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terça-feira, 23 de junho de 2009

São João Baptista


João Batista nasceu na cidade de Judá, quando os pais, Zacarias e Isabel, já eram idosos. Ele era um filho muito desejado, uma vez que Isabel era estéril e Zacarias, mudo. Ambos eram de estirpe sacerdotal. Isabel haveria de dar à luz um menino, cujo nome significaria "Deus é propício". Assim foi avisado Zacarias pelo Anjo Gabriel que o visitou anunciando a chegada do tão esperado herdeiro.
No ano 27, João apareceu como profeta e quando iniciou sua pregação muitos chegaram a acreditar que ele era o próprio Messias. Vestia-se como os sábios eremitas essênios da época, os quais usavam uma túnica grosseira feita de pele de camelo atada a um cinto de couro (representação da liberdade, da escolha do destino de cada um), e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. Para que se salvassem do pecado, as pessoas recebiam, por intermédio desse profeta, a ablução nas águas do rio Jordão (acto comum entre os essênios), prática chamada de baptismo, razão por que passou ele a ser conhecido como João Batista.
Fazia seus sermões e muitos eram aqueles que o ouviam e acompanhavam. Ele afirmava que o Reino de Deus estava próximo, baptizava a todos e pedia que repartissem seus alimentos e roupas com os mais pobres. Chegou a baptizar o próprio Cristo, embora se achasse indigno até mesmo de lhe desatar as sandálias.
No momento em que Jesus saiu da água, na cerimónia do baptismo, abriu-se sobre Ele uma nuvem e o Espírito Santo se manifestou através de uma pomba, não como uma pomba real, mas uma visão, algo muito pessoal entre Deus e Jesus. Jesus, então o definiu: "Ele é mais do que um profeta. Jamais surgiu entre os nascidos de uma mulher alguém maior que João Batista".Foi depois do baptismo que Jesus entendeu que começava então sua verdadeira missão. Passados de alguns meses, João foi preso mas, mesmo no cárcere, acompanhava os trabalhos de Jesus, fazendo perguntas por intermédio de mensageiros (Lucas 7, 19-29). Morreu degolado sob o governo do rei Herodes, por defender a moralidade e os bons costumes, por isso é reconhecido nos dias de hoje como um dos Santos mais populares em todo o mundo cristão. O dia 24 de Junho foi consagrado a S. João pois crê-se que ele nasceu nesta data.
São João é o santo que mais se festeja na Europa, sendo também o padroeiro de muitas terras em Portugal e no Brasil.
Há inúmeras tradições associadas às festas de S. João que variam de terra para terra, de região para região, havendo mesmo quem considere que a noite de S. João é uma noite mágica, propícia a milagres e adivinhações. Enfim, o imaginário à volta da figura deste santo é riquíssimo e variado.

Fonte
www.infonet.com.br
Wikipedia
O Leme

sábado, 13 de junho de 2009

Santo António de Lisboa


Ao assinalar-se mais uma noite de Santo António, aqui vai um brevíssimo resumo da vida desse grande português que é reconhecido e celebrado um pouco por todo o mundo.



Fernando de seu nome de baptismo, Santo António de Lisboa, ou Santo António de Pádua, nasceu por volta de 1195, em Lisboa, e morreu a 13 de Junho de 1231, em Pádua, na Itália. Aos vinte anos professou a vida religiosa entre os Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, no Mosteiro de S. Vicente de Fora. Ordenado sacerdote em 1220, fez-se frade franciscano no eremitério de Santo Antão dos Olivais, partindo depois para Marrocos em missão de apostolado aos muçulmanos. Foi dos mais categorizados representantes da cultura cristã no período de transição da pré-escolástica para a escolástica. Figura notável pela sua erudição, impôs-se também pelo exemplo na pregação solene e doutrinal, na discussão com os hereges e no ensino nas escolas conventuais. Por isso, é ainda hoje considerado uma das personalidades franciscanas mais significativas. Foi canonizado pelo papa Gregório IX, em 30 de Maio de 1233. Em Pádua foi erigida uma conhecida basílica em sua memória, e lá se encontram as suas relíquias.

Fonte:
Santo António de Lisboa. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2008.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Alfredo Keil (1850-1907)


O primeiro elemento da família Keil veio para Portugal em meados do séc. XIX. Chamava-se Johan Christian Keil, alemão de Hanover, exilado político, que em 1839 se estabeleceu em Lisboa, como alfaiate, aí passando a residir. Casado com Maria Josefina Stellpflug, de origem alsaciana, deram origem a uma família de artistas em várias áreas, principalmente na música e pintura. Deste casamento nasceu, no palácio de Barcelinhos, em 1850, aquele que viria a ser filho único do casal, Alfredo Cristiano Keil.

Mestre alfaiate Christian Keil possuía duas alfaiatarias na Rua Nova do Almada e viria a ser o alfaiate do rei D. Luís e de boa parte da aristocracia e burguesia rica lisboeta. Porém a sua clientela estendia-se a outros países. Muitos clientes vinham a Lisboa mandar fazer os seus fatos, visitar a cidade e ficariam amigos deste alemão emigrado e bem relacionado. Johan Keil rapidamente se liga à alta finança internacional, investe em diversas Bolsas e adquire uma fortuna considerável, nomeadamente em títulos e imóveis a render, em Lisboa.

O filho pôde assim ter urna educação de menino rico sem qualquer limitação nos seus estudos e viagens. Desde muito novo que Alfredo Keil mostrou um talento invulgar para a música, tendo, aos 12 anos, escrito a sua primeira peça musical com o título Pensé Musicale, que dedicou à mãe.

Estudou no Colégio de Santo António e, em 1858, já tinha lições de música com António Soller. Em 1860, com apenas 10 anos, frequentava o colégio Britânico na Rua Vale de Pereiro, em Lisboa. Teve lições de piano com o famoso pianista húngaro Oscar de La Cinna. Em 1869 viajou com o pai pela Europa, passando por Madrid, Paris, Genebra, Zurique, visitando museus e monumentos e acabando por ficar em Nuremberga, para frequentar a Academia Real de Belas Artes. A Guerra franco-prussiana, em 1870, força-o a regressar a Portugal, onde frequenta então aulas de pintura com Miguel Luppi. Teve ainda como professores de música, António Soares e Ernesto Vieira, e aulas de desenho com o professor Joaquim Prieto, da Academia Real de Belas Artes.

Em 1878 Keil concorreu à exposição de Paris com a tela “Melancolia”, que lhe valeu uma Menção Honrosa, e em 1879, recebeu a Medalha de Ouro na Exposição no Rio de Janeiro. Expôs também em Madrid com grande sucesso.

Fernando Pamplona, no Dicionário de Pintores e Escultores, refere-se nestes termos à pintura de Alfredo Keil: «o seu romantismo discreto, amável, sem exageros é temperado pelo clima realista da pintura do tempo.» E elogia a «sensibilidade de contemplativo em que se adivinha a influência de Corot». Maria Luísa Bártolo, por sua vez, dirá que Alfredo Keil tem uma «maneira delicada de tratar as figuras femininas, nos pormenores do adorno, na suavidade cálida do interior.»

Alfredo Keil casou, em 1876, com Cleyde Maria Margarida Cinatti, filha de um arquitecto e cenógrafo muito famoso na época, de nome Giuseppe Luigi Cinatti. O casal teve quatro filhos – Joana, Paulo, Guida e Luís. Joana morreu criança; Paulo morreu já adulto, sem filhos, Guida, que cursou Belas Artes e foi autora da obra «Carolina Coronado, poetisa romântica» (1960), tinha uma personalidade forte, para urna menina da sua época. Foi protagonista de uma aventura amorosa que parecia saída da pena de Camilo Castelo Branco, quando decide deixar marido e dois filhos para ir viver com o homem que amava.

Curioso que o seu divórcio foi o primeiro após a implantação de República. Viria depois a casar com o amor da sua vida – Francisco Coelho do Amaral. O primeiro filho, Francisco Keil do Amaral, nasceu em Abril de 1910 e deu origem a uma “dinastia” de arquitectos de renome, que ainda são vivos. Francisco Keil do Amaral (pai) é marido da grande pintora e ilustradora Maria Keil, nascida em 1914.

O quarto filho de Alfredo Keil, Luís, seguiu também na senda das artes tendo sido Conservador do Museu Nacional de Arte Antiga, Director do Museu dos Coches e Vice-Presidente da Academia Nacional de Belas Artes. Morreu tragicamente com a mulher e a única filha num desastre de automóvel, em 1947. E assim Alfredo Keil teve dos dois casamentos como descendente apenas a filha Guida.

Em 1874 já Alfredo Keil recebera duas medalhas por trabalhos de pintura expostos na Sociedade Promotora de Belas Artes, a que se somaram nos anos seguintes mais prémios, nomeadamente com as telas com os temas “Sesta” e “Meditação”. Este quadro viria a ser adquirido pelo Rei D. Luís.

Em 1883 sobe ao palco, no Teatro Trindade, a sua ópera cómica em um acto, “Susana”, escrita em em italiano, e em 1884 escreve a cantata “Pátria”, seguindo-se, em 1885, o poema sinfónico “Uma Caçada na Corte” e, em 1886, “As Orientais”.

Inspirada no poema de Almeida Garrett, em Março de 1888, estreia-se a ópera cm quatro actos, “Dona Branca”, dedicada ao rei D. Luís. Teve trinta representações de enorme sucesso e direito a reposição no ano seguinte. Esta ópera, também em italiano, foi igualmente aplaudida do outro lado do Atlântico, no Teatro Lírico do Rio de Janeiro.

Os quadros de Keil foram expostas em mais de uma dezena de Exposições da Sociedade Promotora de Belas-Artes e é impossível enumerar todos os prémios que recebeu.

Entretanto, na então chamada África Portuguesa, em finais do século XIX, havia graves conflitos com a Grã-Bretanha e o caso do “Mapa cor-de-rosa” que correspondia à perca de uma larga fatia do território português no continente africano, entre Angola e Moçambique, veio a desembocar, em 1890, no chamado “Ultimato inglês”. É então que Alfredo Keil, animado de sentimentos patrióticos, compõe a marcha “A Portuguesa” – ao som da qual, no ano seguinte, os revoltosos de 31 de Janeiro proclamaram a República no Porto.

