absolutista, violento e que defendeu o “isolamento” cultural de Portugal.
O crime mais punido era o de ter ideias livres e contrárias ao governo. O direito à contestação e à diferença eram severamente punidos. A guerra colonial, que cerceou a vida a milhares de jovens, era obsoleta e sem fim à vista. Os jovens tinham de fugir do país para não serem castigados.
Irrita-me profundamente ouvir a frase que muitas vezes se repete, principalmente quando o povo está descontente com a governação do país: “No tempo de Salazar é que era!”. O direito à indignação é legítimo e até necessário. Só com o confronto de ideias e opiniões é possível melhorar os nossos governantes e consequentemente as suas políticas. Para além disso cada país apenas tem aquilo que merece ou escolhe. Somos nós quem votamos naqueles que “supostamente” nos representam. Por isso mesmo a única forma de dar a volta é utilizar o nosso direito ao voto livre. Porque é isso que se pretende: o voto livre.
Para votarmos em consciência e para podermos filtrar tudo aquilo que nos é “impingido” nas campanhas políticas, é absolutamente necessário investirmos na nossa formação, aprofundando os nossos conhecimentos e insistindo na nossa capacidade crítica. Por isso mesmo é fundamental que nós, professores, trabalhemos com os alunos essas competências. Fazer-lhes compreender que é necessário investir na aquisição de informação, mas também fazer com que percebam que é fundamental saber utilizar essa mesma informação. O futuro do país não se resolve com o “empinanço” de matéria, mas sim com a criação de futuros adultos com capacidade crítica e argumentativa, que não tenham receio de intervir, que saibam intervir e que não tenham medo de assumir as suas opções.
Deixo-vos um texto de Daniel Sampaio que elucida bem um sentimento com o qual me identifico.


Farto de Salazar


Estou mesmo farto de Salazar. Durante toda a minha juventude ansiei pelo seu fim. Tudo começou há muito tempo. Talvez quando eu tinha doze anos e o meu irmão me explicou Humberto Delgado, numa inesquecível conversa sobre a democracia. Ingénuo, eu acreditava na vitória do General Sem Medo: com tanta gente a seu lado, como poderia perder as eleições? Foi aí que comecei a detestar Salazar.
Com quinze anos aderi à ilegal Comissão Pró-Associação dos Liceus, participei em muitas reuniões clandestinas e vi ser proibido um jornal escolar chamado “Perspectiva”, que elaborei com o Ruben de Carvalho e mais alguns amigos. Com dezasseis anos, a minha conferência no Pedro Nunes sobre Albert Camus foi autorizada à última hora, graças ao pedido da mãe de um colega: parece que o orador não era de confiança e o romancista não agradava ao regime.
Com dezoito anos entrei na Faculdade de Medicina de Lisboa. Participei, ao longo do curso, em todas as greves e manifestações contra Salazar e não me deixei seduzir pela “primavera marcelista”. Adiado do serviço militar para fazer a especialidade de Psiquiatria, o dia 25 de Abril de 1974 salvou-me da guerra colonial e foi dos mais felizes da minha vida.
Por tudo isto, estou farto. Depois de livros sobre Salazar que ocultaram com intenção o lado mais terrível do regime, após um concurso televisivo onde se esconderam as atrocidades da ditadura, chegámos ao embelezamento físico da personagem: a imagem “modernizada” de Salazar aparece-nos em cada esquina. Agora surge de cabelo colorido e aspecto tranquilo em cartazes por toda a cidade, numa propaganda de um concurso qualquer. Competição e cartazes legítimos e oportunos, a aproveitar a “onda salazarista”, mas que a mim causam más recordações e vontade de retratar o homem de outro modo: vestido de cinzento, de chapéu negro enterrado na cabeça e botas-de-elástico, afinal a face visível do que ele sempre foi.
O problema será só meu, que protesto contra o embelezamento de tão desagradável pessoa? Julgo que não: é tempo de aproveitarmos a oportunidade e explicar aos mais novos quem foi Salazar. O livro “Vítimas de Salazar”, de João Madeira, Irene Pimentel e Luís Farinha (Esfera dos Livros) deveria ser ensinado em todas as escolas e publicitado por todo o lado: mostra bem como foi o regime de Salazar, um dos períodos mais negros da nossa história. Precisamos demonstrar aos nossos filhos e netos como o medo dominava e a liberdade não existia, uma guerra incompreensível matava muita gente e o país estava triste e atrasado. Sigo o livro citado e leio: a censura, as escutas telefónicas e as violações do correio, os informadores da PIDE/DGS, a tortura (”meia dúzia de safanões dados a tempo a essas criaturas sinistras”, dizia Salazar, a querer esconder a “estátua”, a privação do sono e o isolamento dos presos políticos), a farsa dos julgamentos e as medidas de segurança, a darem cobertura legal a prisões prolongadas dos opositores do regime; os saneamentos na função pública e os campos de concentração como o Tarrafal; a guerra de África e os seus massacres; a repressão sobre os estudantes (eu aluno do liceu a espreitar o meu irmão nos plenários de 1962, depois a fugir das cargas policiais…); acima de tudo, as mortes de que Salazar foi o grande responsável: Catarina Eufémia, Alfredo Dinis, José Dias Coelho, Manuel Fiúza, Humberto Delgado, Ribeiro dos Santos, só para citar alguns mais conhecidos.
Por isso eu digo: mostrem o Salazar que pretendem branquear, a democracia em que vivemos dá essa possibilidade e por isso aproveitem bem. Para quem estiver, como eu, farto de tanta propaganda, uma frente de esclarecimento deve ser posta em marcha: com respeito pelas opiniões alheias (o que faltava ao homem de Santa Comba), é imperioso que informemos toda a gente - distraída ou inebriada pela atraente publicidade - de quem foi Salazar na realidade.
Pela verdade. Pela memória das suas vítimas. Pelo direito à informação dos mais novos, que a continuar assim deixarão de perceber por que motivo se fez o 25 de Abril.


Crónica do Daniel Sampaio na “Pública”

terça-feira, 15 de abril de 2008

Um simples caderno?

As rodas giravam mas enterravam-se cada vez mais fundo na areia, e o carro não saía do sítio. O motor acelerou e acabou por parar de vez.
A pele muito escura de Mumo brilhava com o suor. Saímos do carro. Os pés enterraram-se até aos tornozelos na areia escaldante. Todas as tentativas para empurrar o carro eram inúteis.
— A que distância estamos do Centro das Missões? — perguntou Willi.
— Dois quilómetros, talvez três — respondeu Mumo.
— Foi sorte o carro não se ter avariado há duas horas atrás — pensou Willi em voz alta. — Eu vou buscar ajuda. Em que direcção fica o Centro?
Mumo estendeu o braço numa direcção qualquer.
Eu só via areia até perder de vista, e alguns espinheiros.
— É melhor irem os dois — disse eu. Tinha muito medo que Willi se perdesse naquela imensidão de areia.
— Queres ficar a guardar o carro sozinha? — perguntou Mumo num tom duvidoso.
— Guardar de quem? — perguntei-lhe a rir. Quem iria assaltar um carro em pleno deserto do Koroli?
— Há muitas pessoas, muitas tribos diferentes, todas muito pobres aqui, em North Horr — disse Mumo com ar sério.
Sentei-me na areia e encostei-me contra a porta do carro. Pelo menos assim estava um pouco mais protegida do vento quente que me fustigava o braço com minúsculos grãos de areia cortantes. Com os olhos, seguia os dois, que, afundados na areia e curvados para se protegerem do vento, se iam afastando, cada vez mais pequenos, até acabarem por se diluir no calor tremeluzente.
Antes que tivesse tempo de me assustar com a solidão daquele ermo, os dois pontos distantes tornaram a aumentar de tamanho. Os homens já estariam de volta? Mas afinal não eram dois, não! Três, quatro, cinco pontos foram crescendo na minha direcção. A ajuda que procurávamos estaria afinal tão perto?
Levantei-me. Os olhos ardiam-me por causa da areia, do vento e do sol incandescente. Seria alguma assombração?
Os pontos transformaram-se em formas, e as formas, em crianças a correr. Crianças que corriam na minha direcção e cada vez em maior número!
Em pouco tempo vi-me rodeada por um bando de crianças nuas, semi-nuas, embrulhadas em trapos, crianças grandes e pequenas. Algumas traziam bebés às costas, outras arrastavam crianças mais pequenas pela mão. Todas de olhos encovados e corpos famintos. Nenhuma se acercou mais de cinco metros.
Fixavam-me, espantadas e de boca aberta, sem um único sorriso para a curiosa aparição que eu devia ser para elas.
Mulheres adultas, com os panos das suas vestimentas ondulando ao vento, aproximavam-se, mais lentas do que as crianças. Também elas eram magras, algumas velhas, outras novas, mulheres grávidas, mulheres com bebés ao peito e de todos os tons de pele, desde castanho "café com leite" até preto escuro. Ficaram em silêncio atrás das crianças e olhavam-me também fixamente.
"Mas que rico encontro!", pensei eu.
Encostei-me ao jipe. A chapa quente do carro queimava-me a pele através da camisa. E assim ficámos a olhar fixamente uns para os outros, calados e imóveis: mulher branca olha para pretos e pretos olham para mulher branca.
— Olá! — disse eu, quando não aguentei mais.
Ninguém respondeu. Ninguém se mexeu um milímetro sequer, ou mostrou uma cara simpática.
A ideia de que os dois homens poderiam demorar horas até regressarem com ajuda encheu-me de medo. Será que tinha de ficar horas a olhar para os nativos e a ser observada fixamente por eles? Não ia aguentar.
Fiz uma nova tentativa. Com cuidado, acocorei-me, como os africanos fazem. Os meus olhos estavam agora ao nível dos das crianças que se encontravam mais perto de mim. Comecei a cantar: "Todos os patinhos sabem bem nadar…" procurando olhá-las nos olhos.
De repente, as mulheres recuaram. Ocorreu-me a ideia absurda de que teriam pensado que eu queria enfeitiçar as crianças. Mas um dos meninos aproximou-se e estendeu o bracinho magro na minha direcção. Eu segurei-o, com cuidado, e comecei a contar os dedos: "Este é o mindinho…" A criança recolheu o braço, assustada.
Da última fila, alguém empurrava e furava para passar. Uma menina com cerca de doze anos conseguiu por fim chegar à frente e perguntou-me timidamente, em inglês, se estava a cantar canções infantis. Eu acenei que sim, aliviada, e perguntei se podíamos conversar um pouco em inglês. Ela acenou igualmente. Em seguida virou-se para as mulheres e disse-lhes algo em Suahili[1] que, aos meus ouvidos, soou como se estivesse a acalmá-las.
Isto encorajou-me a fazer-lhe mais perguntas. Se ia à escola das Missões? Acenou que sim, com orgulho. Depois, perguntou-me de onde vinha e pareceu traduzir a minha resposta às mulheres.
O gelo estava quebrado. As mulheres murmuraram alguma coisa e, de repente, vi-me cercada por elas.
— Há muita água no teu país? — quis saber a menina. — E árvores verdes?
Acenei que sim e comecei a falar. Falei das nossas montanhas e dos lagos, das nossas crianças, e de como todas eram obrigadas a ir à escola. A menina traduzia, palavra a palavra, e as crianças e as mães estavam espantadas e incrédulas.
Com os dedos, desenhei na areia montanhas, vacas, árvores, e a forma das nossas casas, mas o vento forte depressa apagava os meus desenhos.
Levantei-me e meti o braço pela janela do carro. Sabia que tinha um caderno e um marcador na minha carteira. Tirei as duas coisas mas tive de as segurar no ar, acima da cabeça. Os africanos, grandes e pequenos tinham-se, entretanto, acercado de tal forma contra mim, que mal me podia mexer.
Depois de ter pedido um pouco de espaço, abri o caderno em cima do capot escaldante do carro. Mais uma vez, desenhei montanhas, lagos, árvores, vacas e casas.
As crianças treparam para cima do carro, empurravam-me, penduravam-se em mim. Todas queriam ver e tocar no papel branco e macio.
Deitada de barriga para baixo no tejadilho do carro, a minha intérprete via tudo do alto, fazia-me perguntas e pedia-me para desenhar as respostas e levantar o caderno, para todos poderem ver aquelas coisas maravilhosas e inacreditáveis.
— És professora? Vens para aqui? Vais ficar aqui, connosco? Trouxeste um caderno desses para cada um de nós?
As perguntas choviam de todos os lados. Envergonhada, tive de responder não a todas.
Um barulho ao longe fez-me erguer a cabeça. Da direcção em que Mumo e Willi haviam desaparecido aproximava-se um jipe. A nossa ajuda estava a chegar.
Dei o caderno à menina, que me olhou radiante com os seus grandes olhos, mas ainda antes de ter podido dizer thank you, cerca de trinta ou quarenta pares de mãos estenderam-se e tentavam apanhá-lo. A preciosidade acabou por ser conquistada por um rapazinho.
Protestei com veemência mas ele não ligou às minhas palavras. Subiu para um monte de areia, chamou as crianças com o braço e com os dedos ágeis tirou os agrafos do caderno.
Como rei que distribuía as riquezas do seu reino, distribuiu ele as folhas brancas e lisas.
Não estava à espera disto. Emudecida, compreendi. Estava a zelar para que todos tivessem uma parte do tesouro. Sorria, orgulhoso, com o marcador enfiado no cabelo encarapinhado.
Como o caderno era grosso, quando o jipe chegou, já quase todas as crianças tinham uma folha na mão.
— Estás bem? — perguntou Willi, preocupado, ao ver-me no meio daquela multidão. Limitei-me a acenar com a cabeça.
Enquanto os homens prendiam o cabo no nosso carro, atei rapidamente o meu lenço à volta da cabeça da minha pequena intérprete.
— Vais voltar? — perguntou-me, no momento em que eu entrava para o carro.
— Vamos tentar — prometi-lhe.
Durante a viagem até North Horr — eram mesmo só dois quilómetros — contei a Willi a minha aventura.
— Nem quero pensar no meu cesto de papéis lá de casa — terminei.
— Vais ver que havemos de arranjar forma de lhes enviar cadernos e lápis. — disse Willi para me consolar.
E assim fizemos.


Brigitte Meissel
Jutta Modler (org.)
Brücken Bauen
Wien, Herder, 1987

[1] Língua oficial da Tanzânia

João Aguiar na nossa BECRE

O escritor João Aguiar vem visitar-nos no Dia Mundial do Livro, dia 23 de Abril, brindar-nos com uma palestra e responder às tuas perguntas (e talvez até assine um livrito ou outro que tenhas lá na estante).