Porém foi preciso aguardar mais uns anos para que o ciclo do regime monárquico desse lugar à República, a 5 de Outubro de 1910. Até esse dia, “A Portuguesa” esteve proibida de ser tocada em público. Depois, em 1911 é adoptada pela nova Constituição como Hino Nacional da República Portuguesa.

Alfredo Keil, que viajava muito e passava temporadas em Itália, a pátria da ópera, conseguia dividir o seu tempo entre a pintura e a composição musical.

Em 1893, foi cantada, em Turim a sua ópera “Irene”, baseada na lenda de Santa Iria. O sucesso foi enorme e o rei Humberto de Itália condecorou o compositor. Esta ópera foi, três anos mais tarde, levada à cena no Real Teatro de São Carlos de Lisboa.

Alfredo Keil trocava correspondência com compositores consagrados de outros países, nomeadamente Verdi e Massenet. Numa carta enviada a Verdi, o compositor português anexa a sua partitura de “Dona Branca” e Verdi respondeu-lhe, em Dezembro de 1890. O grande compositor escreve «Sei que a sua ópera teve um sucesso excelente no seu país e isso vale mais que uma crítica a frio de um compositor». Já Massenet, mais entusiasmado, tece-lhe rasgados elogios. Como vemos Alfredo Keil é um compositor à altura dos maiores do seu tempo.

A ópera de Alfredo Keil que mais tempo perdurou no tempo foi sem dúvida “Serrana”, a primeira com libreto em português, inspirada num romance de Camilo Castelo Branco, composta entre 1895 e 1899 e estreada com sucesso no Teatro São Carlos, em Março de 1899. É a sua peça musical mais conhecida, exceptuando “A Portuguesa”, e, no século passado, foi levada à cena mais onze vezes.

Diogo de Macedo coloca a obra de Alfredo Keil no período neo-romântico e diz que ele foi um pioneiro do “nacionalismo musical”.

Como pintor, Alfredo Keil deixou mais de 2000 obras, entre telas e desenhos, Como conhecedor de arte foi um grande coleccionador. Adquiriu telas de pintores como Lucca Giordano e diz-se que talvez possuísse um Brueghel. A sua colecção de instrumentos musicais antigos (cerca de 500) encontra-se no Museu da Música, em Lisboa.

Este autor, multifacetado legou-nos também obras escritas, contos e romances dos seus verdes anos e estudos como “Breve História dos Instrumentos de Música Antigos e Modernos” (1904), Colecções e Museus de Arte em Lisboa (1905), “Breve Notícia da Colecção Keil” de 1905 e um livro editado postumamente, “Tojos e Rosmaninhos”.

A 4 de Outubro de 1907, três anos e um dia antes de ser proclamada a República, Alfredo Keil morre, em Hamburgo, vítima de doença. Contava apenas 57 anos e deixou inacabada a ópera “Índia”, que começara a compor para as comemorações da chegada de Vasco da Gama à Índia.


Fonte e mais informação
O Leme

Henrique Lopes de Mendonça (1856-1931)


Henrique Lopes de Mendonça (Lisboa, 12 de Fevereiro de 1856 — 24 de Agosto de 1931) foi um militar, historiador, arqueólogo naval, professor, conferencista, dramaturgo, cronista e romancista português.


Filho de António Raulino Lopes de Mendonça e de Honorata Lopes de Mendonça, casado com Amélia Bordalo Pinheiro, teve três filhos que deixaram também o nome ligado às letras e artes: Virgínia Lopes de Mendonça (1881-1969)
contista e dramaturga, Alda Lopes de Mendonça, rendeira, e Vasco Lopes de Mendonça (1881-1963), engenheiro militar, ceramista e caricaturista.

Ingressou na Armada Portuguesa como Aspirante de Marinha em 27 de Outubro de 1871 sendo promovido a Guarda-Marinha em 1 de Novembro de 1874 e a Capitão de Mar-e-Guerra em 27 de Agosto de 1909, posto em que foi reformado em 25 de Maio de 1912.
Durante a sua carreira naval embarcou em diversos navios da Armada. As suas longas comissões de serviço a bordo tiveram nele efeitos diversos: algumas viagens em portos estrangeiros permitiram-lhe satisfazer alguns dos seus anseios culturais e artísticos, mas algumas das comissões em portos coloniais foram-lhe algo penosas, quer por razões de saúde quer por o manterem afastado do convívio intelectual e cultural.

Foi por diversas vezes professor da Escola Prática de Artilharia Naval, então instalada no rio Tejo a bordo da Fragata D. Fernando II e Glória.


Em Janeiro de 1887 foi nomeado para coadjuvar o conselheiro
João de Andrade Corvo na publicação dos estudos sobre as possessões ultramarinas.
Em Agosto de 1889 foi nomeado para proceder à elaboração de uma obra onde se historiassem metodicamente os feitos da Armada Portuguesa. Como fruto dessas investigações do seu consequente interesse pela arqueologia naval, publicou uma obra que designou Estudos sobre Navios Portugueses dos séculos XV e XVI.
Como escritor e dramaturgo, o Comandante Lopes de Mendonça iniciou a sua carreira em 1884 com a peça A Noiva. A sua obra seguinte, a peça A Morta, foi galardoada com o prémio
D. Luís I da Academia das Ciências de Lisboa.

Por ocasião do
Ultimato Inglês de 1890, escreveu, com música de Alfredo Keil, a marcha A Portuguesa que, em 1910 o Governo da República adoptou como Hino Nacional, trocando no verso a palavra bretões por canhões.
Entre 1897 e 1901 foi Bibliotecário da Escola Naval, o que após passou a professor da cadeira de
História da Escola de Belas-Artes de Lisboa.
Em 1900 foi eleito membro efectivo da
Academia das Ciências de Lisboa e, em 1915, foi nomeado seu presidente.
Em 1916 foi agregado à comissão nomeada pelo governo para propor as versões oficiais e definitivas para piano, canto, orquestra e banda do Hino Nacional.
Em 1922 foi nomeado presidente da comissão destinada a perpetuar a Viagem Aérea Lisboa-Rio de Janeiro.


Em 1925 foi co-fundador da
Sociedade Portuguesa de Autores.

O Comandante Lopes de Mendonça foi ainda membro da
Academia Brasileira de Letras desde 1923, sócio do Instituto de Coimbra, membro Honorário do Clube de Londres, vogal do Conselho de Arte Dramática e membro das Comissões Oficiais dos Centenários de Colombo e de Vasco da Gama.
Deixou escrito quase uma centena de obras teatrais, poesias, romances e estudos históricos.

Fonte e mais informação
Wikipedia
José Lúcio
Lopes Mendonça

Luís Vaz de Camões





Luís Vaz de Camões
Data de nascimento: provavelmente entre 1517 e 1524
Data de falecimento: 10 de Junho de 1580) é frequentemente considerado como o maior poeta de língua portuguesa e dos maiores da Humanidade. O seu génio é comparável ao de Virgílio, Dante, Cervantes ou Shakespeare. Das suas obras, a epopeia Os Lusíadas é a mais significativa.

Origens e juventude
Desconhece-se a data e o local onde terá nascido Camões. Admite-se que nasceu entre 1517 e 1525. A sua família é de origem galega que se fixou na cidade de Chaves e mais tarde terá ido para Coimbra e para Lisboa, lugares que reivindicam ser o local de seu nascimento. Frequentemente fala-se também em Alenquer, mas isto deve-se a uma má interpretação de um dos seus sonetos, onde Camões escreveu "[…] / Criou-me Portugal na verde e cara / pátria minha Alenquer […]". Esta frase isolada e a escrita do soneto na primeira pessoa levam as pessoas a pensarem que é Camões a falar de si. Mas a leitura atenta e completa do soneto permite concluir que os factos aí presentes não se associam à vida de Camões. Camões escreveu o soneto como se fosse um indivíduo, provavelmente um conhecido seu, que já teria morrido com menos de 25 anos de idade, longe da pátria, tendo como sepultura o mar.
O pai de Camões foi Simão Vaz de Camões e mãe Ana de Sá e Macedo. Por via paterna, Camões seria trineto do trovador galego Vasco Pires de Camões, e por via materna, aparentado com o navegador Vasco da Gama.
Entre 1542 e 1545, viveu em Lisboa, trocando os estudos pelo ambiente da corte de D. João III, conquistando fama de poeta e feitio altivo.
Viveu algum tempo em Coimbra onde teria frequentado o curso de Humanidades, talvez no Mosteiro de Santa Cruz, onde tinha um tio padre, D. Bento de Camões. Não há registos da passagem do poeta por Coimbra. Em todo o caso, a cultura refinada dos seus escritos torna a única universidade de Portugal do tempo como o lugar mais provável de seus estudos. Ligado à casa do Conde de Linhares, D. Francisco de Noronha, e talvez preceptor do filho D. António, segue para Ceuta em 1549 e por lá fica até 1551. Era uma aventura comum na carreira militar dos jovens, recordada na elegia Aquela que de amor descomedido. Num cerco, teve um dos olhos vazados por uma seta pela fúria rara de Marte. Ainda assim, manteve as suas potencialidades de combate.
De regresso a Lisboa, não tarda em retomar a vida boémia. São-lhe atribuídos vários amores, não só por damas da corte mas até pela própria irmã do Rei D. Manuel I. Teria caído em desgraça, a ponto de ser desterrado para Constância. Não há, porém, o menor fundamento documental de que tal fato tenha ocorrido. No dia de Corpus Christi de 1552 entra em rixa, e fere um certo Gonçalo Borges. Preso, é libertado por carta régia de perdão de 7 de Março de 1553, embarcando para a Índia na armada de Fernão Álvares Cabral, a 24 desse mesmo mês.