João Aguiar

João Aguiar nasceu em Lisboa em 1943. Licenciou-se em jornalismo pela Universidade Livre de Bruxelas, após ter frequentado os dois primeiros anos do curso de Filosofia da Universidade Clássica de Lisboa. Em 1976 regressou a Lisboa trabalhando na rádio, na imprensa escrita e em televisão. Foi coordenador da equipa do programa infantil da RTP, Rua Sésamo.
Iniciou a sua carreira literária aos quarenta anos e o seu primeiro romance foi A Voz dos Deuses (1984), um dos livros mais vendidos em Portugal nos últimos anos. Tem escrito, sobretudo, romances históricos.
Na sua vasta obra contam-se também vários guiões para programas de televisão e argumentos cinematográficos. É também autor da colecção juvenil O Bando dos Quatro.
Em 1995 recebeu o Prémio Eça de Queirós.
Da sua obra literária destacam-se os seguintes títulos:
A Voz dos Deuses (1984; 20 edições, além de uma edição do Círculo de Leitores)
O Homem sem Nome (1986; 10 edições)
O Trono do Altíssimo (1988; 5 edições)
Os Comedores de Pérolas (1992; 11 edições)
A Hora do Sertório (1994; 4 edições)
A Encomendação das Almas (1995; 4 edições)
Navegador Solitário (1996; 4 edições)
Inês de Portugal (1997; 5 edições)
O Dragão de Fumo (1998; 2 edições)
A Catedral Verde (2000)
Diálogo das Compensadas (2001)
Uma Deusa na Bruma (2003)
O Sétimo Herói (2004)
Em televisão participou em diversas actividades, donde se destacam:
A Marquesa de Vila Rica (Guião e diálogos), 1990 RTP
Os Melhores Anos I e II (Guião e diálogos), 1990 RTP
Rua Sésamo (Coordenação) RTP
O Rosto da Europa (Texto, diálogos e co-autoria) 1994 RTP
.
23 de Abril, Dia Mundial do Livro, na nossa BECRE (ver aqui)

Júri do Concurso de Vídeos BiblioFilmes


O Júri do concurso de vídeos BiblioFilmes, Livros Bibliotecas, Acção! irá atribuir um dos prémios, intitulado Prémio Júri (existe ainda o vencedor da Votação Popular).

Membros do Júri
Galeno Amorim, do Brasil, responsável pela Agência de notícias Brasil Que Lê
Dra. Teresa Silveira, Bibliotecária
Dra. Helena Magalhães, Professora
João Carlos, aluno 12º ano
Helena Isabel, aluna universitária
Dr. Pedro Vasconcelos, representante do El Corte Inglés
Dr. Nelson Lage, representante do Gabinete do Coordenador Nacional da Estratégia de Lisboa e do Plano Tecnológico

Critérios de Avaliação sugeridos ao Júri
Originalidade e criatividade, 20%
Mensagem clara e cumprimento dos objectivos do concurso (mostrar como gostam de ler, de uma biblioteca e/ou de um livro), 40%
Entretenimento do filme (Dá vontade de continuar a ver? Dá vontade de dar a conhecer aos amigos?), 20%
Inspirador (dá vontade de visitar uma biblioteca ou ler um livro?), 20%
O vencedor na categoria será, preferencialmente, decidido por consenso dos elementos do Júri. Caso contrário, será por maioria.
A Organização definiu, para eventual desempate, que a decisão de cinco elementos terá uma percentagem de 18% cada um, sendo que o voto dos dois alunos corresponde a 10%.
Cada elemento do Júri deverá elaborar e entregar à Organização uma tabela de análise dos vídeos, indicando por ordem decrescente quais os vídeos que considera mais merecedores de ganharem, visando chegar-se ao vencedor da edição 2008 do concurso BiblioFilmes, a anunciar no dia 23 de Abril, Dia Mundial do Livro, comemorado também na nossa BeCRE (ver programa aqui).

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Auto da Índia - Gil Vicente




Foi hoje, no auditório da nossa escola. A ACTA (A Companhia de Teatro do Algarve) apresentou-nos o Auto da Índia, de Gil Vicente.

Concurso de Fotografia

O Concurso de Fotografia, organizado pela professora Isabel Macieira, foi bem sucedido. Os prémios - vouchers para aulas de kitesurf , oferecidos pelo professor Fernando Gonçalves, menções honrosas e diplomas de participação - foram atribuídos a todos os níveis de ensino e a alunos do Ensino Especial, com excepção do 7º ano, pelo professor Luís Macieira, na BECRE da nossa escola.
Um dos prémios foi atribuído por votação online, através da plataforma Moodle.

terça-feira, 8 de abril de 2008

O Herói da Holanda

A Holanda é um país em que a maior parte do território fica abaixo do nível do mar. Enormes muralhas, chamadas diques, são o que impede o mar do Norte de invadir a terra, inundando-a completamente. Há séculos que o povo se esforça para manter as muralhas resistentes, para que o país continue seco e em segurança. Até as crianças pequenas sabem que os diques precisam de ser vigiados constantemente e que um buraco do tamanho de um dedo pode ser extremamente perigoso.
Há muitos anos, vivia na Holanda um menino chamado Peter. O pai era uma das pessoas responsáveis pelas comportas dos diques. A sua função era abri-las e fechá-las para que os navios pudessem sair dos canais em direcção ao mar aberto.
Numa tarde do início do Outono, tinha Peter oito anos, a mãe chamou-o quando ele estava a brincar:
“— Vem cá, Peter. Vai levar estes bolinhos ao teu amigo cego, ao outro lado do dique. Se andares depressa e não parares pelo caminho para brincar, ainda estás de volta antes de escurecer.”
O menino gostou da tarefa e partiu feliz da vida. Ficou um bom tempo com o seu amigo cego, falando-lhe do passeio e do sol e das flores e dos navios lá do mar. De repente, lembrou-se que a mãe lhe dissera para voltar antes de escurecer; despediu-se do amigo e tomou o rumo de casa.
Quando passava pelo canal, percebeu como as chuvas tinham feito subir o nível da água e como estavam a bater com força contra o dique, e pensou nas comportas do pai.
“Ainda bem que elas são tão fortes! Se se partissem, o que seria de nós? Estes lindos campos ficariam inundados. O meu pai diz sempre que as águas estão "zangadas". Parece que ele acha que elas estão zangadas por ficarem presas tanto tempo.”
O menino parava a cada passo para apanhar umas florzinhas azuis que cresciam à beira do caminho, ou para escutar o barulhinho dos coelhos a correr pela relva. Mas, muitas vezes, sorria ao pensar no seu amigo cego, que tão poucos prazeres tinha e tanto apreciava as suas visitas.
De repente, percebeu que o Sol estava a pôr-se e que escurecia rapidamente. “A minha mãe vai ficar preocupada”, pensou ele, já a correr para chegar depressa a casa. Nesse momento, ouviu um barulho. Parecia água a respingar! O menino parou e foi procurar de onde vinha. Encontrou um buraquinho no dique, por onde estava a correr um fio de água.
Qualquer criança na Holanda morre de medo só de pensar num vazamento dos diques. Peter compreendeu imediatamente o perigo. Se a água passasse por um qualquer buraco que fosse, de pequeno ele logo se tornaria grande, e todo o país seria inundado. O menino percebeu de imediato o que deveria fazer. Largou as flores, desceu a encosta lateral do dique e mete o dedo no furo.
A água parou de vazar! E Peter ficou a pensar com os seus botões:
“As águas zangadas vão ficar presas. Posso contê-las com o meu dedo. A Holanda não vai ser inundada enquanto eu estiver aqui.”
Correu tudo bem no início, mas depressa escureceu. O menino começou a gritar bem alto:
“— Socorro! Alguém que venha até aqui!”
Mas ninguém ouviu, ninguém veio ajudá-lo.
Estava a arrefecer cada vez mais, o braço começou a doer-lhe e a ficar dormente. Peter voltou a gritar:
“— Será que ninguém vem? Mãe! Mãe!”
Mas ela já tinha procurado o menino muitas vezes desde que o Sol se fora, olhando pelo caminho do dique até onde a vista alcançava, e decidira voltar para casa e fechar a porta, achando que ele tinha resolvido passar a noite com o amigo cego, e estava disposta a ralhar-lhe no dia seguinte de manhã, por ele ter ficado fora de casa sem a sua permissão.
Peter tentou assobiar, mas os dentes batiam de frio. Pensou no irmão e na irmã, aconchegados no calor das suas camas, e no pai e na mãe. “Não posso deixá-los afogar-se. Tenho de aguentar até que alguém venha, mesmo que passe a noite inteira.” A Lua e as estrelas brilhavam, iluminando o menino encostado a uma pedra junto ao dique. A cabeça pendeu-lhe para o lado, os olhos fecharam-se-lhe, mas Peter não adormeceu, pois tinha de esfregar a mão que estava a deter o mar zangado.
“Custe o que custar, hei-de conseguir!”, pensava ele. E passou a noite inteira ali, contendo as águas.
De manhã bem cedinho, um homem a caminho do trabalho achou ter ouvido um gemido enquanto passava por cima do dique. Inclinou-se na borda e encontrou o menino agarrado à parede da muralha.
“— O que aconteceu? Estás magoado?”
“— Estou a conter a água do mar!”
gritou Peter “Mande vir ajuda!”
O alerta foi dado imediatamente. Chegaram várias pessoas com ferramentas e arranjaram o furo. Peter foi levado para casa, ao encontro dos pais, e rapidamente todos ficaram a saber que naquela noite, ele lhes tinha salvo a vida. E, até hoje, ninguém se esquece do corajoso pequeno herói da Holanda.

http://www.inkdotbebe.com.br/

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Primeiro levaram os negros


Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho o meu emprego
Também não me importei

Agora estão a levar-me a mim
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo


Bertolt Brecht

sexta-feira, 4 de abril de 2008

ACTA – Auto da Índia

No próximo dia 11 de Abril, sexta-feira, vamos ter no Auditório da nossa escola a ACTA (A Companhia de Teatro do Algarve). Esta companhia vai apresentar-nos o Auto da Índia, de Gil Vicente.
Será uma actividade dividida em duas sessões, uma de manhã (10.20) e outra de tarde (14.45) e será dinamizada pelo Grupo de Língua Portuguesa do 3º ciclo, apresentada em exclusivo para as turmas do 9º ano.

Este clássico da literatura dramática portuguesa será apresentado numa feição didáctica e pedagógica de forma a servir os objectivos escolares. Num exercício de razoabilidade, pretende-se que ao fazer-se uso dos recursos da elaboração cénica se faça também uso daqueles outros recursos afectos ao ensino do texto dramático, como tratando-se de uma "aula dramatizada". O espectáculo é seguido de debate com os discentes.

Para mais informações, consulta o programa definitivo, afixado em vários locais da nossa escola.

O Tesouro do Baobá

Num dia de grande calor, um lebrão parou à sombra de um baobá, sentou-se na erva e, contemplando ao longe a restolhada sob o vento a soprar, sentiu-se infinitamente bem.
"Baobá", pensou ele, "como é leve e fresca a tua sombra ao braseiro do meio-dia!"
Levantou o focinho para os ramos poderosos. As folhas estremeceram, felizes, devido aos pensamentos simpáticos que se lhes dirigiam. O lebrão riu-se, vendo-as contentes. Ficou calado por uns instantes e depois, piscando o olho e batendo com a língua, tomado de malícia jovial, disse:
"A tua sombra é boa, é claro, seguramente melhor do que o teu fruto. Não quero maldizer, mas o que me pende sobre a cabeça tem todo o ar de um odre de água morna."
O baobá, despeitado de ouvir assim duvidar dos seus sabores depois do elogio que lhe abrira a alma, entrou no jogo. Deixou cair o fruto num tufo de erva. O lebrão farejou-o, provou-o, achou-o delicioso. Depois devorou-o, lambeu o focinho e balançou a cabeça. A grande árvore, impaciente por ouvir o seu veredicto, susteve a respiração.
"O teu fruto é bom" admitiu o lebrão.
Depois sorriu, retomou a alegria impertinente e acrescentou:
"Seguramente é melhor do que o teu coração. Perdoa-me a franqueza: o coração que bate em ti parece-me mais duro do que uma pedra."
O baobá, ouvindo estas palavras, sentiu-se invadido por uma emoção que jamais experimentara. Oferecer a este pequeno ser as suas belezas mais secretas, Deus do céu, era seu desejo, mas, assim de repente, que medo tinha de as descobrir! Lentamente entreabriu a casca. Então apareceram colares de pérolas, panos bordados, sandálias finas, jóias de ouro. Todas estas maravilhas que enchiam o coração do baobá escorreram em profusão diante do lebrão, cujo focinho tremeu e cujos olhos se arregalaram.
"Obrigado, obrigado. És a melhor e a mais bela árvore do mundo" disse ele, rindo como uma criança satisfeita e apanhando febrilmente o magnífico tesouro.
Voltou a casa com as costas dobradas por todos esses bens. A mulher acolheu-o, pulando de alegria. Aliviou-o depressa de tão belo fardo, vestiu panos e sandálias, ornou o pescoço de jóias e saiu para o mato, impaciente de ser admirada pelas companheiras.
Encontrou uma hiena. Esse cadáver, ofuscado pelas invejáveis riquezas que passavam por si, foi imediatamente à toca do lebrão e perguntou-lhe onde tinha encontrado aqueles ornamentos soberbos com que se vestia a esposa. O outro contou-lhe o que tinha dito e feito à sombra do baobá.
A hiena correu para lá com os olhos inflamados, ávida dos mesmos bens. Jogou o mesmo jogo. O baobá, que a alegria do lebrão tinha verdadeiramente rejubilado, de novo se agradou de dar a sua frescura, depois a música da sua folhagem e o sabor do seu fruto, finalmente a beleza do seu coração.
Mas, quando a casca se abriu, a hiena atirou-se às maravilhosas oferendas como sobre uma presa e, escavando com unhas e dentes as profundezas da velha árvore para dela ainda arrancar mais coisas, pôs-se a resmungar:
"E nas tuas entranhas o que há? Também quero devorar as tuas entranhas! Quero tudo o que tens até às tuas raízes! Quero tudo, ouves?"
O baobá, ferido, dilacerado, tomado de medo, guardou os seus tesouros, e a hiena, insatisfeita e furiosa, voltou de mãos vazias para a floresta. Desde esse dia que procura desesperadamente oferendas ilusórias nos animais mortos que encontra, sem nunca ouvir a brisa singela que acalma o espírito. Quanto ao baobá, já não abre a ninguém o seu coração. Tem medo. É preciso compreendê-lo: o mal que lhe fizeram é invisível, mas incurável.
Em verdade, o coração dos homens é semelhante ao desta árvore prodigiosa: cheio de riquezas e benefícios. Porque se abrirá tão pouco, quando se abre? De que hiena se lembrará?