Oriente
Chegado a Goa, Camões toma parte na expedição do vice-rei D. Afonso de Noronha contra o rei de Chembe, conhecido como o «rei da pimenta». A esta primeira expedição refere-se a elegia O Poeta Simónides falando. Depois Camões fixa-se em Goa onde escreveu grande parte da sua obra épica. Considerou a cidade como uma madrasta de todos os homens honestos. Lá estudou os costumes de cristãos e hindus, e a geografia e a história locais. Toma parte em mais expedições militares. Entre Fevereiro e Novembro de 1554 vai na armada de D. Fernando de Meneses constituída por mais de 1000 homens e 30 embarcações, ao Golfo Pérsico, aí sentindo a amargura expressa na canção Junto de um seco, fero e estéril monte. No regresso é nomeado "provedor-mor dos defuntos nas partes da China" pelo Governador Francisco Barreto, para quem escreveria o Auto do Filodemo.
Em 1556 parte para Macau, onde continuou os seus escritos. Vive numa célebre gruta com o seu nome e por aí terá escrito boa parte d'Os Lusíadas. Naufragou na foz do rio Mekong, onde conservou de forma heróica o manuscrito de Os Lusíadas então já adiantados (cf. Lus., X, 128). No naufrágio teria morrido a sua companheira chinesa Dinamene, celebrada em série de sonetos. É possível que datem igualmente dessa época ou tenham nascido dessa dolorosa experiência as redondilhas Sôbolos rios.
Regressa a Goa antes de Agosto de 1560 e pede a protecção do Vice-rei D. Constantino de Bragança num longo poema em oitavas. Aprisionado por dívidas, dirige súplicas em verso ao novo Vice-rei, D. Francisco Coutinho, Conde do Redondo, para ser liberto. Em 1568, vem para a ilha de Moçambique, onde, passados dois anos, Diogo do Couto o encontrou, como relata na sua obra, acrescentando que o poeta estava "tão pobre que vivia de amigos". (Década 8.ª da Ásia). Trabalhava então na revisão de Os Lusíadas e na composição de "um Parnaso de Luís de Camões, com poesia, filosofia e outras ciências", obra roubada. Diogo do Couto pagou-lhe o resto da viagem até Lisboa, onde Camões aportou em 1570. Em 1580, de regresso a Lisboa, assistiu à partida do exército português para o norte de África. Morre numa casa de Santana, em Lisboa, sendo enterrado numa campa rasa numa das igrejas das proximidades.

Os Lusíadas e a obra lírica
Os Lusíadas é considerada a principal epopeia da época moderna devido à sua grandeza e universalidade. As realizações de Portugal desde o Infante D. Henrique até à união dinástica com Espanha em 1580 são um marco na História, marcando a transição da Idade Média para a Época Moderna. A epopeia narra a história de Vasco da Gama e dos heróis portugueses que navegaram em torno do Cabo da Boa Esperança e abriram uma nova rota para a Índia. É uma epopeia humanista, mesmo nas suas contradições, na associação da mitologia pagã à visão cristã, nos sentimentos opostos sobre a guerra e o império, no gosto do repouso e no desejo de aventura, na apreciação do prazer e nas exigências de uma visão heróica.
A obra lírica de Camões foi publicada como "Rimas", não havendo acordo entre os diferentes editores quanto ao número de sonetos escritos pelo poeta e quanto à autoria de algumas das peças líricas. Alguns dos seus sonetos, como o conhecido Amor é fogo que arde sem se ver, pela ousada utilização dos paradoxos, prenunciam o Barroco.

O estilo
É fácil reconhecer na obra poética de Camões dois estilos não só diferentes, mas talvez até opostos: um, o estilo das redondilhas e de alguns sonetos, na tradição do Cancioneiro Geral; outro, o estilo de inspiração latina ou italiana de muitos outros sonetos e das composições (h)endecassílabas maiores. Chamaremos aqui ao primeiro o estilo engenhoso, ao segundo o estilo clássico.
O estilo engenhoso, tal como já aparece no Cancioneiro Geral, manifesta-se sobretudo nas composições constituídas por mote e voltas. O poeta tinha que desenvolver um mote dado, e era na interpretação das palavras desse mote que revelava a sua subtileza e imaginação, exactamente como os pregadores medievais o faziam ao desenvolver a frase bíblica que servia de tema ao sermão. No desenvolvimento do mote havia uma preocupação de pseudo-rigor verbal, de exactidão vocabular, de modo que os engenhosos paradoxos e os entendimentos fantasistas das palavras parecessem sair de uma espécie de operação lógica.
As obras dele foram dividas em líricas e amorosas. Um exemplo das obras líricas foi Os Lusíadas, dividido em 10 cantos, exalta a conquista de Portugal na rota das índias.

Obras
• 1572- Os Lusíadas (texto completo)

Lírica
• 1595 - Amor é fogo que arde sem se ver
• 1595 - Eu cantarei o amor tão docemente
• 1595 - Verdes são os campos
• 1595 - Que me quereis, perpétuas saudades?
• 1595 - Sobolos rios que vão
• 1595 - Transforma-se o amador na cousa amada
• 1595 - Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
• 1595 - Quem diz que Amor é falso ou enganoso
• 1595 - Sete anos de pastor Jacob servia
• 1595 - Alma minha gentil, que te partiste

Teatro
• 1587 - El-Rei Seleuco
• 1587 - Auto de Filodemo
• 1587 - Anfitriões

Bibliografia
• "Os Lusíadas". Catálogo da Exposição Bibl., iconogr. e medalhística de Camões. Intr., sel. e notas de José V. de Pina Martins. Lisboa, 1972;
• Col. Camoniana de José do Canto. Lisboa, 1972.

Bibliografia activa
• Anfitriões. Pref. e notas de Vieira de Almeida. Lisboa, 1942;
• El-Rei Seleuco. Id. Ib., 1944;
• Obras completas. Com prefácio e notas de Hernâni Cidade. Lisboa, 1946-1947;
• Obra completa. Org., intr., com. e anotações de A. Salgado Júnior. R. de Janeiro, 1963;
• Os Lusíadas. Leitura, prefácio e notas de Álvaro J. da Costa Pimpão. Lisboa, 1992;
• Rimas. Texto estabelecido e prefaciado por Álvaro J. da Costa Pimpão. Coimbra, 1994

Bibliografia passiva
• Rebelo Gonçalves, Dissertações Camonianas. S. Paulo, 1937;
• António Salgado Júnior, Os Lusíadas e a viagem do Gama. O tratamento mitológico de uma realidade histórica. Porto, 1939;
• B. Xavier Coutinho, Camões e as artes plásticas. Porto, 1946-1948;
• J. Vieira de Almeida, Le théâtre de Camões dans l'histoire du théâtre portugais. Lisboa, 1950;
• H. Cidade, L. de Camões. Os Autos e o teatro do seu tempo. As cartas e o seu conteúdo biográfico. Lisboa, 1956;
• Jorge de Sena, Uma canção de Camões. Lisboa, 1966; id., Os sonetos de Camões e o soneto quinhentista peninsular. Lisboa, 1969;
• Georges le Gentil, Camões. Lisboa, 1969;
• Roger Bismut, La Lyrique de Camões. Paris, 1970;
• Vítor M. de Aguiar e Silva, Maneirismo e Barroco na poesia lírica portuguesa. Coimbra, 1971;
• M.ª Isabel F. da Cruz, Novos subsídios para uma ed. crítica da Lírica de Camões. Porto, 1971;
• Visages de L. de Camões. Paris, 1972;
• António José Saraiva, Camões. Lisboa, 1972;
• XLVIII Curso de Férias da Faculdade de Letras de Coimbra. Ciclo de lições comemorativas do IV Cent. da publ. de "Os Lusíadas". Coimbra, 1972;
• Luciano Pereira da Silva, A Astronomia de "Os Lusíadas". Lisboa, 1972;
• Ocidente (n.º especial). Nov. 1972;
• Garcia de Orta (n.º especial). Lisboa, 1972;
• Cleonice Berardinelli, Estudos Camonianos. R. de Janeiro, 1973; Estudos Camonianos. R. de Janeiro, 1974;
• João Mendes, Lit. Portuguesa I. Lisboa, 1974;
• E. Asensio, Sobre El Rey Seleuco de Camões, em Estudios Portugueses. Paris, 1974;
• Roger Bismut, Les Lusiades de Camões, confession d'un poète. Paris, 1974;
• Vítor M. de Aguiar e Silva, Notas ao cânone da Lírica camoniana. Coimbra, 1968 e 1975;
• Gilberto Mendonça Teles, Camões e a poesia brasileira. R. de Janeiro,1979;
• José Maria Rodrigues, Fontes dos Lusíadas. Lisboa, 1979;
• Quaderni Portoghesi, 6. Pisa, 1979;
• Studi Camoniani. L'Aquila, 1980;
• Homenaje a Camoens. Estudios y ensayos hispano-portugueses. Granada, 1980;
• Brotéria, vols. 110 e 111;
• Luís F. Rebelo, Variações sobre o teatro de Camões. Lisboa, 1980;
• A. Costa Ramalho, Estudos Camonianos. 2Lisboa, 1980;
• A. Pinto de Castro (et al.), Quatro orações camonianas. Lisboa, 1980;
• Eduardo Lourenço, Poesia e Metafísica. Lisboa, 1980;
• Hélder de Macedo, Camões e a viagem iniciática. Lisboa, 1980;
• Jorge de Sena, A estrutura de "Os Lusíadas" e outros estudos camonianos e de poesia peninsular do séc. XVI. Lisboa, 1980; id.,30 Anos de Camões. Lisboa, 1980;
• Cleonice Berardinelli, Os sonetos de Camões. Paris, 1980;
• Jorge Borges de Macedo, "Os Lusíadas e a História. Lisboa, 1980;
• J. G. Herculano de Carvalho, Contribuição de "Os Lusíadas" para a renovação da língua portuguesa. Coimbra, 1980;
• Vasco Graça Moura, L. de Camões: alguns desafios. Lisboa, 1980;
• José Hermano Saraiva, Vida Ignorada de Camões. Lisboa, 1980.
• W. Storck, Vida e obras de L. de Camões. Lisboa, 1980;
• Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa, 1980-1981;
• M.ª Vitalina Leal de Matos, Introdução à poesia de L. de Camões. Lisboa, 1980; id., O canto na poesia épica e lírica de Camões. Paris, 1981;
• M.ª Clara Pereira da Costa, O enquadramento social da Família de Camões na Lisboa do séc. XVI. Lisboa, 1981;
• José Pedro Machado, Notas Camonianas. Lisboa, 1981;
• J. Filgueira Valverde, Camões. Coimbra, 1981; Cuatro lecciones sobre Camoens. Madrid, 1981;
• A. Pinto de Castro, Camões, poeta pelo mundo em pedaços repartido. Lisboa, 1981;
• A Viagem de "Os Lusíadas": símbolo e mito. Lisboa, 1981;
• E. Asensio e J. V. de Pina Martins, L. de Camões. El Humanismo en su obra poética. Los Lusíadas y las Rimas en la poesía española. Paris, 1982;
• M.ª Lucília G. Pires, A crítica camoniana no séc. XVII. Lisboa, 1982;
• J. de Sena, Estudos sobre o vocabulário de "Os Lusíadas". Lisboa, 1982;
• Jacinto do Prado Coelho, Camões e Pessoa, poetas da utopia. Lisboa, 1983;
• H. Cidade, L. de Camões. I. O Lírico. Lisboa, 1985; id., L. de Camões. II. O Épico. Lisboa, 1985;
• Camoniana Californiana. St.ª Bárbara, 1985;
• Vasco Graça Moura, Camões e a divina proporção. Lisboa, 1985; id., Os penhascos e a serpente. Lisboa, 1987;
• Fidelino de Figueiredo, A épica portuguesa do séc. XVI. Lisboa, 1987;
• Martim de Albuquerque, A expressão do Poder em L. de Camões. Lisboa, 1988;
• J. A. Cardoso Bernardes, O Bucolismo português. Coimbra, 1988;
• M.ª Helena Ribeiro da Cunha, A dialéctica do desejo na Lírica de Camões. Lisboa, 1989;
• A. Costa Ramalho, Camões no seu e no nosso tempo. Coimbra, 1992;
• Actas das Reuniões Internacionais de Camonistas: I (Lisboa, 1973); III (Coimbra, 1987); IV (Ponta Delgada, 1984) e V (S. Paulo, 1992);
• Revista Camoniana (S. Paulo, 10 vols publ. desde 1964).
• Grande enciclopédia do conhecimento