(recriação de Henri Gougaud)
A Árvore dos Tesouros
tradução de Maria do Rosário Pedreira

O Leão, o Urso e a Raposa


terça-feira, 1 de abril de 2008

Esperando


Esperando que tudo se resolva,
Esperando que a chuva passe,
Esperando que o tempo pare,
Esperando que o Sol ilumine o céu,
Esperando que a Lua fique iluminada,
Esperando que as estrelas se tornem em pequenos desejos concretizados,
Esperando que acabem com as confusões,
Esperando que Alguém seja feliz,
Esperando o Sol se deitar,
Esperando ouvir a Lua dizer "Tem calma, tudo se resolve.",
Esperando arranjar forças para continuar com a "guerra",
Esperando que o tempo passe rápido,
Esperando que o Amor vença,
Esperando que o Ódio morra,
Esperando que a Amizade ilumine o mundo,
Esperando que consiga ser mais feliz,
Esperando que ponha o Medo de lado,
Esperando e nada mais…

Soraia Lázaro
9º A

terça-feira, 25 de março de 2008

Subir pelo lado que desce

Viver é subir uma escada rolante pelo lado que desce.
Ouvindo esta frase, imaginei qualquer pessoa nessa acrobacia que as crianças fazem ou tentam fazer: escalar aqueles degraus que nos puxam inexoravelmente para baixo. Perigo, loucura, inocência, ou uma boa metáfora do que fazemos diariamente?
Poucas vezes me deram um símbolo tão adequado para a vida, sobretudo naqueles períodos difíceis em que até pensar em sair da cama dá vontade de desistir. Tudo o que quereríamos era taparmos a cabeça e dormirmos, sem pensarmos em nada, fingindo que não estamos nem aí...
Porque Tanatos, isto é, a voz do poço e da morte, nos convoca a cada minuto para que, enfim, nos entreguemos e acomodemos. Só que acomodar-se é abrir a porta a tudo aquilo que nos faz cúmplices do negativo. Descansaremos, sim, mas tornando-nos filhos do tédio e amantes da pusilanimidade, personagens do teatro daqueles que constantemente desperdiçam os seus próprios talentos e dificultam a vida dos outros.
E o desperdício da nossa vida, talentos e oportunidades é o único débito que no final não se poderá saldar: estaremos no arquivo-morto.
Não que não tenhamos vontade ou motivos para desistir: corrupção, violência, drogas, doença, problemas no emprego, dramas na família, buracos na alma, solidão no casamento a que também nos acomodamos... tudo isso nos sufoca. Sobretudo, se pertencermos ao grupo cujo lema é: Pensar, nem pensar... e a vida que se lixe.
A escada rolante chama-nos para o fundo: não dou mais um passo, não luto, não me sacrifico mais. Para quê mudar, se a maior parte das pessoas nem pensa nisso e vive da mesma maneira, e da mesma maneira vai morrer?
Não vive (nem morrerá) da mesma maneira. Porque só nessa batalha consigo mesmo, percebendo engodos e superando barreiras, podemos também saborear a vida. Que até nos surpreende quando não se esperava, oferecendo-nos novos caminhos e novos desafios.
Mesmo que pareça quase uma condenação, a ideia de que viver é subir uma escada rolante pelo lado que desce é que nos permite sentir que afinal não somos assim tão insignificantes e tão incapazes.
Então, vamos à escada rolante: aqui e ali até conseguimos saltar degraus de dois em dois, como quando éramos crianças e muito mais livres, mais ousados e mais interessantes.
E porque não? Na pior das hipóteses, caímos, magoamo-nos por dentro e por fora, e podemos ainda uma vez... recomeçar.

Lya Luft
Pensar é transgredir
Lisboa, Presença, 2005

O Leão e o Rato


segunda-feira, 24 de março de 2008

Helen, A menina do silêncio e da noite


Helen, a menina do silêncio e da noite

Esta é uma história verdadeira.

Há cem anos, na América, nascia uma menina loira. O pai e a mãe estavam muito felizes.

Chamaram-lhe Helen Keller. Helen é um bonito nome.

Por volta dos dezoito meses, Helen adoeceu. E, quando ficou boa, os pais aperceberam-se de que ela já não via nem ouvia nada. Tinha-se tornado cega e surda.

Entretanto, crescia, brincava, comia e corria, como as outras crianças; só que não se lhe podia explicar, dizer ou mostrar nada.

Nós que vemos, sabemos que o céu é azul, vemos o sorriso da Mamã e do Papá, vemos os animais e tudo o que se passa em nossa casa, lá fora, na rua, nos campos e por todo o lado.

Helen não via nada.

Nós que ouvimos, ouvimos a voz dos nossos pais, ouvimos baterem à porta, ouvimos o ruído dos carros e ouvimos música.

Helen não ouvia nada.

Em todo o lado, ouvimos sempre qualquer coisa, mesmo à noite, quando dormimos.

Quando se é surdo, não se compreende o que dizem as pessoas, por que é que se riem, por que se zangam, por que falam.

Não podemos repetir as palavras, para aprender o nome das coisas.

Não podemos falar para perguntarmos o que queremos.

E, sobretudo, não temos palavras para pensar.

Os que são apenas cegos têm ouvidos para ouvir e perceber o que se passa à sua volta.

Os que são apenas surdos, têm olhos para ver e compreender o que se passa ao seu redor.

Mas ser ao mesmo tempo surdo e cego, é terrível! É como se estivéssemos sempre sós no silêncio e na noite.

Helen estava assim, completamente só no silêncio e na noite.

Os pais não sabiam o que fazer para lhe explicar as coisas. Muitas vezes Helen enfurecia-se e partia tudo o que encontrava, rasgava as roupas, comia com as mãos e atirava o prato ao chão; batia na irmã mais nova e gritava.

Então os pais choravam porque não sabiam o que fazer para lhe ensinar o que ela não sabia, e para lhe fazer compreender que a amavam muito.

Helen estava muito triste. Muitas vezes, ficava sentada no chão e chorava o dia inteiro. Helen estava só no silêncio e na noite e sentia-se muito infeliz.

Os pais deixavam-lhe fazer tudo o que ela queria. Nunca a castigavam, e Helen era ainda mais infeliz.

Quando fez sete anos, os pais tiveram uma boa ideia: pediram a uma professora para vir morar com eles. Chamava-se Ann Sullivan e tinha dezoito anos. Já tinha sido cega, mas fora operada e agora via.

Estava decidida a ajudar crianças cegas.

Conhecia muitos jogos para cegos. Mas Helen era cega e surda, e Ann não sabia se conseguiria vir a "falar" com Helen.

A princípio, Helen era muito mazinha com a sua professora e não queria aprender nada. Não gostava de ser mandada porque estava habituada a fazer tudo o que queria.

Mas Ann era muito paciente. Ensinou-lhe muitas coisas: enfiar pérolas, tricotar e coser. Separar os objectos redondos dos quadrados, e os duros dos moles. E, pouco a pouco, Helen tornou- -se gentil e asseada. Não se podia servir dos olhos nem dos ouvidos, mas tentava compreender muitas coisas com as mãos. E foi com as suas mãos que Helen aprendeu a falar.

Um dia, Ann, tocando-lhe nas mãos, fê-la compreender, enfim, que lhe ensinava, deste modo, o nome das coisas. Percebeu, assim, que tudo tinha um nome: as coisas, os animais, as pessoas.

Aprendeu o seu nome, "Helen", e "Papá" e "Mamã" e "Professora". E quando Helen tocava com as suas mãos nas do pai, dizendo Papá, ele chorava de alegria. Era formidável.