Fonte
Wikipédia

O Trinca-Fortes










LUÍS VAZ DE CAMÕES
Poeta, c.1524 - c.1580











QUANDO TUDO ACONTECEU...
1524 ou 1525: Datas prováveis do nascimento de Luís Vaz de Camões, talvez em Lisboa
1548: Desterro no Ribatejo; alista-se no Ultramar
1549: Embarca para Ceuta; perde o olho direito numa escaramuça contra os Mouros
1551: Regressa a Lisboa
1552: Numa briga, fere um funcionário da Cavalariça Real e é preso
1553: É libertado; embarca para o Oriente
1554: Parte de Goa em perseguição a navios mercantes mouros, sob o comando de Fernando de Meneses
1556: É nomeado provedor-mor em Macau; naufraga nas Costas do Camboja
1562: É preso por dívidas não pagas; é libertado pelo vice-rei Conde de Redondo e distinguido seu protegido
1567: Segue para Moçambique1570: Regressa a Lisboa na nau Santa Clara
1572: Sai a primeira edição d’Os Lusíadas
1579 ou 1580: Morre de peste, em Lisboa.

PASSAGEM PARA A ÍNDIA
1552. Corpus Christi. No Largo do Rossio dois mascarados lutam com Gaspar Borges, funcionário da Cavalariça Real. Camões aproxima-se, reconhece os mascarados, são amigos seus. Não hesita, mete a mão no bolso e parte para a rixa. Faca em punho, movimento nervoso, cutilada no pescoço do adversário. A noite acaba em sangue. Camões é preso e levado para a cadeia do Tronco.A mãe, Dona Ana de Macedo, chora a prisão do filho. Vive em súplica de perdão para Luís: visita ministros reais e o próprio Borges. Passados nove meses a vítima, já restabelecida do ferimento, resolve atender ao pedido.
É dia de alguma liberdade para Camões. O poeta deixa as masmorras sob duas condições: primeiro tem de pagar multa de 4 mil réis ao esmoler d’El-Rei; depois, embarcar para a Índia e servir por três anos na milícia do Oriente.Em Março de 1553 o poeta parte para Goa na São Bento, nau incorporada à frota comandada pelo capitão Fernão Álvares Cabral. É soldado raso. Chega à capital da Índia portuguesa seis meses depois. Pena e papel sempre à mão, o poeta escreve sobre o que vê:

"(...) Cá, onde o mal se afina e o bem se dana,
E pode mais que a honra a tirania;
Cá, onde a errada e cega monarquia
Cuida que um nome vão a Deus engana;
(...) Cá neste escuro caos de confusão,
Cumprindo o curso estou da natureza.
Vê se me esquecerei de ti, Sião!" (1)

Camões participa numa expedição punitiva contra o Rei de Chemba, na Costa do Malabar, enviada pelo Vice-Rei D. Afonso de Noronha. Vitória. O poeta regressa a Goa. Em Fevereiro de 1554 parte novamente sob o comando de D. Fernando de Meneses. Desta vez em perseguição a navios mouros que comercializavam entre a índia e o Egipto, prejudicando o monopólio mercantil dos portugueses. A frota só volta à Índia em Novembro do mesmo ano.
Chegam as férias militares, fim do soldo. Para ganhar alguns trocados, Camões escreve versos e autos por encomenda de um poderoso senhor que os apresenta como seus à pretendida. Em troca, restos de comida. O poeta também se torna escriba público. São muitos os soldados analfabetos. Camões escreve cartas para os seus familiares no Reino. Assim vive em Goa até 1556:

"Junto de um seco, duro, estéril monte"(2).
"Numa mão sempre a pena e noutra a espada".(3)


O NAUFRÁGIO
Fim do estágio obrigatório na milícia do Oriente. Camões é nomeado provedor-mor em Macau, entreposto comercial de portugueses na China. É encarregado de arrolar e administrar provisoriamente os bens de pessoas falecidas ou desaparecidas. Lá, descobre uma estreita gruta, refúgio. Passa horas a escrever, Os Lusíadas: a viagem épica de Vasco da Gama e, no extremo sul da África, o gigante Adamastor a tentar impedir o avanço dos nautas portugueses:

«Eu sou aquele oculto e grande Cabo
A quem vós chamais de Tormentório.»


Heróis trágico-marítimos; deuses mitológicos, paixões, intrigas, batalhas, aventuras e cobiças. Histórias de um minúsculo Portugal em expansão, «mais do que prometia a força humana»...
Não tarda e é acusado, por compatriotas, de apropriação de dinheiro alheio. Camões tem de ir a Goa para responder a inquérito judicial.No regresso, o susto, o naufrágio. Está na Costa de Camboja, próximo do Rio Mecom. Camões salta do barco. Os Lusíadas colados ao corpo. Braçadas. Mais braçadas. Turbilhão de água, escassez de ar. Camões nada, incansavelmente. Terra firme. Ainda não perdeu os sentidos. Sabe que está vivo. Olhar de soslaio, o manuscrito está salvo. Já pode desmaiar. O corpo a transpirar, ardência, febre. A infância, paixões e conflitos, lampejos. Mazelas.

TRISTE VIDA SE ME ORDENA...
Fidalgo pobre, de família arruinada, tem uma infância cheia de privações. O pai, Simão Vaz de Camões, deixa filho e esposa, em busca de riquezas nas Índias. Morre em Goa. A família desamparada. O menino Luís Vaz assiste ao novo casamento da mãe. Um estranho ocupa o lugar do falecido.
É educado em Lisboa por dominicanos e jesuítas. Vive um período em Coimbra, onde faz o curso de Artes no Convento de Santa Cruz. O tio, D. Bento de Camões, é prior do Mosteiro e chanceler da Universidade. Camões frequenta os centros aristocráticos, onde tem acesso às obras de Petrarca - a quem toma por modelo -, Bembo, Garcilaso, Ariosto, Tasso, Bernardim Ribeiro, entre outros. Domina a literatura Clássica da Grécia e Roma; lê latim, sabe italiano e escreve o castelhano.
Conta-se que o poeta é levado a frequentar o Paço por D. António de Noronha, cuja morte é citada num soneto. Ali conhece Dona Caterina de Ataíde, Dama da Rainha, por quem se apaixona perdidamente. O objecto de paixão é imortalizado na sua lírica sob o anagrama de Natércia. Há quem diga ainda que o autor d’Os Lusíadas se enamora da própria Infanta D. Maria, irmã de D. João III, Rei de Portugal.
Talvez boatos, como tantos outros acerca de sua vida. O que se sabe ao certo é que os seus amigos são vadios que se amotinam pelas ruas da cidade; as suas mulheres, meretrizes. O Malcozinhado, bordel de má fama lisboeta, é o lugar preferido para refastelar-se. Gosta de fitar o sexo oposto. Assedia, fala, canta. É jocoso. Convida a dançar, cheiro a cravo. Saiotes a girar, contentamento.
Inspiração:

"Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente ;
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer..."(4)


Mas a vida do poeta não é feita só de encontros fortuitos. Alterna pequenos momentos de regozijo com indagações profundas sobre si mesmo. Nos seus pensamentos, os apetites carnais entram em colisão com a visão platónica que tem da mulher e dos sentimentos amorosos. Transfere a contradição para a lírica. Compõe o amor no seu mais alto anseio espiritual, afectivo. O amor transcendente, imaculado:

"Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude do muito imaginar,
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.
Se nela está minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo alcançar?
Em si somente pode descansar,
Pois consigo tal alma está liada." (3)

Mas também evoca o erotismo, os desejos e a arte de tão bem seduzir. Dirá mais tarde, n’Os Lusíadas:

"Oh! Que famintos beijos na floresta,
E que mimoso choro que soava!
Que afagos tam suaves, que ira honesta,
Que em risinhos alegres se tornava!
O que mais passam na manhã e na sesta,
Que Vénus com prazeres inflamava,
Melhor é exprimentá-lo que julgá-lo;
Mas julgue-o quem não pode exprimentá-lo." (5)