Então, Helen aprendeu a ler seguindo com os dedos as letras para os cegos. E, mais tarde, conseguiu falar com a sua voz; mas era muito difícil, porque não ouvia o que dizia.

Helen era muito inteligente e aprendia depressa. Queria saber tudo. Foi à escola com Ann, que a acompanhava para todo o lado e lhe dizia, com as mãos, tudo o que diziam as professoras. E Helen fazia os trabalhos de casa na sua máquina de escrever. Tornou-se tão inteligente que passou num exame difícil em que nenhuma rapariga do seu país tinha conseguido passar.

Helen tornou-se célebre e todos queriam conhecê-la.

Viajou muito. Foi a todos os países explicar às pessoas que era preciso ocuparem-se das crianças surdas e cegas, porque elas também podiam compreender, aprender como ela, e serem felizes.

Helen sabia que tinha tido muita sorte: tinha uns pais que a amavam, e que haviam podido pagar uma professora só para ela. E, sobretudo, tinha Ann, que era muito inteligente e paciente.

Helen gostaria que todas as crianças cegas e surdas fossem ajudadas e amadas como ela foi.

Agora, graças a Helen Keller e a Ann Sullivan, sabemos ocupar-nos melhor de crianças que não vêem e que não ouvem.

Anne Marchon

Helen, a menina do silêncio e da noite

Desabrochar – Editorial, 1988

sexta-feira, 21 de março de 2008

Dia Mundial da Poesia

Instituído na 30ª Conferência Geral da UNESCO, em 1999, o Dia Mundial da Poesia, assinalado hoje, coincide com o início da Primavera e, em Portugal, com o Dia da Árvore, numa lógica que parece simbolizar o renascimento ou a renovação e com o objectivo de defender a diversidade linguística.
O Dia Mundial da Poesia resultou da constatação de que existiam no mundo necessidades estéticas por satisfazer e de que a poesia podia preenchê-las se o seu papel social de comunicação interpessoal fosse reconhecido e continuasse a ser um meio de estimular e expressar o conhecimento.
A existência da efeméride tem, na perspectiva do poeta José Miguel Silva, «uma importância relativa», porque é «só um dia», o que «não dará grandes resultados no sentido de angariar leitores», mas «tudo o que se fizer para divulgar a poesia é positivo», salientou.
Em Portugal, a data será assinalada no dia 21 de Março, um pouco por todo o país, com vários eventos, em que se incluem sessões de leitura de poesia, concertos, feiras do livro, exposições e debates.
Uma vez que este dia é feriado, as comemorações terão lugar no sábado, dia 22. As actividades organizadas pelo Plano Nacional de Leitura, decorrerão no Centro Cultural de Belém.

Consulta o programa aqui

Dia Mundial da Floresta e Dia da Árvore

A comemoração oficial do Dia da Árvore teve lugar pela primeira vez no estado norte-americano do Nebraska, em 1872. John Stirling Morton conseguiu induzir toda a população a consagrar um dia no ano à plantação ordenada de diversas árvores para resolver o problema da escassez de material lenhoso.
A Festa da Árvore rapidamente se expandiu a quase todos os países do mundo, e em Portugal comemorou-se pala primeira vez a 9 de Março de 1913.
Em 1971 e na sequência de uma proposta da Confederação Europeia de Agricultores, que mereceu o melhor acolhimento da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura), foi estabelecido o Dia Florestal Mundial com o objectivo de sensibilizar as populações para a importância da floresta na manutenção da vida na Terra.
Em 21 de Março de 1972 – muitas vezes estabelecido também como o início da Primavera no Hemisfério Norte - foi comemorado o primeiro Dia Mundial da Floresta em vários países, entre os quais Portugal.

Fonte
ICN (http://www.icn.pt/)

quinta-feira, 20 de março de 2008

Primeiro dia da Primavera - o Equinócio Vernal

Dia 20 de Março de 2008 é o primeiro dia da Primavera (no hemisfério norte), iniciando-se precisamente às 05.48 UTC.
Também uma excelente data para comemorar numa biblioteca ou escola (este ano coincidiu com as férias de Páscoa).
Próximas datas do Equinócio Vernal (1º dia de Primavera a norte do equador e o 1º dia de Outono na parte sul do mundo):
2009: 20 Março, 11.43
2010: 20 Março, 17.32

Aproveitámos para partilhar uma explicação desta data especialmente direccionada ao público mais jovem. Ou seja, uma "aula" em tempo de férias:

PRIMEIRO DIA DA PRIMAVERA
Na parte norte do mundo, 20 de Março é o primeiro dia da Primavera. Os ventos frios do Inverno já se foram e as flores selvagens estão a começar a florescer. É hora de encontrar os calções da natação e sapatilhas para o futebol e planear viagens de Verão. E ler ao ar livre…
No distante sul, atravessando o equador, o Outono está prestes a chegar. Os dias mais quentes do verão já são passado. Cada dia é mais curto do que o anterior. Será logo hora de juntar as folhas e ir buscar as roupas quentes.
A razão para estas mudanças tem que ver com a viagem anual da Terra em torno do sol.
Durante parte do ano, o Pólo Norte da Terra aponta afastado do sol e parte do tempo em direcção a ele. É isto que dá origem às nossas estações. Quando o Pólo Norte aponta para o sol, os raios do sol batem na metade norte do mundo mais directamente. Isso significa que está mais quente e nós temos o Verão. Mas quando o Pólo Norte está apontado em direcção ao sol, o Pólo Sul aponta afastado do sol. Assim a parte sul do equador da Terra recebe menos calor do sol e é Inverno lá.
O dia mais longo acontece no meio do Verão, a 21 ou 22 de Junho, a norte do equador. Isso chama-se o solstício do Verão. O dia mais curto está no meio do Inverno, por volta de 21 ou 22 de Dezembro, a norte do equador. Isso é chamado o solstício do Inverno. Mas mesmo entre o Inverno e o Verão, este ano a 20 de Março, cada dia e noite tem a duração de 12 horas. Isto é denominado de equinócio vernal. É o primeiro dia de Primavera a norte do equador e o primeiro dia de Outono na parte sul do mundo.
Entre o Verão e o Inverno há um outro equinócio, chamado equinócio outonal. Tal como o equinócio vernal, o dia e a noite têm a mesma duração. Só que esta mudança é o primeiro dia do Outono a norte do equador e o começo da Primavera para o sul.
EQUINÓCIO
O tempo em que a noite e o dia são de duração igual em todas as partes da Terra. A palavra equinócio vem do Latim que significa "noite igual".
- Equinócio da Primavera: o começo da Primavera, chamado frequentemente de equinócio vernal. Vernal significa "da primavera". Ocorre a 20 ou 21 de Março
- Equinócio outonal: o começo do Outono. Ocorre a 22 ou 23 de Setembro.

SOLSTÍCIO
A época do ano em que o sol alcança o mais distante norte ou o mais distante sul. A palavra solstício significa "sol ainda lá está".
- Solstício do Verão: O dia do solstício do Verão é o dia o mais longo do ano. É o começo do Verão, a 21 ou 22 de Junho.
- Solstício do Inverno: O dia do solstício do Inverno é o dia o mais curto do ano. É o começo do Inverno, a 21 ou 22 de Dezembro.

ESTAÇÕES
Cada estação - Primavera, Verão, Outono e Inverno - dura aproximadamente três meses e trazem mudanças na temperatura, no tempo e na duração da luz do dia. As estações mudam constantemente porque a inclinação do eixo terrestre nunca muda enquanto a Terra circunda o sol.


Fonte

quarta-feira, 19 de março de 2008

Dia do Pai

O Dia do Pai tem origem na antiga Babilónia, há mais de 4 mil anos. Um jovem chamado Elmesu Moldou escupiu em argila o primeiro cartão. Desejava sorte, saúde e longa vida a seu pai.
Nos
Estados Unidos, Sonora Luise resolveu criar o Dia do Pai em 1909, motivada pela admiração que sentia por seu pai, John Bruce Dodd. O interesse pela data difundiu-se da cidade de Spokane para todo o Estado de Washington e daí tornou-se uma festa nacional. Em 1972, o presidente americano Richard Nixon oficializou o Dia do Pai. Naquele país, ele é comemorado no terceiro domingo de Junho. Em Portugal é comemorado a 19 de Março. No Brasil, é comemorado no segundo domingo de Agosto. A criação da data é atribuída ao publicitário Sylvio Bhering, em meados da década de 50, festejada pela primeira vez no dia 14 de Agosto de 1953, dia de São Joaquim, patriarca da família.
Em Portugal, o Dia do Pai celebra-se a 19 de Março porque este é o dia de S. José, o pai de Jesus. Assim faz-se uma homenagem especial a todos os pais do mundo.
São José, marido de Maria, era carpinteiro e vivia na cidade de Nazaré, na Galileia. Ao que parece, era um bom homem e aceitou ser o pai de Jesus. A sua história vem contada na Bíblia.
O culto a São José começou no século IX.
Não se sabe ao certo em que data José nasceu ou morreu, mas o papa Gregório XV, em 1621, referiu a data de 19 de Março como a da sua morte.
E assim ficou a ser o seu dia!
Tornou-se também o santo padroeiro (protector) dos carpinteiros, pela profissão que tinha.
O nome José vem do hebreu, Youssef, e significa "que Deus acrescente".

Países que celebram no terceiro domingo de Junho:
·
África do Sul
· Argentina
·
Canadá
·
Chile
·
Eslováquia
·
Estados Unidos
·
Filipinas
·
França
·
Hong Kong
·
Holanda
·
Índia
·
Irlanda
·
Japão
·
Macau
·
Malásia
·
Malta
·
México
·
Peru
·
Reino Unido
·
Turquia
·
Venezuela

Países que celebram noutras datas:
·
Áustria: segundo domingo de Junho
·
Austrália: o primeiro domingo em Setembro
·
Bélgica: St Joseph's day (19 de Março), e o segundo domingo em Junho ("Secular")
·
Brasil: segundo domingo de Agosto
·
Bulgária: 20 de Junho
·
Dinamarca: 5 de Junho
·
República Dominicana: último domingo de Junho
·
Alemanha: no Dia da Ascensão
·
Coréia do Sul: 8 de Maio, Dia do Pai (ambos).
·
Lituânia: o primeiro domingo de Junho
·
Nova Zelândia: o primeiro domingo de Setembro
·
Noruega, Suécia, Finlândia, Estônia: segundo domingo de Novembro
·
Polônia: 23 de Junho
·
Portugal, Espanha, Itália: 19 de Março
·
Rússia: 23 de Fevereiro (dia do Exército)
·
Tailândia: 5 de Dezembro, dia do nascimento do rei Bhumibol Adulyadej
·
Taiwan: 8 de Agosto

Uma homenagem a todos os pais...



Um pai vale mais do que uma centena de mestres-escola!


George Herbert, poeta inglês (séc. XVII)

terça-feira, 18 de março de 2008

Um pensamento...


Desejo tanto que respeitem a minha liberdade que sou incapaz de não respeitar a dos outros...

Tokio Hotel adiam e o público chora

Desilusão total no Pavilhão Atlântico, em Lisboa. Ontem, ao início da noite, quando quase 17 mil pessoas aguardavam a aparição em palco dos Tokio Hotel, a banda alemã viu-se obrigada a adiar o espectáculo devido a doença do vocalista, Bill Kaulitz.
O público, maioritariamente adolescente, teve conhecimento da má notícia às 19.50 horas, quando já passavam 20 minutos da hora marcada para o início do espectáculo. Nesse preciso momento, Álvaro Covões, da promotora Everything is New, e o guitarrista Tom Kaulitz (irmão do vocalista que adoeceu) subiram ao palco para informar a assistência do sucedido.
Foi o próprio Tom Kaulitz quem disse aos fãs que o irmão foi afectado por uma laringite, que o impedia de cantar e que já se encontrava a caminho da Alemanha para ser tratado. Confrontados com o sucedido, milhares de adolescentes desataram num choro convulsivo bastante impressionante. Recorde-se que largas dezenas de jovens estavam acampados junto do recinto desde a tarde de sexta-feira.
"Estava a estranhar isto não ter começado a horas", disse, ao JN, Maria Cândida, de 47 anos, acompanhada por duas filhas adolescentes que não paravam de chorar.
O espectáculo de ontem está agora agendado para o dia 29 de Junho. Os bilhetes mantêm-se válidos para a nova data. Todavia, quem pretender a devolução do dinheiro deve dirigir-se ao local de compra a partir da próxima quinta-feira. O prazo para devolução do dinheiro é de 30 dias e termina a 18 de Abril.
Quem adquiriu o bilhete através do site do Pavilhão Atlântico deve enviar um e-mail para ticketing@pavilhaoatlantico.pt , que a devolução do dinheiro será efectuada directamente para o cartão de crédito ou número de conta fornecida. Para os bilhetes comprados através do site Ticketline, deverá ser enviado um e-mail para ticketline@ticketline.pt.
Recorde-se que a banda alemã virá também a Lisboa para uma actuação no festival Rock in Rio, marcada para 1 de Junho.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Melhor Blogue de uma Biblioteca Escolar

Entre outros blogues, de outras bibliotecas escolares, fomos nomeados para a categoria de Melhor Blogue de uma Biblioteca Escolar.
De Fevereiro até Maio de 2008, será a altura de efectuar as nomeações; estas são livres e feitas inteiramente pelos visitantes, por email ou através deste blogue.
Na primeira quinzena de Junho, serão as votações para a eleição dos 10 melhores em cada categoria
Estes serão escolhidos através da selecção de um júri (40%) e votação popular num blogue a criar para o efeito, através de comentários/votações deixados por pessoas incritas no Blogger ou que tenham um blogue (60%). Ou seja, não serão permitidas nesta fase votações anónimas.
Os seis blogues de cada categoria com o maior número de votações/comentários serão seleccionados para a votação final.
Ainda em Junho, de 15 a 30, haverá a votação popular propriamente dita pela internet através de aplicação/programa a incluir para o efeito visando escolher os Melhores do Ano entre os dez vencedores das diferentes categorias.
Para saber mais, clica aqui.

Concurso de vídeos no YouTube "Biblio Filmes: Livros, Bibliotecas, Acção!"

O QUÊ?
Realização de um vídeo sobre as actividades desenvolvidas na Semana da Leitura e participação no BiblioFilmes. Concurso de vídeos no YouTube "Biblio Filmes: Livros, Bibliotecas, Acção!".
O concurso BiblioFilmes pretende lançar um desafio à Comunidade da Língua Portuguesa a fazer um "filme" (em vídeo ou telemóvel) a contar a sua história e provar o quanto gostam de ler, da sua biblioteca e/ou livros.