Num plano mais terreno, Camões tem outras inquietações. É apontado como sujeito folgado e briguento. Ganha a alcunha de Trinca-Fortes. As suas desavenças dão origem ao desterro, em 1548. Segue para o Ribatejo. No bolso, nem um vintém. Amigos afortunados garantem-lhe cama e comida.Vive seis meses na província, de favores. Resolve alistar-se na milícia do Ultramar. Embarca para Ceuta no Outono de 1549. Perde o olho direito numa escaramuça contra os mouros inimigos de Cristo. Em 1551, volta a Lisboa. Amargura, desilusão:

"(...) Que castigo tamanho e que justiça.
(...)Que mortes que perigos, que tormentas,
Que crueldades neles experimenta."(6)


O poeta anda muito calado. Reflexões. Confessa aos amigos que sente despedaçados todos os valores em que acredita, ele, homem de princípios cristãos. Aflito com as diferenças entre utopia e realidade, aspiração e recompensa. Já escrevera sobre a contradição entre o que julga ser moral, racional e o que realmente testemunha e vive. É o "desconcerto do Mundo, em que os bons vê sempre passar no mundo graves tormentos, os maus vê sempre nadar em mar de contentamentos" (1). Tais injustiças passam a ser tema constante na sua lírica. Descreve os seus infortúnios, aponta com desprezo a sede cobiçosa, o querer tiranizar (1). Também não lhe escapam as transformações às quais os homens estão sujeitos:

"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Muda-se o Ser, muda-se a confiança;
Todo mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades." (3)


AQUELA CATIVA...
Camões acorda na praia. Tudo embaçado, imagens sem sentido. Sonho e realidade confundem-se. Abandona-se. Chora a perda da mulher amada: Dinamene, a chinesa, "aquela cativa que me tem cativo"... Ela, que viajou em sua companhia, não sobreviveu ao naufrágio.
Luís Vaz levanta-se, caminhar trôpego, desconsolo:

"Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste." (3)


Permanece na região em companhia de monges budistas, até que um dia é levado de volta a Goa num navio português.

NASCE A OBRA
Em Goa, sempre as atribulações: um empréstimo aqui, outro acolá. Finta. Um credor zanga-se. Cadeia. Do cárcere, Camões invoca os bons ofícios do Conde de Redondo, vice-Rei da Índia Portuguesa, nuns versos humorísticos escritos por volta de 1562. O vice-rei concede-lhe a liberdade. O poeta é ainda distinguido com a sua protecção.
Nesta época mantém contactos com outras figuras importantes. Representa o auto do Filodemo ao governador Francisco Barreto. Compõe uma ode a favor do vice-rei D. Constantino de Bragança, defende-o contra críticas. Também é amigo do vice-rei Francisco de Sousa Coutinho. Ganha de um deles a nomeação para a feitoria do Chaul, mas não chega a ocupar o cargo. Convive com Diogo do Couto, o continuador das "Décadas", e com Garcia de Orta. O médico, naturalista e ex-catedrático de Lisboa pede-lhe uma ode para acompanhar a primeira edição dos "Diálogos dos Simples e Drogas".
Apesar das boas relações, Camões queixa-se da vida difícil. Resolve então celebrar as próprias desgraças, é o que diz aos companheiros. Banquete. Mas na mesa, não há iguarias nem bom vinho.

"Heliogábalo zombava das pessoas convidadas,
E de sorte as enganava,
Que as iguarias que dava
Vinham nos pratos pintadas.
Não temais tal travessura,
Pois já não pode ser nova;
Que a ceia está segura
De não vos vir em pintura,
Mas há de vir toda em trova." (3)


Em 1567, Camões conhece Pêro Barreto. Nomeado capitão para Moçambique, Barreto promete-lhe um emprego e adianta-lhe o pagamento da passagem. Dívida prolongada. Os dois brigam. O Capitão manda prendê-lo, rotina.
Fome. Os amigos mais uma vez ajudam-no. Inverno. Camões fecha-se na poesia. Retoca os seus Lusíadas. Deseja muito imprimi-los. Nestes dias de frio, o poeta nunca larga a sua pena: compõe o "Parnaso Lusitano", colectânea de poemas líricos. Obra de muita erudição, consideram os amigos. Um ladino leva-a, fim desconhecido.
Finais de 1569. Nos últimos meses, o poeta fala muito na Pátria, que tanto exalta em seus cantos. Saudades. Diogo do Couto junta uns amigos, compram roupas a Camões, pagam-lhes as dívidas e ajudam-no a deixar Moçambique.Camões chega a Lisboa na Santa Clara, em 1570. Traz com ele Jau, um escravo javanês comprado em Moçambique, e os dez cantos d’Os Lusíadas. Na capital portuguesa vai viver com a mãe, na Mouraria. A sua penúria é ainda maior. O poeta abatido pousa a cabeça na escrivaninha e queixa-se em voz baixa: "Ah! Fortuna cruel! Ah! Duros Fados! (7)

EDIÇÃO D’ OS LUSIADAS
Apenas uma ambição: editar Os Lusíadas. Macambúzio, roupa apertada e esgarçada, restos de altivez, o poeta pede ajuda ao Conde de Vimioso, D. Manuel de Portugal. Permissão real para levar adiante o seu projecto. Júbilo. O censor, Frei Bartolomeu Ferreira, concede-lhe o imprimatur. Mas antes, lê o poema e faz algumas modificações: limpeza de certos indícios de impiedade.Na oficina do Mestre António Gonçalves, à Costa do Castelo, a obra de Camões ganha corpo. Desatenção: duzentos exemplares cheios de erros tipográficos. Correm os primeiros meses de 1572.
Após a publicação, D. Sebastião, o jovem monarca, concede ao poeta uma tença trienal de 15 mil réis, ou seja 40 réis por dia, "em respeito aos serviços prestados na Índia e pela suficiência que mostrou no livro sobre as coisas de tal lugar". Vale lembrar que, nesta época, um carpinteiro ganha em média 160 réis por dia. A pensão é renovada em 1575 e novamente em 1578. Conta-se que o poeta sobrevive juntando estes proventos às esmolas recolhidas pelo escravo javanês.O seu nome começa a fazer eco. Composições líricas e até cartas suas - uma escrita em Ceuta, outra na Índia e mais duas escritas em Lisboa - passam a ser recolhidas em cancioneiros particulares manuscritos.

MORRE O AUTOR
Em 1579 a peste assola Lisboa. Num quarto escuro, Camões estirado na cama. Tem muita febre e já ninguém duvida que é mais uma vítima da doença. Na boca, um gosto, misto de gengibre, canela, cominhos e açafrão: remédio contra a pestilência. Dona Ana de Macedo segue todas as receitas conhecidas: sangria e até sumo de serpilho misturado com leite de mulher. Na casa, o fogo sempre aceso para queimar o ar que tresanda.
O autor d’Os Lusíadas está muito fraco, mas insiste em escrever. Remete uma carta a D. Francisco de Almeida, referindo-se ao desastre de Alcácer-Quibir, à ruína financeira da Coroa portuguesa, à independência nacional ameaçada. "Enfim acabarei a vida e verão todos que fui tão afeiçoado à minha Pátria que não só me contentei de morrer nela, mas com ela".
A mãe deixa o quarto, prato de comida intacto nas mãos. O poeta já não reage. Desvanece.

"Foge-me, pouco a pouco, a curta vida,
Se por acaso é verdade que inda vivo;
(...) Choro pelo passado; e, enquanto falo,
Se me passam os dias passo a passo.
Vai-se-me, enfim, a idade e fica a pena." (3)


OS ERROS E A FORTUNA
O seu corpo é sepultado num canto qualquer da banda de fora do cemitério do Convento de Santana. E ainda assim graças à Companhia dos Cortesãos, que paga as despesas do funeral. Segundo os amigos mais próximos, os últimos anos de Camões são vividos na mais absoluta miséria. À mãe deixa apenas a tença que lhe foi atribuída e a ela transferida.
Depois da sua morte cresce o interesse pelos seus poemas - apenas três deles publicados em vida - e pelos seus autos e comédias: Auto dos Anfitriões, Auto d’El Rei-Seleuco e o Auto de Filodemo.
Em 1548 sai a segunda edição d’Os Lusíadas, chamada "Dos Piscos". Expurgada pela censura, que a mutila, principalmente por motivos religiosos, até à quarta edição em 1609. Em 1670, contam-se 18 edições dos cantos. O tempo passa, estudiosos de vários pontos do mundo debruçam-se sobre a sua vida e obra. É elevado a herói nacional. O poeta ainda vivo, apesar do seu fado. Vivo pelo seu amor à Pátria, pela epopeia, pel’Os Lusíadas. Vivo pela sua angústia existencial, pela sua lírica: a mulher como anjo, porém a carne; a razão, porém o desejo; as ideias, porém o dia-a-dia; o espírito, porém o corpo. Luís Vaz dilacerado, violência, violência:

"Erros meus, má fortuna, amor ardente
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a fortuna sobejaram,
Que para mim bastava amor somente.
Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Que as magoadas iras me ensinaram
A não querer já nunca ser contente.
Errei todo o discurso dos meus anos;
Dei causa a que a fortuna castigasse
As minhas mais fundadas esperanças.
De amor não vi se não breves enganos.
Oh! quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Génio de vinganças!"


(1)"Rimas,1616 - (2) "Os Lusíadas", canto VII - (3) "Rhitmas, 1595 - (4) "Rimas", 1598 - (5) "Os Lusíadas", Canto IX - (6) "Os Lusíadas", canto IV - (7) "Rimas", 1668

Fonte

Wikipédia

Vidas Lusófonas

terça-feira, 5 de maio de 2009

Morreu Vasco Granja, célebre divulgador de BD


Morreu Vasco Granja, célebre divulgador de BD
Responsável pela divulgação de milhares de obras de banda desenhada e de cinema de animação junto de sucessivas gerações de pessoas, Vasco Granja faleceu ontem de madrugada, na sua residência, em Cascais. Contava 83 anos.
A televisão tornou o rosto de Vasco Granja familiar para milhões de pessoas. No entanto, apesar de ter conduzido na RTP mais de um milhar de programas dedicado à animação, o seu interesse por esta arte surgiu muito tempo antes, quando lia as revistas "O Mosquito" e "Tic-Tac" e passava horas nos cineclubes.
A paixão foi alimentada pelo facto de ter acumulado vários empregos ligados à área: trabalhou numa casa de fotografia, numa tabacaria ou Armazéns do Chiado e, finalmente, na livraria Bertrand, onde permaneceu quase trinta anos e dirigiu a revista "Tintin".
Apesar da histórica ligação à RTP, na qual colaborou entre 1974 e 1990, a verdade é que a maioria destes programas, intitulados "Cinema de animação", terá sido apagada dos arquivos da televisão pública.
Parte do sucesso do programa deveu-se ao esforço de Vasco Granja em mostrar a animação que havia para lá das portas do castelo de Walt Disney. Foi desse modo que deu a conhecer personagens como Bugs Bunny e a Pantera Cor-de-Rosa, mas também histórias de bonecos de plasticina, sombras chinesas ou com ursos de peluche animados, a maioria das quais provenientes da então pujante cinematografia de animação do Leste da Europa.
A sua faceta de divulgador foi ainda mais notória na banda desenhada, devendo-se ao seu esforço continuado a publicação de "Corto Maltese", de Hugo Pratt, pela Bertrand.
Cinéfilo apaixonado e militante do Partido Comunista, Vasco Granja foi detido duas vezes pela PIDE por organizar sessões de cinema, muitas delas com filmes que ia buscar por conta própria às embaixadas em Lisboa.
Da sua actividade consta também o papel determinante no arranque do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, que o homenageou com um troféu de honra em 1996, bem como a frequência dos festivais de BD no estrangeiro ou a organização dos ciclos de cinema de animação, dois dos quais para os detidos na Cadeia do Linhó.
O corpo do divulgador de BD estará em câmara-ardente a partir das 18.30 horas de hoje na capela da Damaia, na Amadora. O funeral realiza-se hoje às 15 horas, rumo ao cemitério de Rio de Mouro, Sintra, onde o corpo será cremado.
in Jornal de Notícias

Vasco Granja (Campo de Ourique, 10 de Julho de 1925 - Cascais, 4 de Maio de 2009) foi um apresentador de televisão português, reconhecido pelo seu grande contributo para a divulgação da animação e da banda desenhada em Portugal.
De seu nome completo Vasco de Oliveira Granja, nasceu a 10 de Julho de 1925, no bairro de Campo de Ourique, em Lisboa em Portugal, vindo a falecer em Cascais, na madrugada do dia 4 de Maio de 2009. Estudou na escola 12 do Bairro Alto, em Lisboa, e na Escola Industrial Machado de Castro, a qual abandonou após uma reprovação na disciplina de álgebra, no quarto ano.
Aos 15 anos de idade, encontrou o seu primeiro emprego, nos Armazéns do Chiado. Era responsável pelas amostras de seda que eram oferecidas às clientes. Algum tempo mais tarde, foi transferido para o departamento de publicidade, quando notaram que tinha um grande gosto pela leitura. Pintava cartazes com anúncios para as montras.
Como o ordenado não era suficiente, mudou de emprego, tendo ido trabalhar para a Foto Áurea, na Rua do Ouro, em Lisboa, estabelecimento esse que hoje já não existe. Nessa altura, visitava com frequência a Biblioteca Nacional, que estava aberta aos jovens. Interessava-se já por museus, pintura e pelo desporto, tendo sido sócio do Benfica durante algum tempo.
Durante a sua infância, apaixonou-se pelo cinema. Como na altura não existia classificação etária nos cinemas, percorreu todos os que existiam em Lisboa.
Casou-se com Maria Inácia, uma jovem de família oriunda do Ribatejo, que conheceu num baile em Lisboa. Tiveram uma filha e duas netas.
No decorrer dos anos 50, durante o regime fascista em Portugal, associou-se ao movimento cineclubista. Em Lisboa, participava no aluguer de salas e na projecção de filmes obtidos através das embaixadas, em formato de 16 milímetros. Os filmes tinham sempre que passar pela censura. Apesar disso, conseguiam mostrar filmes do
neo-realismo italiano. Em 1952, foi detido pela PIDE, em consequência do dinheiro dos bilhetes para os filmes se destinar a financiar o movimento de resistência ao regime do Estado Novo. Esteve preso durante seis meses, na prisão do Aljube.
Em 1960, esteve presente no festival de animação de
Annecy, em França, a representar Portugal. Durante essa viagem, a primeira fora do seu país, ganhou uma nova paixão pela animação. O cineasta canadiano de animação Norman McLaren tornou-se o seu maior ídolo. Viria a conhecê-lo pessoalmente.


Vasco Granja esteve ligado ao PCP e participou na festa do jornal do partido, a festa do Avante.
Durante os anos 60, foi novamente detido pela
PIDE, devido à sua ligação na altura ao Partido Comunista Português, mais concretamente à célula comunista dos cineclubes. Esteve preso durante 16 meses, tendo cumprido parte desse tempo em Peniche. Na prisão, foi submetido a várias torturas físicas e psicológicas, como a tortura do sono.
Em 1974, deu início a um novo programa de televisão, denominado "Cinema de Animação", na RTP, que viria a durar 16 anos, com mais de mil programas transmitidos. Nesses programas, dava a conhecer a animação de todo o mundo, desde aquela que era realizada nos países do leste da Europa, até à proveniente da América do Norte. Pretendia, com o seu programa, divulgar, para além da própria animação, uma mensagem de paz, que considerava estar presente em muitos dos filmes da Europa de Leste que transmitia.
Ainda em 1974, foi membro do júri do Festival Internacional de Banda Desenhada de
Angoulême.
Em 1975, criou um curso de cinema de animação, a partir do qual viria a nascer a Associação Portuguesa de Cinema de Animação.
Em 1980, foi membro do júri da quarta edição do Animafest, o Festival Mundial de Animação de Zagreb, realizado na então Jugoslávia. Participara já como observador neste festival na edição de 1974, logo após o 25 de Abril.
Permaneceu na RTP até 1990.
Teve uma breve aparição no programa humorístico de televisão
Herman Enciclopédia, em 1998, durante a qual parodiava os seus próprios programas sobre animação.
A
Festa do Avante de 2006, organizada pelo Partido Comunista Português, contou com a sua participação na selecção de filmes de animação de diversas origens, com particular destaque para películas oriundas da antiga Checoslováquia.
in
Wikipedia

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Miguel de Cervantes Saavedra (1547-1616)


Romancista, dramaturgo e poeta espanhol. Foi o criador de D. Quixote (1605) e é considerado uma das figuras mais importantes da literatura espanhola. Nasceu em 1547, em Alcalá de Henares, Espanha, e morreu em 1616, em Madrid, no dia 23 de Abril. Depois de ter estudado em Madrid, Cervantes partiu para a Itália e tornou-se soldado. Participou na batalha marítima de Lepanto, em 1571, na qual perdeu o uso da mão direita. Passadas muitas aventuras, incluindo cinco anos de captura nas mãos dos turcos, regressou a Espanha, em 1580.
Em 1585 escreveu La Galatea, o seu primeiro livro de ficção, no novo estilo elegante da novela pastoral. Com a ajuda de um pequeno círculo de amigos, que incluía Luis Gálvez de Montalvo, o livro deu a conhecer Cervantes a um público sofisticado. As últimas edições em espanhol surgiram em Lisboa, em 1590, e em Paris, em 1611. Na mesma altura, durante a "idade de ouro" do teatro espanhol, também se dedicou ao drama. Em 1585 foi contratado para escrever peças para Gaspar de Porras. A que mais se destacou foi La Confusa, considerada por Cervantes a melhor que alguma vez criou. Escreveu cerca de vinte ou trinta peças teatrais, mas apenas duas sobreviveram: El Trato de Argel e La Numancia. Seguiu-se uma pausa na sua carreira literária. Depois de falhar como dramaturgo e de verificar que não conseguiria viver apenas da literatura, tornou-se comissário de aprovisionamento da Armada Invencível, em 1587.
Em 1604, Cervantes vendeu os direitos da primeira parte da novela El ingenioso hidalgo Don Quixote de la Mancha. Em Janeiro do ano seguinte, a obra foi publicada e tornou-se um sucesso imediato. Em Agosto do mesmo ano, foram realizadas várias edições: duas em Madrid, duas em Lisboa e uma em Valência. Num curto espaço de tempo, o nome de Miguel de Cervantes passou a ser tão conhecido em Inglaterra, em França e em Itália, como em Espanha.
Em 1613 foram publicadas doze pequenas histórias, à maneira italiana, as Novelas Ejemplares, cujo prólogo continha a única imagem autêntica do autor. No mesmo prólogo, Cervantes reivindica-se como o primeiro a escrever novelas originais em castelhano. Em 1614 foi publicado a Viage del Parnaso, com o objectivo de glorificar um grande número de poetas contemporâneos e satirizar outros. É um longo poema alegórico, de escárnio mitológico e escrito em forma satírica, com um pós-escrito em prosa. Em 1615, depois de perder todas as esperanças de ver as suas peças em palco, oito delas foram publicadas em conjunto com oito interlúdios cómicos, com o título de Ocho Comedias y Ocho Entremeses Nuevos. Posteriormente, esta obra foi reconhecida como uma das melhores do género. Em 1615 Alonso Fernández de Avellaneda, admirador de Lope de Vega, publicou, em Tarragona, a Segunda parte del ingenioso Cavallero Don Quixote de la Mancha. No prólogo, Avellaneda insultou Cervantes que, como era esperado, lhe respondeu de uma forma mais comedida. Em 1616 a obra foi publicada em Bruxelas e em Veneza e, um ano depois, em Lisboa. A grande maioria das pessoas consideram esta segunda parte mais rica e mais profunda do que a primeira. Nos últimos anos de vida, Cervantes trabalhou em várias obras, tais como Bernardo, o nome lendário de um herói épico espanhol; Semanas del Jardín, uma colecção de fábulas; e a continuação de La Galatea. A única publicada postumamente foi Los Trabajos de Pérsiles y Segismunda, história setentrional, em 1617. Nessa obra, Cervantes procurou renovar os romances heróicos de aventura e de amor, à maneira de Aethiopica de Heliodorus. Explorou, assim, o potencial mítico e simbólico do romance. Na dedicatória, escrita três dias antes de morrer, Cervantes despediu-se comovidamente, dizendo-se "com um pé já no estribo". Miguel de Cervantes morreu em 1616, possivelmente vítima de hidropisia, de arteriosclerose ou de diabetes, parecendo ter alcançado uma serenidade final de espírito.
© 2003 Porto Editora, Lda.