PARA QUEM?
Professores, Alunos, Funcionários de Bibliotecas, ... - na verdade, qualquer pessoa que goste da sua Biblioteca (Pública, Escolar, privada). Todos estão convidados a fazer um vídeo sobre a sua biblioteca preferida e/ou livro!

QUANDO?
Realização e envio dos filmes- até 2 de Abril de 2008 (Dia Internacional do Livro Infantil)
Período de votações- até 23 de Abril (Dia Mundial do Livro), em que serão anunciados os vencedores.

PARA SABER MAIS?
Visitem Bibliofilmes no blogue, no sítio oficial ou na secção para as Bibliotecas Escolares .

Elogio do Sofá


Para muitos de nós, é a doença ou a perda de um familiar que nos faz encarar pela primeira vez a morte. A minha mãe tem um cancro incurável no pulmão, embora nunca tenha fumado. Uma tarde, enquanto estava deitada na cama ao lado dela, ouvindo a sua respiração e o tiquetaque do relógio na mesinha-de-cabeceira, percebi pela primeira vez na minha vida que o tempo, um dia, irá acabar para todos nós.
Decidi estar com a minha mãe o mais tempo possível. Isto não tem nada com o sentido do dever, mas quero estar perto dela para apreciar o tom das suas gargalhadas, para a tranquilizar e para me tranquilizar com a sua presença. Mas conseguir tempo para estar com ela foi o meu maior desafio. Tal como a maioria das pessoas que conheço, sou uma pessoa muito ocupada. Tenho um marido, um filho de 4 anos cheio de energia e uma casa para governar. Também mantenho um emprego muito exigente como co-apresentadora de um programa na Rádio 4 da BBC chamado You and Yours (Você e as Suas Coisas).
Consenti a mim própria um sorriso forçado quando um dia cheguei ao emprego e me disseram que iríamos fazer uma série de programas para explorar o tema da falta de tempo.
A noção de que somos uma geração com escassez de tempo chegou até nós via Estados Unidos. Nunca tinha dado muita atenção a isto. Como é que eu – que sou uma pessoa com tantos electrodomésticos para poupar trabalho e um filho – tenho menos tempo livre do que a minha mãe, que teve seis filhos e nem sequer uma máquina de lavar?
Coloquei esta questão ao professor universitário americano que tem dedicado a vida ao estudo da falta de tempo. Ele salientou o facto de que, apesar de eu ter mais aparelhos para poupar trabalho, também tento manter a minha casa mais limpa do que a minha mãe.
"Somos uma geração que estabeleceu uma fasquia muito alta para si própria em quase todas as áreas da vida", disse ele. Lutamos para conseguir ultrapassá-los, criando horários tão sobrecarregados que andamos num constante estado de ansiedade.
Esta análise tocou num ponto fulcral. Eu desejo manter a casa mais limpa e arrumada do que a minha mãe. Tenho dinheiro para gastar em quadros, flores e mobília. Estou a tentar criar algo de perfeito e fico infeliz se vejo desarrumação ou pó. E, para ser sincera, gosto de exibir isso aos amigos. O meu marido goza comigo e diz que eu faço desaparecer todo e qualquer vestígio de vida humana antes de alguém chegar...
As ideias do professor, sobre o impacto das nossas vidas de trabalho, soou igualmente verdade. O trabalho tornou-se uma nova religião, uma forma de satisfazer a ânsia de encontrar um significado para a vida. Tentamos trabalhar para a obtenção de uma identidade e de um meio para assegurarmos o nosso futuro. E porque investimos tanto tempo no nosso trabalho, gostamos de nos auto-recompensarmos com coisas materiais.
Muitas vezes, gastamos o dinheiro antes de o termos ganho. A dívida é uma preocupação constante na nossa mente, mantendo-nos acorrentados a um trabalho monótono e árduo, mesmo quando ansiamos por uma folga.
O professor sugere que adoptemos a arte de «viver o momento» como um possível antídoto para o stress auto-infligido causado pela escassez de tempo.
É um conceito budista que significa que devemos aproveitar e tirar prazer de cada momento e actividade, em vez de tentarmos fazer muitas coisas de uma só vez e de estarmos constantemente a pensar e a antecipar os trabalhos que aí vêm.
Naquele dia, depois de entrevistar o professor, fui a correr do trabalho para casa a fim de levar o meu filho a um grupo de trabalho pós-escolar. Vendo como eu estava cansada, o meu marido ofereceu-se para o levar à aula, deixando-me com uma hora de tempo livre.
Comecei a fazer os preparativos para o jantar e descobri que me restava meia hora, por isso pensei que ainda conseguiria fazer uma daquelas pequenas tarefas do tipo «faça você mesmo». Mas, em vez disso, parei. Pensei em viver o momento e fui sentar-me no sofá.
Estava uma tarde bonita e, pela primeira vez em dois anos, desde que nos mudámos para esta casa, sentei-me sossegada a apreciar a vista. Vivemos numa aldeia na orla de Cotswolds, e a luz do Sol conferia à pedra uma cor próxima do caramelo. Aqueles vinte minutos pareceram imenso tempo, e, na verdade, quando o meu filho chegou eu já estava descontraída.
Desde então, e sempre que tenho oportunidade para isso, tenho praticado a arte de viver o momento. Apaguei da minha agenda tudo o que não era essencial, adiei os planos para a casa e jardim e recusei algum trabalho extra de prestígio.
A doença da minha mãe só acontece uma vez na vida e é nisso que estou concentrada. Nem uma só vez me senti pressionada ou privada de tempo para mim própria. À minha mãe é que foi, na verdade, roubado tempo, e isso fez com que eu libertasse a minha mente de tudo o que acreditava – erradamente – ser importante.
Ontem, sentei-me e vi um filme com o meu filho. E vi-o de facto. Não tentei ler um jornal ao mesmo tempo, como costumava fazer. Depois, observei-o enquanto adormecia e ouvi o tiquetaque do relógio, à medida que os momentos passam e não voltam mais.
Há coisas simples que podemos fazer para enriquecer as nossas vidas. O perigo maior reside na nossa pressa de saltar a fasquia que estabelecemos para nós próprios, esquecendo-nos de que o tempo é uma fonte limitada.

Winifred Robinson
Adaptação
Selecções do Reader's Digest
Outubro 2004

O Veado Doente

domingo, 16 de março de 2008

Páscoa Feliz

A Equipa da Biblioteca e Centro de Recursos do Agrupamento de Escolas Dom Paio Peres Correia deseja a toda a comunidade escolar e seus familiares, a todas as BECRE's e a todos os utilizadores deste blogue, uma Páscoa Feliz.

Semana da Leitura 2007/2008

Semana da Leitura 2007/2008 - Biblioteca e Centro de Recursos do Agrupamento de Escolas Dom Paio Peres Correia - Tavira

Poemas da Mentira e da Verdade

"Poemas da Mentira e da Verdade" de Luísa Ducla Soares, um dos livros mais requisitados na Semana da Leitura 07/08

Encosta-te a mim

"Encosta-te a mim", canção original do músico Jorge Palma, adaptada à realidade da turma pelos professores e interpretada pelos alunos da turma do 6ºB

Leituras de alunos

Participação dos alunos na Semana da Leitura 07/08, com leituras diversas

História de um Papagaio

Teatro na Semana da Leitura 07/08 - "História de um Papagaio", baseado numa história de António Torrado

Ler em Inglês

Ler em Inglês na Semana da Leitura 07/08 - The White Oryx, de Bernard Smith