in Wook

Mais informação
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William Shakespeare (1564-1616)


Poeta e dramaturgo inglês nascido em 1564, em Stratford-Upon-Avon, e falecido em 1616. O seu aniversário é comemorado a 23 de Abril e sabe-se que foi baptizado a 26 de Abril de 1564. Stratford-Upon-Avon era então uma próspera cidade mercantil, uma das mais importantes do condado de Warwickshire. O seu pai, John Shakespeare, era um comerciante bem sucedido e membro do conselho municipal. A mãe, Mary Arden, pertencia a uma das mais notáveis famílias de Warwickshire. Shakespeare frequentou o liceu de Stratford, onde os filhos dos comerciantes da região aprendiam Grego e Latim e recebiam uma educação apropriada à classe média a que pertenciam. São conhecidos poucos factos da vida de Shakespeare entre a altura em que deixou o liceu e o seu aparecimento em Londres como actor e dramaturgo por volta de 1599. Em 1582 casou com Anne Hathaway, oito anos mais velha do que ele, e o casal teve três filhos: Suzanna (nascida em 1583), e os gémeos Hamnet e Judith (nascidos em 1585). A primeira referência a Shakespeare como actor e dramaturgo encontra-se em A Groatsworth of Wit (1592), um folheto autobiográfico da autoria do dramaturgo londrino Robert Greene, onde o escritor é acusado de plágio. Nesta altura Shakespeare era já conhecido em Londres, embora não se saiba com exactidão a data do seu aparecimento na capital. Em virtude do encerramento dos teatros londrinos entre 1592-94, Shakespeare compôs nessa época dois poemas narrativos: Venus and Adonis (publicado em 1593) e The Rape of Lucrece (publicado em 1594). No Inverno de 1594 integrou a mais importante companhia de teatro isabelina, The Lord Chamberlain's Men, onde permaneceu até ao final da sua carreira. A companhia deveu à popularidade de Shakespeare o seu lugar privilegiado entre as restantes companhias de teatro até ao encerramento dos teatros pelo Parlamento inglês em 1642. Em 1598 foi inaugurado o Globe Theatre, o teatro da companhia a que Shakespeare se associara, construído pelo actor e empresário Richard Burbage no bairro de Southwark, na margem sul do Tamisa. Depois da ascensão ao trono de Jaime I (em 1603) a companhia The Lord Chamberlain's Men passou para a tutela real, e o seu nome foi alterado para The King's Men. A passagem de Shakespeare pelos palcos associa-se a breves desempenhos: Adam na peça As You Like It e o fantasma (Ghost) em Hamlet. Depois de ter comprado algumas propriedades em Strattford, Shakespeare retirou-se para a sua terra natal em 1610, mantendo todavia o contacto com Londres. O Globe Theatre foi destruído pelo fogo no dia 23 de Junho de 1613, durante uma representação da peça Henry VIII. Além de uma colecção de sonetos e de alguns poemas épicos, Shakespeare escreveu exclusivamente para o teatro. As suas 37 peças dividem-se geralmente em três categorias: comédias, dramas históricos e tragédias. Entre os dramas históricos, género que primeiro cultivou, destacam-se Richard III (Ricardo III), Richard II (Ricardo II) e Henry IV (Henrique IV). Entre as suas comédias contam-se Love's Labour's Lost, The Comedy of Errors, The Taming of the Shrew, a comédia de intenção séria The Merchant of Venice (O Mercador de Veneza), As You Like It (Como Quiserem) e A Midsummer Night's Dream (Um Sonho de Uma Noite de Verão). A tragédia não é uma forma que pertença exclusivamente a um determinado período na evolução da obra de Shakespeare. Sob influência de Marlowe, a forma de tragédia já se encontrava nas peças que dramatizavam episódios da História inglesa. Em Romeo and Juliet (Romeu e Julieta) e Julius Caesar (Júlio César) Shakespeare combinou a perspectiva histórica com uma interpretação trágica dos conflitos humanos. O período em que Shakespeare escreveu as suas grandes tragédias iniciou-se com Hamlet, escrita entre 1600-1602, a que se seguiram Othelo, Macbeth, King Lear, Anthony and Cleopatra e Coriolanus, todas elas compostas entre 1601 e 1608. Na última fase da carreira de Shakespeare situam-se as peças de tom mais ligeiro: Cymbeline, The Winter's Tale e The Thempest. Parte das obras de Shakespeare foram publicadas durante a vida do autor, por vezes em edições pirateadas, mas só em 1623 apareceu a edição "Fólio", compilada por John Heminges e Henry Condell, dois actores que tinham trabalhado com Shakespeare. No século XVIII as peças foram publicadas por Alexander Pope (em 1725 e 1728) e Samuel Johnson (em 1765), mas só com o Romantismo se compreendeu a profundidade e extensão do génio de Shakespeare. No século XX reforçou-se a tendência para considerar a obra de Shakespeare integrada nos contextos dramáticos que a suscitaram.
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sábado, 14 de fevereiro de 2009

14 de Fevereiro - Dia de São Valentim

Dia de São Valentim
O Dia dos Namorados, tratado em muitos países como Dia de São Valentim, é uma data comemorativa na qual se celebra a
união amorosa entre casais, quando é comum a troca de cartões com mensagens românticas e presentes com simbolismo de mesmo intuito, tais como as tradicionais caixas de bombons em formato de coração. No Brasil, a data é comemorada no dia 12 de Junho, já em Portugal, a data é celebrada em seu dia mais tradicional: 14 de Fevereiro.

Quem foi São Valentim?
São várias as teorias sobre a origem de São Valentim e a sua associação ao Dia dos Namorados. A teoria mais simplista apresenta São Valentim como um simples mártir que, em meados do séc. III d.C., recusou abdicar da fé cristã que professava.
A outra teoria, mais elaborada, defende que, na mesma altura, o Imperador Romano Claudius II teria proibido os casamentos, de forma a angariar mais soldados para as frentes das suas batalhas. No entanto, um sacerdote de nome Valentim, teria violado o decreto imperial, realizando casamentos em segredo. Após ter sido descoberto, Valentim foi preso, torturado e condenado à morte. Enquanto esteve na prisão, ele teria recebido muitas mensagens de encorajamento e flores das pessoas que acreditavam no amor. Surgiu também, durante o seu cativeiro, uma mulher de nome Júlia, filha do seu carcereiro, cega desde nascença, que visitara-o com alguma frequência levando-lhe comida e muita conversa. Diz a história que Valentim, sensibilizado com o problema de Júlia, implorou diariamente a Deus para que a fizesse recuperar a visão. Certo dia, durante uma das suas visitas, uma luz iluminou a cela e Júlia começou a chorar… ela começou a ver. Perante este milagre, toda a sua família converteu-se ao Cristianismo. Claudius II, sabendo desta história e percebendo que Valentim não tinha renunciado o seu Deus, condenou-o à morte. Ambas as teorias defendem que São Valentim fora um sacerdote cristão, fora mártir e que teria sido morto a 14 de Fevereiro de 269 d.C..

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Quanto à data, algumas pessoas acreditam que se comemora neste dia por ter sido a data da morte de São Valentim. Por outro lado, outros reivindicam que foi a Igreja Católica a decidir celebrar a ocasião nesta data como uma forma de cristianizar as celebrações pagãs da Lupercalia. Resumidamente, Fevereiro era o mês oficial do início da Primavera, sendo considerado o tempo de purificação. O dia 14 de Fevereiro, na Antiga Roma, era dedicado à Deusa Juno – a Deusa das mulheres e do casamento. No dia seguinte, 15 de Fevereiro, iniciava-se a Lupercalia celebrando-se assim o amor e a juventude. Durante os festejos, eram sorteados os nomes dos apaixonados que teriam de ficar juntos, sendo que muitas vezes esses casais apaixonavam-se e casavam. São Valentim, como tinha sido morto a 14 de Fevereiro, foi razão para fazer uma adaptação da Lupercalia ao cristianismo, tornando-o o protector dos enamorados. São Valentim, além de proteger os namorados, é patrono dos Apicultores, e também é invocado contra a Peste.
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Dia se São Valentim

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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Charles Robert Darwin (1809-1882) - 200º aniversário do seu nascimento



Charles Robert Darwin
(Shrewsbury, 12 de Fevereiro de 1809 — Downe, Kent, 19 de Abril de 1882)
Foi um naturalista britânico. O seu pai, Dr. Robert Darwin, foi um físico proeminente da época. A sua mãe, Susannah, morreu quando Charles Darwin tinha oito anos e, por uma razão ou por outra, ele nunca teve dela recordações muito vivas. De facto, ao longo de toda a sua vida, Darwin nunca foi um bom observador de pessoas, tenho sido, no entanto, um excelente observador de objectos e animais.

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Darwin não foi um aluno brilhante, pois não se interessava pelas matérias que lhe ensinavam na escola. Estava destinado a viver da fortuna da família, mas o seu pai convenceu-o a optar por uma profissão.

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Em 1825, Charles Darwin foi estudar medicina, tendo desistido dois anos mais tarde, para ingressar no curso de direito na Universidade de Cambridge. Aí, um dos seus professores, Prof. Henslow, convenceu-o a levar mais a sério o seu interesse pelas Ciências. Em Janeiro de 1831, Darwin formou-se. O Prof. Henslow falou-lhe então de um navio, o H.M.S. Beagle, que iria partir para uma viagem à volta do mundo numa missão de investigação e, assim, em 27 de Dezembro de 1831, Darwin partiu numa expedição que iria durar cinco anos e que se iria tornar um marco da história da Ciência.

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Darwin experimentou e aprendeu vários aspectos da biologia e da vida durante a sua permanência no navio, mas só quando chegou ao Arquipélago dos Galapagos, é que realmente se lhe "fez luz". Aí, descobriu que existiam inúmeras diferenças e semelhanças entre os animais das diversas ilhas e do continente. Recolheu exemplares e conduziu diversas experiências para análise e estudos futuros.

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Em 1836, Darwin regressou a Inglaterra, tendo casado com Emma Wedgwood em 1837. O casal instalou-se então na cidade de Downe. Aí, passou o resto da sua vida a escrever livros, a estudar, a conduzir experiências e a corresponder-se com outros cientistas. Morreu em 19 de Abril de 1882.

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Alcançou fama ao convencer a comunidade científica da ocorrência da evolução e propor uma teoria para explicar como ela se dá por meio da selecção natural e sexual. Esta teoria se desenvolveu no que é agora considerado o paradigma central para explicação de diversos fenómenos na
Biologia. Foi laureado com a medalha Wollaston concedida pela Sociedade Geológica de Londres, em 1859.

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Darwin começou a se interessar por história natural na universidade enquanto era estudante de Medicina e, depois,
Teologia. A sua viagem de cinco anos a bordo do Beagle e escritos posteriores trouxeram-lhe reconhecimento como geólogo e fama como escritor. Suas observações da natureza levaram-no ao estudo da diversificação das espécies e, em 1838, ao desenvolvimento da teoria da Selecção Natural. Consciente de que outros antes dele tinham sido severamente punidos por sugerir ideias como aquela, ele as confiou apenas a amigos próximos e continuou a sua pesquisa tentando antecipar possíveis objecções. Contudo, a informação de que Alfred Russel Wallace tinha desenvolvido uma ideia similar forçou a publicação conjunta das suas teorias em 1858.

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No decurso do seu trabalho, Charles Darwin, desenvolveu diversas teorias e ideias controversas. É dele a frase "Na maior parte dos casos, não há dois organismos da mesma espécie que sejam semelhantes". É ele também o autor das ideias da selecção natural e da sobrevivência do mais apto. Isto significa, para Darwin, que a Terra não sustenta todo e qualquer indivíduo, mas que apenas aqueles que se adaptam e vencem a competição por comida e abrigo, estão aptos para sobreviver. Darwin expressou esta e outras descobertas da sua viagem no seu livro "On the Origins of Species by Means of Natural Selection", em 1859.
Em seu livro de 1859, "
A Origem das Espécies" (do original, em inglês, On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or The Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life), ele introduziu a ideia de evolução a partir de um ancestral comum, por meio de selecção natural. Esta se tornou a explicação científica dominante para a diversidade de espécies na natureza. Ele ingressou na Royal Society e continuou a sua pesquisa, escrevendo uma série de livros sobre plantas e animais, incluindo a espécie humana, notavelmente "A descendência do Homem e Selecção em relação ao Sexo" (The Descent of Man, and Selection in Relation to Sex, 1871) e "A Expressão da Emoção em Homens e Animais" (The Expression of the Emotions in Man and Animals, 1872).

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Darwin publicou muitas outras obras expondo as suas teorias e a sua biografia. Foi igualmente pioneiro em muitos temas controversos no campo das ciências. As suas ideias foram realmente revolucionárias, tendo iniciado uma linha de pensamento totalmente original.
Em reconhecimento à importância do seu trabalho, Darwin foi enterrado na
Abadia de Westminster, próximo a Charles Lyell, William Herschel e Isaac Newton. Foi uma das cinco pessoas não ligadas à família real inglesa a ter um funeral de Estado no século XIX.

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FRASES CÉLEBRES DE CHARLES DARWIN:
"A man´s friendships are one of the best measures of his worth" (as amizades de um homem são uma das melhores medidas de quanto vale)
"An American Monkey after getting drunk on Brandy would never touch it again, and thus is much wiser than most man" (um macaco americano depois de se embebedar com brandy nunca mais volta a bebê-lo, neste sentido é muito mais sensato do que a maioria dos homens)
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quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Nobel da Literatura: Jean-Marie Gustave Le Clézio


Jean-Marie Gustave Le Clézio, distinguido este ano com o Prémio Nobel da Literatura, escreveu o seu primeiro livro aos sete anos durante uma travessia marítima rumo à Nigéria.
A sua literatura confunde-se com as viagens, que não cessou de empreender. Ganhou a admiração de filósofos como Michel Foucault e Gilles Deleuze, que apreciaram a sua escrita inovadora e revoltada.
Filho de um cirurgião britânico e de uma francesa da Bretanha, nasceu em Nice, sul da França, em 13 de Abril de 1940.
Formado em Letras, trabalhou na Universidade de Bristol e de Londres, em Inglaterra, dedicando uma tese ao poeta Henri Michaux, também ele um viajante. Com 23 anos ganha o Prémio Renaudot, um importante galardão francês, por um ensaio que ainda hoje é considerado magistral, "Le procès-verbal".
Depois de ensinar nos Estados Unidos, em 1967 cumpre o serviço militar na Tailândia, como cooperante, donde é expulso por denunciar a prostituição infantil. Termina o seu serviço militar no México.
Durante quatro anos, de 1970 a 1974, partilha a vida com índios do Panamá, uma experiência que terá grande influência na sua escrita. Depois, ensina em Albuquerque, nos Estados Unidos.
A sua obra, que compreende contos, romances, ensaios, novelas, traduções de mitologia ameríndia, numerosos prefácios e artigos, é considerada como crítica do Ocidente materialista e uma atenção constante aos mais fracos e aos excluídos.
Numa sondagem, realizada em 1994 pela revista francesa Lire, foi considerado como o "maior escritor vivo da língua francesa".
Casado e pai de duas filhas, Le Clézio vive em Albuquerque, mas desloca-se frequentemente entre Nice e uma casa que possui na Bretanha.
"O Processo de Adão Pollo", "O caçador de tesouros", "Deserto" (considerado a sua obra-prima), "Estrela errante", "Diego e Frida", "Índio branco", são os livros de Le Clézio traduzidos em Portugal, cuja obra ultrapassa os 50 títulos.
CMJ.
Lusa
© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.2008-10-09 13:05:01



sábado, 4 de outubro de 2008

Dia Mundial do Animal


Quatro de Outubro é o Dia Mundial do Animal, a mesma data em que se festeja o Dia de São Francisco de Assis, um grande defensor da Natureza e dos animais.
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Franciscus van Assisi nasceu em Assis, velha cidade da Itália, situada na região da Úmbria em 26 de Setembro de 1182.
Francisco, quando ainda não era santo tentou ser comerciante, mas não obteve sucesso. Nas cruzadas, lutou pela fé, mas com objectivos individuais de se destacar e alcançar glórias e vitórias. Passou por um período de doença na sua vida, a partir do qual decidiu passar a ajudar os mais carenciados.
Segundo contam livros com a história de sua vida, Francisco recebeu um chamado de Deus, largou tudo e passou a viver como errante, sem destino e maltrapilho. Desde então, adoptou um estilo de vida baseado na pobreza, na simplicidade de vida e no amor total a todas as criaturas.
Sempre se referia aos animais como irmãos: irmão fera, irmã leoa. Chegou a comprar pássaros engaiolados só para os ver voar de novo em liberdade.
São Francisco de Assis também amava as plantas e toda a natureza: irmão sol, irmã lua... São expressões comuns na fala do santo, um dos mais populares até os nossos dias.
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Morreu a 4 de Outubro de 1226. Dois anos após a sua morte foi santificado.
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Em 1929 no Congresso de Protecção Animal em Viena, Áustria, foi declarado o dia da morte de São Francisco de Assis como o Dia Mundial do Animal, por Francisco de Assis ser tão bondoso para os animais.
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Em Outubro de 1930, foi comemorado pela primeira vez o Dia Mundial do Animal.
A 15 de Outubro de 1978 foram registados os direitos dos animais através da aprovação da Declaração Universal dos Direitos do Animal pela UNESCO. O Dr. Georges Heuse, secretário-geral do Centro Internacional de Experimentação de Biologia Humana e cientista ilustre, foi quem propôs esta declaração.
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Este dia celebra-se em mais de 45 países, como forma de homenagear estes nossos amigos, em especial aqueles que sofrem por serem abandonados, explorados ou maltratados.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Dinis Machado



Dinis Machado (Lisboa, 21 de Março de 1930 - Lisboa, 3 de Outubro de 2008) foi um jornalista e escritor português.
Viveu no Bairro Alto até 1963. Foi jornalista desportivo no Record, Norte Desportivo, Diário Ilustrado e Diário de Lisboa.
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Organizou no princípio da década de 1960 os primeiros ciclos de cinema da Casa da Imprensa e publicou críticas na revista Filme.
Também escreveu poesia, fez entrevistas e publicou três romances policiais sob o pseudónimo Dennis McShade na colecção Rififi, então dirigida por ele: Mão direita do Diabo (1967), Requiem para D. Quixote (1967) e Mulher e arma com guitarra espanhola (1968).
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O seu maior sucesso literário, tanto junto da crítica como do público, foi O que diz Molero, publicado em 1977 e que já foi traduzido para quatro idiomas (alemão, búlgaro, castelhano e romeno). A sua adaptação ao teatro, feita por José Pedro Gomes e António Feio, foi também um sucesso
Também é autor de Discurso de Alfredo Marceneiro a Gabriel Garcia Marquez (1984), de Reduto quase final (1989) e de Gráfico de vendas com orquídea (1999).
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Dinis Machado, em entrevista ao Pessoal e Transmissível da TSF, em 2007, defende que a escrita ensina as pessoas a conhecerem-se.
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Dinis Machado, escritor, jornalista desportivo, crítico de cinema e ainda autor de banda desenhada, faleceu, esta sexta-feira em Lisboa, aos 78 anos.
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Bibliografia
Machado, Dinis - Discurso de Alfredo Marceneiro a Gabriel Garcia Marquez, Bertrand, 1984
Machado, Dinis - Mão Direita do Diabo, Colecção Rififi, D.Quixote, 1968
Machado, Dinis - Mulher e Arma com Guitarra Espanhola, Coleccão Rififi, D.Quixote, 1968
Machado, Dinis- O que diz Molero, Bertrand, 1977
Machado, Dinis- Reduto quase final, Bertrand,1989
Machado, Dinis- Requiem para D.Quixote, Colecção Rififi, D.Quixote 1968